Só para terminar a questão Jonet

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Só para terminar o assunto Isabel Jonet, deixo as tão esperadas explicações da própria. Tudo o que escrevi nos posts anteriores ela confirma neste texto que escreveu para a Rádio Sim, do Grupo Renascença. Com este texto se prova, pelo menos para mim, que nada do que ela disse é polémico. Também ela fala da forma descontextualizada como muitas das suas frases foram divulgadas pelas redes sociais e do facto de muitos dos que a criticaram nem sequer terem ouvido a entrevista – foi o que aconteceu, inicialmente, comigo: li as tais frases soltas, achei-as vergonhosas, fui ouvir a entrevista na íntegra, e percebi que, no contexto em que estavam ditas, faziam sentido. Aos que diziam que ela desculpabilizava o estado e dizia que apenas as pessoas tinham de “empobrecer” ela também dá uma resposta, e diz que não, que o estado também gastou e viveu acima das suas possibilidades e também tem de “mudar de vida”. Mas leiam, e percebam.

Uma só nota, para terminar. Ouvi ontem alguns discursos de altos dirigentes do Bloco de Esquerda sobre este assunto e arrepiei-me. Retive algumas expressões de Daniel Oliveira, que falava com espuma na boca de tanto desprezo (que soava a ódio). Sobre “a tia Jonet” (foi assim que se referiu a Isabel Jonet) disse que promove “a caridadezinha salazarenta” e que são pessoas como ela que querem fazer “o tempo voltar para trás”, para que tudo volte a ser “como dantes”. Acho que é também por coisas destas que o Bloco será sempre um partido marginal, e a esquerda dificilmente crescerá ao ponto de ser uma alternativa séria de governo. O ódio à caridade é uma coisa que me transcende, como se quem ajuda o faça porque quer manter o estado das coisas ou voltar para um regime ditatorial, como se em algum país do mundo a caridade não fosse necessária para ajudar milhares ou milhões de pessoas, como se algum regime ou alguma política em qualquer parte do mundo fosse 100 por cento eficaz ao ponto de equilibrar a sociedade e deixá-la totalmente livre de pobreza e miséria. Estes senhores, sim, parecem viver num mundo à parte, embrulhados numa ideologia utópica em que querem que os outros acreditem, mas não conseguem, porque, felizmente, ainda há quem pense pela sua cabeça, quem ande na rua de olhos abertos, perceba como são as coisas. Entre os vários ataques a Isabel Jonet pairou sempre a insinuação insultuosa ou jocosa ao facto de ela ser uma mulher com dinheiro. E estas insinuações partiram daqueles que são conhecidos como “a esquerda do caviar”, porque fazem a apologia da defesa dos desfavorecidos, do ataque aos ricos, mas depois também eles vivem com luxos. Também ouvi Ana Drago atacar aqueles que ela rotulou de “gravatas”. Também acho graça a isto, como se o andar vestido desta ou daquela maneira tivesse alguma coisa a ver com a pessoa em si, o que ela pensa. É tão estúpido atacar gente porque anda de gravata como seria estúpido atacar um deputado do Bloco ou do PCP por ir trabalhar para a Assembleia de ténis e T-shirt (e alguns vão). Vão, e estão no seu direito, e ninguém tem nada a ver com isso. Mas se eles não gostam que lhes imponham regras, então, não venham eles atirar pedras aos outros porque se vestem desta ou daquela maneira.

Bom, mas deixo, então, o texto escrito por Isabel Jonet para a Rádio Sim.

“Vi-me envolvida numa enorme polémica, na sequência de um programa de televisão onde manifestei a minha convicção de que algo tinha de mudar na forma como vivemos.

Farei um resumo do que defendi e lamento se porventura magoei algumas pessoas que não me compreenderam quando disse que tínhamos de mudar o modo como vivemos. Gostaria de começar por esclarecer, se necessário for, que não estava a falar para os mais pobres, ou a dizer que são os pobres que têm de se habituar à pobreza. Como gostaria que dela pudessem sair, certa que para isso é imprescindível crescimento económico. Não tenho medidas políticas para erradicar a pobreza do mundo; se tivesse, era política; e não sou. Só faço o que posso numa área específica e com uma forma concreta. Sou presidente da Federação Portuguesa dos BA e da FEBA, que congrega Bancos Alimentares, que com o mesmo modelo ajudam 330 mil pessoas em Portugal e 5 milhões em 21 países da Europa, pessoas em situações de pobreza e que necessitam de auxílio alimentar.

Não quero ver em Portugal o que vi na Grécia, onde estou a preparar BA e onde há tanta miséria que nem se encontram medicamentos para os doentes crónicos, onde falta o gás e a luz, onde escasseia a comida nos supermercados.

O Estado Social foi concebido a seguir à grande Depressão, em 1929, para acudir a situações de emergência social, numa altura em que a esperança de vida era de 60 anos pelo que o peso das reformas era pequeno. Ganhou maior dimensão a seguir à 2ª Grande Guerra, numa época de grandes necessidades, onde até era justificada a criação de emprego pelo Estado, nomeadamente em obras públicas, empresas, etc. Com o tempo e a prosperidade económica o peso do Estado Social foi aumentando, e felizmente passaram a ser garantidos direitos essenciais como a Educação, os cuidados de Saude, etc. Só que nos últimos anos a situação tem vindo a alterar-se muito com a alteração na pirâmide demográfica e o peso que as reformas têm hoje (até porque aumentou imenso a esperança de vida e muitas pessoas têm longos anos de pensionistas) e porque o peso da Europa no mundo alterou-se radicalmente: competimos com países muito mais prósperos do que nós e onde não vigoram direitos sociais idênticos. É pois precisamente para manter o Estado Social e defender quem mais precisa que temos portanto de repensar o seu modelo e assegurar a sua sustentabilidade. Volto a realçar: para ajudar quem mais precisa. Para que não precise. Porque a pobreza estrutural infelizmente mantém-se.

Vivemos nos últimos anos muitas vezes acima das nossas reais possibilidades: tanto no que se refere às despesas públicas (autoestradas, estádios de futebol, rotundas) como as despesas individuais de uma camada significativa da população. Adoptamos hábitos que não podemos manter: daí o facto dos países e de muitas famílias estarem endividados, que tenham assumido créditos que hoje dificilmente podem suportar.

O pior é que se tinha uma expectativa de vida que não pode ser realizada exactamente porque a conjuntura e o mundo mudaram. E vemos que os nossos filhos vão viver pior do que nós vivemos. Se nada for feito, ou nada fizermos por eles.

Penso que muitas das criticas que me foram feitas, sobretudo nas redes sociais, foram por pessoas que nem ouviram o programa de televisão nem tudo o que eu disse mas que interpretaram parcialmente o que foi sendo comentado, descontextualizando totalmente o que expressei.

Tenho pena desta polémica que não é boa para ninguém. É triste ver a incapacidade de encarar com realismo que, se não mudarmos nada a situação, não é mesmo sustentável.
Aqui, nos BAs, continuaremos a fazer o mesmo trabalho sem perder de vista quem efectivamente precisa.”

Isabel Jonet

1 Comentário

  1. Não tirando o mérito ao trabalho de Isabel Jonet, enquanto um único português não tiver o que comer, então há miséria em Portugal.

  2. Se ouvissem na integra a entrevista da Sra Isabel Jonet teriam entendido as suas palavras e opiniões.
    Tenho pena que alguns Portugueses façam disto um tema escandaloso e absurdo e nada mais tenho a acrescentar a não ser que concordo com as tuas palavras.

  3. Obrigada pela sua explicação de toda esta polémica. Não tinha tido oportunidade de ouvir as declarações da Srª. Drª. Isabel Jonet e só agora me sinto totalmente esclarecida. Habituamo-nos todos a viver sem pensar no dia de amanhã, que é sempre uma incertesa, e a achar que se algo nos correr mal, temos o Estado social para resolver os nossos problemas. E não podemos dizer que não temos culpa da situação a que o país chegou porque o Estado somos todos nós. Nós é que elegemos quem nos representa,mas quando chega as eleições há 50% dos portugueses que não se dão ao trabalho de ir votar. Exigimos cada vez mais mas se pudermos fugir a pagar impostos somos peritos. Quando os bancos nos propunham vergonhosamente emprestimos para tudo e mais qualquer coisa, endividamo-nos numa busca constante do ter e do parecer. Quando as empresas publicas,e não só, utilizaram o esquema de mandar pessoal para a reforma antecipada para resolver os excedentes, ficamos todos loucos de contentes por podermos deixar de trabalhar com 40 e pouco anos, mas não nos demos ao trabalho de pensar se isto era viável no futuro. Agora temos realmente que aprender a viver com menos e deixarmo-nos de hipocrisias de nos indignarmos com quem só diz verdades.
    Ana Amaral

  4. Goste-se ou não, ela tem razão. Nós é que não queremos aceitar aquilo que nos aconteceu. A nossa repulsa, o não reconhecer que vivemos anos a fio a crédito porque não podiamos viver de outra maneira, é que originou isto. Agora, cruxificar a sra. por ter dito o que todos sabemos mas o nosso cérebro teima em esconder, não. E depois, discurso salazarista? Por favor… vamos mas é trabalhar.

  5. Ia o ano 1977 casei-me , o marido fruto duma educação à base do instantâneo queria bifes todos os dias.eu que vinha habituada que o talho era só ao fim de semana de resto era a entrega dos meus pais à volta do terreno e das galinhas e dos coelhos.disse ao meu marido que não se progredia a comer bifes todos os dias.já com filhos só havia as bananas da MADEIRA eram caras também disse que as bananas era só para as crianças .chegamos aos dias de hoje se não fosse os cortes do governo a crise passava-nos ao lado.Também fizemos por isso.Compreendo muito bem aonde a D. I.J. quer chegar .

  6. Eu vi e ouvi, pode ter sido muito boa durante 20 anos, mas em 2 segundos estragou tudo, o que ela disse foi FASCIZANTE!!!

    não, não sou do BE, não não conheço o DO, SÓ quero que esta senhora faça o seu trabalho calada.

  7. Duas coisas:

    – Se houvesse assim tanta preocupação no BA para com a miséria, e se fossem assim tão nobres, não seriam "entregues" tantas coisas para casas de quem delas não precisa (prática corrente não só por aquelas bandas, e que se calhar importava controlar, mas é dali que falamos agora);

    – Se a Sra. Dra. Isabel fosse assim tão nobre não proibia os funcionários do BA de falar com alunos de ensino secundário sobre a pobreza escondida, no contexto de um trabalho sobre o tema genérico da pobreza, porque "não quer ser associada aos sem-abrigo".

    Foi um episódio tipo Cavaco Silva, são sempre coisas descontextualizadas e que as pessoas nunca compreendem…
    Não digo que por vezes não possam ser, mas actualmente isto mais parece constituir uma boa desculpa para dizer todas as barbaridades e mais algumas.

    Interpretem como quiserem.
    Eu trabalho, ganho mal, não tenho direito sequer a subsidio de desemprego quando o trabalho acabar, vivo numa casa arrendada, não tenho carro, não tenho empréstimos nenhuns, conto trocos todo o santo fim de mês, e não tarda também terei que pedir comida.
    Mas pronto, se calhar vivo acima das minhas possibilidades e devia era viver numa tenda debaixo da ponte a comer ratos.

  8. Somos realmente um povo mesquinho. Vi a entrevista e a mensagem não me parece que fosse dirigida aos pobres e aqueles que realmente sofrem na pele todos os dias com esta crise. A carapuça foi enfiada a muita gente da classe média! Sim, vamos ter que mudar de vida… Quanto aos comentários do bloco de esquerda nem comento. Tinhamos um cromo, agora vamos ter dois! Uma nova líder que deita ódio pelos olhos. É o que temos… I.A.

  9. Video Marçelo Rebelo Sousa :

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=OB8pKYZmkqI

    Julgo que a mentalidade idiota dos portugueses está bem resumida neste video. Andam com a realidade completamente distorcida. O outro video para a Finlandia ainda admito que tinha alguma piada e até realçava alguns pontos engraçados. MAS ESTE POR AMOR DE DEUS :

    O que querem transmitir quando dizem que :

    1- 40% da frota automovel em Portugal é alema
    2 – que o sistema de abastecimento de energia automovel é da SIEMENS
    3 – que os submarinos sao alemaes
    4 – que os estadios do EURO foram construidos em parte por empresas alemaes

    Nao me digam que querem transmitir a ideia de que a Alemanha precisa de Portugal. Chega a dar vontade de chorar tanta estupidez.

    Portugal compra essas coisas à Alemanha porque NÃO AS PRODUZIMOS (nem de perto). Se os vosso filhos tiverem um acidente e precisarem de fazer um TAC querem usar a Maya para advinhar o que ele tem ? É obvio que vao ter de usar equipamento altamente tecnologico alemao (e de outros paises), nomeadamente da SIEMENS.

    Felizmente que o video parece que nao vai ser passado no estrangeiro, porque era uma vergionha.

    Mas acham que um pais com 10 milhoes tem expressao nas exportações Alemaes ?
    A Alemnha com apenas 80 milhoes de habitantes era até ao ano passado o MAIOR EXPORTADOR ABSOLUTO DO MUNDO (agora é o segundo atras da China julgo eu). Os EUA têm 300 milhoes de habitantes, a China >1200milhos, etc etc.

    OK vamos deixar de importar coisas da Alemanha e eles a seguir tiram daqui empresas como a AutoEuropa……..tristemente nós ficavamos a perder.

    A AutoEuropa representa apenas cerca de 3% de toda a produção do grupo Volkswagen e mesmo assim consegue ter um peso ENORME nas exportações e PIB Portugueses. E a Volkswagen é só uma migalha…..AUDI,BMW,MERCEDES,PORCHE,BOSH,SIEMENS, etc etc

    Tenham juizo e sejam mais humildes.

  10. Mais uma coisa 🙂
    Ela devia sim, colocar este e outros governos em xeque, já que pouco se tem feito na área da solidariedade e muito se tem feito para reduzir apoios.
    O civismo por parte de quem manda é quase nulo.
    Já que gosta de ter visibilidade, então que a aproveite não só para fazer publicidade ao BA mas também a apelar a que manda que pense também nas crianças e nos idosos.

  11. E mais uma vez, se acha dona da razão.
    Ela disse o que disse, ela acha que está acima dos outros e vem agora falar, pois estamos próximos de mais uma recolha.
    Mantenho o que disse.
    E alguém me diz que não saca uma pipa de massa enquanto mantém estes cargos a nível internacional? E relevância?
    E visibilidade?
    Também para esta senhora não há almoços grátis.
    Hoje ouvi e vi o eixo do mal e o DO e a Clara Ferreira alves disseram tudo.

  12. Quanto mais evoluimos mais para o reino da selva avançamos, perderam-se valores, e nesta sociedade sociopata que por vezes sinto que é, passou a valer tudo. Um grande bem haja a toda a gente de bem, que consegue ler, opinar, discordar, sem insultar o próximo.

  13. Fora a questão polémica (Que nem vou abordar por achar que estão a gastar energias e a gostar de esfolar a pessoa errada.), não acho que os deputados estão no direito de irem para a Assembleia da República de t-shirt e ténis. Aliás, detesto essa postura e depois admiram-se de não serem levados a sério. Tudo contribui.

    Há lugar para tudo e é uma falta de respeito. O direito à imagem é constitucionalmente consagrado mas, por muito que se queira dar a volta, a imagem é importante sim, por todas e mais algumas razões sobejamente conhecidas.

    Não tem a ver com classes mas com a exigência do local e da função. Da mesma forma que um engenheiro ou um trolha não vão para uma obra de fato, ténis, t-shirts, decotes grandes (como já vimos) e etc não são para a AR.

    Ok, posso parecer uma conservadora de primeira (Estou longe disso.) mas achei uma ideia pertinente. Como advogada, se apareço à frente de um cliente de ténis e t-shirt, é seguro que o mesmo pensará duas vezes se me contrata ou não, antes de ouvir qualquer palavra minha.

  14. Há uma parte da sociedade portuguesa que cada vez que ecoa qualquer coisa sobre contenção de despesas e viver mais “ pobremente” salta à tampa e vem para cá fora reminiscências do passado histórico português do tempo do salazarismo. Outra parte da sociedade, vive alheada da sociedade e acha que o problema nunca é deles, é do governo! E também acha que a solução nunca passa também por eles, como se distanciassem e vivessem numa realidade paralela. Nós Portugueses vivemos durante muito anos a viver à ricos e todos, compactuámos com isso. Quando vem a Isabel Jonet pôr o dedo na ferida e dizer que temos que “ empobrecer muito” acusam-na de ser rica e de não saber o que é a pobreza. Pois, o que sabe ela? Sabe muito mais do que a maioria de nós, conhece a realidade de perto e decidiu dar a sua vida a uma causa. Ela, que podia ter tido um futuro à frente de uma grande empresa e com um ordenado milionário, ou então ter decidido ter passado a sua vida entre chás, jogos de bridge com as amigas e tardes de spa e personal trainer. Não, decidiu estar voluntariamente, e sem qualquer tipo de remuneração, no Banco Alimentar, para agora, ainda por cima, levar uma cambada de ingratos que amua ao primeiro puxão de orelhas. Chateia-me gentinha que ache que para saber o que é a dor tem que ser serrado ao meio, para saber o que é o pobreza tem que viver com uma lata de sardinhas a dividir por sete. Se alguém ousa dizer alguma coisa, levam a mal e acham que não tem moralidade.
    São precisamente esses indignados que nunca precisaram do Banco Alimentar que se multiplicaram em petições anedóticas e mostrar o "civismo" que têm.

  15. Vivemos na ditadura do politicamente correcto e, tal como em qualquer outra ditadura, há coisas que não podem ser ditas em público. Nada demais. Curiosamente muitos dos que agora criticam as palavras da drª Jonet enalteciam ainda há pouco tempo a acção de um alcaide espanhol que assaltou um supermercado para distribuir comida pelos pobres da sua terra. Enfim, princípios de vida…

  16. Obrigada pelos seus textos ao longo da última semana, ajudaram com certeza a esclarecer algumas cabeças.
    Para mim, a Dra. Isabel Jonet continuará a ser um exemplo de entrega e de serviço. Oxalá saibamos todos nós, os que a criticaram e os que a apoiaram, fazer pelo menos um décimo do que foi feito nos últimos 20 anos pelo BA no serviço aos que mais precisam.

  17. Meus amigos contra factos não há argumentos. As pessoas falam falam falam e falam mas a Jonet está há 20 anos a ajudar as pessoas que estão bem abaixo do limiar da pobreza europeia. Quem mais pode dizer isso? Poucas pessoas presumo. Os políticos de tanga do Bloco de Esquerda? Perguntem lá qto é que os raivosos recebem por ir mandar umas tangas na televisão. Será que eles dão o seu ordenado aos mais necessitados? Está bem está. Portugal está uma trapalhada. Atacam-se as pessoas erradas e glorificam-se as pessoas erradas. Realmente perdeu-se a bussola do senso comum e da razoabilidade. Mas sinceramente cada um tem o que merece.

  18. E que tal deixarmos a Jonet em paz, esquecermos o raio das declarações e pararmos de andar neste circo como se o facto dela ter mais ou menos razão fosse o mais importante neste momento difícil para todos (muito mais para uns do que para outros, é certo). Então e os tais blogues novos para a malhar se entreter!? Não era suposto haver resultados da tua prospecção!? Abraço!

  19. Caro anónimo das 14h11. Há alguns problemas no seu comentário.
    1. Acusa a Isabel Jonet de, nas suas declarações, deixar de fora as fraudes do sistema bancário, que estão na base da crise do sistema financeiro. Bom, mas o que é que isso tem a ver com o caso Isabel Jonet? Ela foi ao problema para falar da área dela, da solidariedade, do banco alimentar, não foi lá para falar sobre as causas económicas e explicar toda a crise do sistema financeiro e da crise. Aliás, se o fizesse, todos lhe cairiam em cima, porque não é a área dela.
    2. Diz que a minha análise, como jornalista, é completamente superficial. Uma vez mais, dá um tiro ao lado. A minha análise é às declarações da Isabel Jonet, e não um texto a discorrer sobre as causas da crise. E a análise que fiz das declarações de Isabel Jonet até me parecem bastante extensas, já que abordei quase todas as frases que geraram polémica.
    3. Depois, discorre sobre o que, para si, está na origem da crise, como se fosse algo que eu (ou a Isabel Jonet) omitimos por desconhecimento, superficialidade ou por querermos esconder qualquer coisa. Não. Ninguém aqui está a querer discorrer sobre as causas da crise, mas apenas a falar de um caso específico, que são as declarações de Isabel Jonet.
    4. Depois, diz que o Daniel Oliveira é um óptimo jornalista. Será que quer dizer analista? Cronista? Comentador? Não me parece que, para um jornalista, o Daniel Oliveira seja uma pessoa isenta e imparcial, visto que é um dos rostos de um partido político. Faz as suas análises à luz dessa sua orientação política vincada, sem qualquer tipo de imparcialidade ou isenção, princípios básicos no jornalismo.
    5. Depois, diz que o que justifica a raiva e as críticas contra Isabel Jonet é o facto de ela atribuir a culpa às pessoas pela crise. É falso. Ela não faz isso. Ela diz que as pessoas têm de adaptar a forma de viver a esta nova realidade, e diz que muita gente viveu durante muitos anos acima das suas possibilidades, o que é verdade. Nem ela, nem eu, retiramos responsabilidade ao estado ou ao sistema financeiro. Se leu o texto da Isabel Jonet – e eu acho que não leu, a julgar pelo que escreveu – verá que ela diz que também o Estado viveu acima das suas possibilidades, e não apenas os cidadãos.
    6. Depois, diz que a caridade não resolve problemas de pessoas que se suicidam por terem perdido um tecto. Uma vez mais, mostra que não entende o que é a caridade. A caridade não é uma politica, é um último recurso, é o que separa quem bateu no fundo de morrer à fome. Quem deve resolver os problemas são os governos, as pessoas, os Estados. Mas, no fim, em Portugal como em qualquer outra parte do mundo, haverá sempre quem ficou para trás, pelo caminho, quem perdeu tudo, quem não tem onde viver, o que comer, e é aqui que entra a caridade. É essa caridade que critica que separa milhares de pessoas de morrer à fome. Arranjar-lhes emprego, voltar a dar-lhes esperanças não é a função da caridade. Está a confundir as coisas.
    7. Acaba por perguntar se não vale a pena falar sobre os gastos excessivos do estado e mais não sei o quê. Sim, vale. Mas este post não era sobre isso. Tal como a entrevista de Isabel Jonet não era sobre isso. Criticar por isso, seria a mesma coisa que eu estar a chamar-lhe leviano por não falar, no seu comentário, da manifestação dos militares. Não falou porquê? Porque não lhe interessa? Porque se está a borrifar para as forças armadas? Não, não falou sobre isso porque o seu comentário não era sobre isso, tal como o meu post (ou as declarações de Isabel Jonet) não era para discorrer sobre as causas da crise

  20. Relativamente à questão de "não se poder comer bifes todos os dias", não é só uma questão económica, é também uma questão de saúde. Já não se aguentam aquelas reportagens na televisão sobre a diminuição da compra de carne vermelha e da carne, no geral. Não há ninguém que explique a esses jornalistas que algumas pessoas tentam comer cada vez menos carne porque todos os dias ouvem que faz mal, porque têm o colesterol elevado e estão excessivamente gordas?

    Os comprimidos para o colesterol, hipertensão arterial e diabetes também não são baratos…

  21. Acrescento as infelizes declarações sobre este tema do Ricardo Araújo Pereira no programa Governo Sombra. Felizmente os outros comentadores souberam contrapor e explicar que por pior que as declarações pudessem ter sido (principalmente se descontextualizadas), ninguém pode por em causa o trabalho desta senhora.
    E as pessoas que a criticam talvez pudessem usar o seu tempo a fazer uma décima do que esta senhora faz. Seria um país melhor, menos pobre!
    Vamos aprender com os bons exemplos e deixar de criticar só por criticar!

  22. Há uma grande, grande diferença entre caridade e solideriedade."A solidariedade não é dar o que me sobra, é partilhar o que me fazia falta" conceito que a senhora Isabelinha jamais poderá entender por isso quando disse que não havia miséria em Portugal fê-lo de boca e pança cheia!

    Joana Correia

  23. "Adoptamos hábitos que não podemos manter: daí o facto dos países e de muitas famílias estarem endividados, que tenham assumido créditos que hoje dificilmente podem suportar." Por estas afirmações, que deixam totalmente de fora as fraudes do sistema bancário que estão na origem da crise do sistema financeiro americano que se alastrou até nos é que esta Sra. perde qualquer credibilidade. Tal como acho a sua analise, para um jornalista, completamente superficial. São os cidadãos que têm de pagar pela crise? E que tal perguntar porque o BCE empresta aos bancos a menos de 1% para que os bancos emprestem depois a Portugal e aos restos dos paises em divida a quase 6% causando dividas impossíveis de pagar , tal os juros, que esmagam a população? Será que o Daniel Oliveira, por exemplo, que considero um óptimo jornalista, que qualifica de raivoso, não estará mais indignado com o facto de se atribuir aos cicadaos a culpa da crise ? Há pessoas a suicidarem-se em Espanha por terem perdido o tecto pelo qual pagaram toda a vida. É com caridade que se resolve? Fizeram gastos irresponsáveis ao comprarem uma casa? O que as pessoas não perdoam à Sra. Jonet é a sua analise simplista, tal como a sua, que nunca remete para a irresponsabilidade e a corrupção do sistema bancário, tal como à do governo. O estado não gastou a mais em estado social, dilapidou o dinheiro publico em negociatas como as pps…Nisso não vale a pena falar?

  24. O problema é que o que aqui escreveu pouco tem a ver com o que disse. Pelos exemplos utilizados e pelo discurso salazarista. Este texto é mais correto e mais rigoroso. Não sei se a Grécia tem mais miséria que Portugal, seu que aqui também ha miséria. E também sei que na Alemanha se vive muito melhor que em Portugal. Nao entrando em comparações o que os portugueses querem nao e andar para tras mas ter esperança que vamos andar para a frente.

  25. Mais lhe valia ter ficado calada.

    Estas senhoras são a inspiração máxima para o BE, veio mesmo a calhar com o congresso à porta.

  26. As pessoas andam tão cegas, tão obcecadas em encontrar algum culpado para a crise em que vivem que perdem completamente a racionalidade atacando tudo e todos.
    Infelizmente não vivemos unicamente uma crise económica mas atravessamos também uma crise de valores.
    Obviamente que as pessoas têm o direito de se queixarem, se de manifestarem, de atirarem a culpa para alguém. Mas para isso é preciso estarem minimamente informadas e não largar veneno por tudo por nada.

  27. Eu ouvi na íntegra a entrevista de Isabel Jonet e nada do que ouvi me pareceu "escandaloso" e felizmente, porque tenho um QI bastante razoável, entendi perfeitamente a mensagem da senhora. Quero apenas felicitá-lo pela forma inteligente como analisou o facto em si. Adorei a forma como "respondeu" à expressão "gravatas" de Ana Drago…
    Parabéns!

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