Os filhos mudam tudo (aviso já que é um post enorme)

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Os filhos mudam tudo.

Deve ser uma das frases que mais oiço a pais vividos, quando em conversa com os pretendentes a papás.

E na verdade os filhos mudam tudo.

Há quatro dias, uma das minhas melhores amigas foi mãe.

Há três dias, um dos meus melhores amigos, que foi pai há uns meses, separou-se.

A ela tive de dizer que os filhos mudam tudo, e alertei-a para muitos perigos de quem já passou pelo nascimento de um filho; a ele tive de dizer que os filhos mudam tudo, e tranquilizá-lo quanto ao futuro, porque também já passei por tudo o que ele está a passar.

Hoje, acho que os filhos mudam tudo, mas tenho a certeza de que é fácil ser-se feliz com a nova realidade que nos bate à porta de um dia para o outro, e que nos rouba muitos momentos fantásticos a dois, substituindo-os por outros que podem ser ainda melhores, mas a três. E o mais importante de tudo é mesmo ter a noção do que se vai encontrar, perceber o que vai mudar, ter consciência do trabalho e das privações que vamos ter pela frente, e estar preparado para todo esse mundo novo.

A maior parte dos casais que se separam após o nascimento de uma criança não sabem lidar com esse mundo novo. Não o dominam – deixam-se dominar; não o enfrentam – anulam-se; não percebem que a vida deles não acabou – está apenas a começar num novo formato.

Os medos delas
Homens e mulheres têm posturas diferentes relativamente à questão da gravidez/nascimento da criança. Já assisti a imensas discussões sobre este assunto e quase todos batem nas mesmas teclas.

Elas sentem-se mal com o corpo, porque engordaram como nunca e têm borbulhas, e tornozelos agigantados. Sentem-se mal de saúde, porque estão muitas vezes enjoadas, e inchadas e com dores de costas. Sentem-se com a auto-estima em baixo, porque se acham feias e desinteressantes. Sentem-se amedrontadas, porque têm medo de falhar, têm medo do desconhecido, têm medo de não corresponder ao que lhes é exigido, têm medo de não saber tratar de um bebé. Sentem-se inseguras, porque acham que os parceiros já não as acham sexy e vão querer saltar para cima da colega de trabalho. Sentem-se perdidas, porque já não estão a trabalhar, mas também ainda não têm assim tanta coisa para tratar relativamente ao nascimento da criança. Sentem-se receosas, porque fazem contas à vida e começam a perceber as despesas todas que vão ter. Sentem-se pressionadas, porque os pais e os amigos estão sempre a dar palpites sobre o que elas devem fazer e não fazer.

Na verdade, tudo isto gera, muitas vezes, depressões pré ou pós-parto. Há casos, até, de depressões pré e pós parto, que podem durar por um período indeterminado. Mas como qualquer doença, também isto se cura. O problema maior é mesmo que o doente reconheça que está doente, e esteja disposto a tratar-se, o que nem sempre acontece.

Grande parte dos conflitos entre os casais que têm ou vão ter o primeiro filho advém de algumas destas fragilidades e mutações por que o casal passa.

O papel deles
Ao homem cabe o papel de tentar, de alguma forma, tranquilizar a mulher, ajudar em tudo o que lhe for possível, não deixar que ela entre em pânico, continuar a dar-lhe provas de amor e, também ele, começar a preparar-se para a tal nova realidade que aí vem e que lhe irá, seguramente, alterar rotinas, prioridades, sonos, programas.
Sinceramente, acho que só é possível superar todas as dificuldades relativas ao nascimento de uma criança se a relação entre o casal for muito forte, cúmplice e assente em amor, amizade e companheirismo. Se uma qualquer destas coisas começa a faltar, o mais provável é a torre vir abaixo. Se o amor já é fraco, ou ainda não é suficientemente forte, a vontade de parte a parte em superar tudo e muito menor. Se não há companheirismo, perde-se o respeito, e sem respeito vai-se o amor, e sem amor vai-se tudo.

Este é um jogo de equilíbrios delicado que assusta um bocadinho, mas que todos devem estar cientes de que existe. Mas se decidimos que vamos a jogo temos, os dois, de conhecer as regras.

Os pais que se anulam
Outro dos maiores problemas após o nascimento da criança tem a ver com o facto de muitos pais deixarem-se anular por completo. Deixam de fazer tudo, mas mesmo tudo, por causa da criança. Não há cinemas, não há férias, não há jantares de amigos, não há saídas a dois, porque primeiro está o bebé. Naturalmente que quem nunca teve um filho fica assustado com essa tal realidade nova, não sabe o que fazer, mas por isso disse antes que é preciso conhecer as regras de jogo, e as regras de jogo dizem que é preciso ter bom senso, é preciso ser adulto, é preciso perceber que sem momentos de felicidade a dois (ou até sozinhos – porque também precisamos de tempo para nós, homens e mulheres) jamais haverá momentos de felicidade a três, porque a união quebra-se, porque ninguém é feliz, porque deixou de haver um amor entre três pessoas, e passou apenas a haver uma mãe que ama um filho, um pai que ama um filho, e não há um pai que ama uma mãe, apenas um homem e uma mulher que tratam de uma criança.

O sexo
Pode parece estúpido ou até uma falta de sensibilidade falar de sexo nesta altura, mas a sexualidade também desempenha um papel fundamental nesta fase da vida de um casal que vai ter ou teve recentemente um filho (“lá estão os homens a pensar no sexo, e sempre a pôr o sexo à frente de tudo”, vão pensar algumas leitoras). Quando falo de sexualidade falo sobretudo de intimidade. A baixa auto-estima das mulheres leva a que muitas vezes se afastem dos companheiros, que recusem todos os contactos ou aproximações mais íntimas. As hormonas também têm aqui um papel importante, é evidente, e os níveis de desejo podem baixar significativamente. Mas uma coisa é não ter desejo, outra é afastar-se sexualmente do companheiro durante três, seis, nove meses, ou por vezes durante mais tempo. Não chega dizerem-nos “Olha, amanha-te, porque agora tive um filho teu e não me apetece”. Da mesma forma que os homens têm de perceber que nesse capítulo as coisas são diferentes, as mulheres devem entender que não podem, pura e simplesmente, deixar de existir enquanto mulheres e passarem a ser exclusivamente mães. Muitos amigos meus queixam-se disso mesmo: “Agora já não tenho mulher, tenho uma mamã lá em casa”. E isso é outro dos factores que levam ao afastamento entre os casais. O sexo é uma forma de aproximação entre os casais em qualquer altura, é um momento de intimidade e amor. E quando isso se vai, lá está, tudo o resto pode ruir.

Um filho muda tudo.

Mas pode ser a melhor coisa do mundo para um casal.

É só ser crescidinho, ter bom senso e muito amor para dar. Ao filho e ao parceiro ou à parceira.

1 Comentário

  1. Estão neste post muitas verdades, bem explicadinhas e vindas de um homem creio que acabam por ter outro "peso". Mesmo assim, lido, parece mais fácil.
    Sou mãe há quatro anos e revi-me quer na parte que corresponde ás mulheres como no que corresponde aos homens e onde facilmente comparei com o que fui percebendo no meu marido.
    Os primeiros meses são bastante complicados.Mesmo.
    Só me dá para rir quando (infelizmente ainda nos dias de hoje…)ouço quem pretenda ter um filho para "animar" a relação ou pior: "prender" o companheiro. Se para casais apaixonados e resistentes é uma fase tramada para quem vive um relacionamento frágil então…boa sorte.
    De qualquer forma, os filhos são mesmo o melhor de nós e do mundo.
    Para quando uma "sequela" do tema "filhos mudam tudo", como por exemplo: o comportamento para com o filho e ex-companheiros depois da separação? (Já agora também em relação aos padrastos/madrastas) Isto se ainda não comentou o assunto…
    Continuação de boa escrita!

  2. Sou mãe de um reguila de 15 meses e emocionei-me a ler isto, pá! É tudo verdade… e mais: se conseguimos amamentar, durante quanto tempo, como controlar as birras, como pô-los a dormir e toda a gente tem uma sentença para dar! Tem que se passar para se compreender… por muitas opiniões que tenhamos para dar, só no "caso prático" é que se aprende.

  3. às pessoas assustadas em ter filhos tenho a acrescentar que os filhos dão muito mais trabalho a partir do momento em que começam a gatinhar/andar. aí é que é trabalho sério e duro!! antes disso?, pff, achamos que é muito trabalho porque é tudo novo, mas na realidade não é assim taaaanto como depois, quando eles começam a andar. por isso respirem fundo, e gozem bem os tempos em que podem estar descansadinhos e sabem que o vosso bebé não foge para lado nenhum, hehehe :p

  4. Claro que tinha de ler este post enorme! Ou não andasse eu "ter ou não ter eis a questão"!
    Ainda não tenho filhos, mas partilho inteiramente do teu ponto de vista, e é por isso que vou adiando. Acho que se tiver um bebé agora fico pra lá de deprimida. E depois do que li aqui, então!!

  5. Este post revela uma grande sensatez e muito boas pistas para os casais que vão ter filhos.
    Só queria acrescentar uma coisa: sim, as alterações hormonais provocam mudanças em todas as mulheres. Algumas ficam com vontade de andar constantemente no regabofe mas muitas outras ficam fisicamente destituídas de apetite sexual. Isso passa. É preciso paciência, mas tudo volta ao normal. E o problema está nos casais que não conseguem ultrapassar altos e baixos, seja por causa dos filhos ou por outro motivo qualquer. Casais que vivem para o imediatismo nunca serão casais, serão sempre dois indivíduos momentaneamente juntos porque o apetite lhes deu para isso.

  6. Tanta sabedoria….Mas não te divorciaste também?
    Pelos vistos a tua teoria não deve estar muito correcta. Pensa nisso quando pensares no segundo.É que há alguns pontos na tua teoria que são certinhos: há mulheres que não podem ganhar uns quilinhos que deprimem.

  7. Acho que muitos futuros papás deviam ler este post. Toda a gente nos diz que a vida muda, mas não dizem bem como é que muda.
    Um único conselho: se a relação não está bem, não tenham filhos, só vai piorar as coisas!! Gravidezes cor-de-rosa e etc e tal é só nos filmes: a realidade são noites com pouco sono, muito cansaço, fraldas sujas, biberon cada 3 horas, mal ter tempo para ir à casa-de-banho, etc.

  8. Claro que a vida muda e muito. Sou mãe de 2 crianças com 5 e 2 anos e tenho um marido que se antes dos filhos colaborava após os filhos principalmente após o 2º deixou de colaborar. Alguém que nem o prato onde come levanta da mesa. Eu trablho todo o dia tenho de levar as crianças à escola, tenho de as ir buscar ao fim da tarde, dar banhos, fazer o jantar, dar o jantar, lavar os dentes, por as duas crianças a dormir, arrumar cozinha, por roupa a lavar / apanhar ou estender, arrumar algumas coisas para que o caos não se instale em casa, e quando dou por mim é tardissimo e ando a correr de um lado para o outro à 14 hrs. O marido?? Esse já adormeceu no sofá logo após o jantar. Que os filhos mudam a vida é uma certeza mas são a melhor coisa do mundo. Tudo seria mais fácil se os pais não mudassem a sua forma de agir. Provavelmente nós mães estariamos muito mais disponiveis para a vida a dois.

  9. Adorei esta frase:

    "E o mais importante de tudo é mesmo ter a noção do que se vai encontrar, perceber o que vai mudar, ter consciência do trabalho e das privações que vamos ter pela frente, e estar preparado para todo esse mundo novo."

    Acho que resume o que eu penso e o que a maior parte dos nossos amigos não pensaram…

    Até á data tenho ouvido mais amigos a dizerem para a gente aguardar (e tendo em conta que caminhamos a passos largos para os 40 e estamos juntos ha mais de 10 anos…é estranho) do que entusiamados a incentivarem-nos para sermos pais.

    E na verdade não me entusiasma nadinha, quer pelos pontos que mencionas quer por tantos outros…e qt mais lido com os filhos de amigos e familiares e com a vida deles "antes e depois"…menos nos apetece…nah…na volta isso da maternidade e paternidade não é mesmo para nós.Nascemos para tios 🙂

  10. …o texto toca em pontos autênticos e que são uma realidade para imensos pais que, na maioria das vezes e quase que de uma forma insconsciente, se deixam assoberbar ou mesmo deslumbrar pelo mundo fabuloso da maternidade / paternidade !!

    Felizmente existe quem atinja rapidamente um ponto de equilibrio o que permite diluir o poder das responsabilidades…os ciumes…os desacordos e tudo o mais que perturba a união e a máxima cumplicidade deve existir na célula familiar.

    Obrigado pela partilha!

  11. Sou mãe de dois filhos – A Maria de 2 anos e o Salvador de 1 anos.

    Ser mãe e pai é um projecto de vida, é uma decisão que deve ser ponderada com calma e ambas as partes devem concordar e assimilar que não é fácil ser se mãe e pai, casal e amantes ao mesmo tempo. É importante o casal entender que as prioridades vão mudar e como se diz – "Cada macaco no seu galho"

    É errado entrar numa gravidez e num nascimento com essa idade – as coisas vão mudar para pior. Não é verdade! Isso acontece porque o casal entende que tem de ser assim e talvez o casamento, não seja sólido.
    É verdade que há um grande desgaste físico pela parte da mulher mas ora porra, não é fácil, 9 meses de gravidez e mais um parto. Não é fácil lidar com as hormonas descontroladas e com gritos constantes. Não é fácil deixar uma realidade e entrar em outra. Eu pergunto-te, achas que é fácil uma mulher estar 24 horas a cuidar de uma criança, de uma casa, de um marido e ainda das malditas hormonas? Eu digo-te que não é fácil mas poderia ser diferente se o homem conseguisse entender apenas isto – A minha mulher é mãe, eu sou pai, agora as coisas não estão fáceis mas eu vou AJUDAR para tudo voltar ao normal.

    O homem tem que entender que as prioridades dele também mudam, trabalhou o dia todo mas tem de chegar a casa e ajudar ou mesmo fazer tudo.
    Apesar de estar divorciada (nada relacionado com este assunto) ele sempre ajudou-me em tudo. Ele cozinhava, limpava, estendia a roupa, metia a lavar, cuidava dos filhos, cuidava de mim … para eu ter algum sossego.

    Como é que tu queres que uma mulher pense em sexo quando tem de fazer tudo e quando tem um homem em casa que é burro e não entende? As mulheres não são super mulheres para que fique claro.

    Nunca perdi a minha confiança depois de ser mãe, continuo a ser a mesma mulher arranjada que era antes, nunca recusei o pai dos meus filhos na casa depois de ser mãe, nunca neguei os meus pequenos luxos e prazeres que antes tinha. Continuo a ser a mesma Ana Clara mas mais completa por ter 2 filhos lindos na vida.

    Sim, a minha vida mudou mas para melhor, felizmente tive um homem ao meu lado que conseguiu entender e perceber as minhas necessidades enquanto mulher e mãe.

  12. Olha adorei. Mais uma vez disseste tudo. É por isto que venho aqui sempre. Infelizmente é uma realidade. Conheço vários casos que depois do nascimento dos filhos as relações simplesmente acabaram.
    Adorei mesmo. Um bjnho

  13. Adorei, adorei o Post, fala de questões das quais já levantei perguntas sobres este assunto.
    Apos ler o post em voz alta concordo em pleno com o que diz.
    É preciso ter consciencia que um filho muda completamente a vida de um casal, antes eram só os dois , quando chega o novo elemento passa a vida a girar a volta dessa criança.
    Mas não podemos deixar de viver a vida, como diz e bem, o que podemos anular é a falta de interesse que o casal tem em proporcionar momento a dois, esses momento podem ser criados numa atmosfera dentro de casa, basta haver vontade de ambos.
    Posso adiantar que hoje filho e marido fazem anos os dois, e nestes 4 anos de papel de mae vivi muitos momentos optimos com o meu marido, posso adiantar que nunca deixei o meu filho em casa de ninguem a prenoitar, agora questionam porque????faz bem ao casal, estar sozinho… posso ser ignorante , a este ponto de dizer" sempre fiz tudo mesmo tendo o filho por perto, sempre que podia deixei o piolho em casa de alguem e sai com o marido é importante esses momentos.Mas tambem como diz e bem podemos ter momentos a 3 muito mas muito bons.

    Quando casamos muitos pensam logo em constituir familia como fosse algo obrigatorio, eu sempre pensei só ao fim de 4 anos de casada pensava no assunto de ser mãe e foi o que aconteceu, deeveremos ter consciencia que um filho muda tudo, rotinas, despesas financeiras, deixamos de comprar para nós em prol da bebe.

    Há um tema deste na Revista Happy Woman deste mês, das pessoas que se arrependeram de serem Pais, quem tiver a oportunidade de leram façam questão de ler, um tema interessante e actual como aqui o Arrumadinho fala e bem.

    Ate amanha

  14. À anónima que achou o post deprimente (e que diz que eu devo ter uma vida triste, e só devo conhecer gente infeliz e idiota – tranquilize-se, sou muito feliz, e conheço muita gente interessante e inteligente), e que também diz que eu conheci um caso e acho que todos os outros são iguais só posso dizer uma coisa: é a primeira pessoa que tem uma opinião diferente da minha. Se calhar é a cara anónima que viveu uma situação e acha que todos os outros casos são iguais ao seu. Lamento. Não são. Quanto à vírgula, deixe lá o português em paz. Acha que não faz sentido, eu acho que faz. E agora?

  15. olá arrumadinho, sou sua fä e tb da senhora sua esposa 🙂 Permita-me discordar de que os casais podem-se preparar para o nascimento do filho e para o choque que a sua vida vai ter. É sempre um choque, deixar de viver para nós próprios para ter um bebé a depender 100% de nós. O que eu me sentia mais vezes durante o primeiro ano de vida do meu filho era completmente escoada de energia. Näo tinha mais de mim para dar a ninguém… se sempre fui uma namorada simpática e carinhosa, quando nasceu o filhote näo tinha energia nem filtros. Eram discussoes de meia noite com o jovem pai, e pouco sexo. Mas encontrámos um equlibrio –
    Acho que a chave para ultrapassar os primeiros tempos com pai e mäe e ainda continuar a ser um casal feliz é COMUNICACÂO. Falem muito, expliquem tudo. Digam o que sentem e o que querem… A vida mudou a 100% com a chegada do bebé e é preciso ajustarmo-nos a tudo. Falem tb com amigos que já tiveram filhos se estiverem com problemas, Porque há muito a ideia generalisada que agora tivemos um filho e temos de ser a familia feliz, e na verdade isso näo acontece logo de repente, na verdade no primeiro ano sentia-me a bater no fundo muitas vezes, e é bom saber que näo somos o unicos a passar por isso.

  16. Que post fantástico! Sobretudo esta frase:
    "Se não há companheirismo, perde-se o respeito, e sem respeito vai-se o amor, e sem amor vai-se tudo."

    Isto e lealdade, que me canso de dizer que é muito diferente de fidelidade.
    É muito bom ler o Arrumadinho.

  17. Deprimente. Um post profundamente deprimente. A tua vida deve ser mesmo muito infeliz. Ou, então, só conheces gente deprimente, triste e idiota.

    Pois o meu "estado de graça" foi o melhor estado em que estive. O sexo nunca foi tão bom e, pelo que as pessoas diziam, eu estava mais linda do que nunca.
    A minha filha só veio unir ainda mais a minha relação.

    Quem me dera poder estar sempre grávida, porque foi uma experiência fantástica!

    Tu és o protótipo de gente fatalista, miserabilista.
    Conhece um caso e pimba, já são todos assim, mas só no que respeita a assuntos tristes.

    E desengana-te: há muitos casais que nem sexo têm e dão-se muito bem e ficam unidos para a vida toda. Outros, em que se dão muito bem na cama e ao fim de três anos já estão separados. A vida não é só a preto e branco; entre ambos há muitas nuances.

    P.S. Desculpa lá que te diga, mas aqui, neste "Hoje, acho que os filhos mudam tudo, mas tenho a certeza de que é fácil(…)" a vírgula não faz qualquer sentido.

  18. esqueci-me de outra coisa: de como é importantíssimo que os pais não ajudem apenas anímicamente a mulher, mas nas tarefas com os filhos. Por mais modernos que os casais sejam, há tarefas que infelizmente parece que pertencem sempre às mães: fazer a comida dos miúdos, dar-lhes banho e vesti-los. São raros os pais que sabem fazer uma sopa para um bebé e não se entende porquê. E não sabem onde a roupa está guardada, por mais que a mulher lhes explique o mesmo 1001 vezes. Tenho milhentos exemplos destes em casais amigos, em que os maridos ajudam em tudo em casa, mas em algumas coisas com os filhos não libertam as mulheres. E isso cansa e faz-nos chegar à noite exaustas, porque temos de ser trabalhadoras, esposas e mães, tudo ao mesmo tempo. Claro que a parte sexual fica meia adormecida porque depois de tanta coisa para fazer quando chegamos a casa, a única coisa que nos apetece é dormir…a coisa funciona caso se faça o que eu fiz: ele não percebia porque é que eu me dizia mais cansada que ele quando ele chegava a casa. Foi simples, bastou trocarmos de lugar um dia e ficou ele a cuidar da bebé todo o dia e a fazer o que eu fazia. Acredita que entendeu rapidamente o cansaço, sobretudo o psicológico e o porquê de algumas partes do casal estarem meias adormecidas. Desde que houve uma divisão verdadeiramente eficaz de tarefas, as coisas normalizaram, embora continue sem saber fazer sopa à criança.

  19. sou mãe de uma bebé de 15 meses e tens imensa razão em tudo o que escreves. Há partes que infelizmente são verdade, especialmente a falta de preparação de muitos casais que parecem achar que nada irá mudar. Nós estavamos preparados e mesmo assim levámos um abanão porque saíamos imenso até à véspera do parto e depois acabou tudo durante uma série de meses. Outra coisa importante que não falaste é a importância de ter uma estrutura de apoio à volta (avós que sejam) para termos onde deixar os pequenitos, senão os momentos a dois são impossíveis. Falo por mim que a minha sogra se recusou a ficar com a miúda até aos 14 meses porque dizia que ela era muito pequenina…escusado será dizer que tivemos 14 meses sem possibilidade de um jantar a dois por não termos onde a deixar. Enfim, há imensas coisas que podem condicionar, é importante é haver amor e muita amizade, e estarem os dois na mesma onda e saberem que a "prisão" é apenas uma fase passageira pq os filhos crescem. Mas o primeiro ano, pelo menos falo por nós, foi um horror de ausência de momentos para nós. Finalmente estamos a conseguir retomar, mas antes de a termos já sabíamos ao que íamos e estavamos preparados.

  20. Eu acho que se deve é perguntar: porque é que tanta gente se separa depois de ter filhos. Não acredito que é só por causa das pressões que falaste. As coisas já tinham que estar más antes e a pressão do filho fez com que piorasse. Muita gente pensa que para melhorar a relação "bora la ter um filho" e depois sai o contrário.

    Como disseste, o principal erro dos casais é esquecerem-se que são individuos primeiro que tudo e que se não tratam deles próprios, não podem tratar de um filho.

  21. Excelente post, estou neste momento a tentar engravidar do meu primeiro filho, contudo o meu marido já tem dois traquinas (que também são um bocadinho meus), uma menina de 10 anos e um menino de 6. Julgo que muito importante para além do tempo que reservamos para o casal, é também o tempo que se passa a brincar/passear com eles, se estivermos os quatro, estamos todos mais felizes porque estamos todos juntos, e não aquela coisa do "o pai brinca contigo", nós cá em casa tentamos estar a dois ou a quatro, e sim, muitas vezes fica roupa por passar ou chão por aspirar, porque o tempo não chega para tudo com duas crianças em casa, mas no fim do dia compensa tanto vê-los felizes!

  22. p.s: podias escrever algo sobre os pais separados com filhos. acho que muita gente iria gostar de ler sobre isso. o meu maior medo é que o meu menino fique traumatizado.

  23. atrevo-me a dizer que este é o teu melhor post de sempre, pelo menos para mim. quase a par, e numa temática completamente diferente daquele post, em que falas que quando viajas, equacionas sempre as possibilidades de como seria se morasses lá, porque eu faço o mesmo e identifiquei-me bastante.
    e com este também. sou mãe de um menino de quase 3 anos, e o meu marido deixou-me há 7 semanas, e identifico aí muita coisa que correspondeu à nossa realidade. estiveste muito bem!!

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  24. atrevo-me a dizer que este é o teu melhor post de sempre, pelo menos para mim. quase a par, e numa temática completamente diferente daquele post, em que falas que quando viajas, equacionas sempre as possibilidades de como seria se morasses lá, porque eu faço o mesmo e identifiquei-me bastante.
    e com este também. sou mãe de um menino de quase 3 anos, e o meu marido deixou-me há 7 semanas, e identifico aí muita coisa que correspondeu à nossa realidade. estiveste muito bem!!

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  25. Estou grávida de 8 meses do primeiro filho…. tudo isto e muito mais já me passou pela cabeça! Fico assustadíssima quando oiço falar de casais que se separaram depois de terem sido pais recentemente!! É realmente uma batalha diária mas que pode (e deve) ser levada com muita naturalidade se houver sintonia entre o casal. Parabéns pelo texto! Adorei! 😉

  26. Foi dos melhores posts que já li.

    Apesar de não ter filhos, considero que ter um filho deve ser uma espécie de climax da própria relação.

    Já tive um relacionamento onde infelizmente as coisas se baseavam precisamente no facto do casal terem tido um filho e dele se queixar da mulher não lhe dar sexo ( shame eu sei mas eu era completamente apaixonada por ele ).

    Só um reparo: a foto que escolheste para o bébé é um cliché comum… os bébés lindos loiros e de olhos azuis 😉

  27. Bravo!
    Nunca fui mãe mas tenho esses medos todos… E quanto mais tempo passa mais medo tenho… Não era suposto ser ao contrário!?
    Sempre quis ser mãe cedo mas quanto mais tempo passa, menos me apetece 😛

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