Rio, Rio, Rio… Rio para não chorar

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A feirinha de Ipanema

O Rio é daquelas cidades para se viver. Não é morar, é viver. Mas para se viver no Rio tem de se ter tempo. E dinheiro. Quem tem as duas coisas, acredito, só pode ser feliz. Ou, pelo menos, dificilmente conseguirá ser muito mais feliz noutro lado.

Estive no Rio há pouco mais de um ano e de então para cá não notei grandes diferenças. Pareceu-me haver mais polícia na rua, as lojas e os restaurantes estão mais caros, os jornais estão um bocadinho menos optimistas quanto à economia do País (coitados, só cresceram 2,3%, e andam deprimidos por causa disso, quando todo o mundo está em recessão), mas a alegria contagiante é a mesma, o ambiente nas ruas é o mesmo, continua a haver restaurantes maravilhosos a cada esquina, botecos de sucos de chorar por mais, e depois há o calçadão, a lagoa, as vistas, a praia, milhares de pessoas a fazer exercício de manhã, o sol, o calor, enfim, aquilo é quase perfeito.

Os dias pelo Rio foram muito diferentes dos de Búzios. Tivemos o azar de chegar num dia perto da hora de almoço e fomos dar uma volta pelo Leblon. As senhoras apanharam-se ali com lojas à mão de semear e toca de entrar em tudo o que exibia sapatos e biquinis e essas coisas. O que me foi valendo foram os quiosques de jornais e revistas, e algumas livrarias, que me tornaram a espera menos secante.

À noite fomos experimentar o sushi do Manekineko, que tínhamos deixado de fora na viagem anterior ao Rio. Tal como o Sushi Leblon, é bom, mas em Portugal há sushi melhor. Paga-se muito, come-se bem, mas não se sai de lá com vontade de repetir.

No dia seguinte, primeira aventura de corrida pelo calçadão, logo às 6h30 da manhã. Depois houve passeio por Ipanema e seguimos para o centro. Almoçámos em Santa Teresa (uma espécie de Alfama lá do sítio – um sítio lindíssimo), no Aprazível que tem tanto de deslumbrante como de caro (um almoço para quatro, sem vinhos nem sobremesas ficou em 400 e tal reais, ou seja, uns 200 euros). Ainda assim, vale a pena a visita – uma vez sem exemplo.

Mais um passeio por Santa Teresa, uma descida até à Lapa e uma ida até à Confeitaria Colombo (a mais típica) para comer um docinho. A noite ficou por minha conta. A adorável esposa ficou pelo hotel, indisposta, e eu fui até às livrarias do Leblon, a Argumento e a Saraiva, onde pude ver tudo, tudo, tudo, sem ninguém a olhar para o relógio. Ainda passei no Focaccia para levar uma sandocha à doentinha.

Domingo foi dia de nova corrida pelo calçadão – desta vez com umas 50 mil pessoas a fazerem-me companhia (ao domingo fecham a estrada e é a loucura) -, demos um giro pela feira hippie de Ipanema e depois fomos até ao Corcovado. Péssima escolha de dia. Passámos horas em filas, e vans, e táxis, para aqueles minutinhos ao pé da estátua do Cristo. A vista é qualquer coisa, mas já a conhecia. À noite, jantámos na pizaria Guanabara, que tem uma piza de catupiri e camarão muito boa.

No último dia ainda deu para correr de manhã (elas foram de bicicleta, eu atrás a correr) e para apanhar um solinho bom na praia. Foi nesta altura que pensámos: porra, agora ficávamos era mais uma semaninha só a fazer esta vida, não era? E se fosse um mês? E um ano? Isso é que era. Garanto-vos que não me aborrecia.

Aqui ficam algumas imagens do Rio.

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O Rio visto do Corcovado

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O sushi do Manekineko é bom, mas não é nenhum Brastemp (piada brasileira)

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Eu e um escrete de parede, em Santa Teresa

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Eles é que o dizem

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A caminho da praia, no último dia

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Mesmo no Rio é difícil largar “O Terceiro Gémeo”, do Ken Folllett

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Missão cumprida: Leblon, Arpoador, Leblon, Arpoador, Leblon – 17 km

1 Comentário

  1. Olá, Arrumadinho

    Não sou muito dada a comentários e é a primeira vez que comento aqui mas é por uma boa causa.

    Estou a preparar-me para a Meia Maratona de Março e vou viajar no fim deste mês de Fevereiro para Miami, São Paulo, Rio de Janeiro e NYC. Vão ser 15 dias intensos mas não posso perder o ritmo dos treinos. Já tenho tudo planeado para Mia, Sampa e NYC mas faltam-me conselhos sobre como, onde e quando correr no Rio. Posto isto, coloco aqui algumas questões que, caso possas responder, agradeço muito.

    Quais são os melhores percursos para correr no Rio?
    Posso levar a bolsinha de braço com o tlm ou iPod para contar os kms? Sei que a segurança tem melhorado, mas é seguro ir com a bolsa à vista, com fones nos ouvidos? É que vou correr só e como também não conheço a zona tenho receio de me entusiasmar e entrar por sítios que não conheço.

    Quaisquer sugestões ou dicas que quiseres dar, agradeço-te.

    Obrigada e boas corridas. 🙂

    Patrícia Encarnação

  2. Arrumadinho, visitar o Rio é mesmo a minha viagem de sonho, mas o meu marido não percebe porquê… eu também não sei explicar muito bem, mas o certo é que dou por mim no google earth a ver o Rio e a pesquisar sobre o Rio e não sei explicar como esta paixão surgiu, o certo é que não morro sem concretizar este sonho!
    Cidália

  3. um dia terei o prazer de viver aonde o sol e a descontraçao do povo brasileiro cura as depreçoes e ira curar a minha onde, cá em portugal ja nao me sinto portugues

  4. Olá.

    Primeiro comentário que faço a 1 blog que sigo com todo o gosto há já algum tempo.

    Tens alguma cura para a inveja que deixaste no ar da tua viagem? É que digamos que me deixaste com água na boca quanto ao Brasil.

    Já agora deixo-te uma sugestão (apenas sugestão e não publicidade que não tenho nada a ver com o site em si, apenas sou uma seguidora assídua): que tal publicares os detalhes da tua viagem no site: PORTAL DAS VIAGENS? Dá uma espreitadela por lá.

    bjs e sucesso para o livro.
    Sofia M.

  5. O Rio é maravilhoso! Só precisas conhecer uns points onde a diversão não nos empobrece.
    Ah, e acarajé gostoso só aqui em Salvador, viu…

    A foto na praia está belíssima!

    um abraço.

  6. Tenho família no Brasil, em São Paulo, mas nunca lá fui, porque sempre disse que tinha outros locais para conhecer primeiro, Agora e depois do texto e das fotos, talvez mude de ideias. E mudar de ideias é ir conhecer o Rio. Isto se entretanto as finaças ajudarem, porque esta mania da independência obriga-me a ficar num hotel, cantinho meu e de mais alguêm e não em casa de familiares, ainda que aí não pagasse alojamento. Manias:)

  7. Quando estive no rio em 2000, estava sempre a cantar essa música e mesmo agora quando recordo essa viagem, 15 dias em Copacabana mesmo em frente á praia, canto sempre essa música.
    O rio deve estar bem diferente para melhor.
    Eu adorei e espero lá voltar.
    Mas efectivamente também acho que se vive bem no Rio com dinheiro ninguém merece acordar ver aquela beleza toda e ir trabalhar fechado num Escritorio.

  8. Olá

    Sou apaixonada pela cidade do Rio de Janeiro e ao ler o teu texto e ao ver as tuas fotos só dá vontade de marcar já viagem!
    Parabéns pelo blog, sei que já é antigo mas conheci à pouco tempo. Fico à espera da apresentação no Porto.
    Cumprimentos,

  9. tenho tantas saaauuudades dos Rio…é uma saudade feliz.
    vou comprar o teu livro e oferecer mas quero um autografo no livro, uma dedicatória, uma palvra que o torne especial para a pessoa que o vai receber.
    assim como acredito na tua escrita no blog, divertida, espontânea e sensivel tenho a certeza que vou adorar o livro e ele também! 😉
    Pfv diz-me como posso ter o livro autografado por ti. Obrigada, Magda

  10. Inveja é pouco para expressar a vontade que existe de pisar essa terra 🙂 .. deixando agora o sarcasmo também ando numa de corrida e estou-me a dar mal com os fios dos earphones. Usa earphones bluetooth? Pois pela ultima foto…

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