Seguro, eleições e “a rua”

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Se Portugal for para eleições, e acredito que irá, temo o pior. E por todas as razões. Pela imediata – a mensagem política e social que isso envia aos mercados e à Europa, a de que não fomos capazes de levar um projecto até ao fim, que levará, inevitavelmente, a que as taxas de juro disparem, o que nos deixará ainda mais endividados e sem possibilidades de financiar a Economia; Pela óbvia – ter António José Seguro como primeiro-ministro é um dos maiores desastres políticos da nossa história pós-25 de Abril, um cenário absolutamente assustador.

Seguro é um político fraco, um homem básico, pouco inteligente, sem ideias, sem carisma, sem mundo, sem percurso profissional, sem capacidade de liderança, sem capacidade de comunicação, nada. Não lhe reconheço uma única qualidade política. E sempre o disse. Há uns meses, quando António Costa esteve quase a avançar para a liderança do PS, desejei muito que isso acontecesse, porque sabia que este dia iria chegar, o dia em que Seguro poderia, efectivamente, chegar a primeiro-ministro. Senti mais ou menos a mesma coisa quando, há uns anos, um qualquer jornal disse que o José Romão (o pior treinador do mundo) poderia treinar o Benfica.

Não vale a pena entrar, sequer, em comparação com Passos Coelho. Podem ter tido percursos políticos idênticos, mas Passos é muito mais político, muito mais inteligente, esperto, tem muito mais capacidades de liderança, de comunicação, tem muito mais carisma, presença, tem uma postura íntegra, séria e pouco demagoga que Seguro não tem. De uma coisa estou certo: nenhum político gosta de tomar medidas impopulares, nenhum primeiro-ministro gosta de cortar direitos, de baixar salários, de aumentar impostos, porque isso não dá votos, não traz popularidade, desgasta os governos, e se Passos o fez foi porque entendeu que só assim se conseguiria salvar o País. Não quis ser populista, não quis governar para ser reeleito. Cometeu muitos erros, deu muitos tiros ao lado, teve apostas erradas, mas isso é normal, acontece com todos os governos e governantes (alguém se lembra de um governo que tenha sido elogiado pela oposição? eu não). Mas Passos tentou, dentro das suas ideias, salvar o País do estado em que estávamos, tentou tirar-nos do fundo do poço para onde todos os outros governos nos levaram (inclusive os do PSD). Agora, parece-me extremamente injusto que lhe retirem o tapete ao fim de dois anos, quando o trabalho está a meio, quando o projecto não está concluído. É mais ou menos a mesma coisa que encomendarmos uma casa a um empreiteiro, darmos-lhe dois anos para a construir e ao fim de um ano despedimo-lo porque não concluiu o seu trabalho e a casa parece apenas um monte de tijolos e cimento. É normal. Até que as coisas ganhem forma, até que os projectos se finalizem, não devemos tirar conclusões. Podemos pressionar num ou noutro sentido, podemos dizer que não estamos a gostar disto ou daquilo, podemos ir traçando novas metas, mas o grande julgamento só deve ser feito no final. Era isso que eu contava fazer com este governo: dizer de minha justiça nas urnas, é isso que é a democracia.

As eleições existem de quatro em quatro anos, e não de dois em dois, precisamente porque é preciso estabilidade para governar, é preciso tempo para implementar medidas, as coisas não acontecem de um dia para o outro.

Não acredito em julgamentos de rua, nem que quem deva mandar no País seja a rua. A rua elege os seus representantes e delega neles essa função. Pereira Coutinho dizia há dias numa crónica qualquer coisa como “felizmente não é a rua que Governa”, e dizia muito bem, porque “a rua” é irracional, é populista, é emotiva, está cheia de gente medíocre e interessada, não tem visão estratégica. “A rua” acha que se deve fazer justiça pelas próprias mãos, acha que um violador deve ser morto à pedrada, que um gajo que deixa um carro em segunda fila deve levar nas trombas e que o malandro que roubou um telemóvel deve ser esfolado vivo. Mas isso não é um Estado de direito nem uma democracia, não é um país civilizado e com instituições próprias para julgar e governar. Pereira Coutinho escrevia isto a propósito daqueles 200 senhores que resolveram ir conquistar a ponte 25 de Abril no dia da greve geral gritando “a ponte é nossa”. Não é. Como dizia, e bem, o Pereira Coutinho, a ponte é das 200 mil pessoas que a usam todos os dias para irem trabalhar e para voltarem para casa, não é das 200 que entenderam que ser livre é poder transgredir a lei e, num acto insano, impedir que as pessoas que usam a ponte possam voltar às suas casas, só porque eles entenderam que são donos da ponte.

Desde que este Governo tomou posse só participei em uma manifestação, na única que sabia ser civil, naquela que juntou os portugueses, e não os sindicatos, que juntou trabalhadores do sector público e privado, a manifestação contra a TSU. Ali, sim, estava a rua, e a rua, nesse dia, fez-se ouvir, e essa rua, sim, tem de ser ouvida, e foi-o. A medida não avançou. Eu não confundo “a rua” com manifestações políticas organizadas pelas centrais sindicais orquestradas pelos partidos de esquerda. Para mim, isso não é “a rua”, não é povo, não são “os trabalhadores”, como o PCP gosta de lhes chamar. Esses, o tal povo, tem a maior arma de todas na mão, e essa arma não são as pedras para atirar aos polícias, não são as palavras de ordem como “está na hora, está na hora de o Governo se ir embora” ou “o povo unido jamais será vencido”, que ouço há 20 anos, a arma é o voto, porque o voto é a arma de quem vive em democracia. Infelizmente, teremos de a usar com o jogo a meio, com o jogo de pantanas, e seremos obrigados a escolher entre peões sem força promovendo-os a reis do xadrez. E é uma pena.

62 Comentários

  1. Sabemos muito bem pelo historial do nosso país quem, muito provavelmente, irá ganhar as próximas eleições, sejam elas antecipadas ou não. Infelizmente, nisso concordo totalmente consigo, pois não acho o Seguro minimamente capaz de liderar o país. Mas o que acho mais terrível e roça o anti-democrático, é que maioria das pessoas que emitem opiniões de café e se queixam não votem. Ou que não se deiam ao trabalho de ler, de se informarem realmente acerca dos programas de cada partido, e fazerem uma escolha em consciência. Não. Aqui impera o célebre "ou é boi ou vaca". PSD,PS,PSD,PS. Mesmo que tenham sido estes os responsáveis pelo estado a que chegamos. Que estejam, muitos dos seus integrantes, como se vê claramente, lá à procura de atingir interesses próprios que muitas vezes até lesam o país. Ah, e, para mim, só se poderá dizer que "são todos iguais" quando TODOS tiverem tido oportunidade de formar governo, ou de ter poder. Até aí, são discursos vãos e demagógicos.

    Cumprimentos.

    Rita

  2. O que eu gostaria de ver respondido era: Aqueles que querem eleições antecipadas querem ver quem no poleiro?? É que de todas as opções, ter lá o Coelho ainda me parece a menos pior…

  3. Lá se foi a teoria da conspiração!!!!! Afinal, o governo não caiu, não vamos a eleições e o Portas não precisou de conspirar numa reunião secreta para conseguir novo acordo de coligação!

  4. Lendo o segundo parágrafo, achei que estavas a falar do passos coelho! Todos os adjectivos lhe acentam como uma luva e…espera…ele ainda é primeiro ministro, não é? Belas ideias as tuas…nem parece que és de Setúbal.

  5. Acho que ir a eleições agora é o pior que pode acontecer. Só num dia (um dia!) de demissão perderam-se milhões de euros para o país, depois de tanta austeridade para recuperar da dívida, dos elogios da Europa ao comparar-nos com os outros países, e depois de começar a efectiva recuperação. Pena estarem todas as pessoas felizes com os problemas dos outros, não sabendo ainda que se vão tornar os seus… Parabéns pelo texto 🙂

  6. E eu que pensava que o seu blog era livre! afinal é uma ditadura!! O meu comentário que não publicou incomodou assim tanto?? Que desilusão…

  7. Ricardo
    Eu gostava de saber onde está esse Passos Coelho integro, inteligente…
    Será que também lhe pagam para fazer campanha a favor do Passos Coelho?
    Fala assim porque não sabe o que é passar dificuldades. tem comida na mesa todos os dias, tem um tecto. Porque se a sua situação mudar, o seu discurso também muda!! ai muda, muda, isso é garantido!

  8. Ao Povo é que foi tirado o tapete. Não só o tapete, mas o chão, a casa, a mesa e a comida (em tantos anos de voluntariado, nunca distribuí tantas sopas e pão a crianças, a famílias inteiras, em plena rua). E agora os coitadinhos dos Governantes é que são uns mártires porque estão a fazer o que não querem.
    Vá lá, este Governo é que pediu para ir para lá, é que exigiu eleições antecipadas, é que prometeu ao mesmo Povo melhores medidas! Se, afinal, são incompetentes dêem lugar à força do Povo: pelo voto.

  9. Como é que defendem este governo e mostram-se contra eleições antecipadas se o próprio Gaspar foi-se embora precisamente porque nada do que eles fizeram resultou? Ou seja, dois anos perdidos por INCOMPETÊNCIA! Quando toda a gente dizia que só com austeridade não ia dar em nada. Qualquer pessoa que não perceba de economia via que isto não ía resultar. Mas eles continuavam a bater com os cornos na parede! Por isso porquê esta preocupação de dar continuidade a este governo? O Portas e o Coelho já não se entendam, daqui pra frente vai ser só fachada! Com novo governo será pior porquê? PIOR QUE ISTO? É obra!

  10. Desculpa, mas o Passos Coelho pode ser uma pessoa educadíssima(e é), bom comunicador mas falta-lhe o principal: bagagem. Há dias ouvi o Dr. Medina a comentar na TVI e disse exatamente aquilo que penso: Coelho e Portas (principalmente Coelho)- para não falar do Relvas e muitos outros- são uns miúdos que nunca trabalharam a sério na vida, nem sabem o que isso é,tiraram cursos de vão de escada, e nunca deveriam ter chegado a governantes. Foram miúdos que fizeram vida nas Jotas e nada mais. Não têm qualquer experiência de vida(principalmente o Coelho), nem tiveram tempo para falhar, pois é com os erros que se aprende. E um país, no estado grave em que se encontrava, nunca poderia eleger gente desta para fazer face a momento tão difícil como este. Relativamente ao Seguro, pode não ter carisma nem um grande discurso, mas já está mais do que provado que os que têm discursos convincentes e apelativos, que demonstram inteligência, na hora H são os piores. Veja-se o Portas, cujo objetivo é apenas o poder. Por isso não julgo o Seguro, e também não o considero pior que o Coelho. Sou a favor de um governo de Salvação Nacional com figuras de renome e principalmente credíveis da nossa sociedade.

  11. Passos Coelho é muito pior que Seguro! e está podre, muito podre o seu (des)governo! É pena, realmente que a alternativa Seguro, mas deixar ficar o que está não é opção! SF

  12. Neste caso julgar no fim, julgo que o fim já chegou! Não querem é aceitar. Dar mais tempo para o que está mal continue a surtir efeito é como esperar que a peste não se alastre sem nenhuma medida tomar para a prevenir. Concordo com a cláudia. Hoje a ideia de eleições antecipadas ganhou novo alento, porque até ontem também não via quem poderia dirigir este barco e o que é mais importante: QUEM aceita fazê-lo? Porque existirão sempre os "chateados" por perder o poleiro que irão sempre minar quem tente fazer melhor. O fim já chegou.

  13. Também estava a sentir assim mas hoje ganhei novo alento na ideia de eleições antecipadas realizadas na altura das autárquicas. Isso elimina o factor desagradável que é a despesa. Quanto ao candidato ideal não o conheço e não sei porquê avançam já com um nome como sendo garantido! Ainda não existiram eleições, ninguém elegeu ninguém…

  14. Mas nao foi o que se fez ao Sócrates? Quanto à conclusão, é muito bonita, mas não me convence. Mais tempo é fútil. Já foi dado tempo. Todas as promessas durante as eleições não foram cumpridas. E durante o governo também não. Foram dadas mais oportunidades, tal era a VONTADE deste povo em ter um governo capaz de comandar o leme de Portugal. Não é. Nunca será. Facto assumidíssimo. Logo, não estão lá a fazer nada, quanto mais tempo fica só se prolonga a agonia do povo.

  15. Concordo em tudo com o 2ª parágrafo – foi o que quis explicar abaixo. E tb concordo com o 3º. O povo deixa-se "insuflar" demasiado rápido pelos manipuladores e é mais resistente a dar oportunidades aos que querem fazer alguma coisa sem recorrer tão descaradamente aos sorrisos amarelos. O «marketing» ainda vence o bom senso.

  16. Os 3 primeiros parágrafos deixaram-me a pensar se realmente entendes do assunto. Não é por nada – eu não entendo de política e o assumo mas estou a inteirar-me da situação. E bastou ler que "passos é muito mais político" para ficar aterrorizada. Não tinha experiência praticamente nenhuma e isso reflecte-se. Achar que se deve manter a situação como está para "não parecer mal exteriormente" e deixar a coisa apodrecer mais ainda, também não é atitude de gente sensata.

    A melhor solução não a conheço mas aprendi bem cedo que o que está mal tem de deixar de estar. Os que lá estão já tiveram tempo mais que suficiente para 2ªs, 3ªs, e até 10ªs novas oportunidades para mostrar o que valem. E têm mostrado: não valem.

  17. Concordo a 100% com o retrato do Seguro, considero no entanto que Passo Coelho é tão mau, incompetente e inesperiente quanto Seguro. Basta ver a maneira como reagiu à saída de Paulo Portas.
    Penso que a solução não passa por eleições antecipadas, mas sim pelo PR mostrar para que é que foi eleito, demitir o 1º ministro e obrigar o PSD a nomear um novo 1º ministro e o CDS a escolher um novo representante na coligação. Mantêm-se a coligação e (esperemos) colocamos lá duas pessoas que queiram trabalhar a sério e levar o país para a frente.

  18. Já percebi, o povo português é mais fascista que o governo.. Pelo que vejo aqui.
    Temos de aguentar e temos e temos. Por amor de deus, abram os olhos.
    E já agora, não são só medidas impopulares. São medidas que estão a deixar um povo arrasado, que já não vive. Só tenta sobreviver.
    Não consegue ver isso? É normal, a classe média alta e alta não foi afetada. Por isso acha que as medidas são só "impopulares" e que o povo está a fazer birra.
    Opá vá passar um dia ao hospital público para ver como a vida dos portugueses está, nem que seja numa área.

  19. Para variar, o povo português (ou a sua grande maioria) continua a acreditar que D. Sebastião vai chegar num dia de nevoeiro e salvar-nos de todos os males. Neste momento, esse D. Sebastião será qualquer pessoa que diga que não e preciso o estado ir-nos ao bolso para pagar as dividas que, como pais, contraímos durante décadas.
    Enfim, como povo parecemos não aprender com a historia e a experiência. Tenho pena. E tenho pena que a maioria dos portugueses não pense como o Ricardo. Eu concordo com tudo o que disse.

  20. Concordo com tudo o que escreveu. Aqui na terra houve quem lançasse foguetes (verdadeiros mesmo!) por isto que se está a passar. Não compreendo esta forma de manifestação, até parece que a queda deste governos nos vai levar directamente para o paraíso, como se por artes mágicas desaparecesse a dívida e os problemas do país!
    Vejo portugueses num grande júbilo pela iminência da queda do governo.
    É como estar contente de saltar duma panela para um super micro ondas de potência industrial!
    Só pode ser…sei lá! Burrice ?

  21. Eu sou uma estudante com 17 anos e interesso-me pela política! Como deve compreender não tenho ainda muita experiência para poder falar de alguns assuntos, mas sinto-me capaz de comentar este post!
    Não concordo com as características atribuídas a Pedro Passos Coelho! Não o vejo a ser político, não o vejo a ser inteligente/esperto (por diversas decisões que tomou entre as quais a escolha de Maria Luís para o Ministério das Finanças), não o vejo com capacidades de comunicação (se as tivesse, não teria maior parte do país contra si e explicaria de forma clara e direta o que pretende fazer com a nossa nação), não o vejo com capacidades de liderança (se as tivesse não deitaria a perder uma coligação tão útil para o PSD e CDS, mas sobretudo para Portugal), não o vejo também com carisma, mas sim com uma arrogância enorme em que não sabe ter a humildade de admitir que falhou em diversas ocasiões e de aceitar conselhos que lhe foram transmitidos!
    Não gosto de José Seguro, não o vejo com capacidades para assumir a liderança! Mas não percebo o porquê de só se falar em Seguro para substituir Passos Coelho! Não há mais partidos em Portugal? Eu só tenho visto PS e PSD a governar, desde o 25 de Abril, salvo erro! Não será um dos problemas do nosso país o PS ter um lugar “seguro” quando o PSD “ se porta mal”? E vice-versa?
    Penso também que a “rua” não são só os(as) senhores(as) que fala! Já vi famílias, jovens e idosos a participarem em manifestações além da que participou! Pessoas que muitas vezes se encontram num estado de desespero e querem ver um novo rumo para as suas vidas sem sair do seu país. Numa viagem que fiz a França, vi jovens da minha idade ou mais novos a pararem o trânsito como forma de protesto. Não tomaram as ruas como fossem deles e mostraram o que pretendiam e conseguiram! Não terá sido essa a intenção das pessoas que tiveram na ponte 25 de Abril?
    Para o próximo ano, eu vou poder exercer o meu poder de voto, mas estou com algum medo, pois não sinto confiança em nenhum líder partidário! E esse será outro grave problema no nosso Portugal! Não o meu medo como é claro, mas sim a falta de confiança que a população com direito a voto tem nos nossos lideres partidários!

    Com os melhores cumprimentos
    Patrícia

  22. Cara Cláudia,

    Quando SENTIR o que lhe vai cair em cima, aí sim, vai saber o que é medo.
    Acredite que espero, sinceramente, que nenhum português venha a sentir realmente esse MEDO.

  23. Concordo quando diz que Seguro não é uma alternativa credível, porque não o é, e eu sou simpatizante dos socialistas. Sempre tive esperança que António Costa se tornasse no novo líder do PS…infelizmente, isso não aconteceu.
    No entanto, não percebo toda essa "raiva", tantas vezes já expressa, que demonstra pelas centrais sindicais. Porquê?
    Apenas lhe deixo uma sugestão: não bata na mão que um dia ainda o pode ajudar a levantar-se.

  24. Bem sei que o Tozé não tem qualquer credibilidade, mas Comic Sans? É muita maldade xD Quanto ao texto (e aos restantes comentários), é reconfortante saber que ainda há tantas pessoas lúcidas.

  25. Achas mesmo que Passos Coelho é a integridade em pessoa? que todo o caos em que estamos é única e exclusivamente resultado de anteriores Governos e que este apenas está a emendar a porcaria feita por outros com a cara e a coragem de quem só se importa com o país?
    Ok, são opiniões… Não partilho da tua.
    Em relação ao Seguro concordo, falta de carisma, falta capacidade para estabelecer empatia, enfim… tudo.
    Agora e para mim o mais grave de que falas neste texto, quando dizes que "a rua" tentou invadir a ponte, "a rua" não tentou invadir a ponte. Fala quando conheceres inteiramente as questões, até porque como jornalista, acredito que de qualidade, deves ter acesso a mais de que um dos lados. O que aconteceu foi que os manifestantes foram conduzidos, pela própria força policial, que lhes foi abrindo caminho, até perto do acesso à ponte, sim houve quem gritasse "a ponte é nossa", não consegues mesmo imaginar de onde provieram esses gritos? posso dar-te uma pista, foram de pessoas que não foram identificadas, dá-te alguma ideia?! Pois é… Temos liberdade mas pouca. Por isso não me venham com discursos de ordem pública, de democracias e voto na urna, porque isso é pura demagogia.
    Andreia

  26. Ontem, já soube relativamente tarde da demissão de Portas. Assim que soube vim cá, ver o que o Ricardo teria a dizer. E voltei, porque de si espero sempre um comentário racional. O comentário que diz tudo aquilo que eu penso e que nunca leio em lado nenhum. É tudo isto que diz. As pessoas estão descontentes e falam com o coração, porque o povo tem memória curta. Não se lembram de que se chegámos onde chegámos, não foi por culpa de quem lá está agora, mas de quem por lá passou durante muitos anos. Passos está apenas a tentar resolver. Gostemos ou não das medidas, fá-lo com a integridade que há muito não via em nenhum político.
    E digo tudo isto apesar de não ter votado nele nem tencionar votar, digo-o apenas como mera observadora, não como fiel apoiante.

  27. Olá Ricardo!

    Subscrevo na integra o que diz. Só lamento que ainda existam pessoas que parece acreditar nas efabulações constantes e permanentes do PS e partidos ainda mais à esquerda. Lamento que em pleno século XXI existam portugueses que julgam só tere direitos e não deveres, pessoas que só olham para o seu umbigo, que não analisam as situações com sentido de responsabilidade e de cidadania. Talvez para esses seja oportuna a dura realidade que se aproxima e não vão certamente existir subssidios, nem tão pouco ordenados ao fim do mês…Talvez nessa altura percebam…
    Ana Paula

  28. Concordo com o Ricardo em quase tudo. Excepto no que diz respeito ao Pedro Passos Coelho. Não o acho integro nem com capacidades de comunicação e de liderança. Claramente não conhece o dono, morde a mão que lhe dá de comer e a situação com o Miguel Relvas mostra claramente isso. Acho que temos de escolher um mal menor, e neste caso o mal menor é certamente as coisas ficarem como estão com o governo que temos.

    Marta

  29. Sim, pq nessas manifestações eram só comunas que comem criancinhas ao pequeno almoço. Arrumadinho, francamente, em 2013 ainda esse discurso? Acreditas mesmo nisso?

    Sobre Seguro nada a dizer. Consegue ser pior do que Passos era quando era líder da oposição.

    Arrumadinho, se vires que o construtor está a pôr os alicerces mal, o piso torto e o telhado com imitação de telha que fazes? Esperas pelo final da obra para reclamares ou vais intervir enquanto é tempo para salvar a obra?

    Não é um problema de Portugal, é um problema do Mundo como se vê pelas notícias. Um problema criado pelos políticos, pelos tecnocratas de gravata e não pela "rua". A "rua" não tem culpa nenhuma…excepto de ter votado e se ter acomodado. Se calhar o que falta é a "rua" mandar um pouco mais. Se calhar as violações acabavam…

  30. " Não vale a pena entrar, sequer, em comparação com Passos Coelho. Podem ter tido percursos políticos idênticos, mas Passos é muito mais político, muito mais inteligente, esperto, tem muito mais capacidades de liderança, de comunicação, tem muito mais carisma, presença, tem uma postura íntegra, séria e pouco demagoga que Seguro não tem" – onde é que descobriu todas estas "bondades"?

  31. Para continuar com a sua metáfora – quando contratamos um empreiteiro e a casa não se vai parecendo com o que estava no projeto, responsabilizamo-lo, chamamo-lo à ordem e, se necessário, despedimo-lo; não o "pressionamos" e ficamos à espera de ficar com um mamarracho que nos custou os olhos da cara.

  32. É ridículo defender as eleições antecipadas? Porquê, exactamente? Estamos no bom caminho? A retoma económica era em 2012…Agora quer esperar para ver se será em 2014? Terminar o mandato até ao fim? Mas qual fim? Quando já não restar nada?
    Sinceramente, acho que todas estas opiniões de sofá não passam de pessoas dominadas pelo medo e pela resignação. E essa é a posição mais fácil, mais cómoda. É justificar a pobreza e o desemprego com os mercados e a bolsa.

  33. Concordo que eleições antecipadas não vão resolver nada, muito pelo contrário: são mais uma despesa, prolongam a instabilidade política que vivemos, o que já nos está a prejudicar seriamente junto dos mercados internacionais, e dificilmente resultariam numa maioria absoluta, o que levaria a que a reforma do Estado nunca andasse para a frente.

    No entanto, Passos Coelho tem grande parte da culpa pelos acontecimentos dos últimos dias. As políticas de austeridade não estão a resultar (até Gaspar o reconheceu), e a estratégia usada para tirar o país do buraco foi mal desenhada e ainda pior aplicada. As medidas de austeridade só estão a afundar-nos ainda mais; em vez de estudarem seriamente a falta de eficiência da máquina do Estado e alterarem tudo o que nos colocou nesta situação durante todos os governos anteriores, decidiram simplesmente cortar, cortar, cortar. É por isso que mesmo com todos os cortes, o que o Estado facturou o ano passado foi muito menos do que o costume: ora, quanto menos empresas e menos gente empregada, menos impostos recebem, e quanto mais desemprego, mais subsídios pagam. Os nossos quadros qualificados estão todos a emigrar. Como é que nos vamos levantar se nos cortaram as pernas? Se não temos uma economia que interesse a investidores?

    Passos deveria ter aproveitado a demissão de Gaspar para anunciar um novo rumo nas Finanças, dar um novo ar e uma nova esperança ao país. Em vez disso, escolheu uma pessoa que, para além de estar envolvida actualmente num escândalo económico, era a n.º2 de Gaspar e participou em todas as medidas tomadas até agora, e fazendo-o sem a aprovação do seu parceiro de coligação. Isto é ser bom primeiro-ministro? Não dava para adivinhar o que as suas decisões iriam originar?

  34. Olá Ricardo,

    Nunca comentei o seu blogue, mas acompanho-o sempre que possível. Gosto da forma clara, assertiva e sobretudo racional com que escreve. Dada a importância tema tenho de comentar e dizer que "tirou palavras da minha boca".
    Tenho medo pelo país, pelos meus filhos tão pequenos e a quem quero assegurar o melhor futuro, tenho medo pelos meus pais, pelos meus amigos, mas sobretudo tenho medo da irracionalidade politica e popular daqueles que olham mais para o umbigo e para as suas posições do que para o cenário geral. Acho que é simples: basta ver o que aconteceu ontem com os juros da dúvida e perceber que este timing, embora bom para a conquista de capital político por parte de quem iniciou/motivou este momento é péssimo para capitalizarmos os esforços e as medidas implementadas até agora. Como disse é preciso tempo para se fazerem sentir as medidas positivas e avaliar as menos positivas para se poderem as correções necessárias, seja no Governo do país, na nossa vida profissional e até na nossa vida pessoal. Nunca surte efeitos positivos avaliar de forma prematura e mudar as regras do jogo a meio. Esperemos o melhor preparando-nos para o pior.

  35. Li estes dois posts e fiquei boquiaberta com a capacidade que tiveste de pôr em palavras exactamente aquilo que eu penso e sinto. Toda esta situação me deixa nervosa e apreensiva, porque apesar de aquilo que se está a fazer ser duro e altamente impopular, não consigo ver nenhuma alternativa válida. António José seguro é um político miserável, e um homem pouquíssimo inteligente. Quanto à atitude de Paulo Portas, bom podia ser simpática, mas neste momento só me apetece dizer que é asqueroso, nojento e que se está marimbando não para o Portugal político, mas para o Portugal social, para o povo. Espero, pelo bem deste país, que haja uma saída que não a das eleições antecipadas, embora eu neste momento não consiga ver qual.

    http://day-dreamer.blogs.sapo.pt/

  36. Tenho pena de não saber escrever tão bem quanto o Ricardo, mas se soubesse como faz~e-lo as minhas palavras seriam as que usou neste post.
    É exactamente o que penso.
    Não concordei com todas as medidas deste Governo, mas aquilo que´"aí vem", isso sim, pode ser o desastre total. Estou muitíssimo apreensiva.

    Raquel

  37. Subscrevo o que redigiu em cima! É simplesmente ridículo caminhar para eleições antecipadas na actual situação! Ridículo! Duvido que Passos consiga dar a volta por cima, com muita pena minha, mas não temos ninguém neste momento com capacidade para segurar o barco em que estamos… Choca-me mais os comentários dos políticos e jornalistas políticos que atiram ao ar e criticam a atitude de passos… sempre a deitar abaixo!… Onde é que raio vamos parar??? Deixem-no terminar o mandado em pés… só devemos julgar no fim!

  38. Acabei de fazer um comentário noutro post, acerca disto… Não me sinto minimamente confiante com a alternativa que temos. Não sei mesmo onde iremos parar…

  39. "É mais ou menos a mesma coisa que encomendarmos uma casa a um empreiteiro, darmos-lhe dois anos para a construir e ao fim de um ano despedimo-lo porque não concluiu o seu trabalho e a casa parece apenas um monte de tijolos e cimento."
    "Infelizmente, teremos de a usar com o jogo a meio, com o jogo de pantanas, e seremos obrigados a escolher entre peões sem força promovendo-os a reis do xadrez."

    Gostei especialmente destas duas frases. Fazendo uso das metáforas, espero sinceramente que a casa possa ser construída segundo o projecto inicial. E que o jogo, mesmo sendo interrompido, possa prosseguir com a mesma estratégia delineada desde o princípio, ainda que com a alteração de algumas peças…

    pippacoco.blogspot.pt

  40. Pessoalmente acho que Pedro Passos Coelho não é o homem certo para Portugal. Não é o líder que os portugueses necessitam. Como dizes, e muito bem, Seguro é tudo menos uma opção válida. Mas tenho a certeza de que será o escape dos portugueses. A nossa história diz isso mesmo.

    Quanto às medidas impopulares que referes. Sinceramente, duvido que algum político tenha pena de um povo quando faz algo. Para eles somos números, estatísticas e nada mais. Se é preciso tirar vinte para salvar o país, tira-se. Se depois desses vinte é preciso tirar mais quarenta, tira-se. Nem que isso mate uma economia pois existe um estudo algures que diz que só assim é que lá vamos.

    Portugal é mal governado. Hoje. Ontem. E há muito tempo. Na altura das vacas gordas torrou-se dinheiro. Muitos encheram os bolsos e agora assobiam para o lado. Com esta crise, os políticos continuam a encher os bolsos enquanto o povo vai ficando mais pobre.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  41. O Povo é tudo, inclusive os sindicatos e os partidos de esquerda como o PCP e o BE. Só por a sua filiação ser CLARAMENTE de direita, não descarte tudo o resto. Só não houve violência a séria partida de manifestações por causa dos sindicatos, que têm mantido (até agora).
    E só não tiraram todos os direitos e benefícios aos trabalhadores (especialmente aos da função pública) por causa da oposição de esquerda.
    Se quero que vá para lá o Seguro em vez do Coelho. Não, mil vezes o Coelho. Nisso concordo consigo. Mas quando começa a bater nos sindicatos e na esquerda, sem sequer desenvolver o assunto, com plena demagogia, aí perde toda a razão. E quando diz que o interesse do PCP não é o dos trabalhadores.. está plenamente enganado. Se calhar o PSD é que defende os trabalhadores? Ao tirar-lhe subsídios, ao subir TODOS os impostos.. Por amor de deus. Que coisa mais fascista. Se há coisa que não concordo é com esta política neo-liberal. Também não concordo com o que vem a seguir, que nem política vai ser, vai ser só corrupção.

  42. Ricardo, é verdade mas os que lá estão para nos abandonarem numa altura destas do campeonato não gostam de Portugal, não são patriotas e o que os move nada tem a ver com quererem tirar-nos do fundo do poço. É impossível numa altura destas dizerem que estão a pensar em Portugal quando provocam deliberadamente uma crise destas.. enfim.. salve-se quem puder..

    Joana

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