Tens o pé numa galera, outro no fundo do mar

0
8998

A decisão do Tribunal Constitucional, que votou pela inconstitucionalidade de algumas normas do Orçamento do Estado para este ano, veio lançar pólvora na política nacional e carregou ainda mais as nuvens que pairam sobre o País. O primeiro-ministro já falou sobre o assunto, o líder da oposição também (José Sócrates), o líder do PS disse as banalidades do costume, Cavaco Silva fez o que melhor sabe fazer: ficou calado.

A declaração de Pedro Passos Coelho ao País foi infeliz. O discurso foi mau, mal direccionado, e os tiros saíram quase todos ao lado. A mensagem foi esta: íamos no bom caminho, tínhamos uma estratégia, a decisão do Tribunal Constitucional estragou tudo, e pode lançar-nos numa situação complicadíssima. Errado. Não íamos no bom caminho, a estratégia que o Governo está a seguir tem tido mais pontos negativos do que positivos, e a decisão do Tribunal Constitucional diz apenas que as medidas que o Governo queria aplicar violam a Constituição.

É muito fácil tirar um País de uma situação dramática se violarmos a Constituição e atropelarmos os direitos fundamentais das pessoas. Mas isso não vale. As regras básicas do jogo são para se cumprir. Os constitucionalistas que contribuíram para a elaboração do Orçamento do Estado deveriam ser afastados e substituídos por gente mais competente, que saiba interpretar a Constituição.

Também não concordo com o primeiro-ministro quando diz que o Tribunal Constitucional deveria perceber a situação excepcional em que o País se encontra. Não, não acho que assim seja. A Constituição não pode ser adaptada ou interpretada à medida dos ventos que correm. Bem sei que a lei tem letra e tem espírito, mas os princípios fundamentais, como a igualdade, não devem ser interpretados, mas apenas seguidos.

O ataque ao Tribunal Constitucional é um caminho fácil, um escape político, uma tentativa para justificar os tempos ainda mais negros que nos esperam. Ao contrário do que o primeiro-ministro deu a entender, o País não estava a caminhar solidamente em direcção à salvação. Portugal estava, e está, numa posição de grande fragilidade social, política e económica, a chegar aos limites, e este erro político de apresentar medidas inconstitucionais no Orçamento do Estado pode deixar-nos numa ruptura iminente.

Quase tão irresponsável como isto é a posição de António José Seguro, que me merece cada vez menos respeito e credibilidade. O líder do PS demonstra diariamente um desejo cego de chegar ao poder, quando deveria canalizar as suas valências para tentar encontrar uma solução para ajudar a salvar o País. A sua única mensagem é a de que devemos ir para eleições antecipadas. Para quê? Para o PS chegar ao poder? E depois? Qual é o caminho? Qual é a estratégia? Qual é a política que nos vai tirar do buraco? Se Seguro sabe isto tudo, então que nos mostre a sua estratégia, porque eu só o ouço dizer que o Governo já não tem condições e deve cair. Eleições, numa altura como esta, iriam obrigar o País a um ano de atrasos, a um ano à deriva, a um ano de mais gastos desnecessários, a um congelamento da economia e das finanças, e Portugal precisa de tudo menos disso.

Portugal também não precisa de guerras e tricas políticas, de frases feitas, lugares comuns, demagogias baratas. O que Seguro está a fazer é uma birrinha sem sentido e infantil. “Ai querem a ajuda do PS? Então agora não dou”. Tem de dar. Seguro insiste na tecla do “o País precisa de um novo Governo, de novas políticas, de outro caminho, de outro rumo”. A sério? Eu nunca fui político, não sou candidato a primeiro-ministro, e também sei isso. Mas quais políticas? Qual caminho? Qual rumo? Como é que saímos disto? São essas soluções que eu espero que os partidos políticos encontrem. Foi para isso que as pessoas votaram neles.

Numa altura em que o País precisa de se salvar, não precisamos de um herói, precisamos de actos heróicos. Não precisamos de saber se é o PS, o PSD, o CDS ou o PC que nos vão salvar, nem de gente que quer colher louros. Precisamos do contributo de todos, de união partidária, de um esforço colectivo, de diálogo construtivo.

Para mim, a solução passa por uma forte remodelação governamental e por uma abertura total do Governo ao diálogo. Deve chamar todos os partidos com assento parlamentar, os parceiros sociais, e ouvi-los, mas ouvi-los mesmo, não é só para dizer que os ouviu. Precisamos de um Governo que chame representantes da sociedade civil, especialistas, gente com conhecimentos, válida, que partilhe ideias.

Agora, tudo isto só é possível se houver abertura e um forte sentido de Estado e de responsabilidade.

É por isso que eu estou preocupado, porque, pelo que vi até agora, esta classe política continua muito mais interessada em mostrar que tem razão, em fazer cair o adversário político, do que eu encontrar um caminho para Portugal.

1 Comentário

  1. Boa Noite Helena,
    1º ponto – Tenho pena por si, se pensa que os FP são portugueses de 1ª classe, mas as mentalidades são diferentes (e ainda bem);
    2º ponto – A senhora que está com graves problemas que os funcionários públicos não podem ser despedidos, não chore mais, porque brevemente vão começar a "chover despedimentos" (claro está é muito bom para a economia);
    3º ponto – Sou Funcionária Pública e posso-lhe garantir que trabalho mais de 35h por semana e ATENÇÃO, não recebo bem mais um tostão por isso, e sim existe a ADSE,"(esteja descansadinha que brevemente acaba), que nós PAGAMOS, e não é tão pouco quando a senhora apregoa, relativamente às férias tem razão sim senhora, mas enquanto no privado aumentavam ordenados no público deram dias de férias para calar os funcionários. Se acha que os funcionários público preferiam dias de férias a aumentos de ordenado está muito enganada, o que nós preferíamos mesmo era que nos aumentassem o ordenado, estamos entendidas?
    E depois as pensões chorudas????? Onde estão elas? a senhoras está falar de quais? Sabe que reformas altas existem tanto no setor público como no setor privado, e se esmiuçarmos bem a coisa, as reformas ALTAS serão das pessoas que estão no topo, e essas trabalham nas grandes empresas do setor privado.
    Cumprimentos,

  2. Ai,ai… O senhor deve ser daqueles ressabiados, por não ter conseguido o "tacho", sabe devia-se inteirar melhor relativamente aos funcionários públicos e depois falar….
    Sabe o que mais me doi….é que todas as "regalias" que o senhor acha que os funcionários públicos têm, não foram eles que pediram,apenas queriam no final do ano aumento salarial tal como os privados tinham e o Estado em vez de lhes dar isso, dava-lhes outro tipo "benesse" para os calar….Sabe o que me doi ainda mais é saber que trabalho no duro para o Estado, o meu ordenado é módica quantia de 640€ e chegar ao inicio deste ano e receber menos do que esses 640€, por o subsidio de natal ter subido a taxa para o IRS….como pode ver o tacho que eu tenho é ENORME…

  3. A Constituição Portuguesa foi respeitada! Aplaude-se de pé. Os direitos dos portugueses foram salvaguardados. Que vitória! E agora pergunto – e os direitos dos que que ainda não votam, que já estão endividados e que terão de pagar a enorme quantidade de disparates das últimas décadas, apesar de nunca virem a desfrutar das benesses sociais da actual geração? Onde está a solidariedade intergeracional? Pois é, assobiamos para o lado, ou como diria a outra "isso agora não interessa nada"!

    Helena Matos

  4. Direito ao emprego não é um princípio universal. Está incluído na parte programática da Constituição, logo não é um direito fundamental.

    A Constituição preconiza diferentes esferas para os vários direitos. O Direito à Igualdade é um Direito Fundamental consagrado em todas as Leis Fundamentais (Constituição) de todo o mundo que sirvam estados de direito. Que país é que muda ou pode mudar essa parte da constituição sem deixar de ser estado de direito? Qual mesmo?

    Leiam antes de abrir a boca para não dizerem barbaridades. Acabou de misturar alhos e bugalhos.

  5. Gostei do seu comentário! Foi direto aos pontos que considero essenciais, e até demonstrativos da sociedade portuguesa:
    1- "Há algo de muito errado no facto de funcionários públicos não poderem ser despedidos e continuarem em funções mesmo que não produzam e não acrescentem nada de novo enquanto há milhares de pessoas bem mais competentes que são obrigadas a viver de subsídios de desemprego. Não me digam que isto é que é equidade." A maquina do estado não existe para servir, não há serviço publico. O que existe e vontade de ser funcionário publico porque isso e uma "grande tacho".
    2- "Toda a gente exige que o governo faça alguma coisa, "mas mexer aqui é que não, e nesse setor também não, e aí também, mas aí também não podes"." O sentido de comunidade é inexistente. Cada um puxa a brasa para a sua sardinha.

  6. Olá Arrumadinho,

    Antes de mais, adoro o blog e acompanho-o regularmente.

    Como podes ver pelos comentários aqui escritos, a igualdade reinvindicada pelo chumbo, não tem muito sentido. E se a constituição é velha… é preciso muda-la.

    Segundo, se vires a opinião da maioria dos economistas, todos aplaudem o PM.

    As reformas são mas, mas são necessárias.

    Foram estas reformas que Margaret Thatcher fez, que levaram a Inglaterra a ser o pais que é hoje.

    Só um pais rico pode ajudar a população na saúde, na educação, solidariedade, etc… Um pais pobre e sem dinheiro, não consegue, por muito boas intenções que tenha.

    Mais uma vez, parabéns pelo blog

  7. Não é bravo! É bravissimo!!

    Se querem levar o país a algum lado, não pode ser com ideias dos leigos na matéria! Chamem pessoas entendidas, porque quem entende, aplaude o Sr. Primeiro Ministro!!

  8. que engraçado, Alexandra. Ainda bem que os funcionários públicos e privados têm direitos IGUAIS 🙂 se formos pelos princípios universais, na Constituição também está escrito que todos têm direito ao emprego. Mas ai jesus, se formos pelas leis económicas e quisermos baixar o custo salarial (leia-se: SMN) para aumentar o emprego, isso é que já não.

  9. É absolutamente perigosa esta mentalidade demonstrada em alguns dos comentários aqui feitos, em que se apela às tais situações de excepção e à alteração da Constituição, sendo que o que estava em questão era algo tão basilar de qualquer DEmocracia como a IGUALDADE DE DIREITOS.
    De facto, parece-me que anda por aqui muita gente cuja rota semanal se deve limitar ao escritório e ao restaurante da moda, gente que nunca andou num transporte público depois dos 18 anos, que não sabe o que é estudar numa escola pública ou ir a um centro de saúde. Gente que desconhece por inteiro a real situação da função pública e que emprenha pelos ouvidos, tal é a ignorância a que se acomete. O Governo manipula e distorce realidades, o Governo defende políticas altamente lesivas para as pessoas, tal como taxar subsídios de desemprego (bater no cão que já está morto…) ou retirar mais e mais dinheiro aos pensionistas, escortanhando o contrato que aqueles fizeram com o Estado, como se o Estado não fosse merecedor da confiança de todos nós.
    Este país, da maneira que está, envergonmha-me e assusta-me.

  10. Sinceramente, não percebo como é que toda a gente aplaude a "constitucionalidade" de leis que continuam a defender um sistema de castas que assenta em portugueses de 1ª e portugueses de 2ª categoria: os funcionários públicos que não podem ser despedidos, que trabalham 35 horas semanais, que têm mais dias de férias, que têm um excelente subsistema de saúde (ADSE) para o qual pagam simbolicamente, reformas mais altas, etc. e os restantes portugueses que podem ser despedidos a qualquer momento (da enorme percentagem de desempregados, quantos são do sector público?), só têm 22 dias de férias, trabalham 40 horas semanais, etc. Onde é que está a equidade? Portugal tem uma Constituição que já não serve a nossa realidade. E este é realmente o nosso drama – um país intervencionado (para não dizer pedinte), com uma despesa pública atroz a navegar ao sabor de uma Constituição alheada da realidade e que não paga contas.

    Helena

  11. Ahahah! Parabéns. Chumbaria de caras se fosse aluna de Direito Constitucional, num exame muito básico.

    Foram violados princípios basilares e fundamentais de um estado de direito: O princípio da Igualdade e o princípio da Proporcionalidade. São DIREITOS FUNDAMENTAIS e PRINCÍPIOS UNIVERSAIS (E não um capricho da CRP.).

    Em nenhum ESTADO DE DIREITO do MUNDO este orçamento não pecaria pela inconstitucionalidade. A não ser que voltemos a uma ditadura.

    Ou acha que um orçamento destes não seria chumbado pelo Bundesverfassungsgericht (Tribunal Constitucional Federal Alemão)?

    Tenho algum interesse em saber como FUNDAMENTA essa sua opinião.

    A Constituição tem um propósito. Não é para suspender quando dá jeito.

    (Esta gente partidária de clube de futebol é o que dá cabo do país. Tudo se atropela para defender a camisola.)

  12. Os Juízes do TC não são constitucionalistas. Infelizmente. São pessoas nomeadas pelos partidos políticos. Antes fossem constitucionalistas. Temos excelentes em Portugal, tal como temos excelentes juristas em Portugal. Infelizmente, a esses não são dados ouvidos.

    A começar no governo e na AR. Basta ver dois orçamentos seguidos inconstitucionais e os atropelos constantes à lei.

  13. Acho que o Primeiro-Ministro foi ingénuo em esperar que os juízes do TC dessem um parecer diferente (a menos que o seu objetivo fosse ganhar tempo e arranjar um bode expiatório). O nosso problema é termos uma Constituição que já devia ter sido alterada há muito. Esta não é a primeira que temos e, espero, não será a última. Eu não me revejo nela e não acho que garanta os meus direitos de forma realmente justa e igualitária. Este Governo deveria ter começado por aqui há dois anos. Quanto ao parecer do TC, compreendo que os funcionários públicos estejam numa fase difícil, como todos aliás. Mas foi esta ideia de subsídios, de empregos para a vida com promoções por antiguidade e independentemente do valor, com reformas aos 55 anos e a ideia de que o estado tem de estar em todo o lado que nos deixou assim. O estado não tem de estar em todo o lado e dar tudo: tem de proteger os mais fracos e garantir que há justiça e igualdade de oportunidades e tratamento para todos. Esperar que os juízes do TC ignorassem que fazem parte desta função pública era esperar de mais. Até porque nunca se preocuparam com a falta de equidade nos benefícios que a função pública sempre auferiu. Problema maior é que quase todos os Portugueses se chateiam por haver cunhas mas apenas porque estas estão longe de si: se lhes fosse dada a oportunidade de beneficiar de uma aproveitavam. Há corrupção e tal mas ninguém se preocupa com a pequena corrupção: se não os vences junta-te a eles ou todos fazem porque não eu? Este é o nosso principal problema, e é exatamente o mesmo dos juízes e dos políticos: não conseguimos pensar mais longe do que o nosso próprio umbigo.

  14. MS, desculpa o meu preciosismo, mas porque dizes que "a maioria dos constitucionalistas que o compõem pertencem ao sector público"? A minha dúvida é na palavra "maioria". Obrigada. 😉

  15. Existem sim, não é porque o senhor não as quer ver as alternativas credíveis que não as há, e sinceramente o PS e o PSD de credíveis não têm nada, por isso…

  16. Por acaso eu até acho que a Constituição se devia adaptar aos tempos que correm. Não falo só da nossa, há também o exemplo da lei dos EUA que já vem desde 1776, o que na altura poderia fazer sentido agora já não faz.

    O governo já apelou ao diálogo, é uma pena é não haver ninguém com propostas coerentes e exequíveis. O PS não quer participar, O BE, os verdes e o PCP nem lhes interessa o que o Governo diz; até podem estar a favor mas vão sempre dizer que estão contra. Não contribuem com nada portanto.

    Eu, enquanto cidadã e estudante de economia, valorizo muito o primeiro-ministro. Não vale a pena virem dizer que ele só está a agir consoante interesses pessoais, porque ter que levar um país por um caminho tão extenuante para o bem do país, contra tudo e contra todos, exige muito de uma pessoa. E não é qualquer um que o faria. Não está a agir movido por interesses partidários, nem sequer com o interesse de ser reeleito; está simplesmente a fazer aquilo que deve ser feito. Sim, é preciso cortar no peso do Estado da Economia, é inevitável. Tem de se conseguir a eficiência por algum lado. Há algo de muito errado no facto de funcionários públicos não poderem ser despedidos e continuarem em funções mesmo que não produzam e não acrescentem nada de novo enquanto há milhares de pessoas bem mais competentes que são obrigadas a viver de subsídios de desemprego. Não me digam que isto é que é equidade .. Toda a gente exige que o governo faça alguma coisa, "mas mexer aqui é que não, e nesse setor também não, e aí também, mas aí também não podes".

    Sim, o que estamos a passar é um momento bastante difícil. Mas se não forem feitas reformas definitivas e estruturais, daqui a uns anos estamos de novo na mesma situação.

  17. Muito bem dito. Acho patético que Pedro Passos Coelho queira culpar o TC daquilo que tem feito. Como dizes (e bem) não será a atropelar um povo que vamos ser safos. Como Sócrates disse (e bem) o PM fez do TC um adversário político.

    Cada vez mais só vislumbro como solução a demissão do PM.

    e o PES? 🙂

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  18. Vou destoar, mas eu gostei muito da declaração do Passos Coelho e também eu tenho a (modesta) opinião de que as normas não eram inconstitucionais. Ainda li o Acórdão com atenção na esperança de mudar de ideias, mas não aconteceu.
    E não se trata de atropelar a Constituição, para mim (até porque defendo que não foi atropelada), mas sim tentar tirar, da forma mais justa, o país do buraco em que nos meteram, com as PPPs e com as manias das grandezas, por exemplo.
    De qualquer maneira, gostei de ler um texto que, mesmo não partilhando da minha visão, conseguiu parecer totalmente isento e está devidamente fundamentado.

    pippacoco.blogspot.pt

  19. Acha que um governo neo-liberal é mesmo o que o povo precisa? Espera mesmo que este governo faça algo em prol do país? Ainda bem que existem pessoas que tem sonhos, que a esperança num futuro ou presente ainda exista. Porque eu já nem sonhar consigo…

  20. Então e os Portugueses não devem mudar? É que o Governo muda de quatro em quatro anos.. e será que o problema se resolve em linhas gerais? Porque não agir localmente?
    Vivemos num tempo com muitas interrogações.

    Eu tirei direito na Catolica e agora trabalho e vivo em Londres. Fui há duas semanas a Lisboa e nota-se que as pessoas estão desanimadas mas penso que faz parte do processo de adaptação a uma economia liberal competitiva. É muito dificil, é muita competição mas é uma questão de hábito. Agora sempre à espera que o Governo faça isto, que o Governo faça aquilo.. enfim. Para isso é melhor esperar sentado digo eu. Já todos sabemos como é.

    Uma coisa que sempre achei curiosa é o facto da maioria dos portugueses discutir diariamente política e os problemas gerais do país mas depois fazer tão pouco na realidade. Não digo isto como uma critica fácil, mas é algo que sempre me fez pensar.

    Parabéns pelo o blog. Costumo ler e faz me sentir mais próximo da minha portugualidade que uso com orgulho mas agora acho que as pessoas devem aceitar as condições actuais e passar para a próxima fase.

  21. O Passos Coelho faz lembrar aqueles condutores que vão fora de mão na estrada, mas acha que os outros é que vêm mal!!!Ele pela segunda vez,criou um OE inconstitucional,já o ano passado tinha sido advertido,mas é o chico-espertismo a tentar passar!e o Cavaco como sempre tabém tem culpas no cartório!!

  22. Independentemente de concordar ou não com tudo o que escreves (neste caso concordo a 99%), o teu dom da palavra tem a capacidade de pôr em "pratos limpos" aquilo que nem todos sabemos expressar. E é, por vezes, assustadora a maneira como o consegues. Parabéns por isso. Pela capacidade que despertas em alguém de puxar pela cabeça. Eu, pessoalmente, morro de medo da minha falta de vontade e de coragem em emigrar novamente neste momento. Só espero não me vir a arrepender seriamente disto daqui a uns 10 anos.

  23. Caro "Arrumadinho", Em "geral" até assino o que escreve no post: sim, a situação é grave, não vamos lá com amúos à esquerda, à direita, ao centro.., não vamos lá com eleições no momento (não temos a capacidade criativa da Itália, que sobrevive o tempo necessário, e bem, sem governo algum…)e que o caminho prosseguido até agora parecia levar-nos ao abismo…Em "geral", tudo isto parece certo apesar de não concordar muito bem com esta última parte, mas contraraiar agora esta "narrativa" pode ser considerado um crime "lesa pátrea".Além da pergunta óbvia, que também colocas, qual a alternativa que nos fica, pretendo contraraiar uma ideia, uma espácie de mantra que domina a CS desde a comuniação de PC de que "faltou ao respeito ao TC"; Tipo "virgens ofendidas", tem sido um rasgar de vestes pelo desrespeito que supostamente manifestou a tão vetusto órgão, que passou a considerara conmo inimigo etc, tudo se tem escutado. É precisamente este o "mantra" que pretendo contestar: dizer que não concordava com a interpretação que o TC, no seu legítimo direito,proferiu, mas que acatava, respeitava… de forma democrática a sua decisão…significa exactamente o quê? ou, perante a decisão do TC o primeiro teria de vir a terreiro assina a dita por baixo?todos dizem, e bem, que as leis têm um conteúdo e um sentido,e como tal, sujeita a interpretação no contexto – é ver o que são dispares decisões proferidas em tribunais diferentes sobre os mesmos assuntos…e as leis são as mesmas!Cabe de facto ao TC a decisão última e definitiva, isso não foi contestado por ninguém mas, não se é menos democrático (ou se revela desrespeito..e sei lá mais o quê..) afrmar que não se concorda com a interpretação do dito. Aliás, indo um pouco à história (creio mesmo que já foram feitas teses sobre a matéria…) é acompanhar o que têm sido as decisões proferidas por esse tribunal e a forma como elas "refectem" os tempos…e a constituíção tem uma certa perenidade..era o que faltava não se poder discordar das suas decisões! respeitá-las, obviamnente (isso foi feito…)e agora encaixar os seus efeitos, que foi o que fez o PC.
    Abr, Paulo

  24. Infelizmente estamos entregues aos bichos. É o salve-se quem puder. Cada um zela pelos seus interesses em detrimento do bem comum. Até o próprio Tribunal Constitucional em que a maioria dos constitucionalistas que o compõem pertencem ao sector público. Isto explica porque certas medidas são inconstitucionais e outras não, já são admissíveis face à situação de excepção do País, apesar de violarem a Constituição!
    Não há coerência, isenção. Isto já para não falar na eternidade que o TC demorou a decidir.

    Tens razão em relação ao que dizes mas a atitude do PM Passos Coelho e do líder da Oposição AJS é mais do mesmo.
    Onde é que eu já vi isto? Ah… talvez nos últimos dias de Sócrates como PM e os primeiros de Passos Coelho como candidato a PM.
    O PM em funções a desculpar-se com a falta de colaboração para com o governo e o líder da oposição sem apresentar uma única ideia, desejoso de que o governo caia para se apoderar da cadeira do poder!
    Infelizmente, é só isto que temos. Nada mudou. Mudam os intervenientes mas a m* é a mesma.

    A esperança de que algo mude é cada vez menor…
    De qualquer forma, considero positivo que se escreva sobre estes assuntos e se meta o dedo na ferida! 😉
    Abraço

  25. Eu sei que não é resposta para nada, mas todos estes acontecimentos na política só descredibilizam, ainda mais os políticos e assim, na altura de votar, dobro o boletim e não consigo escolher o partido menos mau, simplesmente não acredito emninguém.

  26. A situação actual não permite o luxo destes jogos politiqueiros que a nossa classe política teima em querer jogar, aparentemente sem perceber os riscos que isso traz para o país.
    Mais uma vez os nossos políticos (da esquerda à direita) propagam a ideia de que vivem num mundo hermeticamente fechado, abrigados pelas (excessivas) regalias da vida política, entretidos em jogos de poder, completamente alheados do resto do país e da situação em que o povo português vive.
    Em tempos de prosperidade (que afinal não era assim tanta como nós acreditávamos), ainda dava para tolerar essa ideia, mas agora impunha-se que a classe política fizesse um esforço para desfazer essa imagem, mas pouco ou nada ainda foi feito para tal…

  27. Não sou muito fã dos seus comentários políticos (normalmente acho-os um pouco fora do contexto do blog, mas se calhar sou eu que ando nisto há pouco tempo – não estou a ser irónico!), mas desta vez gostei do que li…. Até chegar ao ultimo parágrafo…. Chamar essa gente toda para dar opiniões é como ir pedir conselhos ao mercado do bolhão… Cada um vai mandar os bitaites mais absurdos e não chegamos a lado nenhum…. Se houvesse eleições agora, era uma desgraça…. Não haveria em quem votar! De qualquer forma, gostei da sua opinião, e desta vez achei que o devia dizer…

  28. post bem interessante.
    gostei do destaque do respeito à Constituição como regra básica da democracia.
    um bem haja também à a sugestão do antepenúltimo parágrafo, faz falta isso mesmo.

    ps (salvo seja): só não percebo o título…

    Rui Silva, Porto

  29. Olá Arrumadinho. Adoro o teu blog, adoro a tua forma de encarar os temas que aqui abordas, mas há uma coisa que não adoro no teu blog e por isso, gostava de te dar uma sugestão. Não dá para escreveres os teus post's com outro tipo de letra que não torne os textos tão massudos a nível visual? Aconselhava-te a seguir a formatação da pipoca, por exemplo, tenho a sensação que não cansa tanto porque a letra talvez seja maior, facilitando e cativando, assim, a leitura. É apenas uma sugestão. Eu normalmente leio os teus post todos, quer sejam visualmente massudos ou não, excluindo estes de política porque já perdi a esperança de acreditar em alguma coisa vinda daí, infelizmente. Mas acredito que existam várias pessoas a desistirem de ler por ser uma leitura massuda e como não é pelo conteúdo, que esse tem muita qualidade, tenho pena que assim seja, porque o que escreves é tudo muito bem escrito. Fica a dica.

DEIXE UMA RESPOSTA