Os miúdos e a cultura

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Há dias surpreendi-me quando uma miúda de 21 anos me disse que nunca tinha visto o “Top Gun”. Depois escandalizou-me quando me perguntou o que era o “Tog Gun”. Lá lhe expliquei que era um filme do Tom Cruise, um clássico dos anos 80, a ver se aquilo fazia tocar umas campainhas, mas não, ela nunca tinha ouvido falar no filme.

À volta gerou-se uma discussão interessante sobre o facto de o filme ter sido realizado antes de a miúda nascer, sobre o facto de o Tom Cruise ser, para esta geração, apenas um velho bem conservado e não um sex-símbol (esses serão um Zach Ephron ou o Robert Pattinson), e dei por mim a achar que era normal, de facto, que não se conhecesse o “Tog Gun”.

Mais tarde, dei por mim a pensar naquilo. E mudei de ideias. Não, não é normal que se desconheçam fenómenos deste género, ou filmes importantes que marcaram décadas. O Tog Gun está longe de ser um filme genial – é apenas decente – mas com os seus clichés, a banda sonora, uma série de sequências memoráveis (o passeio de mota ao som do Take My Breath Away, o jogo de beach volei, a morte do Gus, o Gus a tocar o Great Balls of Fire no piano, etc., etc.), mas tornou-se um fenómeno que não pode ser ignorado, ou totalmente desconhecido. O “Saturday Night Fever” também é um filme mauzinho, também foi feito antes de eu nascer, e não é por isso que o desconheço. Aos 20 anos já tinha visto o filme e, sobretudo, sabia que era uma coisa relevante.

A desculpa de as coisas terem acontecido antes de nascermos é das coisas menos aceitáveis. Não há, sequer, uma relação entre uma coisa e a outra. E a idade também não pode ser argumento.

Eu lembro-me de quando tinha 18, 19, 20 anos, lembro-me que terá sido das épocas da minha vida em que tive mais curiosidade em saber e descobrir coisas. Coisas em geral. Lia imenso, procurava, queria entender tudo, saber por que é que umas coisas eram relevantes, lia coisas sobre figuras históricas, procurava os clássicos do cinema, da música. E nessa altura não havia, nem de perto nem de longe, a facilidade que existe hoje em chegar à cultura. Não havia Internet, não havia DVD (havia, mas os leitores eram tão caros e os filmes tão poucos que pouca gente tinha), e ainda grande parte dos discos eram em vinil.

Quase todos os grandes clássicos do cinema vi-os em ciclos especiais que passavam na Cinemateca, no Quarteto, no King, no Londres, no Condes, no São Jorge, no Mundial. Foi assim que vi o “Casablanca”, o “Citizen Kane”, o “Raging Bull”, o “Pássaros”, e tantos outros.

Outras vezes, gravava-os quando passavam na televisão e via-os em VHS – tinha uma colecção de uns 200 filmes em cassete. Tinha os Padrinhos, o Apocalypse Now, o Annie Hall, o ET, os Indiana Jones, e sei lá mais o quê. Para se conseguir ver um filme antigo bom era preciso esperar que uma dessas duas coisas acontecesse: que passasse num ciclo de cinema ou que fosse emitido na TV. E mesmo assim vi uma grande quantidade. Hoje em dia basta ir à FNAC e estão lá todos em DVD. O acesso é fácil, não é tão caro quanto isso, mas mesmo assim muita gente desta nova geração ignora tudo isto, sob a capa do “ainda nem era nascido” ou “isso não são coisas do meu tempo”.

Falo do cinema como podia falar da música, que são as artes que considero mais próximas do público jovem, as que têm uma componente mais cativante para os adolescentes. Lá está, não espero que um miúdo de 18 ou 20 anos saiba coisas sobre bailado clássico, sobre artistas plásticos, sobre fotógrafos conhecidos, sobre clássicos do teatro, porque acho que são disciplinas que podem levar mais tempo a ser entendidas, absorvidas. Mas o cinema? A música?

Também não engulo essa coisa do “ah, os putos hoje têm demasiada oferta, têm mais do que fazer”. Pois, quando eu era puto também tinha mais do que fazer. E fazia muitas coisas. Mas entre elas estavam a leitura, o cinema, o ouvir música. Aliás, até acho que a minha geração – a malta que tem hoje entre os 32 e os 40 anos – fazia mais coisas quando tinha 17, 18 anos, do que os miúdos fazem hoje. Estar na Internet ou passar o tempo agarrados aos telefones não é propriamente estar a “fazer coisas”. Têm um mundo em frente ao computador, mas outro mundo a acontecer lá fora. E é o que está lá fora que vale.

Claro que nem todos os miúdos são assim. Claro que haverá os que continuam a ser interessados, a ler, a entender os fenómenos, a procurar. Mas a verdade é que nove em cada dez dos que tenho conhecido não são assim. Ora aqui está uma boa razão para os que se acham à rascar poderem distinguir-se: tornem-se mais cultos, intelectualmente mais activos e vão ver que acabam por se distinguir dos outros, por sobressair, e isso poderá fazer toda a diferença quando tiverem de enfrentar uma selecção.

1 Comentário

  1. zac efron*. conheço o top gun, nunca vi nem tenho interesse em ver e tenho 20 anos. procuro informar me acerca de musicas q são um clássico tanto de gerações antes de eu nascer, como depois deeu nascer, gosto de ver filmes sobre os quais me infirmei ou ouvi falar ou me aconselharam, tendo esses filmes sido lançados há 15, 50 anos ou há 2 meses atras, pelo simples prazer de ver cinema, ou no exemplo anterior, ouvir música. nao faço coisas como 'procurar saber e ouvir e ver os clássicos q existem na nossa cultura só para ficar intelectualmente mais rica ou quando for seleccionada pela natureza' como você diz. e a diferença entre boas gerações, como a minha,do que gerações como a sua, que eleva a hipocrisia a altos níveis. já chega de dizer ' nao vou falar disto nao vou fazer isto nao defendo isto' e no post a seguir faz e escreve sobre aquilo tudo que disse que nao ia escrever e que disse que nao ia fazer. e triste. mais triste, só nao acertar no nome de um actor da minha geração, conceituado e valorizado a sua maneira,como tantos outros. a desculpa do ' e recente, nao sabia, foi sem querer, nao e relevante para a conversa, e chato saber, nao interessa saber e nao influencia a cultura de ninguém' nao pega. sei escrever tão bem o nome de actores da minha geração como da sua ou anteriores a sua. já nao se admitem erros ortográficos, principalmente vindos de um jornalista que critica 'por ter cão e por nao ter cao'. o ditado esta adaptado mas percebe a ideia. fica para o registo: zac efron 🙂

  2. Alô, Arrumadinho!

    Bem, eu não concordo. Orgulho-me de dizer que tenho 19 anos e uma cultura fantástica. Mas que infelizmente, todos os meus colegas da faculdade, conseguem ser pessoas muito incultas e ocas!
    Orgulho-me de dizer que quando tinha 17 anos, dei uma espreitadela no Pátio das Cantigas e na Canção de Lisboa (pelo grandioso Vasco Santana), que adoro os filmes portugueses, que o Bruce Springsteen é um grande senhor, que o Fernando Pessoa é um génio pelos seus heterónimos, a escrita do Saramago é minimamente viciante e nada complicada, que adorei "A Sombra do Vento" 🙂 e que todos os anos dou uma espreitadela no Motelx! Portanto, não penses que a juventude está perdida. Ainda há uns quantos indivíduos jovens e cultos por aí!

  3. Tenho 15 anos e apesar de nunca ter visto o Top Gun, já vi algumas cenas soltas. Não sou nenhuma intelectual e estou longe disso. Passo imenso tempo na net, mas não dispenso um bom livro ou uma ida ao cinema. Tenho Os Padrinhos no meu pc, apesar de ainda não o ter visto. Mas tenho vontade de me dedicar a ver os clássicos de gerações passadas, como Casablanca, E Tudo o Vento Levou, ET, Top Gun e por aí fora. Neste último ano senti-me mais perto do mundo cultural, do teatro, da música, da dança e por aí fora, muito devido ao facto de ser de Guimarães e como toda a gente sabe, é Capital Europeia da Cultura 2012 (a propósito, não deixem de fazer uma visita porque vale mesmo a pena!). E tenho-me interessado cada vez mais por saber e por conhecer mais. O meu círculo de amigos é composto por pessoas mais velhas e talvez a curiosidade venha também daí.
    Bem, acho que era só isto que queria dizer. E também dizer que acho (talvez por ingenuidade) que não são assim tantos os incultos nesta geração.
    E parabéns pelo seu trabalho aqui no blog, lança temas que podem realmente gerar boas e saudáveis discussões, sempre acompanhado de bons textos.

  4. Entre essa que nunca ouviu falar em Top Gun e tantos outros entre os 18 e os 23 que nunca ouviram falar em Elvis, Beatles e até mesmo madonna, é o pão nosso de cada dia. É ridículo darem a desculpa de ainda não terem nascido em determinada altura e que por isso não conhecem. Eu nasci depois do 25 de Abril, depois das guerras coloniais, depois da revolução francesa (também era melhor!!) e essas datas fazem parte da minha cultura geral. O que me deixa mesmo "abismada", é os putos hoje em dia terem tanta informação disponível na net através de um simples clik, e são mais incultos que pessoas mais "antigas" e com menos acesso à informação. Se um dia tiver filhos, espero ter o discernimento suficiente para lhes ensinar o que é realmente importante. Não é que seja uma questão de vida ou de morte, mas um pouco de cultura geral nunca fez mal a ninguém 🙂
    Bom post Arrumadinho, gostei!! As férias fizeram-te bem 🙂

  5. Bem, o que por aqui vai! Tanta gente ofendida e tanta divagacão! Um texto que até podia resultar numa discussão saudável, enfim.

    O texto fala dos jovens adultos e da cultura geral. GERAL. O que inclui música, cinema, notícias, etc.. O autor apenas dá um exemplo de uma situacão por que passou, que por acaso teve a ver com um filme.

    Não está escrito em lado nenhum que não se pode preferir uma cultura mais específica. Está escrito sim, que a cultura geral é importante numa sociedade e em diversas situacões. No GERAL. Numa entrevista de emprego, por exemplo.

    Quanto aos jovens adultos, a questão é também colocada de forma GERAL. Como o autor afirma, "Claro que nem todos os miúdos são assim. Claro que haverá os que continuam a ser interessados, a ler, a entender os fenómenos, a procurar."

    E neste aspecto só tenho de concordar. A maioria dos casos que conheco são assim, desinteressados pelo mundo que os rodeia. E depois ainda tèm a lata de criticar e de se queixarem, quando não se esforcam minimamente! É o que chamo de geracão fast-food. No GERAL.
    E não faz sentido culpar os pais ou a sociedade. Sâo pessoas adultas, e ninguém é responsável pelas suas escolhas que não eles.

    P.S.: Peco desculpa por alguns erros ortográficos, já que estou a usar um teclado alemão.

  6. Boa tarde,

    ao ler o seu comentário, permita-me que enquanto leitora do seu blog (e, inclusivamente da sua esposa) refira que compreendo a sua ideia, mas não a aceito. Tenho 20 anos e aceito que, dia após dia, devo incrementar e melhorar a minha cultura cinematográfica pois o cinema – de um modo diferente de um livro, por exemplo – tem uma energia especial e particular que nos incita a ser mais "open-minded", mais expressivos e intelectualmente vividos sob o ponto de vista das múltiplas mensagens sociais que os mesmos ostentam. Contudo, não concordo quando que caracterize uma pessoa ou a uma determinada geração, de um modo (digamos) mais depreciativo, pelo facto de não terem visto um determinado conjunto de filmes, designados de clássicos do cinema. Porque eles podem ser, temporalmente clássicos, mas esse factor não é condição necessária para representarem marcos cinematográficos. Vi o Top Gun e achei-o absolutamente banal; já vi filmes contemporâneos mais interessantes do que o mesmo. Se foi realizado num tempo e espaço diferente do actual e que implicava maiores constrangimentos e, portanto, é de incitar a contextualização da sua criação, sim, anuo afirmativamente nesse aspecto. Contudo, enquanto jovem da geração de 90 custa-me a ler que a minha geração seja descredibilizada por não ter visto determinado filme quando, simplesmente, pode não o conhecer por procurar outras tipologias de filme; porque teve acesso ao trailer, a um comentário ou crítica e não ficou excitado(a) em ver o filme, ou por outras mil e uma razões que competem a cada sujeito. Considero-me ainda muito jovem no mundo cinematográfico, sei que tenho muito para aprender, especialmente com as sequelas realizadas em outrora (incluindo, antes de eu nascer). Não acho é que seja mais ou menos culta por isso porque, para mim (e isto é uma perspectiva pessoal)a visualização de um filme traduz-se na maior ou menor fruição que ele me possa dar e, consequentemente, a reflexão que ele instala (in)directamente. Para isso é que existem os filmes, não para serem clichés sociais, de carácter fictício, impostos às pessoas.

    Muito obrigada,

    Margarida

  7. Menina Mafalda das 23h40:
    – o que é que andou a fazer até aos 18 anos?
    – se acha que faz parte de uma "cambada de anormais incultos" fale apenas por si
    – foi preciso alguém dizer-lhe que o mais vendido nem sempre é o melhor? (não sabia que os tops dessas lojas são comprados pelas editoras????)
    – se se ofende com os termos nerd e outros que referiu não deve estar muito segura de si, e já agora rodeie-se de outras pessoas.

    Cumprimentos.

  8. Essa miúda faz parte da geração actual, porque ainda não há muito tempo quando morreu o Patrick Swayze eu falei no Dirty Dancing e um miúdo que 23 anos que estava comigo não fazia a mais pequena ideia do que eu estava a falar!! E claro que também não sabia o que era o Top Gun…
    Eu com 18 anos (tenho 32) já tinha visto clássicos como o Casablanca, E tudo o vento levou, Gata em Telhado de Zinco Quente e tantos tantos outros!! Vivia na provincia e não havia tv cabo nem nada que se parecesse com isso.
    Enfim, não compreendo… também é muita culpa dos país e da tv que já não passa filmes como antigamente! Não se percebe como uma canal de tv repete o mesmo filme vezes sem conta durante um periodo de 6 meses!!
    Enfim… espero ver mudanças em breve!!

    SJ

  9. Que mal tem a cachopa nunca ter visto tal filme. Ela tem com certeza outros interesses que não passam pelo cinema. Há que não aprecie cinema e não perde nada, o cinema é entretenimento, não é cultura. As pessoas é que gostavam que fosse cultura porque não sabem de outra coisa.

    Se a rapariga não tiver noção da história de Portugal e do Mundo em geral, não souber a tabuada ou não souber interpretar aquilo que lê é que realmente é preocupante.

    Augusto Sousa

  10. Concordo plenamente contigo. Eu tenho 18 anos e só agora e com um grande empurrão da minha madrinha é que comecei a entrar no mundo "cultural" digamos assim. E sim, 99,99% dos jovens, eu incluída, somos uma cambada de anormais incultos. E os adultos mais velhos que eu são como tu (sem ofensa na parte do velho), também me perguntam "mas como é que tu não conheces isto ou aquilo? hoje em dia está tudo tão acessível". E precisamente por ser mais acessível é que se torna mais complicado porque há tanta tanta coisa que, sem orientação, acabamos por ir à estante top 10 da fnac (lá está, mais fácil) e lemos a (horrorosa) saga do twilight em vez de procurar livros bons. O problema, na minha opinião, é que desde que nascemos que fomos habituados a coisas fáceis e, sobretudo, somos influenciados pelo o que mais nos aparece à frente. Tanto na música, como cinema e leitura, se não aparece na tv ou se ninguém nos fala disso, simplesmente não conhecemos. Nós não temos o hábito de nos sentar-mos em frente à net e dizer "hm, apetece-me ver um bom filme mas não percebo pevas do assunto, vou pesquisar na net a ver se encontro alguma coisa". É um mal da minha geração que é o não ter interesse pelas coisas mais cultas. Porque dá trabalho, porque é nerd, porque o fixe é ouvir uma nicki minaj e só ler o memorial do convento porque somos obrigados (e que 90% de nós lê resumos da net e ainda se queixa se aparecer um resumo com mais de meia página). Vai-te habituando a teres vontade de dar um par de estalos à minha geração por não conhecerem o top gun e, pior e que já me aconteceu, querer comentar que a "metamorfose" do kafka é um livro super interessante e ter toda a gente a mandar-me à fava. Acredita, eu que conheço pouquíssimo do que há de bom por aí, por gostar de beatles e queen, estar agora a descobrir Agualusa e Zafón, por ter visto "o padrinho" e por gostar arte sou considerada uma super nerd+bicho do mato+ave rara. Enfim, é triste…

    Mafalda

  11. Ena pá.

    Eu não concordo com o post (shame on me,tenho 20 anos). Mas, por amor de Deus, a questão é: nunca terem ouvido falar do filme "Top Gun"! É necessário distorcerem as palavras dele para arranjarem argumentos para alimentarem a discussão?

    Confesso: nunca vi o "Top Gun". Não por desinteresse, mas sim por nunca me ter chamado a atenção.

    Acho que é muito mais importante saber coisas sobre o nosso passado, sobre os nossos feitos na História do que ver um filme que, deixa muito a desejar.
    Mas isto, claro, é a minha veia de historiadora a dar de si.

    Arrumadinho, descobri o seu blog a pouquissímo tempo, mas gosto muito de o ler. Mas tem de aprender a separar as coisas. Duas, três ou quatro pessoas não fazem uma geração e, acredito, eu adoro ler, adoro cinema, leio os jornais todos os dias, leio a Visão, leio todas as revistas que há por aí (tirando as cor de rosa, claro). E, sinceramente, considero-me culpa.

    Não podemos sentenciar as pessoas por gostarem de outro tipo de filmes, de cantores, de livros. Temos de aceitar.

    Boa noite.

    Liliana

  12. Só para terminar a discussão – acho que já todos perceberam o ponto de vista de todos – queria só dar uma gargalhada final aos que argumentam que não têm cultura geral porque aos 20 anos passavam o tempo a estudar física e os ossos do corpo humano. Meus caros, eu tenho familiares médicos da minha idade, amigos médicos da minha idade, com quem ia e vou ao cinema, com quem discutia e discuto livros, música, que sabem muita coisa sobre muitos assuntos. E também eles estudaram os ossinhos do corpo humano todos. A falta de cultura nunca tem a ver com falta de tempo, mas com falta de interesse. E quem continuar a achar que o problema é da falta de tempo, da sociedade em que vivemos, dos pais, dos professores, e não deles próprios, continuará sempre a ser uma pessoa mais pequena. Mas pronto, é mais fácil apontar o dedo aos outros do que perceber que o problema fomos e somos nós.

  13. Só para terminar a discussão – acho que já todos perceberam o ponto de vista de todos – queria só dar uma gargalhada final aos que argumentam que não têm cultura geral porque aos 20 anos passavam o tempo a estudar física e os ossos do corpo humano. Meus caros, eu tenho familiares médicos da minha idade, amigos médicos da minha idade, com quem ia e vou ao cinema, com quem discutia e discuto livros, música, que sabem muita coisa sobre muitos assuntos. E também eles estudaram os ossinhos do corpo humano todos. A falta de cultura nunca tem a ver com falta de tempo, mas com falta de interesse. E quem continuar a achar que o problema é da falta de tempo, da sociedade em que vivemos, dos pais, dos professores, e não deles próprios, continuará sempre a ser uma pessoa mais pequena. Mas pronto, é mais fácil apontar o dedo aos outros do que perceber que o problema fomos e somos nós.

  14. Não acho que a menina seja excepcional, nem acho que seja problema de gerações. Chamar-lhe-ia antes desinteresse por cultura geral e também falha na educação dos pais. Tenho 27 anos, e, no ano passado, fui ao concerto de Bon Jovi na Bela Vista e ouvi, da boca duma menina de 15 anos: "vais ver quem prima? quem são esses?". Trata-se de uma banda "antiga", anterior ao nascimento dela, mas com sucessos bem actuais. Mas o conhecimento dela limita-se a Justin Biebers, Demis Lovatos e Hanas Montanas. Nenhum deles é do meu tempo de adolescente, mas sei quem são. Não porque tenha interesse ou gosto neles, mas porque são um fenómeno, porque são falados e aparecem em capas de revistas e porque bastam uns 5 minutos para "googlar" os seus nomes e saber quem são e o porquê do seu sucesso.
    Uma outra situação, durante os meus tempos de estudante que terminaram faz um ano, foi o facto de um professor de Comunicação resolver falar de filmes como Ben-Hur, Patio das Cantigas, Grease, Top Gun, Nome da Rosa entre outros e, numa turma de 60, com idades compreendidas entre os 24-26 anos, eu e mais dois sermos os únicos capazes de lhe responder porque os restantes desconheciam. Vi todos estes filmes e muitos mais que não são do meu tempo, mas que marcaram gerações e que os meus pais fizeram questão de me mostrar.
    E para ter conhecimentos básicos, não é preciso ter tempo para ler todos os jornais e revistas como li num comentário anterior! Á cultura pouco tempo sobra, mas ao facebook, por exemplo, quaisquer dez minutos são merecidos. Ainda por cima, quando actualmente, um mundo de informção está à distância de um simples "click".

  15. Já viu todos os filmes do Tarzan com a participação de Johnny Weissmuller? E viu todos os filmes em que participou o Humphrey Bogart e Fred Astaire? E todos aqueles realizados por Cecil B. DeMille? Sem esquecer os de Charlie Chaplin? E a série Bonanza? E todas as longas metragens da Disney?

    A cultura não se esgota.
    Não é exclusiva, mas é, muito claramente, selectiva.

    Francisca.

  16. Agora que está tudo mais calmo… aproveito para comentar. Ricardo, se bem entendi, o que te incomoda não é o facto das gerações mais novas não terem conhecimentos de temas relacionados com a cultura geral, mas simplesmente o facto de haver um completo desinteresse em aumentarem os conhecimentos. É isso?

    Julgo eu que seja isto que andamos aqui a debater.

    É certo que muita gente desta geração que andas a falar é tal e qual como tu a descreves. Eu conheço casos assim, assim como tu e muitos comentadores conhecem. Mas repara: num dos teus comentários reparei que lidas com "miúdos" que querem ser jornalistas. Ou seja,(se entendi bem) estás a lidar com pessoas que vivem perto de ti, num meio urbano, com acesso facilitado a muitas coisas. Estás a lidar com pessoas que estão num contexto. A verdade é que temos vários contextos, conforme são relatados pelo pessoal que aqui escreve: pessoal em meio rural, pessoal que faz tudo e mais alguma coisa (o caso do estudante de Medicina do Porto), o pessoal que é investigador, etc…

    Temos muitas realidades e muitas pessoas. Não podemos catalogar uma geração inteira apenas pelos exemplos que conhecemos de perto.

    Claro que com isto não quero adoptar o "discurso" do coitadinho nem quero defender uma geração. É realmente grave uma pessoa ter ignorância em termos de cultura geral e não a querer combater. Mas, julgo eu, que o cinema não será, provavelmente, o mais importante (embora a sua importância seja indiscutivel).

    É mais grave não sabermos nada da nossa História, da nossa Geografia, da nossa Lingua, de matemática (eu nem falo das equações complicadas – falo das simples operações matemáticas sem recurso á calculadora), alguma coisa do nosso corpo humano. Porque mais cedo ou mais tarde teremos que utilizar alguns destes conhecimentos ao longo da nossa vida.

    Embora eu já tenha lido o Ken Folett (Noite sobre a Água) e tenha visto o Top Gun, se eu não tivesse feito estas duas coisas, não seria certamente menos culto ou menos inteligente. Ah! E se não tivesse ouvido falar de qualquer uma destas duas coisas, possivelmente não seria menos culto. Simplesmente demonstraria falta de interesse em literatura contemporânea e cinema dos anos oitenta.

    Da mesma maneira não posso esperar que as pessoas saibam, por exemplo, quem é o sr Helder Pacheco (historiador, professor e escritor) e quem são, por exemplo, os Hammerfall (banda de heavy-metal) ou quem projectou o elevador da Santa Justa, em Lisboa (Mesnier de Ponsard, se não me engano). Se as pessoas não tivessem ouvido de falar de qualquer um dos exemplos que falei, não os podia considerar incultos e desinteressados.

    E já agora, dirijo-me á Maria João Ferreira e ao seu "brilhante" comentário:

    " Eu continuo a dizer, a geração de 80, foi a última geração sã."

    Eu sou da geração de 80 (nasci em 1984) e infelizmente já conheci gente que em termos culturais e emocionais é da mais burra e inculta que há – que são da minha idade ou pouco mais velhos do que eu. Infelizmente nem todos nós temos a cultura da senhora nem a capacidade ou interesse para aprender. E sugiro que não se fie apenas no exemplo da sua irmã.

    E aqui termino o texto, que já vai longo. Boa noite/dia/tarde a todos. 🙂

  17. Apesar de não ter concordado inteiramente com o artigo, concordo com uma coisa que aqui ficou subjacente: é importante aprender a educar o nosso ouvido, no que respeita à música, e o mesmo se aplica ao cinema. Eu sou o tipo de pessoa que tanto oiço música clássica, como a música dos anos 80 e a música atual.
    Gosto de ir ao cinema, de ver filmes e séries, e claro que há os mais "conhecidos" e os menos conhecidos. Mas com todos esses se aprende alguma coisa.
    Em relação a livros a mesma coisa, há certos livros que deviam de fazer parte da formação de um individuo, e, choca-me que muitos pais não estimulem os filhos na procura pela cultura e conhecimento.
    Isto tudo para dizer que apesar dos miúdos hoje em dia terem total acesso à informação, isso não quer dizer que sejam bons comunicadores, pois muito provavelmente não vão saber usar essa informação que está ao alcance de um "enter".
    Continuação de bons post's!
    Sarap

  18. Arrumadinho, devia começar a escrever os "posts" em inglês ou chinês, já que há gente que deturpa aquilo que escreve. É verdade que a geração de 90 não sabe coisas que a gerações de 70 e 80 sabiam e muitos deles não sabem porque não querem. Claro que não é crime não se ter visto o "Top Gun" mas realmente é estranho nunca ter ouvido falar. Aconteceu-me algo igual há umas semanas atrás, a sobrinha de uma amiga minha nunca tinha ouvido falar do "Dirty Dancing", pensei exatamente o mesmo que o Arrumadinho. Como é possível nunca ter ouvido falar de um filme que é tão básico?! O que será de outros filmes como os clássicos do cimena, incluíndo os velhos e bons filmes protugueses! O que esperar se muitos dos jovens nem sabem os nomes dos Reis de Portugal e até dos Presidentes da Rapública antes de Jorge Sampaio? Claro que é complicado generalizarmos, mas infelizmente é o que acontece.
    Temos que por a mão na consciência porque a culpa também é nossa que não lhes passamos os nossos conhecimentos, sejam sobre a cultura ciêntifica ou sobre a cultura geral.
    Em vez estarmos para aqui a dicutir se o filme vale ou não pena ser visto, formos mostrar aos mais novos, que temos em casa ou com quem lidamos, as "coisas" que achamos que devem ser vistas,lidas e ouvidas?

    Tânia Ornelas

  19. Olá, li os comentarios atentamente e não vou querer que o meu seja entendido como um ataca mas sim como uma outra opinião de uma jovem de 24 anos que gosta muito de tudo o que é cultura…

    Acho que não se deve generalizar esta questão dos jovens de hoje em dia não saberem determinadas coisas que simplesmente não são obrigados a saber. Da mesma forma que tu, não acompanhas o que hoje para eles é de facto importante. E quando eles tiverem a tua idade e falarem, heiiii viste o filme do Batman?? NAO? não sabes a história dos filmes?.. entendes?
    É normal que se desconheça fenómenos como tu chamas, e dás o exemplo do TopGun, porque simplesmente a miuda pode nem ligar muito a cinema. Acredito que os putos de 21 anos que simplesmente adoram cinema, devoram tudo o que é filme, sim. Deviam saber. Da mesma forma que eu por exemplo, tenho 24 anos, ouço musica dos anos 60,70 e 80, e para mim as musicas dos anos 80 (e olha que nasci em 88 já no fimm..), são as melhores que até hoje se fizeram. Agora, os meus amigos não sabem metade do que eu sei sobre musica dos anos 60,70 e 80. Primeiro não cresceram no meio que eu cresci, em que me foi ensinado e cultivado esse interesse, e depois porqe simplesmente eles gostam é das musicas comerciais de hoje, para eles beyoncé é que é e será a diva que acompanharão até à sua morte… Rihanna é considerada a melhor Cantora para abanar o esqueleto… Really? Com tudo do bom e do melhor que temos para trás?
    É preciso entender uma coisa: eu sou da tal geração das novas tecnologias da demasiada oferta. E sei um pouco de tudo. Agora não posso estar à espera que todas as pessoas sejam interessadas como eu sobre determinados temas.
    Falaste ai num filme, querido arrumadinho,eu adoro cinema e nunca tal vi se quer esse nome desse filme. Agora vou ter de arranjar e ver o que é e do que se trata para ver se a tua opinião coincide com a minha eheheh…

    Este texto resumindo não é mais do que, não digo a geração mas sim, as pessoas hoje em dia não sabem o que são os classicos. E eu gosto mt de dizer que o Top Gun é um classico, não fosse pela música que o caracteriza… eheh…

    O meu primo de 16 anos sabe quem foram os nirvana, e toda a sua historia. Canta as musicas mais conhecidas na boa… Tenho uma amiga que me fez um dia essa pergunta "quem são os nirvana??".. Sim, foi uma facada muito forte no peito. Agora não a posso julgar pelos pressupostos que aqui demonstraste…

    🙂

  20. Como alguém já referiu acima (estranhamente só uma pessoa), o nome do amigo que morre é Goose (não Gus…)!

    Ass: jovem que nasceu no final da década de oitenta

  21. Nao concordo com a falta de interesse nos jovens muitos deles podem nao procurar saber mas quando se fala num assunto em particular que eles desconheçam eles ficam interessados no tema, mesmo que a vontade surja dai nao podemos afirmar de que quando lhes suscitamos a curiosidade eles nao vão atras

  22. Caro arrumadinho eu faço parte da juventude do séc.XXI e sei apesar de adorar e consumir imenso cinema que cultura nao é só isso cultura e perceber a actualidade, cultura é perceber política, economia, história, geografia e muitas outras coisas e para me sentir culta (e como refiro vejo imenso cinema actual ou nem por isso) eu prefiro ver um documentário, ler um livro ou ver o noticiário a ver filmes que como disse podem ter sido grandes mas agora nao me acrescentao nada. Como estudante nao tenho muito tempo livre mas tento direccionado-lo para me cultivar que passam também por ver filmes dos anos 50 e por aí fora mas de qualidade

  23. Se um jovem de 20 anos me dissesse que nunca tinha ouvido falar do Top Gun, ia morrer de inveja do inocente. Tenho 41 anos e passei pela tortura de ser bombardeada com posters, citações, referências imensas a esse filme, para além do desdém de nunca o ter ido ver ao cinema, na época em que estreou.
    Se a nova geração remeter o Top Gun para as gavetas do esquecimento, onde pertence, tem o meu high five.

  24. Se bem me lembro, Gus não! Era "Goose" e faz toda a diferença! No geral até compreendo este post, por realçar o facto de as gerações mais novas não serem tão cultas como o autor, nas áreas sobre as quais ele se debruçou quando tinha aquela idade. No entanto, e como já referiram outros comentadores, os mais novos hoje em dia começam por se interessar por outras áreas. Falando por mim que tenho 3 filhotes… se preciso de um arranjo num computador ou mesmo de um computador novo… peço ao mais velho que tem 17 anos, ele arranja tudo ou monta de raíz. Aprendeu sózinho. Para filmes, não ver mas sim realizar… há à filhota do meio que tem 14. E desafio qualquer adulto a ter uma conversa com o mais novo, de 8 anos, sobre qualquer área científica. Mas… o mais velho não se interessa por filme e raramente lê, a do meio… computadores só para edição e montagem das suas "produções" e o mais novo, filmes e computadores… só se for para aprender, pois a tara é mesmo livros, livros, livros. Ora bem, todos na mesma família, igualmente estimulados… preferências diferentes. Um dia, quando forem adultos lá decidirão alargar os seus horizontes para outros campos certamente. E 21 anos… é muiiito cedo. Grave, grave… é chegarem aos 15 anos sem saberem descascar uma maça ou estrelar um ovo!

  25. Excelente post. O que falta a muitos jovens é curiosidade em saber, em conhecer, em descobrir. O conceito que aqui está em causa (penso) é o de cultura geral: cinema, literatura, pintura, teatro, etc. Há filmes, peças de teatro, obras literárias, etc, intemporais. E sim, podemos até nem gostar mas ao menos podemos emitir opinião baseada no que sentimos.

  26. Esta gente está toda louca. Muitas vezes não concordo consigo mas neste post, completamente.Não é necessário ter visto o filme mas pelo menos conhecer o filme, ter ouvido falar nele, saber do que se trata. Por acaso nunca vi, nem gosto do género, de nenhum filme do Sr. dos Anéis ou Harry Potter mas sei do que se trata. E como estes, muitos.E com os livros passa-se o mesmo. Penso que a maioria dos jovens de hoje, apesar do que eles pensam são pouco informados e interessados. Nunca fui à China mas posso falar sobre muitos temas sobre esse país porque leio, pergunto, informo-me.E, cuidado srs. intelectuais aí de cima. HÁ às que são com H.Isso é que é imperdoável, a quem diz que frequentou a faculdade.

  27. Concordo em tudo o que é dito no post! Nem necessário ir à geração de que agora ten vinte anos, basta andar umas 3 ou 4 anos para trás em relação à nossa idade, parece que não estamos no mesmo planeta destes "jovens"! Cada vez acho que são pouco esforçados, cultos e cada vez mais agarrados à barra da saia da mae. Pro favor lutem por alguma coisa?

  28. pois é Arrumadinho… Os comentários ao seu post, revelam ainda outra caracteristica, para além da ignorancia (nem todos felizmente)… Que os portugueses sao realmente uns "vidrinhos", ficam ofendidinhos por pouco. Enfiam logo o barrete. Se fosse a si nem me dava ao trabalho de responder… E com esta me vou, pois ainda quero reservar no site da fnac o 2ndo vol. Da trilogia do ken Follet… (para alguns dos ofendidinhos provavelmente letura de segunda). Assina:isabel araujo

  29. Respondendo ao teu comentário das 19h55:

    Mas porquê atacar esta geração em particular e não toda a gente que é 'estúpida, burra ou ignorante'? Que tenha nascido nos anos 60, 80 e também nos 90? Nascer numa década ou noutra determina o grau de cultura geral? E tu tens 'puxado' por alguém da tua idade? Tens gritado para que as coisas mudem na tua geração? Quem é que aqui fez o 'discurso dos coitadinhos'? Quem é que disse 'deixem os miúdos ser conformistas!'? O que te disseram é que NÃO SÃO conformistas! Não são desinteressados! E não são preconceituosos! Não percebo como é que não consegues dar o braço a torcer, como é que face a tantas respostas contraditórias à tua não possas nem por um momento pensar: 'Bem, se calhar exaltei-me e dei um salto maior que a perna. Se calhar devia tentar reformular o que disse e não atacar a maioria de uma geração só porque me deu na real gana e conheci uma miúda de 21 anos assim para o parvinho. Se calhar até já me apresentaram alguns pontos válidos que devia ter em conta. Se calhar devia reconhecer que as outras pessoas podem ter um fundinho de razão'! Reconhecer a diferença e o erro também faz bem, Arrumadinho. Ajuda a ultrapassar muitos preconceitos. Ajudava-te a aprender alguma coisa com o blogue. 🙂

  30. @Arrumadinho

    Sou investigador cientifico na area de engenharia/matematica. Tendo em conta a sua area de formação e trabalho é normal que com 20 anos tivesse interesse em saber sobre muitas coisas diversas. Isso não é mal nenhum e de certa forma é isso que um jornalista/escritor deve fazer.
    Mas a questão é que muitos dos leitores por exemplo quando tinham 20 anos andavam com "cabeça ocupada" com assuntos bem mais absorventes. Quanto tinha 20 anos mal tinha tempo para as dezenas de livros tecnicos/cientificos que tinha de ler e estudar, quanto mais para saber tudo e mais qualquer coisa de cinema ou literatura geral.
    Evidentemente que todos devem ter o minimo de cultura geral, mas da forma como escreve dá a ideia que só existe a sua realidade. Posso estar enganado mas fiquei com a ideia que julga que toda a gente deve ter a mesma cultura geral de um jornalista. Não se pode comparar as coisas.

  31. Eu trabalho com jovens e noto que eles consomem aquilo que lhes dão!Como alguém mencionou acima, são preguiçosos,não se esforçam para nada, ou seja, estão sempre à espera que as coisas lhes apareçam à frente!E para eles, ter cultura é acessório!Não me espanta mesmo nada que essa rapariga não fizesse a mínima ideia do que é o Top Gun!

  32. Caro Arrumadinho consigo compreender perfeitamente o seu texto. Aprovo 100%. Adoro Ken Follet e ja vi o Top Gun. Adoro , adoro o Pretty Woman e apesar dos meus singelos 26 anos nao me sinto ligada aos jovens de agora. Prefiro conversar sempre com gente um bocadinho mais velha. Existem alguns classicos do cinema que ainda nao vi mas que ao contrario de muitos jovens sei que eles existem. Tambem adoro ver documentarios centificos e leio tudo o que posso mas como bem o diz ver ou ouvir ou ate ler algumas obras que foram tao famosas nessas decadas nao nos torna ignorantes. Antes pelo contrario enriquece-nos pois esses filmes de "antigamente" mostram-nos sempre uma licao de moral. ( desculpe a falta de acentos). Angela

  33. 1º – Continua a chamar de miudas as raparigas mais novas. Falta de educação.
    2º – Por acaso conhece grandes clássicos de outras áreas? A "miúda" até podia conhecer Bethoven e Mozart ou Verdi enquanto o arrumadinho nem poderá saber o que é um bemol ou um sustenido!
    3º – Ultimamente tem adotado uma postura presunçosa. Eu sempre o defendi junto de pessoas que não gostavamd e si, mas agora começa a revelar-se no que elas sempre me disseram que era.

    4º- O Top Gun não vale mesmo nada! É uma opinião. E, tal como não gosta de tudo, aceite que haja pessoas que não gostam.

  34. Cara Bárbara. Alguns pontos a rebater.
    1. Tal como vários outros comentadores, não alcançou aquilo a que chama de "comparação" (quando não comparo nada com nada). Quando digo que acho estranho uma pessoa nunca ouviu falar do Top Gun, seguramente, nunca ouviu falar de tudo o que está para trás disso, nunca ouviu falar, nem nunca viu, quase tudo o que são clássicos do cinema. Uma pessoa que goste de cinema pode até nem ter visto o top gun por achar uma perda de tempo, mas sabe o que o filme é, já ouviu falar dele, conhece o fenómeno e a importância. Eu não espero que alguém que desconheça o top gun saiba o que é o citizen kane, o Casablanca ou o Gigi. Não estou a dizer que um é mais importante do que o outro, não estou a metê-los no mesmo saco, estou apenas a dizer que se uma pessoa de 20 anos não conhece um filme que foi um hit nos anos 80 dificilmente conhecerá um filme igualmente famoso mas dos anos 50 ou 60.
    2. Não saber o nome de um rapper não faz de ninguém estúpido, tal como não conhecer um filme não faz de uma pessoa inculta. O problema é que muitas dessas pessoas de 20 e 20 e poucos anos que conheci, e que querem ser jornalistas, não sabiam coisas básicas de cinema, nem de música, nem de arte, nem de história, nem de geografia, nem do mundo, nem da vida. Não estou a dizer que TODA esta nova geração é estúpida, burra ou ignorante. Nunca disse isso no texto. O que escrevi é resultado daquilo que tenho visto – ninguém me conta, sou eu que lido com eles.
    O que igualmente me espanta é que haja muita gente que tem hoje 20 ou 21 anos e fica toda abespinhada quando se fala da ignorância, evidente, de muitos dos miúdos de hoje. Os que não são assim, os interessados, os mais cultos, os que estão atentos, deviam ser os primeiros a puxar pelos outros, a dar um grito para que as coisas mudem.
    Mas não. Isto tem a ver com o que já escrevi aqui: o discurso dos coitadinhos.
    Então fiquemos assim: deixem lá as criancinhas como estão, que estão muito bem.
    E não se fala mais nisso.

  35. Sobre o comentário do senhor que disse que eu teria cometido uma argolada ao chamar "clássico" ao Good Nick and good luck… isso depende do que cada um acha ser um filme clássico. Apesar do filme ser de 2005, creio que daqui a 15 ou 20 anos continuará a ser uma referência dentro do seu género.

  36. Caro Arrumadinho,
    Sou forçada a concordar com aquilo que já foi dito inúmeras vezes. O texto acaba por roçar o ridículo tal é a comparação que faz. Tenho 21 anos e nunca vi o Top Gun; sei quem o realizou, quais os actores e inclusive muitos dos cliches/cenas marcantes do filme. Nunca vi e nem quero ver! É um filme sem qualquer interesse. Em contrapartida já vi muitos outros filmes, todos eles de diferentes "categorias". Acho que parte de uma premissa ridícula (não conhecer o Top Gun) para tirar uma conclusão ainda mais ridícula (e até, digamos, insultuosa) – a de que os jovens adultos são incultos, desinteressados e fruto de uma geração do lixo.
    Repare: cultura geral é, efectivamente, saber um pouco sobre tudo o que nos rodeia. Mas sejamos francos: se um determinado assunto não nos interessa nem sequer perdemos tempo a procurar informação sobre o mesmo. Eu pessoalmente detesto Matemática, logo sei o básico dos básicos e nem me aventuro no resto; não suporto rap portanto nem sequer sei o nome do rapper mais badalado do momento. É falta de cultura geral? Não, apenas tenho o meu interesse focalizado noutros assuntos.
    Raramente comento mas desta vez achei que o devia fazer pois este blog é, essencialmente, "alimentado" pelos seus seguidores que "perdem tempo" a ler o que escreve. Na grande maioria das vezes agrada-me ler aquilo que escreve, mas noutras sinto-me um pouco aborrecida por ser tão severo e, por vezes, (perdoe a sinceridade) um pouco fútil.
    Continuação do bom trabalho,
    Bárbara

  37. Cara anónima das 18h35. Eu não estou a falar de crianças de 14 anos – acho que é nessa idade que se gosta do Justin Bieber e era nessa idade que as pessoas da minha geração gostavam dos Backstreet Boys. Estou a falar de adultos de 20/22/25 anos. E não estou a criticá-los por gostarem de uma coisa – não tenho nada contra gostarem disto ou daquilo, como eu próprio gosto de coisas que muita gente pode achar parvas, superficiais, o que lhe quiser chamar. O que acho estranho é desconheceram outras coisas, é não saberem nem quererem saber. Não há mal nenhum em ouvir Justin Bieber se se ouvir também outro tipo de coisas. Como não há problema nenhum de se ver uma comédia estúpida no cinema se também se virem outro tipo de filmes. E é isso que muita gente não quer perceber.

  38. Ai, Arrumadinho. Às vezes, só por curiosidade, decido googlar o endereço do seu blog e ler os textos realmente fantásticos que escreve e não é que me surpreendo sempre? Incrível! Desde quando é que uma pessoa para ter cultura geral tem de ver o Top Gun?
    Repare que até é normal que quem agora tenha 30 anos faça comparações com a geração que se seguiu. Eu também faço comparações com os miúdos de agora. Que antes é que era, as Spice Girls e os Backstreet Boys é que eram bons, mais as brincadeiras na rua e o Justin Bieber é uma tristeza. Deixe lá, a idade chega a todos.
    E, caramba, ia jurar que há coisas bem mais importantes do que já ter ouvido falar no Top Gun ou no Annie Hall.

  39. Provavelmente uma das unicas coisas que os portugueses (mais novos e mais velhos) deviam saber sobre a epoca do Top Gun é que na altura infelizmente a nossa porcaria de pais estava a receber apoio do FMI. A expressao Troika faz mais sentido do que se pensa, tendo em conta que é a terceira vez que Portugal recorre ao FMI.
    O resto é conversa de gente que felizmente pelos vistos anda despreocupada e desocupada.

    Pedro
    Holanda

  40. Desculpa, Arrumadinho, mas a associação do filme Top Gun ao conceito de cultura geral é simplesmente caricata… Compreendo onde queres chegar mas o exemplo foi mal escolhido. Fica bem.

  41. Lindo lindo (ironia), também foi ver, relativamente à notícia da restauradora da obra "Ecce Homo", uma certa blogger afirmar que A SENHORA LEVOU O FRESCO PARA CASA, PARA RESTAURAR, ah ah ah ah ah.

    Mas quem é que não sabe o que é um fresco, digam-me? Basta conhecerem os frescos da Capela Sistina, para saberem que são pinturas feitas directamente na parede, CERTO?

  42. Top Gun xD
    A minha mãe tem um poster desse filme do Tom Cruise no quarto dela em casa da minha avó! É impressionante como é que ao longo do tempo o quarto mudou em tudo: decoração; arquitetura; disposição dos móveis… E o póster do bendito filme permanece ali, como se fosse eterno. E provavelmente vai ser. 😉

  43. Tal e qual a minha opinião, que me desculpem as excepções ao problema (que é um problema!) das actuais gerações não terem interesse, curiosidade ou grande sabedoria acerca da aqui chamada cultura geral. Ainda bem que ainda existem pessoas como a estudante de medicina do S.João, etc etc que aqui fez um comentário mas penso que não podemos fechar os olhos à falta de interesse generalizado que predomina nas últimas gerações! É demasiado óbvio e chocante. E observável em qualquer lugar, basta estar atento. Cultura geral é muita coisa, e sim, é conhecer os rios e reis de Portugal, ou saber quantos cromossomas tem o ADN, mas também é já ter ouvido falar do Top Gun, do ET e outros tantos fenómenos de popularidade, não necessariamente grandes filmes, mas filmes que marcaram uma época, e isso basta! Isto é também cultura geral e é realmente triste que tanta gente de várias gerações considere que não se ter ouvido falar – e é disso que o post trata – mesmo que não se tenha visto, é normal e aceitável. Quando não o é, quando falamos de cultura geral.

    Boas respostas arrumadinho, a arrogância aqui mostrada não está nas tuas respostas.
    Continua a escrever assim.

  44. eu não me revejo nada neste texto, tenho 25 anos e já vi todos os filmes que mencionaste e muitos mais. adoro cinema e sou obcecada pelos clássicos, principalmente pela época de 40 e 50. amo a Audrey, o Brando, o Laurence Olivier, a Vivien Leigh, a Ingrid Bergman… quem me dera ter vivido nessa altura! em relação à música, as minhas bandas preferidas são os Beatles e os Queen.
    mas concordo que há muita gente que tem preconceito em relação aos filmes antigos, quase nenhum dos meus amigos vê e torce o nariz a filmes a preto e branco… para mim desprezar algo que não se conhece é um bocado sinal de ignorância

  45. Concordo inteiramente com o post! Esta Geraçao, infelizmente,é muito comodista e completamente alheada( há exepções),se lhes falarem em marcas de bebidas,tabaco etc: de certeza que já ouviram falar!!

  46. Caro Arrumadinho

    o filme abaixo é mau, certamente não deixa de ser um clássico, porém será que apreendeu a sua essência ? veja para lá da superficie e não aceda tão facilmente aos seus instintos primários.

    Respeitosamente

    KARATE KID

    Hey – you ever get into fights when you were a kid?
    Miyagi: Huh – plenty.
    Daniel: Yeah, but it wasn't like the problem I have, right?
    Miyagi: Why? Fighting fighting. Same same.
    Daniel: Yeah, but you knew karate.
    Miyagi: Someone always know more.
    Daniel: You mean there were times when you were scared to fight?
    Miyagi: Always scare. Miyagi hate fighting.
    Daniel: Yeah, but you like karate.
    Miyagi: So?
    Daniel: So, karate's fighting. You train to fight.
    Miyagi: That what you think?
    Daniel: [pondering] No.
    Miyagi: Then why train?
    Daniel: [thinks] So I won't have to fight.
    Miyagi: [laughs] Miyagi have hope for you.

  47. Concordo e não concordo. Não sei bem o que pensar deste post. Se por um lado acho que as tuas palavras são assertivas, por outro o exemplo do filme não é o melhor. Há pessoas que simplesmente não gostam de cinema, e não se interessam de todo por essa área. Contudo, são super cultas noutras áreas. É só a minha opinião 🙂 Beijinho

  48. Este post dá-me vontade de rir! O Top Gun não é propriamente uma referência importante na história do cinema! Pelo contrário, é um filme particularmente mau, cheio de clichés e lugares comuns acerca de quase todos os temas em que toca.. Já para não falar na fórmula narrativa e fílmica que utiliza, completamente exausta… Não me parece minimamente preocupante que alguém de vinte anos não o tenho visto, provavelmente até está melhor assim! Acrescento ainda, e isto é apenas uma impressão (vale o que vale!), que não me parece que esta geração seja mais ou menos culta do que qualquer outra..

  49. Eu tenho colegas de trabalho, pouco mais novos que eu (e eu só tenho 27 anos) que nem sequer sabem o que é o ET ou a Academia de Policia. Pessoas licenciadas, que nem sabem nem ouviram falar nestes 2 filmes!

    E depois dizem coisas como: "Ah, mas eu era do meio rural. Eu brincava na rua!"

    Mas que raio de desculpa é esta? Eu também brincava na rua, e não é por isso que não conheço uma coisa que, ainda hoje, continua a dar na televisão! Não digo que sejam os melhores filmes do mundo, mas não conhecer filmes que foram verdadeiros fenómenos, filmes que passavam e passam 1.000 vezes ao ano nos canais portugueses… eu sinceramente não os percebo e não acho normal. Eu também nunca vi o Padrinho ( e sei que é imperdoável… eu sei, mas ainda não o consegui encontrar à venda nas lojas onde costumo ir. Mas já vi que vou ter que desistir e entrar na medonha Fnac) mas sei a importância que teve e que ainda tem para o cinema! Mesmo sem o ter visto, sei algumas falas… percebo referências ao filme… esta geração mais nova que eu choca-me um bocado com esta atitude de "foi antes de eu nascer". Aliás, salta-me logo a tampa, porque o Camões escreveu os Lusíadas antes de eles nascerem… será que por isso também não sabem quem ele é?

    Mas também não se podem culpar os pais, porque o meu pai nunca me incentivou a ver filmes, ouvir boa música ou até mesmo ler (aliás, sempre foi um drama grego para ele me dar dinheiro para eu comprar livros que não fossem para a escola) e não é por isso que eu deixei de me interessar e de tentar perceber mais sobre estes assuntos.

    Também não se pode dizer que os miúdos de agora têm mais acesso a outras coisas e mais que fazer, porque era eu adolescente quando se deu o boom da Internet, e ficávamos quase dias inteiros colados aos computadores e não era por isso que não líamos, víamos filmes, íamos ao cinema… os miúdos de agora são é preguiçosos e muito narcisistas.

    (graças a Deus, há algumas excepções a essa cambada…)

  50. Acho mais grave uma pessoa que não conhece Orson Welles, Fritz Lang,Eric Rohmer, Rosselini, Robert Wiene, Godard, Nanni Moretti (entre muitos outros) do que Tony Scott. Não é por o senhor ter falecido há pouco tempo que é obrigatório ter visto o "Top Gun", que é um mau filme. Ou melhor, mais inacreditável seria não saberem quem é Paulo Rocha ou Manoel de Oliveira (entre outros exemplos), já que são portugueses. E muitos não sabem.

  51. Não ver ou ter ouvido falar do top gun não me parece grave porque não é um clássico. Foi uma moda como agora são os filmes dos vampiros que eu nunca vi e nem quero ver. Mas que adorei o top gun e ainda mais o cocktail… Esses sim " e quem inventou os atacadores dos ténis, e os dos post its devem estar ricos" adorava…

  52. Acho que o caso aqui apresentado é infinitamente menos grave do que a falta de cultura geral dos que até conseguiram tirar um curso e tirando os conhecimentos que obtiveram na área em que se especializaram, têm uma cultura geral mínima, o pior é que muitos deles são jornalistas, (como eu e o Arrumadinho) com todas as consequências funestas que um jornalista sem o mínimo de cultura geral, espírito crítico, capacidade de discernimento representa… é por essas e por outras que o país vive mergulhado constantemente com informação baseada em "não notícias"; em "ridicularias".

  53. Tenho 22 anos e nunca vi Top Gun. Se me considero menos culta por isso? de maneira alguma. Não é por não ter visto o Top Gun que faz de mim uma pessoa diferente das outras que o viram, acho até que não é pelos conhecimentos que temos acerca do mundo do cinema que somos mais ou menos cultos, podemos saber um pouco de tudo e o cinema não ser a área que mais nos fascina e isso não faz de nós menos cultos. Posso ter visto muitos outros, mas não vi o vi o Top Gun, e daí?

  54. Percebo a ideia do post. Nasci nos Açores e moro há 3 anos em Lisboa, e dou por mim a olhar para os meus colegas (todos continentais) que também vivem lá há 3 anos mas que não conhecem coisas básicas sobre a cidade. Perguntam o que é o Rossio, dizem que estão a pensar mudar de casa para a Avenida da Liberdade (?!) e têm um total desconhecimento da cidade onde vivem. Mas se lhes perguntarem onde é que a cerveja é mais barata nas noites de quinta-feira há muitos que sabem o nome de umas quantas capelinhas! Mas eu é que sou a campónia. Eu é que vim das ilhas e "como é que tu sabes isso tudo?!". Saio de casa e exploro a cidade, é simples.

    Mas isto para dizem que eu sei o que é o Top Gun, apesar de nunca o ter visto, porque não aprecio o género. Até pode ser que se o vir goste, mas nunca surgiu a oportunidade e eu não tive vontade de fazer por o ver. Não aprecio filmes no geral, não sei se com a idade mudarei de opinião, mas a verdade é que o cinema não me entusiasma muito.
    E não é por isso que me acho uma pessoa inculta, que não quer saber de nada do que se passou "antes de nascer". Acho que não devia generalizar a esse ponto (:

    De qualquer maneira, foi um bom post e concordo com a ideia geral!

  55. o que me parece é que pegou num filme muito banalizado, blockbuster, enfim… para concretizar uma ideia que todos temos e que nesse aspecto todos concordamos:a falta de cultura geral dos nossos jovens, … de repente é como se desse o exeplo para a música pegando nos Bon Jovi … a montanha pariu um rato…

  56. Lolol estes comentários fazem-me rir… Perguntam-se sobre a relação entre o cinema/música, etc. com a cultura geral… Ora deixa-me cá ver… Porque são uma arte!!! Tenho 24anos e claro que ainda não vi, nem li, nem ouvi tudo o que quero, provavelmente nunca irei, porque temos um milhão de material à mão de semear mas aquilo que considero importante é o facto de pelo menos já ter ouvido falar e acima de tudo, ter curiosidade para conhecer. Também nao engulo a desculpa do "sou muito novo para isso" ou "não me interesso ou não gosto". Se nunca ouviram falar, se não conhecem como podem ter uma opinião sobre o assunto??? Volto a referir, o problema da minha geração, e as mais novas, é simplesmente não terem curiosidade por nada nesta vida para além das publicações do mural do facebook. Agora resta saber de onde vem o problema. De casa? Da escola? Do grupo de amigos??? Provavelmente de tudo um pouco. Reaprender a orientar as novas gerações de modo a serem mais cultos, mais informados, mais curiosos num mundo cada vez mais competitivo será o nosso desafio.
    Continua a escrever assim, Arrumadinho, se existissem mais pessoas a colocar o dedo na ferida talvez este país estivesse um bocadinho diferente.

  57. O tipo de cultura a que os jovens hoje em dia acedem é muito descartável e eles habituaram-se a isso. Livros sobre romances melosos, filmes com carinhas larocas, músicas que facilmente ficam no ouvido, etc etc etc.
    Não acho que seja assim tão chocante nem me estranha a falta de conhecimento sobre grandes obras de outros tempos a nível da musica, cinema ou literatura. Simplesmente bebem o que lhes dão mas, como tudo aquilo que é descartável, um dia acaba ou a pessoa cansa-se e não tenho dúvidas que daqui a uns anos, esses jovens vão descobrir o que andaram a perder até entao!
    A culpa não é deles, que são constantemente bombarderados com "cultura" rápida e acabam por se influenciar uns aos outros.
    É tudo uma questão de tempo e não nos cabe a nós criticar, porque somos de uma altura em que tudo se passava de maneira diferente.

  58. Face a este texto parece que está à espera que lhe digam 'Parabéns por ser tão culto, desculpe lá a minha geração por ser tão burra'.

  59. Caro Ricardo, obrigado pela sua resposta. Compreendo e é de facto difícil não dar respostas "tortas" quando de alguma forma nos sentimos atacados ou insultados. Mas, a meu ver, é isso que revela maturidade e nobreza de espírito: "atacarem-nos" e terem sempre (que possível claro, ninguém é de ferro), no retorno, o melhor de nós. Cumprimentos.

  60. O Arrumadinho provavelmente tem de ler muitas revistas/jornais/livros/filmes por questoes profissionais. E por isso adquire uma cultura geral mais basta.

    Outros por questões profissionais são obrigado a gastar muito do seu tempo a ler documentos mais tecnicos.

    Como o dia tem 24 horas é evidente que não se pode estar à espera que a pessoa A depois de ler os ultimos artigos da Nature ou da Science (é apenas um exemplo)ainda vá ler todos os jornais e revistas das bancas de jornais.

    Parece-me facil de perceber.

  61. Arrumadinho, tentei dar muitas respostas a este post e acabei por apagar todas por achar que não são sucintas o suficiente. O que interessa dizer é que este texto me deixa profundamente triste. Sinceramente triste. Acho o caso em questão demasiado particular para se fazer um ataque feroz a uma geração inteira, apelidá-la de inculta, desinteressada e infantil. A visão que tem das gerações pós-80 é de um preconceito atroz. É um cliché atrás do outro. Perdoe-me que lhe diga mas a certa altura a descrição era tão à 'Morangos com Açúcar' que me fez rir. Na realidade, acho que perdeu a credibilidade toda com algumas das descrições que fez.
    Em todas as gerações há pessoas com cultura geral (o Arrumadinho parece gostar de se incluir neste grupo) e pessoas mal informadas e pouco participativas. Isso aconteceu na sua geração e acontece na minha. É normalíssimo! Chama-se diferença, pluralidade, sociedade! A minha geração teve muito mais facilidades e privilégios que as anteriores, acha realmente que ninguém saberá usufruir disso? Mas porque é que acha que quem nasceu nos anos 90 se irá atirar para o comodismo e viver como se tivesse feito uma lobotomia frontal? Porque conheceu uma rapariga de 21 anos que nunca viu o ‘Top Gun’? De que lhe serve enaltecer-se perante uma geração inteira? Como é que isso demonstra que a minha geração está perdida?
    Eu podia dizer-lhe que ando no 4º ano de Medicina no São João, que devoro livros, que compro todos os bons vinis em que ponho as mãos, que já vi todos os filmes do top250 do IMDB, que faço voluntariado, que mal vejo televisão, que não faço parte de nenhuma rede social, que passo todos os dias os olhos pelo jornal, que trabalho no Verão e que tenho um grupo de amigos culto… Mas de que me serviria dizer isso quando parte do princípio que todos somos atrasados mentais agarrados ao facebook?

  62. Continuo sem perceber o problema.
    Qual o espanto de alguem nao conhecer o Top Gun.
    Honestamente nao percebo.
    E mais ainda se for alguem com 20 anos.
    Devem estar a confundir o Top Gun com o Afonso Henriques ?

  63. Tenho 26 anos, o primeiro e segundo "Alien" estrearam antes de eu nascer. Vi-os todos e não compreendo quando me dizem que não conhecem, especialmente quando essa pessoa tem mais 10 anos que eu…

  64. Pela última vez: o criticável não é não ter visto o "Top Gun", mas sim nunca ter, sequer, ouvido falar do filme. Está escrito no texto. Está escrito nos comentários. E reforço agora. Escusam de comentar partindo do pressuposto que digo que é grave não se ter visto o Top Gun, porque não é isso que está escrito.

  65. OMG, eu vi o Tpo Gun uma vez por causa do Tom Cruise, achei muito mauzinho, Nunca vi o ET nem o Musica no Coração, não me interessa sequer. Não vejo coisas porque são consideradas boas mas sim porque me interessam. A maior parte das pessoas fica de boca aberta quando digo que nunca vi o ET (tenho 37 anos) e eu pergunto-lhe se já viram o Casablanca ou o Citizen Kane (para mim um dos melhores filmes que já vi) e eles repsondem que não. Fico admirada por não terem visto? Não, não fico, cada um vê o que quer. Cada um lê o que quer, cada um sabe da sua vida e da sua cultura – se nunca viram foi porque não quiseram. Eu nunca vi o ET porque não quero.
    Já li montes de livros do Ken Follet e os meus colegas de trabalho só ouviram falar nele quando deu os pilares da terra na televisão. E depois? Eu leio livros em inglês e os meus colegas admiram-se. Mas ainda esta semana na FNAC vi que os livros do top são aquela coisa da grey em inglês. Fui comprar a VIda De PI e mais uma vez os meus colegas não sabem do que se trata. Mas sabem o que é isso das sombras de grey. 🙂 Nem toda a gente tem os nossos padrões.

  66. Eu e o meu grupo de amigos temos gostos distintos. Tenho um amigo da geração que menciona que viu o Top Gun, Academias de Policia, O Padrinho etc. mas também ha outros elementos do grupo que não viram porque não lhes interessou. Nem todos residem em Lisboa e nem todos tiveram oportunidade de frequententar a cinemateca mas asseguro que os que cá estão frequentam e não é para verem os filmes de culto americanos. Não acho redutor gostar desses filmes que menciona mas também não considero "bronco" quem não os viu, porque ter 9 anos em 1999 e 20's agora é totalmente diferente de ser adolescente nos anos 90. A "geração três patinhos" não é a"geração Vitinho".

  67. Mas voçes ainda perdem tempo a discutir com o Arrumadinho ?
    Ele é boa pessoa e porreiro, mas falta-lhe conhecer e dar-se pessoas fora do seu meio habitual (profissional,academico,intelectual etc).
    Isso nota-se muito nos posts e respectivas resposta.
    É algo perfeitamente normal e compreensivel, mas não deixa de ser verdade.

  68. Não ter visto o TOP GUN/TOG GUN e outros não será muito grave. Há tanta coisa para ver… Agora serem universitários e escreverem como escrevem é triste!

  69. Caro Eduardo. Eu respondo no mesmo tom e na mesma medida das pessoas que comentam o que eu escrevo. Quando uso um tom mais duro, e geralmente quando digo que as pessoas não entenderam o que escrevi, é porque, quase sempre, esses comentários vêm com aquele tom do "este gajo é mesmo estúpido" ou "és muito arrogante". Se as pessoas se limitarem a dar a sua opinião sobre os posts, sem terem necessidade de atacar o autor, vai ver que as respostas serão no mesmo registo. Por norma, costumo nem sequer publicar esses comentários, mas acabo por fazê-lo porque, apesar dos ataques, acho que esses comentários têm alguma substância e podem valorizar a discussão.

  70. Arrumadinho :

    Nao foi errada.
    Foi certissima.

    Muita culura geral que consome é em muito por razões profissionais.

    Anonimo 11:42

  71. Concordo com o ponto de vista, mas não creio que seja 'obrigatorio' ter visto o top gun. Eu tenho 24 anos e nunca vi. Tal como nunca vi Indiana Jones ou James Bond ou muito dos ditos grandes sucessos. Mas sei perfeitamente o que são, qual a historia e a sua importancia. Mas há gostos e há quem prefira cinema um pouco mais alternativo. E posso garantir que sou bem mais culta do que muita gente que anda ai e já 'papou' todos esses filmes.

  72. "Nao entendo o porquê de se sentirem tao ofendidos com o post! O cinema é conhecido pela 7a arte e é exactamente o que ele é: arte e como tal deve ser visto como um pedaço de cultura! Eu tenho 19 anos e tenho orgulho de saber o que é o top gun, o casablanca, o tiffany's, o guerra e paz, o padrinho e o voando sobre um ninho de cucos! E nao é por saber isto que me tenho de limitar e só ver isto á frente! Sim, eu sei quantos cromossomas tem os humanos e sou fã da audrey hepburn e dos batman! Faz de mim mais ou menos inculta acerca da cultura cientifica? Nao, nao faz! Porque a cultura não se limita, complementa-se ! É o que muita gente aqui em cima deveria aprender. Para essas pessoas aconselhava a começar pelos Pilares da Terra que mal nao lhes faz; nao se preocupem que se o lerem nao tem uma lavagem cerebral e continuam a saber quantos cromossomas temos!"

    Obrigado anónimo, acabaste de exprimir a minha opinião. Tenho 21 anos, sou da área das ciências da vida e acho que tanto a parte científica como o cinema/música/política são áreas em que nunca fez mal saber alguma coisinha, nem que seja para poder ter opinião definida!

  73. Caro Arrumadinho,

    certamente viste o filme Good Will Hunting e invejaste não teres escrito o argumento.
    Ora a questão que se insurge é se aprendeste algo com ele ou não…e claramente vejo que não.
    Gerações diferenciam-se por símbolos diferentes, e
    obviamente por filmes diferentes. debitares clássicos
    americanos, torna-te um cliché da cultura pop, perfeitamente aceitável. O que te diferencia é o que
    fazes com o que te é dado, ou mesmo o que te suscita interesse…enfim, o pensamento à posteriori, de adquirires esse saber, seja cultura geral ( algo bem lato) ou outro saber mais elitista.
    Debitares filmes, livros, eventos que marcaram gerações, seja a tua ou anteriores e negares à geração seguinte o direito de seguirem caminhos diferentes dos instituidos, revela alguma rigidez em te adaptares aos novos tempos, e a nostalgia ainda que saborosa é comida light.
    A tua visão das gerações a seguir à tua é redutora, porque não a procuras entender, e a ligeireza com que a categorizas denota um preconceito ou mesmo preguiça mental perante algo que é diferente dos teus interesses.

    respeitosamente

    Good Will Hunting Bar Scene (Quote)
    Chuckie: All right, are we gonna have a problem?
    Clark: There's no problem. I was just hoping you could give me some insight into the evolution of the market economy in the early colonies. My contention is that prior to the Revolutionary War the economic modalities, especially of the southern colonies could most aptly be characterized as agrarian pre-capitalist and…
    Will: [interrupting] Of course that's your contention. You're a first year grad student. You just got finished some Marxian historian, Pete Garrison prob’ly, you’re gonna be convinced of that until next month when you get to James Lemon, then you’re gonna be talkin’ about how the economies of Virginia and Pennsylvania were entrepreneurial and capitalist back in 1740. That's gonna last until next year, you’re gonna be in here regurgitating Gordon Wood, talkin’ about you know, the Pre-revolutionary utopia and the capital-forming effects of military mobilization.
    Clark: [taken aback] Well, as a matter of fact, I won't, because Wood drastically underestimates the impact of–
    Will: …"Wood drastically underestimates the impact of social distinctions predicated upon wealth, especially inherited wealth…" You got that from Vickers. "Work in Essex County," Page 98, right? Yeah I read that too. Were you gonna plagiarize the whole thing for us- you have any thoughts of- of your own on this matter? Or do- is that your thing, you come into a bar, you read some obscure passage and then you pretend- you pawn it off as your own- your own idea just to impress some girls? Embarrass my friend?
    Will: See the sad thing about a guy like you, is in about 50 years you’re gonna start doin' some thinkin' on your own and you’re gonna come up with the fact that there are two certainties in life. One, don't do that. And two, you dropped a hundred and fifty grand on a fuckin’ education you coulda' got for a dollar fifty in late charges at the Public Library.
    Clark: Yeah, but I will have a degree, and you'll be serving my kids fries at a drive-thru on our way to a skiing trip.
    Will: [smiles] Yeah, maybe. But at least I won't be unoriginal.

  74. Não é preciso ir tão longe para comprovar este facto: isso verifica-se na minha família. É óbvio que estaremos a generalizar mas, com uma diferença de 'apenas' 13 anos, eu e a minha irmã mais nova temos culturas absolutamente díspares (e não, não fomos educadas por pessoa diferentes). Eu devorei os discos de vinil do meu pai (os verdadeiros monstros da música, como Pink Floyd, Queen, Bruce Springsteen, The Doors), vi filmes que, para mim, são intemporais e, no meu tempo, o sucesso de audiências na televisão era o MacGyver ao domingo à noite. A geração da minha irmã, hoje adolescente, nasceu na era da internet, da disseminação da cultura e teve um acesso muito rápido e muito fácil a todo o tipo de informação. É certo que são eles próprios que fazem as suas escolhas (ver Morangos ou ver o Top Gun? Ouvir Justin Bieber ou Queen?) mas, sem qualquer sombra de dúvida, as escolhas são influenciadas pelas massas. Eu continuo a dizer, a geração de 80, foi a última geração sã.

  75. Quanta prepotência e deselegância nas respostas… tenho notado que muitas vezes quando alguém apresenta um ponto de vista não coincidente com o seu, afirma (não sugere, afirma!) que essa pessoa não percebeu, ou não sabe interpretar, ou algo do género. Não lhe parece isto uma enorme prepotência e falta de capacidade de discutir pontos de vista divergentes? A discussão entre pessoas com diferentes maneiras de ver as coisas é algo salutar e enriquecedor, mas quando um dos lados assume uma posição descabida de superioridade torna-se afrontador…
    Deixo uma citação para reflexão do poeta americano Robert Frost da qual me lembrei agora: “Education is the ability to listen to almost anything without losing your temper or your self-confidence."

  76. Nasci 17 anos depois do Voando Sobre Um Ninho de Cucos, já o vi, e é um dos meus filmes preferidos 🙂

    E nunca ter visto o ET é de bradar aos céus (porque está sempre a dar na tv).

  77. Arrumadinho explica-nos porque razão foste ver os Morangos com Açucar (filme) ?

    Julgo que a resposta a este post está na resposta a esta pergunta.

    Anonimo 11:42

  78. Mas porque raio as artes mais proximas são a musica e o cinema ?
    Não percebes que estás influenciados pelos teus interessses ?

  79. Bem, acho que é melhor dividir o texto em várias partes. A maioria dos comentadores está a misturar os parágrafos todos numa grande sopa.

    1º É preciso distinguir que não pode nem deve ser considerado um escândalo nunca se ter visto o Top Gun (eu vi e na altura achava o máximo). O que pode ser um escândalo é nunca ter ouvido falar sequer.

    2º A frase "isso foi feito antes de eu nascer" não pode ser usada como desculpa para não conhecer as coisas. No entanto já aceito se me disserem "esse tema não me interessa".

    3º Nem toda a gente se pode interessar por cinema e música. E quando falo em música, falo em todo o tipo de música, ou seja, todos temos um tipo nosso preferido, mas é de "bom tom" já ter ouvido falar em Frank Sinatra, mesmo que não se goste do tipo de música. Não aceito que me digam "não gosto desse tipo de música" quando nunca o ouviram sequer.

    4º Há de facto muito mais oferta de informação hoje do que há 15/20 anos atrás. Há mais coisas com que podemos dispersar a nossa atenção e dedicação, por isso é que eu defendo que se deveria investir mais em encontrar cientificamente métodos para prolongar a nossa vida para termos tempo de fazer tudo…loool

    5º Arrumadinho, se 9 em cada 10 dos miudos que conheces, consideras incultos, é porque a definição de cultura está também ela a mudar. Lembra-te disto: no tempo dos nossos pais era obrigatório (e considerado cultura geral) saber os nomes de todos os rios, afluentes e montanhas do nosso país. Hoje se o pessoal souber o nome dos rios já é bom.

  80. Vira o disco e toca o mesmo…
    Nunca ninguém entende o que este homem escreve…bolas. É tudo burro ou quê? Ou o Ricardo(é Ricardo não é?) é super inteligente e escreve assim umas coisas "bué" complicadas de ser perceber? Aconselho que o Ricardo escreva só para totós ou então que os "seguidores" deste blog comecem a ter aulas de Português…não as que são dadas nas aulas das instituições de ensino do ministério da educação (esse ainda existe certo?).

  81. Anónimo das 11h42. Ficamos na mesma: acho que não entende o conceito de cultura GERAL. GERAL. GERAL. Cultura geral não é saber de cinema. É saber muitas coisas sobre muitos assuntos. Ninguém é acusado de não ter cultura geral por não saber o nome de um realizador, com quer fazer parecer que é o que eu digo (e não é). O Cinema foi um exemplo. E explico, no texto, porque o dou: porque se espera que as gerações mais novas comecem a desenvolver a sua cultura na área das artes por aquelas que lhes são mais próximas: o cinema e a música. Se falham nas coisas mais básicas, então, não acredito que dominem outras menos acessíveis, como o teatro, as artes plásticas ou a dança. Não me parece assim tão difícil de entender.

  82. Caro Arrumadinho,

    A resposta do anónimo que fez o looongo comentário não era ao texto original, mas à réplica do excelentíssimo Arrumadinho a um outro anónimo, o das 09h29. E era também uma observação geral à falta de modéstia (bastante óbvia) do autor deste blogue.
    A propósito de sinopses, estas costumam desvendar o estilo do autor e não apenas o tema sobre o qual escreve. Alguns desses temas interessam-me, outros não. Já o que o autor escreve sobre eles é outra história… Já agora, o Arrumadinho que tanto gosta de criticar os comentadores por não lerem os seus textos, parece que está a cair no mesmo erro:
    1- O Anónimo do looongo texto, que por acaso até sou eu, viu o Top Gun e menciona isso no comentário.
    2- O Anónimo não critica o facto do Arrumadinho ter visto o Top Gun, nem lhe atribui comentários sobre o filme (seja decente ou medíocre).
    3- O Anónimo não critica sequer o facto de pessoas que tenham o tempo e a paciência para se dedicarem a ver filmes decentes ou medíocres, ler livros bons ou maus, ouvir boa música ou Madonna. Antes pelo contrário, o Anónimo elogia os verdadeiros eruditos que encontram pérolas no meio do esterco e que são suficientemente humildes e, ao mesmo tempo, seguros de si mesmos, para falar sobre tudo, mesmo temas que não são considerados dignos pela intelligentsia.
    6- O Anónimo não diz sobre si próprio que é humilde. Não é, porque não tem a elevação cultural e intelectual suficiente para chegar à humildade. O Anónimo está a tentar ser mais humilde e um dia lá chegará. Mas, de momento, o facto de não ser humilde serve para confirmar que o caro Arrumadinho também não o é. Takes one to know one, como dizem os amaricanos. E o anónimo não é autor de blogues, ao contrário do caro Arrumadinho.

  83. Mas quem disse que isso é que é cultura geral ?
    Tambem há muita gente que nunca viu o o jogo ou o golo de calcanhar de Rabah Madjer, na final da Liga dos Campeões de 1987 que o FC Porto venceu ao Bayern, em Viena, na Áustria.

    E depois ?

  84. Nao entendo o porquê de se sentirem tao ofendidos com o post! O cinema é conhecido pela 7a arte e é exactamente o que ele é: arte e como tal deve ser visto como um pedaço de cultura! Eu tenho 19 anos e tenho orgulho de saber o que é o top gun, o casablanca, o tiffany's, o guerra e paz, o padrinho e o voando sobre um ninho de cucos! E nao é por saber isto que me tenho de limitar e só ver isto á frente! Sim, eu sei quantos cromossomas tem os humanos e sou fã da audrey hepburn e dos batman! Faz de mim mais ou menos inculta acerca da cultura cientifica? Nao, nao faz! Porque a cultura não se limita, complementa-se ! É o que muita gente aqui em cima deveria aprender. Para essas pessoas aconselhava a começar pelos Pilares da Terra que mal nao lhes faz; nao se preocupem que se o lerem nao tem uma lavagem cerebral e continuam a saber quantos cromossomas temos!

  85. Essa conversa da cultura geral e tal tem muito que se lhe diga. É mais natural que a tua area de trabalho/estudo se cruze mais com essa chamada "cultura geral".

    E quem disse que cultura geral é saber os nomes (ou ja ter visto) dos/os filmes de cinema ?

    Para ti provavelmente isso é cultura geral. Para mim por exemplo, tambem é vergonhoso muitos senhores jornalistas (e outros) não saibam explicar o Teorema de Pitagoras ou não saibam minimamente o que significa a Teoria da Relatividade (não me estou a referir à parte teorica e sim à intuiçao pratica que é muito simples….)….ou que não saibam quem foi Maxwell.

    E posso te garantir que todos estes conhecimentos/pessoas/marcos do conhecimento são e foram muitissimo mais importantes para a vida das pessoas, incluindo para o facto de tu teres um blog.

    E agora ? Como ficamos ?

  86. concordo em absoluto com o raciocínio, mas acho que a falta de cultura geral é um mal geracional e não só dos putos de agora … as pessoas já não lêem e qualquer dia deixam de saber escrever (refiro-me ao acto físico propriamente dito), acham que é suficiente o que lhes é dado virtualmente a comer … tenho pena

  87. Que mania que tanta gente tem de fazer pouco das gerações mais novas! Sempre houve essa tentação ressaibiada, as gerações mais velhas SEMPRE acharam que as mais novas nada sabem! Acho tão redutor. Uma pessoa para se sentir afirmada não precisa de inferiorizar ninguém… Cada geração sabe as suas coisas.. Olhe, eu sou da sua geração e tambem nuca vi nem sai nada acerca de Top Gun… Faz de mim menos culto: garanto-lhe que não. Muito redutor, muito redutor….

  88. Ao anónimo que faz um looongo comentário recomendo que leia novamente o texto, porque acho que não o entendeu. Repito só esta parte, que assim é mais fácil: "O Tog Gun está longe de ser um filme genial – é apenas decente – mas com os seus clichés, a banda sonora, uma série de sequências memoráveis (o passeio de mota ao som do Take My Breath Away, o jogo de beach volei, a morte do Gus, o Gus a tocar o Great Balls of Fire no piano, etc., etc.), mas tornou-se um fenómeno que não pode ser ignorado, ou totalmente desconhecido."

    Ou seja:
    1. Em momento algum digo que o Top é um grande filme. Refiro-me a ele como "decente".
    2. Não critico o facto de as pessoas não verem o filme. Digo, sim, que acho estranho e pouco admissível nunca se ter ouvido falar dele.
    3. Duvido que alguma vez tenho lido a sinopse de um livro do Ken Follett. Se tivesse lido, não teria dito: "sinopses demonstram que não vou gostar". As sinopses falam da época medieval, da guerra fria, da segunda guerra mundial, da primeira guerra mundial, de clonagem, de espionagem, de arquitectura, da revolução soviética. Se acha tudo isto desinteressante, então, não sei o que o estimulará.
    4. Quanto à terminação, não me parece que uma pessoa que diga o que disse possa achar outros "pouco modestos" ou "arrogantes". Ou seja, a pessoa que diz que viu o top gun e lê livros do Follett é "pouco modesto" e "arrogante". Já o anónimo, que não vê esses filmes nem lê esses livros, porque os acha menores, é humilde. Pois. É isso.

  89. Eu tenho a mesma idade desta menina e cada vez mais sinto que não me chega a vida para ler todos os livros e ver todos os filmes que quero. na faculdade tive a possibilidade de ver imensos filmes, não só os clássicos, mas também os chamados filmes de culto, em sessões promovidas única e exclusivamente por alunos com a minha idade ou até mais jovens. e o que tem muita piada é o facto de muitas vezes referir filmes que dou por adquirido que já tenham sido vistos por autoproclamados "cinéfilos"(o casablanca foi um deles, por exemplo) e obtive em resposta um total desconhecimento dos mesmos… da parte de gente bem mais velha do que eu. Ironias!
    P.S. – Boa sorte para o teu livro! Hei-de cucá-lo logo que seja editado 🙂

  90. o Anónimo das 11.15 é um desgraçado.
    Nunca leu um livro, nem viu um filme, porque andava a fazer trabalho voluntário. Em suma, não tinha vida. E quer um prémio porque andou a fazer voluntariado com crianças.
    IMDB?? Só vê filmes com 8.9 para cima é isso? Muito bom!
    PS – Também ajudo animais abandonados e tenho uma vida paralela a essa.
    Que miséria de comentários.

    Não há desculpa para a ignorância, muito menos o viver não sei onde, como alguém diz lá em cima. Que antes de ir para a Universidade, blá blá blá, pelos vistos não serviu de muito pois escreve "à 12 anos…".
    Espero que não tenha estudado à conta do estado.

  91. Cara Cláudia. Provavelmente por teres dedicado demasiadas horas ao estudo dos cromossomas e das células perdeste a oportunidade de entender duas coisas simples: o conceito de cultura geral (que é diferente do de cultura científica) e a capacidade de interpretar um texto.

  92. Tenho 42 anos. Nunca vi o Top Gun, nem li Follet, porque não gosto, porque considero uma perda de tempo. No IMDB, por exemplo, o TG tem apenas 6,7.

    Sou menos que qualquer outra pessoa que tenha visto o Top Gun e/ou lido Follet?
    Não me parece.

    No tempo de "tops guns" fazia trabalho voluntário com crianças, não tinha tempo para andar a ver filmes, ainda por cima, tão mauzinhos como este é exemplo.

  93. Caro Arrumadinho,

    O agumento de que quem fala sobre algo sem conhecer bem o tema é preconceituoso é muito bom para justificar o valor dos nosso próprios guilty pleasures e é muito útil em determinadas conversas de café, em que os participantes sejam, no todo ou na maioria, pessoa ignorantes. É óbvio que não é necessário ler toda uma obra, ver um filme completo ou ouvir um álbum inteiro para se saber que não se gosta. Basta ser medianamente culto e inteligente (suponho que o anónimo das 9h29 estivesse a pensar nestas pessoas medianamente capazes quando falou em seres "inteligentíssimos" e "cultíssimos").
    Opinar sobre a qualidade de algo não implica conhecimento profundo sobre o tema em casos como estes, claro, em que o tema é cultura popular, visto que há informação disponível sobre o assunto na imprensa, na Internet e em outros meios e também porque a complexidade do próprio assunto o torna fácil de assimilar sem ter que abusar da nossa paciência. Falo de produtos de qualidade duvidosa como o Top Gun (que vi, em tempos) ou livros como os do Ken Follet (que nunca li e provavelmente nunca lerei pois as sinopses demonstram que não vou gostar).
    Permite-me que faça uma comparação algo rebuscada. Fezes. Nunca provei fezes. Já as cheirei, a uma distância segura, na maioria das vezes contra a minha própria vontade. Preferia não ter que as cheirar, mas o olfacto tem destas coisas… Mas prová-las? Não, claro que não. Impensável. Porquê? A "sinopse" que o cheiro me proporcionou indicia que o sabor será extremamente desagradável. Serei preconceituoso por achar que o sabor das fezes será péssimo? Julgo que não.
    Claro que convém também mencionar que pessoas realmente inteligentíssimas e cultíssimas -embora eu não utilizasse os termos anteriores para as descrever, prefiro qualificá-las como eruditas – são capazes de ler, ver e escutar tudo e mais alguma coisa sem arrogância e sem preconceito e depois escolher o que de bom há em produtos de cultura popular que um vulgar intelectual de pacotilha franze o nariz. Por exemplo, Umberto Eco, que tem a incrível capacidade de, num mesmo texto, escrever sobre política contemporânea, história medieval italiana, a filosofia de Kant, o Rato Mickey e filmes de terror dos anos 50 e Paul Auster, que escreve bastante sobre banalidades como cromos de basebol (ainda que coleccioná-los, nos EUA, seja uma tradição). Mas estas pessoas são verdadeiros eruditos, sobretudo o Eco, que ainda por cima é semiólogo e, mesmo que não tivesse o tempo e a paciência para ler BD, teria que o fazer por motivos profissionais. Mas sabe-se que não, ainda no caso do Umberto Eco, é um sujeito que tem a modéstia intelectual de saber que o seu conhecimento abarca apenas uma fracção de um todo que é vastíssimo e, portanto, não tem o desdém pelo Flash Gordon que intelectuais típicos teriam. Mas agora estamos a falar de modéstia, de ausência de arrogância e são coisas que neste blogue não se aplicam. E isso é triste.

  94. Bem, eu tenho 22 anos não vi nem pretendo ver o Top Gun. Para mim é mais estimulante ver documentários sobre investigação científica! E como eventualmente não costumas ter curiosidade sobre a esta área não sabes quantos cromossomas tem uma célula, não é?! E isso para mim é básico e mais importante do que saber quem protagoniza o Top Gun. Isto para dizer, que nem sempre temos o mesmos interesses e acho que o cinema não é uma área que agrade a todos.

    Claudia

  95. Concordo contigo, ainda há uns tempos atrás aconteceu-me algo parecido, com uma colega de trabalho que tem 22 anos, entre um copo e outro after work passou uma rapariga que era tal e qual a Morticia Adams e comentei o facto com a minha colega ao que ela respondeu: Quem?! Nunca ouvi falar em tal coisa!
    Fiquei de boca aberta! E atenção não estamos a falar de um filme de culto/intelectual (na minha opinião é claro) mas não deixa de ser "uma família" bastante conhecida, mesmo para quem nunca tenha visto o filme.

    Tete, concordo contigo que nem todos temos que nos interessar pelo mesmo, como o exemplo que deste sobre ti, mas também acredito que a malta mais nova dos dias de hoje não tem o interesse de procurar para saber mais, pois no meu trabalho a média de idades é entre os 20 a 23 anos, e todas com o seu curso superior ou quase a terminá-lo e as conversas vão pouco mais além das actualizações do facebook de Sicrano e Beltrano. Livros?! Só mesmo os da faculdade…

    mariavaicomasoutrasemaisalgumas.blogspot.com

  96. Parabéns.
    Muito bom post.
    Vou fazer das suas palavras minhas lá no meu blog.
    Uma coisa que me surpreendeu, foi há uns 3 anos, um miúdo de 15 anos na altua e ao ver uma t-shirt com a foto do Che me ter perguntado se "aquele" não era o "tal" dos Metallica.
    E isto, isto é grave.

    Lux

  97. "Eu vi o Citizen Kane, o Good night and good luck e todos esses supostos clássicos na faculdade, caso contrário também não os conhecia."

    Lá por ser a preto e branco, eu não consideraria, ainda, o Good Night and Good Luck um clássico. Apesar do excelente filme que é.
    Aliás, cheira-me que a autora da afirmação, ao coloca-lo ao lado do clássico Citizen Kane, cometeu aqui uma pequena argolada!

    Diria eu!

  98. concordo plenamente com este post…é muito triste a falta de cultura geral da maior parte dos jovens hoje em dia…é só relembrar o voxPop da revista´"Sábado" as barbaridades que para lá se disseram…simplesmente falta de interesse e, depois tentam arranjar desculpas esfarrapadas para minimizar a sua ignorância

  99. Como gostei deste texto 🙂

    Gostei tanto como concordo com o que dizes.
    Lembro-me de estar a dar uma aula de teatro a miúdos do 8º ano e, a dada altura, fazer uma analogia com o Hitler.A minha cara de espanto quando numa turma de 25, nunca ninguém tinha ouvido falar na pessoa…

  100. Concordo com o teu post no ponto de vista de que os miúdos passam horas à frente do computador, deixando toda uma vida passar-lhes ao lado.
    Contudo, também terás de concordar que cada pessoa tem o seu próprio interesse em áreas diferentes de cultura. Eu adoro ler mas o cinema (e nomes de realizadores, actores, etc…) não puxa muito por mim. Tanto que só vi o Top Gun e o Darty Dancing aos 20 anos por insistência de amigos.
    Por outro lado, tal como dizes que aos 20 anos andaste a tentar descobrir e informar-te sobre tudo, se calhar não o fizeste nas mesmas áreas do que eu ou outras pessoas. A mim por exemplo interessava-me mais o conhecimento científico: saber quem inventou o quê, saber como funciona o corpo humano, entender fenómenos naturais….Ou seja, posso nunca ter lido Ken Follett ou ter visto tarde o Top Gun, mas isso não faz de mim uma pessoa que não se interessa por aprender coisas novas. Gosto é de outras coisas….:) E se calhar essa miúda não sabe o que é o Top Gun mas lê, ou sabe muito sobre Arte, ou sabe tudo sobre mecânica…=)

  101. Ao anónimo cultíssimo das 9h29. As pessoas que não vêem nem querem ver determinadas coisas por preconceito, que não lêem, nem querem ler, outras, por preconceito, acabam, inevitavelmente, por se tornarem aborrecidíssimas. Não tenho como objectivo de vida ser "cultíssimo" ou "inteligentíssimo". A arte não nos torna mais espertos, apenas maiores. Ver o Top Gun ou ler Ken Follett não diminui ninguém, porque não é por se ver o Top Gun ou se ler o Ken Follett que se deixa de ver ou de ler outras coisas. Há, sim, uma diferença: no dia em que tiver de falar do Tog Gun, vou saber o que dizer, no dia em que tiver de falar do Ken Follett, vou ter argumentos para debater. Já os outros, os "cultíssimos" e "inteligentíssimos" vão apenas deixar falar o preconceito por eles. O que é triste.

  102. Acho que isso também vai depender de onde se vem. este exemplo da tua altura acho que só se aplica aos miudos da cidade.
    Eu cheguei á universidade à 12 anos atras sem saber direito o que era um computador, a minha casa só apanhava a rtp1 e a sic, a biblioteca da vila não tinha sequer videos e tudo o que fosse cultura estava a 1h30 de distancia por carro (não havia autocarros). por isso nessa altura eu sabia mais de vacas, de montes e epoca de cultura do que de top-guns, cultura do cinema ou musica! ainda agora há pessoal que se irrita comigo por não me lembrar de classicos, mas eu sinceramente pergunto-me, porquê?
    entre universidade e o trabalho tive sinceramente de tentar ficar mais ou menos equilibrada em conhecimento com os meus colegas, mas acho que é normal que me escape um ou outro, especialmente se não são da minha altura nem do meu estilo favorito, acabam sempre por ser segunda escola. No entanto sei o que é o top-gun! já tenho mais pena de não conhecer alguns classicos dos anos 50 e afins :(…mas mudar de país para mais um sitio isolado também não ajudou! LOL sou a mulher das cavernas! muhahahah…LOL
    E acho sinceramente que isso ainda se aplica hoje em dia, onde os meus pais moram, a Tv com a tdt foi à vida (é lindo, congela a imagem mas com sorte vais ouvindo!), a bibliotaca esta melhorsinha, a internet funciona dependendo muito do tempo e do vento (a serio é de bradar aos santos!!!!) e braga continua a 1h de distancia por carro porque não há autocarros. Eu já acho que os miudos de hoje na zona onde eu cresci sabem mais do que eu sabia na altura… Logo, acho que depende do sitio e do interesse dos miudos…

  103. Tenho de concordar contigo. Em tudo o que dizes e ainda diria por outras palavras que a maior parte dos putos de hoje em dia, são uns anormais incultos.
    Tenho 37 anos e há mais de 20 que leio o expresso e outros jornais, e longe de mim ser um gajo armado ao pingarelho e em pseudo-intelectual.
    Quanto ao Top Gun ser uma merda…é bastante discutivel, mas vivemos rodeados de criticos de cinema, não é?

  104. Arrumadinho, há pessoas intelectualíssimas e cultíssimas que também nunca viram o Top Gun nem querem ver, mas também não lêem Ken Follet.

  105. Arrumadinho eu tenho 21 anos e já vi o Top Gun mais do que uma vez. Aliás a primeira vez que o vi devia ter uns 14 anos. Também já vi o ET, o Indiana Jones, A Febre de Sábado à Noite ( e a continuação), o Grease entre tantos outros filmes anteriores ao ano em que nasci. E vi-os porque sempre tive pais que me incentivaram e mostraram esses grandes clássicos. Por isso, acho que a educação que se tem em casa contribui em muito para o conhecimento de todas essas coisas de que estavas a falar. Gostei do post, infelizmente sei que há muita gente da minha geração que pensa que tudo o que foi feito antes de eles nascerem não interessa para nada, e que o que é bom é o que é feito agora.

  106. Eu tenho 18 e um grande fascinio por cinema (a minhha mae diz que eu vejo filmes demais xD)! E claro que sei (e vi) o que é o Top Gun, mais não seja porque a minha mãe diz que nessa altura é que o Tom Cruise era giro! AHAHHAH Mas tenho que concordar com o que dizes, afeta-me imenso não saber sobre certos assuntos com a idade que tenho e tento procurar informação sobre coisas que me surgem e que eu acho que devia no minimo ter uma ideia geral.
    E como é obvio, eu sei que existem muitos assuntos que me passam ao lado mas quando estou em conversa com alguns colegas de escola faz-me confunsão como é que não sabem sobre certos temas e eu por saber tenho a mania!!!!

    Engraçado, na semana passada vi o Saturday night Fever xD

  107. Bom, eu tenho 23 anos e lembro-me perfeitamente do Top Gun, apesar de o ter visto há cerca de dez anos. No entanto, não me parece que seja assim muito correcto definir alguém pelo facto de apreciar cinema, música e afins… ou não. Pelo menos, algumas das pessoas mais inteligentes que conheço são pessoas que raramente lêem. Eu adoro ler, mas não vou achar que lhes "falta algo" só porque não lêem… embora tenha percebido perfeitamente o teu ponto de vista. Apenas cada um tem direito às suas prioridades. Eu vi o Citizen Kane, o Good night and good luck e todos esses supostos clássicos na faculdade, caso contrário também não os conhecia.

  108. O Top Gun é uma merda e ainda bem que as novas gerações não o conhecem. Mas, na generalidade, concordo com a ideia do post. Outro exemplo teria reforçado muito melhor a ideia. Provavelmente essa mesma pessoa nunca viu e desconhece completamente o Blade Runner e só sabe o que é Star Wars porque, infelizmente, o senhor Lucas insistiu em estragar o melhor que fez na sua triste carreira. Enfim, o Top Gun que se lixe.

  109. Sim, é um problema da minha geração. E que se agrava nas gerações nascidas dos anos 90…Não é a oferta, não é o tempo que se gasta, é a preguiça e o comodismo.

  110. Concordo que o facto de o filme ter sido feito antes dela nascer, não é desculpa! Já deveria pelo menos ter ouvido falar. E o Top Gun não é o mais escandaloso!
    Pergunta-lhe pelo E tudo o Vento Levou, pelo Casablanca, África Minha, até a pirosada do Dirty Dancing, sei lá… Mas é real que hoje em dia têm demasiada oferta! No nosso tempo, não passávamos as tardes e as noites a descarregar músicas na net nem no fb! Entretinhamo-nos a ouvir música e a ver filmes. E isso é triste, mas é mesmo uma desculpa! O problema é eles não se interessarem! Mas isso também tem a ver com os estímulos que receberam dos pais. Se os pais nunca falaram nisso com eles, é normal que lhes passe ao lado.

  111. Acho sinceramente que essa rapariga é uma excepção, eu tenho 23 anos e todas as pessoas com quem eu me dou já viram Top Gun, ET, Indiana Jones e inclusivé para a universidade fiz um trabalho sobre a trilogia do Padrinho. As pessoas com quem eu me dou ainda hoje vêem filmes da Audrey Hepburn, vão ao King e à Cinemateca. E isso não tem a ver com o facto de hoje termos muita ou pouca coisa para fazer, a educação influencia muito, e se quando somos mais novos não nos despertarem para esses temas, é provável que isso nunca aconteça.

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