Política de meninos

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Admito que tenho gostos esquisitos nalgumas coisas. Um deles é o de ouvir os debates quinzenais no Parlamento. Gosto de ouvir aquele exercício que deveria ser de democracia e de discussão de ideias boas para o País, mas que mais me parece uma guerrinha de putos com argumentos tão demagogos e populistas que se tornam infantis.

Ali, ninguém está a discutir o País. Todos estão a guerrear (adora esta expressão) para tentarem mostrar que são melhores do que o vizinho de bancada. Todos estão a tentar gerar sound-bytes para ver se é essa a imagem que aparece nos telejornais. Todos querem parecer, aos olhos do povo que não os escuta, e que se alimenta apenas dos tais sound-bytes das notícias, dos títulos dos jornais, dos rodapés que passam nas televisões.

Uma das coisas que mais me divertem é a forma como os deputados do PCP falam dos “trabalhadores”, como se não fossemos todos trabalhadores, como se essa entidade chamada “trabalhadores” excluísse toda a gente que tem dinheiro, os grandes ou pequenos empresários, como se estes fossem o mal da nossa sociedade, uns bichos papões que só querem explorar o povo e ter Bentleys à porta, e como se a Economia de todos os países civilizados não fosse sustentada por estes mesmos empresários, que criam empregos, que equilibram a balança comercial exportando produtos.

Outras tiradas absolutamente hilariantes, quase sempre vindas da bancada socialista (e muitas vezes do próprio líder, António José Seguro), são aquelas vazias em que fazem querer parecer que eles é que se preocupam com as coisas mais básicas, e que o Governo, pelo contrário, não o faz. São expressões como “o PS não quer destruir o emprego” (mas algum partido quer?), “nós queremos uma economia competitiva” (a sério?), “nós acreditamos nos portugueses” (ainda bem, pá!), “nós queremos uma economia que gere mais emprego” (até porque tenho a certeza que o PSD quererá o contrário).

O Governo, por outro lado, é especialista em fugir às questões concretas lançadas pelos deputados da oposição. Como, por norma, as intervenções são sempre longas, e, pelo meio, são abordadas quatro ou cinco questões, o primeiro-ministro e os ministros vão sempre buscar as partes das várias perguntas que lhe interessam, e gastam todo o tempo a vender as suas ideias, fugindo às perguntas objectivas.

Quando desligo o rádio fico sempre com a sensação de que estive a ouvir uns putos a tentarem exibir-se para que os outros gostem mais deles do que dos coleguinhas. No fundo, acho que a política é mesmo isto: a arte de enganar, de ludibriar, de fazer crer. Mas até nisto este país está em crise. Faltam-nos artistas dos outros tempos.

12 Comentários

  1. Olha Arrumadinho, faço minhas as tuas palavras! Texto excelente como retrato da nossa (deles) vidinha política. É pior do que telenovelas, é um circo sem jeito nenhum. É o ver quem fica melhor na fotografia para subir na carreira, ascender no partido. Gabo-te a paciência, eu já não aguento mais!

  2. Olha Arrumadinho, faço minhas as tuas palavras! Texto excelente como retrato da nossa (deles) vidinha política. É pior do que telenovelas, é um circo sem jeito nenhum. É o ver quem fica melhor na fotografia para subir na carreira, ascender no partido. Gabo-te a paciência, eu já não aguento mais!

  3. Fico atenda aos debates o PCP
    renova os deputados mas o discurso não.
    Eu concordo que não se aumente ordenados
    e reformas mas discordo redondamente destes
    cortes seja a quem for.
    As pessoas vivem em função dos seus ganhos.
    É um desespero.

  4. O problema dos países está mesmo aí: na política. Fosse tudo mais focado na economia e as coisas corriam pelo melhor. (desengane-se quem pensar que economia são só folhas de excel e contas mal feitas.)

  5. É por isso mesmo que na altura de votar, chego lá dobro o papel, boto na urna e venho embora sem conseguir votar em ninguém.

  6. Isto é Politica de meninos
    Ps: Olha em relação ao post anterior espero que como tiveste coragem de admitir a inseção e honestidade do proença espero que domingo admitas a sua desonestidade
    Abraços

  7. Tudo isso se resolve no dia em que :

    a) todos nós percebermos que nós é que somos patrões deles e não o inverso.
    b) todos nós dissermos basta, toma lá 30% de impostos sobre os meus rendimentos ( mais que justo!) e amanha-te. Faz um orçamento e gere.

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