Ser ateu

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Ao meu post sobre o Natal tive alguns comentários de pessoas intrigadas pelo facto de eu:

1. Ser ateu e celebrar o Natal

2. Ser ateu e ter baptizado o meu filho

3. Ser ateu e ter casado pela igreja.

Vou, então, responder a essas dúvidas.

1. Quer parecer-me que, há muitos anos, o Natal deixou de ser uma época unicamente religiosa. É, sobretudo, uma época festiva, de reunião, de união, uma altura em que muitas famílias se juntam, em que toda a gente parece mais calma, mais solidária, mais tolerante. É uma época de paz. E isso transparece, percebe-se no local de trabalho, nas compras, no quiosque, na rua, em todo o lado.

É também uma época das crianças, e quando as há em grande número é tudo muito mais alegre e emocionante, o vê-las vibrar com as histórias do Pai Natal, com o suspense dos presentes, a brincarem e a correrem pela casa. O Natal é, para mim, tudo isso.

Depois, há esse aspecto, para mim menor, ou insignificante, que é o facto de ser uma época nascida de um evento religioso. E a isso ligo muito pouco, ou mesmo nada, precisamente por ser ateu. Agora, não é por isso que a época do Natal me é indiferente, nem é isso que impede que, nesta altura, goste de estar com a família em paz.

Eu não “festejo” o Natal. Eu gosto do espírito do Natal, que são coisas diferentes.

O facto de ser ateu não significa, também, que tenha ódio à igreja ou às questões religiosas. Não tenho. Pelo contrário. Respeito todos os católicos, os protestantes, os muçulmanos, budistas, indus, judeus, todos os que queiram acreditar no Deus ou nos deuses que bem entenderem. A religião é um assunto demasiado individual e intimista para eu me meter. Cada um sabe de si, e eu estou confortável com a opção de toda a gente.

2. É verdade que eu sou ateu, mas também é verdade que sou casado com uma católica. Logo, se a minha mulher é católica, porque é que deveria ser impedida de celebrar o seu casamento na igreja, só porque o marido é ateu? Seria errado. É por isso que existe um casamento religioso em disparidade de cultos, precisamente para este tipo de situações. E foi isso que fizemos: casámos em disparidade de cultos. Ela, como católica, eu, como ateu. Ela teve de repetir aquelas coisas todas da Bíblia e responder às perguntas do padre, eu não, fui dispensado de tudo isso. O casamento foi, para ela, uma celebração perante Deus e a Igreja, e, para mim, uma simples celebração. Ficámos os dois felizes com a escolha e isso é que interessa.

3. As respostas de cima praticamente que respondem a esta terceira questão. Eu sou ateu, mas a minha mulher é católica. E ela quis apresentar o seu filho a Deus e baptizá-lo perante a Igreja. E eu não tenho nada a opor a isso. Respeito o desejo dela, e não acho que o miúdo se vá tornar pior pessoa por ser baptizado. Quando for maiorzinho irá perceber, por ele, as suas próprias convicções religiosas. Há por aí milhares de pessoas baptizadas que são ateus, da mesma forma que há muita gente católica que só se baptizou por opção própria já em criança, adolescente ou adulto.

Para mais esclarecimentos sobre a minha relação com a igreja, podem ler um texto que escrevi aqui há mais de dois anos. É só vir aqui.

67 Comentários

  1. Sou católica, porem não vou a igreja , pois estou começando a discordar com muita coisa de lá. Sou jovem ainda ,por isso começo a perceber isso agora. Minha visão sobre o Natal é que faz algum tempo que deixou de ser um ‘ evento ‘ religioso, percebo isso a algum tempo , até mesmo por pessoas cristãs. Se nem mesmo pessoas cristãs não veem mais como, qual seria o problema de ser comemorado por ateus ?

  2. Sou brasileiro e ateu forte, porém sou noivo de uma católica praticante, ou seja, que tem conhecimento profundo sobre a bíblia e vai à igreja quase em todas as missas. Temos um respeito mútuo, e nunca tocamos no assunto religião, pois temos certeza que teremos uma séria discussão. Quando falamos de casamento, aí veio a questão, o sonho dela é casar na igreja, e por mim já basta um cartório. Aqui no Brasil, sempre ouvi falar que deverei fazer a 1ª comunhão toda para podermos realizar o tão fatídico sonho de minha noiva, e já disse que NÃO IREI FAZER ESSA, que pra mim, É UMA DAS PIORES AFRONTAS E PURA DISCRIMINAÇÃO! Alguém saberia me dizer, se há alguma igreja no Brasil que pratica esta DISPARIDADE DE CULTOS??? Seria perfeito pra mim e para ela…

  3. Ana Rita, a bíblia é uma das razões pelas quais me tornei, em primeiro lugar, agnóstico, e mais tarde ateu.
    Sendo que para chegar ao ateísmo, para além de me ter começado a pensar criticamente e ter adquirido algum conhecimento do mundo – e dos outros sistemas religiosos ou fés ou o que lhe queira chamar – contribuíram muito precisamente os que se dizem crentes e a sua práxis, quase sempre em absoluta contradição com os preceitos fundamentais (e não fundamentais) daquilo que dizem acreditar…

  4. A quem ocorres “?

    Hum… a amigos…. médicos?

    Nada disto funciona? Paciência! Não se acorre a ninguém, fica-se à espera que se vá o mau tempo.

    Já tive uma pessoa doente, armei-me em católica e a pessoa morreu. às tantas devia ter investido em procurar mais médicos ou tratamentos.

  5. Ser ateu significa não poder festejar a família? Eu não sou ateia (?) nem sei se sou católica (nem me interessa saber). No Natal, desculpem-me os católicos, não me lembro de Deus, não festejo o seu nascimento, não lembro a sua vida… Reúno-me com a família, num ambiente de amor, paz e união que, não obstante existir todo o ano, não tem bem o mesmo peso. No dia de Natal, comemos umas coisinhas bem bons, cometemos erros alimentares que não se repetem mais até ao Natal seguinte, oferecemos mimos a algumas (muito poucas, é crise!) pessoas que amamos, para os alegrar e fazer sentir aquele dia com um diferente dos outros. À nossa volta, na família e fora dela, as pessoas estão mais alegres, sorridentes, bem dispostas, solidárias… Este ambiente é o meu espírito Natalício. Se Ele existiu, obrigadinha pelo que de bom tenho. Se não, sou capaz de continuar a ser feliz, exactamente do mesmo modo, sem tirar nem pôr.

    Agora, sinto dizer que Deus muito trazido à baila nesse dia. Se a minha família estiver errada nos passos que segue, Deus, que não pode ser vingativo, lá nos perdoará 🙂

  6. Nada do que mencionou é palpável. Mas não é invisível. Não vejo a “electricidade” mas vejo a luz. Não se abrem crânios para visualizar a inteligência, mas as pessoas demonstram-na ou não nos seus actos, na forma como falam, ideias que expressa, etc. Quanto ao paladar e ao tempo, pois já disse tudo: não vemos mas sentimos de diferentes modos – quando colocamos os alimentos na boca e quando vemos a noite cair e o dia a nascer, por exemplo.

    Quando à origem, diz que se chama Big Bang. Um conjunto acções químicas e físicas.

  7. AHAHAHAH “ser ateu ficou na moda”, adoro 🙂 Como se ter fé ou não fosse uma questão de modas…quanto ao socorro, bem, aí é que está, parece-me extremamente vazio acreditar em deus apenas para nos socorrermos dele quando as coisas correm mal ou em situações desesperadas! Pessoas como eu, ateias, também têm problemas na vida, também lhes morrem parentes, também existem doenças à sua volta…só não precisam de acreditar em nada de transcendente para se confortarem, olhe apoiamo-nos uns nos outros, na família, nos amigos, e sobretudo na nossa força interior.

  8. um pequena sugestão,porque o seu comentario me parece genuino A.Rita : procure na historia(ciencia) os textos gregos onde pode ler todos – ou quase, textos que encontra na biblia ,escrito 1500 anos antes.
    A crença é importante para si e deve ser respeitada, mas a sabedoria humana não nasceu com os escritos que lhe mostraram, já existia antes e vai existir depois. O conhecimento sério não lhe vai beliscar a sua fé nem faze-la decrescer. Usa-la mal é que danifica a sua mente.

  9. Olá arrumadinho, é a primeira vez que vejo o teu blog e realmente… é arrumadito-fixe!! Em relação às igrejas e às tradições, confesso que também sou muito virada para a família e para as coisas que gosto de fazer, sem ter de dar satisfações aos outros. Para mim, o natal é pôr o Sapatinho, é reunir com a família, é os cheiros a rabanadas e a bacalhau!! Quanto a casar pela igreja, não há dúvida, é uma cerimónia mais bonita e há que fazer a vontade à Pipoca, pois ela merece!! 😉
    Beijinhos,
    Sapatinho

  10. Tudo o que seja celebrar coisas boas parece-me bem!
    E é, creio, esse o espírito do Natal. Que geralmente começa muito bem, a esperança, a antecipação, as luzes, mas que depois descamba na fúria das prendas, na importância da ceia que se sobrepõe ao tempo de partilha, à paz , à lembrança dos ausentes, à quase obrigação de se ser solidário como se não o fossemos durante todo o resto do ano, ou nos inúmeros conflitos familiares que são revividos ou relembrados … Creio que há um “branqueamento” do Natal.
    Por isso é uma lufada de ar fresco celebrar o nascimento de Alguém que morreu por nós e assim moldou toda a nossa maneira de ver o mundo – mesmo que seja na data errada 🙂
    Abre-letras

  11. Não sou baptizada, não acredito na igreja, não ligo nenhuma a religiões mas tenho a minha fé. Não me importo de casar pela igreja se o meu futuro marido fizer muita questão, mas não é algo que faça parte dos meus planos. Cada um é livre de sentir o que quiser e acho que isso é o mais importante: ainda termos o poder de escolher naquilo em que acreditamos. *Rita
    http://naomeinritem.blogspot.pt/

  12. Olá, casei-me em situação semelhante e nem sequer sou baptizado. Os dois padres que falámos não se opuseram à situação, mas tivemos de fazer um pedido “especial” ao Bispo de Setúbal para poder autorizar a cerimonia. Correu tudo sem qualquer problema. Revejo-me integralmente na posição do Ricardo. Um abraço.

  13. Pela1ºvez a ler achei interessante a posição sobre a tolerancia religiosa(poque coincide coma minha). Agora mais para os co-comentadores digo que a arrogancia é a caracteristica que mais prejudica o próprio. A dificuldade em escutar o próximo e tentar perceber faz com que as crenças religiosas fanaticas originem muito mais violencia do que os iniciadores dessas seitas pretendiam, e se tornem por vezes foco de injustiça: que dizer da violencia contra os coptas no Egipto, contra muçulmanos na India, as lutas religiosas em Africa ou a descriminação contra muitos/as nas arabias em que nem guiar podem? Pensem nisso sem partirem do principio que são donos de verdade alguma(nem do natal) e que a v. religiao é sem dúvida a unica e melhor mas só para vós proprios,para o vizinho será outra a verdade= daí o crime que se pratica em muita parte do mundo de forçar crianças inocentes a seguirem praticas e religião para que não estão preparados para entender ou decidir. Ensinem-lhes a cultura geral das religioes e deixem que sejam elas a optar como em tudo o resto da vida e verão que terão adultos mais solidarios.

  14. A menina pode ser o que muito bem entender. É livre de escolher em quê e em quem é que acredita. Agora festejar algo em que não acredita, não é muito coerente.

    A sua filosofia de vida é consistente com a sua idade, logo é desculpável. Agora acha que tem o mundo nas mãos e que é dona da verdade. Daqui a uns anos vai perceber que não é assim. Mas só a vida a vai ensinar.
    Não tem a ver com o século em que estamos, tem a ver com coerência
    Tenha um bom 2014

    Ana

  15. Falta, às vezes, um pouco de informação às pessoas. O Natal cristão, como é conhecido, é como algumas outras datas estabelecidas pela Igreja Católica – uma apropriação de celebrações pagãs ou judaicas, como no caso da Páscoa. É simples – para concorrer com outras religiões, a Igreja enfiou esses feriados colados às celebrações pagãs, como no caso do Dia de Finados – o famoso Halloween, a 31 de Outubro -, ou o tão festejado Natal, que nos países do norte da Europa coincide com as celebrações do Solstício de Inverno, ou da Saturnália. É uma época de acender as luzes devido à chegada do inverno, celebrar as colheitas, etc, etc.
    “Saturnalia was an ancient Roman festival in honor of the deity Saturn, held on December 17 of the Julian calendar and later expanded with festivities through December 23. The holiday was celebrated with a sacrifice at the Temple of Saturn, in the Roman Forum, and a public banquet, followed by private gift-giving, continual partying, and a carnival atmosphere that overturned Roman social norms: gambling was permitted, and masters provided table service for their slaves.[1] The poet Catullus called it “the best of days.”[2]”.
    Aliás, para quem gosta de estudar um pouco sobre o assunto, convém investigar e ver que é muito pouco provável que JC tenha nascido por volta dessa época. A data foi escolhida por questões de concorrência com outros credos.
    Portanto, partindo do conhecimento desses fatos, todos, cristãos e pagãos (ou ateus neste caso) têm direito a celebrar. É o final do ano e é, apenas por isso, já é aceitável qualquer tipo de celebração ou reunião familiar.
    Um abraço e Feliz 2014.

  16. Fé é acreditar sem provas, certo? Pois todas as provas da ciência vão contra a bíblia, que é a única prova que o Deus Judeu nos criou… Só para não falar das “provas” dos outros livros sagrados, das outras religiões, que vão umas contra as outras….

    Posto isto, é preciso mais fé para ser ateu ou para ser religioso?

    E sim, a Bíblia surpreende. Pelas quantidade de contradições, incoerências, barbaridades, sexismo, homicídios, etc. Surpreende tanto que, depois de a ler, é impossível acreditar que saiu de Deus!!

  17. Sofia, na verdade, e se se informar convenientemente, há muito pouco de católico/cristão no Natal. As celebrações nesta altura do ano já vêm do paganismo, quando se festejava o solstício de inverno. O nascimento de Jesus, segundo as escrituras, ocorreu algures por outubro, mas foi “empurrado” posteriormente para coincidir com a grande celebração do solstício. O pinheiro de natal, por exemplo, é um vestígio de um acto profundamente pagão. Nada tem a ver com Jesus…

    Se não quiser aceitar que o natal é uma festa prévia ao cristianismo, isso é consigo e com a sua fé. Mas há quem aceite, e há quem a veja assim. Uma festa muito antiga que o vaticano decidiu “rebaptizar” de forma a dar-lhe um cariz religioso. Aliás, o vaticano rebaptizou imensas coisas ao longo dos tempos, inclusive transformou templos pagãos em igrejas…

    No entanto, mesmo que assim não fosse, porque é que um ateu não pode festejar uma festa cristã, se os cristãos festejam datas pagãs/ateias? Ou não festejam o Halloween, o Carnaval? No colégio de freiras onde andei, essas celebrações eram proibidas, precisamente por serem… pagãs. Deixem-se de hipocrisias, por favor.

  18. Ai filho! Às vezes escreves coisas giras, mas volta e meia és tão cinzentão! Caga no q as pessoas pensam do q tu dizes! E não faças mais posts destes que sãooo chatoooos…. E um post de looks para ano novo para rapazes? Festa em casa, discoteca, festa chique, etc? Isso era mais giro e útil. Bom ano!

  19. Para si é visível a electricidade? Conhece-lhe a figura, a forma, a cor ou o peso?
    Mas acredita nela porque lhe é útil.
    Para si é visível a inteligência? sabe que provém do cérebro e isso é visível, se abrir um crânio, mas a inteligência que ela debita, é visível?
    Para si é visível o paladar? Mas sente-o e distingue os sabores.
    Para sí é visível o tempo? Mas sabe que existe de cada vez que se mira ao espelho.
    Eos restantes sentidos, e a eternidade, e o princípio, e o infinito, qual o artífice que formou isto tudo e onde foi buscar o material.
    Para si nada é visível, mas a menina existe.

  20. Há 12 anos atrás procurei, procurei e nenhum nos casou nessa condição.Obrigavam sempre o meu marido a batizar-se pela Igreja catolica. Algo que estava fora de questão, claro. Realmente dá que pensar como entre 20 padres não houve um que nos casasse…talvez seja por eu ser bisneta de dois padres? 😀

  21. Eu casei pelo civil porque o meu marido não é católico e uma vez que não acredita nas crenças católicas, só nas cristãs achei que não deveria obriga-lo a batizar-se por causa do casamento 🙂 E muito menos assumir perante uma religião especifica algo que respeitamos tanto com a Fé. De qualquer modo ha coisa de 2 anos e meio tivemos a nossa propria cerimonia religiosa, uma cerimonia cristã que conseguiu reunir a nossa crença comum, que é Deus.

    Quanto a batismos, como não concordo com a igreja catolica nunca batizaria um filho meu nessa religião (apesar de me terem batizado)…nem em religião nenhuma porque não acho que haja alguma que eu queira para um filho meu.Um dia se ele quiser toma essa decisão.Claro que se ambos concordássemos com a religão católica baptizariamos, independentemente de ele um dia mais tarde querer mudar ou não:) apenas achamos que não é o melhor para ele do mesmo modo que vocês acharam que é o melhor para o Mateus 🙂

    É diferente ser Cristão de ser católico…nós apresentamo-nos a Deus na nossa cerimonia religiosa, e se um dia tivermos um filho faremos a nossa propria cerimonia de apresentação a Deus…apenas não o faremos com base em algo que não acreditamos e muito menos tendo em conta que o meu marido foi educado com base noutra religião 🙂

    Mas….respeito o vosso ponto de vista!Nem sei porque sentis-te necessidade de o explicar…se achas que foi o melhor para vocês está explicado por si mesmo 😉

  22. Informações sobre casamento com disparidade de culto e misto:

    Quando só um dos noivos é católico: Casamentos mistos e com disparidade de cultos

    O matrimónio misto é aquele que é celebrado entre um católico e um baptizado não católico, ou seja, baptizado noutra Igreja cristã.

    Embora os matrimónios mistos devam merecer uma atenção, a diferença de confissão religiosa não impede o matrimónio.

    Para o matrimónio misto é necessária permissão expressa da autoridade eclesiástica.

    O casamento com disparidade de culto é o celebrado entre um católico e um não baptizado.
    Quando haja disparidade de culto, é necessária uma dispensa expressa do impedimento, dada pela autoridade eclesiástica, para que o matrimónio católico seja válido.

    Em ambos os casos os noivos devem conhecer e não rejeitar os fins e as propriedades essenciais do matrimónio e as obrigações contraídas pelo que é católico, relativamente ao Baptismo e educação dos filhos na Igreja Católica.

  23. Eu também sou ateia e casei em disparidade de culto pela igreja, com um católico, por ele e sobretudo pela família dele, que fazia muito gosto nisso. Para mim era absolutamente indiferente casar pela igreja e pelo civil, apenas queria casar com o melhor marido do mundo 🙂 e pensei “para quê começar um casamento com um conflito quando a mim não me faz diferença nenhuma?”. Apenas não estava disposta a baptizar-me para o efeito, pois isso implicaria uma mentira, estar a afirmar-me crente em algo em que, de facto, não acredito. Então descobrimos a hipótese do casamento em disparidade de culto, que vem prevista nos cânones da igreja e não há qualquer necessidade de encontrar um “padre muito à frente” para o efeito, a regra existe e basta preencher lá um pequeno questionário, pedir autorização ao bispo e está feito. Quanto aos filhos, já acordámos que não iremos baptizar, isso porque me faz muita confusão estar a alistar um bebé que não tem escolha como fiel numa religião que não sei se virá a ser a dele. No futuro, quando tiverem idade para tal, decidirão se querem ou não ser baptizados. Afinal, Jesus e os apóstolos também foram baptizados em adultos, ou não? Como estamos os dois de acordo quanto a isso, não há espiga. Já quanto ao Natal, nem é preciso dizer que é muito mais que uma celebração religiosa, é, como disseram o Arrumadinho e grande parte dos comentadores, uma festa familiar e tradicional, profundamente enraizada na nossa cultura. Eu vibro com o Natal, com as luzes, com as canções, com a árvore, com os preparativos, refeições e até com…o presépio! Pois é, sou uma ateia que até presépio faz, porque sempre fiz em casa dos meus pais e avós e preparar as figurinhas é para mim, mais que tudo uma tradição familiar, que traz memórias muito queridas e que pretendo passar aos meus filhos. Afinal, não haverá mal em celebrar o nascimento de um homem bom, que pregou e praticou valores de amor, ainda que o facto de ser um messias e, literalmente, filho de deus, seja controverso! 😉 Esta malta muito fervorosa que vem toda zangada acusar os ateus e agnósticos de apenas celebrarem o Natal por causa das prendas (que são, como toda a gente sabe, obra do demo), só me fazem lembrar a irmã Zuleide do facebook, se não conhecem vão ver, é genial 😉

  24. é bonito ver um ateu a comemorar o Natal no seu verdadeiro espírito, compaixão, amor, paz… é esquisito ver católic@s cheios de veneno perante este tal ateu…

  25. “Um Cristão não julga, não aponta o dedo, porque ” Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra” (Jo 8,7)

    Sabe, cara amiga? Infelizmente boa parte das pessoas que eu conheci e que se dizem católicas praticantes (foram catequistas, dirigiram grupos corais, iam á missa…) foram pessoas que não hesitaram em apontar o dedo, em julgar, em criticar – por vezes, até de forma bastante maldosa. E quem os ouvir, ficará a pensar que são grandes pessoas. Por isso é que sinceramente não acredito na forma como esta Igreja (a Católica) está montada, que precisa francamente de um limpeza de balneário.

    “Um Cristão é sinal através das suas acções, modo de vida, reza pela conversão do próximo e não discrimina nem julga.”

    Bem que precisamos de Cristãos como estes. Mas 90% (e também contra mim falo!) não são pessoas como as que descreve. Leia o que escrevi acima.

    “Há muito boa gente por esse mundo a fora que se julgam tão pios e santos e são mil vezes piores do que… Ai, boca fecha-te!”
    Pois. Se fossemos a dissecar as vidas de cada um, haveríamos de ficar surpreendidos com muitos factos que nos escapam. 🙂

  26. Esqueço-me sempre que os religiosos não oferecem nem recebem presentes no dia do suposto nascimento de jesus, não fazem árvore nem fazem comes e bebes, mas sim toda uma adoração ao presépio e uma ida em massa à missa do galo. Realmente que hipócritas que são os ateus como eu. Shame on them.

  27. Bué da cool é aquelas pessoas cristãs que não cumprem «ama o próximo» ou então aquelas pessoas que celebram o Natal de uma pessoa que nasceu lá para Março, como o Jesus. Portanto no Natal celebra-se um ajustamento cristão ao Solestício de Inverno pagão…
    Bué da cool esta ironia xD

  28. Eu sou católica, praticante e daquelas que vai à Eucaristia ao Domingo, comunga,confessa-se uma vez por mês e faço parte do Caminho Neocatecumenal que é talvez dos mais exigentes Caminhos de Fé adulta de um Cristão.
    Ah, não me escondo sob a capa do anonimato!
    Sinceramente? Existem certas coisas que não concordo tal como a Sofia do uso da Igreja para festas das quais as pessoas não compreendem de todo as raízes ou o significado das mesmas.
    E então? Eu tenho a minha opinião e as minhas convicções cristãs e não é por isso que vou virar Torquemada e linchar todos aqueles que não estão de acordo com aquilo que eu acredito.
    Trabalho com Muçulmanos, Cristãos, Ateus, Agnósticos e aquela coisa que as pessoas dizem que são “Católicos não praticantes” que não se percebe se é carne ou peixe… E então?
    Um Cristão não julga, não aponta o dedo, porque ” Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra” (Jo 8,7)”
    Um Cristão é sinal através das suas acções, modo de vida, reza pela conversão do próximo e não discrimina nem julga.
    Portanto se a Ana e o Ricardo decidiram baptizar o Mateus pela Igreja Católica, qual é o vosso problema?
    Há muito boa gente por esse mundo a fora que se julgam tão pios e santos e são mil vezes piores do que… Ai, boca fecha-te!

    E já que estamos a falar do pequeno e lindo Mateus…

    Mateus 7,3 “Por que vês tu, pois, o cisco no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho?”

    Vivam e deixem os outros viver!

    PS: Arrumadinho, desculpa lá a catequese!

  29. Por acaso, quem me tem estragada os Natais desde há uns 10 anos tem sido sempre 1 católica…
    O Natal é 1 festa de família. Eu sou católica porque os meus pais me baptizaram (ainda que tenham casado pelo civil) e tenho fé em Deus, mas não acredito em criacionismo, na proibição de contracepção, e noutras coisas defendidas pela Igreja. Na minha família nunca se foi à missa do Galo, apenas nos reunimos numa festa de família, sempre de porta aberta para qualquer amigo que queira entrar.
    O mesmo se passa em muitas famílias ditas “crentes”, pelo que o significado religioso do Natal não se perde por os ateus o celebrarem.
    Quanto ao consumismo, quer-me fazer acreditar que os cristãos são todos santinhos, que não compram prendas, não ligam à moda, não se preocupam com a “galinha da vizinha”…?

  30. Não é preciso encontrar um padre “muito à frente” para se poder casar pela igreja em disparidade de cultos. A própria igreja prevê essa possibilidade.

  31. O Natal neste momento até pode ser uma festa religiosa, mas antes era uma festa pagã para celebrar o solestício de Inverno. Aliás está mais que provado que o menino Jesus não nasceu nesta altura. Eu sou ateia, embora os meus pais me tenham baptizado. Aliás a minha mãe está na mesma situação que o Arrumadinho. Casou pela igreja por causa do meu pai e eu e o meu irmão somos baptizados por causa dos meus avós paternos (se n fossemos caia o Carmo e a Trindade).

  32. Deus não é religião.

    Acredito em Deus, leio a bíblia, detesto religião.

    Arrumadinho: eu penso que é preciso ter muito mais fé para acreditar que não existe nada, do que pensar que existe um Deus que tudo criou e nos ama de tal modo que nos deu Jesus para morrer na cruz por nós. Por isso celebramos o Natal e a Páscoa. Isto são marcos no calendário mesmo passados tantos anos!

    Arrumadinho sugiro que leias a bíblia com a tua excelente capacidade critica habitual, e certamente irás surpreender-te!!

    Mesmo com estas diferenças entre nós gosto muito de te ler:)

  33. “o conceito verdadeiro do Natal”? Aquela celebração da Igreja católica que só começou a existir para se poder sobrepor a celebrações pagãs? Ou aquela celebração do nascimento do menino Jesus que nem devia ser celebração porque afinal o suposto nascimento nem foi em Dezembro?

  34. Cara Sofia. Quer à força acreditar que eu casei na igreja porque é chique ou cool, e que baptizei o meu filho por causa da festa ou dos comes e bebes. Acredite no que quiser. As minhas razões estão explicadas, e o tradicional argumento do “não fale do que não sabe”, que usa aqui, parece-me apenas risível. Se calhar deveria ser eu a dizer-lhe “não fale do que não sabe”. Mas não me apetece. Afinal, é uma época de paz.

  35. Caro Arrumadinho, quer queira quer não, o Natal é uma época unicamente religiosa, mas…. os ateus/agnósticos, decidiram recriar o natal, e então dar-lhe sentido comercial, festa, comes e bebes…., prendas, tudo bué da cool e bué da nice tá a ver…. nem se lembram do seu significado, e o pior é que os filhos também tendem a perder o conceito verdadeiro do Natal, tá a ver aqueles miúdos que não sabem de onde vêm os ovos? ou que pensam que os frangos nascem no supermercado? é igual.
    2- é verdade que é ateu, mas também é verdade que é casado com uma católica, então acabou por casar na igreja, sobrepondo-se o cristianismo ao seu ateísmo…
    3- deve saber o que é o baptismo, se é casado com uma católica, como vai encaminhar o seu filho na vida cristã, que é o compromisso que AMBOS OS PAIS assumem no baptismo, se é Ateu??? ou fez algum requerimento especial ao patriarcado, para se imiscuir do compromisso?

    isto é só para o fazer ver, já que veio a publico justificar-se, que apesar de se julgar sempre conhecedor e dono da razão, por vezes não a têm, e muita gente serve-se da igreja, porque é chique casar na igreja e vestido de noiva, a festa também é gira e tal, como acontece nos batizados, é giro batizar o miúdo e tal, resumo: festa, trapos e comes e bebes…

    nada contra Ateus/Agnósticos- não se venham é servir da igreja, para festas, e para satisfazer caprichos pessoais.

  36. Sou uma leitora assídua deste blog, mas raramente comento. No entanto, quando vejo estes posts de esclarecimento a comentários maldosos, só tenho vontade de gritar e não me consigo conter de dar a minha opinião!
    Assim sendo, o meu comentário vai mais para eles do que para o autor do blog …
    Oh gentinha mais invejosa com a vida dos outros!!! Se não têm vida, façam por ter. Se não são pessoas de sucesso, façam por isso. Deixem de serem pequeninos de espírito, caramba!

  37. Fiquei com a mesma dúvida. Acho excelente e uma forma óptima de aproximar pessoas e de acabar com barreiras totalmente ridículas!
    Mas cheira-me que vocês encontraram um padre muito à frente…Que nem todos teremos a mesma sorte…

    Bom 2014 a todos e um beijinho ao fofo do seu Mateus!***

  38. Barba e Cabelo também casei com disparidade de cultos, é necessário pedir uma autorização ao bispo, responder a algumas questões como por ex se já se casou por outra religião entre outras coisas e aguarda-se pela autorização.

  39. Sou Ateu e casei pela Igreja pq não me afecta minimamente tal acto mas encheu de alegria a minha mãe.

    Não sou pai mas se for faço questão de não baptizar o meu filho. Aí sim acho que não faz qqr sentido pq é algo estritamente religioso e se ele/ela, quando for crescido/a quiser, que se baptize (com pena minha).

    O Natal é uma festa de familia, tradicional…não tem a ver só com religião.

  40. Olá Ricardo
    Gosto de ler o seu blog apesar de gostar mais de ler a Pipoca… 🙂 pronto já disse 🙂 A razão do meu comentário é a seguinte: não percebo a necessidade de se justificar perante os seus leitores quanto à sua opção religiosa, como bem disse é um assunto demasiado íntimo para trazer a uma esfera tão pública. Já nos faz o favor de escrever (bem) sobre diversos assuntos a quem o quiser ler, de borla e livremente. Quer o Ricardo quer a Ana têm o direito de serem simplesmente pessoas… como a “maior” parte de quem os lê! Feliz Ano e tudo de bom para si e para a sua família.

  41. Tenho que confessar que esse texto que escreveste há mais de 2 anos, foi dos que mais gostei de ler e, em conversas sobre este assunto recorro muitas vezes ao vosso exemplo!! Acho que foi uma resolução perfeita e mostra que a Igreja também sabe ser sensível e à actualidade e adaptar-se aos diferentes contextos…

    http://thatsthe-way.blogspot.pt

  42. Voltemos lá aquilo do casamento religioso em disparidade de cultos. Nunca tinha ouvido falar disso. Qualquer padre realiza a cerimónia ou só se tivermos a sorte de encontrar um que esteja pelos ajustes?

  43. O Arrumadinho ao mais alto nível que nos habituou. Parabéns, excelente post. Esclarecedor para quem tem macaquinhos no sotão. Parabéns.

  44. É engraçado as coisas que as pessoas acham que os ateus não podem fazer. Não temos religião, e daí? Não posso celebrar o Natal? E outras dezenas de coisas que vocês, crentes, acham que não podemos fazer.
    Tenho apenas 17 anos, sou baptizada e simplesmente sou ateia, vão-me proibir e julgar por fazer coisas que só os ditos “crentes” as podem fazer? Vamos lá minha gente, estamos em que século? II?
    Mentes abertas, somos pessoas iguais a vocês, apenas não acreditamos em algo ‘invisível’.
    Sejam felizes e deixem-se de discriminação, a época da intolerância religiosa já lá vai.

    Inês Martinho.

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