Sobre as praxes

141
21162

Poucas pessoas devem ter passado por tantas praxes como eu.

Um mês na UBI

Em 1994, quando entrei para a universidade, fui colocado na Universidade da Beira Interior, porque não entrei em Lisboa por duas décimas.

Na Covilhã, e ao longo de um mês, fui praxado praticamente todos os dias, de manhã à noite.

A coisa começou logo no dia em que cheguei, um domingo ao início da noite. Fui de Comboio e cheguei à estação perto das oito da noite.

A minha mãe havia dito à senhoria do quarto onde eu iria ficar que eu chegaria por volta da hora de jantar. E era isso que estava combinado, numa época em que não havia telemóveis (havia, mas praticamente ninguém os tinha). Assim que o comboio chegou à Covilhã, olhei pela janela e havia centenas de pessoas trajadas aos gritos, com as capas no ar, como se fosse uma espécie de ritual de acolhimento. Confesso que fiquei um bocado assustado. Ainda antes de sair, um rapaz perguntou-me se era caloiro. Disse que sim. Então, alertou-me para o que me esperava: todos aqueles “veteranos” estavam ali à espera de “carne fresca” para praxar. Mal pus o pé fora do comboio, uma rapariga, trajada, perguntou-me se era caloiro. Disso que sim. Pôs-me a capa do traje por cima da cabeça e disse-me “anda comigo”. Lá fui eu, a arrastar a mala de viagem, atrás dela, debaixo da capa, pelo meio daquela multidão. Só ouvia gritos por todo o lado, grunhidos, uma coisa verdadeiramente assustadora. Passados uns segundos, percebi que estava a ser levado para fora da estação. A rapariga parou ao pé de três outras. Tiraram-me a capa da cabeça e lá estavam as quatro moças, com um ar novinho, todas contentes por me terem caçado. “Olha, nós somos do segundo ano, por isso, qualquer pessoa com mais matrículas pode roubar-te. Mas tu não vais querer isso, acredita. Ainda por cima és de comunicação. É melhor vires connosco”. Concordei. Meteram-me num carro e levaram-me. Pelo caminho, disse-lhes que tinha a senhoria à espera, e que a minha mãe deveria ficar preocupada se eu não ligasse, mas elas ignoraram-me, porque eu não tinha direitos.

Fomos para um bar. Lá, obrigaram-me a fazer uma espécie de strip, ao som de Julio Iglesias, tive de cantar, de servir às mesas, de as animar. Na verdade, não levei nada daquilo a mal e tentei divertir-me com o que se estava a passar, até porque achei que seria pior se me armasse em durão. Resultado: cheguei a casa às seis da manhã. A senhoria, que era pasteleira, e fazia bolinhos em casa, já estava a pé. Disse-me que a minha mãe havia ligado, mas como ela conhecia a tradição, calculou logo que eu teria sido levado para as praxes e disse à minha mãe para não se preocupar. Liguei para casa perto das 7h30 a dizer que estava bem e que tinha estado num jantar de caloiros.

Os dias seguintes foram complicados. Desde as tradicionais pinturas, às mistelas de todo o género que me colocaram na cabeça, tive de fazer de tudo, quase sempre debaixo de berros agressivos. Até mesmo a malta que parecia mais porreira, a determinada altura, gostava de exercer aquela autoridade animalesca e dava-me uns berros ordenando-me para fazer qualquer coisa. Como sempre, eu ia fazendo tudo, mais porque não gosto de causar problemas nem de me armar em chico-esperto. Decidi, desde o início, que a melhor forma de ultrapassar as praxes, que todos diziam ser muito violentas, seria alinhar nas coisas e tentar divertir-me com elas.

Numa noite, quando estava na rádio com alguns colegas, fomos visitados por uma espécie de trupe de praxe que andava trajada pela noite à procura de caloiros para raptar. Os “veteranos” que estavam comigo na rádio, esconderam-me dentro da banheira da casa de banho, correram a cortina e apagaram a luz. Ali fiquei uns minutos, em silêncio. Dentro da rádio, só ouvia os gritos dos tais elementos da trupe a perguntar se havia por ali caloiros, sempre com berros agressivos. Acho que foi o momento em que senti mais medo. Medo a sério.

O tempo passou e as praxes continuaram, de forma diária e continuada. Foi uma semana inteira, sem parar, a fazer mil e uma coisas. No fundo, só não ia às aulas, porque não conseguia. A única coisa a que resisti sempre foi a beber álcool. E fui muito pressionado, sobretudo quando os veteranos perceberam que eu não bebia. Queriam impor aquilo como se fosse um ritual de iniciação, mas eu recusava. E foi por causa do álcool que tive a minha primeira discussão mais séria. Um veterano quis obrigar-me a beber uma cerveja e eu recusei. Ele insistiu, e eu recusei. Começou com aquele paleio da desobediência, com as ameaças de tribunal de praxes, a berrar-me ao ouvido a dizer que eu ia beber porque ele estava a mandar e eu ignorei. Encostou-me a testa ao nariz em jeito de ameaça, e foi então que lhe disse ao ouvido que era melhor ele parar por ali senão íamos ter problemas sérios. Começou a rir-se, mas ao fim de uns minutos desapareceu.

Nas três semanas seguintes, já fora do período de praxes, continuei a ser alvo de chacota, de insultos, de brincadeiras, mas também de carinho, sobreutudo por parte de pessoas que perceberam que eu era boa onda, e tinha alinhado em muita coisa sem arranjar problemas. Também ajudou muito o facto de, entretanto, terem chegado mais rapazes à minha turma, sobretudo dois gémeos, que passaram a ser o centro das atenções e aliviaram-me um pouco.

Os tempos do ISCSP

Quando estava a começar a ambientar-me à Covilhã, fiquei a saber que a minha candidatura, na segunda fase de colocações, à Universidade Técnica de Lisboa, havia sido aceite. Mudei-me, então, para o ISCSP, onde fiz a licenciatura. Como cheguei já fora do período de praxes, ninguém me chateou.

Enquanto “veterano”, tive duas afilhadas (a Patrícia e a Vânia), mas nunca praxei ninguém, embora gostasse do espírito académico, do traje, do espírito que se vivia na universidade. No fundo, o traje era um símbolo de orgulho pelo que haviamos alcançado — o chegar à faculdade. O máximo que fiz foi ter levado dois caloiros de fora de Lisboa para um passeio pela cidade. Andei com eles no meu carro durante um dia inteiro por Lisboa, mostrei-lhes os sítios mais emblemáticos da cidade, alguns bares, zonas fixes para ir, e mais nada. No final, agradeceram-me pela praxe e ficámos amigos.

A praxe na UTAD

Uns anos mais tarde, em 2001, quando já era jornalista, e trabalhava na revista “Focus”, propus ao meu director fazer uma reportagem diferente. No ano anterior, haviam sido proibidas praxes com bosta de vaca, devido à doença das vacas loucas. Mas havia universidades em que essas práticas eram comuns. A mais badalada era a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real. A minha ideia era a de me fazer passar por caloiro do curso que todos diziam ter as praxes mais violentas, o de Engenharia Agrícola. O que eu iria tentar perceber era até onde iriam as praxes, e se usariam ou não bosta de vaca nas tradicionais lutas de lama com caloiros. O director, o Ferreira Fernandes, hoje no “DN”, achou a ideia óptima e deu-me luz verde. Assim, marquei hotel durante uma semana em Vila Real, peguei no meu carro e fui para Trás-os-Montes.

O primeiro dia de aulas foi a uma segunda-feira. Lá fui eu para as aulas do curso de Engenharia Agrícola. Claro que criei uma personagem para poder responder a todas as dúvidas possíveis dos veteranos. Dei o nome próprio — porque muitas vezes pediam o BI — e justifiquei o facto de ser cinco ou seis anos mais velho que os outros caloiros com uns anos perdidos a estudar Relações Internacionais em Lisboa, numa universidade privada. A minha personagem era filho de um pai rico, com muitas terras, e que queria que o filho, eu, pudesse tomar conta dos terrenos. Toda a gente acreditou, e, por sorte, ninguém se lembrou de ir às listagens das turmas ver se o meu nome constava lá.

Ao longo de uma semana, voltei a passar por tudo o que sentira na Covilhã. Mas, na UTAD, havia muito mais hostilidade do que na UBI. Os pedidos eram sempre ordens, não havia sorrisos, os desafios eram mais físicos e muito menos divertidos. Tive de passar noites inteiras a a lavar louça, a fazer camas de residências inteiras, a fazer de cão com uma trela ao pescoço, tive de andar só de boxers por uma casa cheia de veteranos, mas, uma vez mais, a única coisa que me recusei sempre a fazer foi beber álcool, até porque estava em trabalho e não podia perder o discernimento.

A minha alcunha era o “caloiro de 76”, o meu ano de nascimento, que era um pouco esquisito para aqueles veteranos, até porque muitos (ou quase todos) eram mais novos do que eu.

Claro que no meio de uma série de anormais, encontrei gente porreira, sobretudo colegas de turma, e houve momentos em que me senti mal por estar a mentir a toda a gente, mas era trabalho. Os veteranos ficavam profundamente irritados por saberem que eu era um “menino do papá”, cheio de terrenos, e que estava hospedado no Mira Corgo, o melhor hotel da cidade, quando muita gente estava em quartos partilhados. E acho que isso ainda lhes dava raiva para me praxarem mais.

No final dessa semana, na sexta-feira, dia da grande festa do caloiro, e já com a reportagem toda escrita, voltei à faculdade e contei a verdade. Assim que entrei na cantina, ouvi logo alguém a chamar-me “Oh, caloiro de 76, anda cá!”. Olhei, e lá estava um grupo de veteranos que me havia praxado durante a semana. Fui ter com eles, e antes de começarem a falar, eu disse: “Eu não sou caloiro”. Houve ali um misto de estupefacção com curiosidade. “Não é caloiro, como? Eu já o praxei”. Saquei da minha carteira profissional de jornalista e coloquei-a em cima da mesa. “O meu nome é Ricardo Martins Pereira e sou jornalista profissional. Está aí a minha carteira que o pode comprovar”. A carteira passou rapidamente de mão em mão. Uns começaram a rir-se às gargalhadas, outros ficaram muito preocupados. Um deles levantou-se de imediato e saiu, com o telemóvel na mão. Lá expliquei o que andara a fazer durante a semana, e a curiosidade instalou-se. A história passou de boca em boca e em cinco minutos tinha ao meu lado o presidente da Associação de Estudantes, o presidente da Comissão de Praxe e um representante da universidade. Todos queriam saber o que é que me tinham feito, e o que é que eu poderia escrever. Não revelei nada, e disse que teriam de ler na revista na semana seguinte. Foi o pânico geral. A história chegou ao reitor e a quase todos os alunos.

Nessa noite, estava marcado o jantar do caloiro da minha turma. Como havia feito alguns amigos, resolvi ir. Fui recebido, pela maioria, como um herói. Mas muitos alunos, sobretudo os mais velhos, estavam muito preocupados, até porque alguns sabiam o que me haviam feito, e tinham assistido a muito do que eu passei. Alguns vieram pedir-me para ser brando, porque ia estar a pôr em causa o nome da UTAD. Alertaram-me para o facto de haver um grupo que me queria linchar, porque eu ia estar a destruir a reputação da universidade. Não liguei. Nesse jantar, e pela primeira vez naquela semana, fui “lá da malta” e bebi aquele copo “até ao fim”. Um copo de vinho. Foi a festa.

Seguimos para a festa do caloiro, ao ar livre. Mantive-me sempre com o meu grupo e a coisa estava a correr bem. Até que ao fim de algum tempo senti um toque nas costas. Olhei para trás e estavam três ou quatro indivíduos, já alcoolizados, que me deram uma ordem qualquer, chamando-me caloiro. Expliquei que não era caloiro, mas eles retorquiram argumentando que já me tinham praxado, por isso, era caloiro. Mostrei-lhes a carteira profissional de jornalista e, um deles, depois de a ver, atirou-a para o meio da multidão. “Então agora prova lá que és jornalista”, disse-me.

Uma das raparigas que estavam comigo foi ter com ele e disse-lhe para não me chatear, e para se ir embora. O grunho empurrou-a. A rapariga começou a barafustar com ele e o indivíduo puxou a mão atrás e aplicou-lhe um estaladão na cara que a fez cair. O namorado dela, que estava ali ao lado, veio a correr e deu-lhe um pontapé violento. Não me lembro de muito mais. Sei que começou tudo à pancada e uma rapariga puxou-me pela mão e arrastou-me dali para fora. “Vai-te embora porque senão eles ainda te matam aqui. Estão todos bêbedos”.

Consegui escapar-me e fui para o hotel. Quando cheguei, percebi que, no meio daquela confusão toda, havia perdido a chave do meu carro, e sem ela não podia voltar a Lisboa. Pior: no dia seguinte era sábado, e a universidade estaria fechada. Temi, naquele momento, que me pudessem vandalizar o carro, já que todos sabiam qual era. Felizmente não o fizeram.

No dia seguinte, de manhã, quase em jeito de descarga de consciência, fui até à universidade, para tentar perceber se aquele recinto onde havia sido a festa estaria aberto. Não estava. Mas uma funcionária disse-me que o senhor que tratava da limpeza morava ali perto. Lá fui a casa do senhor. Milagre dos milagres: ele havia encontrado a chave do meu carro, e devolveu-ma (durante anos, continuava a ter lama cravada nas ranhuras, mas pronto).

O caso do Meco

Acho que estas histórias dão para perceber a minha opinião sobre as praxes.

A reportagem exibida hoje pela TVI, e que mostra os rituais de passagem a que os membros da comissão de praxe são sujeitos na Universidade Lusófona, falam por si. Submeter estudantes universitários a coisas destas é um retrocesso civilizacional, é um crime que deveria ser punido severamente dentro e fora das universidades.

Penso que a morte de seis miúdos é suficiente para que a praxe seja, de vez, eliminada do sistema de ensino português. É o mínimo que se exige num país que se diz moderno e europeu.

141 Comentários

  1. Qualquer pai como o Miguel e em desespero de causa, não hesitará um segundo, em partir não uma, não as duas tíbias, mas limpar o sebo a meia dúzia de patetas, que fruto da vadiagem e cabulagem que andaram a fazer e somente por isso, adquirem uma autoridade que ninguém lhes reconhece a não ser por outros iguais, e assim fruto de muitos anos na escola, já podem humilhar os inocentes.
    Às muitas Fernandas que pululam por aí, antes de praxar alguém!… melhor mesmo é empraxar com alguém e deixar os miúdos em sossego.
    Não tenho dúvidas que a passar-se algo de parecido e a provar-se que a morte de um filho meu tinha sido fruto da prepotência dum pateta qualquer, como aquele de Coimbra que ao fim de vinte anos ainda anda a “estudar” e nós a pagar, só tinha mesmo um desfecho.
    Trágico iria ser para exemplo de todos.

  2. Eu tb sou de 76 e também fui praxado no mesmo ano na UBI. Nao me lembro que houvesse nada violento ..dançar na rua, comer sopa com um garfo, estar com um veterano toda a noite na sala de programaçao e ir a buascar mantas e comida. Na segunda semana vieram uns veteranos a casa e disseram para pegar na escova de dentes e alguma roupa. Passadas umas horas estava em Salamanca. Estive lá 1 semana. Pagara-me tudo inclusive mais roupa que necessitei. Inclusive fui a algumas aulas de Algebra lá. Fui muito bem tratado e realmente com as pessoas com que fui a Salamanca ou o pessoal das noites da sala de programaçao ficamos amigos. Sempre havia gente que so queria pintar-te ou fazer outra coisa qualquer, mas realmente eramos mais os que tinhamos coisas na cara do que os que nao tinham .. e como normalmente sempre punham o curso na testa servia para encontrar o resto da minha turma e saber como chegar á proxima cadeira. Para mim a praxe deveria ser realmente um processo integrador e para mim foi.

  3. Olá Ricardo

    Gostei de conhecer a sua experiência na praxe e partilho da sua opinião. Eu própria fui praxada duas vezes em duas faculdades diferentes. A primeira foi no ISLA (actual Universidade Europeia). Tinha 18 anos e na altura gostei. Hoje,olhando para trás,acho que não me ajudou em nada,fiz figuras tristes e era muito miúda. Não o faria de novo,de todo. No entanto,ninguém me insultou nem maltratou. A segunda vez que fui praxada foi quando entrei na Lusófona (faculdade a que,como sabe,pertenciam os estudantes que morreram) e digo-lhe que foi das experiências mais ridículas que passei na minha vida: uma cambada de atrasados mentais mais novos que eu,a fazer o curso há 5 anos,que não iam às aulas,aos berros e a insultarem toda a gente. Eram extremamente agressivos e só lá estive uma hora,tive que inventar uma consulta para poder ir embora porque não me deixavam sair de lá e nunca mais lá meti os pés. No meio de toda aquela gente quem mais me marcou foi o Dux (o que antecedeu a este que esteve no Meco). Lembro-me bem da expressão de arrogância e malícia que ostentava enquanto insultava de forma extremamente agressiva um caloiro por este se enganar na letra de uma música. Aqui há dias essa mesma pessoa foi à televisão falar,basicamente a dizer que estava muito transtornado e que é uma injustiça o que estão a fazer ao bom nome da praxe. Palavras para quê?

  4. Boa Noite,

    Não sou leitora frequente do blog, mas de quando em vez venho espreitar.
    Apesar de não concordar com muitas das suas opiniões gosto da maneira como as argumenta e as defende.
    Em relação a muito o que tem sido dito sobre a praxe, finalmente vejo uma opinião que apesar se ser contrária à minha está baseada numa experiência.
    O argumento de que “o que passou não é praxe” é mentira foi praxe, mas parxe infelizmente mal feita. Fui praxada e bem praxada e sempre tive a liberdade de dizer “NÃO” sempre que senti que tal actividade poderia entrar em colisão com os meus valores.
    Quando praxei tentei sempre sempre pautar-me pelos melhores valores: integração e união…e juntar um curso que quando entrei apenas conhecia “os da praxe” e nem esses no dia-a-dia convivia.
    Tenho orgulho em dizer que hoje em dia o meu curso, e eu já não faço parte dele, é um curso unido e todos de praxe ou não são unidos, se conhecem e se ajudam se assim for necessário.
    Acho, e infelizmente, que o grande problema da praxe reside na falta de bom senso de muitos que acham que um traje académico lhes dá mais valor….
    Sempre aprendi que para se praxar bem é necessário ter em mente: não pedir para fazer nada que o próprio não fizesse 3 vezes mais; não pedir para fazer nada que não gostava que me pedissem para fazer.
    Da praxe só guardo o MELHOR, e tenho muita mas muita pena que algo que eu gostei tanto e me deu tanto prazer possa ser fatal para muitos.

  5. É claro que há boas experiências de praxe. Eu estudei à noite, no ISCAP – Porto e não fui praxada apenas porque depois de um dia de trabalho só queria era ir às aulas e não tinha paciência nem vontade de ir para essas coisas.
    Entendo, sinceramente, porque diz que a praxe devia ser extinta mas atendendo a que há boas praxes que podem ser realmente integradoras não me parece razoável.
    É preciso é saber qual o nosso limite, quer estejamos no lado do praxador ou do praxado. É preciso respeitar a liberdade de cada um. E mais importante que tudo: responsabilizar criminalmente quem comete esses variados crimes (sim, constituem crimes já abrangidos nas leis portuguesas). Se assim fosse, acabariam as praxes abusivas e ficariam apenas as sãs!

    No Meco, morreram 6 jovens e famílias ficaram destruídas. Foi praxe? Não foi? Não se sabe! Não se pode é deixar isto sem explicação. Quem errou (e houve erro concerteza!) tem que assumir a responsabilidade e acatar as consequências!

    Eu trabalhei para poder estudar mas muitos pais fazem imensos sacrifícios para que os seus filhos se possam formar. Mas a que custo??? A troco de quê vem uma besta qualquer humilhar, insultar e pior, impor a estudantes que corram qualquer tipo de risco??? Porquê?
    Que sejam homens e mulheres e não se escondam sob a desculpa da praxe: são só brincadeiras, é a praxe…

  6. “Sim, já passou por muitas praxes, mas lá está, há já alguns anos. Mas para quê comparar o passado com o futuro e presente? Para quê? É que se formos por essa lógica de ideias, acredite em mim que não resultará. As coisas mudam, meu caro.” Na UTAD mudou o quê? Diz-me o que se fazia e que deixou de se fazer! No meu tempo não havia banhos na bosta.

    Tu és aluna da UTAD, eu fui aluna da UTAD e como só conheci a realidade da UTAD só falo sobre a UTAD: em 92 era da praxe os caloiros serem apanhados para limpar as casas dos estudantes (sim, também lavei louça), em 2001 aconteceu o mesmo ao Arrumadinho, em 2013 deixaram ou continuam a apanhar os caloiros para uma limpezinhas em nome da praxe?!

  7. Adorei o texto! Fui caloira este ano pela primeira vez, fui apenas uma semana, desisti porque achei horrivel tudo o que nos faziam. E só eu sei o que passei por ter desistido. Rapidamente fiquei conhecida na universidade inteira por me ter declarado anti-praxe. Ótimo ser ridicularizada na escola onde entrei pela primeira vez 🙂

  8. Ahah, até me ri. Infelizmente são comentários desse que fazem com que o país não evolua.
    E, se tivesses tido atenção ao que escrevi, reparavas que não me referi só à UTAD, mas à praxe em geral.
    Boa tarde.

  9. No meu primeiro dia estava amedrontada. Era uma etapa nova, o começo da dita independência. Sentia a falta dos meu pais, afinal, tirando as férias e as viagens passadas com os amigos, nunca tinha vivido longe deles, numa outra casa a que iria chamar “minha”.
    As comidas da mamã, os miminhos do papá,tudo ficava guardado para o fim de semana, até lá teria que aguentar.
    Uma cidade que não era a minha, partia para o desconhecido. Repetidamente na minha cabeça, ouvia “Vai-te embora, não vais aguentar, vai para o conforto”. Mas como poderia eu desperdiçar doze anos da minha vida a estudar para agora nem sequer formação conseguir obter? NÃO!
    De cabeça erguida, lá fui para o primeiro dia. Parecia simples, estava naquilo que queria , embora não na universidade desejada.
    Cheguei, depressa me perguntaram “é caloira?” , respondi logo. Mandaram-me então para a beira dos restantes “semelhantes”(como se costuma dizer) . Era tudo muito estranho, só gente de cada ponta do país, Guimarães, Açores, Madeira, Vila Real, Porto, Bragança.. Logo pensei “estarão na mesma situação que eu, de certeza”. Não vou dizer que não enchi, isso seria mentir. Mas também me diverti imenso. Consegui voltar a ser criança por algum tempo… Cantávamos muito, pelo curso, pela praxe, por NÓS e, à medida que foi passando, comecei a fazer amizades, comecei a ganhar “amor à camisola”.
    O choro pelos pais estava definitivamente curado… Só queria que passasse rápido o fim de semana para voltar para a “Bila”.
    Quando dei por mim, tinha pessoas a meu lado para levar comigo o resto da minha vida. Pessoas que, eu estando doente e na ausência dos meus pais, me levaram ao hospital, me levaram comida num tupperware devido às longas horas de espera e uma mantinha para aguardar… Pessoas que, sempre que me caía uma lágrima, tratavam logo de a transformar no sorriso mais rasgado do mundo…
    Aprendi a Amar-me, a respeitar os meus ideais, mas, acima de tudo, a perceber que, afinal de contas, todos somos iguais.
    Nunca será possível demonstrar tamanha gratidão à PRAXE, por me ter feito descobrir quem realmente quem sou, por ter encontrado a minha 2ª família, o meu lugar neste mundo.
    Afinal, os meus Engenheiros (praxadores), também passaram pelo mesmo e eu, para o ano estarei no lugar deles, pronta a receber e integrar aqueles que estarão no lugar em que eu estive

  10. Boa tarde.
    Antes de mais, venho congratula-lo pelo simples facto da coragem de publicar a sua opinião em plena internet, ainda para mais perante este descontentamento e revolta do pessoal universitário.
    Sou estudante da UTAD, aluna do segundo ano, daí ter-me chamado particularmente a atenção este seu post e sentir o “dever” de manifestar o meu desagrado.
    Sim, já passou por muitas praxes, mas lá está, há já alguns anos. Mas para quê comparar o passado com o futuro e presente? Para quê? É que se formos por essa lógica de ideias, acredite em mim que não resultará. As coisas mudam, meu caro. A escravatura, o nazismo, a peste, tudo isso foram elementos relevantes para o passado, mas acabou. Lá por ter vivido numa época em que a praxe era de determinada forma, não quer dizer que o seja! Só um conselho, se ama o que faz, não caia no erro em que colegas seus caíram. Ser jornalista não é só comentar factos visíveis a uma primeira observação, é vasculhar todas as entranhas, todos os “ses”.
    Uma sugestão: porque não volta a entrevistar a universidade? Note-se que existe muita crueldade no mundo, mas não vamos generalizar, porque no meio dessa crueldade, existe sempre alguém disposto a fazer o bem.. No meio da pobreza, existem indivíduos como eu e o senhor, com um computador à frente a discutir sobre um tema muito debatido ultimamente. Percebe onde quero chegar? (…)

  11. Fui praxada, praxei, não tenho nada contra e devo dizer que gostei muito , talvez mais de ser praxada até. Claro que quem não quer tem sempre a oportunidade de dizer Não, no meu curso tive e não foi por isso que foram descriminados.

    Acrescento só uma coisa que acho bastante importante: o facto de proibirem a praxe dentro das universidades é um dos piores erros. Aceitem a praxe, controlem, regulem, não é fora das universidades que isso acontece…

  12. Como a maioria dos estudantes universitários, também eu passei pela praxe. Tenho a dizer que a minha praxe não foi nenhuma descida aos infernos, alias comparada com as praxes que falam, a minha foi um passeio no parque. Penso que existe muita confusão e que é tudo posto no mesmo saco…esses exageros são cometidos por pessoas com muitos problemas de autoestima, tanto da parte do “veterano/doutor” como do “caloiro”. Eu nunca passei por momentos humilhantes, nem me sujeitaram a momentos de humilhação porque acho que existem limites e mesmo que me fosse proposto diria que não.
    Não sei como é nas restantes universidades, mas na FCUL, mais propriamente no DQB, antes de iniciar essa parte do meu percurso académico, perguntaram-me se era pró ou anti praxe. Essa pergunta só ocorreu no fim do dia, depois de me ajudaram a preencher a papelada toda e a conhecer a faculdade.
    Enquanto caloira, que durou 1 semana, cantei, fiz bastante exercício, fiquei a conhecer o metro e o jardim botânico e para além disso gozei muito. Acho que a pior praxe me propuseram era carregar uma telha, só porque eu passava a vida a dizer que não se podia praxar debaixo de telha, mas como até achavam piada, nunca passou de uma ameaça. Para além disso, ganhei madrinhas e padrinhos, que me ajudaram bastante durante o 1ºano da faculdade e ainda hoje são meus amigos. Enquanto doutora/veterana, como o tempo nunca era muito (química não é um curso fácil) pouco fazia nas praxes, normalmente tentava ajudá-los como me tinham ajudado anteriormente.
    Acho que a experiencia de cada um é diferente, mas existem universidades em que esta tradição ainda é cumprida dentro da normalidade e ajuda a integrar as pessoas num novo meio.
    Em relação ao Meco, não vou dizer o que penso que aconteceu, acho que é mais fácil culpar a praxe como bode expiatório, dado que se transpôs o limite máximo, isto é, o limite da auto-preservação. Acho que as pessoas têm de ter dois dedos de testa e prever as situações de risco e não se deixarem levar. Penso que este caso é semelhante às pessoas que dizem que são más pessoas por causa das companhias. Acho que cada indivíduo tem de pensar por si próprio por maiores que sejam as pressões sociais, definir os seus próprios limites e perceberem qual pode ser a consequência máxima pelos seus erros, afinal todos esses jovens já tinham mais de 20 anos.

  13. Desconhecia por completo o tipo de praxes que espelhou neste post. Fiquei chocada, a sério. Na minha faculdade (da Universidade de Lisboa) nunca ouvi falar em tal coisa. Faltei no dia das praxes, exactamente porque não gosto do espírito, e ninguém me veio aborrecer com isso.

  14. Na minha universidade ninguém é obrigado a nada. Nem a beber, nem a andar só de boxers (isso até está fora de questão), nada. E só porque essas pessoas não sabiam praxar, não significa que sejam todas assim. Chega de generalizações.

  15. Seria possível publicares o artigo que escreveste sobre as praxes na UTAD? Em 2001 já não estava lá, gostava de ler.

    Fui caloira da UTAD em 92 do curso Engª Zootécnica, não fui muito praxada. 3 praxes: a 1ª foi estupida, não fiquei amiga de ninguém; a 2ª praxe foi engraçada e fiquei amiga daquele grupo e a 3ª praxe foi a praxe de curso, nada de bosta, palha ou afins. No meu tempo não havia luta de lama nem praxes com bosta de vaca, pelo menos, nunca ouvi falar. No ano anterior a eu ter entrado tinha havido o problema de uma praxe em que obrigaram um caloiro a comer comida de cão, no ano em que eu entrei os doutores estavam, digamos, mais contidos…

    Muito sinceramente se quem te praxou na UTAD tivesses 2 neurónios a funcionar via que não estarias a contar tudo…caloiro não dorme em hotel, muito menos num hotel com vista para o rio Corgo. Caloiro filho de papá rico viveria num estúdio no Mantas 😉

  16. Bom dia,

    Em relação a este tema, tenho a dizer que tornaram uma das mais bonitas coisas da vida académica, numa verdadeira tortura e parvoíce de todos os tempos.
    Quem faz este tipo de cisas e ainda concorda , só tem um tipo de explicação, é infeliz, faz o que faz para chamar a atenção dos outros, tem o síndrome de inferiorização, e vê aqui o meio de se fazer passar por alguém que nem sabe bem quem é.

    Tornem a praxe num momento de brincadeira e não vingança por serem uns FRUSTRADOS na VIDA.

    Sejam HOMENS e MULHERES, responsáveis e humanos, para poder progredir na vida. Assim só mostram serem ainda mais fracos que aquilo que já são.

  17. Segundo me parece; ela não se refere a isso. Em Coimbra não se pinta ninguém. Não faz parte da praxe partir ovos na cabeça ou atirar com farinha, ou pintar as unhas aos rapazes.
    Se bem que, tenho as minhas dúvidas nestes tempos.

  18. Olá,
    depois de ler este post e alguns comentários não resisti a dar a minha opinião.
    Eu frequentei a praxe porque estava numa cidade desconhecida e todos me diziam que era uma forma de integração mas, infelizmente não senti que me estivesse a integrar tal como me diziam, mas mesmo assim continuei a frequentar durante um mês dizendo sempre que só desistiria quando me pusessem em risco e quando esse dia chegou fi-lo. Sendo assim, a minha experiência não foi boa, mas é da única praxe que eu posso falar, não me servindo de nada que digam que a verdadeira praxe não é esta, pois, esta foi a única e verdadeira praxe que tive.
    Deixo um conselho a todos que passam por estas situações, nunca deixem que ponham em causa a vossa integridade física e psicológica.

  19. Fui estudante da utad, e tenho de lhe dizer que não pode julgar toda a praxe da utad desta maneira com base em apenas uma semana… uma vez integrado na praxe, esta extende-se até ao final da vida academica! Sim a primeira semana é dura muito dura mas depois é impossivel não gostar! Dez anos passados, é impossivel não sentir saudades, dez anos passados e voltaria a querer ser praxada. Afinal, há sempre a opção, em qualquer altura, de não querer fazer parte da praxe!

  20. Caro arrumadinho
    Fiquei com muita pena sua foi abusado nao haja duvida que está traumatizado mas só participou porque quis certo?

  21. Antes de se acabar com as praxes devia exterminar-se toda a cambada de energúmenos que se afirmam através de autoridade violenta escondida sob o nome de praxe. Mais ou menos metade da população mundial… Os estudantes académicos são apenas uma pequena amostra. Fui praxada e praxei, gostei de tudo o que fizemos nessas semanas e foi nessas alturas que a nossa turma mais se uniu (Nunca voltamos a ser assim). Também fui vitima de vinganças em que me senti humilhada e sei bem distinguir as duas situações. Hoje em dia tenho vergonha do que vejo nas “praxes” ou seja lá o que aquilo seja, é um assunto bastante debatido pelos alunos do meu ano. Acho que esta questão vai muito além da praxe, que é uma antiga tradição, é uma questão de valores e princípios é da consciência de cada um saber os seus limites e talvez, se os concelhos de praxe forem compostos por pessoas sérias e não pelos retardados que na sua maioria representam alegremente os veteranos das faculdades, seja possível fomentar nas camadas mais jovens estes valores (já que aparentam chegar à universidade sem ele).
    Não poderá a praxe ser um ensaio para a vida adulta?
    É que também temos patrões agressivos e manipuladores mas lamentavelmente não podemos exibir cartazes de protesto e acabar com eles.

  22. Gostava de saber o que entende por bando de veteranos quando se refere a UTAD.
    Fique a saber meu caro que quem praxa na academia transmontana é em maioria é o 3 ano, Doutores, Engenheiros e Arquitectos, sim existe uma hierarquia!
    E veteranos são alunos com 6 ou mais matriculas, que por norma não praxam caloiros, tem como dever tentar evitar os excessos de que todos falam!
    Junto deixo o código em vigor nesta academia para que possa compreender o papel de cada um.
    http://www.aautad.pt/doc/codigo_de_praxe.pdf

  23. Catarina e Marlene… não percam tempo com a “Fernanda”… ela esteve demasiado tempo ocupada a PRAXAR (espero que exista esta) em vez de assistir às aulas… com isto chegou a “doutora” demasiado cedo e agora está um bocadinho inchada 😉

    Tenho dois filhos pequenos mas que se tudo correr bem um dia terão a sua oportunidade de se formar numa universidade (ao contrário do que aconteceu a estes 6 pobres jovens)… nessa altura cá estarei para os ajudar a lidar com essa “cambada de anormais” que se vestem de forma ridícula e exprimem a sua frustração humilhando os outros…. só espero conseguir “aguentar” os 13 anos que ainda me faltam pois depois deste triste episódio acho que vou mesmo partir um par de tibias bem antes… só para aquecer!

  24. Boa tarde! Fui praxada na universidade de Aveiro e na universidade de trás os montes e alto Douro em épocas diferentes da minha vida e de todas elas tenho a dizer bem. Em Aveiro sempre fizemos jogos e pudemos conhecer muitas pessoas que me ajudaram durante o meu percurso académico. Em Vila Real as praxes eram mais frequentes, cansativas até, mas nunca ultrapassaram limites e permitiram que eu e todos os meus restantes colegas formassemos uma amizade sólida e baseada em confiança adquirida nas praxes. Portanto da minha experiência só tenho a dizer bem. Claro que sei que nalguns cursos e em determinados locais o mesmo não acontece. Têm que ser criadas regras formais e tem que ser realizado um controlo regular para que não hajam excessos de quem se quer satisfazer com a infelicidade dos caloiros…

  25. A partir do momento em que numa UNIVERSIDADE PÚBLICA os próprios docentes (assistentes, professores desde o professor auxiliar ao catedrático) têm medo dos alunos que compõe à Comissão de Praxe de que adiantaria um aluno apresentar queixa?!
    Ainda foram algumas vezes que fiquei sem ter aulas – reitero, numa UNIVERSIDADE PÚBLICA – porque os “senhores doutores” estavam a praxar DENTRO DA FACULDADE (nas salas ou mesmo no parque de estacionamento) e com os gritos dos caloiros ou com os gritos dos “doutores” não se conseguia ouvir nada. Com tantos anos de licenciatura nunca ouvi uma chamada de atenção de um professor a pedir um pouco de silêncio. O que até seria normal. Mas a verdade é só uma – esses “doutores” têm demasiado poder dentro das faculdades. Que cada, se assim entender, reflita sobre esta realidade e retire as conclusões que entender…. Não é mentira nenhuma e isso é comum em várias faculdades.

  26. O traje – capa e batina em Coimbra – nasceu para a igualdade dos estudantes. Havia muitas amplitudes sociais, discriminação… os Jesuitas criaram-nos para haver uniformização. Se eu colocar brincos, faço a diferença em relação aos meus colegas. O traje é algo não elistista e que ensina todos os dias que eu e os meus colegas somos iguais perante uma instituição. Não há cá o mais rico, o mais bonito… É isto que simboliza usar capa e batina e é por isto que faz sentido. Quem quer usar, respeita a tradição, quem não quer, não usa!

  27. Concordo que haja muitas formas de integrar os novos alunos sem ser através da praxe. Mas a praxe é uma tradição. Eu fui praxada em Aveiro e praxei em Aveiro. Nunca fui humilhada nem escravizada, nem nunca fiz nada em que me sentisse pouco à vontade ou que achava que ia contra as minhas regras e valores. Sempre que não queria fazer uma coisa disse que não e fui respeitava. A diferença está aqui. Praxe é bom. Praxe é bom quando serve para integrar, quando sentimos que estamos lá e nos estamos a divertir, quando fazemos amigos para a vida. Agora, ninguém obriga ninguém a ser praxado. Tenho muitos amigos que não foram à praxe e não foi por isso que deixaram de se integrar de fazer parte do grupo de toda a gente que ia à praxe. A diferença está em ter bons ou maus praxantes. Se formos praxados por pessoas que estão mal com a vida e que não vêem a praxe como uma forma de se sentirem superior, aí sim, a praxe será má. Ao contrário não.

    O que eu acho é que não se pode generalizar. Não se pode tornar geral a praxe que acontece na Lusófona, que já toda a gente verificou que é a pior praxe de sempre. Aquilo não é o que se passa nas outras Universidades, ou pelo menos não em todas.

  28. À parte , o nome que se quer dar a este tipo de «cerimónias», entendo que está tudo errado: as pessoas que participam são adultos, sabem muito bem as consequências dos seus actos; o sistema não os coloca mais cedo na vida activa, são considerados miúdos, por eles respondem os pais explorados para lhe fazerem as vontades. Por mim, acho que deveriam começar a trabalhar, no duro, já teriam sono às 11 horas da noite e não teriam vontade de brincar com o perigo.
    Certo dia passei por um grupo de estudantes de enfermagem que teciam todo o tipo de comentários sobre doenças contraídas sexualmente, na rua, em altos gritos. Fiquei chocada e sem palavras. Tocou-se o exagero.

  29. “Na Minha faculdade, temos um código de praxe e não há unhas pintadas, maquilhagem(…)”

    Sou apenas eu a achar ridículo este tipo de regras??? Quando profissões com um enorme valor para o nosso País (como militares, forças policiais, médicos e enfermeiros) podem usar unhas pintadas e maquilhagem no dia-a-dias das suas profissões? Sinceramente…

  30. Só quem foi praxado verdadeiramente é que percebe o que eu estou a querer dizer. Tenho pena que não saiba levar a vida um bocadinho menos a sério. Mas pronto, cada um é feliz à sua maneira

  31. Fui praxada e praxei. Fui a melhor aluna da faculdade. Andei numa privada. Tinha um part-time na altura
    E agora, qual é a sua desculpa?

  32. A “pressão” entra logo na parte de o ónus de dizer “não” estar no caloiro (esperas nas inscrições, estações, entradas nas salas de aula). Se é tão voluntária assim, anuncia-se local e data e quem quiser aparece lá. É só com isso que acho que as universidades não devem pactuar. O resto são assuntos entre pessoas adultas.

  33. Este assunto tem apoiantes e protestantes, cada um com a sua razão.
    Eu fui praxada e sempre que me lembro das minhas praxes, recordo em boa memoria e apareceu-me de tudo pessoas porreiras e outras que apenas através de um traje é que conseguiam se evidenciar na época das praxes e depois ao longo do ano nunca mais ninguém as via. O que se passou no Meco, não foi praxe, foi uma estupidez, pior foi um homicídio e a pessoa responsável deve responder perante a lei e ter as devidas consequências.
    Mas o que todo a gente se esquece é que ninguém é obrigado a ser praxado, o caloiro tem a liberdade de decidir se quer ou não ser praxado e creio que todos têm consciência do que é bom ou mau, sabemos distinguir o que é violência física do que é de uma brincadeira, digo eu. Se me obrigassem a ter rastejar em bosta de vaca, eu recusar-me-ia. O Arrumadinho não quis beber álcool e não bebeu e no entanto ninguém o obrigou, certo? Porque teve personalidade suficiente para dizer não e impor a sua vontade. Os caloiros não são nenhuns coitadinhos, estes têm idade para saber distinguir as coisas.
    Não concordo acabar com as praxes, concordo sim em acabar com a estupidez de certas pessoas

  34. Ahahah!!!Fui estudante onde existe tradição secular, sabe que mais, é exatamente a mesma merda,abusos,violência física e psicológica, uma cambada de miúdos a fingir que são graúdos!! Qual tradição qual quê? Informe-se!

  35. Realmente, ser chamada de besta e burra de m**** é uma emoção, um objectivo de vida! Fico parva com tanta gente otária na minha geração…

  36. Há praxes e praxes. Acho que não deve ser eliminada, seria ridículo para quem gosta da praxe e sabe praxar. Fui praxada por pessoas espectaculares que o sabiam fazer. Sabiam os limites e apesar de se mostrarem bastante duros estavam sempre preocupados connosco. Não podemos generalizar um caso. Só vai à praxe quem quer, é algo livre. Agora também sei que em muitas faculdades as praxes são levadas quase como rituais, as pessoas são duras e têm o rei na barriga. Mas isso lá está, depende. É uma questão da pessoa saber os limites e quando os estão a ultrapassar dizer “não, não vou fazer isso” como tu o fizeste.

    beijinhos e ando no ISCSP :p

  37. Boa noite,

    Sou estudante na UBI, Universiade da Beira Interior, por isso o único exemplo de praxe que tenho é o praticado por esta nobre academia. Sou totalmente a favor da praxe, ela incutiu-me verdadeiro espírito de equipa, de união. Os praxantes que tive, são hoje dos meus melhores amigos. Enquanto caloira preocupavam-se comigo, mostraram-me o que de melhor há na Covilhã, ajudaram sobretudo a integrar-me numa cidade que me era estranha, e propocionaram-me momemtos que hoje recordo com saudade e com vontade de voltar a fazer tudo outra vez. Concordo que haja praxes, por vezes exageradas, como nunca fui alvo delas não posso tecer nenhuma opinião relativamente isso, no entanto só vai à praxe quem quer e todos somos livres de optar por aderir ou não. Relativamente ao sucedido no Meco, acho que não se deve fazer de uma exceção uma regra e acabar com um ritual que ajudou muitos estudantes a integrarem-se, e fazer verdadeiros amigos e a sobretudo sobreviver fora de suas casas.

  38. Olá!

    Não conheço o seu blog. Vim ter aqui através um link do facebook. Mas comecei a ler, e achei curioso… É que eu também entrei na UBI em 94! Era de Gestão. E tenho, sobre a praxe na UBI, a mesma ideia que você. Coisas boas, coisas menos boas. Mais boas que menos boas… No entanto, sobre a Praxe em geral, é como em tudo na vida: se praticada por pessoas com pouco bom senso… corre mal. Como ritual de iniciação, de entrosamento, é muito útil: permite saltar uma série de etapas no processo de integração. No entanto, no meio de uma maioria muito “boa onda”, que me permitiu fazer muitos e bons amigos, havia as ovelhas negras… Malta que descarregava as suas frustrações no acto de Praxar, alguns julgo que se vingavam de praxes menos correctas de que tinham sido vítimas. Agora, vejamos, isto não acontece numa série de outros actos na vida do dia a dia? Quem não teve um chefe que abusa da sua autoridade? Quem não conhece pessoas que no trânsito se transformam? Pensemos um pouco: algumas regras poderiam mudar tudo. Exemplos simples: 1. A abilição completa de violência física; 2. O direito do caloiro em recusar ser praxado (que aliás, no meu tempo de UBI, já existia! Com a condicionante de ficar imediatamente excluído das actividades relacionadas com a praxe…) 3. Um órgão fiscalizador das praxes…. Seriam medidas simples que podiam manter a tradição dentro parâmetros razoáveis, e aproveitar o melhor dela. Cumprimentos.

  39. A propósito do traje académico, só para dizer que nada tem a ver com a praxe. O traje académico surgiu em Coimbra para que não houvesse distinção entre o estudante abastado e o estudante menos favorecido economicamente, daí as regras de não se usar maquilhagem nem acessórios (brincos, colares, etc.), entre outros pressupostos. Tudo para que os estudantes fossem tratados e olhados de forma igual independentemente da condição económica ou do estrato social!

  40. Concordo totalmente consigo, Arrumadinho!
    Fui caloira há muito pouco tempo e ao fim do segundo dia de praxe, desisti! Na altura tive receio de me arrepender dessa decisão, mas a cada dia que passa, tenho mais certeza de que foi uma decisão muito acertada! Vejo coisas deploráveis às quais jamais me sujeitaria e elas só podem acabar se a praxe for eliminada!
    Acredito que haja pessoas com boas experiências, mas de um modo geral, há abusos em quase todas as faculdades… O que é, de facto, uma pena, porque a praxe podia e devia passar por rituais de integração e de ajuda aos alunos mais novos, num momento tão importante da sua vida, que é a entrada no ensino superior!
    De qualquer das formas, não deixei de ter amigos por causa disso e vivi, e ainda vivo, muitos momentos inesquecíveis com eles, que considero serem muito mais importantes do que passar horas seguidas com a testa sobre a gravilha do recinto da faculdade!

  41. A praxe não é exercida apenas de doutores/veteranos para caloiros, mas sim do topo para a base da hierarquia. Neste caso, eram comum o DUX praxar estes jovens (representantes de cada curso pertencente à COPA), ainda que eles não fossem caloiros…fazia parte de um estúpido ritual de passagem

  42. Fui praxada durante um dia na FDUP. Chamavam-nos put**, burras, cabras, vacas. A uma amiga loira disseram que como era loira e jeitosa podia ir fazer dinheiro para a Trindade (zona de prostitutas).

    Depois de imensos exercicios, fiquei com falta de ar porque tenho bronquite. Quando pedi para ir buscar a minha bomba à bolsa, chamaram-me mentirosa de merda. Fui na mesma e quando viram que tinha bomba nem um pedido de desculpas.

    Saí da praxe ao final do dia, ao perguntarem porque expliquei. Responderam que ja se previa porque tinha ‘estado com cara de cu o dia todo’.

    Não sou contra a praxe. Mas enquanto a praxe tambem for isto, terei de ser.

  43. e vem a peça exibida agora pela RTP deixár mais “achas para a fogueira” os “big bosses” não vão ficar nada contentinhos com isto ahah

  44. ponto 3-existe ainda uma outra grande confusão relativamente à tragedia do Meco, praxe para caloiros é completamente diferente de praxe para comissão! Praxe para caloiros serve para aqueles que assim o desejem, conhecerem a universidade e se integrarem entre si, absolutamente mais nada. Contudo e completamente diferente é a praxe para doutores que pretendem integrar a Comissão… o que obviamente nada tem a ver com, fichas detalhadas e individualizadas dos candidatos(isto não é propriamente a CIA), nem actividades nocturnas em mar de inverno….
    Dirigindo-me agora aos PAIS, eu sei que é difícil, são os vossos meninos, mas não tenham medo de os deixar ir para a praxe, pois se a vossa educação tiver sido boa, eles não se vão deixar influenciar por nada,nem por ninguém, e a praxe será apenas mais uma experiencia de vida.
    Quanto aos senhores que se classificam como ANTI-PRAXE, apenas tenho a dizer que a desculpa das represálias e do isolamento se não forem há praxe já não cola, tenho imensos amigos que nunca foram há praxe ou foram 1 ou 2 vezes e nunca se sentiram excluídos de nada….a desculpa também de que os praxistas são uma cambada de burros que só faltam as aulas também é ridícula, será que nunca vos passou pela cabeça que alguém ame tanto uma coisa que esteja disposto a pagar todos os anos as propinas para poder estar presente….
    Para terminar, apenas quero reproduzir a frase que um saudoso praxista da minha mui nobre instituição me transmitiu ” a praxe é uma fantasia, pois só existem posições hierárquicas se as pessoas que estão abaixo de nos assim o permitirem, pois efetivamente nós não somos uma força de autoridade logo ninguém é obrigado a fazer o que nós dizemos”, contudo e tendo isto em consideração, “ninguém tem problemas em obedecer, quando sonha liderar”…

  45. PS: 1-tenho pena de viver numa sociedade tacanha e mesquinha, na qual temos uma comunicação social inculta, facciosa, composta por jornalistas frustrados(que ou não estiveram em praxe ou estiveram uma vez e sujaram a cuequinha ao 1 berro e ainda continuam a sujar quando agora, já no mundo do trabalho o patrão os repreende, pensei que jornalismo fosse feito tendo por base documentos e informações e não tendo por base opiniões pessoais, afinal estava enganado….o que mais se ve por aí são supostos jornalistas a escrever a sua opinião, transformando a tragedia da praia do Meco, numa vendeta pessoal….ressalvo apenas a TVI,que embora tenha feito uma aberração ao entrevistar os pais de uma das vitimas, demonstrando uma completa falta de respeito e humanidade num momentos de sofrimento, pelo menos deu-se ao trabalho de investigar, encontrando provas concretas de que aquilo que ali se passava não era propriamente, praxe, mas sim uma outra coisa qualquer…o que nos leva ao ponto
    2- praxe, que deriva etimologicamente da palavra latina praxis, que significa pratica, neste caso concreto, conjunto de practicas, não admite adjectivos. Não existe praxe violenta ou praxe abusiva ou praxe de humilhação, pois a partir do momento em que esses vocábulos se juntam à praxe, deixamos de falar efetivamente em praxe e entramos no contexto legal, nomeadamente no contexto criminal de abuso à integridade física e psicológica e isso meus senhores, isso dá tempo de cadeia. Sim porque eu não me esqueço, não me esqueço de casos como a jovem de Santarém, untada com excrementos de animais….meus senhores, reconheço, é verdade! É verdade que existem muitos otários em praxe, pessoas que se aproveitam da pureza da praxe para proveito próprio. Da mesma maneira que temos médicos, engenheiros, professores, pedreiros e etc, otários que fazem exactamente o mesmo, por isso, meus senhores, vamos tentar não generalizar, eu sei que é difícil isso acontecer, eu sei que está enraizado na cultura portuguesa generalizar, pois eu sei perfeitamente que para grande parte do povo português, todos os políticos são ladrões, todas as brasileiras são prostitutas e agora todos os praxistas são alcoólicos e maus! Eu percebo perfeitamente e não posso julgar ninguém por isso, pois nem todos tiveram oportunidade de vir para a universidade, nem todos tiveram a sorte de ter dito a experiencia que eu tive….eu compreendo que a generalidade das pessoas ache que os praxistas sejam todos iguais, pois de facto o que é que nos distingue se estamos todos vestidos de preto? É complicado explicar a quem nunca esteve em praxe….deixo apenas esta dica, foi assinado por academias diferentes um documento de uniformização de tradições academicas, no qual entre outras coisas se repudiava qualquer acto de violencia fisica e psicologica, o qual NAO foi assinado, curiosamente, pela academia de Lisboa…..Contudo e só desta vez, a única coisa que peço, por favor, é que não generalizem…..

  46. Olá Ricardo. Gosto imenso de ler o seu blog e na maioria das vezes concordo com as suas opiniões. Infelizmente, não posso concordar hoje com aquilo que escreveu. Fui caloira na UBI, fui praxada enquanto caloira, passei por muito daquilo por que passou, e depois fui praxante, fiz parte da comissão de praxe do meu curso, tive afilhados que ainda hoje são dos melhores amigos que fiz… Posso dizer que o meu ano de caloira foi o melhor que tive na universidade, foi bem melhor ser praxada do que praxar, e se houve algo da Covilhã e da UBI em particular que trouxe comigo para a vida, foi os grandes amigos que fiz na praxe e que sei que serão para sempre. Praxe não é berrar com caloiros, não é fazer rituais entre comissão de praxe (falando no caso Meco), não é rebaixar os outros ao máximo… Praxe é integração, é fazer amigos num local onde não conhecemos ninguém, longe dos nossos amigos e dos nossos familiares… Os amigos da praxe passam muitas vezes a ser a nossa família na nova cidade onde vivemos. E acredite que os amigos que fiz na praxe fazem hoje parte da minha família, independentemente da distância que nos separa 🙂

  47. Quando preenchi a candidatura para o ensino superior, as primeiras 4 opções eram cursos na UTAD. Muitas pessoas na minha terra nunca tinham ouvido falar de tal universidade e as que tinham, falavam-me horrores em relação à praxe. Fiquei colocada na primeira opção, onde fui praxada durante duas semanas, e tenho apenas a dizer que adorei! Entretanto decidi mudar de curso, mudei para Ciências da Comunicação, e adorei ser praxada também! Futuramente irei ser praxada de novo, ainda estou no primeiro ano, e estou ansiosa por isso! Nenhuma vez me senti humilhada, a única coisa que odeio na praxe são as horas de sono roubadas. Mas tudo é compensado com a quantidade de amizades que fiz e todos os bons momentos que passei até hoje. De momento estou de férias na minha cidade, mas já não me sinto em casa. Sinto falta dos meus amigos, da universidade, (um bocadinho) das aulas, de gritar a plenos pulmões pelo meu curso (Porque eu sou CC até morrer!) e demonstrar o orgulho que tenho, dos cafés, das conversas sem fim, de tudo e mais alguma coisa! Vila Real é a minha nova terra, CC é a minha segunda família. Os praxadores têm que ter consciência dos limites entre uma boa praxe e uma má praxe! Nem toda a praxe é má e nos deixa traumatizados! Praxe em CC, na UTAD significa uma coisa: união! Sempre olhei as praxes de uma forma muito negativa e pensei até à última se queria ser praxada ou não. Hoje penso que foi algo positivo na minha vida, ajudou-me a soltar-me mais e a mandar a timidez às urtigas, criei laços com várias pessoas e soltei a criança dentro de mim. A praxe DEVERIA ser sinónimo de UNIÃO e INTEGRAÇÃO em TODAS as universidades. Na minha, certamente é! Fica aqui uma proposta: uma reportagem sobre a mudança da praxe na UTAD. Futuramente quero ser jornalista, mas entristece-me perceber que a comunicação social tem o poder de distorcer e dramatizar um bocadinho as coisas. É lamentável o que aconteceu no Meco, é verdade, mas não acho que as praxes deveriam terminar. Acho que deveriam usar isso para reflectirem melhor sobre o que significa ou deveria significar a praxe.

  48. E até digo mais: acho que deveríamos todos entregar as cartas de condução e retirar o álcool do mercado. É que até pode ter coisas positivas, mas se para tal tivermos que levar com os alcoólicos e com o homicidas do alcatrão, prefiro privar-me delas…

  49. Sem entrar na análise do caso do Meco e sem a ele me referir (já que me parece uma praxe muuuuuuuuuito diferente), todos os estudantes universitários podem ser praxados, com excepção do Dux. Os caloiros num rito de iniciação e apresentação, os doutores, por norma, por castigo quando realizam praxes que vão para lá da iniciação, apresentação e brincadeira.

  50. “O que eu passei é aquilo que muita gente passa enquanto houver praxe. Porque o facto de existir praxe permite este tipo de comportamentos.”

    Então, façamos esse pensamento para tudo, a ver se tem lógica:

    Fui violado por um padre – acabemos com a Igreja porque o facto dela existir é que permite haver padres.

    Fui mal tratado no SNS – acabemos com o SNS porque é por ele existir que é possível haver estas situações.

    Um jornal publicou um notícia falsa – acabemos com os jornais todos porque é a sua existência que permite isto acontecer.

    Já chega? Ou o sr . Arrumadinho quer mais?

    Deixemos duma vez a demagogia de tentar fazer passar a imagem de que a praxe, a verdadeira, tem alguma coisa a ver com isto, ou com o que passou.

    Você passou na verdade por tudo aquilo que é atentatório à verdadeira praxe. Não frequentou sequer nenhuma das verdadeiras academias cuja praxe é secular e não tem nada a ver com essas invenções contemporâneas, desviantes, e que são as verdadeiras culpadas dos eventos mais recentes.

    E a tragédia no Meco, não tem mesmo nada a ver com A PRAXE. Deixe de a insultar comparando-a a isto, a esta vergonha, a este atropelo de tudo que ela significa. Tudo aquilo que estes jovens e aquela Universidade faz nesse campo é tão vergonhoso que a Praxe devia ter direitos de autor só para os poder processar.

    E com ela, mil outras. E sabe porquê? Porque se disseminou, porque cresceu sem controlo e porque cada um se arrogou fazer o que quis , sem entender a génese da Praxe, e resultou numa pseudo-autonomia que nenhum verdadeiro praxista pode reconhecer.

    Quer discutir a relevância da Praxe? Força. Quer pegar nos eventos recentes para ser mais um a tentar destrui-la? Não tem cabimento. É que não tem mesmo.

    E sendo jornalista, o rigor devia ser um dos predicados no que diz. Informe-se sobre o que é a Praxe. Mas vá aos sítios certos.

    Porque nos anos de vida que tem, nota-se, ainda não esteve em nenhum.

    Cumprimentos.

  51. Boa tarde! Acho um ponto de vista muito interessante e relata totalmente a sua experiência. Contudo, a minha experiência é diferente… sou totalmente a favor das praxes, fui praxada 1 ano e praxei, mas na minha escola (em Coimbra) existiam regras, condutas de praxe, tribunal de praxe e estava tudo regulamentado. Foram dias dificeis derivado ao cansaço entre estudar e estar presente na praxe, mas foram os melhores momentos que tive, brincávamos. cantávamos, fiz amigos, senti-me inclusa num novo meio… Mas era tudo feito “dentro das normas estabelecidas”. Só podiamos ser praxados dentro da escola e nunca de noite (apenas até ao toque da cabra de Coimbra), não podiamos ser praxados ao fim de semana e em época de exames também não podiamos ser. Levei com todas as mistelas possiveis na cabeça, rastejei, rebolei, cantei mas diverti-me. Nunca fui enxovalhada, nem mal tratada, nem nunca fiz nada que não quisesse. Aliás, colegas meus que tinham problemas de coluna, joelhos, pele tinham tarefas que não pusesse em causa a sua condição de saúde. Fomos bem praxados, fizemos muitos amigos e não tinha nada a ver com as tais “praxes” de agora. Sou a favor da praxe, mas de praxes bem feitas, não sou a favor destas novas praxes, que mais parecem seitas e rituais.
    O meu ano foi o último em que houve praxe intensa de um ano, devido às más praxes de outras universidades, regulamentou-se que a partir dali o periodo de praxe seria mais reduzido.
    Tenho orgulho de ter sido praxada (bem praxada), tenho orgulho de ter praxado alguns caloiros e tive muito orgulho por poder envergar o meu traje e saber o valor que tem.

  52. Fiquei curiosa relativamente ao artigo que resultou dessa semana passada como infiltrado!
    É possivel ter acesso a mesma?
    Obrigada

  53. Direito. FDUC. Coimbra. Há pouco tempo. Fui muitoooo feliz na praxe, principalmente enquanto caloira. Adorei cada momento, principalmente no primeiro ano. As tradições, as brincadeiras, a pretensa superioridade que nunca durava mais do que uns minutos e que só me dava vontade de rir. Tenho sentido de humor, sou divertida e meia palhacinha, também é verdade. Fui tão mas tão feliz na praxe, que passaria por isso tudo outra vez, sem dúvida. Sorte a minha, que não passei por nada dessas coisas que descreveu e que muitos dizem, igualmente, ter vivido. Não é a minha experiência. E acho que podia sempre ter dito não a tudo, não só teoricamente com alguns invocam. Acho que podemos sempre dizer não, não seria certamente o primeiro. E não seria marginalizado, porque acabaria por fazer amigos de outras formas. Tenho amigos anti-praxe, que não vão nos cortejos nem às serenatas. Mas também não pretendem roubar essa brincadeira aos que dela gostam.

    Acho que precisamos é de saber brincar. O que os 7 meninos do Meco não souberam. Acima da integridade física deles, acima da sua vida, acima dos sentimentos dos pais, acima do transmitido pelos pais, esteve o Código da Praxe, produzido por mentecaptos. Aí este o mal. A praxe é um rito de iniciação do caloiro, não um rito de iniciação numa seita.

    Eu cantei muito; fiz disputa de cursos; matei formigas com os gritos; dancei na Praça da República; fiz declarações de amor aos Doutores e a trolhas; contei anedotas; fiz parelha com uma; agora e desde então, grande amiga numa espécie de ídolos; fiz visitas por coimbra e pela universidade para saber onde ficavam coisas como as cantinas, os serviços, a associação académica, monumentos, jardins, ou o centro de cópias mais baratas; cuidei de um ovo como se fosse um bebé; comi nas cantinas sem talheres; fiz serenatas a doutores e muitas outras cosias nesta linha. Diverti-me tanto e fui tão feliz, que fico nostálgica ao relembrar. Fui parte da história e tradição Coimbrã.

  54. Fui aluna da UTAD. E concordo com tudo o que escreveste. A praxe da UTAD servia (não sei se ainda serve) para tudo menos para integrar. E humilha muito.
    Parabéns.

  55. LOL! A sério? Está a comparar meia dúzia de putos a chamarem nomes a um colectivo de caloiros que (em princípio) todos estão a levar a atividade numa brincadeira com um chefe (na nossa vida profissional) chamar-nos “bestas” ? LOL. Isso tem muita graça… porque não tem nada a ver. Sempre me ensinaram a separar águas, felizmente, sei faze-lo 😉

    Eu não me senti minimamente ofendida, e olhe, que gosto pouco que duvidem das minhas capacidades 😉

    esta gente é toda muito séria… precisam de jogar mais vezes ao carnaval… velhos… espero não chegar à vossa idade a pensar dessa maneira. Não sei quem é que são os mansos aqui, sinceramente. Se é uma pessoa que se divertiu numa praxe se outra que é completamente contra porque coitadinhos dos meninos que não se pode dizer nada, e já estão a humilhar porque simplesmente não entram na brincadeira… se não gostam de brincadeiras, pronto, não aceitem a praxe, mas não englobem como “murchos” só porque gostamos de nos divertir durante umas horas. lol gostei muito de ser praxada, e por mim, voltava a ser caloira. adoro ser submissa, sabe como é… ;)))) sou uma mansinha!

  56. Concordo totalmente consigo, Arrumadinho.
    Os defensores da praxe alegam que estes casos sao pontuais.. Pessoalmente, passei por uma praxe bastante humilhante, acabava o dia com nodoas negras nos joelhos e sai de lá muitas vezes a chorar tal como muitos dos meus colegas. Naturalmente acabei por desistir. Conheço ainda muitas outras pessoas de outros cursos que passaram por situaçoes identicas. Por isso, não, não sao casos isolados. Concordo com a extinçao da praxe! Chegou-se a um ponto em que os bons momentos nao compensam os maus. Deixa de fazer sentido!

  57. Quando entrei na FBAUL, ainda não existia uma tradição académica muito forte. Todavia, começou a existir, por parte de muitos alunos, a vontade para que se implementassem praxes e o uso do traje académico. Eu trajei, porque o meu pai tinha o sonho de me ver trajada, mas nunca ninguém me praxou, baptizou, etc. , nem eu o fiz a ninguém. De qualquer das formas, as praxes na FBAUL nunca me pareceram exageradas nem humilhantes, e a ideia da inclusão dos novos alunos estava bastante patente, especialmente porque as actividades são organizadas pelos representantes de todos os cursos em conjunto e, acima de tudo, porque não existe divisão entre alunos de diferentes licenciaturas- todos são praxados juntos, independentemente daquilo que escolheram estudar. Entretanto, acabei o meu curso na FBAUL e fui para outra licenciatura na FCSH. No dia da apresentação dos novos estudantes, os “veteranos” estavam há espera, enquanto os professores nos falavam dos objectivos do curso. Quando chegámos ao corredor, trataram de nos colocar em fila e mandaram-nos calar. Eu fui-me embora, mas tive de justificar a minha ida e fundamentá-la com a minha licenciatura já concluída- naquele momento, eu tinha mais matrículas que os praxantes e, por isso, deixaram-me ir sem grande berraria. Sei de colegas minhas que tiveram de dançar can can, na mega festa do caloiro, enquanto entoavam “somos sete pu**s, sete prostitutas”. Muitas pessoas foram desprezadas por não beberem alcoól. No fim, depois de terem sofrido bastante, muitos foram desistindo tendo sido humilhados por o terem feito. Hoje, uma amiga que participou nas praxes, diz-me que a ideia de inclusão que tanto os “veteranos” advogam é uma mentira, e que os seus melhores amigos foram feitos fora das mesmas. E eu acredito. Também eu fiz amigos e inclui-me a mim própria. Nunca precisei da bengala das praxes para fazer amizades, e não precisei nunca de passar por rituais mais ou menos humilhantes para me assumir enquanto pessoa e estudante.

  58. engraçado… chamar besta e burra de m…. é bom para…. como é que se diz?… ah, integração. Digamos que ficamos mais integrados… na estupidez.

  59. Parece-me que as ultimas frases deste texto dizem tudo:
    “Submeter estudantes universitários a coisas destas é um retrocesso civilizacional, é um crime que deveria ser punido severamente dentro e fora das universidades.
    Penso que a morte de seis miúdos é suficiente para que a praxe seja, de vez, eliminada do sistema de ensino português.”
    A praxe não tem de ser aquilo que descreve e por que passou enquanto caloiro. Também fui praxada e não tenho más memorias desse tempo. Foi tudo muito pacifico e descontraído. E, baseando-me apenas na minha experiência, posso dizer que a praxe não é um bicho de sete cabeças e que não há mal algum em continuar com esta tradição académica.
    Mas depois existem estórias como as que relata, e outras de que já ouvimos falar – conheço algumas verdadeiramente arrepiantes que aconteceram na UTAD. E é porque essas estórias existem que sou contra a praxe e tudo o que tenha a ver com esses movimentos académicos e ritos de passagem.
    Costumamos dizer “é preciso morrer alguém para que as coisas mudem?” mas, neste caso, morreram já 6 pessoas. Parece-me que a morte de 6 pessoas é motivo mais que suficiente para que a praxe seja categoricamente proibida e severamente punida. Porque é impossível vigiar todos os atos de praxe para ver se tudo corre dentro do razoável e aceitável é preciso mesmo proibir e punir. E mesmo assim haverá o ocasional chico esperto que vai querer praxar na mesma…

  60. Ao ler alguns comentários anteriores., também subscrevo que em Coimbra há uma carta dignidade nas praxes, também foi a univ. que frequentei. Mas dizia-se por lá que anos antes alguém tinha morrido numa selvajaria qualquer desse género de modo que a coisa amenizou. Entrei em 1996, e nunca ouvi grandes queixas

  61. a perpetuação das praxes até aos dias de hoje só pode ter esta explicação: “sou bestializado por uma cambada de energúmenos mas daqui a um ano ou dois serei eu a humilhar e a degradar”. Só assim se explica. Há uns anos houve um caso que foi ao tribunal de Santarém envolvendo excrementos e a praxe a uma aluna da escola agrária; agora isto. Já era tempo de alguém dar um murro na mesa.

  62. Não considero que haja assim tanta pressão a participar, até porque houve muita gente que avançou e disse “não quero”. Fora todos aqueles que a meio disseram que não queriam estar lá mais ou não podiam e foram sempre ajudados pelos trajados a deslocarem-se na faculdade.
    Acho que é tudo uma questão de consciência de ambas as partes. Pois tantos os caloiros têm de saber dizer não e os trajados têm que saber que há limites. Felizmente, isto é algo que vejo na minha faculdade…
    J

  63. Olhe, o seu patrão nunca lhe deve ter chamado nada… porque eu passei um ano e meio disso com o meu patrão e tive de baixar as orelhinhas… tenho que comer no final do mês e sabe como é, patrão é patrão.

  64. Boa tarde!

    Em primeiro lugar, deixe-me congratulá-lo pela ideia.
    Em segundo lugar… deixe-me dizer-lhe o seguinte:

    Sou de Lisboa e cursei Ciências da Comunicação na UTAD. É um facto que as praxes na UTAD sempre tiveram uma fama que mete dó e conheço muitos veteranos – com décadas de matriculas! – que deviam ser completamente eliminados do sistema de praxe. Usam e abusam daquilo que deveria ser considerada uma brincadeira para descarregarem as suas frustrações tristes, a sua personalidade pequena e mesquinha.

    Ora então, também eu fui alvo de praxe e, por ser lisboeta, fui extremamente discriminada. Tinha, na cabeça oca de muitos dos praxadores e dos meus colegas, a “mania” que era superior porque era da capital. Absorvi muita inveja, raiva, ódio e fui alvo de inúmeros boatos estúpidos (ainda hoje me dão gozo, sinceramente, mas já explico porquê).

    Contudo, deixe-me que lhe diga que nem tudo na praxe é uma desgraça. Adorei a praxe. Dou valor a “ter que baixar as orelhas”. Já me deu imenso jeito a nível profissional – isto porque nem todos temos a sorte de ter bons empregos como o senhor, nem todos vamos para a “Focus” trabalhar… aliás, acabamos mesmo por trabalhar em áreas que nada têm a ver. Precisamente por isto, por trabalharmos em áreas tão diferentes daquilo que cursamos, também nós nos sentimos frustrados. Porém, analisando aquilo que aprendemos na praxe, aprendemos a dar a volta por cima. Ouvir uns berros? Que é isso? Foi isso que lhe fez mal? Convido-o então a fazer uma reportagem semelhante no meu antigo local de trabalho e ouvir o mesmo… do patrão/chefe! Andar na lama, levar com mistelas pelo cabelo, ser pintado, rastejar? Vá lá, divirta-se com isso, não tenha medo de estragar a pele.

    Relativamente ao que lhe aconteceu, se eu não tivesse estudado na UTAD, ficava chocadissíma. Contudo, vejo-me obrigada a questioná-lo… se já foi praxado, não sabe que há um código de praxe que tem a obrigação de saber, de trás para a frente e de frente para trás? Gostaria de o informar que os veteranos da UTAD, no meu ano de caloira, nos obrigaram a decorá-lo… Esse código de praxe, se não souber o que é, defende e protege o caloiro desse tipo de animais. Durante o período em que estive na UTAD, informo-o que já houveram cursos proibidos de praxar por desrespeito a este mesmo código. Se já foi praxado, não sabe que se deve defender das praxes abusivas, procurando saber quem manda na praxe? Levando o caso a conselho de veteranos e em último recurso, já em desespero, expondo o caso à reitoria (sim, nada tem a ver com a praxe, mas zela pelos interesses da academia).

    Espero que tenha noção que, fora da praxe, quando foi à cantina e mostrou a sua identificação de “jornalista profissional”, entrou em confronto direto não com praxadores, mas com uma cambada de frustrados. Tenha noção também que os mesmos frustrados, completamente alcoolizados, foram descarregar as suas frustrações em si. Lamento, mas o que o senhor fez foi nada mais nada menos do que desafiar frustrados, quando deveria ter feito queixa a quem de direito. Afinal de contas, o Presidente da Comissão de Praxe e mais não sei quem foi de imediato ter consigo. Porque não pediu a presença do Veneravel Ancião? Assim até teria feito melhor a sua reportagem – como denunciar más praxes, ensinava algo aos futuros caloiros; aproveitava e via como era recebido pelo praxador máximo, chamemos-lhe assim.
    Conselho para o seu quotidiano? Quando frustrados forem ter consigo, lembre-se que são frustrados, ignore. Simplesmente ignore e defenda-se dentro das normas e dos organismos que podem realmente fazer algo.

    Aconteceu o mesmo comigo e eu sou como o senhor, não gosto de levantar problemas. Mas olhe que depois de toda a humilhação, boatos estúpidos e bocas, sempre fui uma das pessoas mais acarinhadas dentro e fora do curso e da academia.
    Quanto aos frustrados que eu apanhei? Bom, nada me dá mais gozo do que saber que continuam uns frustrados, que a vida deles não ata nem desata, que continuam a correr para as saias das mamãs e que eu sigo em frente, cada vez mais forte.

    Em nome da UTAD, pelo menos a do meu tempo, deixo aqui um lamentar pelo sucedido… e um “não é assim que se faz!”.

    Saudações Académicas 😉

  65. Eu sou caloira, estou a fazer praxe este ano, e nunca passei por coisas desse género.
    E aquilo que não conseguia fazer por ter um problema nas costas, não fazia.
    Acho que o problema é o tipo de praxe feita, e isso deveria ser controlado pelas escolas, e não eliminar por completo a praxe do país todo. Porque na minha universidade, só faz praxe quem quiser, quem não quer, não faz, e não há problema nenhum nisso.

  66. Caro senhor ou senhora, essas denominações não são consideradas ofensivas uma vez que são ditas como uma brincadeira.. Muitas vezes apanhei professores que nos diziam coisas piores! Nunca liguei ou levei a peito.. Até me ria! Aprendi a não me deixar submeter a pressões.. E na minha universidade a praxe nunca foi obrigatória e existiram muitas praxes solidárias, mas infelizmente, neste país o que é feito de bom, raramente é falado, mas se pesquisar por praxes solidárias certamente encontrará muita coisa.
    Gostaria de salientar que as praxes em Portugal variam de local para local e, infelizmente, há locais onde as praxes não são controladas e por isso vem-se descobrindo coisas más… mas coisas que não acontece só com a praxe, mas sim devido a haver muitos jovens que gostam de fazer bulling . Mesmo se não houvesse mais praxe essas pessoas continuariam a existir e a praticar bulling , até porque também há casos destes sem ser na universidade! Não confunda inresponsabilidade de alguns jovens com o verdadeiro significado da praxe! Deveriamos lutar por uma praxe com valores morais e com o verdadeiro propósito que é o de integração e não tentar acabar com elas todas, porque existe realmente a PRAXE que muita gente fala e que infelizmente alguns não tiveram acesso à sua verdadeira forma (o que é uma pena, pois realmente nos ajuda a tornar melhores pessoas e a respeitar o próximo).

  67. Quando os seus amigos num jogo de futebol ou numa brincadeira lhe chamam besta também leva muito a sério. É coisa para se sentir muito humilhado.
    Claro que na praxe os doutores não são “amigos”, mas o facto de chamarem besta aos caloiros não quer dizer que os considerem bestas. Não sabem o nome deles, então como caloiros tem a condição de besta. Isto de dar nomes aos “mais novos” não existe só na praxe académica. Em qualquer grupo, seja do que for, os mais novos tem nomes que não são o seu do BI, mas que o identificam como sendo o mais novo. Como sendo “caloiro” de determinado grupo.
    Admitindo que Besta não é um nome simpático de se chamar a alguém, acho que ficar ofendido por nos chamarem Besta, quando chamam a outras 200 pessoas Besta, sem distinção, é um bocado parvo.

  68. Olá Arrumadinho! Sou estudante do secundário e vou para a Universidade de Coimbra para o ano. Como vivo na cidade desde sempre, conheço bem o espírito académico e as tradições universitárias de cá, mas não posso deixar de ficar um bocado assustada com o que descreveste. Essa praxe é completamente inaceitável, e não contribui em nada para a integração dos caloiros, antes pelo contrário.
    Felizmente, em Coimbra, pelo que sei, a praxe nunca atinge esses limites, o Tribunal de Praxe cá até tende a punir quem aplica praxe muito humilante ou degradante para o caloiro. Conheço muitos universitários, e cheguei até a assistir a algumas praxes, e muitas não passam daquele básico por os caloiros todos «de quatro», oa berros e as ordens aos gritos, pintarem-te com cenas estranhas, etc. Aliás, a UC até foi uma das poucas universidades do país a assinar uma Carta (e moderação da praxe?? não me lembro bem do nome do documento) e felizmente é das universidades mais moderadas em termos de praxe do país inteiro, e (é preciso dizer isso) sem prejuízo absolutamente nenhum para o espírito académico, e para a integração dos caloiros na vida social universitária. Temos um grande espírito académico em Coimbra, vivemos muito a universidade e a cidade como cidade universitária, «melhor universidade do país», «mais antiga universidade de Portugal» aquelas coisas tudo, e até acho que o espírito académico é reforçado pela moderação da praxe: vemos os doutores não como uns mosntros anormais que nos fazem rastejar na lama, mas como amigos, colegas, praxantes mas amigos. O que descreveste á absolutamente desprezível, e deveria ser condenado judicialmente. Admiro a tua coragem para, além de sobreviveres a isso tudo uma vez, ainda te ires lá meter outra vez, por profissionalismo e a bem da verdade.

  69. Ricardo, andei na praxe e gostei. No primeiro dia fiquei um bocado a medo, é verdade. Toda aquela gente de preto a berrar era assustador. Quando me mandaram pôr de 4 e começaram com as perguntas mais ridiculas que há nesta vida eu desatei-me a rir. Mandaram-me dar uma volta ao parque de estacionamento a dizer “ri-me fod*-me”. Foi aí que percebi que era una brincadeira e que secalhar não havia nada a temer. Se vi barbaridades, vi. Se me mandaram rastejar em paralelo e eu os mandei bugiar, também o é verdade. Mas apanhei uma trupe formidável em praxe que a única coisa que nos pediam era pra dizer umas car*lhadas e fazer rimas com isso. Andei muitas vezes de cu pro ar a tentar encontrar uma formiga fêmea e passei 15 minutos agarrada a um pilar da faculdade a demontrar o meu amor, enquanto ele não respondesse não saía dali. Mas enfim… a tudo isso achei graça e tudo isso me serviu para praxar dessa forma. Se levei alguns berros e se também os dei? É uma verdade. Mas também foi em praxe que vi que até os temidos veteranos têm noção dos limites. Só te dou um exemplo: mandaram-nos rebolar num campo cheio de relva e assim e quando me levantei torci o pe. Quando viram que não conseguia caminhar pegaram em mim ao colo e sentaram-me ao lado deles, naquele dia nao fui mais praxada. Há praxes praxes… Não as defendo a 100% mas também não é geral que todas sejam uma atrocidade.

  70. Podem dizer que o que o Ricardo passou não é praxe; podem chamar-lhe os nomes que quiserem. Podem chamar-lhes praxes abusivas, pónei às riscas e até lhes podem chamar TV LCD a cores. Pouco importa. O que importa é que são feitas por pessoas que lhes dão o nome de praxe, fazem-no em nome da praxe e da tradição académica. Por isso, são praxes. Eu não passei por nada disso; cheguei à FLUL com uns anitos a mais do que a maioria dos veteranos e farda do Exército, porque saí das minhas funções no quartel para ir à faculdade tratar do estatuto de trabalhador/estudante, e quando me aproximei dos caloiros, um dos veteranos que andava alegremente a puxar as trelas dos incautos “frescos” perguntou-me “És caloira?” A resposta que levou foi: “Sou caloira, e a partir de agora cada vez que me dirigir a palavra não me trata por tu que você não andou comigo na escola.” Ninguém me praxou. Ninguém teve, desculpem a expressão, tomates para isso. Porque na verdade os palhaços que abusam das praxes não passam de rufias que à primeira bofetada chamam pela mãe. Perdi integração e companheirismo? Talvez. Arrependo-me? Nem por sombras. Não preciso de me integrar e muito menos conhecer pessoas que precisam de humilhar os outros para sentir um leve sabor de poder. Poderão dizer-me que passei por pior na tropa? Não passei. E lá, efectivamente, estavam a preparar-me para coisas bem mais complicadas ( que felizmente nunca vivi ) do que tirar um canudo. Cresçam e tornem-se gente, e lembrem-se sempre: um homem mede-se não pela forma como trata os seus iguais ou os seus superiores, mas sim como trata os seus inferiores.

  71. Eu fui praxada numa escola superior de educação e adorei. Não vivi nada dessas cenas exageradas! Cantávamos, fazíamos jogos, havia festas mas nunca fui obrigada a beber.
    Claro que berravam e chamavam nomes como “bestas” mas nunca usávamos palavrões porque estávamos numa Escola superior de EDUCAÇÃO.
    Rebolei na relva, levei com farinha na cara no dia do julgamento, andei de 4, mas tudo numa onda de diversão e respeito.
    Se a minha praxe fosse como a da lusófona, nunca teria aderido à mesma. Portanto, toda a gente está livre de desistir. Esses 6 jovens do Meco submeteram-se a esses tipos de praxe porque quiseram.
    Quem no seu perfeito juízo vai possivelmente para o mar à noite? Há limites, claro, mas eles próprios se sujeitaram a tal.
    Como já disse, se na minha licenciatura as praxes fossem assim violentas, eu teria desistido.
    Esses jovens e qualquer outros, podiam fazê-lo,

  72. A única explicação plausível que vejo para o comentário da Fernanda é básica e simples: ninguém lhe ensinou os plurais. Consultado do Dicionário Online da Porto Editora ( até escolhi uma editora responsável para dar um ar mais aprimorado ):

    Praxe – nome feminino singular. Forma verbal do verbo “praxar”.

    Praxes – nome feminino plurar. Forma verbal do verbo “praxar”

    Aquilo que aplica habitualmente, cotume; uso estabelecido, regra; execução, realização; conjuto de normas de conduta, etiqueta.

    Praxe académica ( relacionado ): costumes e convenções usadas por estudantes mais velhos de uma instituição do ensino superior, de forma a permitir a integração dos mais novos no meio académico

    A palavra “praxe” tem significados mais abrangentes que não se usam apenas no meio académico, como a expressão “é da praxe”, que significa “é habitual”. A Língua Portuguesa é a nossa Língua Mãe, e como todas as mães, merece respeito.

  73. Depois de ler sobre a situação, aquilo que tenho a dizer é o seguinte :

    1 – Parece-me que estes jovens têm é demasiado tempo livre. Talvez um trabalho em part-time não fosse má ideia. Ajudavam a pagar as propinas e aprendiam certamente mais sobre a “vida” do que nas praxes.
    Resumindo falta o incutir de responsabilidade por parte dos pais. Não me entra na cabeça que “meninos” que vão para Univ privadas com propinas de centenas de euros por mês tenham tempo para andar nestas “seitas”. Sim porque este caso é mesmo um caso especial de um especia de “seita/clube” secreta.

    2 – Mais ridiculo ainda é verificar que normalmente estas parvoiçes de praxes aparecem exactamente nas Univ que pouca ou nenhuma tradição têm. Ridiculo.

    3 – Mas desde quando sao necessarias praxes deste tipo para integrar “putos” em Universidades num país como Portugal. Ate parece que vao estudar para a Afeganistao (pelo perigo) ou para alguma daquelas univ. muito exigentes a nivel academico (MIT, Standford etc).

    4 – Consigo perceber o conceito de praxe em certos grupos como o exercito, equipas de resgate, etc…… e ate em equipas desportivas. Passar por “provas” mas exigentes em grupo reforça a uniao entre os elementos.
    Mas isso é ridiculo em “putos” a estudar na Univ em plena cidade.

    Resumindo : nos casos em que os cursos deixam demasiado tempo livre, que se aplique o que ja acontece em muitos outros paises : os meninos que arranjem um part-time.

    Recado : a universidade tem como objectivo ESTUDAR. O resto é lazer que deve existir, tal como em qualquer outra fase da vida. O objectivo da univ não é participar em tradiçoes academicas.

    Isto resulta tudo de cabeças “fraquinhas”.

  74. Não vamos confundir contextos e situações… Nunca ouvi um doutor ou veterano ou fosse quem fosse a chamar “filho da p***” ou a gozar em particular com alguém. A praxe em que eu participei era uma brincadeira e nunca fui alvo de ataques pessoais, ou seja, insultos directamente relacionados COMIGO. Todos os caloiros ouviam coisas dessas mas faz parte. Acredite que a praxe me fez ganhar estofo para certas situações da vida… E também pode acreditar que os meus colegas e eu não somos paus mandados nem marionetas. Contextos, meu caro, contextos

  75. Arrumadinho, tal como tu tenho também tenho alguma experiência em praxe, andei numa primeira faculdade em que a praxe era uma estupidez absoluta, fui um dia e não pus lá mais os pés. Uma gorda horrorosa e frustrada ainda teve a lata de me dizer ‘é bom que não me apareças aqui de decote e saltos altos, que tens mesmo ar disso e isto não é uma passagem de modelos, é praxe’. Mais tarde vim a saber por uma amiga que andou nessa faculdade que essa idiota a única altura em que alguém falava com ela era na semana de praxe, quase não tinha amigos. Com esta simpatia toda até fiquei espantada!

    Como não gostei do curso nem da faculdade, no ano seguinte mudei para o ISCSP e passei a adorar a praxe. De facto custa-me perceber a praxe noutros sítios, no ISCSP o objectivo é que os caloiros se fiquem a conhecer, que conheçam também os ‘veteranos’ com a garantia que se precisarem de alguma coisa, sejam apontamentos seja como ir a sítio A, B ou C (principalmente os que são de fora) nós estamos sempre disponíveis para os ajudar e para os fazer sentir bem recebidos em Lisboa. Pelo menos sempre foi isso que procurei passar e foi isso que senti enquanto caloira.

    É triste que algumas pessoas usem a praxe para descarregar frustrações e para se sentirem poderosos. Mas na praxe, tal como em todos os sítios há gente boa e gente parva, acho exagerado querer acabar-se com a praxe porque em alguns sítios as pessoas são estúpidas. Além do mais, só participa quem quer, tive vários colegas anti-praxe e nunca foram postos de parte.

  76. Bom dia Ricardo,

    As histórias que relatas são terríveis e algo com que eu nunca teria compactuado na minha vida académica. São histórias que me chocam e que me fazem colocar a mesma questão de todas as vezes que elas são notícia nacional ou conversa de café: porque é que alguém se sujeita a semelhante? Não é tão incompreensível o aluno mais velho que dá as ordens como o mais novo que obedece cegamente? Porque obedece dessa forma? Se conseguires elucidarem , era algo que eu gostava mesmo de compreender.

    Felizmente tive a sorte de entrar na Universidade de Aveiro, onde a praxe é muito controlada, podes consultar aqui http :/ conselhosalgado.web.ua.pt documentos.aspx ) o regulamento, se tiveres curiosidade, o qual é cumprido.

    Não há praxes de cariz físico ou sexual. Não há praxes nocturnas, a não ser excepções que têm de ser autorizadas e são controladas. Não há faltar às aulas por causa da praxe, não há praxe na cantina da universidade (durante as refeições ). Não há insultos, não há álcool e, principalmente, não há humilhação! E quanto a praxe acaba, quando vamos até à Praça do Peixe, somos todos amigos, caloiros e veteranos, e isto desde o primeiro dia. Ainda hoje me recordo, da primeira noite em que saímos, dos veteranos nos pagarem bebidas como se já fossemos amigos deles (pagar de oferecer, nunca de obrigar alguém a beber ou incitar mais do que um amigo faz).

    Para mim, a praxe foi um conjunto de brincadeiras, alguns jogos parvos, muitas “figuras tristes” que aceleraram o processo de conhecer os meus colegas de ano e os mais velhos e de nos tornamos todos mais próximos. Se teria havido outras formas de nos conhecermos todos? Claro que sim! Mas esta foi muito mais rápida e muito mais divertida.

    Deixo-te este meu testemunho na esperança que te faça repensar a generalização da praxe em Portugal. Ainda ontem comentava com um antigo colega de curso que gostava muito de ver uma peça jornalística que mostrasse como é a praxe em Aveiro.

    E, se não for pedir muito, se conseguires responder-me à minha primeira questão, é algo pelo qual tenho mesmo muita curiosidade.

  77. Fui praxada e praxei, com o máximo de respeito possível pelos pessoas que estavam comigo. Foram apenas brincadeiras, algumas pinturas, umas danças e pouco mais, portanto não houve lugar a gritos, humilhações e estupidez. Não me posso queixar.
    Mas não consigo deixar de achar piada a comentários de muita gente a favor da praxe que diz que foi chamada “besta” e “burra de m****” e que não se sentiu humilhada. Gostava de ver essa gente a ser tratada assim quando chegavam ao mundo do trabalho e depois logo queria ver se mantinham o mesmo discurso. E é como dizes “Mas para haver isso também terá de haver, necessariamente, o outro lado, o da violência e da estupidez, o da humilhação e escravidão. E se é para existirem as duas coisas, então, prefiro que não exista nenhuma.”

  78. Quando entrei na faculdade tive uma praxe ligeira. Algumas brincadeiras, rally papers pela cidade do Porto, que foi bom pois não conhecia minimamente a cidade.

    Um dia a praxe envolveu uma atividade física qualquer, eu comecei mas estava a doer-me a barriga ou algo do género e disse que ia parar. Não me “deixaram”. Foi quando virei costas e fui embora. Disseram-me que não podia… Enfim.

    Concordo que se elimine essas praxes que só humilham as pessoas.

    http://www.prontaevestida.com

  79. Olá Ricardo! Concordo consigo a 100%, detesto praxes e não sou minimamente flexível sobre esse assunto uma vez que 90% das praxes são como descreve e muito pior…. Vou dar-lhe o exemplo das escolas agrárias: tomar banho na fossa da escola, tomar banho com criolina, rastejar na bosta de vaca…entre outras coisas! E não venham dizer que a maioria das praxes não é assim e que serve para integração porque eu só fui praxada 2 dias, porque não tenho feitio para ser enxovalhada, e durante todo o curso estive sempre integrada, nunca precisei dessas tretas. Ah e já passei por 2 universidades e sobre as duas tenho a mesma opinião.
    Beijinho

  80. Bom dia Arrumadinho,

    Este assunto gera-me muita confusão. E revolta-me bastante ver que a nossa sociedade, tal como diz, “num país que se diz moderno e europeu” não consiga ser mais ponderada.
    A necessidade de se arranjar culpados a todo custo… Não entendo…

    Isto aconteceu em contexto de praxe académica, mas poderia ter bem acontecido com um simples grupo de amigos que estavam na hora errada no sítio errado. As vitimas pelo que me parece foram para uma casa arrendada por vontade própria. Já eram todos experientes nestas coisas de praxe. A culpa é da praxe, ou é das decisões que tomamos enquanto jovens muitas vezes inconscientes?
    Não me parece justo utilizar este tema para condenar as praxes deste país. O problema não está nas praxes, está nas pessoas! Toda a gente que está em praxe está por vontade própria, cabe a cada um tomar a decisão de participar em determinada actividade ou não. Assim como o Arrumadinho disse que não ao álcool , as pessoas podem dizer que não a situações de perigo! Acho que ” num país que se diz moderno e europeu” as pessoas devem ter liberdade de escolha. Existem coisas lindas nas praxes, momentos únicos. Acredito que privar os estudantes disso é injusto. Cabe a cada um dos estudantes decidir se quer participar em determinada actividade ou não!

    Esta é só uma opinião.

    Gosto muito do seu blog.

    Marta

  81. P.S.: Tanto não foi opcional ser ou não praxada no meu ano que um colega meu que decidiu não ser mais praxado ficou em casa a dormir porque não queria mais nada com a praxe. Não contentes com isto os meus praxadores/praxistas/praxantes foram buscá-lo a casa… Tocaram insistidamente à campainha e puseram os caloiros a gritar para a casa e a ligar-lhe. Ameaçaram-nos que se ele não voltasse à praxe íamos ser todos punidos severamente pois tínhamos tal obrigação.

  82. Olá Ricardo 🙂
    gostei muito de ler o seu testemunho.
    Com 21 anos e atual estudante universitária , e sendo esta a minha quarta matrícula mudei muito a minha opinião quanto à praxe!
    Foi muito engraçado ler o que disse a respeito da UTAD pois a praxe continua praticamente igual.
    Tive um ano de caloira fantástico, diverti-me imenso, aprendi muito e se não fossem os meus praxadores/praxantes/praxistas (isto porque difere de universidade para universidade) não sabia muito do que sei hoje.
    Ajudaram me muito a nível de integração, a nível pessoal e académico.
    Diverti-me muito, ganhei um amor ao traje, à Academia e a todo o espírito académico. No entanto não foi só diversão. Houve muita coisa fora do limite e demasiada humilhação e frustação por parte de quem praxou.
    Mas a verdade é que para nós a praxe nunca foi facultativa… Claro que ninguém me apontou uma arma e me obrigou a ficar mas os praxadores/praxantes/praxistas faziam uma pressão psicológica ridícula de modo a “obrigar” toda a gente a ser praxado. Ameaçavam de exclusão social, de que não teríamos acesso a apontamentos e testes , entre muitas outras coisas.
    No meu entender, ninguém tem que ser excluído ou privado desse tipo de coisas só porque não quer ir à praxe.
    Chegada ao terceiro ano foi a minha vez de praxar. Mais uma vez gostei muito, tive muito orgulho e tentei dar o melhor de mim.
    Penso não ter feito a ninguém o que não gostava que me fizessem a mim (tipo almoçar e jantar segunda, terça, quarta e quinta na cantina e gastar 20eur por semana em refeições quando comida não faltava em casa, entre coisas demasiado físicas e humilhantes!

    Passados quatro anos, sou totalmente a favor da praxe moderada. Não todos os dias durante 2 meses de manhã e à noite, não às 8 da manhã quando os caloiros vão ficar cansados e têm aulas o resto do dia, não com tanta mesquinhice que há.
    Com mais respeito pelos caloiros porque eles são pessoas como nós e são adultos e alunos da nossa Academia.
    Devemos recebê-los, ajudá-los e integrá-los e não humilhá-los.
    Claro que umas brincadeiras, uns sustos e uns gritos fazem parte mas tudo que é demais é erro!

    SA

  83. A acrescentar ao meu anterior comentário.
    As praxes também incitam ao preconceito e sexismo. É absurdo.
    Se um rapaz não faz alguma coisa “é paneleiro”, “é maricas”. Gosta é de levar no c*. E se gostar? Portanto a praxe não está aberta a homossexuais, é isso?
    E as raparigas são umas porcas, são umas pu***, gostam é de ter a perna aberta. E se gostarem?
    Desculpem, mas isto não é algo inocente. É nojento e parece uma coisa dos anos 50.
    E, pelo menos as pessoas que estudam em Lisboa, não me digam que isto não acontece. Todos os Setembro apanho com porcarias destas ao pé da minha faculdade (Letras na univ de Lisboa), no metro, na baixa.

  84. “É óbvio que me chamaram muitas vezes “besta” e “burra de m****” mas nunca encarei esses insultos como um ataque pessoal.”
    É óbvio? E não foi humilhada?
    Depois não digam que a praxe não é uma lavagem cerebral.
    Quero ver se quando tiver um emprego e o seu patrão a chamar de besta, se aceita isso. Se encara como “ah sou só mais uma empregada”. Não admira que Portugal seja um país de murchos. Triste.

  85. ” Andei com eles no meu carro durante um dia inteiro por Lisboa, mostrei-lhes os sítios mais emblemáticos da cidade, alguns bares, zonas fixes para ir, e mais nada. No final, agradeceram-me pela praxe e ficámos amigos.”
    Se a praxe fosse isto, não tinha quaisquer problemas.
    Sinceramente gostava de saber que pessoas de 18-20 anos é que têm assim tantos problemas em fazer amigos que precisam daquele ritual de humilhações absurdo.
    Recomendo o texto do Pacheco Pereira: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-abjeccao-1621031
    Realmente se tolerarmos tudo numa hierarquia, somos o quê? A humilhação ensina os mais novos a respeitar hierarquias? Ridículo.

  86. Meu deus, que brutalidade. Eu fui praxada (foi o melhor ano que tive na universidade) e praxei, o que já não gostei tanto. Mas fui praxada com dignidade e nunca nesses limites. Além disso, fui praxada até Maio, por isso, sim, há quem tenha sido mais praxado. O que tiro do teu texto, é que há pessoas e pessoas, e os que tiveste oportunidade de conhecer eram verdadeiros animais. Há de tudo arrumadinho, há de tudo.

    Inês M.

  87. Ainda agora tinha acabado de escrever um post sobre este assunto no meu blog… Eu trajei e concordo plenamente quando escreveste que foi um orgulho trajar pois isso significa o chegar ao patamar pelo qual tanto se lutou: ser aluno universitário. Essa é a forma correcta de ver as coisas e não utilizar o traje, que deve ser muito respeito, para fazer outras coisas e estragar o ambiente universitário que se pretende que seja salutar. Quem faz a praxe são as pessoas e são essas as verdadeiras responsáveis por as coisas correrem mal e existirem humilhações. Tudo poderia ser direccionado numa outra direcção: no acolhimento dos caloiros mas de uma forma construtiva. Em que se permitia aos alunos de fora conhecerem a cidade que os recebe, ajudá-los a integrarem-se no novo ritmo de estudo que os espera e tantas outras coisas. É desta forma que eu gostava que a praxe funcionasse e não como algo que pode ficar marcado da pior forma na recordação das pessoas.

  88. Ricardo, acho sinceramente todo o seu texto completamente descabido. Desculpe, gosto imenso dos seus textos e de si, mas tenho mesmo que comentar.
    Passo a explicar;
    Nao entendo o porque das pessoas acharam que estudantes do ensino superior, adultos, vacinados e mentalmente normais, sejam “obrigados” como se lhes apontassem uma pistola á testa, a integrar a praxe. Penso que temos que dar ás pessoas o respeito que elas merecem, e pararmos de achar quem aceita e segue o ritual da praxe uns coitadinhos sem
    direito a opinião, aliciados por vilões violentos dignos de telenovelas que são os elementos que practicam a praxe.

    Quem vai á praxe é suposto gostar, aceitar, e querer praxar também nos anos a seguir. Se nao, simplesmente assume que nao quer, faz-se homem/mulher, e em vez de andar nas praxes dias inteiros, vai assistir como um aluno normal ás aulinhas do seu curso e acabou.

    Sou licenciada, fui experimentar a praxe no meu tempo de caloira, nao gostei. E simplesmente comuniquei que nao ia mais. Nao ia andar feita vitima numa praxe a ser maltratada, para depois me andar a queixar disso a vida toda, como uma traumatizada e uma grande vitima.
    Nao tenho queda para a vitimizaçao.
    Se fui hostilizada quando abandonei a praxe ? Obvio. Se isso me incomodou? Claro. Se me integrei tão bem como os caloiros que seguem as praxes? Claro que não.
    Mas fiz a minha escolha como a adulta com direito a escolhas que sempre fui.

    Fiz o meu curso nas calmas, e passado um tempo já ninguém se lembra se fizes-te ou nao a praxe. Logo que nao se queira a seguir andar a praxar alguém.

    Portanto, e nao querendo chocar ninguém quando digo que os miúdos do Meco se lá estavam era porque queriam, e a responsabilidade pela anormalidade que lhes aconteceu é exclusivamente deles, como seria responsabilidade deles as hostilizações que sofreriam por parte dos colegas, se dissessem que nao á praxe.
    Seriam com toda a certeza preferíveis estas hostilizações, por piores que fossem, á tragédia que acabou com a vida deles.

    Posto isto, nao entendo o porque de vir aqui ao seu espaço vitimizar-se sobre o que lhe fizeram na praxe. Deve ser o seu único texto que nao se enquadra á personalidade que mostra aqui há tantos anos.
    O ricardo era maior de idade, homem, vacinado, inteligente, e acredito, vendo pelos seus textos, que um homem com os seus princípios e opiniões vincadas.
    Deixou que os vilões o obrigassem a ser praxado e faltasse ás aulas ?
    Nao tivesse deixado.
    Nao o tinham morto de certeza por dizer NAO, e ir para as suas aulas ou outras actividades. Fizesse queixa na reitoria se necessário, e se o incomodassem.
    E assim nao estaria tão traumatizado com todas as praxes a que o próprio Ricardo se sujeitou.

    Diana

  89. Eu também fui praxada e a minha praxe não foi humilhante. Ainda assim, não compreendo nem concordo com a necessidade dos insultos e dos berros. A praxe, dura ou leve, nunca contribui para a elevação de nenhum valor cultural limitando-se a ser uma brincadeira infantil ou parva com músicas cravejadas de palavrões. Apesar de não me ter feito mal, não acho que a minha praxe tenha contribuído em nada para a minha formação enquanto estudante ou pessoa.

    Eu também sou a favor de que a praxe seja abolida ou severamente regrada e controlada para que certos anormais não se possam ver no direito de praticar certos actos de crueldade.

    E já agora Ricardo, é possível ler a reportagem de 2001 nalgum lado? Fiquei curiosa agora…

  90. Devo dizer que não sou contra a Praxe, mas sou contra alguns rituais/disparates que se fazem em nome da praxe. Fui praxada em dois sítios distintos dentro da mesma cidade, Coimbra. Ensino universitário e ensino politécnico. E aqui reside a diferença. A AAC tem um código de praxe editado, o qual, desde já, o convido a ler, que refere coisas tão simples como ser proibido sujar os caloiros, ora aqui se percebe muita coisa, aquela socialização de que tanto se fala acontece, de facto, se se respeitar linha por linha o que lá está escrito! A minha praxe na universidade foi divertida, conheci muita gente, nunca me sujaram, nunca me mandaram gatinhar (ou pôr de quatro), e quando para uma brincadeira me pediram para deitar no chão estenderam as capas para o efeito e para não me sujar! Depois vem o Politécnico, que o código de praxe não lhes diz nada (nem a eles, nem, pelos vistos, a mais nenhuma universidade ou politécnico deste país), que quem manda são eles, que se não gostas que te declares anti-praxe e não uses o traje… Ora estudante que é estudante quer ser fixe e usar o traje, os pais e avós querem ver-nos de traje e lá nos vamos sujeitando aos maiores disparates, de ovos podres a coisas indefiníveis tudo me foi posto no cabelo (10 anos depois, às vezes acho que ainda sinto o cheiro), gatinhei em pedras e outros disparates que tais. E não, com esta praxe não concordo! Nada! Acho que nem se pode chamar praxe. É apenas humilhação gratuita e permitida por quem de direito e feita por uns fulanos a quem se lhes dá a importância que não têm e provavelmente não voltaram a ter. E tenho uma pena imensa destes pais que viram os seus filhos partir, provavelmente em nome de uma parvoíce tão grande como esta pseudo-praxe.

  91. Arrumadinho, não é porque as corridas ilegais existem que todos os condutores as pratiquem. Não é por haver praxe assim que todas sejam assim. A minha experiência não é nada parecida à sua, e relembro que toda a gente que na praxe está é de forma voluntária e porque aceita participar. Se assim não for, não se pode chamar de praxe.

  92. Começo por dizer que não sou contra nem a favor da praxe, e que percebo que a maioria da população veja esta tradição com tão maus olhos. Tenho, aliás, a certeza absoluta que, caso não tivesse tido a experiência de praxe que tive, seria também eu completamente contra. Fui praxada (mas nunca praxei) na Universidade de Aveiro. Tínhamos números e nomes de praxe, sim, mas nunca fui gozada ou humilhada, nunca me chamaram nomes. Os veteranos organizavam saídas e jantares connosco, apresentavam-nos a Universidade e os professores, fazíamos jogos, cantávamos, gritávamos e essencialmente, sujávam-nos MUITO – e diverti-me imenso com isso. Se alguém se sentisse abusado ou de alguma forma desconfortável, a bricadeira parava ali e nunca vi niguém ficar ofendido com isso. Eu sei que o argumento da ‘integração’ soa fraco e cliché, mas no meu caso, visto que sou demasiado tímida para iniciar quaiquer contactos sociais por minha iniciativa, foi isso mesmo que me permitiu, integrar-me com os alunos mais velhos e com os colegas do meu ano.

    Compreendo perfeitamente que não seja assim em todo o lado. Infelizmente, podemos encontrar todo o tipo de pessoas em todo o tipo de actividades, e a praxe tende a incutir uma mentalidade de autoridade, para um lado, e obediência, para o outro, com que certas pessoas não têm a capacidade de lidar de forma saudável, e o que aconteceu no Meco é exemplo disso. Sinceramente, não sei se a praxe deva ser ou não proibida; por um lado estaríamos a eliminar a ‘legitimidade’ desta tradição junto de quem não a sabe usar dignamente, por outro estaríamos a condicionar a liberdade individual e a pôr fim ao outro tipo de praxe que já aqui tanta gente falou, por causa de uns inconsequentes que não se sabem comportar de forma respeitosa e responsável. No fundo, acho que cada um deve ter direito a escolher se quer ou não fazer parte da praxe.

  93. concordo com a última frase, sempre nos poupavam dos berros dos morcegos pelas ruas de madrugada todos bêbedos, sem noção do ridículo

  94. engraçado que o que o Arrumadinho viveu na praxe foi exactamente o que eu vi na minha faculdade, no único dia em que fui à praxe e jurei para nunca mais. acho toda essa tradição absolutamente ridícula.

  95. Quanto ao caso do meco nao percebo de que praxe se tratava, uma vez que:
    – nao estamos perante caloiros.
    -pelo que se lê todos estavam trajados.

    Aqui ha algo que para mim n bate certo com praxe se akguem me conseguir elucidar agradecia

  96. Aqui em casa eu e os meus amigos que saimos da faculdade há cerca de um ano costumamos dizer que a praxe é dos sistemas mais parvos que existe! É realmente o único sítio que conheço que premeia os que no minimo vá digamos são menos capacitados academicamente!
    É o sitío onde os mais “poderosos” são os que têm mais matriculas!!
    Fui para a universidade toda contente com isso da praxe a achar que ia ser bom! Mas nao foi -passava o dia a cantar músicas cheias de asneiras e a fazer flexões! E tinha de ouvir esses grandes cérebros da praxe dar-me lições de vida importantíssimas e ver muitos miúdos a olhar com cara de parvos como se eles tivessem realmente a dizer algo de muito importante!

    Na minha faculdade havia algo ainda melhor na sequência da praxe- as famílias que eram as pessoas relacionadas com os padrinhos e madrinhas na qual havia um rigoroso processo de entrada !! Era ouvir gente de 20 e tal anos a dizer olha pede á tua avó (madrinha da madrinha) os apontamentos de Cálculo … e pronto eu a pensar quando eu tinha 5 anos tambem gostava de brincar a isto dos pais e das mães!

  97. Boa noite,

    Em primeiro lugar gostei muito de o ler. É bom saber das experiências dos outros… Em relação a mim:
    Sou estudante num Politecnico (IPBeja) mas a “tradição” de praxe é exactamente a mesma. Fui praxada, mas (ainda) não praxei, só no meu ultimo ano é que o irei fazer. Não vou dizer que foi a melhor coisa do mundo, porque não é mas se foi divertido?? Bastante!! Conheci otimas pessoas e outras que não prestavam, fizemos imensos jogos, conhecemos a cidade, entre outras coisas não-humilhantes, pessoalmente nunca me senti humilhada! Beja tem má reputação em relação à praxe por causa do acidente com uma rapariga o ano passado, estou dentro do assunto e não foi a praxe que lhe causou a morte. A primeira coisa que fiz, no primeiro dia de praxe foi preencher um papel em que declarava que me submetia a praxe e onde indicava doenças, problemas e alergias. Aleguei que não queria beber porque não queria estar num estado alterado, e respeitaram. Também tive de dar um contacto de emergencia (da minha mãe) e foi tudo feito dentro dos limites.

  98. Uma Ubiana aqui presente.
    Praxe é praxe. Tb tive um ou dois atritos por não beber. Nada que não fosse resolvido com um: Não quero e não vale a pena insistir. Hj sou das que vai à estação receber os caloiros e adoptar as minhas “crianças” de cada ano. Sim, a praxe lá é intensa porque só dura um mês mas quando se chega ao dia da latada e se vê o carro, os fatos e os nossos colegas somado ao facto de a cidade parar para nos receber de volta… Nada o substitui. Mensagem da praxe na UBI: juntos conseguimos tudo. E qd muitas vezes estamos fora da nossa terra, os nossos colegas são a nossa família.

  99. “Aí sim começou tudo. Os trajados apareceram e levaram todos os caloiros para o páteo em frente ao anfiteatro. Puseram-nos em fila e o Presidente da Comissão de Praxes explicou tudo o que se ia passar. Quem quisesse podia ir embora, pois obviamente não era obrigado a lá estar.”

    Ora aqui está (para mim) o busílis da questão. Não concordo com proibir simplesmente a praxe, na medida em que acho que não se podem proibir ajuntamentos livres de pessoas para fazerem o que entenderem.
    Já me parece menos defensável que uma universidade permita que “os trajados apareçam e levem os caloiros, os ponham em fila” e aí, em frente a todos para ter o peer pressure ali em altas, digam lá agora que são contra, que acham que são melhores que aqueles que tão aqui a ser boa onda e até alinham na praxe, e ai ai ai que depois não têm colegas para trabalhos de grupo e não podem ir a jantares nem trajar, são uns párias. E há sempre aqueles que mais ou menos ali caídos de pára-quedas lá alinham não por convicção, mas por arrasto. Podem sempre sair dali, é verdade, mas tem um bocado de coacção a mais para ser chamada de “voluntária”.

    Quanto à tragédia do Meco, parece-me que há questões mais complexas em jogo, até porque não se trata da praxe “clássica”, além de doses industriais de falta de juízo.

  100. Boa noite Arrumadinho,
    Fui caloira na UP e sou doutora na mesma Casa, entendo a tua opinião uma vez que a experiência que tiveste não foi provavelmente a melhor, muito menos a que se pratica na minha faculdade.
    No entanto, como em todo o lado, em praxe, há bons e maus praxistas, como em geral há boas e más pessoas.
    Disseste que “para haver as duas coisas prefiro que não haja nenhuma”, no entanto, digo te que, qualquer que seja a universidade ou faculdade, a praxe é opcional, só está lá quem quer! Por isso, quem concorda que esteja e quem não concorda que não vá.
    A praxe ensinou me e continua me a ensinar muito, a dar me muito é a fazer me conhecer muitas (boas) pessoas!
    Sou completamente a favor que se mantenha esta tradição, porque a verdadeira Praxe baseia se nisso!

    Obrigada 🙂

  101. Na Minha faculdade, não temos um “dux”, temos um “imperatorum”, que para além de fazer o curso num tempo razoável (entenda-se em 4 anos – a duração dos cursos – ou 5 – tal como a maioria dos alunos da instituição).

    Na Minha faculdade, as coisas não são perfeitas. Na praxe da Minha faculdade as coisas não são perfeitas. Mas dentro da nossa imperfeição, a tradição é passada aos mais novos. Todos os casos “menos bons” que acontecem são devidamente denunciados – ás vezes caindo até no exagero -. Na Minha faculdade, temos um código de praxe e não há unhas pintadas, maquilhagem, óculos de sol, ou acessórios – seja de que espécie for! – porque na Minha faculdade nos ensinam que não se praxa para “mandar estilo” ou para descarregar frustrações da vida.
    Na Minha faculdade, ser caloiro é crescer. Não é ser ridicularizado, ou humilhado ou levado ao limite do aceitável. Na Minha faculdade, quem entra na praxe – quer para praxar, quer para ser praxado – tem de cumprir regras. Quem não as cumpre sofre as consequências – tal como em tudo na vida (isto é, vai a tribunal de praxe e poderá ficar impedido de praxar ou trajar!).
    Por causa da praxe na Minha faculdade não esqueço o peso da capa negra que envergo quando trajo, nem os valores que foram transmitidos pelo peso da tradição Coimbrã, na figura dos Doutores, dos códigos e das Baladas.
    Por causa da praxe na Minha faculdade sou uma pessoa melhor e choro cada vez que oiço o fado. Cada vez que me traçam a capa.
    É pela tradição – e pelos caloiros – que aviso os caloiros que “há praxe”. Se fosse para fazer amigos, ia beber copos com eles – mas assim eles não aprenderiam grande coisa. Se fosse para mostrar que “somos os maiores” não se perdia horas a pensar o que se faz na próxima praxe, nem se levantava cedo de manhã, nem se calçava os sapatos desconfortáveis. Nem a Capa pesada.

    Não levamos com porcaria em cima – excepto em 2 únicos momentos, e uns ovos e iogurtes, dentro de brincadeiras bem divertidas.
    Não pintamos os caloiros, excepto se levarem as unhas pintadas, (e as mãos é a única coisa que se pinta!) quando estão fartos de saber que não as podem levar pintadas – tal como não se vai para uma entrevista de trabalho num hospital como uns calções a ver a nádega ou com decote até ao umbigo.
    Numa altura em que este tema se generalizou, relembro que existem aproximadamente 180 estabelecimentos de Ensino Superior Públicos em Portugal (o que em 2013 representou vagas para 51461 estudantes, embora nem todas fossem preenchidas) – e que em praticamente todos se pratica a praxe – uns de forma mais correta que outros . Contudo, não se houve falar, porque não corre mal.
    Relembro também que a praxe é um exercício livre, onde cada caloiro decide – ou não – praticar.
    Relembro também que a maioria dos caloiros já é maior de idade e responsável pelos seus atos, livre de fazer seja o que for, e que acima de QUALQUER código de praxe está o código moral de cada um, bem como o Código Civil.
    Os caloiros não são uns “coitaditos”. Os Doutores não são perfeito. A praxe não é igual em todo lado.

    E já agora, não, Coimbra não é só copos. Nem bebedeiras. Coimbra é uma cidade de estudantes, em que uns vão mais para a borga que outros. Tal como em qualquer outra parte onde existam estudantes.

    Aluna da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra

  102. Caro anónimo, na Hemeroteca de Lisboa. Está na revista FOCUS na semana de 10 a 20 de Setembro de 2011, não me recordo ao certo. Penso que terá sido na revista anterior ao 11 de Setembro. Tive a revista em casa até há sensivelmente seis meses, quando deitei fora toneladas de artigos que guardava há anos.

  103. Em relação à praxe, não me vou pronunciar, sou a favor, mas penso que o que aconteceu no Meco tanto podia ter acontecido em situação de praxe como noutra situação qualquer.

    Acho vergonhoso a atitude dos media perante este tipo de casos, em que procuram alimentar a fome desmedida do zé povinho de semear ódio por todo o lado. Só vão largar esta história quando aparecer uma ainda mais dramática. Acho triste que no nosso país a informação seja passada assim. Tenho vergonha do jornalismo português, acredito que nem todos os jornalistas sejam maus profissionais. Mas, infelizmente o que passa cá para fora não revela muita competência.

    Centenas de informações diferentes foram criadas em relação a este assunto. Tive amigos meus da Lusófona (que não só não pertenciam ao mesmo curso, como nunca conheceram as vítimas) a falar ao telefone com jornalistas. Uma senhora passado um mês lembra-se de que afinal falou com as vítimas. Não passa tudo de especulação. E depois dizem que a história está mal contada! A culpa será de quem? A mim parece-me que falta muito profissionalismo e procura de fontes credíveis… Fazem tudo por uma notícia.

    Gosto bastante do seu blog, mas acho que construir uma opinião com base numa reportagem da TVI… Bem, parece-me precipitado. Por alguma razão é o canal mas visto do país, não pela qualidade, mas sim por saber agradar em muito o zé povinho e passar a Casa dos Degredos.

  104. Boa Noitee!!

    Eu penso que a praxe vai muito daquilo que nos é incitado.
    No instituto onde me licenciei é levada a sério, na medida do que é coerente, e nunca foram excedidos os limites. Quero com isto dizer que, antes de começar a praxe ou de nos fazerem qualquer coisa que fosse, tinham sempre a preocupação de nos perguntar se não tínhamos nenhum tipo de alergia ou algum impedimento. Quando alguém estava ,nem que fosse com uma dor no dedo mindinho do pé, não era sujeito ao ritual e não era por isso que não trajava.
    Para além de caloiros, sempre nos passaram a mensagem de que somos seres humanos.
    Assim sendo, acho que por uns, não devem pagar todos, e que sim, deveriam ser revistos os rituais em todos os institutos de formação superior.
    A praxe serve para integrar, não para rebaixar, nem humilhar.
    E com isto acho que expressei, mais ou menos, a minha opinião.

    apequenatulipadourada.blogspot.pt

  105. Ao contrário de si, nunca fui a uma praxe.
    Por comodismo, por falta de disponibilidade, mas sobretudo por ter ouvido falar muito mal dessa “tradição”.
    Afinal, fui parar a uma faculdade onde a praxe quase não existe (Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto), onde ninguém é pressionado para entrar, nem criticado por escolher fazer ou não parte dela.
    Conheci a praxe apenas por fora, com o que vi e o que ouvi de colegas de diferentes cursos. Desde a da minha faculdade, onde se privilegiava a integração no melhor sentido – conhecer a cidade, a faculdade, colegas mais velhos dispostos a ajudar os mais novos; até às faculdades vizinhas (Letras e Ciências), onde assisti das habituais “brincadeiras” de andar aos berros com orelhas de burro até vê-los rastejar na lama a meio da madrugada.
    Corre-se o risco de, por causa do pior, perder também o melhor? Sim, é verdade. Mas, como disse o Arrumadinho, “se é para existirem as duas coisas, então, prefiro que não exista nenhuma. Há mil e uma formas de ambientar os caloiros sem ser através da praxe.”
    Já houve demasiados problemas, demasiadas mortes, demasiados excessos. Como consequência, houve diversas suspensões de praxe. Como é que se reagiu? “Vamos mudar. A humilhação e os abusos agora acabaram. Este caso serviu de exemplo, etc, etc…” Mudou alguma coisa? Nada!
    Só vejo uma solução…o fim

  106. Olá,

    Sou estudante universitária do 2ºano, já fui praxada e adorei. Mas infelizmente tenho noção que a minha faculdade é uma excepção à regra, onde temos sempre capacidade de optar, onde a praxe acaba às 17h da tarde.. momentos de pura diversão!
    Realmente já tinha ouvido relatos de amigos de outras faculdades completamente diferentes, mas o que vi hoje na reportagem da TVI chocou-me bastante. A entrada na universidade é um dos momentos mais emocionantes de um jovem, os momentos que vivi na praxe sei que vou sempre lembrar com muito carinho, e gostava de acreditar que o mesmo acontece nas outras faculdades.

    Antes não entendia muito bem as pessoas que criticavam e desejavam o fim da praxe, mas tenho de lhes dar razão, pois até eu hoje desejo o seu fim. Não pela minha faculdade, mas por tantas outras realidades às quais não consigo ficar indiferente..

  107. O que o Ricardo passou é aquilo a que erronamente tem sido atribuido o nome de praxe, quando na verdade, não tem nada a ver com o verdadeiro sentido da praxe, o que é ser praxado, o que é praxar, e o que é a praxe.

    O problema é mesmo esse. O sentido de praxe está cada vez mais perdido e o nome “praxe” tronou-se um bode espiatório que agora qualquer um usa como defesa para as barbaridades a que quer sujeitar os outros.

  108. Fui bastante praxada na UC e considero um ritual de passagem, se este for moderado. É evidente que não concordo com os excessos mas para tal é necessário existir uma comissão competente que fiscalize a praxe. No final do texto refere a necessidade de abolir definitivamente a praxe sou completamente contra essa opinião (apesar de respeitar) deve haver sim alguém competente que fiscalize.

    Quanto ao caso do meco, não consigo acreditar que 6 pessoas estariam a ser praxadas e ao verificar o perigo que corriam não se manifestassem! Penso que infelizmente foi um acidente tragico, que 7 amigos sofreram. E percebo que as famílias queiram arranjar uma explicação, agora colocar a culpa na praxe e no único sobrevivente não está correcto.

    Para finalizar aconselho a ver a reportagem da RTP 1 já que a da TVI, na minha opinião foi vergonhosa.

  109. Adorei o texto.
    Entrei para a universidade já com 23 anos e talvez por isso também não permiti que nenhum ‘doutor’ ‘dux’ ou ‘trix’ me tocasse, desse alguma ordem ou falasse alto.
    Sempre me impus, não me declarei anti-praxe porque não preciso de rótulos mas nunca fiz nada e muito do que vi era muito mau.
    Tive sorte pois sempre me respeitaram e não me excluíram por isso, mas o mal destes miúdos que entram na universidade ainda muito novos é terem medo de ser excluídos e para isso, para provar que são ‘cool’ acedem a tudo.
    É muito triste.
    Também espero que as praxes acabem de vez.
    Já chega.

  110. Se há coisa que não se pode generalizar é a Praxe. Tanto temos praxe “boa”, em que de facto o objectivo é a integração dos novos alunos, como a praxe “má”, que só serve de humilhação.

    Tenho a dizer que a praxe por que passei na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa foi precisamente o contrário daquilo que o Arrumadinho descreve. Talvez porque a tradição académica desta instituição em nada se compara com o Porto ou Coimbra, mas o que é certo é que foi uma praxe boa.
    No dia das matrículas foi feita uma actividade de integração promovida pela AE – um dia em que era proibído qualquer pastrano ou doutor praxar alguém. Serviu para começar-mos a conhecer alguns dos nossos futuros colegas e os cantos à casa e foram-nos atribuídos dois mentores, para nos acompanharem ao longo do nosso percurso. Tudo divertido, em ambiente de festa. Volto a repetir, nesse dia a praxe foi proibída.
    No dia seguinte, houve uma sessão de abertura em que o reitor falou e deu-nos as boas-vindas, seguida da actuação da tuna. Aí sim começou tudo. Os trajados apareceram e levaram todos os caloiros para o páteo em frente ao anfiteatro. Puseram-nos em fila e o Presidente da Comissão de Praxes explicou tudo o que se ia passar. Quem quisesse podia ir embora, pois obviamente não era obrigado a lá estar. Que se alguém se sentisse abusado de que forma fosse, que devia ir ter com um dos trajados com uma fita branca ao braço – as entidades da Comissão – que esse tratariam do assunto, levando o caso ao Tribunal da Praxe. Que nos podíamos recusar a fazer algum pedido, etc.
    O certo é que durante os 3 dias de Praxe que houve não vi nada a correr mal. Vi colegas meus a dizer que não queriam fazer certas coisas por não acharem bem e não foram mal tratados ou humilhados por isso. Vi outros a pedirem mais. Pessoalmente, não me senti humilhada de modo algum. Conheci o meu Padrinho, que em muito me ajudou até agora, conheci imensos colegas, com os quais me riu de certas coisas que aconteceram na altura. Nada de coisas más.

    Por isto torno a repetir: não generalizem a Praxe. Nem toda é má e tomara que todos passassem pela mesma experiência que eu passei.

    Obrigada
    J

  111. Tenho sentimentos muito contraditórios em relação à praxe. Licenciei-me numa faculdade da Universidade do Porto e desisti da praxe ao fim da primeira semana, depois de ter sido humilhada, depois do Dux me ter queimado aos mãos com as pontas de um cigarro e de me terem trancado a mim e aos restantes colegas durante o dia todo num barracão abandonado, sem telemóveis e estando proibidos de trocar uma única palavra durante todo o dia. Só podíamos sair para almoçar. Desisti quando percebi que isto não é praxe, era sim um desrespeito pelas pessoas e que não valia qualquer esforço da minha parte em me tentar integrar ou tentar fazer amigos.
    Hoje, quase 10 anos depois, assisto às praxes dos meus primos, embora noutra faculdade da Universidade do Porto e, por aquilo que me dizem, não tem rigorosamente nada a ver com aquilo que foi a minha (semana de) praxe. Felizmente. Acho que se divertem muito, respeitam os caloiros… Por isso acho que há praxes e praxes.
    Agora, insistir na ideia de que as praxes podem servir para a integração… Sim, podem. Mas também acho que se podiam procurar outras formas de integração e de convivência que não têm que passar necessariamente pela praxe.

  112. O que se sucedeu no Meco é gravíssimo. Seis jovens perderam a vida, muitos deles filhos únicos. Não imagino a dor dos seus pais e familiares.
    Se a verdade é mesmo essa, de que tudo foi feito em praxe, também não concordo, obviamente.
    Sou praxista e pertenço à comissão de praxe do meu curso, curso este de elevada média de entrada e pertencente a uma das faculdades mais exigentes e de renome do país. E nunca concordaria em ter tal cargo se a minha praxe fosse assente em princípios desse. Porque respeitamos e somos humildes para nos darmos ao respeito. E transmitimos esses valores aos caloiros e praxistas.
    Como diz, foi escolher para a reportagem uma das faculdades com a praxe mais violenta e suja, bem como o curso.
    Enquanto caloira, nunca fui obrigada a nada. E a minha praxe foi super leve. Nunca faltámos a aulas e eram sempre os doutores que nos encaminhavam às salas, pois a nossa faculdade tem imensos pavilhões e nos primeiros dias não é fácil dar-se com a sala correcta. Era cansativo andar naquilo a semana toda, não pelo esforço físico, mas apenas porque tínhamos aulas de manha e ocupámos a tarde com as actividades. Já nos associamos também a instituições de solidariedade e fizémos voluntariado. E tal como o voluntariado se define, ninguém foi obrigado a ir. Ou seja, não houve praxe envolvida
    Portanto, penso que há grande divergência entre a minha praxe e a praxe por o que o senhor passou. Como acha que eu e os meus colegas nos sentimos com textos destes, que defendem erradicar a praxe no país, seja ela como for? Se o problema é a falta da confiança, que nos permitam fazer todas as actividades dentro do campus, por exemplo.

  113. Ricardo, li com toda a atenção o que escreveu, como aliás faço sempre, mas este em especial, dada a temática. Andava aliás com muita curiosidade para saber a sua posição/opinião relativamente aos últimos “dados” da tragédia no Meco.
    A minha opinião, é que de facto existem sujeitos que não sabem o que é a Praxe nem tão pouco o que é Praxar! E sim, deixemo-nos de rodeios, mas existem situações muito desagradáveis, dadas por esses mesmo sujeitos que usam a Praxe com outros fins! Totalmente errados! Acham-se simplesmente superiores e usam e abusam desse “posto” para o que lhes apetece. Sublinho de novo, esta absolutamente errado, mas como em tudo na vida, há pessoas que fazem as coisas de forma competente e outras não. Tal e qual como há professores competentes e outros não. Engenheiros competentes e outros não. E por aí fora..
    Fiz a minha licenciatura numa Escola Superior de Educação, fui caloira, fui praxada e praxei. Hoje sou veterana, e nunca em caso algum tive atitudes reprováveis. Aliás, nem um palavrão pode ser dito aqui, não é admitido em alunos estudantes de educação.

    Sobre a tragédia do Meco: diz-se que os jovens foram “obrigados”!! Oi? Obrigados? Então não eram todos maiores de idade? Conscientes e responsáveis? Estudantes do ensino SUPERIOR? Não foram pelo próprio pé? Não alugaram todos a casa? Não avisaram os pais? Não estavam ali porque quiseram? Não vestiram o traje sozinhos? Não creio que um individuo fosse capaz de atar e arrastar 6 pessoas pra sitio algum, logo.. pouco mais há a acrescentar.

    O que aconteceu no Meco não é Praxe. Nunca.
    E por favor não vamos generalizar!

  114. Na vou dizer que concordo como sempre, porque já discordei de algumas opiniões suas. No entanto considero-o uma pessoa extremamente inteligente e partilho da opinião relativamente à praxe. Também fui praxada e ainda que tenha passado por algumas brincadeiras com as quais até me diverti, a maior parte das situações a que fui submetida não me proporcionaram qualquer tipo de divertimento ou satisfação. E houve mesmo situações às quais me recusei a participar. Não considero a praxe um ritual de integração, se o é, são mínimas as que visam esse fim e muitas mais as que diminuem, humilham os alunos recém chegados e colocam à parte os que não se querem submeter. Em minha opinião são completamente dispensáveis. Certamente se encontrariam melhores formas de saudar e integrar os alunos recém chegados.

  115. Sou estudante universitária e tal como o Arrumadinho já mudei de cidade, de curso e de universidade uma vez. Subti-me 2 anos seguidos a praxe. Sei que me faltam ainda alguns anos pela frente e muito para aprender, porém não posso deixar de dar a minha sincera opinião. Nas diferentes instituições por onde passei constatei episódios de praxe muito útil para ajudar na integração de estudantes deslocados, na vida académica e nas cidades que os recebe. Mas também tive oportunidade de presenciar alguns acontecimentos de praxe algo reprováveis.
    Em relação ao que aconteceu no Meco, é evidente que os estudantes não preveram o fim que tiveram, mas não concordo com o facto que toda a gente julgue e opine sobre o que não conhecem.
    Sou a favor da praxe, porém contra a praxe levada ao limite do razoável.

  116. Eu já fui praxada (UCP Porto) e posso garantir que nunca me senti humilhada. É óbvio que me chamaram muitas vezes “besta” e “burra de m****” mas nunca encarei esses insultos como um ataque pessoal. Eu era só mais uma caloira. Dentro da praxe, eram feitas as actividades que já toda a gente ouviu falar, mas sem nunca esquecer o mínimo exigível de dignidade da pessoa humana. Fora da praxe, as pessoas que normalmente víamos vestidas de preto, estavam ao nosso lado nas aulas e davam-nos conselhos, apontamentos, relatos de experiências da vida académica. O único ano que estive na UCP foi memorável e é onde se pratica a tão afamada praxe de “integração” e não de “humilhação”. Afirmo e confirmo.

  117. No meu ano de Caloira, em 2001 na Universidade Lusíada, fui humilhada por uma besta, intitulada de Dr Veterano, por lhe dizer que tinha dado um erro de ortografia… Fui tão humilhada que esse anormal foi chamada atenção e proibido de praxar.

  118. Olá Ricardo,
    sou leitora assídua, não tendo, no entanto, nunca comentado. Percebo a sua opinião tendo em conta aquilo por que passou e tenho consciência da Praxe errada que se pratica em muitos locais. Não tecendo qualquer comentário sobre o caso do Meco em si, apenas lamento é que os profissionais que falam sobre o assunto, quer nos jornais, quer na televisão, enfiem tudo no mesmo saco. Sou aluna da Lusófona e o curso em que estou, tal como outros, não faz parte da COPA, tendo por isso a sua própria comissão. Assim sendo, posso dizer-lhe uma coisa, nem toda a Praxe da Lusófona é assim, e é uma pena que se generalize…

    Continue com os seus textos maravilhosos!

  119. entrei em direito na uminho e na altura fui praxada. Confesso q as x detestava ouvi-los gritar lol mas as nossas praxes nunca foram humilhantes. Cantavamos, jogavamos jogos. Nunca em momento algum fui forçada a fazer o que quer que fosse, muito menos tiveram atitudes que pusessem em causa a minha dignidade. Conheci pessoas mais velhas com a praxe que foram importantes no. Meu percurso curricular. Fiz verdadeiros amigos. Não posso dizer que a minha praxe tenha sido má. Ainda assim, não praxei 🙂
    Beijinhos

  120. Ricardo, entendo perfeitamente que tem todos os motivos e mais alguns para ser contra a praxe, assim como muitos jovens neste pais que passaram pelas tais pseudo-praxes. A verdade é que muito daquilo que fazem, sob o nome de praxe, NÃO é praxe. Aquilo que descreveu não é praxe. Não tenho nada contra pessoal que é anti-praxe, só me irrita não conseguir ter uma discussão com nenhum deles e mostrar o meu ponto de vista, mostrar que há quem passe por uma praxe, enquanto rito de iniciação, divertida, tranquila.

    Quando eu própria entrei na faculdade, na UC, estava muito desconfiada e de pé atrás com a praxe. Não estava minimamente disposta a ser insultada, a ser sujada e a ter a minha vida posta em risco em prol da diversão de alguns. Mas decidi experimentar. E acabei por gostar. Se calhar tive sorte, calhei com um grupo porreiro. Tudo o que fiz, durante as minhas praxes, foram passeios e visitas guiadas pela cidade, aprendi as músicas/gritos de praxe, faziamos jogos, caças ao tesouro pela alta de Coimbra através de enigmas, jantares com o grupo que me praxava e as outras caloiras, etc etc. Além disso, as “doutoras” ensinaram-nas onde eram as salas de aulas, onde encontrar apontamentos, deram-nas dicas sobre as cadeiras/professores… Tentaram presuadir-me a beber mas assim que disse que não bebia de todo, não me chatearam mais, nem em praxe, nem nos jantares. Mais tarde praxei também e as praxes foram sempre nestes moldes, inclusive, até incluimos sempre uma atividade por ano de voluntariado a favor de alguma associação (ou de animais, ou de crianças, idosos…) Muitas outras pessoas na UC com quem falo, relatam experiências parecidas com as minhas.

    Sempre que tento falar com um anti-praxe e dizer-lhe que há sitios onde as praxes são boas, correspondem à verdadeira essência da praxe, levo com a típica resposta que sofri lavagem cerebral na praxe, que gostei de ser humilhada, etc etc. Não conseguem admitir a possibilidade de haver praxes saudáveis, logo à partida, impossibilitam qualquer discussão possível…

  121. Olá Fernanda. Não se pode dizer que o que eu passei “não é praxe”. O que eu passei é aquilo que muita gente passa enquanto houver praxe. Porque o facto de existir praxe permite este tipo de comportamentos. Quem é a favor pode argumentar o que quiser a favor da adaptação, da ambientarão, da inclusão, tudo muito lindo. Mas para haver isso também terá de haver, necessariamente, o outro lado, o da violência e da estupidez, o da humilhação e escravidão. E se é para existirem as duas coisas, então, prefiro que não exista nenhuma. Há mil e uma formas de ambientar os caloiros sem ser através da praxe.

  122. Sabes… também foste meu “padrinho” no ISCSP, pagaste-me o sapato que me tiraram e dois ou três almoços de sandes e sumo de palhinha. Ainda guardo a placa cartonada com a tua assinatura e com os carimbos que atestavam as minhas idas diárias à praxe. 🙂
    Gosto de te ler.

  123. Ok, já li tudo!

    Percebo aquilo que passou e tendo isso em conta entendo a sua opinião relativamente à praxe.

    No entanto, deixe me esclarecer-lhe que a praxe não é nada daquilo que o senhor passou. A praxe é capaz de nos proporcionar os melhor momentos da nossa vida, claro, se for feita com bons praxantes!! No entanto, para mim, as pessoas que descreve não são praxantes mas sim uns verdadeiros anormais!!!

    Já fui praxada, praxei, mudei de curso e voltei a ser praxada! Não trocava a praxe que vivi por nada!

  124. Caro arrumadinho,

    sou totalmente a favor da praxe!

    Vou já ler o seu texto mas antes de o ler tinha mesmo de vir comentar:

    Para se falar, opinar, sobre um assunto penso que seja necessário pelo menos saber algo sobre o mesmo. A expressão “PRAXES” não existe!!!

    É PRAXE!!!!!

    obrigada

DEIXE UMA RESPOSTA