Ser pai

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O mais difícil de ser pai é o medo. O que medo que se tem de tudo, de que aquelas pequenas criaturas que dependem de nós tenham uma doença grave, que sejam atropeladas, raptadas, que se tornem em más pessoas, que sejam desinteressadas, que não queiram saber da escola, que sejam espancadas pelos colegas, que sejam os vândalos que batem nos outros, enfim, quase tudo coisas que, por mais empenhados que sejamos, não conseguimos controlar.

Não existem formas perfeitas de educar. Teorias há mil e uma, que dizem uma coisa e o contrário disso mesmo, mas nenhuma delas é infalível. Se fosse, seria universal, seria aplicada por todos os pais que querem ter bons filhos, que querem criar boas pessoas. O que não falta por aí são exemplos de irmãos que receberam uma educação em quase tudo igual, mas que um teve muito sucesso e o outro, pelo contrário, perdeu-se. Há factores incontroláveis que influenciam decisivamente a vida dos nossos filhos, por isso, por muito perfeito que seja o nosso trabalho enquanto pais, só nos resta desejar, também, que a sorte acompanhe os nossos miúdos.

Quando olho para o que sou enquanto pai encontro imensos defeitos. Há muitas coisas que eu sinto que deveria fazer e não faço, necessidades que sei os meus filhos têm e que eu não consigo satisfazer, seja por esta ou aquela razão – sendo que a principal é sempre a falta de tempo.

A falta de tempo é, hoje, a maior limitação para os pais que vivem numa grande cidade, em empregos sem horários, em que o trabalho raramente fica no escritório e acompanha-nos quase todos os dias para casa. E é nisto que me sinto impotente para agir, para conseguir dar a volta e ser um melhor pai. Por mais voltas que dê, não vejo forma de equilibrar as coisas, de poder estar às quatro e meia à porta da escola do meu filho para ainda poder ter tempo para brincar com ele antes do jantar, para fazer os trabalhos de casa ao lado dele. Da mesma forma que não consigo ir buscar o mais pequeno a horas decentes, para poder fazer tudo aquilo que um pai deve poder fazer com os seus filhos, tudo aquilo que um pai tem obrigação de fazer com os seus filhos, mas que a vida não lhe permite.

O tempo é, hoje, o mais inimigo de todos os pais. Sei que não falo só por mim, sei que muitos pais vivem isto todos os dias, pais, até, que são obrigados a mudar de país, de vida, em busca de melhores condições, para que possam proporcionar uma vida mais digna aos seus filhos. Felizmente, ainda não cheguei a esse ponto, mas tenho o máximo respeito por aqueles que partem, muitas vezes sozinhos, e que são julgados pelos que ficam, que acham mais importante salientar o “abandono” a que votam a família, do que o sofrimento que irão encontrar num país estrangeiro longe das pessoas mais importantes da vida.

Quando os meus filhos crescerem, sei que irão olhar para trás e tentar perceber que tipo de pai tiveram. Vão procurar referências, histórias, vivências inesquecíveis, que muitas vezes são coisas pequenas, e não grandes acontecimentos. Comigo, pelo menos, é assim. Da minha infância, recordo, sobretudo, momentos aparentemente insignificantes, mas todos eles muito felizes. As férias em Elvas com os meus primos, as nossas brincadeiras intermináveis até de madrugada, as temporadas a acampar com os meus avós e a minha irmã em Milfontes, a minha bicicleta ferrugenta com que fazia corridas à volta do meu prédio em Faro, os sacos de berlindes, as colecções de cromos, um pequeno homem-aranha com cabeça de borracha, tardes a ler livros do Lucky Luke, manhãs a ver os Thundercats ou o Dartacão, o meu primeiro computador, o Timex 2048, as futeboladas no corredor do prédio dos meus avós, as fisgas que o meu avô esculpia com paus, os papagaios de papel que construía com canas, plásticos e papel de jornal, as tardes a jogar ao 35 na rua. É de fragmentos que se constrói a minha memória de infância. Também guardo os episódios negros, histórias tristes, episódios muito complicados que vivi, e que espero que os meus filhos nunca venham a viver, por mais que eles me tenham obrigado a crescer à pressa. Mas acho que nenhum pai deseja a infelicidade do filho para ele aprenda lições de vida – elas chegarão, por isso, não é preciso forçá-las.

Hoje, Dia do Pai, quero reforçar esse meu desejo: o de fazer mais pelos meus filhos, para que eles sejam melhores pessoas. Sei que se o conseguir, no futuro, quando eles olharem para trás e procurarem os tais fragmentos de vida, encontrem, nestas imagens, o pai, eu. Então, sentirei que cumpri com a minha missão. Mas com um filho de 7 anos e outro de 8 meses sinto que o caminho ainda agora começou, e que a estrada só terminará no dia em que eu morrer. Ser pai, é isso, é ser pai sempre, do início até ao fim. Espero estar à altura.

31 Comentários

  1. se perdesse menos tempo com corridas e afins, tinha mais tempo para os seus filhos.. passa a vida obcecado c maratonas, por isso nao se queixe

  2. Cara Rita, não tem mal, se não entende, eu explico.
    Tal como todas as outras pessoas, eu e a minha mulher temos as nossas profissões, as nossas ocupações profissionais. Quem, como nós, trabalha no mundo da comunicação não pode ter um trabalho, possível em muitas outras profissões, em que se entra às nove e se sai às cinco.
    Eu, enquanto jornalista e guionista, tenho obrigações profissionais que me obrigam a trabalhar muitas horas, na redacção e em casa. Não são propriamente opções, são circunstâncias do meu trabalho. Da mesma forma que um médico pode ser chamado para uma operação a meio da noite, ou tem de fazer bancos de 24 horas, da mesma forma que os juízes levam processos para casa e para as férias, ou os lojistas dos centros comerciais têm de trabalhar até à uma da manhã e em regime de turnos.
    Muitas profissões têm determinadas especificidades de horários que roubam tempo que poderia ser útil a muitas pessoas. Acontece, que os filhos têm os seus próprios horários, muito diferentes dos meus e dos da minha mulher. Se eu trabalhasse das 9h às 17h, poderia passar muito mais tempo com ele, já que às 9h é a hora a que o meu filho mais velho entra na escola e às 17h é a hora a que normalmente ele sai. O meu filho mais novo ainda não está na escola, mas acaba por fazer horários parecidos com os do irmão mais velhos. Acontece que às 17h eu ainda tenho muito trabalho na redacção pela frente, e raramente consigo sair antes das 19h. Chego a casa e é preciso fazer um jantar, é preciso comer, e às 21h30 eles já têm de estar na cama. Ou seja, todas as coisas que diz que nós fazemos – e só vou falar no que se refere a mim -, ginásio, corridas, livros, mas poderia acrescentar guiões ou blogues, são coisas que faço pela noite dentro, quando os miúdos estão na cama, ou de manhã bem cedo – entre as 6h e as 8h – quando os miúdos ainda dormem. Eu queixo-me de falta de tempo útil para estar com eles porque tenho uma profissão – a de jornalista – que não me permite sair às quatro ou cinco da tarde, nem me permite entrar às sete ou oito da manhã. Se pudesse, acredite que era isso que faria – entraria mais cedo (por norma, nos jornais e revistas entra-se às 10h30/11h e sai-se pelas 19h/20h, quando não é bem mais tarde, 22h, 23h, 24h – e já passei por isso durante anos) e sairia mais cedo, para poder ter mais tempo útil para estar com a família.
    Ou seja, mesmo que eu não corresse, não tivesse blogues, não escrevesse guiões, não andasse no ginásio, queixar-me-ia do mesmo, porque os horários que eu tenho são os que toda a gente na minha profissão tem (e, repito, neste momento, em que trabalho num semanário, até sou um privilegiado quando comparado com os jornalistas dos jornais diários).
    Quanto aos “fins-de-semana aqui e acolá”, aos “dois dias em Paris” e “dois dias aqui e ali”, bom, esse é o tempo que dedicamos, também, aos filhos. À excepção de cinco dias, no último ano todos os “fins-de-semana aqui e acolá” foram passados com filhos, ou seja, vamos para podermos estar com eles – por isso não percebo a sua crítica.
    Quanto à qualidade do blogue, à vertente comercial, à falta que sente de posts diferentes, bom, é uma das formas de perceber que eu tenho pouco tempo, e que o que tenho não vai para escrever no blogue, mas para me dedicar à família e a outras ocupações profissionais. Também eu sinto falta de mais textos aqui, mas, infelizmente, não tenho tido tempo para isso.
    Quanto à concorrência, não se preocupe, que eu também não. Nunca me movi por números. O que escrevo aqui é o que gosto de escrever, e o que tenho tempo de escrever. Numas alturas tenho mais leitores, noutras tenho menos, mas pronto, é a vida. Não perco o sono com isso.
    Cumprimentos.

  3. Não acredite nessa máxima. Isso deve ter sido inventado por alguém que não queria ter peso na consciência.

    É claro que quantiddae não é qualidade, mas sem quantidade não se consegue qualidade. Acompanhar crianças requer tempo, não é só brincar 10 minutos por dia como já vi escrito algures. Tem de existir tempo para fazer coisas divertidas, para nos zangarmos, para passarmos o que entendemos como ‘educação e valores’. E mesmo assim a vida será sempre uma surpresa.

  4. Não me leve a mal, mas não entendo. A Ana e o seu marido metem-se em tudo e mais alguma coisa. Livros, Sic Caras, a sua loja, ginásio, corridas etc e depois “choram” que não têm tempo. Porque é que se metem em tanta coisa? Isso é tudo ambição de euros? Como diz o comment “As minhas Ideias 05 Março, 2014 05:45 : (o teu blog) está muito comercial e pouco humano” é so euros que vocês vêm agora? metem-se em tudo e mais alguma coisa e depois queixam-se que nao tem tempo para nada. Mas é vê-los de fim-de-semana aqui e ali e de férias aqui e acoli e 2 dias em Paris e mais 2 dias não sei onde… Isto é gozar com quem nao se mete em quase nada e com o unico trabalho que tem, se mata a trabalhar e efectivamente nao tem mesmo tempo para nada.

    Onde está a vossa humildade? Caramba. Da mesma forma que este blog subiu (pelos comentarios que se vão vendo – ha muitos que tu por falta de humildade apagas, quando sao criticas – e sendo tao comercial como começa a ser, textozinhos dos bons cm fazias, que foi o que te fez crescer, zero) com a concorrencia a aumentar, cristinas ferreiras e afins, daqui a dias tb começa a descer.

    Este comentário era para a sua mulher, mas como ela nao aceita as criticas, fica aqui no seu tambem, porque tb serve para si.

  5. Quantidade não é qualidade!
    Não sendo mãe, partilho momentos com as “minhas” crianças (sobrinhos de sangue e sobrinhos de coração), e o que sinto e vejo nos seus pais, é isso mesmo: qualidade e não quantidade!
    Se trabalhamos, mais que o que gostaríamos , certamente será para que o seu futuro possa ser mais risonho.
    Para mim o que fazemos quando estamos com eles é bem mais importante que a quantidade de tempo que lá estamos.
    Certamente, nas referência que procura e acha no passado, no seu pai, não as consegue quantificar em minutos ou horas, mas sim reter as coisas boas que fizeram , essas sim marcam aquele momento.
    Boa sorte, nessa grande aventura de vida que é ser Pai!

  6. O que me revi neste post no que se refere ao tempo e disponibilidade para estar e fazer o que devemos fazer e proporcionar aos nossos filhos.
    Tenho apenas um filho de 16 meses, saio de casa pelas 8h da manhã e chego às 20h. O puto deita-se pelas 21:30h…
    Durante a semana estou com ele acordado no máximo 1:30h… 2 horas… que vida esta que nos rouba tempo e sorrisos!

    Isto é algo me aperta o coração…

  7. Sabe arrumadinho, só lê deste tipo de comentários porque estas são as mesmas pessoas que permitem este tipo de sistema parvo em Portugal, onde acham que na nossa vida privada não podemos ser mais nós próprios e criticam qualquer hobbies que se tenha. Estive imenso tempo na Holanda e aprendi com eles que o trabalho tem de ficar no trabalho e ser respeitado por isso. Infelizmente, em Portugal, exige esforço dos dois lados, mas muitas vezes os pais são os criticados por quererem ter vida nas horas que são legalmente designadas para a sua vida privada. Tem todo o direito a sair do Jornal a horas, depois do horário que seja que tem no seu contrato e seguir com a sua vida privada. 8 horas de trabalho, 8 horas para a vida privada e 8 para dormir, é um direito de vida que ninguém deve criticar a quem desabafa que não tem e deseja ter. Ser um bom pai é um desejo que devia ser simplesmente respeitado, mas, em países onde depois “ouve” este tipo de criticas parvas de gente assim, só mostra que Portugal ainda tem muito que crescer no seu respeito pela vida privada de todos. É um pai saudável e expressando este tipo de preocupação só mostra que é um bom pai. Força com a sua organização do horário e se precisar dê ali um salto à Holanda e peça umas dicas, eles são exemplares no que toca a horinhas para a sua vida incluindo os filhos, 1500 hobbies para eles, os filhos e os vizinhos), gostei muito de aprender isso com eles…. pode sempre fazer uma reportagem acerca disso :p, como nós por cá somos mesmo muito críticos e pouco suportados pelo respeito ao horário privado.

  8. Começo logo por não compreender como é que se dá atenção a um filho quando não se vive com ele. E atenção que os meus filhos sofrem desse mal.
    É estar com eles uma dúzia de horas e dar-lhes tudo? Não era mais importante estar-se com eles todos os dias?
    Os meus filhos vêem o pai uma semana por ano, pois o senhor por “amor” a uma brasileira deixou tudo para trás e foi atrás dela. Está com eles uma semana por ano, ou seja, 1,92% do ano, nesse semana compra-lhes tudo o que o dinheiro pode comprar. Isso faz dele um bom pai?!!!! Definitivamente, não!
    Acho que as pessoas deviam pensar um pouco mais antes de fazerem filhos só por fazer. Isso não faz de ninguém nem pai nem mãe. Faz desses seres meros reprodutores biológicos!
    M.T.

  9. Gostei do texto e embora seja mãe e não pai revejo-me na actual falta de tempo.
    Os meus fihos, 6 e 4 anos, são daqueles que têm um pai fora do País e uma mãe que sai às 8:30 e regressa às 20. Não têm avós por perto e por isso todos os segundos livres que tenho são para eles, que certamente merecem mais do que uma mãe sempre cansada e um pai só para as férias.

    Mas todos tentamos fazer o melhor que sabemos com o que temos.

  10. Muda de emprego. A sério, tenta arranjar o teu “9 to 5” e marimba-te para o resto. Eu tenho 26 anos, há 1 ano atrás estava a trabalhar na minha área, numa instituição reputada, com uma carreira promissora à frente, a ganhar bem, mas a trabalhar das 9h às 21h todos os dias (quando não era até às 23h, meia-noite, noitadas, directas, fins-de-semana, férias…). Sabia que não era vida para mim porque, apesar de ainda não ter filhos, quero vir a tê-los um dia e gosto (e preciso!) demasiado da minha vida pessoal para contrapor ao trabalho de todos os dias. Despedi-me, andei 1 ano em que passei por 3 empregos temporários (todos na minha área, mas dois deles fora de Portugal) e agora finalmente regressei para um emprego porreiríssimo, ainda na minha área, a ganhar menos umas centenas de euros por mês que o que tinha há 1 ano atrás, mas com uma melhoria imensa na qualidade de vida que tenho (e podendo fazer um horário das 9h às 18h todos os dias, sem qualquer problema). Assim sinto que consigo viver a vida que ambiciono e que, tendo filhos e tendo que suportar na mesma o peso que o trabalho tem nos dias de hoje, conseguirei melhor construir uma vida em que possa equilibrar bem todas as suas vertentes.

  11. Percebo o que diz, mas também percebo os comentários sobre a “falta de tempo”.
    É que é muito fácil dizer aos outros que dizem que não têm tempo de ler ou de fazer exercicio, porque têm trabalho, filhos e outros azaferes, que é tudo uma questão de querer e de organização, de prioridades, quando afinal depois também “reclama” da falta de tempo.
    Afinal, há tempo para tudo ou não? Se calhar, vai-se a ver que não…

    E já agora porquê só nas “grandes cidades” é que existe falta de tempo? Nas aldeias não se trabalha? Olha que eu trabalho e muito! E não consigo arranjar tempo para ler (pelo menos tanto como gostaria) e não consigo ter tempo para fazer exercicio. E lá está, apesar de usar esse tempo com os meus filhos (e marido), ainda assim sinto que não tenho para eles o tempo que gostaria e deveria ter.

    Acho bem as corridas, as actividades todas, o ir de férias sem filhos (também vou), agora fico chateada e, confesso, até desiludida quando pessoas como o arrumadinho e a pipoca me intitulam (sim, serve-me a carapuça) de desorganizada e de não saber gerir prioridades por não conseguir arranjar tempo para coisas que adoro como por exemplo ler, ir ao ginásio…

  12. Sou da opinião que todos os pais falham. Por mais que se esforcem para que isso não aconteça, um pai (e mãe) vai sempre falhar num ou noutro momento. Se isso faz dele um mau pai? Claro que não.

    Um pai é um somatório de tudo. Como disse no meu blogue, em pequeno, havia dias em que só sentia o meu pai quando me beijava antes de ir trabalhar e quando me beijava assim que chegava a casa, sendo que eu dormia em ambas as situações.

    Se isso fez dele um mau pai? Nada disso. Porque nunca tentou comprar esta ausência com dinheiro ou brinquedos. A compensação era com amor em todos os tempos que tinha livres.

    Por isso, é o melhor pai do mundo. E o seu comportamento ensinou-me a ter aquilo que considero ser a melhor perspectiva da vida.

    Se tens a tua vida “planeada” de modo a que os teus filhos tenham o melhor de ti, isso basta para que sejas um bom pai.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  13. Ricardo,

    Eu até concordo com a sua resposta, embora me salte logo algo à vista: o facto de correr e escrever no blog enquanto os seus filhos dormem não significa que não pudesse aproveitar esse tempo para fazer outras coisas que certamente faz enquanto eles estão acordados e que essas sim lhe roubam tempo para estar com eles.
    Não é uma crítica até porque cada um faz do seu tempo aquilo que quer e cada um tem as suas prioridades, e eu até acho que mesmo em adultos é bom que haja hobbies. É simplesmente um comentário.

  14. Texto muito bom e que reflete o sentimento de muitos pais (e mães).
    Não que precise de defesa pois sabe fazê-lo muito bem sozinho, gostava de referir que tal como o Ricardo, de tempos a tempos realizo umas provas (muito poucas) e tento treinar quando possível. Como sinto que o tempo com os meus filhos é menor do que o que desejo, os treinos realizam-se das 6h às 7h da manhã. Abdico sim, não do tempo com os meus filhos mas das minhas horas de sono.

    P.S. – Being a Dad is a work in progress till the last day of my life (so much yet to learn).

  15. Cara Sara,

    Não que tenha de dar justificações, mas, para que fique esclarecida:

    1. Eu só corro quando os meus filhos estão a dormir (às 6 ou 7 da manhã, ou às 10 da noite), ou quando estão na escola (à hora de almoço). Fora disso, só faço provas, que duram, no máximo, duas horas.

    2. Eu só escrevo livros, guiões e textos no blogue quando quando eles estão a dormir ou nas minhas horas de almoço (entre as 6h e as 8h, entre as 13h e as 15h ou a partir das 22h).

    3. Quanto às férias, bom, estas foram as primeiras no último ano em que fui sozinho com a minha mulher. E foram cinco dias. Não acho que seja por isso que sinta que estou pouco tempo com os meus filhos.

    Aquilo de que falo é de um sentimento generalizado de quem trabalha numa grande cidade, em que um emprego nos ocupa a quase totalidade do tempo útil – ou seja, das 9h às 20h. E isso não depende de mim, é a minha profissão. Com muitas outras passa-se o mesmo. Todos os meus “extras” são feitos nos tempos em que não posso dedicar à minha família. E ainda que não fossem, teria direito a eles, como qualquer pessoa.

  16. Não sabia que era pai.
    Revi-me nestas palavras: “[os filhos] vão procurar referências, histórias, vivências inesquecíveis, que muitas vezes são coisas pequenas, e não grandes acontecimentos. “
    Belo texto!

  17. E o que fazer quando eles começarem a tomar opções contrárias ao que imaginámos?

    Se se quiserem tornar adeptos de um clube diferente?

    Um partido diferente?

    E até uma religião diferente (neste caso de ambos, visto apenas a Pipoca ser religiosa)?

  18. Não me leve a mal, mas a falta de tempo que refere, no seu caso, pelo que vemos no blog é uma tontice.

    Porque se mete em livros e corridas e tantas coisas, se quer passar mais tempo com os seus filhos? Atenção: nao condeno que o faça, mas depois não se queixe de falta de tempo. Quiçá, se tivesse só o trabalhinho no jornal chegava a casa (independentemente das horas) mas era so aquilo, nao tinha ainda que vir ao blog, ou ir correr, ou ir ler textos para compilar e fazer um livro. Se tem a vida agitada que tem, é porque também se mete em “apertos”, não?

    Se acha que não passa com os seus filhos tempo suficiente e que nao consegue satisfazer as suas necessidades, nao deveria ter ido de férias com a sua mulher e ter deixado os seus filhos em casa. Deveria antes ter pegado nos seus filhos e ir sozinho com eles e com a sua mulher para algum sitio.

    Repito: não condeno nem julgo os pais que deixam os filhos com os avós para irem para aqui ou para ali, claro que merecem e o tempo a dois é fundamental. Mas depois não venham “chorar” porque é tudo por opção vossa.

  19. Se corresse menos maratonas se calhar, mas só se calhar, tinha mais tempo para estar com as crianças. Digo eu…
    Só arranjamos tempo para o que queremos.

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