Um dia sem fim

17
4147

Hoje foi um daqueles dias non-stop, sempre a correr de um lado para o outro, e sempre rodeado de criançada.

Para abrir a pestana, começou tudo às cinco da matina, hora a que saltámos da cama (no plural, foi mesmo a família toda) para ir levar a sodôna ao aeroporto. Deixámo-la lá perto das 6h10 e voltámos para casa. Primeiro drama: voltar a pôr o miúdo a dormir. Disse-lhe que tinha de descansar até às 9h, para depois ter energia para o dia. Concordou. Deitou-se ao meu lado. Um minuto depois…

“Já é quase de dia…”

30 segundo depois…

“Quantos minutos faltam para as nove da manhã?”

2 minutos depois…

“E agora?”

1 minuto depois…

“Quanto tempo já passou?”

6 minutos depois…

“Papá, já são quase nove?”

Não! Ainda são 6h50, e se vais continuar com perguntas não dormes tu, nem durmo eu, e depois vais andar o dia todo com birra de sono.

Resignou-se. E calou-se.

30 minutos depois…

“Papá, já é de dia, posso ir para a sala ver o Phineas&Ferb?”

Vai!, pronto.

E foi. Ainda tentei dormir mais uns minutos, mas acho que só adormeci aí às 8h50 e o despertador tocou às 9h.

O dia ainda não tinha verdadeiramente começado e já estava cheio de sono e cansado.

Às 10h, três amigos da escola chegaram cá a casa, para uma espécie de festa de aniversário antecipada e intimista. Jogaram ao comilão, skylanders, Super Mário, andaram de baloiço, de slide, correram que se fartaram, comeram pizzas ao almoço e perto das 15h fui deixá-los noutra festa de aniversário, curiosamente de um dos amigos do meu filho, que estavam com ele.

Fui então a correr a casa dos meus sogros buscar o pequeno Mateus (que foi poupado à gritaria dos mais velhos), passei no Pingo Doce a comprar umas coisas de última hora, fui à FNAC buscar o presente que faltava, e antes das 17h estava em Campo de Ourique para recolher o mais velho. Depois, foi correr para casa, já que estava a chegar a família para a terceira festa do dia. Chegaram ainda antes das 18h, hora a que o Mateus costuma estar mais birrento, e em que mistura ali o princípio de sono com o cansado do dia, o descarregar do stresse. A casa não estava propriamente calma, com o meu filho mais velho e as duas primas a correrem sempre de um lado para o outro e a brincarem às escondidas pelas casa, sempre com aqueles guinchos de excitação que só os putos conseguem emitir.

Depois de o conseguir finalmente arrancar do colo da avó, da bisavó, da tia e da tia-avó, lá lhe consegui dar a comida, um banho e pô-lo a dormir. Caiu para o lado em três tempos.

Só agora, já perto das onze da noite, e quase 18 horas depois de ter acordado, voltei a ter silêncio em casa. A minha ideia era a de me sentar finalmente ao computador a trabalhar um pouco. Mas até para acabar este texto me faltam as forças. Pronto, foi o possível.

17 Comentários

  1. Concordo consigo, Ana.
    Se fosse comigo, talvez não sentisse medo de ir de taxi. Mas para mim ir de taxi para algum lado é sempre a última alternativa, logo talvez preferisse que o mê’home me levasse. Se isso implicasse ter que levantar o filhote assim tão cedo, talvez o deixasse na avó a dormir…

    Mas isto não é o relato do meu dia e todos os dias lidamos com as escolhas dos outros diferentes das nossas, e nem por isso entramos a chocar de frente.

    Aborrecimento.

  2. mas qual é o mal? sao meras escolhas poxa

    nao me interessa se é por ele achar inseguro, se é pq se qeria despedir, ou ate pq achou mais economico (estou a entrar no campo das varias hipoteses)

    qualquer q seja a escolha vao sempre haver opinioes favoraveis e contrarias, mas de toda a forma ele escolheu levar a mulher ao aeroporto e o texto nao gira acerca disso, gira acerca do facto de ter pouco sossego, e andar em correria um dia inteiro

    é assim tao dificil cingirmo-nos ao facto de q o arrumadinho se limitou a descrever um dia um pouco mais comprido e portanto ficou sem grande cabeça/forças pro trabalho?

  3. Oh gente deste mundo e qual o drama de levantar o miudo uma vez às cinco da matina? Na certa até gostou da experiencia!
    Tanta regra, tanta imposição, tanto “não se pode isto e aquilo” com os miudos! Até parece que morrem se se levantarem de madrugada.
    Sabem que há pais que têm de sair de cedissimo de manhã e têm de obrigatóriamente por os filhos a pé ainda de madrugada para os levar a ATL ou familiares? Isso sim é uma violência para as crianças. Mas que os pais nem sempre conseguem contornar. Agora isto? É memso vontade de criticar tudo e todos!

  4. E chamar o taxi para casa (portanto, vem buscá-la mesmo à porta), deixando-a depois no aeroporto? Em que é que isso pode não ser seguro? O taxista ser um tarado? Isso pode ser qualquer um, a qualquer hora do dia ou da noite…

  5. Sim! É muuuuito perigoso! É de evitar… mesmo! Acordar uma criança às 5 da matina é muito mais sensato.
    Esta cidade está para lá de insegura!

  6. Por acaso também achei um bocado utópico achar que conseguiria adormecer o mais velho depois de ele estar acordado há tanto tempo. As crianças não costumam reagir muito bem a isso… Mais valia o miúdo ter ficado a dormir noutro sítio qualquer. Mas pronto, um dia não são dias e o puto não é meu :p

    PS: ‘Depois, fui correr para casa’ em vez de ‘foi’.

DEIXE UMA RESPOSTA