Rock Party: com a idade uma pessoa desaprende a sair (mentira, sou só eu)

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Eu, a Ana Carreteiro e a Inês Simões, todos dentro do espírito rockeiro da noite

Não sou e nunca fui uma pessoa da noite. Sou aquilo a que se chama uma “morning person” — gosto de acordar cedo (gosto mesmo), acordo quase sempre bem-disposto e cheio de energia, com vontade de fazer coisas, e tenho os meus picos criativos quase sempre de manhã. Pelo contrário, à noite estou quase sempre mais mole, menos energético, sem grande vontade de fazer muito mais do que encostar-me no sofá, ou deitar-me na cama a ver as minhas séries. Mesmo quando tenho de trabalhar, sinto que rendo muito menos, tenho menos ideias (e ideias piores), os textos saem-me sempre menos inspirados, sou mais lento.

Isto é assim a trabalhar, mas não só. Quase nunca tenho paciência para grandes aventuras noturnas, nem que seja só para ir beber um copo. Dou sempre preferência a um jantar caseiro com amigos, uma ida ao cinema ou a um concerto, mas com regresso a casa lá para a meia-noite e tal, uma hora.

Só que também é verdade que, por vezes, temos de contrariar isso se queremos fazer coisas diferentes e não deixar que a nossa vida caia numa rotina. Foi por isso que decidi aceitar o convite de uma das minhas melhores amigas, a Ana Carreteiro, que me desafiou a ir com ela a uma festa de rock, em que era obrigatório levar um look rock anos 80. Esta Rock Party foi a festa anual da Clínica Milénio, que é sempre temática, e, segundo ela, quase sempre muito divertida. Fui confirmar se era mesmo assim.

Sexta-feira, depois de sair do trabalho, lá fui ao fundo do baú tentar ver o que é que tinha para lá que pudesse encaixar no tal look rock anos 80. Não havia muita coisa interessante. Tive de passar na H&M e na Bershka (descobri que tem secção de homem — sim, nunca tinha comprado nada na Bershka, e acho que se entrei lá duas vezes na vida foi muito) para compor o outfit. Comprei uma T-shirt dos Guns N’ Roses, umas pulseiras com tachas e uns anéis dark, com caveiras e cenas. As calças pretas justas rasgadas já tinha, os Vans também, compus a coisa com uma camisa tipo flanela aos quadrados vermelhos e pretos e um casaco tipo biker de cabedal. Pronto, acho que estava no espírito.

Este foi o anel mais dentro do espírito que consegui encontrar, mas até lhe acho graça
Este foi o anel mais dentro do espírito que consegui encontrar, mas até lhe acho graça

A festa foi de facto altamente. Começou com um jantar, em que fiquei na mesa com a minha amiga Ana, a minha conterrânea setubalense Helena Coelho (a modelo, não a blogger), a Inês Simões, o Bruno, a Cláudia e a Inês Cortês. Esta foi a parte que poderia ter sido mais fixe, não fosse eu estar afónico e a música estar um pouco alta. Foi frustrante querer contribuir para as conversas, mas ficar sempre com a sensação de que ninguém estava verdadeiramente a perceber o que eu estava a dizer, ainda que estivesse quase aos gritos. Sabem aquela teoria de que a rouquidão é até um pouco sexy? Pois, não se confirma. Não é nada fixe ter de berrar durante um jantar para tentar fazer-me ouvir (resultado: hoje não consigo sequer falar).

A Ana Carreteiro, a Helena Coelho e eu, os três rock partners da noite
A Ana Carreteiro, a Helena Coelho e eu, os três rock partners da noite

O jantar acabou e o pessoal saltou para a pista de dança. Houve música ao vivo com muitos clássicos dos 80’s, de Wham a Metallica, e estava tudo animadíssimo, mas o momento alto da noite, para mim, aconteceu na casa de banho. É, na casa de banho. Então, lá estava eu no urinol quando percebo pelo reflexo do espelho que tinha à frente que a pessoa ao meu lado estava de fato e gravata. Achei aquilo meio esquisito, e olhei, pelo espelho, para o senhor. E quem era? O meu amigo Bruno de Carvalho, presidente do Sporting. Já o tinha visto por lá na festa com a sua nova girl, mas nunca pensei que pudesse estar lado a lado com a segunda maior figura do futebol português (a primeira é, claro, o Jesus).

A festa acabou com duas atuações ao vivo muito emotivas. A primeira foi de Sónia Tavares, dos The Gift, que cantou uma versão com um enorme coro de “Stairway to Heaven” e, por fim, a banda residente deu show com o clássico “The Final Countdown”.

Ainda fiquei mais uma meia-hora a dançar e a curtir o som da minha geração — já com DJ a passar música, clássicos dos 80s, claro — e depois voltei para casa.

Mesmo não sendo uma daquelas noitadas dos tempos da faculdade até às 9 da manhã, foi o suficiente para saber que estas coisas fazem verdadeiramente falta, e que uma pessoa não pode mesmo perder o espírito, senão fica tudo com menos graça. Até porque os 40 são os novos 30 — eu quero muito acreditar nisto, claro.

Eu e a Ana Carreteiro: amigos do coração há 16 anos
Eu e a Ana Carreteiro: amigos do coração há 16 anos

 

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