Uma renda de dois milhões de euros, coisa pouca

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Li hoje (sim, só hoje) a entrevista ao “Expresso” do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier. Procurava respostas às mil e uma perguntas que gostava de lhe fazer, procurava entender melhor o que vai ser da Cultura em 2014, como vão resolver o impasse dos apoios ao cinema, que estratégias existirão para que o teatro não morra, quais os planos para que, mesmo com menos dinheiro, nos tornemos num país mais interessado e interessante, que quer pensar e precisa de pensar. Em duas páginas, não encontrei respostas para nada. E mais, fiquei a saber que o Estado paga 2 milhões (sim, dois milhões!) de euros por ano só para a renda do Teatro Camões, que alberga a Companhia Nacional de Bailado. De um Orçamento efectivo que ronda os 150 milhões de euros para todas as actividades culturais, para apoio a todos os programas culturais do país, de todas as áreas da cultura, 2 milhões de euros são para pagar uma renda de um teatro. Um escândalo! Incrível como o fim-de-semana passou e isto passou ao lado de toda a gente.

6 Comentários

  1. Boa noite.

    As perguntas que o Arrumadinho coloca são muito pertinentes.

    Portugal parece um estagiário que foi trabalhar para uma multi-nacional que tem tanto para fazer que não sabe para onde se virar, então decide ir beber um café para arejar as ideias. Depois, entre tantos assuntos importantes, esquece-se de todos.

    É óbvio que eu acho que a educação, a economia e a saúde são sectores aos quais se deve dar extrema importância. No entanto através da cultura instiga-se espírito crítico, ensina-se as pessoas a pensar com estrutura e elas aprendem a ouvir os Marcelos Rebelos de Sousa e Migueis Sousas Tavares desta vida e a não comer e calar opinões feitas. Aprendem a receber informação de forma crítica e a agir com base nas suas opiniões. Eu não estou a fazer uma apologia ao entretenimento, mas à cultura (ler a bold). A cultura não é uma necessidade vazia. E atrevo-me a dizer que é tão importante como a saúde e a economia

    As suas perguntas são muito importantes porque reflectem também as minhas preocupações. Em todo o mundo o conhecimento e a cultura são permanentemente descurados em prol da produtividade. Será assim tão importante sermos extremamente produtivos, se isso implica que nos tornemos umas bestas que não sabem apreciar obras de arte e sem qualquer tipo de curiosidade?

  2. Nada contra o apoio ao cinema, ao teatro e às artes em geral, mesmo que suspeite que os ditos devem rodar entre famílias e compadres, (tudo da mais fina extracção), mas pergunto, o património agrícola popular – noras, azenhas e moinhos – que jazem em ruínas aos milhares por todo o país, (vá pronto, centenas), não são cultura?
    Nem ao menos aqueles do Alto do Restelo, que até ficam em plena Quequarilândia?
    Bem, eu sou assim meio simplório e se calhar não estou a ver bem a coisa e os ditos não interessam nem ao menino Jesus nem têm importância cultural (e turística) nenhuma . Se calhar é isso.

  3. Desconhecia e é de facto um absurdo e um escândalo. Infelizmente há imensa coisa que passa ao lado sem que nada mude e ninguém reaga, é o comodismo português no seu melhor!

  4. Boa tarde

    Sabe a quem são pagos esses 2 milhões de euros anuais? Ao Estado. O Estado tira do orçamento da cultura e injecta 2 milhões de euros anuais no orçamento da Parpública. Se calhar esse é que é o escândalo. Se calhar…

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