Quanto tempo devemos manter a dúvida sobre o amor?

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Quanto se deve aguentar a dúvida sobre se ainda se ama uma pessoa? Deveremos falar sobre essa dúvida com o parceiro ou, por outro lado, esperar, interpretar os nossos sentimentos, digerir as coisas sozinhos até ter uma certeza?

Não há uma resposta certa para estas situações. Mas dependerá sempre muito da relação que temos, da intensidade da mesma, do passado comum, dos objectivos para o futuro, do nível de envolvimento de outras pessoas, em especial se houver filhos.

Sempre defendi que só falando se conseguem resolver os problemas. Não acho tanto que seja pelo acto de falar como desabafo, mas porque é sempre mais honesto se o outro estiver a par daquilo que estamos a viver e a sentir. A pessoa com quem estamos merece essa sinceridade, ainda que isso a possa magoar, ou deixar insegura e com dúvidas. Mas se os dois estiverem a par do que se está a viver, a sentir, do estado real da relação, será mais fácil resolver os problemas, encontrar as soluções, inverter um caminho que estamos a trilhar e que pode ser o errado.

Vou dar um exemplo: tenho um amigo que andava a viver nessa dúvida – “amo? não amo? só gosto? – há muito tempo. E guardava essa luta interna só para ele. Durante meses, deixou de ser a pessoa que todos conhecíamos, parecia uma sombra do que era, estava consumido, hipnotizado. O que mais o afastava na relação que estava a viver era o facto de a namorada (que no ano seguinte passaria a ser mulher) o limitar numa série de coisas (um mal muito comum). Embirrava (fazia-lhe a vida negra, era mais isso) por ele treinar futebol três vezes por semana, não queria os amigos dele lá em casa porque os achava uns ordinários, pela mesma razão ficava amuada uma semana quando ele saía com eles, e passava a vida a controlar o rapaz, com mensagens constantes, uma quase perseguição. Ele sentia-se enclausurado na relação, infeliz, mas achava que gostava da namorada, porque quando estavam juntos as coisas corriam bem, e, apesar do feitio, ela era mesmo boa pessoa. Este sentimento foi crescendo e destruindo o rapaz, que optou por nunca falar com a namorada sobre isto. Claro que ela entendeu que ele não estava bem, mas não sabia porquê. Qual foi o resultado? Ela começou a achar que ele tinha outra pessoa. E então aumentou o controlo, tornou-se quase paranóica, e os problemas cresceram até à explosão, que se deu quando ele saiu de casa.

Uma semana mais tarde, estava ele a viver em casa de um amigo, reencontraram-se. E então falaram. Ele disse-lhe tudo. E ela também. Duas semanas depois estavam a viver juntos novamente. Ela fez um esforço para parar de ser controladora. Ele deixou de jogar à bola três vezes por semana e passou a ir apenas uma. Hoje são casados e muito mais felizes.

Se eles tivessem falado desde o início acredito que não tinha havido necessidade de quase arruinarem uma relação de amor sério. E correram efetivamente esse risco.

Por outro lado, se ele tivesse falado com ela assim que começou a ter dúvidas sobre o amor que sentia, será que a coisa teria terminado bem? Não sei. Porque essas palavras – “não sei se ainda te amo” – podem ser destruidoras, podem estragar tudo. É por isso que digo que não sei, mesmo, quanto tempo devemos aguentar a dúvida até que possamos falar com o nosso companheiro sobre ela. O que penso é que devemos falar sempre. Seja do que for.

1 Comentário

  1. Olá.
    Cá estou eu novamente 😉
    Estou completamente de acordo com tudo o que dizes neste post. Sou apologista de conversar sobre os sentimentos, o avanço ou retrocesso de uma relação, do que se pensa e do que se faz, do que se sente acima de tudo. Acho que todas as relações equilibradas têm que ter este espaço de conversa.
    O problema surge quando só uma das pessoas na relação pensa assim… acaba por cansar ser sempre a pessoa a puxar a conversa, a querer desenrolar o fio da intimidade e transformá-lo em palavras.
    Foi o que me aconteceu… fui sempre eu, era sempre eu… e cansei-me. Porque me deu a entender que a outra pessoa não queria investir tanto na relação como eu. E acabei por perceber que essa pessoa nem era sincera e verdadeira quando este milagre de conversarmos existia.
    Então depois surgem as dúvidas. As dúvidas se devemos mesmo ou não conversar…

  2. Amo o seu blog. Nada como a visão REAL e OBJECTIVA de um homem, sem "ses", "e's" nem "mas", como a maioria do género nos presenteia a nós mulheres. Gosto. Keep with the good work.

  3. Gostei do post. Sinceramente também não sei, de caras, se se deve falar logo ou não. Como dizes, o 'não sei se ainda te amo' é demasiado forte e pode causar estragos dos grandes. Mas pronto, neste caso ele não falou logo mas, a seu tempo, conseguiram falar e resolver a situação. Às vezes também ajuda deixar passar um tempo, não falar logo a quente. Aqui passou uma semana, tenho a certeza que a conversa foi mais calma, mais ponderada do que seria se tivesse surgido mais cedo, antes de ele sair de casa. Aqui já havia, talvez, o medo de se perderem um ao outro, que pode ter ajudado a acalmar a conversa. Mas enfim, é daquelas coisas, podia não ter surgido a oportunidade de falarem, e a relação de amor verdadeiro como dizes poderia ter acabado ali. Eu acredito que se o amor é mesmo verdadeiro a oportunidade de falar vai acabar por surgir, as pessoas envolvidas se quiserem muito criam essa oportunidade.

  4. Arrumadinho, gostaria q desses a tua opinião sobre namoro à distância. Namoro já à algum tempo e as vezes não sei como lidar com a situação. Como reagirias se estivesses com a tua namorada só ao fim de semana? Que truques utilizarias para manter uma boa relação?

  5. O meu problema não é o até quando dura a dúvida. É quando é que começa. Acordo hoje, passa-me pela cabeça que talvez algo vá mal. Esta noite falo com ele e digo que tenho dúvidas? Ou é apenas uma fase que passará? Se é apenas uma fase talvez não valha a pena dizer nada. Falo? Não falo?

  6. E sobretudo nunca esquecer o verdadeiramente importante.
    Máxima sinceridade!
    Se se conseguir fingir-se tê-la, Pode-se continuar nas tratantadas sem problemas por aí além.

    Eheh…

  7. Concordo. A comunicação é um factor essencial para as coisas correrem bem numa relação. Óbvio que o amuo também faz parte mas não pode ser levado ao extremo.

  8. Amar e ser amado em todo o seu esplendor sempre foi e sempre será das coisas mais complicadas da vida, ou não se as pessoas estivessem dispostas a falar quando não estão bem, mas por muito que se fale e diga parece que existe uma das partes que não quer dar parte fraca.
    Dás-me esperança em cada post, sempre falei do que senti, sempre me expressei, mas não foi suficiente, a viver e a aprender.
    Abraço e tudo de bom

  9. O problema é que a maior parte das vezes as pessoas desistem ao mais pequeno e mínimo entrave. Parece que o diálogo e os planos para o futuro não fazem sentido. Aconteceu comigo recentemente.
    O pouco tempo que durou a relação foi intenso e de bastante cumplicidade, mas de repente o facto de eu estar numa situação de semi-desemprego, foi motivo para 1001 desculpas para terminar a relação…de repente o que tinha sido dito até aquele dia deixou de fazer sentido…foram palavras debitadas da boca para fora, é a conclusão mais óbvia…
    Um bom fim de semana.
    JPR

  10. UAU!
    Auto estima e respeito são essenciais.
    Considero que da m/ parte tudo tenho feito, mesmo por quem nunca o mereceu, por perservar a m/dignidade.
    Fi-lo sempre com mtªs. lágrimas, esforço psicológico e físico. Expondo a minha(e nao só)saúde ao risco, consciente que só sobrevivia se estivesse alienada.
    Finalmente consegui pôr termo ao pesadelo,duma forma amigável e partilhar a mesma residência, nã porque tenho "os olhos bonitos" mas porque chantagiei, ameacei botar a boca no trombone e isso iria tb. mexer nos sentimentos e reputação do descendente.
    Bravo!!!, mas tenho consciência, que só o fiz porque ALGO mtº. forte me impulsionou e até hoje ainda estou atónita(amando)e elevada auto estima.
    Mtº. Obrig. por estares sempre no sitio e no momento certo de coração "grande".
    Sempre,
    Miminhos&Kisses

  11. O diálogo será sempre o melhor remédio em uma relação, mas penso q quem ama não sufoca e confia né? Lembre-se de que um passarinho não gosta e não precisa de viver numa gaiola, e com agente é a mesma coisa, a confiança e o respeito devem sempre ser a base de um relacionamento sério! Até, e bom fim de semana Arrumadinho. lol

  12. BOM DIA!
    Inspiração para o trabalho.
    Amei a apreciação e isso intensifica ainda + os meus sentimentos, que espero vir a partilhá-los com quem e nunca tive dúvidas que merece.
    Sê feliz.
    Beij.K:).

  13. Tenho que reconhecer que tens uma lucidez e uma inteligência emocional a preservar. Muito obrigada por partilhares o teu ponto de vista connosco. Acredita que ajuda, e muito.
    Felicidades!

  14. Lema de vida da família Henriques, nunca ir para a cama sem colocar a conversa em dia e principalmente chateados. Qualquer dúvida, birrinha, teimosia em relação a nossa vida nós falamos. Mesmo que não haja concordância. Pelo menos falamos e apresentamos a nossa insatisfação.

  15. Desculpa-me a invasão deste teu espaço para postar mais um comentário, até porque já passei por tudo isto aquando do meu divórcio e tenho também assistido a outras tantas histórias semelhantes.
    Às vezes, pensamos que não amamos o nosso parceiro só porque há alguma coisa que nos desgrada nele, ou porque aquele frenesim inicial da relação já passou. Não podemos querer que os nossos sentimentos se mantenham imutáveis ao longo do tempo. A paixão, é certo e sabido por toda a gente (será?), que não resiste ao tempo. E as próprias pessoas vão mudando. Por mais estas razões é tão importante manter o hábito de saber falar e de saber ouvir ao longo do tempo, e não quando as coisas já começam a dar sinais desagradáveis.
    Se há coisas que me desagradam no meu companheiro? Sim, claro que há. Ele é humano e tem defeitos. Se aquela paixão ardente do início da relação já passou? Acalmou um pouco, sim. Se me imagino a viver sem ele? Não. Porque, apesar dos seus defeitos, eu amo-o (se eu dissesse que só amava as qualidades dele, não O amava).
    Porque, apesar da loucura inicial ter acalmado, eu quero crescer com ele e ir sabendo, todos os dias, como ele é e quem ele é.
    Aprendi isso depois de me ter divorciado do primeiro marido.

  16. E quando umm homem diz a sua mulher que gosta dela com ser humano, com mãe mas com mulher ñ lhe diz nada e em 35 anos de casados nunca teve tensão por ela…

    Há uma resposta certa para estas situações??
    O fica calado para sempre?

  17. Sinto-me tentada a dizer que isto foi escrito para mim. Estou assim… não sei se ainda amo ou se já não amo. Somos casados, temos um filhote. Sempre me incomodou o "tipo de vida" que ele levava. Não no sentido de saídas nem nada disso, mas devido ao facto de ser um autêntico menino da mamã. Não por a mãe o tratar como um bebé mas por aos 30 e tal ainda ser sustentado por ela. Nestes 7 anos poderei dizer que trabalhou 1 ou 2. Esta foi uma conversa séria que tivemos em tempos, e com promessas de " tenho que arranjar emprego". Durante algum tempo fê-lo mas depois larga pq há sempre alguma coisa que não lhe agrada ou porque afinal as condições não foram as inicialmente acordadas, etc.
    Não posso dizer que passo dificuldades, nada disso. digo até que tenho uma vida muito confortável… à conta da minha sogra e do meu trabalho também, claro.Estive desempregada e apesar de receber subsídio de desemprego já estava a alucinar de não fazer nada. Irrita-me o facto de a ele isso nãolhe fazer confusão. Cada vez que toco no assunto, vem a conversa de que "isto agora tá difícil" e que "não nos falta nada". Ás vezes olho pra ele e já não o posso nem ver. Tem dias.
    Ve-lo dormir até às 3h da tarde, levantar-se, ver notícias, ir a net , ir até ao café, etc.
    Não gosta de sair sem mim. Não é de fazer noitadas com os amigos e chegar às tantas. Mas esta inércia mata-me. AMO? NÃO AMO? HELP!!!!

    Maria Clara

  18. Ser sincero e dizer o que se pensa (quando as pessoas se sentem condicionadas ou pressionadas)é essencial para a relação. Se as pessoas não falam com a companheira, não será a falar com os amigos que resolvem os problemas…
    Conversando, mesmo que cheguem à conclusão que não se sentem ambos felizes, podem encontrar uma solução…mesmo que seja a separação! Mas entendem-se (acho que é a prioridade).

    Contudo, e dependendo de pessoa para pessoa, o "acho que já não te amo", "não sinto o mesmo", "está diferente do inicio e já não sei" pode ser mesmo destruidor… Pode mesmo ser considerado uma traição, porque a pessoa pode considerar que foi "enganada", mesmo que entenda as razões!
    Mas sem dúvida que no final, uma conversa sincera alivia e clarifica o coração e a mente de ambos.

  19. Eu acredito que as coisas não são assim tão lineares. Se calhar o o teu amigo e a namorada precisavam de ter passado pela experiência que tiveram para voltarem a ser felizes. Quem sabe…

    Mas, sim, numa relação aberta, os sentimentos devem ser discutidos. Não exactamente dizer "não sei se ainda gosto de ti", mas para tentar ultrapasar o que não está bem.

  20. Pior é quando queremos falar e a outra pessoa não quer escutar… Ou não quer entender. É exasperante! 🙁 Eu sou apologista de um bom diálogo mas infelizmente nem sempre acontece…

  21. Bolas, até fiquei arrepiada! Estou numa fase que não sei se amo se não amo, se gosto se não gosto… temos 3 filhos… e eu não consigo falar… dizer td o que sinto, td o que me vai na alma… não sei mm o que fazer…

  22. Eu acho que devemos falar sempre, até porque chega a uma certa altura e é impossivel disfarçar tal como aconteceu com o teu colega. O meu ex-namorado nunca foi direto comigo na altura que começou a distanciar-se, passados 2 meses ainda não sei porque acabou comigo. Será que se falasse as coisas não se resolviam? Ou pelo menos eu iria ficar menos magoada por saber a verdade em vez de estar constantemente a supor motivos. Falar sempre.

    Beijinhos

    Muito bom texto

  23. Eu quero alguém do meu lado que torne o mau menos mau, e o bom ainda melhor! Depois de viver uns anos sozinha, totalmente independente, não me apetece estar com alguém que me faz, de alguma forma, sofrer! Por isso "Abro o jogo" sempre que algo me incomoda… Esta é a minha filosofia. E tem resultado! Contudo, tenho uma relação tão cumplice com o meu namorado, que quando algo me desagrada, ele percebe logo, sem eu dizer nada!

  24. Eu sou de falar tudo…
    Infelizmente nao podemos ser todos assim e eu gostava tanto!
    Também estou muito desgastada porque queria resolver uma situação parecida e que já me deixou muito no fundo. Falamos várias vezes mas ás coisas não estão como dantes e eu gostava tanto que estivessem… A razão da monotonia resolve-se, sempre fizemos imensa coisa juntos, daí a cabeça das mulheres disparar para o haver outra mulher! é inevitável, mas realmente pode nem sequer se tratar do caso. Nunca me meti nos assuntos dele, nem me intrometi no que queria ou nao fazer, daí ser ainda mais estranho tudo isto para mim…

    Resta-me esperar!
    Adorei o post, não podia calhar em melhor altura!
    Já agora passa em: http://keepcalmandcarpediem.blogspot.com/
    é muito recente ainda!
    Bjs*

  25. Olá !!
    Na giria eu diria que o tema está na "MUJE".
    Denota mtª. sinceridade com pensamentos claros e objectivos.

    Mtº.s parabéns.
    Beij.K:)

  26. Eu acho que quanto mais guardamos as coisas para dentro, pior, pois desgasta-nos e à pessoa que está a nosso lado, inevitavelmente tb.
    Devemos falar, conversar…agora tudo depende da forma como dizemos as coisas.
    Penso que isso aplica-se a tudo na vida.

  27. Eu sou adepta do pôr todos os pontos nos i's. Se é algo que afecta a relação (logo vai afectar o outro) deve ser dito, não em modo de "toma lá o que eu sinto e agora lida com isso", mas com maturidade.
    As dúvidas só nos tornam prisioneiros de nós mesmos.
    E se eu não for honesta com a pessoa que amo, vou sê-lo com quem? Além de que é má política andarmos a desabafar com terceiros (quantos casos eu conheço assim) e o nosso parceiro ser o último a saber e da pior maneira…
    Antes uma má verdade, do que uma boa mentira. Porque a verdade liberta, e a mentira escraviza.

  28. Sem cedências de parte a parte, não existe uma relação saudável.
    Que ninguém se iluda.

    E ir remoendo aquilo que apetece dizer, significa por si só, que a relação não funciona em pleno. No dia em que não conseguisse dizer aquilo que penso, esteja correcto ou não, está tudo estragado, e era sinal de que algo não ia bem.

  29. Quantos estão dispostos a meter tudo em pratos limpos? Eu fi-lo, duas vezes na vida, disse tudo o que me incomodava na relação, fui sincera, como nunca tinha sido com mais ninguém… Infelizmente ele nunca teve coragem para dizer o que sentia e eu, embora ainda o ame, resolvi abanondar o barco! Pior que remar sozinha é quando cada um rema para seu lado.

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