Para arrumar de vez com o assunto MRP

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Agradeço muito a todos os que têm comentado o post sobre a polémica à volta das declarações da Margarida Rebelo Pinto, uns a favor, outros contra, uns indignados, outros não, uns com coisas válidas e interessantes a dizer, outros com nem tanto.

Para não estar a responder a cada um dos comentadores, escreverei um post sobre alguns dos temas abordados nesses comentários, e que acho que devem ser esclarecidos. Não vou usar as frases exactas escritas pelos comentadores, mas tentarei criar exemplos que agreguem o teor dos comentários mais presentes.

1. “A Margarida feriu a susceptibilidade dos portugueses”.

Começo por aqui, porque esta coisa de ferir susceptibilidades é algo muito comum na blogosfera. É importante que se perceba que qualquer coisa que se diga, em qualquer contexto, irá sempre ferir a susceptibilidade de alguém, porque a raiz do problema não são as palavras ditas, mas sim o nível de susceptibilidade de cada um de nós. Há pessoas que se sentem ofendidas por qualquer coisa, e gostam de extrapolar isso, e de passar a ideia que toda a gente se sente igualmente ofendida com isso. Vou dar um exemplo muito recente que se passou aqui no blogue. No post que escrevi sobre o facto de a Pamela Anderson ter corrido a Maratona de Nova Iorque, houve uma pessoa que me chamou preconceituoso e se sentiu muito ofendida por eu ter dito que ela cortou o cabelo “à rapaz”. Outros casos: sempre que falo de qualquer coisa no blogue, seja um restaurante, uma peça de roupa, um destino de férias, um acessório, um gadget, um par de ténis, o que for, e coloco o preço há comentadores que acham que eu os estou a atacar e sentem que ao falar disso estou a ferir a susceptibilidade dos portugueses. Lá está, o problema não é eu falar disso, o problema é que os portugueses são muito susceptíveis e andam muito susceptíveis a tudo o que não sejam lamentos pela vida triste que levamos.

A Margarida Rebelo Pinto pode ter parecido arrogante na forma como disse as coisas, pode ter usado uma ou outra expressão mais forte, mas não atacou “os portugueses”, atacou, sim, os portugueses que se manifestaram de forma menos própria dentro das galerias da AR. Ou seja, quanto muito, pode ter ferido a susceptibilidade daquelas 20 ou 30 pessoas que foram chamar assassinos aos deputados e ministros.

Para se dar uma opinião, seja sobre o que for, tem de se ser verdadeiro e honesto, e não procurar não ferir susceptibilidades de ninguém. Dizemos o que pensamos e achamos sobre os assuntos, se as pessoas concordam, concordam, se não concordam, opinem em sentido contrário, mas uma coisa é certa: quem diz o que pensa irá sempre agradar a uns e desagradar a outros. Nem que o que se diga é que o céu é azul.

2. “A Liberdade de Expressão dá para os dois lados: se ela criticou, também tem o direito a ser criticada”.

Totalmente de acordo. Sou o primeiro a defender isso. Todos temos o direito a dar a nossa opinião sobre o que a MRP disse na RTP. Todos. Se ela disse que acha que as pessoas que se manifestaram na Assembleia são pouco inteligentes, podemos dizer o mesmo dela, explicando porquê, se ela disse que é a favor das taxas moderados, todos podemos dizer que, na nossa opinião, ela está errada, e explicar porquê, se ela disse que acha que a situação actual não é culpa deste governo, todos nós podemos contra-argumentar e apresentar as nossas ideias. Estou 100 por cento de acordo. Agora, uma coisa é criticar as coisas que a MRP disse, outra, totalmente diferente, é chamarem-lhe puta, cabra, vaca, inútil, fútil, estúpida, e por aí fora, tudo coisas que li nas redes sociais e nalguns comentários. Ninguém tem o direito ao insulto. Ninguém. E não vale a pena dizerem que ela insultou os portugueses ou que se sentem insultados com o que ela disse (ler o ponto anterior) porque o nível dos insultos é incomparável. Tem a ver com uma questão de equilíbrio. Uma coisa são as ideias de uma pessoa sobre determinado assunto, outra é a própria pessoa, que é uma mulher, que é mãe, que é filha, que tem sentimentos e não merece ser enxovalhada, humilhada, insultada, vexada apenas porque disse o que pensa.

3. “Estás a defender o indefensável. Só a defendes porque ela é tua amiga”.

Como expliquei no texto, eu não estou a defender a Margarida Rebelo Pinto, nem sequer estou a defender uma amiga. Estou a defender o direito à liberdade de expressão. Dizia ontem o meu colega jornalista Germano de Almeida: “Prefiro ver a Margarida Rebelo Pinto e não concordar com nada do que assistir a um linchamento de caráter, fácil de se fazer pelo mundo virtual. É sempre melhor haver quem diga as coisas erradas. Sempre”. Concordo em absoluto. Eu quero viver numa sociedade em que todos temos o direito de dizer as coisas erradas. Ou certas. Ou certas para uns e erradas para outros. É isso que são, por exemplo, os fóruns de opinião dos rádios e das televisões. As pessoas entram em directo e dizem as maiores barbaridades sobre um qualquer assunto, sem qualquer tipo de fundamento, mas pronto, é a visão delas, a opinião delas e ainda bem que há ali um espaço onde elas o podem fazer.

Como também escrevi no post, isto nada tem a ver com o facto de ser amigo da MRP, até porque publiquei uma opinião praticamente igual quando a polémica envolveu a Isabel Jonet, com quem nunca falei na vida. Eu sou pela liberdade de opinião, seja ela acertada ou não, e pelo direito ao bom nome e à dignidade de quem a emite. Linchamentos públicos de carácter com base em opinião são dos mais perigosos sinais de regressão na nossa sociedade.

4. “Uma coisa seria a MRP ter dito o que disse num jornal, agora na televisão pública, paga pelos contribuintes, é um escândalo. É uma vergonha ela usar um canal público para promover um livro privado”.

Englobei aqui dois pontos num só. Não estou bem a ver a diferença entre a MRP falar num canal público ou privado. Ela foi convidada para ir ao programa falar do seu livro e comentar os temas do dia. E aceitou. Que culpa é que ela tem disso? A opinião dela tem de ser diferente caso esteja a falar na televisão pública ou privada? A televisão pública agora só pode permitir opiniões de determinadas pessoas, com um determinado alinhamento? Felizmente, ainda não vivemos num País em que os órgãos públicos são veículos oficiais do Governo e do Estado. Felizmente que na televisão e na rádio públicas os jornalistas, editores e coordenadores ainda podem convidar quem bem entendem para os seus programas.

Quanto ao facto de ter ido promover o seu livro, bom, uma vez mais repito: ela foi convidada, não se impôs. E voltamos à mesma discussão: queremos mesmo viver num País em que nos órgãos de comunicação com participação do Estado só se fala de determinados livros, de determinados autores? É esse o caminho? Ainda não é, e espero que nunca venha a ser. Pode argumentar-se que deveria haver uma preocupação em dar destaque a livros melhores, mas depois levanta-se outra questão: quem é que determina isso? temos a figura do censor de livros que põe uma cruz vermelha em cima deste ou daquele autor, deste ou daquele livro? Felizmente que ainda não é assim.

23 Comentários

  1. Devemos respeitar a opinião dela????? ? margarida Rebelo Pinto é snob mal educada e não respeitou a opinião dos que se manifestam.
    E que tal ela como figura pública a discursar num canal público, respeitar a opinião dos portugueses que discordam do governo? É que nem todos em Portugal andam a dormir como os snobs, há portugueses bem acordados que sabem que existem alternativas para as medidas do governo… e ela não tem o direito de chamar essas pessoas de burras, e outros insultos, sem respeito… como é óbvio.

    http://www.youtube.com/watch?v=rCLrowDuDAw&list=TLGx-IX1K7jGfdUOimRmJVnfTtePYLI-bD

  2. “divorciadas depressivas” adorei…é isto e livros de auto ajuda. o bom da “Liberdade de expressão” é saber filtrar o que ouvimos de quem ouvimos aproveitar, ou não o sumo do que a escritora disse. insultar a senhora é desnecessário, mas são apenas palavras em português vernáculo e cada um dá a importância que quiser dar e pelos vistos a senhora está melindrada agora. lado positivo, com tanto insulto, palavrão, frases de apoio de fãs “divorciadas depressivas” (eu gostei mesmo do termo) a senhora MRP pode sempre tirar apontamentos para uso futuro num próximo livro, e ficar contente com o marketing gratuito de tanto “miu miu mui” que esta “palhaçada” está a gerar.

  3. Eu penso que o grande problema aqui foi a maneira como ela disse as coisas e o local onde as disse. Não é por ter sido na televisão do Estado, é por ter sido num orgão de comunicação social. Se a MRP ou uma pessoa qualquer tivesse feito este tipo de comentário num café ou num jantar de amigos era algo perfeitamente normal, mesmo que os outros não concordassem. A questão aqui é que as figuras públicas, principalmente quando estão ligadas a áreas de cultura, como a literatura, têm uma responsabilidade acrescida. Não é por isso que têm que reprimir as suas opiniões, mas devem ter uma certa sensibilidade na forma como expressam as mesmas. É verdade que, hoje em dia, os portugueses estão sensíveis e se ofendem com muito pouco, o que é um pouco compreensível, por esse motivo há que ter um pouco mais de tacto quando se abordam temas tão fulcrais como a crise, as manifestações, as taxas moderadoras, etc. Acho que, independentemente de todos termos direito à nossa opinião, esta humilhação pública é desnecessária e rude. Pessoalmente não gosto do trabalho da MRP, não gostei da forma como a opinião dela foi expressada, mas isso não me dá o direito de a humilhar ou de a insultar. O máximo que todos podem fazer, e principalmente se querem mostrar-se “superiores” ou “mais inteligentes” que a senhora, é expressarem-se com educação, sem ofensas ou injúrias.
    É a primeira vez que comento o blog, que visito regulamente, mesmo sem concordar com todas as suas opiniões porque gosto de ver vários pontos de vista em relação a determinadas situações. Se todos pensássemos de forma igual, se todos defendessemos os mesmos ideais e as mesmas opiniões, as coisas perdiam a sua “magia”.

  4. Um dos mais perigosos sinais de regressão da nossa sociedade, sabe quais são? São a fome que o povo sente… Falar de barriga cheia é facil, agora quando as pessoas são privadas de tudo, incluindo dignidade… aí sim, eu gostava de ouvi-lo a falar. O seu discurso mudava totalmente se não tivesse comida para dar aos seus filhos.

  5. Sinceramente sinto mais repulsa pela violência usada nas palavras contra a MRP, do que pelas suas declarações. Toda a gente é livre de criticar mas com educação e civismo. O grande problema das redes sociais é este, as pessoas socorrem-se de um perfil para dizer tudo e mais alguma coisa. Acho que têm necessidade de extravasar todas as suas frustrações pessoais, atacando quem nem sequer conhecem, e aí de quem tenha uma opinião contrária. Está tudo doido!

  6. Considera dizer que MRP é uma pessoa alienada ou desconhecedora da realidade que comenta e ter demonstrado uma enorme pobreza de espírito, uma ofensa?

  7. A MRP apenas comentou os temas que a entrevistadora lhe perguntou.Ela foi convidada para ir lá, não se ofereceu.Quem não gostou das suas palavras tinha mais que mudar de canal, tapar os ouvidos ou simplesmente desligar a tv. Arrogante, não me parece que tenha sido, a postura dela é sempre essa, qual foi o espanto??!!Ao que me parece a MRP é uma pessoa que demonstra ser segura de si, com uma forte personalidade.( Atenção: Eu não a conheço pessoalmente, mas a maneira de estar e falar, leva-me a ter essa opinião dela).
    Eu só acho que as pessoas deram importância a mais a essa questão, se calhar porque não arranjam mais nada para fazer na vida, e para elas a vida resumisse a umas horas nas redes sociais a comentar e dizer mal das pessoas( que neste país é o que se faz mais), todos criticam, mas ninguém trás soluções. Agora dizerem mal e lincharem as pessoas na praça publica( agora nas redes sociais), ai sim já as pessoas estão prontas e têm ideias. Opinar é muito fácil, já fazer é deveras difícil.

    P.s Não era para comentar mas não consegui ficar sem dizer nada.

  8. Vamos chamar as coisas pelos nomes?A esquerda Portuguesa não é democrática e, ou concordas com o que eles dizem, ou então és enxovalhado para que não tornes a prevaricar e ao mesmo tempo, desencorajar outros que eventualmente não concordem com as ideias deles.

  9. Acho que essa Senhora pode falar! Liberdade! Ouvi-la!!!…temos nós a opção de mudar de canal quando ela aparece! que é o que eu faço!
    Um pequeno aparte…tinha o “Afonso V” em melhor conta!!! 😉

    Este meu comentário é bastante moderado! …porque não me “entra” mesmo essa senhora!!!Mas não temos de gostar de todos, nem todos gostam de mim!

  10. Não sei porque é que ficaram todos tão escandalizados. Quem é que ainda liga à opinião desta mulher depois da crónica das gordinhas e dos disparates que diz acerca do sexo feminino?
    Tudo o que vem da boca desse ser grita privilégio e mais nada.
    Quem é que quer saber o que ela diz?

  11. Sou portuguesa e não senti a minha susceptibilidade ferida.
    Sem querer ofender, o que é que a opinião da Margarida Rebelo Pinto traz de felicidade à minha vida? Nada, por isso, pouco me importa o que ela diz. Ela não tem qualquer cargo político, muito menos é a primeira ministra ou presidente da republica, aí já seria um bocado mais grave.
    Mesmo ela tendo razão em algumas das coisas que disse, continuo na minha, pouco me importa o que diz. Eu é que tenho de fazer a minha vida.
    Ela foi arrogante? Eu acho que ela fala sempre dessa maneira, se isso é arrogância ou não, não sei. Seja talvez segurança.
    Não queriam ouvir o que ela disse, mudassem de canal. Ela foi convidada a lá ir. Foi no canal público pago por todos nós? Azar o nosso, mais uma vez mudem de canal. Somo nós que pagamos, mas nada podemos fazer, veja o caso de que dom Socrates continua alegremente a fazer o seu comentariozinho todas as semanas.
    Eu raramente já vejo a televisão pública.
    E já agora, indignem-se menos com o que os outros dizem, tenham mais cuidado com o que vocês dizem e façam mas é a vossa vida, porque a Jonet, a Margarida, o Sócrates, o Passos, o Relvas e etc, estão pouco ligando ao que vocês comentam nos blogues!

  12. No meu post acerca do comentário original, apenas fiquei-me por defender a liberdade de expressão da MRP, não explicando porque não concordava com ela.

    Eu acho que o maior problema que as pessoas tiveram com a MRP é ela falar de uma realidade que desconhece, ou pelo menos não conhece ao mesmo nível que a maioria dos portugueses.

    Acredito que até a MRP tenha tido os seus cortes e pague mais impostos e afins, mas uma coisa é ter cortes quando se ganha o que ela deve ganhar (não sei quanto é, mas sei de certeza que ela não se governa com menos de 1000 euros por mês) do que quando se ganha um ordenado minímo, ou pior, nada.

    Claro que a MRP não tem culpa nenhuma do estado do país, mas a forma generalista como elaborou o seu discurso, como se todos os portugueses tivessem na mesma posição de crise quando há vários graus de crise diferentes (volto à comparação de quem ganha um ordenado mínimo ou quem ganha o mesmo que a MRP ou até um membro do governo) fere facilmente as susceptibilidades de muitas pessoas. Não está exatamente ao mesmo nível das “polémicas” dos teus posts. O assunto que ela discutiu não é uma trivialidade qualquer, mas uma realidade horrível que anda a levar muitos ao desespero. Dizes que os portugueses andam muito susceptíveis, sinceramente eu até acho que andam pouco tendo em conta o estado em que o nosso país está.

    Contudo acho que essa susceptibilidade devia ser focada nos verdadeiros culpados desta situação (e não, não é só este governo), não na MRP, embora entenda a reacção que os seus comentários obtiveram e desejasse que a MRP tentasse conhecer melhor a realidade que comenta.

    Pessoalmente não me ofende que ponham a MRP a comentar, embora esteja longe de ser fã quer da pessoa quer da escrita (se bem que a sua qualidade literária não devia ser discutida quando se fala nesta polémica porque uma coisa não tem nada a ver com a outra). Ofende-me muito, mas muito mais, quando alguns políticos que também tem o seu grau de culpabilidade nesta situação vêm atirar “postas de pescadas” como se fossem isentos.

    Apesar disto tudo concordo perfeitamente na tua opinião acerca dos insultos que lhe foram atribuídos. A liberdade de um indivíduo termina quando esta interfere com a liberdade dos outros. Insultar a MRP de puta e nomes assim não é usar liberdade de expressão, é pura e simplesmente ser mal-educado. Gostava que quem a insultasse não o fizesse, ou pelo menos insultasse apenas a opinião e não a pessoa, embora a linha que separa o indíviduo daquilo que ele diz seja muito ténue.

  13. Permita-me discordar apenas num ponto. Como cidadãos inteligentes, podemos e devemos dar as nossas opiniões, sem ferir susceptibilidades. Isso sim é ser inteligente! Foi-lhe pedido um comentário e ela como pessoa inteligente, e não como comentadora política, deveria ter sido um pouco mais hábil nas palavras que usou e não ter utilizado o tom arrogante e diria até provocatório. Quanto mais não seja devido à sua profissão e dar o exemplo!
    Não feriu a minha susceptibilidade pelo conteúdo mas pelo tom arrogante e falta de tacto, pela qual não a identificava (visto ser leitora assídua dos seus livros).
    Será que se a MRP tivesse dito o que disse sem chamar pouco inteligentes e sem aquela arrogância, estaríamos a falar sobre a entrevista? Ela como escritora poderia ter escolhido cuidadosamente a forma de dizer o mesmo (mas com outra postura) e nem teríamos dado pela entrevista!

  14. ” É sempre melhor haver quem diga as coisas erradas. Sempre” . Esta frase revela precisamente o que se passou – ela disse coisas erradas.Ponto final. E daí que ache já um pouco ridiculo dar a importancia deste tema a dois posts. Porque isso revela que, para além do primeiro em que tenta sair em sua defesa, tem necessidade de ir responder aos criticos do primeiro post. Mas porque? Se é um assunto tão banal, que se resume à exposição de diversas opinioes, acho que tb não é justificavel insistir na sua “defesa” (ok, e não me venham com a historia da liberdade de expressao. claro que pode refutar a opiniao dos seus comentadores, simplesmente dar importancia e insistir na tal “defesa” é ridiculo). Acima de tudo porque é uma defesa “hipocrita”, porque como foi dito, e bem, isto resume-se à arrogância com que ela falou e à falta de sensibilidade que mostrou ter nas suas palavras relativamente à realidade de muitos portugueses, a roçar o fascista. As dificuldades estao no desemprego, em salários de 600 euros para criar filhos, não estao em deixar de ir para o Brasil ou de comprar mais uma Carolina Herrera. Porque são as pessoas que acha “pouco inteligentes” e que tanto critica que lhe leem os livros. Pessoas com uma cultura acima da média acho que nao se dao ao trabalho de comprar propriamente livros da MRP (tirando talvez divorciadas depressivas…). Foi ridicula e se nao queria ser julgada, que dá proxima vez pense melhor antes de falar de uma realidade que nitidamente desconhece. Se, pelo contrario, acha que nao disse nada de especial e nao se reconhece no julgamento que lhe é feito, então que repita a dose e grame com as criticas!
    Um bem haja ao blog.
    sofia

  15. Eu vi o video e tambem nao concordo com a humilhacao em praca publica a que a Margarida foi alvo.

    Nao pondo em causa a liberdade de expressao apenas acho que cada um, e em especial figuras publicas de um escalao social mais elevado, tenha alguma contencao na expressao das suas opinioes.

    Eu nao me senti ofendida pela opiniao da Margarida e ate concordo com ela em alguns pontos, nomeadamente no caso das taxas moderadoras, porque estou a viver fora de Portugal e a nao vivo a crise no corpo (custa-me estar longe mas nao passo fome). No entanto ha pessoas que foram atiradas para o limiar da pobreza com esta crise e que lutam diariamente para sobreviver ou pagar as suas dividas e que estao naturalmente mais fragilizadas.

    E o mesmo que criticar um gordo que esta a tentar emagrecer. Nao e que devamos ser condescendentes, mas pelo menos ter algum pudor em abordar certos assuntos por respeito a quem se encontra em situacoes pior que a nossa.

    Dizer o TUDO o que se pensa, nao e ser frontal e honesto, e ser parvo…

  16. Parabéns, Arrumadinho, pela sua postura. Obviamente que tem toda a razão no que disse. O problema com que, inconscientemente, as pessoas se deparam é com o facto de o país estar no estado em que está – com a conivência de nós todos, votantes – e estarem sem alternativa. Por isso, hoje em dia, “atiram” em tudo o que mexe. Cuidado, Arrumadinho” que esta também será para ti. Infelizmente, vai-te ser extremamente díficil continuar a defender as tuas opiniões – com que, regra geral, concordo – sem ter que dar um monte de justificações. Assim sendo, as justificações serão de evitar…
    Abraço e continua!

  17. Concordo com o arrumadinho cada um deve ter a sua opinião, aliás a nnossa liberdade acaba quando invadimos a liberdade do outro e aqui existe uma fronteira que temos o dever dé respeitar. Este caso é só mais um que mostra o quanto a falta de ” democracia” está a ficar instalada…. Não concordo com o que disse a escritora , mas lá está é s sua opinião. Eu também acho que o estado não tem de dar tudo temos direitos mas também temos deveres. A verdade é que infelizmente o nosso país está enfiado num buraco bem fundo e negro e a culpa é de todos os últimos governos dos últimos 20 anos. Eu gostaria que pudéssemos apurar os verdadeiros culpados e levá-los a justiça tal como aaconteceu na Islândia.

  18. Olá, costumo vir cá e nunca comento. Concordo com algumas das suas posições e discordo de outras. Não é por isso que comento. A informação serve-me para criar opinião, não tendo de dizer a todos de onde a retiro qual é. Daí não comentar.
    Mas hoje senti-me na tentação.
    Uma porque, — vou ser mazinha —, mas confesso, faz-me confusão ler um blog de alguém com o dom da palavra mas com erros de edição.
    “Em quero viver numa sociedade” (claro que acontece e claro que eu percebo o que quis escrever), mas distrai-me da leitura 😉

    A outra a eterna questão é a da qualidade da literatura. Infelizmente, desde que fui mãe o tempo para pôr a minha leitura em dia reduziu drasticamente, enquanto elas não crescerem duvido que consiga ler o que me apetece na quantidade que me apetece. Mas na realidade este último parágrafo deixou-me na dúvida se estava a ser honesto consigo mesmo. Então não se consegue de entre os escritores portugueses determinar a qualidade da sua literatura? Sim não queremos censura, mas estamos a falar dum jornalista convidar um escritor, certo? É com certeza porque atesta a qualidade da sua literatura, e o director de edição também. Isso, pessoalmente diz-me que eles não têm muita capacidade de distinguir a qualidade literária portuguesa. Por conseguinte porque raio hei-de assistir ao noticiário deles? 🙂

  19. Arrumadinho, eras capaz de dizer o que a Margarida disse?! Não, porque és uma pessoa humilde, ponderada e inteligente. Mas tens razão quando dizes que todos temos direito a ter uma opinião , esteja ela certa ou errada.

  20. Cada um deve dar a sua opinião e só temos que respeitar, independentemente estando de acordo ou não.
    Agora uma coisa é certa “a crise não é para todos, mas sim para alguns”, logo ai as opiniões relacionada com determinados assuntos irá muitas vezes depender desse “factor”.

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