Talvez amanhã seja janeiro no mundo

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O mês de janeiro é quase sempre o da mudança. É quando nos decidimos a fazer tudo aquilo que andámos a adiar, é quando parece que somos invadidos por uma coragem que encontrámos sabe-se lá onde e, então, atiramo-nos com dedicação a tarefas que até então nos pareciam aborrecidas, ou para as quais tínhamos sempre preguiça.

É quase sempre em janeiro que os ginásios se enchem de atletas entusiasmados e decididos a perder os 12 quilos a mais, é quase sempre em janeiro que vemos gente a comer saladas ao almoço, a ler livros (que vêm do Natal), a fazer tudo como deve de ser. Se calhar é por isso que gosto de janeiro, porque parece que vivemos ao lado de gente menos amargurada e um bocadinho mais feliz – porque sentimo-nos bem quando sabemos que estamos a agir bem.

A má notícia é que janeiro só tem 31 dias, que infelizmente até são demasiados para quase todas as pessoas que se dedicaram a mudar de vida. Quando o mês vira, as dietas já se foram, as quatro idas semanais ao ginásio passaram a uma (um mês depois passam a zero), o livro ficou a meio, e volta a preguiça, volta a rabujice, o maledicência, a inveja, a raiva ao chefe que não faz nenhum, os ódios ao primeiro-ministro que é ladrão, ao País que nunca vai andar para frente, ao marido que é um comodista de merda e não ajuda em casa, ao amigo que é um falso e só liga quando precisa, aos espanhóis que não votam em nós no festival da canção, ao Meo que está sempre a avariar, ao colega que ganha mais do que nós, ao vizinho da frente que nos tranca o carro todos os dias, ao Pingo Doce que cobra pelos sacos, à Galp que aumenta o preço da gasolina todos os dias, aos alemães que nos roubam a soberania, ao Sócrates que nos deixou neste estado.

Mas é neste estado que me lembro de viver desde sempre.

Ao contrário de gente que considero mais lírica e poética, não nos acho um povo empreendedor, lutador e conquistador. Se calhar já o fomos, mas seguramente que nessa altura eu ainda não existia. Adoramos dizer mal mas não gostamos de nos meter em confusões, e quando vamos à luta vamos quase sempre às lutas erradas, por razões erradas, manipulados por pessoas erradas, e com convicções erradas. Adoramos apontar o dedo a todos e nunca nos lembramos de olhar para nós, para a nossa vida, para aquilo que podemos fazer todos os dias, e não fazemos, para tornar a nossa vida um bocadinho melhor, mais feliz.

Agora, que estamos em janeiro, o mês em que as passas de 31 de dezembro devem começar a fazer efeito, só gostava que toda a gente começasse a fazer um bocadinho mais pela sua felicidade, e pela felicidade dos que os rodeiam. Como disse na minha mensagem de ano novo, desejo que este seja um ano em que consigamos dar e receber mais amor, porque o amor não sofre aumentos de IVA, nem tem restrições orçamentais. Vamos todos tentar criticar menos os outros e tentar fazer mais por nós e pelo País. O caminho é duro – e será, durante alguns anos – mas se o trilharmos com alegria e convicção tudo será mais fácil.

Que os primeiros dias de janeiro durem até dezembro.

1 Comentário

  1. Nós já não somos um povo lutador e conquistador porque esses partiram nas naus e descobriram o Mundo.
    Nós descendemos dos merdosos que tiveram medo de partir à aventura e ficaram por Portugal!

  2. Nós já não somos um povo lutador e conquistador porque esses partiram nas naus e descobriram o Mundo.
    Nós descendemos dos merdosos que tiveram medo de partir à aventura e ficaram por Portugal!

  3. As pessoas andam deprimidas não por ser Janeiro ou qualquer outro mês do ano, andam deprimidas porque em todo o lado se escuta que o ano vai ser muuuuito mau, a crise a crise a crise. Chega meus Srs, já todos sabemos que não vai ser fácil, já todos sabemos que há crise e mais crise e ainda mais crise (que dizer 2 vezes só não chega)mas por favor vamos pedir a todos que não toquem mais nessa palavra, vamos pedir que esta não seja escrita nos blogues, revistas, jornais, dita em noticiários, vamos abulir a crise ou pelo menos a palavra.
    As pessoas andam atromentadas com tanto medo que lhes estão a transmitir, ficam paralisadas de medo, estáticas e de boca seca com taquicardias só de serem bombardeadas com "O ano mais dificíl de todos desde a 2ª guerra" "A Crise".
    Vamos acabar com os Srs Jornalistas nas suas reportagens de rua "Então já sentiu a crise?" "felizmente ainda não" "…Não???bem mas naturalmente irá sentir…sabe que este ano vai ser muuuuuito dificil?" "Sim. segundo o que dizem vai ser mas tudo se arranja…vamos trabalhando" " trabalhando??? mas o Sr acha que consegue manter o seu posto de trabalho?" – Desculpem mas assim não dá! Claro que o Sr entrevistado já vai para casa a pensar que afinal as coisas já não vão ser assim tão fáceis.
    Por favor digam-nos coisas menos feias, a verdade é claro mas menos feias.

  4. Bom Ano Novo!
    Não me revejo nesta descrição: como passas à fartazana o ano inteiro, reclamo amiúde nos respectivos livros de reclamação e não acho que os alemães nos roubem a soberania: nós é que a vamos vendendo a retalho …
    agora certo, certo, é que fevereiro é o mês mais triste e deprimente de todos 🙂

  5. Permite-me discordar!! Mas o facto de Fevereiro ser um mês mais curto, anima um pouco mais as pessoas porque se vires recebem o salário "mais cedo" ou seja, se o mês termina a 28, pensando que não, mas já não tem que esperar pela 29,30 ou 31 para receber…sendo que por sinal também têm o Carnaval que por sinal, ou seja sempre se animam mais!!
    Mas lá está cada um de nós tem a sua visão!! É por estas e por outras que eu nunca faço promessas de ano novo!! 😉 Não não vou para o ginásio(até porque não consigo encontrar ginásios compatíveis com os meus horários), não prometo deixar de fumar, nem ser mais paciente!!

  6. eu também acho que janeiro é o mês mais deprimente do ano. acabaram as festas, a vida volta à rotina, o inverno ainda agora começou. ao menos em fevereiro ainda há o carnaval (não sou torreense mas o carnaval é no país todo) e a primavera está quase aí.

  7. Animem-se! Alguns de vós é tão feio como estes?

    http://simaoescuta.blogspot.com/2012/01/inquerito-4-qual-o-jogador-mais-feio-do.html

    Nem em Janeiro nem em Dezembro. E não tenham pena deles, recebem milhões.

    Janeiro, como os outros, devia ser um mês de reflexão, correcção e aplicação de projectos de melhoria. É a minha resolução de Ano Novo: não fazer balanços anuais, mas sim mensais.

  8. Por acaso tenho uma ideia exactamente contrária. Acho as pessoas muito mais deprimidas. Como ando de transportes públicos – barco e metro – vejo mesmo muitos rostos todos os dias. E vejo as pessoas sempre com ar carrancudo. Ontem, na hora do almoço e no supermercado, só ouvi falar dos aumentos e da crise e todos se queixam de tudo.
    Também adoro a renovação e o mês de Janeiro cheira a renovação que tresanda. Mas este ano, não sei porquê, acho que os portugueses estão ainda mais fatalistas do que é costume. Será só da crise?

  9. Concordo plenamente com o texto!!! Devemos acreditar que é apenas uma fase esta crise!! Vamos ser optimistas e não sofrer antes do tempo. No final do ano logo fazemos o balanço se foi um ano "negro" ou não. Vamos acreditar que mais uma vez iremos conseguir dar a volta por cima!!

  10. AMÉN!!!

    Mais não digo…pois só digo de onde sou e saberão os leitores porque a depressão já cá está instalada a algum tempo…. e dura….dura….dura….

    Bjs

    SANDRA / ILHA DA MADEIRA

  11. gostei mesmo muito desta mensagem. da ideia que passa e da intenção da frase final. espero ter a coragem para fazer com que estes dias durem mesmo até dezembro. bom ano!

  12. Maria Pitufa, o mês da depressão é Fevereiro. É quando as resoluções de ano novo já deixaram de fazer sentido, o Inverno está a meio, é tudo frio e sombrio. O que vale é que é um mês curto.

  13. Estranho…tenho exactamente a sensação oposta…acho que em Janeiro está tudo mais deprimido. Uns porque engordaram, outros porque vieram de férias, outros porque se fartaram de gastar dinheiro e agora andam mais apertados… Não tenho nada a ideia de Janeiro ser um mês positivo…

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