Uma História com uma Grande Mulher Dentro

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Há quem saiba contar histórias de amor em livros, há quem saiba mostrar histórias de amor em filmes, mas ontem, na SIC, houve histórias de amor a sério contadas por gente que as viveu. Foram, verdadeiramente, histórias com gente dentro, uma reportagem (mais uma) fantástica da Ana Sofia Fonseca, que muito admiro, e com quem já tive o prazer de trabalhar e beber uns sumóis no Bairro Alto.

Houve a história das gentes que moram no lugar de Amor, uma pequena localidade ao pé da Marinha Grande. Houve a história de um homem que amou uma mulher de forma intensa durante dois anos, até que a morte os separou, e ele nunca mais amou ninguém. E houve também a história da miúda de 23 anos que largou as suas “coisinhas” para ser feliz ao lado de Deus, num convento. Mas o que mais me marcou foi mesmo a história da mulher que nunca foi amada, a mulher que perseguiu o pai dos dois filhos porque achava que os filhos precisavam de um pai e o que encontrou foi um monstro, que vivia com cinco mulheres na mesma casa, de quem tinha 13 filhos. Foi esse monstro que a mutilou, queimando-lhe a boca com mármore em brasa, foi esse monstro que fez com que aquela mulher perdesse a oportunidade de amar e ser amada. Em frente à câmara, não se lamentou – apesar de as lágrimas lhe correrem pela cara. Disse apenas que sonha um dia poder fazer uma plástica, e acredita que um dia vai dizer a toda a gente que é a pessoa mais feliz do mundo.
É perante vidas destas que os nossos problemas mundanos se revelam insignificantes.

Necessitávamos de mais bolachadas na cara destas para percebermos que por vezes somos uns idiotas quando nos achamos miseráveis.

1 Comentário

  1. Ando aqui um bocado indecisa sobre onde e o que é que comento. Gostei da sinopse do Mata Sete (adorei, para dizer a verdade), mas histórias de amor e de coragem… são histórias de amor e de coragem.

    Aterrei há uns minutos aqui, pela primeira vez. Shame on me nunca ter tido conhecimento do blog do marido da Pipoca Mais Doce. Mas do jornalista já tinha ouvido falar. Talvez por isso, o meu primeiro click tenha sido imediatamente para a categoria Jornalismo.

    Bom blog Arrumadinho. Gostei muito! Espero voltar. 🙂

  2. pois é. tiraste-me as palavras da boca. porque eu também vi. e doeu-me tanto ouvir o relato dela que até desviei os olhos…
    o arroz de casca
    G.

  3. Grande grande reportagem. E grande texto Arrumadinho. E sim o ser humano precisa destas bofetadas de realidade de quando em vez, a ver se acorda e vê que afinal nos sai os euromilhões todos os dias!

    Big kisses

    ML

  4. Essa reportagem já deu há uns tempos, ultimamente têm repetido (o que eu acho muito mas muuuuito bem). Devoro quase todas as reportagens da SIC e as que não devoro é mesmo porque não estou em casa ou num local com tv para as ver (embora prefira sempre o meu sofá). Por isso agradeço por as repetirem. Por acaso não revi esta reportagem mas vi-a da primeira vez. Chorei, chorei muito. Como o amor pode ser tanto para uns e não ser nada para outros… E fez-me ver a vida de uma outra forma. Desde sempre que tive essa reportagem na minha cabeça, essa e "A Lucidez da Loucura" da Cristina Boavida. Existem coisas que, por serem tão boas, verdadeiras e bem feitas, não nos deixam viver da mesma maneira. Graças a Deus!

  5. Não que não soubesse das monstruosidades de que o ser humano é capaz (devido à minha profissão lidei com isso durante muito tempo)..não que não soubesse o que isso provoca nas vítimas desses crimes hediondos mas, ouvi-la de forma tão eloquente a relatar as marcas físicas e psicológicas que aquele homem lhe deixou fez-me sofrer com ela..com aquela extraordinária mulher que um dia sonhou em morar num palácio e ser uma princesa.

    Sónia

  6. Vi essa reportagem no Domingo. E da reportagem toda, belissima, também foi essa a historia que me marcou, que me fez chorar perante o que aquela mulher sofreu e perante a esperança que mesmo assim mantém. Incomodou-me tanto que não comentei com ninguem, mas a historia desde domingo que não me sai da cabeça. Hoje constatei que várias pessoas a viram, que são vários os blogues que lhe fazem referencia. E rezo para que entre tantos que a viram, haja alguem com o poder de lhe mudar a vida. Fico feliz, mesmo assim, por saber que pelo menos a plástica ela ja fez. Falta o resto, falta o principal…

    Isabel

  7. Amor – Freguesia com Concelho de Leiria, Distrito de Leiria. Fica mais perto de Leiria, que da Marinha Grande. (Sorry, Arrumadinho, foi mais forte do que eu)… By the way, grande reportagem. 😀

  8. Ao anónimo com dificuldades de compreensão: eu digo que ele é um monstro, não porque vive com cinco mulheres, mas porque mutilou uma delas enfiando-lhe uma placa de mármore em brasa pela boca. Se não viu o programa, vá ver. E se não viu o programa, não diga disparates, sim?

  9. Achas que ele é um monstro porque vive com 5 mulheres e tem 13 filhos. Não consigo ver onde está a monstruosidade de viver com várias mulheres, na mesma casa, se é consensual e todos adultos. Ou há assim tanta diferença daqueles que têm apenas uma mulher em casa e várias outras, cada uma na sua casa?

    Ele é monstro porque usou de extrema violência para, segundo escreves, "afastar a mulher que" o "perseguiu". Se bem que, há mulheres, na prisão, que mataram quem as perseguia e eu não as veja como monstros. Mas, pronto, não conheço esta história e não sei se contaste todos os factos factos ou se escreveste apenas o teu ponto de vista.

    Lá porque se tem um amor não correspondido, não quer dizer que nunca se foi amado.
    Ao dizeres que "perdesse a oportunidade de amar e ser amada" estás a dizer o quê? Só os bonitos, perfeitos é que podem amar e ser amados?
    Os feios, os mutilados, os doentes não amam nem são amados?
    Pelos vistos, até monstros são amados!

    Não dizias tu que elas gostam é dos maus? Pois bem, aí está um exempo.
    Por estas e por outras que concordo com quem defende a ideia de que devemos casar com a/o nossa/o melhor amiga/o.

  10. Amor fica mais pertinho de Leiria, assim como pertence ao mesmo concelho e não ao da Marinha Grande. Como habitante tive de deixar o reparo.
    Abraço

  11. Assino por baixo!! Como é possivel o (ser humano)??????? ser tão monstuoso!!! Eu só ouvi até a Senhora contar metade,vi ligo que vinha ali um horror!!É nestas alturas que tenho pena de não ser rica!!Pagava-lhe uma operação!! Não tirava o que sofreu,mas ajudava muito!

  12. Depois da reportagem fui para a casa de banho chorar como gente grande. Meu Deus, o que aquela Mulher sofreu, não é justo. Ainda agora ouço uma das primeiras frases dela "O amor para mim não é nada". Não é justo.

  13. Eu já vi essa senhora no programa do Manuel Luís Goucha. Já fez cirurgia plástica e está a recuperar para as cirurgias seguintes. Muito triste a história. De facto nós queixamo-nos de tudo: queremos calor se está frio, queremos frio se está calor, queremos tudo, tudo. E no entretanto esquecemos de agradecer o presente.
    Abraço

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