Os trogloditas do Colégio Militar

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Há alguns anos, quando trabalhava num jornal diário, recebi uma queixa de um pai de um ex-aluno do Colégio Militar, que acusava a instituição de maus tratos e apresentava como prova o relato do filho, que se dizia violentamente agredido por outros alunos. Na altura, pedi a um jornalista para tentar perceber melhor a história, falar com o pai e ouvir o Colégio Militar. As acusações foram todas negadas, mas demos a notícia citando o pai e apresentando a posição do Colégio Militar. Bom, onde nos fomos meter. Daí em diante, começámos a receber mails, cartas e telefonemas de pessoas ligadas ao Colégio Militar, de ex-alunos, de pessoas do Exército, em que nos chamavam tudo, sempre em tom de ameaça, dizendo que não percebíamos nada sobre organização militar, e que como éramos ignorantes nessa matéria não deveríamos dar ouvidos a gente que nem devia estar no Colégio.

Hoje, começaram a ser julgados oito ex-alunos do Colégio Militar, acusados de maus tratos a três colegas, entre os 11 e os 13 anos, sendo que um deles ficou com um tímpano furado depois de um estalo aplicado por um dos arguidos.

De facto, não sou militar, nunca fui, mas sou neto de um militar, que sempre me ensinou a respeitar as autoridades e as fardas, a aceitar a disciplina, mas que também sempre me mostrou, em todos os aspectos da vida, que o rigor e a exigência não se alcançam através da porrada ou da humilhação. Por isso, custa-me muito a aceitar que, em pleno século XXI, se continue a achar normal que alunos, crianças, adolescentes, sejam espancados, agredidos, maltratados, humilhados num colégio, e que esse comportamento seja aceite tendo por base “a tradição”. Foi isso mesmo que disse ontem o director do Colégio Militar em sede de julgamento, admitindo que tinha conhecimento dessas mesmas agressões. As suas palavras foram: “Era tradição os graduados castigarem os alunos mais novos”.

O Colégio Militar não está acima das leis do país, nem os seus alunos estão desprotegidos e desabrigados da Constituição. Logo, qualquer tipo de violência física deveria ser punida e castigada, e isso deveria acontecer de imediato na própria instituição, por forma a que o caso não chegasse, como chegou agora, aos tribunais. Ao contrário do que muita gente julga, o próprio código de honra do aluno da instituição diz “repudiar a violência”.

Na altura em que o jornal onde trabalhava publicou a história, e no auge das acusações que sofremos, alguns ex-alunos diziam coisas como “quem põe os filhos no Colégio Militar já sabe como as coisas são”, ou “aquela não é uma escola para meninas, é para formar homens, e é assim que deve ser”. Estes eram os principais argumentos apresentados para justificar as agressões a alunos mais novos, sobretudo em rituais de iniciação. Acontece que nem toda a gente que anda no Colégio Militar quer ser militar, e é ali colocado, apenas, por vontade dos pais. Logo, não me parece que tenha de ser preparado, desde os 10 anos, para enfrentar cenários de guerra. Há tempo para isso, e local próprio para isso — o serviço militar. Aí, sim, formam-se soldados, homens que têm de estar preparados para resistir à dor, à humilhação e ao medo. A ideia de que é à porrada que se formam homens é assim um bocadinho a puxar para o troglodita, como se 99,9% dos homens deste país não tivessem sido formados noutras instituições, menos selvagens.

Só espero, sinceramente, que o tribunal faça justiça e que esta sentença seja exemplar, por forma a que faça jurisprudência e sirva de arma para controlar a fúria dos graduados valentes que se acham muito machos por baterem em putos de 10 anos.

80 Comentários

  1. Pensei se valeria a pena responder-lhe e depois de refletir um pouco decidi que sim . Vale a pena . E vale a pena porque o senhor , talvez seja melhor tratá-lo por V.Exa , ofendeu milhares de ex-alunos dos pupilos do Exército , pessoas que sendo filhos e filhas ( no Colégio as filhas não entram ) de gente humilde ( criadas e outras do género ) trabalham anonimamente para o bem deste país , enquanto as tais elites que V.Exa tanto glorifica conseguiram destruir Portugal ao ponto de perder a própria soberania ( onde andará o tal patriotismo ? ). Veja só quantos ex-alunos do Colégio Militar militam pelos partidos com assento na Assembleia da Republica para fazer uma ideia do grau de responsabilidade dessa escola na situação a que chegou este país . E ao longo dos ultimos 200 anos as elites sempre mantiveram este país na miséria e na ignorância utilizando sempre a politica de castas que V.Exa tão bem representa . Pois eu , filho de um 2º cabo da GNR e de uma funcionária pública , ex-aluno dos Pupilos do Exército orgulho-me das raizes genéticas recebidas dos meus pais e da educação e moldagem de carácter recebida da escola . Sou Diretor de um Grupo Empresarial francês com 11 fábricas e 7800 trabalhadores . Sou o unico quadro de nacionalidade portuguesa , sou respeitado e o unico que consegue dialogar com todas as comissões sindicais e trabalhadores , porque os respeito e mantenho com eles uma relação de proximidade e profissionalismo . Não aceito elitismos , nem as queixinhas nem as graxas e muito menos as injustiças muito próprias das elites . Os meus cumprimentos

  2. Pois , se saiu aos 15 anos é porque não aguentou , não estava psicológicamente preparado . Por outro lado , estudei 9 anos nos Pupilos do Exército e fico estupefacto quando leio sobre as coisas tenebrosas que se passam dentro daqueles muros . Em 9 anos , com 400 alunos apenas conheci 2 ou 3 casos que se possam dizer graves e foram devidamente tratados . Concordo que alunos que não tenham conseguido acabar o seu curso nos Pupilos ou no Colégio possam ter criticas à forma como se vive lá dentro , apenas penso que essas criticas apenas vinculam meia duzia em milhares que lá estudaram . Eu só tenho que agradecer aos meus pais ter estudado nos Pupilos .

  3. Fui eu que fiz o primeiro comentário, não sou a segunda “rita”.
    Que eu saiba, nas escolas do Estado não há segregação, deixou de haver há muito tempo. E, tendo direito à minha opinião, acho que foi melhor, acho que faz falta que as crianças convivam com todo o tipo de crianças, meninos e meninas, pretos e brancos, etc.
    Posto isto, não me choca que um colégio privado faça essa segregação, mas não posso concordar que exista uma escola de “elite” patrocinada pelo Ministério da Defesa, que ainda é parte da estrutura que todos os portugueses pagamos, e bem, que a faça. É só isto, que seja 100% privado.

  4. Dona Sandrabotica

    Nao me querendo alongar, pois e estar dar importância e visualidade a um post que a meu ver foi realizado para criticar destrutivamente e não construtivamente , se a Dona Sandrabotica me der a escolher entre o GUN POW , o XIU XIU ou CHOP SUEY para presidente da China, eu também não vou preferir nenhum, primeiro não os conheço e segundo não estou dentro do contexto politico chinês para poder fazer tal escolha.
    Com as crianças de 10 anos e o mesmo, se lhe derem a escolher entre uma escola publica, uma privada, etc , eles não sabem escolher, ou escolhem onde houver melhor campo de futebol ou onde as casas de bonecas forem maiores……

    Como alguém , seja criança ou adulto, pode escolher sem ter conhecimento de causa?

    Cpts
    Joca

  5. Cara Catarina, respeito muito a sua opinião. Conseguiu ser assertiva mas educada, sem cair em extremismos baratos. Somos mesmo o fruto do meio em que fomos criados. Podemos discordar de muita coisa, mas numa coisa ambas concordamos: tudo começa em casa 🙂

  6. Pelo seu tipo de resposta, vê-se o género e o nivel…..Francamente, nem sequer você se identifica….Anónimo….e diz que o autor do blog não se identifica….sinceramente. Se quiser você consegue saber quem é o “Arrumadinho”, casado e pai de filhos. Santa Ignorância, pelos visto não tem lido todos os comentários e testemunhos. Um ex-aluno já aqui disse que estava no Colégio Militar na altura dos acontecimentos e conhecia os alunos em questão e confirmou que houve uma “estalada” dada com tal violência que arrebentou o tímpano do miúdo….. Se o autor do blog não sabe do que fala…você então ainda menos!!!!!

  7. Por acaso até fui, a minha filha tem primos no colégio “Valssassina” e também poderia ter ido para lá logo aos 6 anos. Quando chegou aos 10 ainda houve a hipótese de a colocar nas “Doroteias” e continuei a preferir a escola pública. Quando o meu enteado ingressou nos Pupilos, os valores das mensalidades baixaram drásticamente, e eu poderia a ter colocado lá ou nas “Meninas de Odivelas”.E por acaso aos 10 e aos 11 anos perguntei-lhe e dei-lhe opção de escolha, e ela não fez questão de ir para nenhuma das escolas. Como vê, aos 10 anos eles já sabem o que querem, não significa que não possam mudar de opnião ao longo da sua infância e adolescência. Acontece que a minha filha não tem medo de assumir o que realmente quer para ela, não tem medo da opnião da mãe, nem tem medo de desiludir a mãe. Ela não me obdece “cegamente”, pois tem opnião própria e respeitamos a opnião uma da outra. E a prova de que as escolas do público não é só para “ralé”, a minha filha desde os 8 anos que integra uma orquestra pública, da própria escola, sem custos alguns, é profissional, já tocou para os principes de Espanha, tocou com o Mario Laginha e com o Plácido Domingo e já percorreu o país, representando uma escola pública da periferia de Lisboa, fazem concertos na Aula Magna e na Gulbenkian. Relativamente á escola, as notas dela são sempre de destaque, nos 2ºs e 3ºs períodos de cada ano lectivo, só tem “quatros” e “cincos”. Nos exames finais do 6º ano, teve “quatro” a Português e a Matemática ( média nacional foi de “dois” e de “três” ) A minha filha sempre teve melhores notas que o meu enteado, e no entanto nunca lhe deram medalhas. Como pode ver não “preciso” de uma instituição militar para fazer da minha filha um “Exemplo” . E quando você diz que tem inveja de lá não ter andado, olhe….eu nem sequer perco tempo a ter INVEJA de nada nem de ninguém. O que ela é na escola, também o é em casa, não precisa de mudar de comportamento, e quem me conhece sabe que sou bastante exigente com ela em relação a tudo, em relação aos estudos, em relação ás tarefas de casa e mesmo na sua relação com os outros, tenham eles que idade tiverem.

  8. Pois olhe eu nem sequer perco tempo a ter sentimentos desses. “Asco”

    Não tenho asco de nada nem de niguém, é um sentimento tão negativo

  9. Sei o que digo, antes dos 10 anos, ele não era assim! Os Pupilos toldaram-lhe a maneira de ser e estar perante os outros. Lá dentro é um exemplar, todo certinho, cá fora é o oposto.

  10. Sempre aprendi que nunca se fala de um assunto que nao se sabe. So um homem com o curso de jornalismo é que fala como se soubesse de alguma coisa que se passa naquela casa. Nunca houve maus tratos, isso é pura especulacao … Aqueles alunos nunca foram agredidos por ninguem , nunca nenhum saiu com marcas de la porque isso é uma grande mentira. Voce é so um homem que nao tem coragem de assinar os seus proprios textos e que tem a mania de escrever para aqui uns textos. Enxergue-se e nao fale do que nao sabe.

  11. Dona Sandrabotica,

    Apenas por curiosidade, quem escolheu a sua escola ou a escola dos seus filhos?

    Foi o seu filho que quis ir para a EB23 da Caparica? Foi a senhora que elegeu a escola publica ou privada onde ele esta? O foi o governo que lhe apenas permitiu frequentar a escola do seu bairro?

    Parece-me que todas, excepto a primeira (que duvido que aconteça ) tem um denominador comum…a escolha e sua. Ou escolhe uma privada ou escolhe que o seu filho vá para escola publica do bairro….

    Vi ai um comentário que diz que quem fala assim e inveja…acredito que seja, mas eu tenho inveja de não ter estudado lá ou de não ter o meu filho lá …..

    Isto e tudo uma cambada de pregadores que só dizem o que lhes vem na cabeça , sem qualquer conhecimento de causa e como o comum dos portugueses o que é bom não presta e o que é de fora é bem melhor….

    Muito medíocres mesmo…..

  12. A esta frase “está absolutamente esquecida do propósito original de um colégio interno. Pessoas que viviam afastadas de locais onde houvesse instituições de ensino colocavam os seus filhos em colégios internos, porque era uma forma fácil e barata de os ter alojados, sem necessidade de ficarem hospedados em casas de familiares, que muitas vezes não existiam” pergunto-lhe se sabe em que século estamos!!!!
    Se considerar que ir à 4ªf jantar com a família é colégio externo, então sim o CM é externo!!!!

  13. O menino em causa “é introvertido, anti social, nunca quer sair de casa, nem ir a casa de ninguém, é mal educado, só quer jogos internet e televisão,muito esquisito para comer ( confessou que chega a deixar comida no prato ou deita no lixo disfarçadamente) só come o que gosta, ele tem uma irmã mais nova com menos 3 anos, ele é extremamente bruto, magoa-a, não tem noção da força, até ao pai com 1,75mt e 44 anos, ele é capaz de magoar a sério” NÃO é pela lacuna na educação do mesmo em casa, é de FACTO por estar privado do contacto diário com a família, do carinho e atenção! Ele não tem efetivamente educação em casa porque privaram-nos disso 🙁

  14. Ai está provado cientificamente? Temos cientista. Olhe, quando puder enviei-me esse fantástico estudo científico de que nunca ouvi falar.
    E não sei em que países tão desenvolvidos há segregação sexual. Na Europa não é de certeza.

  15. O engraçado é que conheço vários Antigos Alunos e nenhum deles tem ou teve pais em part-time. Engraçado também que conheço pessoas que não frequentaram a instituição e a relação com os pais é zero! E agora em que é que ficamos?

  16. Quando os entrei para a escola os meus pais não em deram hipótese de escolha. E então? Acham que uma criança com 10 anos têm discernimento para saber escolher a escola para onde vai?

  17. Pessoas desequilibradas existem em todo o lado. Agora atribuir isso ao facto de terem andado numa instituição como o CM ou o IPE é de bradar aos céus. Conheço pessoas desequilibras que não frequentaram nenhumas das instituições. E agora em que ficamos?

  18. Rita, devia informa-se melhor antes de falar. Está provado cientificamente que a segregação sexual se traduz em melhores resultados escolares face ao ensino misto. Em países desenvolvidos este tipo de ensino é bastante normal e aconselhado. Mas é típico em Portugal querer acabar-se com aquilo que temos de melhor!

  19. Desculpe que lhe diga mas quando diz que o seu enteado “é introvertido, anti social, nunca quer sair de casa, nem ir a casa de ninguém, é mal educado (…) ele tem uma irmã mais nova com menos 3 anos, ele é extremamente bruto, magoa-a, não tem noção da força, até ao pai com 1,75mt e 44 anos, ele é capaz de magoar a sério” isso não é proveniente dos 3 anos com que ele já conta na instituição mas sim pela lacuna na educação do mesmo em casa! Pois é, neste país continuamos a achar que as escolas, sejam elas de que tipo forem, têm o dever de educar e ensinar… Ideia errada! A escola ensina, os pais educam.

  20. Bem , nem vale a pena perder muito mais tempo com este tema tão polémico. Até porque cada um interpreta á sua maneira. Em 1º lugar nunca disse que se tinha medalhas com negativas. Disse que existem alunos na instituição com muitas negativas. E disse que um aluno com apenas 2 “cincos”, tem medalhas e já é considerado excelente. Não falo sem conhecimento de causa, pois como disse o meu enteado frequenta a instituição há cerca de 4 anos. Não vou continuar a gastar “o meu latim”, não por falta de argumentos, mas porque de facto acho que tenho coisas mais importantes para gastar o meu tempo, do que a tentar argumentar um tema desta relevância. Em último, acho muito sinceramente que a sua educação militar podia-lhe ter ensinado a não “deitar abaixo” o autor do blog, pois se não fosse ele, você não estaria aqui a defender a sua “Instituição Militar”. Ele está cumprir a função de informar as pessoas o que se passa na nossa sociedade civil, e dar opnião todos nós podemos, já não somos “presos por isso” . Aliás eu só tive conhecimento do referido julgamento através deste blog. A sua educação militar, só o faz olhar em frente “com 2 palas”, sabe estamos num país democrático com liberdade de imprensa e com liberdade de expressão, podemos dar a nossa opnião, dizer mal ou bem do que bem entendermos. E se de facto o incomoda tanto este tema e a forma como ele surgiu, porque perde o seu tempo aqui a “espreitar” ?! Por mim já chega de “militarisses”

  21. No comentário inicial com a explicação do que e um tribunal colectivo, há uma imprecisão: este tribunal é efectivamente composto por três juízes, mas só um é o Presidente, o que preside à audiência. Os outros dois coadjuvam, e chão chamados de “asas”. Quanto ao texto, concordo na íntegra e espero uma condenação que tenha pelo menos o condão de alterar procedimentos e costumes hediondos, já que mentalidades, essas, são mais difíceis de alterar.

  22. Se até o filho da criada lá andou, é porque será um lugar mesmo rasca, não, caro Duarte? Nada a ver com o colégio da elite. Credo, gentinha que insiste em misturar classes.

    Confirmou a prepotência que se percebe à primeira vista, portanto mesmo que pudesse ter alguma razão, perdeu-a.

  23. Muito sinceramente não percebo o porque de tanto alarido, mas aparenta-me que se estão a crucificar crianças, por actos de crianças, O meu filho, que frequenta um renomeado colégio na região de Lisboa (não o militar), na semana passada chegou a casa e disse-me que um aluno do 11°ano lhe tinha batido (o meu filho está no 9°). Depois de muito puxar por ele, percebi que num jogo de futebol, o mais velho lhe tinha feito uma falta e o meu filho respondeu-lhe com o típico Filho da P***, ao que o outro lhe deu um “tabefe” e disse-lhe para não o repetir. Resumindo depois de perceber o sucedido dei-lhe dois pares de estalos para aprender a ser educado…. Violência? Penso que não, considero-o educação, caso não tivesse havido o dito “tabefe” ou o par de estalos, hoje estaria a reagir da mesma forma, assim antes de o fazer ja pensa duas vezes.

    Agora se neste caso, destes jovens em tribunal, existir violência gratuita, aí sim tem que ser claramente feita alguma coisa, mas temos que ver que são crianças.

    Agora anda na moda o Colegio Militar, deve ser por de alguma forma conseguirem mostrar que estão contra algumas decisões do nosso “belo” governo que tão bem tem tratado as pessoas, empresas e instituições do nossos país.
    Aparentemente agora apareceu alguém que lhes consiga fazer um pouco de frente e tudo o que vou lendo na blogosfera cada vez mais parece contra-informação a pedido do nosso “excelente” efectivo….

    Deixem-se de politiquises, casos como este, seguramente acontecem todo o dia e em todas as escolas do mundo.

    Abracos
    Joca

  24. ”Arrumadinho” sou Antigo Aluno do Colégio Militar e, sem puxar a brasa à minha sardinha, começo por dizer que tenho bastante orgulho em lá ter estudado. Foi uma decisão tomada pelos meus pais, logicamente, mas nunca me senti obrigado a lá andar – os meus pais sempre me facultaram a saída se eu assim quisesse. Não digo que algo do que se ouve cá fora seja mentira, mas nada é como dizem. Lá dentro formam-se Homens de uma maneira diferente do que noutro lado qualquer. Os Graduados existem para nos ajudar (tal como eu ajudei quando fui), mas também para nos colocarem obstáculos à frente, para aprendermos a ultrapassá-los (tal como eu também coloquei). O objectivo é preparar-nos para a vida e esta, agora mais do que nunca, está difícil. E não é com políticas de facilitismos que nos havemos de preparar. «Treino difícil, combate fácil»; Enquanto podemos falhar, falhemos, enquanto podemos aprender, aprendamos. É isso que acontece lá dentro, ensinam-nos, à nossa maneira, como será a vida que iremos encontrar cá fora. É difícil, admito, tal como admito que muitas vezes pensei em desistir. Mas não se pode desistir da vida, por isso também não desisti do Colégio. Sabia que aquilo era o melhor para mim e hoje, quando falo com camaradas que saíram a meio, só lhes oiço palavras de arrependimento.
    Imagino que seja complicado para quem não conhece, ter uma pequena ideia do que o Colégio Militar representa para qualquer pessoa que por lá tenha passado mas, como nós dizemos, «Apenas o vivido é compreendido».
    Eu já era aluno do Colégio quando ocorreu o referido caso e, do que sei (que é mais do que qualquer pessoa que aqui escreveu sabe, certamente, a menos que também tivesse estado presente no momento, como eu estive), apenas se tratou de uma chapada mal dada. Não é preciso muita força para furar um tímpano, basta que se acerte no sítio errado; e foi o que, infeliz e não intencionalmente (óbvio), aconteceu. O rapaz foi socorrido no momento, e o Graduado responsável, para além de se censurar a si próprio e ter sido censurado pelos camaradas do Curso, foi punido oficialmente. Mas a chapada foi dada e o tímpano estava de facto furado. O caso veio a público porque a mãe desse rapaz assim o quis (se calhar contra a vontade do próprio rapaz).
    Acho completamente errado o caso ser ”reaberto” nesta altura crítica para o Colégio Militar, quase sete anos depois, quando, se calhar, o rapaz e o (antigo) Graduado já se dão bem e são novamente amigos, mas isso já é culpa dos Tribunais e do sistema judicial do País (sendo óbvio que foi mais uma encomenda do Ministro da Defesa – que continua a atacar os órgãos sobre sua tutela, em vez de os defender – especialmente destinada a esta data).
    É muito triste assistir ao péssimo jornalismo que existe hoje em dia, onde os jornais publicam tudo e mais alguma coisa, sem sequer se preocuparem com a veracidade dos factos, dando relevo a opiniões que se baseiam em mentiras. Tudo para ver quem vende mais, tudo por dinheiro. Infelizmente, a Honra é um valor que desapareceu da sociedade actual, bem como a Integridade dos cidadãos; pois bem, (e puxando de novo a brasa à minha sardinha, mas baseando-me no que é a minha experiência de vida), o Colégio Militar preocupa-se em formar os seus alunos com todos esses valores e com muitos mais. Temos um Código, que procuramos cumprir sem falhar, mas, logicamente, por sermos humanos, também falhamos. Também erramos. E toda esta confusão, que dura há sete anos, não passa de um erro. Cometido por alguém que podia ter sido qualquer pessoa, mas, por ter sido por um Graduado do Colégio Militar, é tomado como um crime. Acho que está mal e acima de tudo, acho injusto. Mas cada um faz os seus juízos.

    Para terminar (espero que tenha lido até aqui), deixo-lhe um conselho: não queira fazer parte do esmagador número de comentadores e jornalistas medíocres que caracterizam os meios de comunicação deste país. Tente ser melhor, tente pôr o seu máximo no mínimo que faz, e dê uma opinião sincera, baseada em factos verdadeiros. Para informar, esteja informado.

    Com os melhores cumprimentos,

    Um orgulhoso Antigo Aluno do Colégio Militar

  25. Cara Catarina,

    Não confunda os Pupilos do Exército com o Colégio Militar, em comum têm apenas a ligação militar, mas salientemos que o Colégio Militar é uma instituição Centenária que era de Elite para Elites. Os Pupilos era para os filhos dos sargentos. Hoje em dia até o filho da minha criada lá estudou. No entanto, não deixa de ser uma grande instituição.

    Quanto as atrocidades assusta-me realmente o que se passa hoje em dia no contexto escolar, independentemente de falarmos em instituições particulares/públicas. Os Pais cada vez menos sabem educar e a imagem do Professor foi manchada. O respeito pelos mais velhos não existe. Situação que é cultivada no Colégio Militar com um espírito de camaradagem e entreajuda que dura para toda a vida.

    Não generalizemos esta situação ao Colégio Militar, em muitas escolas de Portugal infelizmente há situações semelhantes e piores.

    Dá me vontade de rir quando leio comentários em que a escolha é da criança, e questiono-me o que é que sabe uma criança da vida? Há que ter pulso e ajudá-los nas melhores escolhas. A violência não é defendida pelo Colégio Militar com toda a certeza, mas uma correcção na altura devida nunca fez mal a ninguém.

    O Colégio Militar é uma grande instituição. Muitos do comentários que aqui leio acredito que são de inveja, desconhecimento. Talvez por nunca lhes ter sido dada a oportunidade de envergar na lapela o emblema do Colégio e por serem ultrapassados por elementos que se formaram como homens nesta instituição. Relembro que os Professores que leccionavam no Colégio Militar eram considerados os melhores de Portugal.

    Concluindo, não defendo a violência nem o episódio que se sucedeu, agora não deixemos de reconhecer o mérito que tem esta granda instituição que é o Colégio Militar. Não sejam pequeninos.

    Cumprimentos

  26. Que curioso… Concordo com tudo o que disse!
    Apesar de, ainda assim, a orientação política ser uma escolha pessoal feita em idade adulta. Já a frequência de uma determinada escola privada cabe, em principio, aos pais. Pais que são, muitas vezes, ex-alunos dessas mesmas escolas. No caso do CM é quase (outra?) tradição.
    E olhe, não tenho nada liminarmente contra o CM em si. Como disse, acho que fazem um bom trabalho ao nível académico. Para não falar da prática de desporto e das relações de camaradagem que ali se desenvolvem.
    Questiono, única e exclusivamente, alguns dos métodos. Principalmente quando muitas destas situações se passam entre alunos (com o conhecimento da direcção que fecha os olhos) cujo o nível de desenvolvimento intelectual ainda está em formação. A título de exemplo, no caso que está a ser julgado, duvido que o aluno que aplicou o estalo tivesse noção das consequências físicas (já nem falo das outras) do seu acto.

  27. Sou ex aluno dos pupilos do exercito, a vida não foi propriamente fácil lá dentro, mas também não sofri os horrores que se anunciam hoje. Olhando para trás sinto que criei laços de amizade únicos, e que tive oportunidade de ter professores e colegas únicos, durante algum tempo afirmei que passei os melhores e os piores momentos da minha vida, hoje considero que nem foram assim tão maus mas que de certa forma foram bastante bons. Hoje tenho um filho que entrou para a primária este ano, numa escola pública, inserida num bairro teoricamente de classe média alta, em 2 semanas já levou mais porrada dos alunos da 4ª classe do que em toda a vida. Chegou com nodoas negras e marcas nas costas, já desapareceu o estojo e um carrinho (embora o carrinho seja normal) apesar de ter feito queixas quase diárias na escola, parece que não ligam… É verdade que os alunos mais velhos se impunham sobre os mais novos, o mesmo se passa cá fora. Estudei nos Pupilos e no público, nos Pupilos havia uma hierarquia, cá fora era a anarquia… Nos pupilos um aluno mais novo, caso tivesse algum problema com um aluno mais velho queixava-se ao comandante de companhia… e vi comandantes de companhia e dar tareias em alunos do 12º porque tinham feito algo injusto a um puto do 7º ano. Cá fora fui roubado por 3 putos das marianas, fiquei sem um blusao de penas de 20 contos e a policia arquivou o caso… Não quero com isto defender quem agrediu de forma selvagem uns miúdos indefesos, quero apenas afirmar que cá fora passa-se o mesmo e torna-se muito oportuno dar mediatismo a este caso numa altura em que se quer fechar este tipo de escolas. Porque os militares são os únicos que fazem frente a políticos corruptos. PS- quando o meu filho for para o 5º ano, vou inscreve-lo nos pupilos, como externo, porque tenho a certeza que será melhor tratado lá dentro que cá fora.

  28. Acha que são exigentes? Ele termina o Ano lectivo, 7º ano com 2 “cincos” e 2 “três” é considerado execlente, então o que direi dos alunos que andam no ensino público e que terminam com 5 “cincos” e 5 “quatros”, sem nenhum “três”. Sabe que ter dinheiro não é sinínimo de sabedoria, nem inteligência, e por vezes pode-se pagar 400€ por mês, mas não sabem sequer fazer contas de cabeça, sem contar pelos dedos.

    Não estou de acordo que “acabem” com as instituições militares, mas fazerem uma fusão e juntarem as 3 numa, não vejo mal nenhum. Instituições daquelas custam muito dinheiro a sustentar e quem paga é o contribuinte, somos todos nós que pagamos, os ordenados milionários dos Oficiais, cheios de regalias ( despesas, motorista e viatura), bem como os vencimentos dos professores que são acima do regime geral. De resto é tudo pago pelos pais dos alunos, os uniformes e toda a exigida indumentária, , sacos, mochilas, sobretudo,luvas, meias, t-shirt, tem que ser tudo como eles querem e bem pago.

    Mas também lhe digo, com o exemplo que tenho cá em casa do meu enteado ( tem agora 13 anos), lá dentro é um aluno exemplar, boas notas, nada apontar, cá fora, resultado de 3 anos militares: è introvertido, anti social, nunca quer sair de casa, nem ir a casa de ninguém, é mal educado, só quer jogos internet e televisão,muito esquisito para comer ( confessou que chega a deixar comida no prato ou deita no lixo disfarçadamente) só come o que gosta, ele tem uma irmã mais nova com menos 3 anos, ele é extremamente bruto, magoa-a, não tem noção da força, até ao pai com 1,75mt e 44 anos, ele é capaz de magoar a sério. Relativamente a perguntar-lhe o porquê de ir para os Pupilos, ele respondeu-me: Sei lá, a minha mãe sempre quis que eu fosse para lá….a mãe nem admite sequer a hipótese de ele querer mudar de escola. Nas provas de admissão, nunca sequer puseram a hipóteses de perguntarem aos miúdos se realmente querem ir para lá!!!! Por isso é que se diz “Regime militar”: Obdece e não reclama.

  29. Cara sandrabotica,

    Eu com 10 anos ESCOLHI ser aluno do Colégio Militar e de nada me arrependo.Medalhas com negativas completamente impossivel pois se houver uma única negativa em qualquer periodo do ano escolar fica automaticamente excluido de receber qualquer que seja a medalha ou prémio!
    Falar sem conhecimento de causa é bonito e normalmente “quem conta um conto acrescenta sempre um ponto”.
    Casos únicos acontecem em qualquer instituição seja ela pública, privada, militar ou civil contudo as pessoas só gostam de criticar quando algo de bom na sociedade, como o Colégio Militar, tem algo para mandar abaixo e denegrir a instituição.
    É uma instituição com mais de 200 anos de história, por lá passaram presidentes da república, e outras pessoas ilustres e todos eles nutrem um carinho e afecto pela casa onde cresceram, e porquê?
    Certamente não terá sido pelos maus tratos, violência ou pelo despotismo sofrido.
    Deixem de mandar abaixo qualquer instituição nova ou antiga pois todas têm situações menos boas mas, são essas situações que fazem com que as mesmas aprendam, evoluam e construam a sua forma de educar.
    Por último, o caso que está no tribunal, ainda não está terminado e ainda não foram apurados factos porque uma coisa posso garantir é que o que se passou não foi o que contaram nos canais sensionalistas, há uma razão forte para justificar, não desculpar, os actos.
    Ao autor do blog espero que o mesmo se informe e faça o seu trabalho com mais brio pois atirar abaixo e criticar todos o fazemos contudo criticar construtivamente com conhecimento de causa, já é mais complicado.

    Melhores Cumprimentos

  30. Eu tenho asco a pessoas que consideram que a segregação sexual é necessária para haver uma “educação de excelência” e que julgam os valores morais e familiares dos outros como inferiores aos seus, quando os mesmos concordam com a existência de um colégio privado que também é pago pelo Estado, pois está sobre a alçada do Ministério da Defesa. Se é assim, todos (meninos e meninas) deveriam de poder entrar. Se não que seja 100% privado.

  31. Não, mas que eu saiba tenho direito à minha opinião.
    Que eu saiba os que defendem que umas estaladas não fazem mal a ninguém também não são psicólogos.

  32. Cara Filipa, antes de elaborar a minha resposta, vou enquadrá-la no seguinte contexto: eu fui militar do Exército português, e o meu marido foi aluno dos Pupilos do Exército. Ou seja, estou bem informada sobre as Forças Armadas, como deve imaginar. A Filipa escreveu: “É a prova de que não é normal, de que, quando há actos de violência, há consequências graves.” Não, não é nada disso. O que acontece é que bateram no puto errado. Nessas instituições, toda a gente sabe que há alunos e alunos… Por isso, não me parece que 600 pais e mães odeiem os filhos ( os meus sogros não odiavam o meu marido, mas atiraram-no lá para dentro ), mas que 600 pais e mães têm conceitos muito estranhos de amar os filhos, isso têm. Como pode ver, há inteligências medianas que fazem leituras diferentes da sua. Fez um comparativo com a escola pública, onde eu andei. Há porrada? Há pois. Mas os gaiatos de hoje em dia não sabem é defender-se, e a culpa não é exclusiva da escola, até porque, como a senhora escreveu, orgulho, honra, rigor, disciplina e fraternidade não se aprendem na escola, seja ela qual for; aprendem-se em casa! Eu não precisei da escola nem da tropa para me ensinarem esses valores fundamentais; bastou-me um pai e uma mãe que amam os seus filhos, e que, mesmo na pobreza, tornaram-nos homens e mulheres ricos, bem mais ricos dos que os pobres desgraçados das instituições de ensino militares, como o meu marido. O meu pai costumava dizer: eu sou pobre, só vos posso dar tempo, valores e educação, e rezar para vocês aproveitarem o que vos dou para serem homens e mulheres de valor e de carácter. Por fim, resta-me apenas frisar-lhe que das escolas que defende saíram 5 Presidentes do nosso país, e veja lá a boa porcaria que fizeram. Da minha escola, e das escolas iguais à minha, saíram homens e mulheres que, esses sim, são os verdadeiros heróis do país; são os homens e mulheres que fazem este pequeno Portugal, às vezes devagar, às vezes mais lesto, andar para a frente. São os heróis que os simples Presidentes (des)governam.

  33. sim os princípios das artes marciais e o facto de cada vez mais haver maior numero de praticantes infantis, para corrigirem comportamentos de “hiperactividade” diagnosticada pelos pais, prende-se exactamente por pais que não sabem contrariar os filhos nem dar a valorosa palmadinha na hora H…. e eu que ature os filhos dos outros em vez de ensinar a arte, infelizmente o dinheiro não compra a qualidade da educação no seio do lar…

  34. Tem piada, no meu caso fui eu que aos dez anos pedi para ir para o Colegio Militar…olhe nem o meu pai la andou veja lá. E hoje sou casado, com uma mulher lindissima que, julgo, trato muito bem. Tenho dois filhos lindissimos, de um e dois anos que, julgo, trato com mais amor e carinho que sei lá o quê…licenciei me numa das melhores faculdades do país, sou director numa das maiores empresas exportadoras do país (sim sou mesmo orgulhoso de tudo o que tenho alcançado na vida), a minha equipa adora trabalhar comigo…e diga lá agora…sou desequilibrado? Ponha juizo na cabeça, leia, estude, pense, analise…e depois entao fala…essa deve ser sempre a regra. Sabe porquê? Senao o fizer a probabilidade de sair verborreia…vá nao diga que ja nao vai daqui…um ex-aluno do Colegio Militar já a ajudou a ser melhor preparada para a vida. Força!

  35. Mais uma vez voltamos aos gostos. Quem não gosta não come. Democracia tb é o direito de opção. Se existe à 213 anos uma escola de vertente e educação militar que tem candidatos e alunos pq não continuar a existir essa opção, para quem a quer?

  36. Tem a ver que tb conheço um ex-aluno do CM que é militante do bloco e ex candidato a presidente da republica. E não me parece que desdenhe a casa que o formou….

  37. Isso apenas quer dizer que o CM é uma escola mais exigente que a maioria das escolas públicas. Quando chegar a altura de entrar na faculdade se verá quem entra ou não, qual a sua média de entrada e qual a opção em que entrou.
    Relativamente, à vontade de um miudo de 10 anos, se entende que deve perguntar ao seu filho se quer ir para a escola x ou y, boa sorte para a educação dele! Eu prefiro escolher o colégio para onde ele vai.

  38. Cara Cristina, não podia estar mais de acordo. O meu marido foi ( à força, claro ) aluno dos Pupilos do Exército dos 10 aos 15 anos e, felizmente, é um homem equilibrado. Mas se o é, deve-se ao muito trabalho que eu, ainda como namorada e agora como mulher, e a irmã dele, que me ajudou muito, tivémos. As atrocidades que se vivem dentro dessas instituições são de bradar aos céus… Não consigo compreender o que leva alguém a colocar um filho nessa posição. Eu fui militar, mas fui no tempo devido: aos 18 anos fui bater pala, e fui por minha livre e espontânea vontade, já que sou mulher! Mas obrigar uma criança de 10 anos é algo que não me cabe na cabeça.

  39. Eu tenho asco a pessoas que têm asco a esta instituição! Até pq, normalmente, são pessoas com valores pessoais e familiares bastante duvidosos.

  40. Está absolutamente esquecida do propósito original de um colégio interno. Pessoas que viviam afastadas de locais onde houvesse instituições de ensino colocavam os seus filhos em colégios internos, porque era uma forma fácil e barata de os ter alojados, sem necessidade de ficarem hospedados em casas de familiares, que muitas vezes não existiam.
    Já agora, não conheço nenhum colégio interno que não seja também externo, incluindo o colégio militar.

  41. Namorei há uns anos com uma comunista e fazem-lhes verdadeiramente uma lavagem cerebral. Fora do contexto do partido até são pessoas normais mas ali transformam-se e passam a achar aceitáveis práticas verdadeiramente repudiáveis. Tudo em nome da tradição e de uma suposta ideologia que só eles entendem. Acho que os faz sentir parte de um clube onde só entra quem por lá passou, uma espécie de elite cultural. E não se podia criticar pq no PCP ninguém toca, está acima de criticas e reformas.
    E olha, até considero que fazem um bom trabalho (ou pelo menos faziam) na parte da solidariedade, mas o resto não é admissível.

    p.s.- Não tenho nada contra o PCP, isto serve apenas de exemplo.
    p.s.1-“Se toda a gente gostasse de laranjas, o que seria das bananas!”
    p.s.2- Namorei mesmo com uma comunista, era boa rapariga….

  42. É a sua opinião e para mim é mais que errada.
    Violência física só leva a mais futura violência, traumas, etc, etc.
    Não há nada que não se resolva com comunicação.
    Eu nunca levei e agradeço por isso.

  43. Arrumadinho,
    concordo com tudo o que escreveu!
    Tenho é pena e acho uma vergonha só agora irem a julgamento, tantos anos depois… enfim, é o que temos!

    Célia

  44. Concordo em pleno com o seu comentário! Aliás eu sou completamente contra a colégios internos sejam eles de que espécie forem. Na minha opinião são “depósitos” de filhos provenientes de pais em part-time, sitios que não são mais do que formadores de pessoas depressivas, revoltadas, frias, distantes, cujos laços com as famílias são destruídos.

  45. Rita, desculpe lá… Mas uma palmada ou mais resolvem muita coisa. Claro que não é por parte dos professores e muito menos colegas, como refere.
    Mas educação em casa?? Qual é o mal? É pelos paizinhos que não acreditam em “bater nos filhos” que muitos deles são o que são agora: mal-educados, sem respeito nenhum.

    Muito levei eu e agradeço por isso.

    Só uma opinião.

  46. Finalmente há alguém como a “Cristina” que partilha da mesma opnião que eu. Pelos vistos não fui a única a ter a certeza de que de facto há “maus exemplos” dentro da instituição. Acreditam mesmo que aos 10 anos uma criança, vai para uma instituição militar por vontade própria? No caso do meu enteado, a mãe é militar e quando chegou altura de o inscrever, apenas lhe comunicou e lembrou o que já se falava lá em casa desde que ele nasceu….acham que ele teria muita escolha? Ia decepcionar a mãe, que é militar? Durante 10 anos da vida dele, sempre lhe disseram que ele seria militar……Pois eu faço-lhe muitas perguntas directamente e ele já me disse que lá para o 12º quer sair da Instituição e quer seguir a área de Investigação, Ciências, militar? Nunca. A mãe é que não deve gostar da ideia, deve ter esperança que ele mude de opnião até lá. Mais ainda, eu tinha a ideia, errada ou não, de que por norma os alunos que frequentam instituições particulares, fossem na sua maioria bons alunos…..pois enganei-me…..A minha filha que estuda numa escola pública problemática da Amadora , teve melhores notas( só 4 e 5 ) que o meu enteado, o meu enteado é considerado bom aluno, já ganhou algumas medalhas de prata e ouro e informou-me de que é dos melhores do ano dele (8ª), e muitos tem cerca de 2 , 4 negativas ou mais.

  47. Escola fascista? Podia-me expor melhor a sua opinião por favor?

    Por sinal tenho como amigo um que é militante do Bloco, por isso não fazia o Colégio como uma escola partidária, mas sim patriótica e sinceramente não encontro problema algum nisso.

  48. “Uma palmada bem dada no momento resolve logo os problemas… ” Não, não, não. Não, não resolve, violência física NUNCA resolve nada.
    Muito menos vinda de colegas ou professores que não substituem os mais coisa nenhuma.
    Típica opinião portuguesa.
    E aquela só pode ser a escola mais fascista do país, é incrível como ainda existe.

  49. Gosto bastante do seu post e não podia estar mais de acordo.

    Espero sinceramente que se faça justiça e de forma exemplar.

    Os pais que deixem de uma vez por todas os filhos seguirem os seus próprios sonhos e não os seus ou os dos avós. E digo isto como mãe.

    Beijinhos ao Mati 🙂

  50. Namorei há uns anos com um ex-aluno do CM e fazem-lhes verdadeiramente uma lavagem cerebral. Fora do contexto CM até são pessoas normais mas ali transformam-se e passam a achar aceitáveis práticas verdadeiramente repudiáveis. Tudo em nome da tradição e de um suposto código de honra que só eles entendem. Acho que os faz sentir parte de um clube onde só entra quem por lá passou, uma espécie de elite. E não se podia criticar pq no CM ninguém toca, está acima de criticas e reformas.
    E olha, até considero que fazem um bom trabalho (ou pelo menos faziam) na parte da formação académica mas o resto não é admissível.

  51. Eu tenho asco a essa instituição, infelizmente tenho conhecimento direto de um homem que ficou traumatizado para a vida com a sua estada no Colégio Militar, onde foi colocado à força pelo pai, e ouvi muitas histórias das coisas que lá se passavam. Indiretamente, afetou pela negativa a vida de várias pessoas além dele.

  52. Há coisas que quando não se sabe TUDO a nossa opinião fica bastante toldada pelas nossas experiencias e pré-conceitos.
    É claro que todos temos direito a opinião, aos nossos preconceitos e tabus. Mas quando se se faz (literalmente) opinião, deveríamos ter mais cuidado a escrever sobre algo que tem mais de 200 anos.
    Espero, se efetivamente houve abusos, espancamentos e humilhação as pessoas envolvidas deverão ser (lá está) castigadas, mas também lhe digo que “graduados machos” e “alunos, crianças, adolescentes, sejam espancados, agredidos, maltratados, humilhados” não é o Normal, como o quer fazer passar.
    Cumprimentos

  53. O tribunal colectivo é composto por 3 juízes e existe para julgar certos tipos de crimes; o tribunal singular é o “normal”, composto por apenas um juiz

  54. Apesar de achar uma crueldade por crianças de 10 anos nessas instituições a fim de virem a ser militares, generais, majores… Ja não estamos na era de guerra e lutas pelos território nem colonias ja temos a unica preparação plausível nesta altura é de bons gestores economicos que consigam manter o país autosuficiente e sem pobreza. Algo que apesar da evolução dos tempos tem ciclos que nos levando a crises destruidoras. A tradição infelizmente é usada para justificar as mais absurdas atrocidades. ..

  55. Penso que a sua opinião seja algo tentenciosa e que seja preciso nao por toda a gente no mesmo saco….
    Nos tempos que correm, todo o tipo de violencia deve ser profundamente repudiada e odiada, e nao sendo correcto o que foi feito, sem querer desculpar os “graduados” talvez seja necessário enquadrar-nos na história que levou a estes actos de violência. Tanto quanto sei, esses graduados substituem o papel dos pais e sao os irmãos mais velhos que ajudam, apoiam, criam vinculos de amizade com os mais novos e também os educam. Uma palmada bem dada no momento resolve logo os problemas… por ventura pela idade talvez tenham havidos excessos como sao esclarecedores os motivos que levaram estes alunos ao tribunal.
    Ainda assim, convivo diariamente com ex-alunos e não partilho da mesma opinião aqui descrita neste blog, são por norma pessoas ponderadas, sinceras, honestas, responsáveis e amigas.
    Não espero por isso que o tribunal seja exemplar, porque todos nós já tivemos 16/17 anos e sabemos bem as dificuldades próprias da idade.

  56. Tanta investigação, tanta convicção e tão pouco rigor! Mas pronto, eles, os trogloditas e eu, que sou tão bom, e que sei dizer o que penso sem descer de nível e ofender os outros. Há coisas que só merecem um LOL

  57. Boa noite. Sem me querer meter em conversas alheias, permita-me responder-lhe. Bom, então, um tribunal singular é o tribunal constituído somente por um juiz, que julga os processos respeitantes aos crimes menos graves, ao invés dos tribunais colectivos que, por sua vez, é constituído por três juízes que julgam os processos respeitantes aos crimes mais gravosos, associados a penas de prisão superior a cinco anos. Espero ter ficado esclarecido/a!

  58. Tenho um irmão no Colégio Militar. Melhor dizendo – para significar a importância que ele assume na minha vida – um “irfilho”. E gosto de saber que há um julgamento a decorrer por causa de actos de violência que se cometeram.
    É a prova de que não é normal, de que, quando há actos de violência, há consequências graves.
    Alguém minimamente idóneo acha que o Colégio Militar educa os seus alunos com base em violência de qualquer tipo? Alguém acha que em pleno século XXI, existe neste nosso Portugal uma escola onde não se repudia e até se promove a violência entre alunos?
    Alguém acha que há mais de 600 pais e mães que odeiam tanto os seus filhos que os atiram para os “trogloditas do Colégio Militar”?
    A notícia comentada pelo Arrumadinho tem duas interpretações possíveis: a fácil e aquela que se exige a um cidadão intelectualmente mediano.
    A fácil é optar por se pensar e dizer não muito mais do que, em tom de escândalo, “no Colégio Militar há violência. É acabar com eles”.
    De facto, é um escândalo. Mas é um escândalo precisamente porque é uma situação rara e merecedora de consequências sérias. Não é suposto estas situações acontecerem, mas, acontecendo, vamos lá resolve-las como deve ser (diga-se que, desde logo, existem punições disciplinares internas).
    Ao que parece, e bem, todos parecemos concordar que se exige de um aluno do Colégio Militar um comportamento imaculado. O que imediatamente me faz concluir, com não menor satisfação egoísta mas com alguma mágoa social, que dele se exige mais do que de outra criança ou adolescente.
    A maioria destes, por este país fora, exercem violência gratuita entre si e contra os seus educadores, diariamente. Não a conhecemos ou não lhe damos importância, porque raramente há um vídeo de uma aluna a gritar à professora qualquer coisa do género “dá-me o telemóvel senão bato-te”, batendo-lhe, claro.
    Para essas crianças e adolescentes será normal (?), pronto, chamamos-lhe falta de educação, bullying, descontrolo hormonal, levamo-los à psicóloga da escola, chamamos os pais para uma conversinha-a-ver-se-o-acalmam e seguimos com a nossa vida, que amanhã temos mais do mesmo.
    Diferentemente, quando miúdos batem em miúdos no Colégio Militar, sabe-se. E a situação assume contornos sérios. Não imagina como fico contente por saber que é assim.
    Orgulho, honra (tanta!), rigor, disciplina e fraternidade entre os alunos, é o que conheço do Colégio Militar. Comportamentos violentos são de repudiar (e de julgar, sempre que for o caso), já que não são dignos de tão “prestigiada instituição” – palavras do juiz de instrução criminal, que é nem mais nem menos do que quem submeteu os arguidos a julgamento.
    Arrumadinho, os fundamentalismos nunca resultam bem. Apesar disso, ou por isso mesmo, convido-o a ir a uma cerimónia pública do Colégio Militar para perceber que os alunos não andam ali 8 anos contrariados (os que entram contrariados, que os há, depressa arranjam maneira de se esgueirar 🙂 ), para perceber o ambiente daquela casa, o orgulho consciente com que envergam aquela farda, o carinho que ali paira, a camaradagem invejável entre toda a comunidade colegial e a preparação (democrática) para um futuro.
    Um dia gostaria de dizer da Escola Carolina Michaelis (um exemplo, apenas um, e só a pretexto daquele episódio que referi) o que posso dizer do Colégio Militar: a violência é repudiada, punida, é notícia, é um escândalo, porque não é normal nem habitual. E já agora, poder dizer dali também saíram 5 Presidentes da República e pessoas que deram nome a centenas de ruas do nosso país.

    Por último, apenas por curiosidade: o antigo director falou ontem em julgamento sem que este tenha começado por ter sido adiado?!? Ai.

  59. Bem, estou num relacionamento há 5 anos, em que o meu companheiro é divorciado e tem 2 filhos, um deles, rapaz de 13anos, está nos Pupilos do Exército, ali em Benfica junto Monsanto, há 3 anos. Durante estes 3 anos eu e o pai dele como casal, deslocámo-nos lá por diversas vezes para participar das muitas e diversas festas, comemorações, apresentações, entregas de medalhas, sei lá! Apenas posso dizer na minha singela opnião que há ali muita “fachada”, nem tudo é o que mostram cá para fora, considero a instituição um “lobby”, uma especie de “Maçonaria infantil”, e cheguei mesmo a perguntar directamente ao meu enteado sobre histórias de castigos, de “sustos” que acontecem dentro da instituição, e nomeadamente, dentro dos dormitórios, e ele respondeu que era verdade. E também disse que 75% dos pais dos alunos que frequentam a instituição, não fazem a mais pequena ideia do que se passa lá dentro, e se forem confrontados com isso, ainda dizem que é mentira!!! Sandra

  60. Concordo em tudo! No entanto, e sendo filha de um ex-militar, posso dizer que não me espantam as respostas dadas pelo sr do colégio militar em julgamento! Porque, de facto, há uma certa “lavagem cerebral” no seio militar que infelizmente depois dá nisto! Acho, honestamente, que os responsáveis devem ser exemplarmente punidos. Abro agora um pequeno parênteses, para fazer um pequeno reparo a uma menção no texto já que essa é a minha área de trabalho. Não leve a mal, é só porque gosto bastante de ler os seus textos e acho que podemos sempre todos melhorar! Bom, então, em casos penais o réu chama-se antes “arguido” e, não há acórdãos de sentença, há, ou acórdãos ou sentenças, sendo que aquelas existem quando proferidas por tribunais colectivos e estas quando proferidas por tribunais singulares. Cá estarei para ler o seu próximo artigo!

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