Sozinhos e solitários

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Há gente que não sofre por falta de amor, sofre por falta de alguém. Pessoas que podem estar solitárias, não podem é estar sozinhas. E então atiram-se de cabeça para todas as oportunidades que lhes surgem pela frente, não cuidando de perceber se aquela pessoa tem o que de facto é importante para a fazer feliz. Muitas vezes deixam de estar sozinhas, arranjam alguém, mas não deixam de estar solitárias. E este estado dura, muitas vezes, anos e anos.

Mais importante do que sermos obcecados em encontrar alguém, em apagar o rótulo de “encalhado”, é descobrirmos as coisas que nos fazem felizes e que podemos fazer sem outra pessoa. Esse processo de aprendizagem não é fácil, e há mesmo que nunca consiga chegar a este estádio, porque há quem não goste, mesmo, de fazer nada sozinho, e ache deprimente fazer coisas sozinho, e recusa-se a fazer coisas sozinho. Como não se encontram pessoas a toda a hora, o que acontece é que quem vive nesse sentimento acaba por não fazer nada. E ao não fazer nada gera mais ansiedade, mais necessidade em encontrar alguém, uma companhia, e como a espera por vezes é longa, lá está, atira-se à primeira coisa que aparece. E é este o ciclo.

Ninguém melhor do que nós sabe aquilo que nos faz bem. Mas nós não somos seres imutáveis, nem nunca nos conseguimos conhecer em pleno, podemos sempre aprender coisas novas, descobrir coisas de que, afinal, gostamos. Para isso temos de ter iniciativa e vontade, força, perseverança, temos de perceber que se queremos mesmo ser felizes não temos de encontrar alguém, temos de nos encontrar a nós próprios.

Os momentos em que estamos sozinhos são as melhores oportunidades para fazermos aquilo que bem nos apetece. Não estamos condicionados por vontades alheias, não temos de fazer cedências – “hoje fomos aqui porque tu quiseste, hoje vamos ali” -, só que essa liberdade é quase sempre condicionada pela inércia, pela ideia de que não conseguiremos desfrutar de um prazer se estivermos sozinhos. Há quem diga que jamais seria capaz de fazer uma viagem sozinho. Só que, por achar isso, nunca a fez. Se calhar se fizesse perceberia que viajar sozinho pode ser maravilhoso. E, para mim, não há coisa mais deprimente do que viajar, viver ou partilhar coisas com uma pessoa que não se ama e de quem nem sequer gostamos particularmente.

Se conseguirmos ser felizes sozinhos, conseguimos ganhar um brilho que chamará mais depressa as pessoas interessantes. Se conseguirmos ser felizes sozinhos conseguiremos apurar os nossos critérios de escolha na altura de decidir se devemos ou não arriscar uma relação com outra pessoa. Se conseguirmos ser felizes sozinhos perdemos a pressa. E quando não temos pressa, chegamos sempre lá.

1 Comentário

  1. Pois é, estava eu aqui lendo os ótimos comenetários que eu também concordo obviamente e pensando: Por que Deus quando criou o mundo não disse assim: "Eu te crio à minha imagem e semelhança e poderás escolher entre viver fora do paraíso com este homem feio ou viver sozinha tendo o mundo inteiro à tua disposição."?

  2. Novamente tenho uma certa amiga que deveria ler isto…Desde que terminou a relação com o namorado que já me arranjou uma data de possíveis homens da vida dela. E antes os namorados vieram um atrás do outro e hoje ouvi a seguinte frase dita por ela: Estou farta de estar sozinha.
    Eu estou sozinha à mais tempo, em que a minha relação acabou do nada, vivo sem pressas, se é verdade que sinto falta de um ombro mais próximo, de um aconchego masculino, de um abraço forte e de um beijo carinhoso…oh pois é óbvio que sinto. Não levo é a vida a queixar-me, porque apesar de estar só, ñ sou só!
    E como disseram num coment em cima: Primeiro eu, depois nós 🙂

  3. Obrigada pelo bom texto, penso bastante neste tema e vinvecio que nos sertirmos sós mesmo acompanhados é um grande pesadelo. Pensamento partilhado da Aldeia do Medo para o Arrumadinho.

  4. Eu acho estranho tanta gente ter tantos problemas em fazer coisas sozinhas – para mim sempre foi tão… natural! Adoro ter companhia mas quando não tenho converso comigo e a minha companhia é tão boa quanto a alheia xD bom tema.

  5. Tenho uma colega cujo o namorado já a tratou mal de todas as maneiras possíveis. E ela volta sempre para ele com um simples pedido de desculpas porque é uma dessas pessoas que não consegue estar sozinha.
    As pessoas são importantes mas há muito mais coisas no mundo que nos podem fazer muito felizes.
    Na minha opinião:

    " Antes um cão a um cabrão! "

    Desculpe a linguagem!

  6. Tenho uma amiga que é assim. Já não sei como a ajudar mais a perceber que levar uma vida assim não é bom. Não sei que dizer mais, nem que fazer mais .. Pondero em mostrar-lhe este texto . Pode ser que assim perceba em que pessoa ela realmente se tornou !

  7. "Devagar que tenho pressa!"

    Podias ser psicólogo, pah! E é verdade…eu também pensava que viajar sozinha era triste… até o fazer e confirmar precisamente o contrário!

    😀

    Bom f-d-s-zinho!

  8. "Todos sabemos que a solidão (ou solitários) transformam muito facilmente as pessoas em egoístas, egocentricas; ou se calhar são-no porque já são egoístas, não interessa. Somos melhor humanos quando acompanhados por outrem. A ciência confirma-o."
    Eu queria perguntar à anónima das 15:57 onde ela ouviu tal parvoíce.
    Sim, os seres humanos são animais sociais e funcionam bem em grupo.
    Mas penso que não percebeu de todo o que o Arrumadinho quis dizer. Ao dizer que uma pessoa pode estar bem sozinha, não quer dizer que esta se deva fechar numa bolha e não se deva relacionar com mais ninguém até ao fim da sua vida.
    O texto (a meu ver) é relativo às pressões e às limitações que um indivíduo sofre, apenas porque está sozinho (e tal como o Arrumadinho disse), porque acha que não conseguirá desfrutar de um prazer se estiver sozinho.
    E claro, depois "tudo o que vem à rede é peixe". Mas será que esse peixe é um peixe de qualidade? Será esse o peixe mais adequado para nós? Talvez não.
    Enfim, já Cícero dizia: “Nunca estou mais acompanhado do que quando estou sozinho.”

  9. Devia ser lido no jornal da noite ou antes das novelinhas "da nossa gente", para ver se abria algumas mentes que insistem em fazer comentários sobre a vida alheia, nem que seja pra dizer coisas tão inspiradoras como "ainda não namoras? olha que o tempo passa… da tua idade já tinha 2 filhos"

    Revoltas à parte ;), parabéns pelo texto!

  10. Encontrei-me em algumas linhas, e percebi que a minha preocupação não tem assim tanta razão.
    Obrigada pelas palavras que partilha.

  11. Nunca percebi a fobia da solidão… o ficar com alguém só para não se estar sozinho… luto e dou tudo o que tenho quando tenho alguém ao meu lado… mas jamais ficaria com alguém para não ficar sozinha!!!

    Das 2 vezes que fiquei sozinha fiz uns lutos bem simpáticos… e fui muito feliz… o 1º tinha 21 anos e era festa todos os dias… do 2º tinha 33 e decidi ser feliz… nunca me senti sozinha e sempre tirei partido da situação para fazer o que gostava e cuidar de mim… e foi exactamente quando andava no auge da felicidade que encontrei outra pessoa… tanto na transição do 1º para o 2º como na transição do 2º para agora… e não foram transições assim tão rápidas… do 1º fiquei 1 ano e 3 meses sozinha do 2º foi 1 ano e 6 meses… nunca procurei ninguém… tirei partido vida da melhor maneira que consegui e depois as pessoas apareceram…que nestas coisas não vale a pena procurar…quanto mais se procura menos se encontra!!!

  12. Verdade. Verdadinha. Verdadissima.
    Sou casada, tenho 1 filho de 6 anos, e vou a concertos sozinha, viajo sozinha (2/3 dias), cinema sozinha, etc…
    Tenho amigos, família e a felicidade plena quando estou acompanhada, mas o prazer que tenho de me acompanhar de mim mesma é inexplicável.
    Muito obrigada por teres conseguido por em palavras aquilo que tento explicar há anos a mentes tacanhas que acham que o facto de se ter prazer em fazer qualquer coisa que não seja com este ou aquele é porque se é anti-social.

  13. Sou obrigada a concordar com cada uma das sílabas. Acho que a maior parte dos "encalhados" estão naquela estúpida fase do desespero, não tendo em linha de conta nem a si próprios nem os outros. Estão apenas focados num objectivo…ter alguém, não interessa quem…

  14. É bem verdade o que diz..

    Penso que as pessoas têm medo de estar sozinhas. Têm pavor! O que é mesmo de lamentar( e falo por experiência própria)é estarmos com alguém,olhar-se para o lado e sentir-se só.
    o que não percebemos é que estar sozinha na maior parte das vezes é bom, porque aí criam-se oportunidades de maturação pessoal, de conhecimento e isso remete-nos para uma maior auto-estima.

  15. Quem é FELIZ, é-o sozinho, acompanhado, numa multidão ou num deserto. Mas depois há quem não é FELIZ… E é mais fácil arranjar sempre uma desculpa, em vez de parar, reflectir e mergulhar no seu interior para perceber onde reside essa solidão. 🙂 Adorei este post.

  16. Bravíssimo. Concordo, penso, sinto e faço assim há muitos anos.

    Eu costumo dizer que as pessoas se dividem na sua natureza em dois grupos: as solitárias e as sociáveis. Não que implique incapacidade para viver o outro lado, mas na sua essência.

    Eu sou, por natureza uma solitária. Já fiz e faço tudo sozinha. Vivo há anos sozinha, viajo, cinema, janto, saio à noite… compras, teatro, museus, faço imensas coisas sozinhas porque adoro a minha companhia. E confesso que cada vez mais acho que a minha companhia é melhor a muitas outras.

  17. Nem imaginas como este teu post veio a propósito…mas ao contrário. Estou há 2 anos sózinha, sinto-me bem comigo e tenho tudo para ser feliz e acho que sou. Mas a outra metade também faz falta, a de ter um companheiro com quem partilhar um sorriso ou uma lágrima; não tenho pressa de encontrar o tal mas acho que já estava na hora de ele aparecer 😉

  18. "A diferença entre democracia e ditadura é que na democracia se pode votar antes de obedecer às ordens.”
    Charles Bukowski

    Filipe Gauss

  19. Aos anónimos que se sentem incomodados com as minhas generalizações. Meus caros, eu não tento evangelizar o mundo. Eu dou a minha opinião sobre alguns assuntos. É a minha visão. Para uns estará correcta – e os que gostam do que eu escrevo continuam a vir cá, porque se identificam com a minha maneira de pensar – para outros as minhas ideias são idiotas – e então têm bom remédio, não voltam cá (para quê perder tempo com generalizações inconscientes. Se não se pudesse generalizar, não se poderia emitir opinião sobre nada. Porque tudo o que se diz, quando se faz opinião, tem o cunho e a visão de quem a debita. Aqui, no meu espaço, eu debito a minha. Isto parece-me tão lógico, tão simples de entender, que até acho meio ridículo ter de o dizer. Mas pronto, eu não desisto de tentar.

  20. Anónimo 15:20,

    Palavras sábias, as suas. Estava a ver que ninguém as escrevia.

    O arrumadinho quer formatar as pessoas ao jeito dele. Haja esperança de que um dia perca os rótulos que usa para dividir as pessoas. Somos tanta coisa, desempenhamos tantos papeis, que é uma perda de tempo a reflexões do tão arrumadinho.

  21. Não sei do que falas. Nunca estive sozinha e não tenho nada pendente na minha lista para fazer quando estiver sozinha.

    Acredito que haja pessoas que nasceram para estar sozinhas. Eu nasci para fazer companhia e não troco o meu "destino" por nada deste mundo.

    Sozinha nunca seria melhor pessoa do que sou. Todos sabemos que a solidão (ou solitários) transformam muito facilmente as pessoas em egoístas, egocentricas; ou se calhar são-no porque já são egoístas, não interessa. Somos melhor humanos quandoacmpanhados por outrem. A ciência confirma-o.

  22. As pessoas são seres complicados e são todas diferentes.
    Por isso acho a sua generalização inconsistente.
    Há pessoas que dizem ser incapazes de viajar sós… Pois, talvez sejam mesmo. Eu já o fiz por diversas vezes e detestei. É verdade que posso fazer o que me dá na real gana, mas prefiro mil vezes viajar acompanhada, nem que seja com pessoas da qual sou apenas conhecida.
    É óbvio que muita gente está com outra apenas por comodismo e não por amor. Mas quem somos nós para criticar e dizer que assim só se pode ser infeliz? Na minha opinião, há bastante gente que só com esse comodismo se sente verdadeiramente feliz. Como disse, as pessoas são diferentes e as generalizações podem ser perigosas. Há quem só consiga ser feliz ao lado de quem se ama, outras há que conseguem ser felizes sós, outras há que conseguem ser felizes com comodismo e acompanhadas seja lá por quem for, outras há que se sentem felizes só trabalhando… Cada um é como é e não há que dar grandes opiniões sobre este assunto, porque nenhuma delas está verdadeiramente correcta.
    Parece-me que o Arrumadinho acha que só se consegue ser feliz se se seguir o seu modo de vida (viajar só, estar com a pessoa que se ama, ler um bom livro, ver uma boa série), mas nem sempre tem que ser assim.

  23. Oh Arrumadinho, não tem nada a ver com o post, mas parabéns pela reportagem para a revista Sábado sobre andar de bicicleta em Lisboa 🙂

    PS: adorei as All Star amarelas *.*

    Mar

  24. Ora aí está! Muito embora me queixe amiúde de que ninguém me pega nem com pinças, que "the one for me" nunca mais aparece embora todos me digam que vai aparecer; embora eu gostasse de ter amigos com quem eu pudesse ligar para combinar algum programa; embora por vezes a solidão seja dolorosa, eu faço o melhor que posso para ser feliz sozinho.
    E gosto de traçar os meus programas sozinhos, de ir onde me apetece e de fazer coisas sem ter que esperar por ninguém ou poder estar sozinho no meu canto a ler, ver TV ou na net. Claro que preferia eventualmente partilhar muitas das minhas experiências com amigos e/ou com a pessoa amada, mas se não retirarmos algum gosto do que fazemos sozinhos, também não saberemos realmente apreciar quando o fizermos acompanhados. Em vez de procurar a alguém que nos complete, temos que ser nós sentirmo-nos completos por nós mesmos.

  25. Palavras tão sábias….sou sozinha e sempre fiz o que quero fazer o que me dá uma liberdade muito grande. Viajo sozinha e vejo antes demais como um desafio e uma conquista de mim própria….Contudo penso que estando tão habituada a contar comigo, não deixo margens de manobra para outras pessoas conhecerem-me (acho que este é o problema maior), pois ganhamos uma indepêndencia tão grande em relação aos outros, que penso que as pessoas ficam com receio….
    Gosto do blog e vou partilhar no meu…

  26. Muito obrigada por este texto maravilhoso!
    Eu sempre fui dessas que pensava que fazer coisas sozinho é deprimente. Que temos sempre de ter alguém. Mas há uns tempos comecei a dedicar-me a mim mesma e a descobrir aquilo que gosto de fazer e nunca me senti melhor e não estou numa relação!
    Este texto só me veio ajudar a perceber que estou finalmente no caminho certo.
    Obrigada 😀

  27. Gosto tanto de o ler! Eu sou uma das muitas pessoas que achava que nunca seria capaz de ir ao cinema, a um museu ou até mesmo jantar sozinha, porque comecei a namorar aos 16 anos e casei aos 21, ou seja, sempre fiz isso tudo acompanhada. Depois de 2 filhos e 18 anos de casamento, veio o divórcio. Com este, vieram os fins de semana em que as crianças iam para o pai e em que eu ficava, ao princípio, perdida. Um dia ganhei coragem e fui ao cinema sozinha (as amigas são todas casadas) e afinal, não custou nada, apesar de sentir alguma falta de ter com quem comentar o filme! Comecei a ganhar confiança e a ir sozinha a concertos, cinemas, museus, almoçar e jantar fora, perder-me pela cidade, enfim tudo o que me apetecia fazer e que por vezes não fiz porque estava à espera que as amigas pudessem! Não me esqueço que perdi o concerto do Eric Clapton, porque não de decidiam e quando o fizeram, já não havia bilhetes! Aí decidi: se eu posso e quero muito ir, nunca mais vou estar á espera! E assim fiz. Faltava, contudo, ainda ter coragem para ir viajar sozinha. Na primeira viagem que fiz só, fui a Barcelona e lembro-me de estar num misto de excitação, medo, sei lá, um turbilhão de sentimentos e confesso até de pena de não ter com que comentar.Mas nunca mais parei e já corri mundo sozinha e adoro. Vivo tudo com mais intensidade! Acho que tudo é uma questão de hábito! Lá diz o ditado – vale mais só que mal acompanhado. Ainda hoje, no entanto, quando conto que fui ao Egipto, à Tunísia, etc. ainda há quem diga "não sei como consegues ir sozinha" o que me deixa muito admirada, porque eu acho que quando nós queremos muito, podemos e conseguimos tudo na vida.

  28. Gostei muito do seu post e concordo plenamente!
    Penso que acima de tudo se trata de encontrarmos a nossa felicidade sozinhos, conseguirmos ser felizes sem estar dependentes de uma relação. E para isso temos que primeiro nos conhecer a nós mesmos. Quando surgir a pessoa e o momento certo, a relação só deve contribuir para aumentar ainda mais a nossa felicidade e assim nunca nos vamos sentir mal por estar sozinhos, vamos desejar ainda mais os momentos a sós.

    Parabéns pelo blog (que sigo atentamente,

    Leonor Santos

  29. Há muitos anos que vivo sozinha e passei (e por vezes ainda passo) pela sensação de "precisar" de companhia. Mas, a dada altura, comecei a fazer as coisas que antes me assustavam e descobri o quão maravilhosas podem ser. Os 2 exemplos que mais recordo são o ter ido ao cinema sozinha e, principalmente, ter viajado sozinha. Foram 4 dias em Paris que me marcaram e, arrisco dizer, mudaram a minha postura na vida e nos afetos, uma viajem onde descobri o prazer de estar comigo mesma. A partir daí, se aparecer alguém que enriqueça a minha vida, otimo. Caso contrário, sou feliz assim! Um beijo.

  30. Sou filha única.
    Aprendi a estar sozinha e a gostar de sozinha.
    Talvez por isso, desfrutava muito intensamente da companhia dos amigos, quer na infância, quer na adolescência.
    Agora, que li este post, confesso que não tive saudades desses tempos, mas tenho falta de tempo em estar só comigo e a desfrutar de mim.
    Divido o meu tempo com o trabalho, marido (com quem adoro estar) e com os meus filhos que estão numa fase óptima! (digo isto em todas as fases).
    Depois das constantes reuniões familiares, dos jantares com os amigos, das saídas culturais, sobra de facto pouco tempo para estar só comigo.
    Neste momento não lamento esta opção, pois a minha prioridade está definida, mas temos de desfrutar de nós para podermos desfrutar dos outros.
    Cump.
    CristinaP

  31. Muito bom.:)

    Mas eu era dessas pessoas que nunca viajaria só. Gosto de estar sozinha(às vezes)a ler, a ouvir música, a reflectir… mas normalmente não gosto de estar só. Não gosto de comer sozinha, não gosto de estar sozinha em casa etc. Se tiver de ser não me importo, não fico doente. Não acho que estar só , é sinónimo de infelicidade, nada disso… Mas, talvez por ser feliz e estar com a mesmo pessoa há anos(8) que me completa e onde nunca há espaço para a monotomia prefiro fazer quase tudo a dois. Isso de viajar sozinho, acredito que seja bom para quem quer se encontrar consigo mesmo… mas confesso que de momento, nunca o faria.

    Beijinho,

    com admiração

    Sofia Pinto

  32. Penso que é a primeira vez que aqui escrevo. Tenho que dizer que adoro os seus textos, e este não foi excepção. A maneira como escreve é simples mas ao mesmo tempo muito explícita e isso agrada-me. E a maneira como vê a vida e as pessoas também. Porque, de uma maneira ou de outra, também sou apologista de muitas "teorias" de vida que aqui estão escritas. Um beijinho de Parabéns de quem é sua fiél seguidora 🙂

  33. Não podia concordar mais!!! Acho que aquilo que escreveste se encaixa no que sinto (ou senti…)!
    Quando fiquei sozinha realmente achava que era uma seca tremenda fazer "coisas" sozinha… Com o tempo percebi que tinha vivido um pouco asfixiada por só fazer "coisas" em conjunto! E comecei a adorar estar sozinha… Acho que nestes meses realmente me fiquei a conhecer, a saber o que quero da vida e quem no fundo sou!
    Achei as tuas palavras brilhantes e muito certas!

  34. Pura das verdades!! Concordo em pleno e revejo-me em cada palavra, já estive muito tempo sozinha e foi a minha melhor opção. Fi-lo por opção, ia ao cinema com amigos ou sozinha, dependia, o mesmo se passava com as compras, desde as coisas do dia á dia á troca de carro por exemplo, é tudo uma questão de atitude e viver muito bem comigo..E como estava bem, resolvida, sem mágoa, feliz, apareceu o amor, de uma forma natural e com uma partilha total, mas para isso acontecer eu tinha que viver bem comigo e com o meu "eu". Parabéns por este texto e espero que seja útil a alguém..Bom fim de semana e saudações benfiquistas!!

  35. Concordo inteiramente. E penso que viajar sozinho é a melhor forma de nos encontramos e também a forma em que estamos mais abertos e disponiveis para "receber" na totalidade a experiência do local. Cumprimentos

  36. Não poderia estar mais de acordo. Aliás, 100% de acordo. Só acho que faltou referir uma pequena particularidade. Muitas das pessoas que já encontraram a sua cara metade, acham "pouco cool" fazer esse tipo de coisas que enumerou sozinhas. Até olham para quem o faz, com algum tipo de preconceito. Ás vezes até para irem experimentar um par de sapatos ou fazer horas para ir ter com o amado/a, parece-lhe mal andarem sozinhos a esperar.
    Mas lá está, sobre este assunto, penso que existe uma mentalidade diferente entre o Norte e o Sul. Aqui onde moro, na grande área metropolitana do Porto, reparo que as pessoas são muito mais fechadas a isso que no Sul. E posso afirmar com conhecimento de causa, porque também já morei em Lisboa.
    Quando digo que temos de ser os nosso melhores amigos e a nossa melhor companhia, refiro-me a isso mesmo que escreveu no texto. Por vezes passamos por fases tão complicadas na nossa vida, que temos de encontrar-nos a nós mesmo nesse tempo sozinhos, em vez de ter alguém a julgar-nos erradamente. E não temos a paciência e a fora necessária para explicar o que nos vai cá dentro. Mais uma vez, parabéns pelo texto.

  37. Olá Arrumadinho! Gosto do teu blog, e em particular destas reflexões acerca de relações e sentimentos. É sempre bom ouvir um homem falar sobre estes assuntos, já que normalmente estes são os assuntos menos falados. Também me revi no post, mais vale só que mal acompanhada, embora aguarde pela boa companhia 😉 Até à próxima e boa 6ª feira!!

  38. Subscrevo integralmente o que dizes.
    Mesmo depois de ter encontrado a pessoa com quem partilho a vida – e já lá vão 10 anos – continuo a gostar de fazer algumas coisas sózinha…
    Acho que há sempre uma parte de nós que fica intacta – ou pelo menos deveria ficar – e sem falar no que devemos manter como hábitos, prazeres ou simples pensamentos… Estar com alguém não tem de passar a ser siamês de alguém. A vida deve ser partilhada, mas há espaços individuais que pela sua preciosidade devem ser respeitados como se de templos sagrados estivéssemos a falar. E isto pode ser uma viagem que queremos fazer sózinhos até a algo mais rotineiro como ir ao cinema ver aquele filme que o outro não quer…mas que nós queremos.
    Adoro ler o que escreves.
    Miri
    http://www.mycarsongs.blogspot.com

  39. Que bela maneira de começar um dia! Vou julgar-me o centro do mundo e dizer que este post é sobre mim! =p Vivo sozinha há, aproximadamente, 6 anos (apenas com uma interrupção de 6 meses em que estive como voluntária numa casa de reabilitação) e a verdade é que já não me imagino de outra maneira! Um ou outro namorado tiveram permissão para entrar no meu 'reino', mas nunca o suficiente para ficarem… A solidão pode fazer-se notar, mas a independência supera-a. Aprendi como é bom chegar a casa e ouvir o silêncio, habituei-me a ir ao cinema, às compras, à praia e a fazer muitas outras coisas sozinha! Deixei de me limitar à necessidade de companhia… se não há amigos disponíveis também não me privo de ir. Lembro-me que a primeira vez que fui ao cinema sozinha foi num Sábado à tardinha, estava de chuva, e ninguém lhe apetecia sair de casa. Primeiro desmotivei, depois pensei «mas que raios?! Consegues montar armários, trocar interruptores e até matar baratas e não ir ao cinema?!?!»… E lá fui eu!!! =p Adorei o post e o último parágrafo tocou-me particularmente! Bom dia e… hoje é sextaaaa! Lí

  40. Que grande, grande verdade. Eu estou sozinha (isto é, apenas com os meus dois filhos) deste "a minha outra vida", como tenho por hábito dizer, há já quatro anos, e não tenho qualquer pressa em encontrar alguém, de todo. Quando os meninos estão com o pai sinto o vazio do espaço, mas ainda assim não deixo de fazer nada, desde passear, ao cinema, a caminhadas, à praia, and so on, não me entrego à inércia, isso é que não. E de facto que bem me sabe às vezes fazer o que me der na real gana, ou ficar pura e simplesmente a disfrutar de um bom livro ou uma bela série.
    Sou muito mais feliz agora do que antes, cresci como pessoa, como ser humano, como mulher e como mãe, e isso aprende-se. O que tiver de ser será. Tal como diz, sem pressa, chegarei lá.
    Gosto muito do seu blog, espero que continue assim, excelente! Cumprimentos,

  41. Concordo inteiramente com a sua ideia, eu sou para a sociedade o que se chama um encalhado, porque estou sozinho, e já devia estar casado e com filhos, e ter alguém só por ter, para preencher um vazio ( e posso falar por experiência própria) não resulta, vira-se contra nós, como disse e bem, o partilhar algo ou apenas viver com quem não nos preenche deixa-nos mais sozinhos, do que estivessemos sem ninguém!
    Os programas não são condicionados, podemos num domingo de manhã perder-nos num museu, como a caminho de um destino pré defenido, mudarmos de ideia e irmos para um lugar totalmente diferente.
    E como diz, sem pressas a nossa alma "gêmea" aparece quando menos esperamos!! Eu acredito! Como nota de rodapé quero dar-lhe os parabéns pelo excelente blogue. E já agora um excelente fim de semana!

  42. E como se tem a certeza que não amamos aquela pessoa que amamos um dia profundamente? Como decidimos que está na hora de procura o nosso lugar longe dali? E quando há filhos? Como ter a certeza que não vamos querer voltar a atrás? Qual é o momento em que sentimos a decisão tomada? Será que estamos a exigir demais dos outros? Será que estamos a contentar-nos com pouco e vamos fingindo que um dia tudo mudará?

    O meu pensamento foi para aí…

    http://esticar-o-olhar.blogspot.com/

  43. TÃO VERDADE!!!!!
    E quando estamos sozinhos e verdadeiramente felizess (SIM É POSSIVEL SER FELIZ ASSIM) é que aparecem as pessoas mais incríveis…

    1ºeu, dps nós 🙂 ****

    Sara M.

  44. Você tem razão e eu não preciso de lhe dizer, ao ler o texto, foi como se eu adquirisse a consciência…
    É necessário aceitar que a vida existe, que tem de ser vivida, depois disto tudo acontece, sem ser necessário o "como" ou "o modo de fazer"…

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