Relvas, versão 3

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A imagem do dia, sem dúvida, vem de França.

Na subida do Tourmalet, uma das etapas mais importantes do Tour, um homem apareceu em frente às câmaras de televisão empunhando um cartaz que apenas dizia: “Vai estudar Relvas”.

Quando a contestação chega a este nível, entra no anedotário nacional, penso que não há outro caminho que não a demissão do ministro. Quando rebentou o caso das pressões de Relvas a jornalistas do Público escrevi um post a defender a saída do ministro. Na altura, até em conversas com amigos, sempre disse que se Relvas não saísse do Governo iria começar uma “caça ao homem” ou uma “caça aos podres” do homem, que os jornalistas não iam largar o pé até Relvas cair. O caso das pressões, para mim, só tem gravidade porque Relvas é o ministro da tutela da comunicação social. Já estive com ele em diversas situações, profissionais e pessoais, e sei bem como é que ele lida com as pessoas, e com os jornalistas em particular. É um homem directo, informal, que cresceu politicamente a agir sempre desta forma. É o homem que toda a gente conhece, o bon vivant, o fanático do Sporting, o político que responde sempre ao que lhe perguntam, que atende sempre o telefone, que envia e responde a SMS. Acho que por ter agido sempre assim, Relvas sentiu legitimidade para continuar a agir assim perante o que considerou ser “uma rasteira” do Público, que lhe deu 30 ou 40 minutos para responder a uma pergunta (porque Relvas sabe se lhe ligarem ele atende quase sempre, e responde, não é daqueles que exigem faxes, mails, ou que fala só através de assessores). Ou seja, para mim, que conheço Relvas, acho que o caso das “pressões” é só um casozinho, que ganhou proporções maiores por ele se tratar do ministro que tutela a Comunicação Social. Na altura disse-o, e repito: este facto não é menor, é relevante, e exigia que Relvas tivesse tido outro tipo de comportamento. Mas ao agir como agiu, ao comportar-se como sempre se comportou (sendo directo, informal, dizendo o que tem a dizer) seria normal que abandonasse o Governo. E defendia isto não tanto pela gravidade do que ele fez, mas porque sabia que o que vinha aí era isto, e que este “isto” poderia ser 10 vezes pior para ele do que a demissão na altura. E foi. Eu achava que a não demissão de Relvas iria enfraquecer o Governo, lançar uma nuvem sobre Passos Coelho e aumentar a contestação pública. Mas as coisas foram ainda piores. As histórias de Relvas sucederam-se, foram-se encadeando umas nas outras e retiraram toda a credibilidade ao ministro.

Como já disse, sou amigo (ou “conhecido”, vá) de Miguel Relvas, tenho por ele imensa simpatia, sei o que ele é enquanto homem, pessoa, e não tenho nada a apontar-lhe relativamente a isso. Politicamente, acho que a carreira pública dele terminou porque de há duas semanas para cá que Relvas não consegue falar em público sem ser assobiado, ele é o assunto de cafés, o alvo de chacota nacional, de anedotas, e isso faz com que ninguém mais acredite numa palavra do que ele diga. Qualquer acto político que envolva Relvas irá perder credibilidade e o assunto deixará de ser o acto político em si e passará a ser Relvas. Ele devia ser o primeiro a perceber isso e a sair. A bem do Governo e a bem dele próprio.

Em política é mais do que sabido que a memória das gentes é curta. Cavaco já foi odiado e voltou em alta. Santana caiu no ridículo enquanto primeiro-ministro e consegue sempre reaparecer. Até Sócrates daqui a uns anos estará por aí como candidato presidencial socialista, e não tenho dúvidas de que poderá ganhar. Relvas, saindo agora, fazendo a sua travessia no deserto, poderá voltar um dia, daqui a muitos anos. Por agora, é tempo de sair, dar prioridade à família, descansar, e impedir que todo o governo caia com ele.

1 Comentário

  1. Arrumadinho, o tempo que vai perder a explicar o que o leva a a achar se o referido Relvas é boa pessoa e péssimo político, é pura perda de tempo. Esqueça. Anos atrás tive um diretor que foi um dos muitos licenciados em passagem administrativa pós 25 Abril. Se era incompetente? Não. Se merecia ser tratado por Dr.? Não. Custa-me sim, que todos os políticos desde o 25 Abril, bem como a maioria do povo, seja de tão fraca memória. Apedrejamos um Relvas, condecoramos um assassino – Otelo. Ambos estão errados. Mas desatarmos aos gritos tipo virgens ofendidas? Poupem-me! Quando é para votarem ficam quietos e cheios de desculpas.Erros sucessivos tem sido cometidos por todos os políticos. Quero lá saber da licenciatura do Relvas. Quero é saber, porque carga de água a culpa dos erros políticos desde o 25 Abril, calha-me sempre a mim. E caramba,se não fosse o Relvas, íamos falar do quê? Pelo menos anda tudo a criar anedotas! Da privataização da RTP??!
    Maria Lopes

  2. "Por agora, é tempo de sair, dar prioridade à família, descansar, e impedir que todo o governo caia com ele" Se há hipótese de isto acontecer então Relvas que fique e caiam todos com ele =D

  3. Anónimo das 16h48:

    Nunca vi tanto ódio lançado por pessoas como você sobre as licenciaturas! Tem inveja, ódio de não ter uma? Estude! Hoje em dia há licencaturas praticamente dadas em apenas três anos. Agora não venha denegrir a imagem de quem se esforçou para um dia ter uma "vida melhor". Resolva esse seu caso psicologico.

    Relativamente ao Relvas, acho formidável seres amigo dele e continuares a ser. Nestas alturas se vê quem são os amigos, quer sejam licenciados ou não.

    Sob meu ponto de vista sobre a demissão, quanto mais ele demorar sair do governo, mais rápido cai o governo… E sinceramente espero que caía pq preferia um Sócrates (tb corrupto), um PEC IV do que a Troika. Pelo menos poderíamos ver como iria ser o PEC e fomos (alguns) logo directamente para a prisão (como no monopólio), a Troika.

  4. Acho, muito sinceramente, que à maior parte das pessoas escapou o que para mim foi claro em todo este processo: quem sai com a imagem na lama é a Lusófona. O Relvas (que eu critico no seu nível de idiotice por ter achado necessário ter uma licenciatura) fez aquilo que a "universidade" lhe pediu. E que, atenção, é pedido a muitos! E não só na Lusófona!!
    O sistema de equivalências é a maior estupidez nacional no ensino, principalmente quando se fala de ensino superior. Bolonha veio dar carta branca para se fazer tudo e, a partir daí, o céu é o limite.
    Se ele foi beneficiado? Acredito sinceramente que sim! Mas, mais uma vez, isso só fragiliza ainda mais a imagem da dita "universidade".
    No entanto, acho que ele se devia demitir… Pq é muito difícil explicar determinadas coisas e pq ele já não tem margem de manobra. Mas que, na minha opinião, tudo isto se tratou de uma caça ao homem pela comunicação social, não tenho dúvidas nenhumas!

  5. Concordo com o João Pedro, as pessoas aceitam com demasiada facilidade as trafulhices dos dirigentes em Portugal. Tenham sentido crítico pessoal, pk senão assim nao vamos longe!!

  6. E toda a gente já se esqueceu das pólémicas de há uns anos, das despesas de deslocação dos deputados, onde o Relvas era protagonista: tendo várias casas, dava a morada mais longe para receber mais dinheiro.

  7. No tempo do Salazar de certeza que não dizias que eras amigo do relvas,ficavas com medo era de comer a relva,não há condições. Peneiras, peneiras, deixa lá que ele não precisa que lhe passem a mão no pelo, coitadinho, realmente o coelho sem o relvas não vai longe não, morre é de fome !!!

  8. Caro Arrumadinho.

    Hoje, o meu caro, mostrou aqui a sua integridade, valor superior que infelizmente é cada vêz mais escasso no nosso País. Na actual situação,assumir que continua a ser amigo do Ministro Relvas, é de Homem, sim senhor.Parabéns.

  9. Eu cá só sei que me mato a estudar e esforço-me para ter uma média razoável na minha licenciatura e por vezes pergunto-me quais são as perspectivas de futuro que tenho num país que se está a afundar, que para atingir um determinado patamar é preciso lamber botas ou ser filiado em algum partido e onde quem se safa são os "chicos espertos" que não olham a meios para atingir os seus fins. Mas enfim vou continuar acreditar que quem tem valores e uma boa educação (em casa)e se for mesmo bom na sua área é-lhe reconhecido o mérito e chega onde quiser (claro que com esforço e preserverança).

  10. Bom, não o conheço, mas de toda a gente que eu conheço e que o conhece, a última coisa que dizem é que ele é boa pessoa. 🙂

    Fora isso, ele perdeu a credibilidade e o respeito do país. Para beneficio do Governo, ele tem de sair.

  11. O anónimo das 16.48.,realmente ou leu mal ou não quer compeender!! O caso da licenciatura quem o arranjou foi o próprio visado(Relvas)! É óbvio que ele podia desempenhar funções e ser competente,ninguém diz o contr´rio,mas o DR.atrás do nome fica mais pomposo!! São os chamados Patos-Bravos!!

  12. A ligeireza com que se aborda os sucessivos renascimentos na política portuguesa é preocupante. Certo que a história mais recente, do Portugal democrático, desde o 25 de Abril tem confirmado que "em política é mais do que sabido que a memória das gentes é curta". Mas, isto não pode ser encarado como uma verdade axiomática, transparecendo normalidade nos políticos que regressam depois de falharem redondamente. Este tipo de consideração é sintomática do afastamento progressivo de governados e governantes. O sentimento de impunidade germina em sociedades pouco informadas e interventivas. Talvez se situe aqui uma das razões para a manutenção de uma elite política que subsiste eternamente desde o 25 de Abril. Sobre o Relvas convido a ler esta pérola retirada de um jornal da Cidade de onde ele é originário (Tomar) que já em 1997 revelava os seus dotes de contornar as leis "à lá chico-esperto":
    http://aventadores.files.wordpress.com/2012/07/jornal-de-tomar_relvas.pdf

    João Pedro.

  13. Todos sabemos que os politicos que chegam ao topo, em principio, tiveram que cometer algumas trafulhices para lá chegar (uns mais do que outros). Relvas não é diferente. Teve que ter "amigos" da "maçons" que lhe abriram certas portas e até posso dar como exemplo o facto dele ter no CV dele que trabalhou como consultor na empresa onde eu trabalho hoje, facto este que é mentira absoluta, mas que, enfim, tenho que compreender uma vez que ele conhece lá uma pessoa influente.

    Dito isto, não concordo que se crucifique esta pessoa, quando um pior (Socrates) obteve uma licenciatura sem se preocupar sequer com equivalências.

  14. Ultimamente não consigo ler um texto teu até ao fim. Perco-me no meio de tantas repetições. Aprecio um registo mais sucinto. Acho que preciso de ir de férias e depois voltar.

  15. Cara Carla. Não me parece que, nesta conjuntura, seja uma grande "peneirice" vir dizer-se que se é amigo do Miguel Relvas. Aliás, é precisamente nestas alturas que os "amigos" escondem que o são, coisa que não faço. Não é por ele estar envolvido num caso polémico que vou passar a achar que ele é má pessoa, nem é isso que apaga o passado.
    Por outro lado, não é por sermos amigos que eu deixo de ter uma opinião firme sobre este assunto, e contrária à dele.

  16. Tchiiiiiiiiiiii. Como podes tu dizer que ele é boa pessoa? Nada contra o homem e até sou contra estes julgamentos públicos. Mas uma boa pessoa não faz o que ele faz. Ainda bem que é teu conhecido. Já te vi criticar mais duramente por muito menos!Mas compreendo.
    😉

  17. Epá diz mais uma vez que és amigo/ conhecido do Relvas, que acho que na Antártida ainda não se sabe… oh sorte, é só peneiras!

  18. … e estou-me pouco borrifando para o facto de ele ser ou não licenciado, desde que seja competente, agora o que ele (Passos) e o partido dele andam a fazer ao país é que me deixa doente, isso sim, é importante e devia ser francamente discutido!

  19. A política é isto, o Relvas só lá permanece porque interessa ao Passos, caso contrário!
    Por mim o governo já devia ter caído ONTEM!

  20. Caro anónimo das 16h48. Não sei onde é que leu que eu não valorizo as equivalências, nem em que é que isso me torna patético. Também não percebo onde é que leu que eu digo que sou melhor seja do que for por ter uma licenciatura… (a sério, está mesmo a comentar este post? não será outro qualquer? veja lá bem) Mas como tem fortes problemas de interpretação de textos, deixo-lhe um comentário que fiz no Facebook do blogue, a propósito deste assunto: "Não discuto a questão das equivalências. É algo que está na lei. Conheço muitos jornalistas com 20 anos de profissão sem licenciaturas. Se fossem, agora, tirar um curso de comunicação social achava muito bem que lhe dessem equivalências a cadeiras como "iniciação ao jornalismo", "introdução à escrita da notícia" ou "Reportagem de Rua". A lei das equivalências serve para essas coisas. Acho natural que um homem com experiência comprovada como secretário de Estado ou secretário-geral do PSD tenha algumas equivalências (não sei é se deveria ter tido tantas). O que acho que se deve discutir é as outras quatro cadeiras que ele fez, como as fez, como foi avaliado, etc." Está mais calminho, agora?

  21. Para mim, o 1º Ministro tem sido muito teimoso nesta matéria! A situação do "Dr" Relvas só tem prejudicado o próprio Governo!

    A demissão devia ter sido apresentada logo após o início da polémica! Para o bem de todos!

  22. O problema que já se tornou muito óbvio, é que o Passos Coelho não é nada sem o Relvas. E nem é tanto por não saber ser, é porque o Relvas sabe mexer-se muito bem e o Coelhinho não. A não ser assim, ele ter-se-ia (ou te-lo-iam) demitido há 2 semanas.
    Em suma: cai Relvas e daqui a pouco cai o Coelho.

  23. Arrumadinho, como é que o Sr. (não tenho a certeza se posso tratá-lo por Dr.) Relvas é boa homem e boa pessoa e faz o que fez????
    Tinha-o (a si) como boa pessoa, justa e bastante coerente, mas neste assunto do Sr. Relvas (e já o disse uma vez) não acho que tenha sido coerente.

  24. Desculpa lá e a experiência dele não conta, é preciso ter uma merda de uma licenciatura, para se valer alguma coisa neste país, pensas que por teres uma licenciatura e eu ainda não que és melhor doque eu , opá nem penses nisso, desengana te, sinceramente chegas a ser pátético.

  25. De tudo o que foi feito ao Relvas, isto é sem duvida o melhor!

    Acabei de ler a notícia e não consigo para de sorrir perante a contestação numa das mais importantes provas desportivas do mundo.

    Num registo mais sério. Acho que não há volta a dar que não seja a demissão do ministro.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

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