Relvas, versão 2

0
2252

Parece que Miguel Relvas falou mesmo, e desmentiu ter pressionado o Público e ameaçado a jornalista. Será sempre palavra contra palavra, e cada um acreditará no que quiser. O ministro não se vai demitir e, em conferência de imprensa, diz que está tudo esclarecido, e que só não falou antes porque optou por reagir perante a instituição que, em Portugal, regula este tipo de conflitos, a Entidade Reguladora da Comunicação.

Nos comentários ao anterior post, uma leitora dizia que eu já fiz “campanha” pelo Miguel Relvas. Sinceramente, não me lembro de ter escrito grande coisa sobre ele, mas seguramente que não fiz campanha. Conheço o Miguel Relvas há 10 anos, desta a altura em que ele não era ministro. Privei com ele várias vezes, algumas delas fora do ambiente profissional. Já fiz algumas reportagens com ele, já passámos dias inteiros juntos, e não tenho, pessoal e profissionalmente, qualquer queixa dele. Tenho, aliás, uma opinião bastante positiva: é um homem simples, afável, esperto, muito divertido, um bon vivant, que adora falar, brincar. Também já tive relações profissionais com ele em diversas ocasiões e, uma vez mais, não tenho nada a apontar-lhe. Ele fazia o trabalho dele, tentava puxar a brasa às suas sardinhas, e eu fazia o meu, e tentava perceber o que era e não era relevante para os sítios onde trabalhava.

O facto de ter esta relação com o homem que agora é ministro não impede que tenha defendido, no post anterior, que ele se deveria demitir. E continuo a achar isso, mesmo depois da conferência de imprensa dele. Acho que deveria ter apresentado a sua versão e, depois, demitir-se, porque defendo que um ministro deve estar acima de todas as suspeitas. Este caso é apenas mais grave, na minha opinião, porque estamos a falar do ministo com a tutela da Comunicação Social. Se fosse outro, sinceramente, acho que isto se ultrapassaria mais facilmente. Relvas vai continuar, mas não acredito que esta nuvem desapareça. E esta nuvem pode vir a dar numa forte trovoada em cima de todo o governo, já fragilizado por este ano de intensas medidas de austeridade e cortes nos direitos das pessoas.

A grande vantagem de não pertencer a um partido político é esta: hoje posso dizer bem do PSD e amanhã mal, hoje posso dizer bem do PS e amanhã mal. Isso não é incoerência, é saber analisar a realidade, à medida que ela vai acontecendo, sem estar preso à cabeça dos outros, a uma ideologia que nos é imposta. Neste blogue irão sempre ler as ideias de uma pessoa que pensa pela sua cabeça, sem necessidade de agradar a este ou a outro, mesmo que em causa estejam amigos. Porque amigos que só dão palmadinhas nas costas não são bem amigos, são lambe-botas. E isso nunca fui.

1 Comentário

  1. Eu tb digo que o Relvas a demostrar-se que de facto ameaçou a jornalista, deve demitir-se esobretudo não queremos é que a seguir a todo este enredo não aconteça nada. Não conheço o Miguel Relvas e do que vejo, não me parece uma pessoa nada recomendável quese move por terrenos pantanosos. Quanto à jornalista, e não querendo justificar a atitude do Miguel Relvas, também não me parece razoavel que enviei um mail a um ministro e lhe dê trinta e dois minutos para responder, sob pena de publicar o que entende…a confirmar-se que o fez também não é propriamente boa conduta, até porque acredito que eles, ministro tenham mais que fazer doque andar a responder a ultimatos dos jornalistas!

  2. Os jornalistas às vezes têm o que merecem. Pode atacar-se qualquer profissão em Portugal, mas quando são os jornalistas cai o Carmo e a Trindade…

  3. O mal da democracia é que muitos a vivem como se de um clubismo se tratasse. São do PS ou do PSD (ou doutros) como eu sou do Benfica e o outro do Sporting.
    Um perfeito disparate. A democracia implica cabeças pensantes, "analisantes", não rebanhos que seguem não importa quem, que diga não importa o quê, só pq é do partido.
    Concordo com o que dizes e não sei se fizeste ou não campanha pelo Relvas. Eu tb já fiz campanha por muita gente que depois se revelou não estar à altura. Resta-nos saber perceber isso no momento certo e não apoiar atitudes idiotas só pq um dia concordámos com determinado ponto de vista.

  4. Não podia estar mais de acordo consigo. Também não pendo para nenhum partido político e faça as minhas análises independentemente. Mas quanto à demissão… sem nada que confirme o acto, não sei se concordo.

  5. À partida concordaria consigo, os políticos deveriam estar acima de toda e qualquer suspeita. Mas isso tornaria fácil demais demitir um ministro, verdade?

DEIXE UMA RESPOSTA