Sexo e amizade – a minha versão

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Bom, agora é então a minha vez de dizer qualquer coisa sobre o assunto.

Acho que há uma série de variantes quanto a este tema.

Começando pela relação entre os tais “amigos” que numa noite se enrolam e depois voltam à rotina de sempre.

Sinceramente, não acho que depois de uma relação sexual a amizade possa voltar a ser exactamente como era. Podem continuar a ser amigos, podem continuar a gostar de estar juntos, podem continuar a sair como dantes, mas haverá sempre uma tensão, ainda que ligeira, haverá sempre o expecto de que algo poderá voltar a acontecer, haverá sempre na cabeça de um e do outro a dúvida sobre que expectativa é que o outro alimenta quando estão juntos. Isso passará com o tempo, mas se a relação continuar a ser de grande proximidade é normal que paire sempre um grãozinho de incerteza.

Depois há um segundo caso, que é o dos amigos que se enrolam várias vezes.

Aqui, acho que deixam de ser apenas amigos. Os amigos não vão para a cama uns com os outros (e escusam de vir com aquela coisa do “ah, a pessoa com quem durmo é o meu melhor amigo – sim, sim, eu sei, mas não é disso que estamos a falar). Os amantes vão. Os namorados vão. Os casais vão. Os amigos não. E se vão, e se o fazem frequentemente, então, não são só amigos. E quando a relação atinge outro patamar, para lá da amizade, é preciso saber lidar com as consequências disso. E essas consequências são uma incógnita, porque as variáveis são imensas, e estão relacionadas com a cabeça de cada um. Há gente que pura e simplesmente não consegue estar ao pé de alguém com quem já teve sexo, e há outras pessoas que adoram estar ao pé de pessoas com quem foram para a cama, nem que seja pelo sentimento de dominação (isto é comum nos homens). E o que é isto? É aquela coisa do “eu já te fiz isto”, “tu já me fizeste isto”, ideias que passam pela cabeça de muitos homens quando estão com mulheres com quem já se envolveram. Pode parecer uma coisa um bocadinho infantil – e é – mas, pelo que sei, é muito comum, principalmente nos homens.

Os ex-namorados, ex-casos

Acho que uma amizade com um ex-caso ou ex-namorado é mais fácil de manter quando continuamos solteiros. A amizade e o passado estão circunscritos aos dois, por isso, pode haver saídas, conversas, telefonemas, SMS, cinemas, gargalhadas, copos, que ninguém tem nada a ver com isso, que ninguém tem de se incomodar com isso. Mas quando surge uma terceira pessoa na vida de um dos dois as coisas mudam necessariamente de figura. E até acho que devem mudar, por uma questão de respeito. Conheço para aí três pessoas que não se importam nada que as suas namoradas ou namorados falem à vontade ou conversem ou saiam com ex. Quase ninguém aceita isso de braços abertos. E mesmo que diga que não há problema algum, há sempre ali qualquer coisa a chatear. Por isso, quando um dos amigos que se enrolaram encontra outra pessoa é normal e natural que a tal relação de amizade se altere e se torne mais afastada e menos presente.

Os ex que têm de estar presentes

Alguns dos comentários falam da necessária relação entre ex-companheiros, quando há filhos em comum. Aí, é bom que haja mesmo a convivência mínima necessária que garanta a felicidade da criança. Uma vez mais, não acho que tenham de ser melhores amigos, que passem a vida em almoços ou jantares comuns, porque sei que isso pode constituir um constrangimento para os eventuais novos parceiros de cada um. Mas uma relação normal e saudável é imprescindível.

Como várias pessoas disseram, acho sobretudo que é uma questão de bom-senso e maturidade. Não só das pessoas, como das relações. O que nos parece insuportável e impensável numa relação com seis meses acaba por perder esse peso ao fim de uns anos. A confiança, a estabilidade, o amor fazem com que algumas inseguranças pareçam um bocadinho menos importantes.

1 Comentário

  1. Não concordo. Já tive dois casos assim, éramos amigos e passamos a ter relações sexuais durante x tempo, depois acabou-se naturalmente mas continuámos amigos até hoje. Com um deles, a nossa amizade tornou-se melhor.
    Acho que é preciso maturidade para este tipo de relação, e sobre tudo sinceridade conosco mesmo e com o outro.

  2. Já tive o sonho de querer manter amizade com o meu ex-namorado, acreditava que por sempre nos termos dado bem e por ter aceite tão cordialmente o fim que ele quis dar à nossa relação me vale-se isso.
    Hoje sinto que a presença dele me faz mal. E sinto-me tonta e ingénua por ter querido tanto continuar uma amizade que aparentemente ele nunca quis de mim.
    Ingenuidade?

  3. A amizade distingue-se da paixão ou amor por algo objectivo e simples, chamam-lhe: atracção sexual. Por isso defino como impossível uma amizade pura com sexo. Eu não me sinto fisicamente atraído por uma grande amiga… se vier a sentir deixou de ser uma grande amiga, passa a ser alguém por quem estou apaixonado.
    Já quando se fala em ex… a amizade é claramente possível. Mas quando um ex é mesmo isso um ex, algo que existiu mas que acabou de forma concreta. Não esquecendo que para acabar de forma concreta é necessário efectuar o exigível luto á relação, dar a distancia e tempo necessário para que não se confundam coisas. Efectuado o luto, desgastada e enterrada a atracção, quem melhor para amigo que uma pessoa com quem já partilhamos muito? Conhece o que gostamos e odiamos, conhece as nossas manhas, os nossos medos, os erros e as falhas…
    O ex pode ser realmente o grande amigo, aja honestidade emocional.

  4. Tenho uma amiga com quem já tive sexo algumas vezes,ela pôs um ponto final mas nunca se sabe se não pode surgir uma oportunidade, ela está sozinha. A amizade continua, ninguém sabe e eu sempre fiz questão de esconder. Incomoda-me estar perto dela quando estamos no nosso grupo de amigos, mas não deixei de lhe falar. Sexo é sexo e se for com uma amiga sem compromisso melhor, interessa é não haver amor de nenhuma das partes.

    miguel

  5. Se há coisa que eu aprendi foi a não me voltar a envolver com um grande amigo.
    Ele apaixonou-se, eu não. Revelou-se uma pessoa totalmente diferente da que eu conhecia e hoje nem uma 'olá' trocamos.

  6. Caro Arrumadinho

    Concordo contigo quando dizes que é necessária uma relação cordial entre ex-companheiros quando há crianças envolvidas. Acho isso óptimo, principalmente para a criança, só não nos peçam a nós vossas namoradas/mulheres/companheiras para sermos as melhores amigas tá?! Nem nos peçam para fingirmos que somos uma grande família feliz…porque não somos, ok?!
    Eu não prescindo das festas da escola, da natação, dos aniversários, e pouco me importam as trombas da menina quando vê o filho agarrado ao meu pescoço. Coisa que também não compreendo. Não há nada mais sincero que uma criança, como tal se corre para os meus braços é porque gosta de mim e é bem tratado. Eu se fosse mãe e estivesse separada do pai dela, ficaria muito mais descansada por saber que a pessoa que está com o meu ex trata bem o meu filho, mas enfim… Adoro aquele puto mas não entro em jogos de amizade com uma pessoa que já foi ex do meu namorado, principalmente quando faz questão de fazer cenas constantes ao pai em frente à criança. Não posso com ela enquanto pessoa, não enquanto ex do meu namorado, como tal, sou cordeal sempre, em respeito à criança, mas só isso mesmo. Amigas?? Nem por sombras!!
    Um destes dias o meu namorado foi jantar com a ex e com o filho de ambos, perguntou-me se eu queria ir, sei que foi sincero, que não foi numa de: diz que não por favor, diz que não. Mas eu não consigo. Não me incomoda nada que eles vão jantar juntos com o filho…eu juntar-me à festa é que já é mais difícil.
    Diz-me tu arrumadinho, que também és pai, tens ex e tens mulher. Pedes à tua mulher para ir jantar contigo e com a tua ex e com o teu filho? E a tua mulher vai?

  7. E a quantidade de ex-casais, já casados com outros, voltam a dar umas cambalhotas juntos?
    Estes casos são como peixes no mar, são aos milhares.

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