Saltos para a água

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Ela – Senta-te aqui ao pé de mim cinco minutos a ver um bocadinho de televisão.
Eu – Mas está a dar essa porcaria com gente a saltar para dentro de água.
Ela – Mas tu nunca ficas comigo a ver os programas de lixo que eu gosto. Nunca vês o “Say Yes to The Dress”, nem o “I Didn’t Know I was Pregnant”. E também não queres ver este.
Eu – Mas isso é gente famosa a saltar para dentro de uma piscina, qual é a graça?
Ela – Vê só cinco minutos.
Eu – Está bem.Cinco minutos depois.Eu – Bom, vou para o quarto ver um filme.
Ela – Eu vou contigo.

Por este diálogo, 100 por cento verídico, pode concluir-se que eu não gosto de trash tv. É verdade, não gosto. Ao contrário de muita gente, não acho que não deva existir entretenimento mais parvo. Acho que não faz mal nenhum, se é uma coisa que diverte e não ofende ninguém, então, não vejo mal nenhum nisso. Mas há limites. E para mim o limite está em gente a saltar para uma piscina.

Os Big Brothers desta vida têm qualquer coisa de sociológico que pode merecer ser vista ou analisada. Há ali pessoas, portugueses que são o reflexo de muitos outros, gente com feitios diferentes, conflitos, choques de personalidade, e tudo isso até pode gerar situações engraçadas, tensas, que agarram as pessoas. Acho, sobretudo, que a maioria dos reality-shows servem apenas para nos distrair, para nos fazer rir, e, por isso, não vejo mal nenhum em que existam, até porque hoje em dia já muita gente tem cabo, com mais de 100 canais à disposição.

Agora, no “Splash” o grande conflito que existe é interior, o “vou conseguir/não vou conseguir” saltar para dentro de água. E os desafios são “vou saltar de cabeça dos 5 metros/vou saltar de pés dos 10 metros”. E isso é interessante? É divertido? Nos cinco minutos que vi, apanhei o Castelo Branco a fazer, pela enésima vez, o número da bicha tonta. Não consegui sorrir. Nem com a fatiota ridícula, nem com o salto em si, nem com as parvoíces que ele repetiu. É um boneco gasto. Depois, vi um pouco de um dos manos Guedes a mostrar os abdominais e aquele sorriso de “estou-sempre-de-bem-com-a-vida-aconteça-o-que-acontecer-e-sou-muita-cool-por-causa-disso”. Lá saltou para a água. Pelo meio, um júri com apreciações meio patetas (como se quer), a Júlia Pinheiro overdressed para a ocasião e o talentoso Rui Unas a interpretar um repórter sem ponta de graça (porquê, rapaz? estavas a ir tão bem na carreira de actor).

Não me consegui rir uma única vez. Não consegui entender a razão de tanta gente gostar daquilo (teve 1,4 milhões de espectadores). Tenho muita pena que o caminho que se tenta fazer no prime-time seja o de escavar cada vez mais fundo até encontrar um programa ainda mais estúpido do que o anterior e do que o da concorrência.

Mas, lá está, há sempre o DVD e outras 100 opções no cabo. E não é à toa que o cabo já ultrapassa os canais generalistas nas audiências.

26 Comentários

  1. Hoje enquanto fazia o jantar o puto pôs se a ver os mergulhos…e de repente vejo o Cláudio Ramos de braçadeiras! A sério que não contive o riso! Sim, parece que o senhor não sabe nadar,mas acho que nunca tinha visto um homem de 40 anos de braçadeiras! Foi de rir juro!

  2. É normal que tenha ficado baralhada, cara anónima. Primeiro, porque eu não comentava o Big Brother de dois em dois minutos. Em duas galas (duas, em 20 ou 30) da Casa dos Segredos (e não do Big Brother) fiz comentários (uns 10, se tanto, o que é muito diferente de fazer de dois em dois minutos) na página de Facebook do blogue, de situações que me pareceram divertidas e que, pelo feedback que tive, divertiram os meus leitores.
    Depois, também deve ter ficado baralhada com o meu texto, e parece-me ter sido a única pessoa que não o entendeu. É que eu dou o exemplo dos Big Brothers, precisamente, como um contraponto ao Splash, como algo que eu entendo que possa interessar às pessoas, como fonte de diversão. Mas eu reavivo-lhe a memória: "Os Big Brothers desta vida têm qualquer coisa de sociológico que pode merecer ser vista ou analisada. Há ali pessoas, portugueses que são o reflexo de muitos outros, gente com feitios diferentes, conflitos, choques de personalidade, e tudo isso até pode gerar situações engraçadas, tensas, que agarram as pessoas. Acho, sobretudo, que a maioria dos reality-shows servem apenas para nos distrair, para nos fazer rir, e, por isso, não vejo mal nenhum em que existam".

  3. É exactamente isso que eu penso. Ainda não vi o programa, achei que nem valia a pena (ao contrário de um péssimo BB). Enfim… a Sic no seu melhor, a tentar ultrapassar a porcaria da TVI.

  4. Então mas há uns tempos não imitavas a tua mulher …a comentar o big brother de 2 em 2 min ? ai que agora fiquei baralhada…

  5. sabem que mais? ainda nos vale a rtp (porque nem toda a gente pode pagar cabo e há sitios de Portugal onde o cabo não chega).
    e quando penso que o relvas, sim esse, não muito diferente desses pseudo-personagens que estão no concurso, queria privatizar a rtp, para quê, para termos igual??!?!?

  6. Big Brother = LIXO (vi o 1º há já vários anos e nunca mais caí na asneira)
    Splash = LIXO (vi até ao Castelo Branco, achei aquilo tão ridículo que fugi para o MOV)
    VALE TUDO: MELHOR PROGRAMA DOS ÚLTIMOS ANOS, E DIGO ANOS COM TODA A CERTEZA!

  7. O Unas tem contas para pagar, como o comum dos mortais. Se é isto que lhe oferecem é isto que ele tem de aceitar. Infelizmente. É aproveitar enquanto dura.

    Entre o Splash e os programas da Pipoca…não há grande diferença. Tudo é reality tv agora. MTV tem, E! tem, NG tem, Discovery tem…porra. Nem tudo é bosta mas há uns qts q abusam na mediocridade.

  8. Acho que o Splash consegue ser um pouco (ainda que ligeiramente) diferente do Big Brother. O facto de ter estado quase a roubar audiências à tvi pode ser o sinal de que as pessoas começam a fartar-se de intrigas.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  9. Ahahah..sabes o que é mais espetacular?? É que à conta deste "programa de entretenimento", aos Sábados à hora das aulas de natação dos bebés é só cabos e fichas e obstaculos para os pais com os filhos ao colo (já para não falar da minha filha ter de partilhar moleculas de água já tocadas pelo Castelo Branco, etc.. 🙂 tudo na brincadeirinha, mas a verdade é que a forma como têm a piscina faz termos de caminahr com cuidado com os bebés ao colo, não faz sentido nenhum.

  10. o vale tudo tinha graça..quanto mais não fosse pelo Mourão..
    agora isto do splash é uma merdic# pegada!! é da apresentaroda, ao júri, passando pelo Unas e acabando na bicha cega do castelo branco e o garrafão do Toy..Jasus da minha alma que é que é aquilo???? querem competir com o BB?? Não me pareceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee…

  11. Não vi nem tenho interesse nenhum em ver. Sei que já houve 2 paises em que morreram concorrentes, não se se famosos ou não. Salve-nos a rtp1 com a noite de cinema e a rtp 2 com a britcom.

  12. Só vi até o José Castel Branco em fato de banho com o "material" muito arrumadinho. Ainda perguntei ao meu homem como tal era possível,ao que ele me responde com um revirar os olhos e vai para o quarto,lá está,ver um filme….também fui por acaso. Sem resposta….

  13. Concordo em tudo contigo. Ok o big Brother não é o melhor dos programas de entretenimento mas pronto, agora este novo programa da SIC de facto não tem piada nenhuma, ver pessoas a saltar pra uma piscina.. pergunto-me: Qual é a graça disto?? Oh pá ao menos deixavam estar o Vale Tudo que sempre era bem melhor.

  14. eu nem vi, porque achei logo que aquilo n ia ter ponta por onde se pegasse. Gostava que os nossos canais voltassem a ter um BOM horário nobre. enfim..n há grandes comentários a fazer.

  15. pelo pedacinho que vi, também não achei piada…mas aqui como não há cabo, então tem de se recorrer a umas "ilegalidades" pra conseguir ver alguma coisa decente, os domingos á noite estão cada vez piores.

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