Para a Vivi

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Às vezes ouço gente a falar dos amigos de infância, daquelas pessoas que conhecem desde que se lembram de existir, e, confesso, tenho alguma pena de não saber bem o que é isso. A primeira vez que tive alguma estabilidade na vida foi aos 13 anos, quando fui para o 7.º ano, e só aí comecei a construir a minha teia de amigos. Antes disso, andei sempre de escola em escola, de cidade em cidade, de casa em casa, e de cada vez que começava a ter amigos a sério lá ia eu para outro sítio. Não havia telemóveis, nem internet, e as crianças também não tinham propriamente o hábito de trocar números de telefone, por isso perdi contacto com todos eles. Ainda me lembro do João Pedro e do Nuno Filipe Bexiga Grou, meus colegas da escola primária do Carmo, em Faro. Lembro-me da Ana Cláudia, da Fernanda e do Artur, do 5.º ano, na escola de Aranguês, em Setúbal. O 6.º ano foi dividido entre o Externato de Penafirme e a escola preparatória e secundária do Monte Estoril. Talvez por ter passado apenas alguns meses em cada uma delas, não fiquei com grandes memórias, nem construí grandes laços. E depois, então, chegou o 7.º ano, a turma do Sérgio, do Miguel, do Carlos Farinha, que era guarda-redes do Vitória de Setúbal, do Rui que era ginasta. Não mantive contacto com nenhum.

A minha amiga mais antiga, daqueles que ficam para a vida, conheci-a no 10.º ano. Era uma beta de primeira, só vestia Benetton, Uniform, tinha aqueles blusões de penas da Daffy e calçava sapatinho de vela. Era muito inteligente, excelente aluna e uma miúda muito porreira. Sentei-me ao lado dela durante dois anos. Fazíamos quase tudo juntos. Riamo-nos, zangávamo-nos (uma vez ela ficou uns dois meses sem me falar porque fiz um bigodinho na foto de um dos gajos dos New Kids on The Block, que ela tinha a forrar um caderno), partilhávamos os phones nas visitas de estudo, íamos a discotecas e até tínhamos casa de férias perto da Comporta – onde ainda hoje nos encontramos).

Passaram-se 19 anos, desde essas aventuras no 10.º ano.

E acho que em todos eles, a cada 22 de Novembro, estive lá para te dizer “parabéns”.

Como hoje.

Parabéns, Vivi.

19 Comentários

  1. Amigo Ricardo um abraço com 28 anos de eterna amizade um dia ainda havemos de nos encontrar, continuo benfiquista o joão pedro faísca teixeira infelizmente continua sportinguista, no resto está tudo fixe connosco.

    Um abraço também para o meu melhor amigo o anónimo aí de cima.

    Nuno Bexiga Grou

  2. Vivi, 22 de Novembro é um óptimo dia para se fazer anos! =P Parabéns atrasados!
    E parabéns a ti Arrumadinho, gosto tantoooo de te ler (:

  3. Obrigada pelos parabéns. Só tenho pena é que o/a colega não se identifique, está em vantagem 😉 Ricardo, faz as apresentações please. Vivi

  4. E alguns meses depois de ter descoberto que o teu irmão cabeça-de-melão é o Mané, eis que percebo que a tua amiga Vivi tabalha na mesma (Grande!) instituição que eu! O mundo é mesmo uma casca de noz 🙂 BTW, Parabéns, Viviane!

  5. Ola, Arrumadinho! Sem o saber, e por coincidência,, descreveu o meu próprio percurso.
    Só estabilizei no 7.º ano na mesma escola e mesma casa. Acho esse estilo de vida me tornou mais sociável e mais "adaptável", mas por outro lado sempre tive pena de não ter um grupo de amigos desde a infância (à excepção da minha melhor amiga, que resistiu às distâncias e foi sempre mantendo contacto :)).
    Hoje, tenho um óptimo grupo de amigos, mas realmente só falta o podermos trocar impressões sobre um percurso comum e muita memória da minhas infância se perdeu.
    Acha que esse perder de pedaços da memória nos torna pessoas incompletas?

  6. Bonito!
    é muito bom saber que sabe viver a amizade com uma mulher sem culpas nem desculpas!
    Gostei!
    Acho-o com um intelecto acima da média, comprovei isso mesmo com este post! Afinal os homens ainda têm esperança 😉
    Obrigada pela sua sinceridade!
    Parabéns por ser quem é, um lugar comum, bem sei, mas que se aplica na perfeição!
    Bravo!
    Célia Sweety

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