Os argumentos a favor da praxe

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Só para acabar com este tema das praxes, queria acrescentar algumas coisas, em resposta a comentários aqui deixados. Como sempre, o que digo é apenas a minha opinião, que não penso ser mais válida do que qualquer outra – é apenas a minha maneira de ver as coisas. Respeito quem pensa de forma diferente, mesmo que discorde totalmente do que essas pessoas defendem.

Então, vamos aos argumentos principais usados por quem defende a praxe:

1. “Só é praxado quem quer”.

Mentira. Isto não é verdade. É desleal pôr todas as pessoas no mesmo saco. E todas as universidades.

As duas experiências que tive de praxe, na UBI e na UTAD, mostraram-me isso mesmo. Eu considero-me uma pessoa forte, firme, e, mesmo assim, tive muita dificuldade em negar muitas praxes. Em primeiro lugar, porque era um miúdo de 18 anos, e estive, em diversas ocasiões, a ser praxado por pessoas de 24, 25, 26 anos, com uma vivência totalmente diferente da minha, muito mais adultos, que assumiram uma postura de verdadeira intimidação. Claro que podia ter dito que não, como disse uma ou outra vez, mas a resposta que obtive do outro lado não foi um “ok, tudo bem, és livre de não querer ser praxado”. Pelo contrário. O que ouvi, aos berros, foi um: “O caloiro não quer o quê? Não faz o quê? O caloiro não tem direitos, é um merdas, faz o que nós mandamos e mais nada”. Podia ter mantido a minha postura e continuado a dizer que não, como fiz algumas vezes, sobretudo quando me obrigavam a beber álcool. Mas, uma vez mais, a coisa só se resolveu quase à pancada. E era eu, um caloiro de 18 anos, contra um bando de veteranos, muitas vezes em grupos de 10, 15 ou 20, todos mais velhos e com uma postura agressiva e intimidadora.

Ou seja, claro que é possível dizer que não, mas a possibilidade de dizer que não, não torna a praxe voluntária.

Muitas e muitas vezes, não quis estar onde estava, não quis fazer as coisas que me diziam para fazer, não quis levar com mistelas nojentas na cabeça, mas para fugir dali, teria de recorrer à confrontação, quase física, com dezenas de pessoas mais velhas do que eu.

Como comecei por dizer, considero-me uma pessoa destemida, e mesmo assim fui muitas vezes vencido. Agora, como será com outras pessoas, mais tímidas, mais reservadas, com menos predisposição para enfrentar os outros? Simples, baixam as orelhas e alinham. Não alinham porque querem, não são praxados voluntariamente, apenas não têm capacidade/coragem/feitio para dizer que não.

2. “A praxe é a forma de os caloiros se integrarem”.

E agora vamos a outra questão, a da tão falada “integração”.

Nas duas experiências que tive, um aluno que dissesse que não a uma praxe era humilhado, insultado e marginalizado. Não podia voltar a participar das cerimónias de recepção ao caloiro, era desprezado por todos os veteranos, e ficava proibido, de futuro, de praxar. Onde é que está aqui a integração, que quem defende a praxe tanto apregoa? Se és praxado, és integrado, se recusas a praxe és marginalizado.

Isto conta muito quando se está longe de casa. Uma coisa é ser de Lisboa e frequentar uma universidade de Lisboa, em que podemos ir à escola e voltar para casa. Para quem não está deslocado, a vida académica não é muito diferente do ensino secundário. Os alunos continuam a ter a casa dos pais, continuam com as rotinas que mantinham, e embora possam ter mais festas, mais actividades, mais solicitações, a vida não muda assim tanto.

Quando se está deslocado é tudo diferente. Para a esmagadora maioria dos estudantes, é a primeira vez que vão viver sozinhos, passam 24 horas por dia longe da sua zona de conforto, rodeados de pessoas que nunca viram na vida. Nestes casos, como é óbvio, acho importante a integração e a ajuda dos que já passaram por isso. E a praxe civilizada pode ter aqui um papel importante. Mas não é assim tão decisivo como se quer fazer crer. Quando fui para a Covilhã, senti-me muitas vezes sozinho. E deixei-me ficar muitas vezes em situações de praxe unicamente porque achava que se me fosse embora, para o meu quarto, sozinho, sem ninguém com quem falar (recordo que naquela altura não havia telemóveis, nem internet), seria ainda pior. Ou seja, deixava-me ficar no sítio onde estavam os meus colegas, apesar de tudo, as únicas pessoas que conhecia ali. Mas, para que isso acontecesse, tinha de ser praxado e tinha de me sujeitar à presença dos veteranos.

Algumas vezes, optei por não ir à faculdade, unicamente porque não me apetecia estar a ser humilhado, pressionado, a ouvir berros. Ficava no meu quarto, perdia as aulas a que deveria ir, mas era a única forma de ter paz.

Ou seja, eu não estava a ser integrado, eu estava a ser desintegrado através da praxe.

Ainda sobre a integração, acho alguma graça quando dizem que os caloiros têm de ser integrados, e que isso se faz através da praxe. Mas têm porquê? Quando passei da escola primária para a preparatório não fui praxado e ao fim de dois ou três dias já estava integrado e já tinha amigos. Quando fui para o secundário a mesma coisa. Quando mudei de escola e fui para uma nova, que tinha 12º ano, também não fui praxado e integrei-me em menos de nada.

Mais tarde, quando comecei a trabalhar, também ninguém me praxou no jornal para onde fui trabalhar, e não precisei da praxe para me integrar. Ou seja, as pessoas integram-se naturalmente, através da convivência social, não precisam que uns veteranos os atem com cordas a outros caloiros, não precisam de mergulhar em charcos de lama, ou de ficar de joelho num lago, ou a rastejar pelas ruas da cidade, para se sentirem integradas. Claro que há os mais tímidos e os mais sociais, mas a praxe não torna uma pessoa tímida num valente folião em apenas um mês. Quem é tímido, e tem mais dificuldades em integrar-se, continuará a ser tímido depois das praxes. Pode ter conhecido quatro ou cinco pessoas, à força da praxe, mas se não houvesse praxe conheceria na mesma, nas aulas, nos jantares de turma, nas conversas de intervalo.

3. “Isso não é praxe, isso são abusos”

Há quem tente dissociar a praxe dos abusos das praxes, o que eu considero uma falácia. Como disse no texto anterior, não acho que as situações de humilhação, berros e ofensas sejam uma minoria, ou uma parte marginal da verdadeira praxe. Acho, até, que isto acontece na maior parte das praxes. Ninguém tem capacidade de discernir o que é a humilhação. As pessoas sentem-se humilhadas por razões muito suas, e ninguém tem o direito de julgar essa sensação. Para um veterano, mandar um caloiro tirar uma T-shirt pode ser uma coisa perfeitamente razoável, mas para o caloiro isso pode ser simplesmente humilhante, pelo simples facto de não se sentir confortável com o seu corpo, ou por ser demasiado gordo, ou demasiado magro, ou flácido, ou o que quer que seja. Para algumas pessoas, andar na rua amarrado a outra pessoa com uma corda pode ser extremamente humilhante. Ou andar de gatas pelo recinto da universidade. Ou levar com uma mistela na cabeça. Ou ser chamado de “burro”, “barrasco”, “jumento” e esse tipo de nomes carinhosos.

O que para mim pode não ser nada humilhante, para a pessoa ao meu lado pode ser extremamente embaraçoso e vergonhoso. Por isso, a fronteira entre o que é ou não aceitável na praxe é muito ténue.

4. “A praxe é tradição”

Sim, é verdade, da mesma forma que matar o touro em praças públicas também era, e isso foi ilegalizado. As tradições existem enquanto fazem sentido e se enquadram no espírito das sociedades. A praxe já foi ilegalizada noutras situações, noutras épocas, e também era, então, uma tradição. Há tradições que fazem sentido, outras que não fazem sentido. O simples facto de uma coisa existir, não a legitima. Quer dizer, legitima, até ao dia em que deixa de ser legal, que foi exactamente o que se passou, por exemplo, com a morte do touro em Barrancos.

Continuo a dizer, e a defender, que os rituais de integração dos caloiros, dos alunos mais novos, podem perfeitamente acontecer sem o recurso à praxe. Podem ser feitos de forma informal, abordando os alunos recém-chegados, apresentando-os aos colegas, a alunos mais velhos, levando-os a sair, indo jantar com eles, mostrando-lhes as cidades, convidando-os para festas, porque isso, sim, parece-me ser integração. Fazer tudo isto na base dos berros e da intimidação já me parece só grotesco e absurdo, nos dias que correm.

171 Comentários

  1. Nesta publicação referiu que na sua altura ainda não havia telemóveis nem internet, veja bem ao tempo que isso já foi! As coisas estão completamente diferentes! Eu sou caloira este ano, estava com medo por causa das coisas que andam a dizer da praxe, mas estive numa primeira fase na UBI e agora estou em Aveiro. Mudei completamente a minha opinião! A praxe já não é nada disso, serve mesmo para nos integrar, fazemos atividades engraçadas e o veteranos levam-nos a conhecer a cidade e tudo mais… Adorei mesmo a Covilhã e a praxe de lá, aqui em Aveiro também gosto mas é mais tranquilo, na Covilha preparam bem as coisas. E digo, do que tenho mais saudades da UBI é mesmo dos momentos de praxe.
    Tem que ver que os anos passam e as coisas mudam, não pode falar como se ainda tivéssemos no século passado!

  2. Muito bem! Quando entrei na faculdade, antes do 25 de Abril, não havia nada dessas palhaçadas e a relação entre colegas era otima

  3. Essas coisas de levar com mistelas na cabeça não existem ? De rebolar na lama também não ? Gostava que tivesse uma mínima ideia do que os veteranos fazem e é proibido, não deve ter a mínima noção sequer.

  4. Não entendo….
    Curti a Praxe à minha maneira, fui quando quis.. amigos não me faltaram…
    Certo dia, um doutor diz-me: ” ou vens prá praxe… OU” e eu disse-lhe:
    “A tua prima”… Pronto e apareceram as novas latas da Coca-Cola…. e estávamos em 2005, BRUTAL eu penso mesmo à frente….
    Os anos passaram, continuem integrado nos grupos praxistas e companhias limitadas.. diverti-me imenso todos os anos que tive na faculdade…
    Por isso continuo sem entender, o português…
    Se for para enganar, ludibriar, resolver, saltar, correr, fugir, gritar, sorrir e até chorar, para fugir com o traseiro à seringa.. está sempre pronto.
    Mas se parecer mal, PREFERE SER ENXOVALHADO O.o ?!?
    Por isso, eu digo e continuo a dizer… A aventura do ensino superior, deve ser vivida, divertida e respeitada. POR TODOS OS QUE LÁ PASSAREM.
    Quanto à praxe, DEIXEM DE SER NABIÇAS, a diversão da praxe é quebrar as regras da mesma e ver os doutores a trepar paredes… LOL….

  5. Estou totalmente de acordo com esta opinião. Os estudantes teêm como missão apenas e absolutamente de estudar e mais nas férias grandes devem ir ajudar os seus familiares na agricultura, construção etc sob pena de passarem a serem parazitas bando de malandros. Quanto as praxes os instigadores devem ser presos porque são actos que vão contra a dignidade das pessoas. São acções anti-civilizaçao cobardes.

  6. Parabéns por estes dois posts. Eu sou totalmente contra as praxes, por muitas das razões que elenca nestes dois textos e ainda por mais algumas.
    Espero que a polémica que tem havido sobre este tipo de práticas dê realmente força aos caloiros para no próximo ano lectivo não se deixarem mais humilhar. Pode ser que se consiga assim acabar com estas imbecilidades.
    Obrigado pela divulgação do seu ponto de vista e da sua experiência.
    Bem haja.
    ZM

  7. Como não conseguiram até hoje acabar com a praxe académica tenta-se a politização da mesma invocando deploráveis casos que apenas refletem a falta de bom senso de algumas brincadeiras de mau gosto que redundaram em humilhações e acidentes graves. A praxe é livre. Não fui praxado nos meus tempos de universitário porque recusei brincadeiras que não se enquadravam no meu sentido de humor. Trajei porém quando quis , e ninguém me incomodou. A tentativa reaccionária de tentar acabar com a praxe apenas revela o espírito de alguns : “somos muito democratas desde que concordem connosco.”

  8. O seu comentário foi o melhor que li sobre este assunto. Eu estudei no norte da Europa e nunca lá vi este tipo de parvoíces, absolutamente desnecessárias…

  9. No meu caso recusei ser praxado e nem 20 mais velhos que eu me intimidaram, mas de facto estava na minha cidade no meu ambiente.
    Acho todas estas praticas simplesmente más, próprias de animaizinhos armados em ditadores.

  10. Aqui a grande questão é:
    O problema está nas praxes ou nas pessoas que a organizam?
    Visto ter conhecimento de diversos pontos de vista, torna-se bastante claro que o carácter dos organizadores/senhores de praxe tem um papel fundamental naquilo que se pratica. Praxe tem sim como intuito integrar os alunos, infelizmente temos à frente dela uma cambada de mal formados que não têm qualquer noção daquilo que é o respeito pelos outros e não sabem distinguir o que passa dos limites.
    Enfim….

  11. “O Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (Lei n.º 62/2007, de 10 de Setembro) estabelece, na alínea b) do n.º 4 do seu artigo 75.º, que constitui infracção disciplinar dos estudantes «a prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das praxes académicas».
    Compete aos reitores das universidades e presidentes dos institutos politécnicos o exercício do poder disciplinar, podendo as penas a aplicar aos estudantes ir até à interdição da frequência da instituição de ensino superior por cinco anos.”

    Está legislado, condenem quem tem de ser condenado. Acabar com as praxes é entrar no radicalismo e por aí, como já foi dito num comentário anterior, já tínhamos acabado com o SNS e os maus serviços, com a GNR e as suas agressões, blá blá blá. Praxes existem em imensos contextos e em todas as que fui sujeito, ensino superior, equipas de desporto, etc, nunca me senti minimamente humilhado ou rebaixado. Grande parte deles são até hoje como uma segunda família.

  12. E porque não apresentou queixa dessas humilhações às autoridades competentes?! Já pensaram bem que, se todos os que se dizem humilhados nas praxes apresentassem queixa junto das direções escolares e autoridades, os senhores abusadores pensariam 2x antes de voltarem a fazer certas brincadeiras?

    O problema não está na praxe. A praxe, se feita no seu verdadeiro sentido de existência, é divertida e integradora. Paxar é uma coisa praticar bullying é outra. Se um aluno no 7º ano sabe que se chamar gordo ao colega pode levar com um processo de bullying na escola, porque raio os mais crescidos têm tanta relutância em apresentar uma queixa destas?!

    Agora no que diz respeito a este caso no Meco, tendo em conta as noticias que nos dão a conhecer o que alegadamente poderá ter acontecido, e friso ALEGADAMENTE, nada foi provado ainda. Tratou-se de um ritual agendado, estudado e consentido POR TODOS. Acredito que não havia a intenção de morte. Assim sendo, este jovem está a ter a mais pesada de todas as penas: viu os colegas morrerem e vai carregar essa culpa toda a vida. Está a ser linxado em praça publica e tem a vida dele toda estragada. Irá responder por homicidio por neglicência. E aqui lembro a malta jovem que, quando saiem à noite e bebem uns copitos a mais, mesmo sentindo-se capazes de conduzir e não tendo a intenção de matar alguém, os colegas que aceitarem a vossa boleia DE LIVRE E EXPONTANEA VONTADE, se morrerem num acidente dentro do carro que ESTAIS A CONDUZIR, sereis também culpados por homicidio por negligência. Posto isto, pensai bem antes de cometerem “pequenas loucuras” que aos vossos olhos poderão ser inofensivas mas que vos poderão trazer grandes amargos de boca.

    Respeito muito a dor dos pais dos miudos que morreram, mas como mais que sou, também não quero imaginar nem nunca ter que passar pelo sofrimento dos pais do jovem sobrevivente desta trágica história.

  13. A ti enjoa-te, mas há quem tenha morrido, por isso…
    LOL, só se for em Aveiro.

    Na minha turma só há 2/3 anti praxes..
    Temos de chegar sempre as 8h à universidade para ser praxados, os Dr.’s vão nos buscar todos os intervalos, todas as horas de almoço para irmos todos juntos à cantina, depois das aulas somos praxados até tarde, às vezes ainda jantamos e depois saimos.
    Portanto quem é anti praxe, não participa em nada disto e acaba por se sentir sozinho, é verdade. Por isso, não é assim tão fácil dizer que não. Ou é, mas ninguém quer passar pelas consequências que isso trás.

    Se há praxes e praxes não interessa para nada.
    Se numa dita praxe morre alguém é de responsabilidade social fazer algo para que isso nunca mais aconteça, nem que para isso seja preciso acabar com as praxes.
    Agora, também fui praxada e digo que não concordo que acabem, mas sem dúvida que este tema não pode cair no esquecimento porque há pessoas que se enjoam.
    Este tema que ser falado. E as entidades responsáveis têm que tomar medidas para se certificarem que isto não aconteça outra vez!!!
    Algo está a ser mal feito!
    É preciso mais vigilância, mais regulamentação, mais castigos pesados para quem desrespeitar regras.

  14. As pessoas teimam a continuar a dizer que “aquilo não é praxe, são rituais”!
    Não, aquilo é praxe! E é feito em nome da praxe! O que interessa aqui é entender e perceber que se em nome da praxe são feitas estas coisas, significa que a praxe deixa manobra para que isto aconteça, embora não se passe o mesmo em todas as praxe’s, tá claro.
    Mas se existe, e se originou a tragédia que originou é óbvio de mais, que algo tem que ser feito.. Algo que não dê espaço para que isto aconteça com assinatura da praxe e das universidade…
    Não se pode simplesmente dizer que há praxes e praxes e seguir em frente, rezando para que não existam mais como as da lusófona.

    Agora o que fazer? Regulamentação? Maior vigilância das universidades?

    Não sei! Mas quem defende a praxe porque não é nada do que tem sido publicado, então deveria defender que é preciso fazer algo para que a praxe fique dentro de certas linhas delimitadas, sendo cumprido por todos.
    E não dar a liberdade que se tem dado, e que proporcionam estes tristes acontecimentos.

  15. O ser humano tem 5 sentidos: a visão, o olfacto, o paladar, o tacto e a audição.
    Quem como tu se resume ao paladar ai de ma a pior!!!!!!

  16. Sou estudante de Aveiro e esta história das praxes já me começa a enjoar. Fui praxada e bem praxada e agradeço muito por ter tido essa experiência. As praxes são diferentes, dependendo de instituição para instituição, não se pode por tudo no mesmo saco!
    A maioria dos meus amigos não foram à praxe, por isso não fui porque todos os meus amigos foram, mas sim porque quis. Uma pessoa de 18 anos não consegue fazer esta escolha? De querer ou não participar? Em Aveiro sim, e ninguém os critica, pelo menos não presenciei nenhuma situação. Cá somos praxados a rir, e os veteranos riem connosco, são tiradas fotografias e o código de praxe está acessível na internet para quem o quiser consultar. É uma experiência que só quem viveu sabe descrever. Lamento que algumas pessoas tenham tido experiências menos boas, mas esses excessos devem ser reportados, sem medos. Há pessoas menos conscientes em todo o lado, não façamos de isto um drama.

  17. Perdoem-me a ignorância, por isso coloco a questão porque haverá quem saiba. Os códigos de praxe são iguais em todas as universidades? Há formas de saber se há desrespeito claro desse código? Com todas as discussões levantadas sobre praxe menos “correta”, só oiço dizer “ah mas isso não é praxe”, ou “estão a crucificar a praxe e é injusto porque isso não é praxe”. Mas afinal o que é a praxe? Ou melhor, o que é uma praxe bem feita, uma praxe que não humilha, que respeita a dignidade e os direitos dos alunos, que não causa danos físicos ou morais? Onde se pratica e no que se traduz em concreto? Será que isso não deixa de ser praxe? Será que o objectivo da praxe não é mesmo subjugar (ainda que mais ou menos à bruta?) Ou haverá outro objectivo? Ainda não conheci nenhuma praxe quer do local onde estudei, quer dos relatos das pessoas todas que conheço que não envolvesse no mínimo apelidar as pessoas de um qualquer nome, como escumalha, besta, ralé, monte de m****, que não tivessem que se deitar no chão, ou simular posturas idioto-sexuais… Isso é integração? Haverá então locais onde se apelida os caloiros de fofinhos? Faz-me lá o favor de te deitares aí no chão com jeitinho e toma lá esta almofada? Epa vai lá para casa mais cedo que tens que dormir bem para amanhã estares fresquinho para as aulas? E o que é uma má praxe? Qual é a fronteira entre a boa e a má praxe? Se se chamar alunos de ralé tudo bem, se chamar monte m**** já é mau? Ou é tudo muito relativo e depende de cada universidade e de cada praxador?

    Parece-me que, perante alguns episódios tristes e várias mortes (as do Meco não foram as primeiras), continuar a tratar o assunto com esta leveza do ser injusto ou não para a praxe, é no mínimo absurdo.
    Se é um processo demasiado nebuloso então se calhar não devia existir. Senão regule-se! Mas regule-se a sério. Enquanto toda e qualquer pessoa só porque passa para o 2º ano pode praxar, parece-me que não vamos longe. Enquanto for apenas uma forma de alguém com pouca maturidade exercer o poder pelo poder, não vamos longe. E se um dia acabarem com isto tudo e proibirem a praxe paga o justo pelo pecador, por falta de pulso para regular a questão.

  18. Citando o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa: “Há as praxes de Coimbra que já fazem parte da tradição e são decentes e depois há as tentativas de imitação por todo o país”.

  19. anónimo, não é assim tão rídiculo como parece pensar que os“praxantes para no primeiro dia perguntarem aos caloiros se têm PROBLEMAS DE SAÚDE, PROBLEMAS PSICOLÓGICOS, LIMITES CULTURAIS OU RELIGIOSOS, ETC, exactamente de forma a EVITAR QUE ALGUÉM SEJA OFENDIDO OU LEVADO A ULTRAPASSAR OS SEUS PRÓPRIOS LIMITES!”
    Existem problemas de saúde física que impedem esforços/atividades físicos. Existem problemas psicológicos, como a deficiência cognitiva ligeira ou moderada, que devem ser tidas em conta pelas pessoas que praxam (sim, essas pessoas também têm acesso ao ensino superior e merecem ser tratadas com respeito e ter uma vida académica plena). E existem culturas e religiões que proíbem certas práticas.
    Portanto, sim, é importante perguntar o que pode fazer com que a praxe corra mal e o facto dos praxantes perguntarem demonstra verdadeiro interesse e preocupação pelas pessoas que estão perante eles e que são sua responsabilidade durante o período de praxe.

  20. Lá está, agora estou perante argumentos válidos e bem construídos. Compreendo perfeitamente a sua posição mas sei que nem vale a pena explicar a minha pois não me parece que vai perceber a minha visão acerca da praxe. A minha crítica, repido pela milésima vez, recai sobre a opinião estereotipada acima exposta, nada mais. Se você nao concorda com as praxes e não consegue reconhecer o seu valor, tudo bem. Se quer que lhe diga, com todos os contornos que a praxe tem assumido (as constantes queixas por partes dos pais, as ameaças dos reitores, a mais recente situação do Meco, etc.) admito que a ilegalização destas práticas é o caminho mais óbvio. Mas não deixo de dizer que a praxe (e falo do meu ano de caloira, não o de praxante) foi das experiências mais marcantes e mais divertidas da minha vida académica.
    E já agora, deixo este vídeo de uma praxe da UTAD, onde os caloiros de teatro e artes performativas actuaram na rua emblemática da cidade numa recolha de fundos para uma instituição da cidade, no âmbito das praxes solidárias realizadas por toda a academia.

  21. Depois de ler o texto, e ler os comentários da maioria, ficou abespinhada em descobrir que a maioria dos que se dizem académicos são um bando de pessoas totalmente estereotipadas e pouca massa encefálica….Já vi muita praxe e o que eu vi basta para eu não querer isso para mim ( nunca quis, e frequentei dois cursos universitários) ou para amigos e familiares….Essas sessões de praxe somente mostram como os que promovem as praxes são de um nível humano abaixo de nazistas)….isso vai de mau a pior…
    Para o autor da matéria os meus cumprimentos por tão bem falar sobre essa prática lamentável, que devia ser investigada como crime público…

  22. Depois de ler o texto, e ler os comentários da maioria, ficou abespinhada em descobrir que a maioria dos que se dizem académicos são um bando de pessoas totalmente estereotipadas e pouca massa encefálica….Já vi muita praxe e o que eu vi basta para eu não querer isso para mim ( nunca quis, e frequentei dois cursos universitários) ou para amigos e familiares….Essas sessões de praxe somente mostram como os que promovem as praxes são de um nível humano abaixo de nazistas)….isso vai de mau a pior…
    Para o autor da matéria os meus cumprimentos por tão bem falar sobre essa prática lamentável, que devia ser investigada como crime público…

  23. Fui praxada na Lusófona. Praxei na lusófona. Hoje isso já acabou, foram tempos de festa e estudo, e sou hoje bem sucedida. Ao contrário do que muitos comentários mencionaram que os praxantes acabam o curso mais tarde e só querem copos…
    O meu ano de caloira foi simplesmente dos melhores anos da minha vida. E as amizades e conhecimentos que travei guardo-os até hoje.
    Aderi a 100% à Praxe no meu ano de caloira, usei o meu traje até o gastar, fiz muitas coisas, e nunca me senti humilhada ou inferior. Pelo contrário.
    A Praxe é muito mais que gritos, que exercicio fisico, que brincadeira. É mesmo acima de tudo, uma tradição. E quem o pode sentir é quem usa o traje tendo sido praxado. Eu usei o meu com um orgulho imenso. Pessoas que se dirigem à praxe chamando-a de “praxes” são, à priori, ignorantes. Porque não só falam sem saber, como generalizam (o mal de todos os portugueses.)
    Meus amigos, aqui vai uma ideia: vocês não são contra a Praxe. Vocês são contra maus praxantes. Acreditem que há uma grande diferença. Porque contra maus praxantes eu também sou contra.

  24. O facto de haver quem tenha tido boas experiencias, mesmo que essas boas experiencias sejam a grande percentagem do que acontece, não legitima uma actividade onde há más experiências. Se determinada actividade permite que aconteça, nem que seja apenas um caso, de acções negativas, há algo de errado nessa atividade. Se querem integrar, integrem. não precisam de berrar, nem de trajar, nem de mandar fazer isto e aquilo para integrar. se o fundamental é integrar, shores drs. dispam os trajes, e dêm as boas vindas aos caloiros, levem-nos a conhecer a universidade, sentem-se todos numa roda num parque ao mesmo tempo que bebem umas cervejas, e falem do curso, discutam temas, dêem-se a conhecer uns aos outros. Tudo de bom que tanto dizem que acontece na praxe, acontece se fizerem a praxe desta maneira, e tudo o que pode haver de mal, já não tem lugar. Agora, porquê que não o fazem? porque os shores. drs. perdem o poder que tanto sonhavam ter enquanto praxados.

  25. Sei que o seu comentário reflete uma realidade que, infelizmente, mercê dos tempos sofreu graves desvios em muitas Universidades, pelo que que a continuação da praxe académica com esse espírito relatado foi ameaçada pelos factos ocorridos. Como se vai prevenir este crescendo de atitudes que violam a liberdade e os direitos dos outros?

  26. “Mas cada um é livre de dizer um NÃO quando acha que estão atentar contra a sua integridade física e psicologica.”
    Se isto fosse assim tão simples e linear, então eu também diria que não a ser assaltada na rua: “Oh, pá, espera aí, NÃO quero ser assaltada”, também podia dizer que NÃO quando aparecem condutores fora de mão e etc.
    Além disso, a sua afirmação “É óbvio que nem tudo foi bom durante as praxes de que fui alvo, mas também nem tudo foi mau.” é muito reconfortante e muito assertivo.

  27. Quando entrei na escola para me matricular em Castelo Branco fui logo abordada por uma rapariga que me perguntou se eu queria ser praxada e eu disse que não, ela com todo o seu discurso perguntou-me se eu sabia para que servia a praxe , que era para integrar e conhecer pessoas e blablabla , mas eu continuei convicta que não queria. Mais tarde a mesma rapariga perguntou-me com a maior lata de sempre : “Então já te suicidaste?” .
    Eu fiquei parva com aquele tipo de atitude é claro que nem em todos os lados é igual mas muitas das vezes quem exerce este tipo de poder acha que é o rei da cocada e está sempre acima de tudo e não respeita os outros.

  28. Ana Carmo, é preciso que se informe antes de falar. Qualquer pessoa que queira pode trajar, independentemente de praxar ou não. Eu fui “praxada”, trajei e também “praxei”. Tenho amigos meus, que preferiram não entrar na praxe, mas que trajaram. E quanto à opinião do Arrumadinho, compreendo-a, mas não concordo, porque a experiência que ele relata não teve nada a ver com a minha. Devo referir que a praxe acontece em quase todos, se não todos, os paises. O drama em torno da tragédia no Meco, é realmente impressionante! E tudo graças à comunicação social… Para mim, aquilo não é praxe, são cultos/rituais às quais os jovens acreditavam. Se querem arranjar culpados, culpem os jovens (que já tinha idade o suficiente para perceber que não deveriam estar ali) ou então culpem as ondas.

  29. Olá Arrumadinho,

    Compreendo a tua posição (e a de muitos outros) quando se mostram pouco receptivos ou mesmo contra ela. E quando entrei para a faculdade, achei que era uma estupidez. Mas experimentei.

    Fui praxada na Ucp-Porto, em Direito. Não acredito nas tretas que a praxe nos ensina humildade e respeito. Essas coisas aprendi eu em casa. Se aprendesse na praxe, aos 18 anos, era mau sinal.

    Sempre fui uma pessoa muito tímida, com dificuldade em fazer amigos… Mas a praxe libertou me muito nesse aspecto! Nunca abusaram de nós e se, alguém se sentisse mal ou chorasse, era logo chamado à parte para ver o que é que se passava. Sabes, infelizmente, pessoas estúpidas existem em todo o lado… Quem nos dera que ficassem todos reduzidos aos grupos de praxe, mas não. Existem estúpidos nos centros de saúde, hospitais, escolas, metro, autocarro, limpezas, empresas… Em tudo. E às vezes parece que se juntam todos e ninguém os consegue moderar – é o que acontece em certas faculdades mais recentes, que não se ligam à história e aos bons costumes que a praxe traz.

    Eu adorei ser praxada. Adorei o simples facto de rebolar com uma amiga, chegar ao fim e desatar a rir sem o doutor ver. E depois fomos muito sérias,ter com ele.

    A praxe é seria, é uma tradição, e é uma espécie de experiência militar. O meu pai diz que conheceu o companheirismo na tropa. Eu nunca fui à tropa, mas senti isso na praxe. Ria-me com os meus colegas, dizíamos mal de um ou outro doutor que achávamos mais estúpido… Faz parte! E se um fazia asneira, todos fazíamos. Acho que a praxe não deve ser reduzida à palavra integração. Deve ser associada à amizade, ao companheirismo e a palavras do género.

    Convido-te a veres o cortejo académico do Porto este ano. Vais ver companheirismo, lágrimas de despedida e risos de quem entrou na faculdade. Gritos pelo nosso curso e contra o outro curso. Porque provação q.b. Pode ser muito giro e divertido. Vais ver coisas más – acontecem…especialmente em faculdades de pouca tradição – mas não superam os bons sentimentos que lá existem.

    A praxe é uma porta aberta e fica sempre aberta para quem quiser lá entrar.

    Joana

  30. Em vez de ter andado nas praxes fosse estudar, assim não tinha feito esta figura de ignorante…doenças transmissíveis pela saliva, diz-lhe alguma coisa??? Nabo de boca em boca e saliva, diz-lhe alguma coisa?

  31. A praxe não serve para preparar ninguém para o “mundo cão”, não foi criada com esse propósito e devo dizer-lhe que jamais admitirei que, no meu local de trabalho, ou qualquer outro sítio deste “mundo cão” me insultem, humilhem rebaixem da forma que se faz em alguma praxe, e devo dizer-lhe que se o faz está errada! As hierarquias são para respeitar, mas com limites, que começam na sua integridade física e moral, que começam no respeito por si!

  32. Desiludida porque o meu comentário grotesco não passou na moderação, é que há tantos aqui que também não são a propósito de tema…

  33. Bom Dia,
    Relativamente ao tema abordado no post , passo a dizer que sou a favor das praxes, mas das praxes que não violam os direitos das pessoas nelas envolvidas. Estudo num Instituto Politécnico da zona Norte e antes de ser praxada tive de assinar um consentimento onde me era explicado o que poderia acontecer. Assinei e consenti assim a praxe de que fui alvo. Não fui obrigada a assina-lo, alias às pessoas que ainda são menores, os encarregados de educação é que têm de dar autorização e assinar o consentimento.
    É óbvio que nem tudo foi bom durante as praxes de que fui alvo, mas também nem tudo foi mau. Posso dizer que gostei da praxe e me senti mais integrada na Escola que frequento.
    Agora sou finalista e posso dizer que ao longo dos 3 anos que pude praxar nunca senti necessidade de maltratar ou humilhar alguém.
    Tudo depende da maneira como se encara as coisas. Existem pessoas boas e pessoas más. Infelizmente, existem praxes boas e más.
    Mas cada um é livre de dizer um NÃO quando acha que estão atentar contra a sua integridade física e psicologica.
    Gostava que a praxe que serve para a integração continuasse, mas a mensagem que esta a ser passada para o exterior será certamente a pior de todas, e assim, mais tarde ou mais cedo a praxe irá ser proibida.
    Fica aqui a minha opinião. Espero que a respeitem.

  34. Caro Pedro, agradeço a sua congratulação mas eu não afirmei que não existiam estas “personagens” de quem a Joana falou. De facto, eu própria posso nomear algumas dentro do meu curso, é verdade. Mas também é verdade que dentro de um curso de 60 (e falo do meu, que é aquele que eu melhor conheço) haverá talvez 5 ou 6 pessoas assim. Apenas critiquei o facto de estarem constantemente a estigmatizar a praxe, colocando no mesmo saco todos os tipos de praxantes ou práticas de praxe. Felizmente não sou a excepção da minha universidade e continuo a defender que o (in)sucesso escolar em nada tem a ver com o facto de participar, ou não, na praxe. Se querem criticar a praxe, façam-no. Eu compreendo que há gente que não goste e até entendo a maioria dos argumentos que expõem. Mas estes comentários generalizadores… já cansam!

  35. E não são por acaso!?

    Só porque, legalmente, são maiores de idade, não significa que deixam de ser crianças. Conheço pessoas com 30 anos que são perfeitas crianças.

  36. “morder o nabo, que coisa mais nojenta, sem jeito e perigosa do ponto de vista da saúde!”

    Perigosa do ponto de vista de saúde? Pois, só se for alérgica a nabos… Conheço muito boa gente que mordeu o nabo e a parte do gosto desagradável , nenhum deles sentiu a sua saúde posta em risco

  37. Oh Katarina, parabéns. (pelo término do curso no tempo devido, por não ser gorda nem feia e por não ter marginalizado ninguém).

    No entanto, temos que convir, que as personagens acima descritas pela Joana, existem. E, podiam muito bem não existir que o mundo era um bocadinho melhor.

    Quando se fala neste, ou em qualquer outro assunto, em que haja uma parte a ser insultada (ou bem descrita) toda uma brigada vem defender que também fez e aconteceu e que são a excepção à regra e que não fizeram nada do que estão a dizer.

    Compreendo e aceito e dou os parabéns por serem a excepção à regra.

    É preciso, no entanto, lembrar que só essas excepções comentam e se manifestam. Porque os que lêem este tipo de comentários, ou ouvem descrições deste género e se revêem, não vão nunca dizer “Epah acabaste de me descrever”.

    São esses que mantém o silêncio, e continuam na perfeita ignorância de que estão a contribuir para a integração e a dar as boas vindas aos caloiros. Não estão.

    Acredito nas excepções, mas tem que concordar que são exactamente isso, excepções.

    Cumprimentos,

  38. Este texto é exactamente o que penso sobre o assunto, em especial a parte do “só é praxado quem quer”. Até parece que é muito fácil dizer não a um bando de veteranos doidos por fazer mostar o seu “poder”.
    Eu fui para a Universidade aos 17 anos.
    Aceitei ser praxada e senti-me mal muitas vezes. Porque não disse que não? Por medo, por vergonha… e por saber que os meus pais que com tanto esforço me pagaram os estudo tinham o gosto de me ver trajada.
    Pessoas da aldeia a quem traje é sinónimo de “filho na universidade”.
    Não quis tirar-lhes isso. E quando me diziam que se dissesse não, não podia trajar, o que mais podia fazer?
    Claro que a minha vida nunca esteve em risco, porque era tímida mas não era estupida, mas humilhada fui e muito.
    Fiquei por vezes magoada (com joelhos no chão), com problemas de pele – tenho alergias… alguém se importou com isso?

    QUando ouço alguém a favor das praxes, começa quase sempre: fui praxado e aadorei. tive a SORTE …”?!?!?!! – só isto diz tudo.
    Se é preciso sorte para ser praxado com dignidade…. é porque os abusos são a maioria sim!

    Hoje tenho um filho de 12 anos que ao ouvir isto já me diz: oh mãe, eu não vou querer passar por isto! E eu só lhe digo: se não queres, não vais passar! E não vai mesmo. E se quiser trajar ai de quem o proiba.
    QUando a comissão de praxes passar a pagar o traje a quem praxou é que pode ter o direito a dizer quem usa ou não. Se for eu a pagar, ninguém me diz o que possso ou não usar!!!!

    Sei que muitos dos que se sujeitam a essas humilhações é exactamente por isso, por quererem usar o traje, que consideram o simbolo dos estudos.

    Se essa não fosse uma condições, tenho a certeza absoluta que haveria muitos mais “nãos”!!!!

  39. Sou contra as praxes. Concordo com a sua opinião, mas se tem essa vertente de integração então teríamos de repensar numa integração oficial da vida estudantil universitária nas diversas cidades supervisionada pelas reitorias ao invés de “Dux´s” e “veteranos” e outros tretas que andam para acabar os seus cursos à 10 anos, que belo exemplo. Porque não incorporar uma cadeira de cidadania e integração no primeiro ano. O desejo das pessoas quererem pertencer a uma elite sem olhar a meios torna-as desprezíveis. Praxe é buling.

  40. A maioria das pessoas tem noção plena que a maioria das praxes efetuadas neste país são humilhantes e nada dignificam ou integram. Pelo contrário ouve-se “se não fores praxado não trajas”, logo exclusão. Podem efetivamente haver bons exemplos mas infelizmente são uma parca minoria. Basta vermos um desfile numa queima das fitas para perceber (fora os comas alcoólicos, de pessoas que nem beber bebiam antes de entrarem para o “grupo”).
    Quando ao “caso meco” seria conveniente não tirar conclusões precipitadas e especular menos, não deve ser nada benéfico para as famílias.
    Temos que nos lembrar que seguramente não foram obrigados a ir de fim de semana e que provavelmente sabiam o propósito do fim de semana. Pode ser tão inconsciente quem praxa, como quem a aceita.

  41. Arrumadinho,

    Desculpa que te diga mas só é praxado quem quer.

    Eu tinha 19 anos quando entrei na Universidade. Não fui praxado. Nem aceitaria ser praxado. Diz que se é obrigado é um disparate. No limite pura e simplesmente o caloiro não vai para as zonas onde ocorre a confusão. Ninguem tem um carimbo na testa a dizer que é caloiro. Há muitas formas de evitar a praxe. Só é praxado quem quer.

    Em relação aos outros pontos estou de acordo com quase tudo.

  42. Fui estudante em Coimbra à 20 anos. Oriundo de uma terriola, sem sequer nunca ter ouvido as palavras praxe, fato académico e caloiro.
    Coimbra foi o máximo, um mundo novo, adorei a praxe e a vida boémia. Ainda hoje conservo bom amigos desses tempos.
    Comigo funcionou. a praxe integrou-me na academia
    É claro que se a integração tivesse sido à inglesa teria gostado ainda mais.
    Passaram 20 anos… Os caloiros já todos sabem o que é a praxe, já todos conhecem a vida académica e como funciona.
    A praxe teve a sua utilidade, mas está ultrapassada.
    Faça-se o museu da praxe de Coimbra e acabe-se com a sua prática.

  43. Concordo tanto! com todas as palavras
    A única vez que disse que não a uma praxe foi no secundário, quando um marmelo lá andava armado de tesoura a querer cortar pontinhas de cabelo às meninas
    Mandei-o cortar o cabelinho dele e virei-lhe as costas. Mas lá está, a escola podia ser outra, mas já ia com os meus colegas e estava em casa.
    Quando entrei para a faculdade, deslocada ia apavorada com a ideia das praxes
    Fui surpreendida pela melhor receção ao caloiro de que alguma vez ouvi: uma festa organizada em conjunto entre professores e associação de estudantes, em que todos se apresentaram, mostraram instalações e permitiram-nos perder o medo e nos conhecermos.
    Ao 2º dia as aulas começaram e nunca mais se ouviu falar de praxes, de humilhações e abusos. Frequentemente haviam festas que começavam no fim das aulas e pela noite dentro, na própria faculdade, onde todos se juntavam, fossem alunos veteranos ou caloiros, funcionários e professores e nunca ninguém teve de passar pela experiencia de faltar às aulas só para não ter de se submeter ás praxes
    Porque é como dizes: podem sempre dizer que não, mas um miúdo de 18 anos contra vários de 25 aos berros sente-se uma formiguinha…

  44. Depois de ler todos os comentários, compreendo que há experiências variadas que levam a tomar posições diferentes relativamente à praxe académica. Consegui, também, perceber que quem é a favor fundamenta sempre um comportamento de integração e de respeito pela opinião dos alunos, com a sua própria experiência ou com argumentos entre os quais transcrevo os seguintes:
    – aviso aos “praxantes para no primeiro dia perguntarem aos caloiros se têm PROBLEMAS DE SAÚDE, PROBLEMAS PSICOLÓGICOS, LIMITES CULTURAIS OU RELIGIOSOS, ETC, exactamente de forma a EVITAR QUE ALGUÉM SEJA OFENDIDO OU LEVADO A ULTRAPASSAR OS SEUS PRÓPRIOS LIMITES!”;
    -“enquanto caloira, não fui a todas, todas as atividades praxísticas e como é de esperar foi confrontada com doutores, que me tentaram convencer a ficar, nunca me insultando como o Arrumadinho fala, mas sempre com palavras, com conversas, tentando-me mostrar que se calhar aquele tempo podia ser dispendido para estar a divertir-me com os meus colegas”;
    -“Explicaram-nos em que consistia a praxe, que existia uma Comissão de Praxe que acompanhava os caloiros que vigiavam as praxes, ou seja, caso existissem abusos esses elementos acabavam logo com a praxe que nos era aplicada. Disseram-nos também para ler e passar a limpo o Código de Praxe, para sabermos como nos proteger e defender”.
    -“Quem me dera que não se chamasse praxe a muitos dos rituais idiotas que se fazem nas universidades, mas não há nada que eu possa fazer”.
    Bom, poderia transcrever mais argumentos, mas seria extensa a lista e, creio, que com estes já poderei ilustrar a minha opinião. Se a praxe é efectivamente inofensiva, porquê então ter estes cuidados todos de perguntar pelas condições psicológicas, problemas de saúde, vigiar as praxes, convencer os alunos a divertirem-se e até pedir autorização aos paizinhos dos menores, como também é referido como uma atitude muito cuidadosa da parte de uma comissão de praxe? A mim, parece-me que quando se vai tirar um curso, o que se espera da instituição e de quem a frequenta é um ambiente sociavelmente aceitável, como em qualquer outro sítio e em que, cidadãos adultos, futuras pedras basilares de um país e de uma sociedade, já apreenderam desde o jardim-de-infância, noções básicas de socialização e partilha democrática, sem que para isso tenha que copiar um código de praxe, ou tenha que ser vigiado para que não se ultrapassem os limites ou sujeito a qualquer outro mecanismo de medição dos limites. Já não bastava toda a carga psicológica que acarreta o concurso ao Ensino Superior, bem como todas as condições sócio-económicas de cada um e, ainda ter que incluir nas suas preocupações “como será a praxe lá onde eu fôr parar?” ao invés de saber que tem à sua espera uma maravilhosa equipa de receção e integração, que por devidamente legitimada, não tem que perguntar a ninguém: “quer ser integrado? quer ser praxado?”, mas faz naturalmente parte do processo, tal como o faz a matrícula a essa instituição.
    E se, efectivamente, em nome da praxe se fazem muitas violações à liberdade do indivíduo, nomeadamente com coacção psicológica subtil (por vezes, não tão subtil), se infelizmente chamam de praxe a rituais que violam os direitos do ser humano, então, há que fazer uma séria, profunda e partilhada reflexão sobre este assunto. Ao que parece a história não tem permitido a muitos prolongar as memórias do que tem sido a luta pelos direitos humanos. Ainda há pouco tempo se falou tanto em Nelson Mandela, o 25 de Abril em Portugal não foi assim há tanto tempo, ainda há pessoas que viveram as guerras coloniais, perdendo 4 anos da sua mocidade na guerra e sabem bem o que é rastejar no mato, debaixo do fogo inimigo. É isto que querem reviver? Então complementem a formação académica com serviço militar especializado, por exemplo, comandos. Querem sensações fortes? Pratiquem desportos radicais. Mas no lugar próprio, com equipamento próprio. Começo a pensar que o que algumas comissões de praxe perguntam aos novos alunos sobre terem problemas psicológicos, deveria fazer parte das condições de acesso às instituições de Ensino Superior: perfil psicológico do aluno, competências de formação pessoal e sociais…

  45. Meu caro Ricardo… li o seu comentário anterior em que descreveu o seu primeiro dia na Covilhã… e fiquei de boca aberta… eu fui caloira da Univ do Porto e a minha familia da Univ de Coimbra e nunca tal ouvi! Eu gostei de tal modo da praxe que no meu segundo ano de faculdade pedi para ser “caloira infiltrada” (nem sei se na Covilhã havia disso, mas também não vale a pena estar a descrever). Lembro-me bem do meu primeiro dia de faculdade… os meus praxistas ajudaram-me e muito!! eram eles que nos ensinaram onde eram as cantinas, onde eram as secretarias, onde eram as salas de aulas, eram eles que nos ajudavam com papeladas e que nos arranjavam apontamentos… e nunca fui sujeita a qlq tipo de actividade dura ou fisica! Para mim a praxe era aprender musicas ironicas e andar a canta-las pela cidade, era vestir a mesma t-shirt que todos os outros, era andar na brincadeira com os restantes caloiros e rir… rir muito! nunca me senti inferior a nenhum dos meus praxistas… e acredite, na minha praxe só estava quem queria! e nem consigo compreender como se diz que a praxe não é para quem quer… como assim?? ah!?? mas quem é que obriga alem a estar onde não quer?? eles sao os nossos pais? Ui? não consigo entender? medo de praxistas??? ah? mas e que? vão-te bater??? obrigar caloiros a fazer coisas que não querem? ah???!!!! isso não é praxe… é ESTUPIDEZ! e há qlq coisa de errado na cabeça dos pobres estudantes que deixam que isso aconteça… alias, qlq coisa de muito errado! a primeira e única vez que me pediram para rebolar na relva (relva normal sem lama nem nada dessas histórias que se ouvem…) eu disse: “rebolar… pois…”e não rebolei! os praxistas da altura chamara-me ä parte e disseram-me que esta livre para ir embora se me estivesse a sentir mal… ao qual eu respondi que não! só não queria rebolar! e assim foi… Havia um praxista armado em estupido, e quando era ele a praxar era uma seca… ao ponto de mais de metade dos caloiros se irem embora… não foi preciso serem os caloiros a queixarem-se… os próprios praxistas proibiram-nos de praxar! Com isto tudo, eu sou defensora das praxes… mas das minhas praxes… não da estupidez que agora há por ai. E não quero ser injusta… mas pelo que vejo, quanto mais pequena a universidade pior a praxes…

  46. Não é preciso existirem praxes para as pessoas se integrarem. Não é necessário, de TODO, jovens morrerem e outro sentirem-se humilhados só porque uma quantidade de jovens mentalmente doentes e sem objectivos de vida se sintam “bem”. Se não existissem praxes alguém morria?
    Muitos destes “meninos” deviam ir trabalhar para poderem comer ou fazer voluntariado no IPO…TALVEZ vissem algo para além do umbigo deles…ou então….já não há nada que se possa fazer por esta “gente”…

  47. Este assunto já foi mais que falado e debatido! Mas o mais impressionante é ver o que considero quase fanatismo dos acérrimos defensores da praxe.
    Já comentei os textos anteriores sobre este assunto e, como disse, a minha experiência nunca foi negativa. Não fui excessivamente humilhada (ainda que num ou outro momento fosse claro que a vontade de quem praxava não fosse integrar-me mas sim fazer-me sentir envergonhada – enganaram-se porque me estava nas tintas para aquilo!), não tive que fazer nada que fosse contra os meus princípios ou convicções.
    No entanto, e dito isto, devo dizer que ser praxada nunca foi uma opção. A única opção que me foi apresentada foi ser praxada – quem se recusava a ser praxado, e lembro-me de um ou outro caso, era ameaçado de ser “excomungado” de todo e qualquer ato académico, era completamente ostracizado e mesmo perseguido. Ora só este fato faz com que a chamada praxe seja ilegal porque não permite sequer ao caloiro o direito de escolha sem ter medo das consequências.
    Não consigo perceber certos argumentos dos defensores acérrimos da praxe. De que vale dizer que determinadas praxes (aquelas feias, degradantes mesmo) não podem ser chamadas praxe porque não representam o verdadeiro espírito académico se esses atos – a que não podemos chamar paxe porque cai o carmo e a trindade – existem, acontecem e, com toda a probabilidade, foram praticados por esses acérrimos defensores?
    Depois querem que as praxes não sejam comentadas por quem não percebe nada do assunto. Outro argumento que me passa ao lado porque, na minha perspectiva, qualquer pessoa que andou numa universidade e foi praxada percebe do assunto, fala da sua experiência e não pode ser culpada pela forma como sente essa experiência – se foi humilhado e aterrorizado pois tem que dizer isso mesmo ora!
    Se toda e qualquer praxe fosse idêntica ou similar a praxe a que eu fui submetida, pois eu seria completamente a favor. Acontece que a realidade é outra. E enquanto a praxe e o ambiente académico for usado como desculpa, por uns quantos inergúmenos, para aterrorizar os caloiros (que deviam antes ser felicitados pela nova etapa das suas vidas) terei que me manifestar contra!

  48. Concordo plenamente, especialmente com a parte em que refere que há uma linha muito ténue entre o que é ou não humilhante para cada um. Devo, no entanto referir, e já o comentei aqui, fui praxada em Coimbra, na universidade (!) e gostei muito da nossa praxe. Foi divertida, integradora, ninguém grita, ninguém insulta, ninguém humilha! Lembro-me de passeios pelo botânico, pela universidade, músicas divertidas e sem conteúdo obsceno ou palavrões, lembro-me de nos perguntarem de que sexo era o leão na estátua de homenagem a Camões (e de nós, tolinhos, irmos lá espreitar para ver algum sexo esculpido, não soubéssemos nós que um leão é sempre do sexo masculino). Mas se a praxe é agora esta coisa desvirtuada que se documenta nos dias que correm, então que se acabe com isto, que a maior parte do que é feito aos caloiros deve ser crime em alguma alínea do código penal.

  49. Fracos de personalidade? Fazer tudo o que nos mandam? Não é bem assim minha senhora. Eu tive uma experiência fenomenal em praxe, e se está a referir que perderam as vidas por causa da praxe, devo dizer que apesar de sentir muito pelas famílias, o que se passou as pessoas podem dizer que foi praxe, para mim não considero que aquilo seja de todo praxe.
    Não podemos por todos no mesmo saco, sabe por que existem regras? Porque existem excepções, e por estas ultimas não se pode referir como sendo a regra. Se se quer referir o que se passou naquela praia como praxe, essa é a sua opinião e já agora participou em alguma actividade de praxe? O que devemos transmitir as caloiros enquanto doutores são as pequenas coisas que fazem a vida académica única, não pôr as suas vidas em risco, os doutores não podem ser inconsequentes. Têm sim de orientar os caloiros no inicio de uma nova etapa das suas vidas, e sobretudo fazer com que se divirtam (e sim, não é preciso álcool para nos divertirmos). Cantam-se coisas que por vezes são mesmo ordinárias, outras jogos sem noção nenhuma, mas no final do ano todos os jogos, as brincadeiras, os bitaites que se vão levando ao longo do ano, são experiências que nos fazem crescer, e para terminar vou dizer-lhe a primeira coisa que os meus doutores me disseram no meu primeiro dia: “O respeito vem de cima, se eu vos respeito também quero ser respeitado!” Sabe esta é a base da sociedade respeito, e por isso nunca me senti humilhada pelos meus doutores, nem nunca o faria com os meus caloiros, porque isso é descer de nível, à qual não é chamada praxe, mas sim abuso de poder.

  50. Obrigado a todos os meios de comunicação social, sair à rua trajada vai ser perigoso.
    Tenho amigos meus, que neste fim de semana por estarem trajados, na sua vida, sem chatearem ninguém, foram agredidos e chamados de assassinos! E meu caro, sou do porto, nem sequer tenho nada a haver com a lusófona ou com a praxe que se faz sentir em Lisboa.
    Que culpa tenho eu, ou os universitários de todo o país que seis pessoas tenham morrido desta triste maneira? Que culpa tenho eu, para ser agredida, insultada, ser tratada como uma assassina?
    Chegamos ao dia, em que usar um traje, símbolo NÃO DE PRAXE, MAS DE ACADEMISMO, (pois qualquer universitário, praxista ou não o pode fazer), usar o traje é ser marcado como criminoso, como imbecil sem princípios. Usar um traje, ouvir uma serenata, ver um festival de tunas e ouvir os tão amados fados académicos de coimbra, tudo isto vai passar a ser sinónimo de coisas más.
    Obrigado aos media, por tentarem destruir a melhor fase que um universitário pode ter. Obrigado TVI, obrigado RTP, obrigado JUDITE DE SOUSA, obrigado a todos os ”jornalistazecos” que exercem esta profissão neste país.

  51. Se reparar há mais cronicas e entrevistas nos media de pessoas que querem acabar/criticar a praxe do que o que contrário. Sabe porque? Porque esses animais que por aí, que só querem borgas e praxar, aprenderam na PRAXE a ser ponderados, a manifestar respeito, e pelos vistos estes são os únicos a mostrar RESPEITO pelo 6 jovens que faleceram. Toda a gente aproveitou a tragédia do meco para criticar a praxe, mas pensar nos que morreram, prestar homenagem aos que AMAVAM a praxe? que ideia.
    E não me venham dizer que os jovens envolvidos na tragédia estavam lá obrigados, meus caros, eles não eram caloiros, eles praxavam e eram praxados, não tinham meia dúzia de dias de praxe, tinham pelo menos dois/três anos, sabiam no que estavam e amavam aquilo.
    Relembro mais uma vez que não foram 6 vitimas, foram 7! Mas mais umas vez o portugueses só respeitam quem já se foi. Quem fica, quem tem a vida pela frente, quem foi vitima não só de um afogamento mas também da perda de seis AMIGOS (sim, porque aquilo não foi nenhum ritual satânico que previa a morte deles, eles eram amigos!), esse que ficou não merece respeito nenhum, ora essa.
    Talvez se as pessoas que não percebem nada de praxe percebessem alguns conceitos que esta nos ensina, percebiam conceitos tais como: Ninguém pode julgar ninguém, Ninguém ri do colega, São todos um só. etc.

  52. Não me diga que nunca lhe deram um berro… Pois, grande sorte a sua! Menos sorte tive eu… E, era bem pequena. Foi a minha mãe. Não! Foi o meu pai. Bem, para dizer a verdade, não me lembro bem. Ralhavam comigo só porque fazia asneiras ou só porque não lhes obedecia. Pais maus, os meus!
    Mais lhe digo, malditas as flexões que fiz durante as aulas de educação física! Então não é que, as danadas, me ajudaram a fazer todas as que os meus engenheiros me mandaram fazer durante as praxes… Malditas! Malditas! Malditas! Não sei se sou a mesma depois disso…
    O que os praxantes, no fundo, tentam retratar é o mundo cão que está para lá dos limites da tão estimada academia. E, acautele-se, porque dias piores virão e, não falo de praxes. Falo-lhe do estado da economia mundial. Isto está negro. Tão negro quanto as capas que trajam os praxantes. Esses alunos, digo, animais, que pagam propinas a cada ano que passa.
    A praxe serve para que os caloiros sejam capazes de se desenvencilhar das mais diversas situações. A praxe serve para criar ratos. E, digo ratos no sentido de esperteza. Sabe, por mais que a escola nos ensine – e, ensina, com toda a certeza –, nada nos prepara melhor do que a escola da vida. E, veja lá que, a essa, nem sequer é preciso pagar propinas.
    Ando na vida académica há alguns anos – não são meia dúzia de meses – e, NUNCA mas NUNCA ninguém me obrigou – ou eu obriguei enquanto praxante – ninguém a fumar ou a beber. Posso até garantir-lhes que quando saía à noite e os meus colegas me diziam para beber um copo, nunca o bebi. E, sabem porquê? Porque não bebo. Nunca me deixei levar por isso. Sabem porquê? Porque tenho as minhas convicções. Mas, isso, não se aprende na praxe. Revejam-se os valores familiares.
    Os mais sinceros parabéns aos media por conseguirem manobrar tão bem a opinião publica sobre uma coisa que só a conhece quem a vive.
    A noticia da tragédia do meco, deixou de ser tragédia, e passou a ser o trampolim para todos os anti-praxes. Esses que questionam a integridade moral dos praxistas. Agora pergunto-vos eu, onde está a vossa quando põem a morte de seis jovens para segundo plano e em primeiro plano estão as petições sobre o fim da praxe, as especulações, os supostos professores que foram praxados (será que o senhor professor estava na praxe e a usar a t-shirt de caloiro para ser praxado?hmm…)
    Deixem os amigos e familiares destes jovens fazerem o seu luto.
    Que os universitários também vão fazer o seu. Pela morte destes jovens, e pelo triste país onde vivemos.

  53. Praxe é para frustrados e campónios. Comparem com as universidades europeias e vejam como os alunos são recebidos e integrados.

  54. A mera existência de um grupo de indivíduos que acha que o número de matrículas lhe permite oprimir um outro grupo deveria fazer-nos pensar muito seriamente sobre a evolução da humanidade. Na sua proporção, o que os veteranos fazem aos caloiros é o que os senhores faziam aos escravos, subjugação pela intimidação.

  55. Temos de esclarecer uma coisa, a praxe é uma questão de valores. Há quem os tenha e há quem não os tenha como tudo na vida. Não vou iniciar aqui um discurso pró-praxe, porque nunca praxei ninguem. Fui praxada no meu ano de caloira e não gostei, mas tenho colegas meus de outra escola, dentro da mesma universidade, que deliraram com as praxes e, sinceramente, foram bem mais adequadas e divertidas que as minhas. Eu senti que era apenas mais uma no meio de centenas de caloiros, não me senti integrada porque não era a caloira mais divertida, nem a mais gira, portanto nunca tive jantares em casa de doutores nem nunca nenhum deles se disponibilizou para me ajudar. Senti-me imensamente sozinha nos primeiros tempos e fui sujeita a praxes que, se fossem hoje em dia, me recusava. Só que nos primeiros tempos andamos desenquadrados, assustados e não conhecemos ninguem. Então, a muito custo, sujeitei-me a algumas praxes que considero menos adequadas. O que eu acho realmente que deveria existir era uma comissão de receção aos alunos, onde trajados e caloiros convivessem, partilhassem experiências e dicas, sem aquelas hierarquias estúpidas de um caloiro se resignar a estar de olhos no chão e não poder olhar para um trajado, porque isso é ofensivo. Não é nas praxes que aprendemos o que é o respeito, a solidariedade, a amizade… Por amor de Deus, eu tinha 18 anos, todos os esse valores já me tinham sido incutidos. Agora o que eu senti realmente falta foi de alguém que se sentasse a conversar comigo, me perguntasse se precisava de algo, se disponibilizasse para me integrar… Isso sim, deveria ser a praxe para toda a gente, em todas as universidades deste país.

  56. Como isto das grandes questões nunca dá em nada, e as pessoas parvas são isso mesmo, parvas. A malta dada a ser “Maria vai com as outras”, porque se não fizer o mesmo que os da praxe se calhar ainda os matam ou assim, e que pelos vistos tem tempo para parvices…. o melhor mesmo é, na minha humilde opinião, é irmos comer todos bolos de berlim e não pensar mais nisso…
    Suspeito que a parvoíce vai-nos fazer companhia para todo o sempre….

  57. Antes demais devia ter aprendido que praxe nao tem plural, e que praxeS não existe. Ja que escreve o que escreve, ao menos que o escreva como deve de ser.

  58. “Lembro-me perfeitamente de alunos mais velhos nos abordarem e dizerem “dia x às y horas há uma reunião para falar da praxe, apareçam se quiserem”

    Se fosse de facto assim na generalidade era tudo tão, mas tão simples..

  59. Caro(a), vc é que tem de ver as “pseudo-telenovelas” da TVI com a distancia certa. Qualquer pessoa com 2 palmos de testa percebe que foram de livre vontade, fazer o que lhes bem apeteceu. Uma das vizinhas foi inclusive afastada com um “experiência de vida”. Por mais que custe a todos, aqui não há inocentes nesta historia, uns sabiam para o que iam e aceitaram, outros possivelmente exerceram influencia a mais, e alguns dos pais sabiam das supostas comissões, e pouco ou nada fizeram. Alias, os “grandes documentos” vêm de um deles, que só agora rabiscou o “baú” do seu quarto… Meco à parte, para mim Praxe significa integração, mas infelizmente ainda temos muitos anormais que a aproveitam para dar aso as suas frustrações. São esses que têm de ser atacados. “Tradição só em Cominbra, porque é secular e tal e coiso…” Ridículo… praxa-se (bem ou mal) em Lx há mais de 40 anos. Temos de esperar mais 60 para vir um iluminado historiador e fazer algum tipo de decreto? Querem exemplo de tradições? Vejam os programas das tardes de fim de semana dos canais generalistas… Umas foram “inventadas” há 4 ou 5 anos… Ricardo, discordando de si ou n, continuo a gostar de lê-lo. Um Abraço.

  60. Arrumadinho gosto muito de ler o teu blog, mas discordo deste teu post. Sou de Coimbra e caloira na minha cidade e já recusei ir a praxes e nada me aconteceu, já fui a muitas praxes e adorei e voltava a repeti-las, já recusei muita coisa e nada de mal me aconteceu, respeitaram a minha decisão e pronto. Aí está, não podemos meter tudo no mesmo saco e é verdade que tudo varia de faculdade para faculdade e como disse o Marcelo Rebelo de Sousa” Há as praxes de Coimbra que já fazem parte da tradição e são decentes e depois há as tentativas de imitação por todo o país”.

  61. Sou caloira da ESCS e posso dizer que sim, maioritariamente só encontras caloiros satisfeitos… Inclusivamente muitos que se declaram anti-praxe no início do ano, acabam por querer participar na mesma quando percebem que a nossa praxe não tem mal absolutamente nenhum.
    E o facto de “ser proibido utilizar o elevador às quintas-feiras”, não me parece que tenha esse mal todo que falas… Ninguém ficou traumatizado, penso eu, por ter de utilizar as escadas ao invés do elevador. Isso são meramente brincadeiras, em que os próprios caloiros acabam por alinhar, simplesmente porque é engraçado e acabamos por nos divertir!
    Agora, queres comparar isso a outros rituais de praxe, que por aí andam?
    Sou a favor da “minha” praxe, porque (e juro-vos do coração) nunca fui humilhada. Pelo contrário… Na minha faculdade o que vos espera na semana de praxe é um grupo de pessoas atenciosas que vos recebem de braços abertos (e vós ajudam, também).

    P.S. – E não, eu não estou com uma depressão por ter de utilizar as escadas à quinta fera, gostei de fazer a “lata-amarela”, tenho saudades da minha semana de praxe, e, pasmem-se, escrevi isto voluntariamente… Inacreditável, pá!

  62. Subscrevo totalmente! Tive praxe em Coimbra e odiei! Recusava muitas vezes e sofria exactamente por causa disso…uma vez uma veterana perguntou-me, após o meu pedido para ir a uma aula: “A caloira é assim tão burra que precise de ir às aulas?” Ao que respondi: Eu sou burra, mas vocês são inteligentes quando andam há 3anos para fazer essa cadeira! É como a tradição de morder o nabo, que coisa mais nojenta, sem jeito e perigosa do ponto de vista da saúde! A minha madrinha salvou-me de muitas porque a conhecia!

    Filipa

  63. Claro que se fala em todas. Em todas as que correram mal! Ou acha que morrerem pessoas em situações completamente estúpidas não é caso para o País parar e se reflectir sobre isso?
    São futuros doutores, engenheiros… professores que o fazem. Isto dá que pensar nos profissionais que estamos a formar no nosso ensino. Só em Portugal é que há disto! Em mais lugar nenhum do mundo, vêem este tipo de “brincadeiras” acontecer!

  64. E tudo isto começou porque os filhos dos “ricos” não gostaram de ver os filhos dos “pobres” na universidade! Inventaram uma maneira de os humilhar: A PRAXE!! Quando o príncipio é mau, nunca pode existir um bom final! Dá que pensar…

  65. Já agora, poderá explicar-me porque é que um aluno que se declara anti-praxe não pode trajar? Mas por acaso são vossas excelências que sacam do vosso dinheirinho para nos pagar o traje? E depois dizem que temos liberdade de escolha… claro que temos! Não ser praxados implica não poder “viver” o espírito académico na sua total plenitude!

    Obrigadinha!!

  66. Foi caloira há 8 anos, ou seja tem… Quê? 26 anitos? E pensa que já sabe tudo…
    Tem a cabecinha carregada de preconceitos, estereótipos! Espero que a vida seja branda consigo, porque a pensar assim e a verbaliza-lo desta forma, vai ter alguns amargos de boca. Pode ser que cresça entretanto.
    Nunca a palavra COIMBRINHA fez tanto sentido, menina!

  67. O mal da Joana não é o de ser conimbricence! É o de ser COIMBRINHA!
    Que cabeça tão limitada!
    (Também fui estudante de Coimbra, na FDUC, mas felizmente para mim a faculdade não foi uma extensão do liceu!)

  68. Concordo totalmente. Fui estudante Erasmus em Paris e nunca conheci estudantes com maior espírito Académico. Sempre rontos a ajudar e a colaborar e se um aluno tiver um problema a faculdade toda se une para o resolver. Não é preciso praxe para isso, aliás, em França a praxe é proibida por lei.

  69. sou estudante universitária (2º ano) e partilho exactamente da mesma opinião. Felizmente frequento uma universidade onde a praxe nao exige muito dos alunos que nao queiram participar com muita assiduidade, como em algumas universidades acontece. Das poucas vezes que fui praxada, assim como o arrumadinho, nao senti que os argumentos utilizados pelos “doutores”, como o potencial de integração da praxe ou mesmo a preparação para uma vida profissional, fossem de todo validos. Não foi a olhar para o chão, como nos obrigavam, e a passar um dia calada que me integrei… Também não é a ter um comportamento submisso para com os meus “superiores”, que muitas vezes tem pouco mais que a minha idade, menos maturidade e responsabilidade que eu, que me vou sentir preparada para entrar no mercado de trabalho, porque para isso tenho uma família que me tem vindo a educar. Acho que viver algumas das tradições académicas podem vir a ser um marco nas nossas vidas, mas acredito que nestas memorias não precisam de entrar um “doutor” que, por complexo de superioridade, nos humilhou ou nos fez sentir a pior pessoa a face da terra. Acho que não se devia acabar com a tradição, mas acho que algumas ideias poderiam ser reformuladas.

  70. Vou ser muito breve e vou assumir uma posição sem entrelinhas. A definição de praxe no meu ponto de vista é a seguinte:
    – Bullying organizado
    – Estrutura orgânica delineada para a prática de bullying
    – Conjunto de indivíduos que ostentam o poder da nobreza para impor sacrifícios à plebe estudantil
    Podem dar muitas voltas, no entanto, não conseguem negar as definições supracitadas, porque são verdadeiras no sentido literal das palavras.
    Eu também fui praxado, e nunca fiz nada que fosse contra aquilo que eram os meus valores. No caso da minha faculdade, a comissão de praxes tinha um bom senso que não é comum na maioria das faculdades. Apesar disso, este acto, metaforicamente igual a uma tourada, não ajuda em nada a integração dos novos estudantes. Não é na submissão e cerveja que encontramos o convívio aprendam isso por favor!

  71. Boa Noite! Fui estudante numa escola superior agrária e posso afirmar que as praxes naquela escola são alegres e animadas e que foi graças a praxe que conheci os meus melhores amigos. Tenho pena se a praxe acabar pelo menos na escola que frequentei os caloiros fazem a vindima, ajudam na limpeza dos terrenos da escola e existem actividades para caloiros muito engraçadas nomeadamente uma tomatina e um baile de caloiros.

  72. Olha lá inês:
    Tens toda a razão quando dizes que és simplesmente uma “criança” e que nada sabes da vida.
    O mais certo é nem saberes sequer os sacrificios que os teus pais fizeram para te “darem um canudo”.
    Agora coloca os teus pais no lugar daqueles. que pensando dar um futuro á vida das filhas, as enviaram para uma morte horrivel às maos de sevandijas que se sentem mais fortes quando humilham os mais fracos.
    Há!!! Não devia ter acontecido, dirás tu, do alto do teu “praxamento”. Pois, mas aconteceu como já aconteceram outras coisas horriveis em outras praxes.
    Eu nunca fui “praxado” porque não quis que os meus pais andassem a “chupar num caroço de uma azeitona” para me darem esse tão cobiçado e ás vezes tão inútil canudo. Por essa opção formei-me na U.D.V. e aqui estou a lamentar a sorte daqueles pais e a pedir que erradiquem de vez, essas demonstrações de «Doutoramento» sobre jovens indefesos.

  73. Eu fui da NOVA e fui humilhada. Quis desistir da praxe e gozaram comigo o resto do tempo que frequentei a faculdade. Várias pessoas têm várias opiniões e experiências, não percebo qual é a dificuldade de partilhar sem atacar. Que eu saiba o arrumadinho não está a tentar fazer lavagem cerebral a ninguém.

  74. Eu não tive nenhum tipo de problema. Quando me abordaram a minha resposta foi muito clara e curta: “EU sou anti-praxe”.

    Acham mesmo que eu não fiz amigos na mesma por causa disso? Que era colocada de parte, que perdi alguma coisa de extraordinária, que me falta uma peça qualquer na minha integração social de então e para todo o sempre? Pffffffffff…

    Sim, só é praxado quem quer!

  75. CAGAI NA MERDA DAS PRAXES, TAMBÉM FUI PRAXADO E NÃO SINTO QUE O DEVO FAZER A OUTROS.
    A PRAXE É A VIOLÊNCIA PERMITIDA QUE ALGUNS FAZEM ATRAVÉS DE MEIOS MAIS OU MENOS PERMITIDOS POR QUEM “GERE INSTITUIÇÕES”.

  76. Nas experiências negativas que ouço sobre a praxe encontro frequentemente um denominador comum: foi uma qualquer acção individual, isto é, o caloiro em questão foi abordado directamente. Ora o espírito da praxe, como eu o entendo, está relacionado com a formação do “espírito de grupo” que quem tem experiências militares (eu tenho alguma) compreende facilmente. O “espírito de grupo” é uma ferramenta importante para um grande grupo de pessoas que nada têm, à partida, em comum começarem relacionar-se de forma positiva.
    Na praxe que vivi no IST (Eng. Aeroespacial) muito raramente um caloiro era abordado individualmente a não ser em tom de brincadeira. Tive igualmente a vantagem de ter veteranos que, em quase todas as situações, demostravam o que era esperado de nós em cada caso (exemplificavam pulos de galo, gritos, etc…).
    A praxe por que passei tinha a ver com imaginação, brincadeira e ridículo. E poder viver alguns momentos de ridículo é extremamente libertador. Um dos melhores momentos para mim foi ser “voluntária” para recitar Bocage numa carruagem do metro cheia de gente. Adorei! Mas nunca o faria sem ser naquele contexto (não sou exibicionista, nem tenho particular prazer em chocar as pessoas). E se o autor tinha um vocabulário variado! Metade dos palavrões que li nunca tinha ouvido. Há outros movimentos cuja base é mais ou menos o mesmo tipo de sensação (estilo Improv Everywhere), com ou sem palavrões.

    O que eu tirei das praxes que vivi no IST foram boas memórias e amigos com quem partilhar essas memórias.

    O único momento em que me senti agredida foi quando os elementos do movimento anti-praxe tentaram sabotar a nossa praxe e, inclusive, me insultaram.

    Eu fui praxada porque quis. Os meus colegas de curso foram praxados porque quiseram. É sempre assim? Claro que não. O problema é que, caloiros e veteranos, todos se levam demasiado a sério. A praxe são brincadeiras! Brincadeiras que podem ser mais ou menos idiotas ou perigosas, mas brincadeiras.
    Não conheço ninguém que entre os 18 e os 23 anos não tenha tomado decisões estúpidas. Algumas dessas decisões envolvem a praxe. Mas as decisões é que são estúpidas, não é a praxe.

    Em relação à ilegalidade do processo só pergunto: como é que se impede alguém de recitar Bocage no metro?…

  77. Terminando de vez com este assunto das praxes, que já chateia, NÃO SE PODE ILEGALIZAR UMA COISA QUE NUNCA FOI LEGAL!
    A Praxe faz parte da tradição oral de cada universidade em particular e muitas vezes dentro da mesma universidade existem diferenças de curso para curso.
    A Praxe NÃO É REGULARIZADA ou REGULAMENTADA PELA UNIVERSIDADE nem, muitas vezes, pela Associação de Estudantes, mas sim pela Comissão de Praxe ou Conselho de Veteranos, PORTANTO NÃO SE PODE PEDIR à Universidade para controlar aquilo que nunca controlaram!
    O que pode acontecer, no máximo, é que sejam regulamentadas pelas Associações de Estudantes, tentando ao máximo pôr em prática o CÓDIGO DE PRAXE, se já existente, ou constituindo um!
    O que pode acontecer é que sejam responsáveis pela praxe pessoas o mais idóneas possível e que sejam responsáveis também por vigiar activamente as praxes e aplicar sanções.
    Em relação a abusos físicos e psicológicos, acho que hHÁ LIMITES ENTRE O QUE É ACEITÁVEL OU NÃO. Em relação às diferenças individuais, existe o CÓDIGO DE PRAXE, pelo menos na UTAD fui assim tratada, que diz aos praxantes para no primeiro dia perguntarem aos caloiros se têm PROBLEMAS DE SAÚDE, PROBLEMAS PSICOLÓGICOS, LIMITES CULTURAIS OU RELIGIOSOS, ETC, exactamente de forma a EVITAR QUE ALGUÉM SEJA OFENDIDO OU LEVADO A ULTRAPASSAR OS SEUS PRÓPRIOS LIMITES!
    Se existem Doutores ou Veteranos que não têm esse hábito, então Não estão a cumprir o Código de Praxe e devem ser sancionados. Sancionados como? Sendo proibidos de alguma vez mais praxar.
    Quanto ao que se passou no Meco, muitas afirmações vieram a público dizendo que o que quer que se tenha passado lá NÃO FOI PRAXE!! E mais não digo.

  78. Fui caloira durante o ano passado e este ano sou segundanista. Enquanto caloira, não fui a todas, todas as atividades praxísticas e como é de esperar foi confrontada com doutores, que me tentaram convencer a ficar, nunca me insultando como o Arrumadinho fala, mas sempre com palavras, com conversas, tentando-me mostrar que se calhar aquele tempo podia ser dispendido para estar a divertir-me com os meus colegas. Este ano faço isso com os caloiros da minha casa. Não torturo ninguém, tal como não me tornruraram. Falaram-me alto e falo alto muitas vezes? Falo sim. Sempre sem desrepeitar ninguém. Foi assim que a minha casa me ensinou.
    Fico triste ver que generalizam as praxes. Quando um jovem tem um acidente de carro, ninguém diz que deve ser proibido os jovens coduzirem pois não? Porque dizerem que as praxes não prestam, que devem ser abolidas? Se o que aconteceu foi um grupo de jovens irresponsáveis acederem a vontade do dux de entrarem na água, em pleno inverno, àquelas horas! Eu, tenho a certeza que na minha casa ninguém me sugeria isso. E, tenho também a certeza que se me dissesse eu não o faria. Porque tenho cabeça! Porque penso pela minha própria cabeça e, com a idade que tenho sei ver os perigos.
    Sei que nem todas as casas podem ser como a minha, mas orgulho-me muito da Faculdade a que pertenço. Muito. E orgulho-me da forma que me praxaram, da forma que praxo. Porque foram momentos inesquecíveis, porque me ri tanto com colegas meus, porque me ri imenso com doutores meus. Sim, que me praxavam. Ri imenso. Fiz amigos. Muitos. E agradeço à praxe. À praxe da minha casa. A melhor.

  79. Uiiiiii
    Não Podia deixar de comentar esta resposta da Sandra e como tem razão, como já referi sou de Coimbra e a minha profissão obriga-me a trabalhar com os Coimbrinhas, esses de que fala…. e que pensam que os ” outros ” têm que lhe tirar o chapéu e até fazem distinção nos cursos, verdadeira corja que realmente existe e cujo poder passa de pais para filhos, não interessa nada se tiraste o curso em Coimbra, interessa é se pertences á familia dos senhores xpto da cidade, apesar de ter uma profissão numa área muito sensivel de uma responsabilidade grande (Farmácia Hospitalar ) não pertenço a essas familias de Coimbrinhas e até já me foi dito que subi um nivel porque casei com uma farmaceutica…. ou seja deve ser por acumulação, vou tentar que o meu filho seja médico para subir mais um. ( brincadeirinha).
    Minha cara Sandra como a entendo….

  80. Sou de Coimbra, nascido, criado e estudado no meio da Academia e quando digo no meio é no sentido literal da palavra dado que cresci numa casa com 74 quartos alugados a estudantes.
    Estou de acordo com o que diz, embora talvez não o comentasse neste tom, aproveitava até para dizer que como habitante de Coimbra acho o cortejo da latada e da queima uma autentica viagem ao mundo da cerveja e outras bebidas e das pessoas que lá vão apenas respeito aquelas que sabem viver esses dias com a capacidade de apreciarem espiritualmente a vida académica ou seja sóbrios.
    deixaria aqui apenas uma frase que escrevi num outro blogue e que demonstra bem o que penso em relação ao que se passa na minha cidade.
    ” Pelo menos por Coimbra e pelo que vejo, beber até cair pode ser apenas um modo de integração na urgência e cantar na rua aos berros somos umas P…. tiroliroliro, algum tipo de integração no folclore.
    E penso que diz tudo.
    Saudações

  81. Bem, do que me tenho apercebido, não será bem assim… Mas como não é sítio para o discutir, adiante…
    Só a ideia de não poder andar de elevador às quintas-feiras (num edifício com 5 andares) porque suas excelências assim o desejam, basta para não alinhar nessa coisa da praxe. É de facto um excelente exercício de integração!! E tendo apenas isso em consideração, pode não ser humilhação, mas é uma falta de respeito para os novos alunos.

  82. Boa tarde,
    Já hoje comentei num blogue sobre praxes, mas penso que o seu texto reflecte mesmo como um espelho aquilo que eu tb penso.
    Comentei também a posição de um antigo Presidente da Associação Académica de Coimbra que se referiu ao que aconteceu no Meco, como sendo um acto ilicito e não Praxe, posição com a qual também estou 100% de acordo.
    Li algures também hoje que os códigos das praxes são muitas vezes copiados e alterados para se adaptarem melhor aos locais onde são cumpridos, o que também é verdade.
    Depois de ler o seu texto, deixo apenas uma afirmação, li em vários sitios que a praxe é um modo de integração e que qualquer caloiro se pode negar a fazer parte desses ” rituais”, assim sendo a minha pergunta é:
    Imaginem-se junto de 20 colegas todos num ritual de praxe e vocês recusam, o próprio facto de se encontrarem em grupo, é já, e só por si contrangedor tudo menos integrante, se ainda por cima disserem não a serem praxados, de imediato são coagidos perante os colegas e tratados de forma a serem discriminados e não integrados.
    Quanto á definição de humilhação concordo com o que aqui é escrito, cada um de nós tem a sua sensibilidade e uma definição diferente daquilo que para si é humilhação, atrever-me-ia até a dizer que em tudo isto existe um conceito de bullying disfarçado com outro nome nisso estou plenamente de acordo com Maecelo Rebelo de Sousa http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=3652752.
    Portanto respeitando todas as opiniões eu tenho exactamente a posição do autor deste Blogue.

  83. Cara Anna, acho que não precisei ser praxada (e fui) ou de praxar (não praxei) para perceber que os caloiros não fazem exactamente o que querem. Basta assistir, basta ouvir experiências de outros, basta estar atento, basta, no meu caso ainda, vê-los passar durante semanas e semanas a fio nas ruas da baixa de Lisboa , muitos deles com orelhas de burro e nomes escritos na cara não muito simpáticos e quase a prestarem vassalagem ao colega mais velho que está lá à frente a dar-lhes ordens. Esses, os que dizem não, são uma ínfima minoria e quando o fazem, provavelmente são ridicularizados junto dos mais velhos. Se isso não é coagir, então não sei o que é… Agora, se o que se passou no Meco está ligado a rituais académicos, praxe, ou o raio que o parta que lhe quiserem chamar, acho que já é suficientemente grave para que se pense no assunto de as eliminar ou, pelo menos, restringir aos recintos das faculdades. Já chega de ser “um caso isolado”, porque não é!

  84. pois, você recusaria se lhe dessem essa ordem. estes talvez nao tenham recusado. seja porque motivo tenha sido. não recusaram e aí está o problema. creio que já tivessem levado uma lavagem cerebral tão grande que diziam ja “sim” a tudo. e veja com mais atenção o jornal das 8 da TVI. todos os dias são eles que vão desenterrando mais provas, apresentando em televisão mais documentos que comprovam que eles assinaram um termos de responsabilidade em que dizia que assumiam inteiramente a responsabilidade de qualquer dano que acontecesse na praxe. não podem fazer isso porque a vida e dignidade humana nao são valores que se possam por num termo de responsabilidade como que a dizer que deixamos de abdicar dele! no relatório da tal copa como a TVI teve acesso vê se os emails trocados com nome de código, a conversa entre o actual dux e o Honóris dux de que havia uma dificuldade crescente em angariar mais alunos ja do 2, 3 e 4 anos para integrarem a comissão, que alguns dos próprios membros já enviavam relatórios ao dux que iam desistir da comissão porque não podiam continuar lá a ir por pressão, porque estavam fartos e diziam eles que tinham esgotamentos nervosos. encontra se tambem lá nesse dossier os documentos de relatórios destas cerimônias já feitas, em que foram para o Alentejo, para a serra da Arrábida deixados sem telemovel no meio do nada para descobrirem o caminho e as tais idas para Santarém onde começaram a ser testados e iniciados para ver se estavam a compreende ovalor da praxe e sim, diz lá mesmo ‘perguntamos lhes ( as pastranas) se se atiravam para a piscina se o dux e toda a comissão se atirasse, queríamos ver se elas obedeciam cegamente e não estavam inseguras ou reticentes em Acatar qualquer ordem que lhes fosse dada’ isto esta lá no relatório, não fui eu que inventei. e há mais destes excertos, basta que se informe e preste atenção as notícias. isto mão e praxe, nem aqui nem na china. independentemente de ser a favor outra a praxe e vendo todos os comentários aqui apresentados, sim pela atitude destes 7 alunos e pelo enorme respeito que demonstraram a ‘praxe’ (na verdadeira essência dos eu significado) por eles milhares de alunos vão pagar, porque acredito que se isto nao for abolido a nível nacional, a decisão ficará a cargo da reitoria e órgãos competentes responsáveis pela administração de cada faculdade.e Triste, mas podem agradecer a estes 6 estudantes e a sua atitude e ao próprio dux ter se chegado a este ponto

  85. Ricardo, leio diversas vezes o seu blog mas só agora resolvi comentar. Antes de qualquer outra coisa quero referir que fui praxada e que praxo. Sou aluna deslocada, vou a casa ao fim de semana, e só conhecia uma pessoa da faculdade quando me mudei. Lembro-me perfeitamente de alunos mais velhos nos abordarem e dizerem “dia x às y horas há uma reunião para falar da praxe, apareçam se quiserem”. Eu apareci na reunião maioritariamente por curiosidade, numa de “vou ver o que isto é”. Explicaram-nos em que consistia a praxe, que existia uma Comissão de Praxe que acompanhava os caloiros que vigiavam as praxes, ou seja, caso existissem abusos esses elementos acabavam logo com a praxe que nos era aplicada. Disseram-nos também para ler e passar a limpo o Código de Praxe, para sabermos como nos proteger e defender.
    No primeiro dia, tive a sorte de ser praxada por dois rapazes com quem criei amizade. Senti-me super à vontade com eles, brinquei, fizemos palhaçadas uns com os outros e o tempo passou a correr. Na praxe diverti-me, fiz amigos… Fizemos praxes solidárias (passávamos as tardes de quarta-feira num lar de idosos a ajudar no que fosse preciso e a conversar com os idosos que lá se encontravam), tínhamos “tardes agrárias” (estudo numa escola superior agrária) em que ajudávamos a tratar os animais e os terrenos da faculdade, etc.
    Não vou dizer que foi sempre “lindo e maravilhoso” porque não foi. Existiam algumas pessoas que me tiravam do sério, e das quais nunca gostei. Quando acabou a praxe percebi que essas pessoas não se relacionavam com ninguém. Só as víamos na praxe, de resto… Era como se não existissem.
    Tive sempre a hipótese de dizer “não”, e disse-o algumas vezes, quando sentia que alguma coisa ia contra os meus princípios. Nunca me senti mal por isso, nem implicaram comigo, só me perguntavam “e não faz porquê?” e face à minha resposta não me incomodavam mais.
    Tudo isto para dizer que não deve generalizar as coisas. Cada praxe é uma praxe e varia de faculdade para faculdade.

  86. Apenas referindo-me ao primeiro ponto, lamento que essa tenha sido a sua experiência. Eu fui praxada, sou praxante e na minha faculdade, talvez por ser muito pequena e com um único curso em Lisboa, isso nunca acontece. Sempre que um novo aluno (atenção que não é caloiro) entra na faculdade, apresentamos-nos e perguntamos o seu nome e este é convidado a juntar-se à praxe. Caso este recuse tentamos perceber os motivos e explicamos-lhe o que é a praxe naquela Instituição, se ainda assim ele recusar já nos conhece enquanto pessoas e nós a ele. Caso aceite apresentamos outras pessoas que lá estejam e este junta-se a um grupo de, agora sim, caloiros. Por ano entram 330 pessoas e muitas delas recusam a praxe mas nenhuma é forçada ou coagida a participar nem são excluídas. Eu, e muitos outros praxantes, temos grandes amigos não praxados do nosso ano e de outros e em momento algum eles foram postos de parte.
    A praxe não é essencial para a integração mas, para mim, foi um momento em que simplesmente me diverti, ainda assim acredito que haja pessoas que tenham tido experiências diferentes da minha.

  87. Pedro, desculpe-me, mas se há alguém aqui que parece o que os Media consideram um praxista é o senhor. Esse desprezo reles que usou para comentar o meu comentário foi no mínimo, ofensivo. Devia ler tudo, antes de me aconselhar a polir o meu discurso. Se não referi o nome da faculdade, foi em respeito aos meus colegas, que podem não gostar de expor a nossa praxe. Mas respeito é um conceito que desconhece. E não me parece que ao fim dos meus 6 anos de curso de mestrado integrado em Medicina vá precisar de um tacho.

  88. Vou fazer um comentário estúpido e desde já o assumo.

    Sabem o que me tira do sério? Adeptos parolos do Benfica. Dá-me a volta ao estômago levarem crianças de dois anos ao funeral do Eusébio, irem às três da tarde para o estádio quando o jogo começa às 21h, ver as claques a queimarem cachecóis de outros clubes, velhas desdentadas todas vestidas de encarnado and so on… Por mim acabava-se com os adeptos do Benfica porque não compreendo o que os faz serem tão bimbos que valha-me nossa Senhora.

    Os adeptos do Benfica que não se identificam com estas características se calhar pensaram ‘ahhh mas não se pode generalizar porque não são todos assim, eu vou ao estádio mas só há hora do jogo e a minha mãe é velha mas só leva o cachecol’.

    Pois, é tal e qual como a praxe, há gente normal e gente que me deixa parva, mas não vamos acabar com uma tradição que em muitos sítios é saudável só porque noutros há verdadeiras bestas a comandar a praxe. E acima de tudo, respeitem quem gosta, não há lavagens ao cérebro como muitos dizem, nem uma pessoa é menos inteligente porque se divertiu na praxe e leva boas memórias.

  89. Todos os anos perguntamos aos caloiros se querem ser praxados. Os que dizem não nós dizemos: tudo bem. Se quiserem acompanhar-nos estão à vontade. E quem quiser ir ao jantar de curso avise o veterano tal. Ninguém vai ser ignorado por não ser praxado.

    Este ano entrou um número considerável de caloiros de 17 anos. E o que é que a comissão de praxe fez? Número dos paizinhos por favor para pedirmos autorização.

    O problema aqui é a generalização.

  90. Concordo com o post e vou partilhar aqui também a minha experiência.
    Sou do porto e fui colocada na UP. Sempre tinha ouvido falar da praxe e tinha amigos mais velhos que me contavam das suas experiências, por isso quando entrei para a faculdade já tinha a ideia de que a praxe não era o tipo de coisa que me interessasse minimamente.
    A minha experiência só me veio confirmar isso mesmo.
    No primeiro dia em que puz os pés na faculdade, logo à saída da secretaria fui abordada por uma rapariga com um ar muitíssimo agressivo, que me diz de imediato, e sem qualquer apresentação ou cumprimento: “olha para o chão”. Eu continuei a olhá-la nos olhos, e ela repetiu a mesma frase 3 vezes, até que desistiu e me perguntou: “queres ser praxada?” ao que eu respondi, olhos nos olhos: Não.
    E é dos momentos de que mais me orgulho.
    Nos dias seguintes, de cada vez que passava pelos meus colegas, de chapéuzinho de infantário na cabeça, a olhar para o chão, e a repetir ladaínhas em latim, em práticas humilhantes e completamente submissos aos veteranos, cujo uníco mérito era terem mais matrículas, ficava absolutamente orgulhosa da minha decisão.
    Mesmo tendo dito desde início que não queria participar, sempre que saía das aulas lá estavam eles à porta, e tinha sempre que dizer que não queria, e passar pela barreira que criavam, e ouvir bocas como “assim não vais ter apontamentos bons” e “não vais ter boas notas”, que poderiam levar qualquer pessoa mais inocente a achar que não tinha outra hipótese a não ser participar.
    Provei o contrário, fiz amigos na faculdade, e fiquei nos 10% dos melhores alunos do meu curso.
    Desde logo incomoda-me a própria forma como se estabelece a hierarquia da praxe, baseada apenas na antigidade, em que o líder máximo é o dux, ou seja, um “senhor” que demora pelo menos 10 anos a fazer um curso…
    Não reconheço nenhuma autoridade a ninguém para me retirar a minha dignidade e acho lamentável que se incentive uma prática que apenas cria nos “caloiros” a ideia de que a sumissão a uma hierarquia sem critério é uma “lição de vida” e é a forma como devem encarar o mundo.
    Considero que a praxe, nos moldes em que é feita na maioria da universidades, é uma prática vergonhosa, com conotações fascistas e militaristas, e que só envergonha um país que se pretende civilizado.
    Passados 8 anos desde o meu ano de “caloira”, não me arrependo nada e continuo veementemente anti-praxe.

  91. Moderação é um conceito muito bonito para ambos os lados. Compreendo todos aqueles que tiveram más experiências e como tal não gostam da praxe. E acho que devem igualmente compreender todos aqueles que tal como eu foram praxados e gostaram. Quem não gosta das praxes, dos doutores e duxes tem uma boa solução: não seja praxado. Deixe a praxe para quem gosta, para quem sente o coração bater mais forte enquanto grita o hino da universidade e se lembra do quanto lhe custou lá chegar. De resto, afirmo que hoje em dia só é praxado quem quer! Em muitos deste comentários pode ler-se o exemplo de pessoas que não foram praxadas , que se declararam anti-praxes … nenhum dessas pessoas diz-se atormenta ou perseguida durante os tempos de universidade.
    Por fim, digo apenas isto… foi praxada e nunca desrespeitada, humilhada . Andei de cara pintada, roupa do avesso e com o nome do curso ao peito… Fui porque quis e fui feliz. Conheci novas pessoas, outros cursos, tradições que ainda hoje recordo com imensa saudades. Entendo e respeito todos/as aqueles a quem estas palavras nada dizem, que vão ler este texto e continuar a não concordar com as praxes…. Mas não concordo que queiram o fim das praxes, só porque não gostam delas.

  92. Joana, têm toda a razão em muito o que escreve, mas o que a/ o M. acabou de referir diz tudo, o preconceito, o nariz empinado e a forma como refere as terras pequenas faz de sim uma pessoa que representa muito bem as peneiras da cidade que é Coimbra! sei bem do que falo porque estudei lá e trabalho com empresas de lá..

  93. mas será que ninguém entende o que está em causa???
    n é se a praxe deve existir ou não!
    mas é sim haver limites para as praxes! ver o que faz ou não sentido, integrarem as pessoas de uma forma bonita e que se possam divertir TODOS! não é preciso haver essa coisa do eu quero posso e mando! isso não é nada! brinquem, mas sem humilhar as pessoas ou colocar em risco a vida, ou mesmo traumatizar!

  94. A praxe por muito proibida que seja será sempre feita! Ainda bem, já se perdeu muita coisa em Portugal, que não se perca a tradição académica também!

  95. Acho que cada um tem a sua opinião e eu também tenho a minha! Só queria alertar que sim há abusos na praxe mas a culpa não da tradição é de quem não a sabe valorizar e não a sobe apreender.

    Entristece-me quando percebo que enquanto veterana não transmiti o valor da praxe aos meus caloiros e que muitas vezes enquanto veteranos abusam, mas são uma minoria e essa minoria acaba por se desinteressar da praxe.

    Fui praxada e sim foi na praxe que conheci amigos de uma vida, e sim se não fosse praxada provavelmente também os conheceria mas o orgulho de vestir um traje não se explica! Os senhores podem achar ridículo como eu acho estranho não perceberem o que é a praxe mas acreditem há males bem maiores no mundo e todos os dias passam por eles e desprezam-nos como se não existissem…

  96. Cara Joana,
    concordo com o que diz sobre muitas coisas da vida académica de Coimbra. Se, inicialmente, aquilo parece bem porreiro e divertido, depois percebemos que há mais mundo para além da academia coimbrã.
    Não posso é concordar com as ideias preconceituosas que exprime acerca da rapaziada das “terriolas pequenas”, porque mais ‘pequeno’ do que alguns conimbricences é difícil… Como dizia o Eça “não há maior provincianismo, do que o provincianismo marialva da capital” (eu aproveito para adaptar para “provincianismo pacóvio de alguma Coimbra” que me parece estar tão bem representado no seu comentário).

  97. O pior é que a liberdade de escolha em “comer ou não esse bolo” não existe. Há que haver respeito por quem rejeita a praxe, mas a verdade é que quem o faz sofre as consequências e por vezes de forma bem violenta. De certeza que toda a gente sabe que levar com excrementos em cima não é agradável, ou é preciso experimentar para saber??

  98. Estudei na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL e felizmente a única praxe de que fui alvo foi ter a cara pintada. Havia na universidade na altura- não sei se ainda existe- um movimento anti-tradição académica que nos fazia sentir mais seguros na recusa da praxe, lembro-me que fui abordada por membros desse grupo no início do ano e que senti que ali sim, nunca seria obrigada a aceitar uma praxe que considerasse humilhante. Nunca andei trajada, nunca liguei minimamente a tradições académicas…a única coisa que me preocupei foi fazer o curso no tempo previsto e não gastar o dinheiro dos meus pais até aos 50 anos ( coisa que é muito comum no pessoal das tunas e muito amigo das ditas tradições académicas…) Mas fugindo desse meu preconceito, que o tenho e admito, acho as praxes uma tremenda estupidez, coisa de gente que não tem muito na cabecinha e que encontra na praxe uma forma de se sentir superior. Tal como o Ricardo, considero que a integração está longe se se fazer através de pauladas na cabeça, gritar que ” os caloiros são umas bestas”- cena que presenciei há uns anos em Coimbra- e outros mimos do género. Acho bem que se fale no assunto, e que de uma vez por todas se proíba este tipo de humilhações . Tradições destas não obrigada.

  99. Concordo contigo Ricardo!

    Apesar de não ser muito fundamentalista, penso que a realidade infelizmente confirma que as praxes são realmente um terreno fértil para comportamentos lamentáveis e passíveis de terem um desfecho trágico.

    A juventude tem que perceber de uma vez por todas que a universidade é acima de tudo um local de cultivo da inteligência e não de burrice e as praxes são muitas vezes um elogio à burrice colectiva.

    Especialmente pela perda geral de tempo que podia ser muito melhor empregue no estudo (a fim de evitar as enormas taxas de reprovação que existem nos primeiros anos do curso) e especialmente agora com o regime de Bolonha que ditou o desaparecimento de um ano de curso.

  100. Arrumadinho, é com muita pena que vejo a má generalização que por aqui se faz relativamente à praxe.

    Fui aluna da Universidade do Porto, fui praxada e praxei. Durante cinco anos. Sim, não são só os caloiros que são praxados. Não são só os veteranos que praxam, nem tão pouco só o Dux. Gostei e muito de ambas as experiências, vividas cada uma da sua forma tão específica. Na minha faculdade, nunca presenciei qualquer espécie de abuso, nunca se permitiu tal coisa. E é por assim ser que fico realmente decepcionada com a já referida generalização que aqui se faz, tanto mais que – se virmos bem – os incidentes que têm ocorrido no âmbito da praxe são, invariavelmente, das mesmas Faculdades/Academias/Universidades.

    O Arrumadinho apontou os ‘argumentos a favor da praxe’ para os rebater. No entanto, permita-me partilhar a minha experiência, por devemos falar daquilo que melhor conhecemos.

    1. Só é praxado quem quer. Não é verdade?! No primeiro dia que pus os pés na minha Faculdade, perguntaram-me se queria aderir à praxe. Da mesma maneira que eu confirmei, houve gente que disse que não. E não havia qualquer ambiente hostil, de todo. Houve respeito pela posição de cada um.

    2. A praxe é a forma de os caloiros se integrarem. Pode não ser A forma, mas é uma das formas. Enquanto caloira, foi organizado uma espécie de passeio pela cidade do Porto, no sentido de dar a cidade a conhecer àqueles que vinham de fora; eram feitos diversos jogos em grupo de interajuda, interconhecimento e promoção de confiança. Foi graças a actividades deste género que se soltaram muitas gargalhadas, se conheceram mais e melhor algumas pessoas e se criaram laços de amizade que perduram. Entre caloiros. Entre caloiros e ‘doutores’. Aqueles que referia anteriormente que tomaram a decisão de não aderir à praxe, acabaram por não participar nesta confraternização. Se os impediu de integrar? Não, não impediu. Mas, com toda a certeza, fez com que não conhecessem tanta gente.

    3. Isso não é praxe, isso são abusos. E são, sem qualquer dúvida. A praxe é suposto se fazer de brincadeiras, de momentos que proporcionam boas memórias. Que nos fazem rir, quando olhamos para trás. Ou chorar, de nostalgia. Enquanto fui praxada, sempre me diverti. Nunca me senti pressionada para fazer o que quer que fosse contra a minha vontade. Nunca estive em perigo. Nunca tive uma má experiência. E procurei fazer o mesmo quando passei para o outro lado, quando praxei. A praxe não é feita de humilhação, de hostilidade, de exageros, de ultrapassagem de limites…

    4. A praxe é tradição. E é por assim ser que tenho muita pena de toda esta mediatização negativa daquilo que envolve a praxe, tanto mais que – tal como já referi – se tratam de argumentos erroneamente generalizados. Considero que, tal como em todos os ‘mundos’, há boas e más pessoas, boas e más intenções que, invariavelmente, se repercutem nas atitudes tomadas. No entanto, não me parece de todo ser correcto entrarmos na lógica do ‘pagar o justo pelo pecador’.

    Ilegalizar a praxe, para mim, não faz qualquer sentido. Assim como não faz qualquer sentido demonizar a praxe por aquilo que aconteceu no Meco. Sem dúvida que foi uma tragédia. Uma tragédia que abala toda a gente, mesmo que distantes das vítimas. Porém, tal como já li em alguns comentários, questiono-me se esta mediatização aconteceria se a referida tragédia tivesse acontecido com um grupo de escuteiros, de jovens que resolveram ir para a praia, de qualquer outra actividade….

  101. Leia bem o seu comentário e repense a sua postura perante a opinião das outras pessoas. Por haver quem goste de praxe não significa que é fraco de personalidade. Na minha praxe há um ano, conhecemos a cidade, alertaram-nos para os sitios mais inseguros, houve um dia em que apanhamos lixo que estava nos passeios (para fazer alguns alunos perceberem a importância de proteger a nossa nova cidade), e uma série de joguinhos tradicionais, etc.
    Ninguém é fraco de espírito por ter tido uma boa experiência. E dizer que pessoas assim não sabem nada sobre a vida… Enfim são moralismos que não sei se me fazem rir ou chorar… Parabéns a si por ser tão mais do que os outros e por ter uma personalidade tão forte que nem aceita a dos outros. Ridículo o seu comentário. O Arrumadinho devia realmente seleccionar os comentários. O seu comentário foi insultuoso e desagradável. Em comparação com a praxe a que me submeti, você é mais desagradável 🙂
    Beijinhos de uma simples criança que nada sabe sobre a vida porque não tem a inteligência de se afastar dessa atrocidade que mata pessoas inocentes: a terrível Praxe.

    PS. Querem aumentar as propinas: Discutam antes isso que isso realmente preocupa as pessoas no geral.. De uma forma unanime na verdade.

  102. bem escrito sim senhor 😀 Abaixo as praxes e é já……devem ser punidos, estes gajos com mania que podem fazer tudo aos caloiros……

  103. “Sou praxista na UP (não vou referia a faculdade por respeito à instituição, e à minha casa, que com orgulho, represento) “

    Este comentário começa logo com a bela da incoerência. Então se o que vem relatar é uma alegada boa experiência de praxe e que vem distanciar a sua instituição de outras praxes, essas sim, consideradas abusivas, em que é que o identificar a faculdade fere o respeito à instituição? Este é o típico discurso dos praxistas que se tentam encher de lérias e fazer discursos muito complicados e intrincados e com o seu “magnífico” poder de argumentação liderar as massas de jovens caloiros, mas que tudo espremido dá 0. Tentam falar como os que vêem na televisão e só dá porcaria. Jovem, vai lendo mais uns livritos, pedindo uns conselhos ao Dux e inscreve-te numa jota qualquer, que quando acabares o curso podes ter não só um tacho à tua espera, como a capacidade para produzir um discurso mais polido.

  104. “a grande maioria de terreolas pequenas que parece ter aproveitado a oportunidade de estar nessa urbe gigante que é Coimbra (lol)”

    Não sei se perceberam a ironia desta parte do meu comentário, mas eu, sendo de Coimbra, estou longe de achar que é uma cidade superior ou de “ter a mania” por ter vivido lá (já não vivo, actualmente). Precisamente por ser de lá e por conhecer outras cidades e ter uma visão maior do mundo do que apenas o sítio onde nasci, é que acho ridículo tanta gente que vem de fora, das tais terreolas, achar que Coimbra e a sua “maravilhosa” vida universitária são o epicentro do mundo. Na grande maioria das vezes, quem vem de fora é que enche Coimbra de grandezas que a cidade não tem. E fica maravilhado com a praxe e a vida académica que, quem já lá vive aos anos, já conhece de gingeira e à qual não dá tanta importância. A título de exemplo, contam-se pelos dedos de uma mão as pessoas de Coimbra que conheço (que foram meus colegas na escola, ou na universidade) que ainda lá estão hoje em dia… quase todos nós tivemos interesse em sair de lá mal terminámos o curso (ou ainda antes), viver e trabalhar noutras cidades em Portugal e no estrangeiro.

    Os tais outros das terreolas, estão lá todos, a trabalhar nos tais botecos da Baixa e a fazer a mesma vida que faziam quando eu os conheci há 8 anos, quando éramos todos caloiros da Universidade 🙂 São essas as pessoas que já deviam ter evoluído para outra fase das suas vidas, mas ainda se fartam de repetir aqueles chavões tipo “momentos que passam, saudades que ficam” e de dar importância a uma série de niquices que só importam para quem nunca saiu daquele mundinho. Por isso, quem atribui essa alegada superioridade a Coimbra estão longe de ser os próprios conimbricenses (eu jamais me vejo a morar lá de novo, por exemplo), mas sim quem parece que só descobriu uma vida quando lá chegou para começar a Universidade.

  105. Portanto, o Ricardo diz que NEM TODOS estão no mesmo pé para dizer “não”, e em muitos casos o que há na verdade é uma relação extremamente desigual que visa coagir as pessoas a deixarem-se andar e não levantar ondas, e a sua resposta é que conhece ALGUNS que não quiseram e não foram praxados, e portanto só é praxado quem quer?

    E depois os outros é que generalizam..

  106. A partir do momento que miúdos vão para cidades diferentes, onde não conhecem ninguém, não conhecem a cidade, devia haver vários métodos de integração.
    Bem sei que as universidades não têm propriamente fundos para organizar um comité de boas vindas. Mas a praxe não devia ser a principal opção. Porque na praxe há sempre alguém que é superior, que tem mais poder. E poder sobre os mais fracos, que é o pior.
    Organizar visitas à cidade, organizar festas de boas vindas pelos alunos mais velhso, tudo bem.
    Agora não me venham com coisas, que os doutores estão “muito preocupados com o a integração dos caloiros”. Querem é armarem-se em superiores. E se disserem que não, provem o contrário. Não praxem, dêem as boas vindas, organizem coisas giras. Não exerçam o vosso “poder” sobre os outros.

  107. Pois é caro anónimo, deves ser de tão fraco(a) de personalidade que qualquer lavagem cerebral que te façam é suficiente para acreditares e baixares a cabecinha a tudo o que te mandam ou dizem.
    Se te dissessem para ires para o Meco, à noite claro que também te chegarias à frente para ir, não é?! Pois, então lembra-te daqueles que morreram por isso. Por isso e provavelmente por muito mais…
    Vocês são uns inconscientes! Não sabem nada da vida! Não é a brincarem aos estudantes que vão aprender alguma coisa da vida, quem sabe o que é a vida e também o quanto custa são os vossos pais, que fazem tremendos sacrifícios para vos darem uma vida integra, esses sim sabem o quanto custa viver! Vocês, não passam de meninos mimados e sem qualquer noção.
    Toma lá juizinho, sim?!
    Ricardo, totalmente de acordo com você. Um bem-haja!

  108. Concordo contigo em tudo o que dizes. Mas acho que não é bom generalizar, especialmente no que diz respeito ao dizer “não”. Cada pessoa é diferente, tanto o caloiro como o “doutor” e cada pessoa responde de forma diferente às situações.

    Nunca fui praxada dentro do âmbito académico. No entanto, pertenço a uma tuna (não académica) e fui e continuo a ser praxada dentro da tuna. E nunca, uma única vez, tive algum problema em dizer que não a alguma tarefa que me parecesse mais descabida, bem como também nunca tive problemas com ninguém quando tenho que dizer “bom, tenho que ir embora, gente. Até amanhã”. Levanto-me, pego nas minhas coisas e vou embora, porque quem me está a praxar tem noção de que eu sou um indivíduo com vida pessoal, que tem vida para lá da tuna e da praxe e que há momentos em que não nos é possível ficar até ao fim da praxe.
    E digo isto em relação a mim, bem como aos meus colegas caloiros. Nunca nenhum de nós foi impedido de abandonar a praxe em momento algum.
    E isto decorre do tipo de pessoas que somos e do tipo de pessoas que nos praxam.

    E é por isso que eu acho que é possível dizer que não. Tudo tem a ver com as pessoas e com o meio em que a praxe decorre. Por isso acho que não se deve generalizar.

    Outro dos pontos em que concordo contigo é no que diz respeito à integração. Ando da FLUP, não aderi à praxe, mas todos os amigos que fiz estão/estiveram na praxe do meu curso. Ou seja, tive uma integração bastante boa, fiz amigos que andam na praxe, fiz amigos que andavam na praxe e eventualmente desistiram e fiz amigos, que tal como eu, nunca chegaram a aderir à praxe.

    Por outro lado, penso que hoje em dia as praxes não são tão “violentas”, como aquelas que tens em mente, de há 15 e 10 anos atrás.
    Obviamente que, uma vez mais, tudo tem a ver com o meio em que se desenrolam as coisas. Mesmo assim, sou da opinião que as coisas evoluem, não necessariamente para pior.

  109. Boa tarde, e antes de tudo, parabéns pelo blog 🙂

    Respeito o seu post na medida em que se baseia nas suas vivências pessoais e não nos media que urgem em deturpar todo e qualquer assunto.
    Dito isto, discordo da sua opinião. Sou praxista na UP (não vou referia a faculdade por respeito à instituição, e à minha casa, que com orgulho, represento) e não me revejo em todas as situações que referiu. Ninguém nos espalha mistelas na cabeça, nem tão pouco somos todos pintados, ainda que eu ache que esse é, de longe, o menor dos problemas. Não vou classificar a minha praxe de perfeita, nem ideal, porque está longe de o ser.
    Quem não quer, na minha faculdade, não faz praxe, e garanto-vos, não é marginalizado. As festas organizadas são para todos, e os não praxistas estão completamente integrados. A única coisa que pode acontecer é os alunos mais velhos andarem atrás dos mais novos para eles entrarem para a praxe, mas tudo é levado com calma e descontração sem nenhuma violência.
    Posso acrescentar ainda que na minha praxe já participei em atividades engraçadas e bem planeadas, já tive momentos muito divertidos (uma autêntica comédia), e momentos mais sérios e comoventes, que acho que nunca vou esquecer. Também tive momentos de exercício físico intenso, diga-se, flexões e tudo quanto exista das 8 às 8, mas esses, para ser sincera, já mal me lembro de tão irrelevantes na minha vida que foram (apesar do cansaço e de acordar “toda partida”). Afirmo também que a nossa praxe nos uniu enquanto caloiros, mas não fez milagres. Há Pessoas e pessoas. E acho que basta para me fazer entender.
    Assim como há Pessoas e pessoas entre os caloiros, também as há entre alunos mais velhos (“doutores”), e devido a estas últimas, a minha praxe nem sempre foi bem conduzida. Já passei por situações que, no meu ponto de vista ( e sublinho), foram bastante humilhantes e vergonhosas. Foi em praxe que me senti, pela primeira vez na minha vida, mal tratada, agredida (psicologicamente), humilhada e sozinha. Se isto me prepara para a vida? Não, não prepara para vida nenhuma, pelo menos para a vida que eu quero levar. Não vou deixar que ninguém me humilhe da forma que me senti humilhada em praxe, e acho que até a esta fase, não teria permitido esta situação. Refiro mais uma vez que esta é a minha perspetiva, dado que alguns dos meus colegas não consideram estas situações minimamente ofensivas (ou não revelam).
    Apesar de tudo isto, sou a favor da praxe, apenas porque nela vivi uma imensidade de bons momentos, que nunca vou esquecer, e que apagam os maus. Ou melhor, não apagam, mas eu tento que apaguem, e é a eles que me agarro. Isto tudo porque recuso-me a deixar que uns quantos “doutores” armados em grandes, frustados da vida, deturpem a minha imagem daquilo que eu considero ser uma bonita tradição, ao contrário da matança dos touros. A praxe tem sentido, e é verdadeiramente divertida e engraçada, é uma experiência única, e penso que é por isso que atrai milhares de jovens universitários por todo o país. Cantar o nome da minha faculdade, gritar por ele pelas ruas do Porto, com o maior orgulho pela minha casa, são momentos que nunca vou esquecer, e com grande saudade que os lembro.
    Já vi praxes piores do que a minha, já vi melhores, como muitas de Coimbra, em que o ambiente entre “doutores” e caloiros é fantástico (ao contrário da minha).
    O meu pedido é para que não se deixem influenciar pela maçã podre. A praxe pode ser a desculpa para as pessoas más serem más, e as frustadas descarregarem nas outras, mas não é a única. Quem me dera que não se chamassem literatura a muitos dos livros que lançam hoje em dia, mas não há nada que eu possa fazer. Quem me dera que não se chamasse praxe a muitos dos rituais idiotas que se fazem nas universidades, mas não há nada que eu possa fazer. (a analogia pode ter parecido algo descontextualizada).
    Dito isto, espero que se saiba a verdade sobre a tragédia no meco (ainda que eu ache que tudo aconteceu em situação de praxe), pois é com muito pesar que vejo toda esta situação. Espero também que toda esta polémica abra os olhos a alguns “doutores” mais “engraçadinhos” para que um dia se possa deixar de associar humilhação a praxe.

  110. Triste é ter a mania que por viver em Coimbra é superior! Estudei em Coimbra era magricela, não era feia, não era a miúda mais gira do curso, a Joana era? não era frustrada nem sou, fui praxada e vivi anos muito bons na cidade dos sonhos! as miúdas mais giras do meu curso praxaram e foram praxadas, fomos estudantes ” normais” felizes e sem abusos! O que menos gostei em Coimbra era a vaidade dos Conimbricenses e de alguns cursos tidos como melhores que os outros, nomeadamente direito…Vê-se que está tudo igual!
    ah já agora tenho um emprego que adoro e vou a lisboa e ao estrangeiro com regularidade! faz de mim uma pessoa melhor que as outras?

  111. Gostaria só de reforçar que é possível uma pessoa declarar-se anti-praxe logo no inicio do ano, não sendo, dessa forma, obrigada a dizer que não e a entrar em
    confrontos sempre que não quer fazer algo, nem a passar por tudo o que descreves. Essa declaração de ‘anti-praxe’ não é alvo de gritos nem intimidações e a pessoa é ‘deixada em paz’ no que diz respeito a qualquer tradição académica. Não estou a dizer que estás errado, só estou a dizer que sim, só é praxado quem quer, pois conheços alguns anti-praxes que não quiseram, não foram e conseguiram acabar os seus cursos como os que quiseram e foram e como os que não sabem o que querem e fazem o que os outros fazem.

  112. Começo a achar que a minha praxe foi uma grande excepção….Tive uma óptima experiência com a praxe. Jamais me senti humilhada, e fez-me conhecer pessoas fantasticas, tanto veteranos, como caloiros. A minha praxe era feita á base de jogos tradicionais, peddy papers pela cidade, para nos dar a conhecer os pontos mais importantes da cidade que nos acolhia, canções em que gozávamos com os outros cursos, e canções que enalteciam o nosso curso, para além de petiscadas em casa dos veteranos. Ainda existe em alguns lados, o bom conceito de praxe, em que de facto nos faz sentir integrados. A minha, deixou muitas saudades…

  113. A minha maior crítica não se prendeu com o facto de você concordar, ou não, com a praxe. Há quem goste e tenha os seus motivos para gostar, e há quem não goste e certamente também terá a sua explicação. O que incomoda é, efectivamente, o modo como vocês tendem a meter todo o tipo de praxe e todo o tipo de praxantes no mesmo saco, quando isso não se verifica na realidade. A praxe em nada tem a ver com o sucesso escolar, por isso não tente criar o estereótipo de que quem praxa não passa de um burro, porque isso é completamente descabido. Eu vivo a praxe, vivo a vida académica mas não é por isso que deixo de ter uma vida à parte da universidade.
    Responder ao meu comentário com um “ah que tal, até me fez rir” sem sequer tentar sedimentar os seus argumentos… enfim!

  114. Comeu o bolo, mas nem toda a gente come o mesmo bolo! Não se pode generalizar. Assim como os bolos, as praxes não são todas iguais!

  115. Bem, no Porto, pelo menos na Faculdade de Medicina, que é a que eu frequento e por isso conheço, esse tipo de mistelas também não acontecem, ainda que eu pense que essa é a parte menos humilhante da praxe, e sem dúvida o menor problema que esta representa

  116. Não me vou pronunciar muito sobre os factores positivos da praxe pois quem a viveu e viveu bem, sabe-o muito bem e há muito pouca gente fora da praxe que quer de facto perceber a experiência. Posto isto, acredite Arrumadinho, que tenho mesmo muita pena da praxe que viveu. Dava tudo para voltar a viver aquele meu ano de caloira.
    Aproveito para dizer que sou da Lusófona e que a minha praxe não faz parte do núcleo onde pertenciam os jovens do meco.

  117. Há um certo tipo de pessoas dentro dos estudantes universitários que parece crer piamente que aqueles são “os melhores anos das suas vidas” e levar demasiado a sério o que é tirar um curso, praxar, viver a vida académica. É só mais uma fase, amigos. Passa como qualquer outra e não é assim “such a big deal”. Depois tornam-se nesses deprimentes que a Joana refere, que têm 30 anos e ainda vibram com a Queima das Fitas e nunca saíram da terrinha de onde estudaram, onde ganham 500€ num estágio do IEFP e vivem (ainda) à mama dos pais. Que tristes.

  118. Mas ainda não perceberam que a tragédia do Meco nada teve a ver com praxes? Que este caso é pura e simplesmente uma extrapolação do que aconteceu para uma polémica para a comunicação social ter algo sobre que falar? Se os alunos tivessem morrido porque estavam a fazer jogging de madrugada, o país inteiro também estaria todo em alvoroço porque “os jovens andam iludidos com o jogging e não se apercebem que faz mal à saúde”?
    Aliás, e mesmo que tenha sido praxe, se alguém me dissesse às 3 da manhã “epá, o mar ta mesmo perigoso, manda-te lá para dentro”, alguém adivinha o que eu faria? Não, não me ia atirar para dentro do mar só porque algum triste me mandou.

  119. Subscrevo! Fiz Erasmus e acho que me diverti mais nesse ano (e fiz mais amigos e vivi mais a vida académica) que nos outros 4 que passei em Coimbra 🙂 havia muito mais gente diferente (de várias nacionalidades, mas também com opiniões diferentes e maneiras diferentes de viver a vida), muito mais coisas a acontecer (eventos ligados à Faculdade, coisas em que os alunos participavam)… conheci ali logo nos primeiros dias pessoas espectaculares com quem partilhei experiências o ano inteiro. Acho que o “sentir-me desintegrada” só durou um dia, o primeiro do curso de apresentação, em que toda a gente ainda estava um pouco tímida para falar uns com os outros. A partir daí foi cada dia melhor que o outro! Senti-me muito mais integrada lá, que em Coimbra, onde o conceito de diversão e vida académica parece passar por praxar, ir aos mesmos eventos que são iguais todos os anos e que vês uma vez e está visto para sempre (serenata, cortejo, noites do parque), beber até caír, fazer jantares em que pagas 7€ por uma grelhada mista recessa e um vinho carrascão e onde todos os participantes, ao fim de meia hora, estão a vomitar-se nas monumentais. A maioria das pessoas com quem me cruzei lá eram tão este estereótipo e tão, mas tão desinteressantes (não conseguiam ter uma conversa minimamente elaborada sobre qualquer coisa além disto). A sorte é que a cidade tem imensos estudantes e no meio desta corja ainda se encontram alguns fixes, por isso também não foi difícil fazer amigos… mas tive de procurar MUITO MAIS que no meu ano de Erasmus 🙂

  120. Eu, de Lisboa, numa universidade com pouca “tradição” (desta tradição), tive muito pouquinhos dias de praxe, mas lembro-me, miúda, daquele frio na barriga, misto de terror e antecipação, nos dias em que os veteranos nos vinham buscar à sala.

    Do meu ano ficou para sempre a história da menina que teve de andar a comer Bollycao de joelhos da braguilha dos veteranos. Já passou quase uma década e ainda ninguém se esqueceu disso. Estas coisas ficam, como uma mancha nas nossas costas.

    Uns anos depois, a minha irmã seguiu-me as pisadas e foi para a mesma faculdade e mesmo curso. Felizmente um reitor decente tinha posto fim àquela parvoice e das praxes já só restavam as festas do caloiro e o rally tascas. A melhor parte, digamos.

  121. Subscrevo todos os posts do Arrumadinho sobre este assunto e revejo-me em muitas situações de praxe nas quais estive sem querer estar.
    Era livre para dizer que não, mas sendo uma miúda de 18 anos na altura face a um grupo de rapazes na sua maioria, muita mais velhos que eu, isso não se traduzia em grande coisa…
    Tive a sorte de conseguir entrar na minha 1ª opção, na minha cidade, e por isso tinha à minha volta muitas pessoas que já conhecia e com as quais podia estar, sem ter de me sujeitar a fazer de Tartaruga Aflita (ficar deitada de costas no chão a espernear e esbracejar).
    Mudei de curso no meu 2º ano na universidade, não fui praxada e ainda assim integrei-me com as pessoas com quem me identificava e a minha melhor amiga conhecia-a neste segundo ano…
    Até acredito que haja por aí muita gente que tenha tido experiencias inesquecíveis na praxe, mas a verdade é que conheço muitas pessoas que foram apenas humilhadas e que guardam desses tempos apenas más memorias (incluo-me aqui)…
    Se a praxe fosse apenas esse lado bom que tantos apregoam e se o lado mau fosse uma minoria talvez não estivesse este assunto tantas vezes na ordem do dia!

    Parabéns pelo Blog 🙂

  122. Ou numa qualquer faculdade da Universidade de Coimbra. Faculdade, não Escola Superior. Na UC essas coisas das mistelas na cabeça e de nadar em lama nunca mas nunca acontecem, simplesmente porque são proibidas pelo código da praxe da UC.

  123. O seu comentário é completamente despropositado, mas não pude deixar de me rir bastante com ele. Também conheci umas tantas personagens como as que descreve.

  124. Uau, que comentário mais estereotipado!
    Fique sabendo, cara Joana, que fui praxada e actualmente praxo. Estou no último ano de licenciatura num curso da UTAD, vim de uma terreola para uma cidade e nunca senti necessidade de me afirmar numa zona urbana (enfim, os citadinos haverão sempre de ter esta mania da superioridade…). Não são gorda e sinceramente não me considero feia e mesmo assim não deixei de praticar a praxe, porque esta não se trata de humilhar ou me superiorizar em relação aos caloiros. Praxo os meus caloiros com toda a dignidade e eles sabem que aquilo que fazemos com eles não passa de brincadeiras, tradições e nunca pusemos de parte ninguém que se recusasse a ser praxado. Obviamente que os anti-praxe, como nós os chamamos, não convivem tanto connosco, mas não é por isso que são marginalizados ou postos de parte. Curiosamente, tivemos alunos do primeiro ano que, no início disseram que não queria ser praxados e agora pedem-nos para ser integrados na praxe (and guess what? We said yes!!).
    Ah… e antes que me esqueça, também eu vou terminar o curso no tempo devido (tal como os meus colegas) e com uma média bastante boa. Portanto, para a próxima vez que quiser falar da praxe, pelo menos não fale do que não sabe e não meta toda a gente no mesmo saco. Porque até me dói a alma pensar que são estes os advogados que o nosso país anda a formar e que você andou 4 anos (mais mestrado!!) a estudar Direito e não consegue analisar cada caso como um caso, acabando por categorizar todos os praxantes como feios, gordos, burros e com vozes estridentes. Enfim, para a próxima vez que queira falar pelo menos exponha argumentos sérios. Compreendo que haja gente que não goste da praxe, ou que acha que são abusivos. No entanto, não compreendo a sua pobre explicação, que apenas advoga que quem praxa não passa de um bully que nunca foi nada na vida.

  125. Eu percebo muito bem porque tem essa opinião sobre a praxe, sendo que a sua referência são universidades como a UTAD e a UBI. Eu sou do concelho da Covilhã e conheço muito bem as situações que relatou, são praxes duras fisica e psicologicamente. Mas felizmente eu acho que esse tipo de praxes são excepções e não regra, esse tipo de praxes tendem a existir em cidades pequenas onde a época de recepção ao caloiro é mais extensa e é muito mais fácil controlar onde moram os caloiros e os locais de convívio são sempre os mesmos. Para mim a tagédia do meco foi um lamentável acidente que poderia ter acontecido sem estar associado a qualquer tipo de praxe. Sendo que aconteceu fora da época de praxe normal e não estão em causa caloiros de 17/18 anos mas sim veteranos de 21/23 anos. Acho que algo tão bonito como a praxe não deve acabar, eu fui praxada e praxei e recordo com saudade aqueles dias.

  126. Epa…totalmente de acordo. Já se sabe que paga o justo pelo pecador, mas tem mesmo que ser. Senão, até quando veremos atrocidades como estas continuarem a acontecer? É que, acho que algumas pessoas se esquecem…isto não é um caso isolado, é antes, mais um. Quanto ao rapaz do Meco, é mesmo bom que fale, seja ele em discurso directo, seja através de um psicólogo, seja através de um advogado, seja através de quem quiser. Mas não pode, simplesmente não pode, deixar na dúvida os pais dos outros que lá ficaram. E, se respeita tanto as praxes e o que elas significam, então que esclareça que o que aconteceu nada teve que ver com rituais académicos. Senão é que a proibição da praxe vai mesmo àvante.

  127. Subscrevo tudo o que escreveu.
    Há 4 anos atrás passei por esta situação, só aguentei 1 semana de praxe e não consegui ir a semana completa… A praxe não ajuda a integrar, porque passar a noite de 4, ou de joelhos, de cabeça baixa porque não se pode olhar para os “doutores” e nem falar para o lado, não ajuda na integração de ninguém.
    A minha melhor amiga conheci-a nas aulas, porque nas praxes nem podíamos falar uns para os outros.
    Que existem praxes e praxes?! Sim, existem…até na mesma faculdade existem praxes distintas consoante a escola, mas para acabar com as más praxes praticados por uns, vão ter de pagar todos… é a vida!

  128. O argumento “só vai à praxe quem quer” tira-me do sério!
    Quem praxa e foi praxado sabe perfeitamente que não é assim tão simples dizer “não”, seja caloiro ou doutor. Portanto dizer que só é praxado quem quer é uma forma muito simplista e fácil de fugir à realidade.

  129. Em Setembro vim estudar para Inglaterra. Aqui não existem praxes e não é por isso que não há integração dos alunos.
    Como sou estudante internacional fiz parte de uma série de actividades e sessões de esclarecimento acerca do funcionamento da universidade e de questões culturais. Durante duas semana houve alunos, devidamente identificados, a quem me poderia dirigir para pedir ajuda. Esses alunos são do mais simpático que existe. Há um esforço enorme por parte deles para que os freshers ” não se sintam sozinhos. Mas não há cá actividades de andar pintados, sujos, mascarados, amarrados uns aos outros. Nunca vi nenhuma actividade que levasse algum aluno a sentir-se humilhado.
    A associação de estudantes e o comité de suporte ao aluno estrangeiro, organizam vários eventos – diurnos e nocturnos – para que os novos alunos se conheçam e conheçam os mais velhos.
    Já fui a jantares, almoços, viagens, festas…ui, mas quantas festas! Tenho amigos Chineses, Alemães, Espanhóis, Franceses e claro, Ingleses.
    Há um esforço muito grande por parte de toda a comunidade escolar em integrar os novos alunos. E a integração não é deixada apenas para os alunos que já estão cá há mais tempo. Professores e pessoal não-docente colaboram também.
    E acho que é isso que está a fazer falta em Portugal: que seja toda a comunidade escolar a fazer parte da integração e não apenas os alunos que pertencem à associação de estudantes ou ao comité de praxe. Os professores e todos os funcionários devem fazer parte da organização e aplicação de actividades. É necessário que existam sessões de esclarecimento aos novos alunos acerca do funcionamento das universidades e não há ninguém melhor para o fazer que não as pessoas que trabalham nesses serviços. E depois os alunos mais antigos podem fazer actividades, que integrem e nas quais as pessoas participem por vontade própria e não por medo (que é o que acontece na maior parte dos casos nas praxes em Portugal).
    Em vez de exigirem a participação na praxe, convidem! Será mais saudável e todos ficarão mais felizes.

  130. Este comentário não tem sentido nenhum depois deste post. O Arrumadinho fala por experiência própria, fala de situações que aconteceram com ele, logo ele “comeu o bolo”.

  131. Olá Ricardo.

    Começo por dizer que sou a favor da praxe, nem vou explicar porquê, porque ninguém parece perceber.
    Queria só dizer uma coisa. Na academia onde estudei, e quando pertenci á Comissão de Praxe do meu ano, aconteceu um fenómeno muito interessante e para o qual não ano estávamos preparados: um pequeno grupo de caloiros decidiu que queria ser anti-praxe. Até aqui tudo bem. Nada contra e ate fomos bastante compreensivos com eles e ninguém lhes berrou porque queriam ser anti-praxe. Estavam no direito deles. O que nós não estávamos á espera era que depois de se tornarem anti-praxe, esses mesmos caloiros marginalizarem, os colegas que aderiram á praxe. Ninguem lhes fez nada, todos continuavam a falar com eles na mesma, mas esses anti-praxe sim, eram mal educados e pensavam que tinham o rei na barriga. Achavam-se no direito de insultar os colegas aderentes é praxe, apenas porque se assumiam melhores do que quem ia á praxe e ás actividades que durante semanas preparamos para eles.

    Engana-se quem pensa que os caloiros que nao aderem á praxe, são uns coitadinhos oprimidos. Isto há de tudo.

  132. Concordo 100% com o seu ponto de vista.

    Atirar crianças, vestidas com peles de cordeiros, a leões esfomeados também já foi uma tradição. E hoje, continuamos a fazer isso em nome da tradição? Não me parece…

  133. Fui praxada e para o ano espero praxar. Não concordo com nada do que disse. A verdade é que a praxe me fez crescer, deu me a conhecer amigos para a vida, tanto caloiros como Doutores.
    Ligo a televisão e falam sobre praxe. A toda a hora. E não se restringem a falar do que aconteceu no Meco… insistem em nomear todas as praxes em que algo de mal aconteceu. TODAS.
    No meu ano de caloira, recolhemos latas e entregamos uma cadeira de rodas a um miúdo. Tivemos uma praxe natalícia onde recolhemos alimentos e dinheiro para a cruz vermelha. E é só um exemplo de um curso de uma universidade. Estou certa que há muitas mais deste género pelas universidades deste país. Mas isso não sai nos jornais, não aparece na televisão.
    Bonito mesmo, é falar na generalidade e criticar toda a praxe, por algumas pessoas não terem consciência.

  134. O que eu não percebo é… se a praxe é assim tão horrorosa porque é que a maior parte das pessoas adoraram ser caloiros? eu adorei ser praxada.

    devo ter alguma coisa recalcada, eu e 85% das pessoas do meu ano…lol

  135. Exactamente, concordo com o que disse!

    Eu não quis ser praxada, mas não houve grandes cerimónia quanto a isso por parte dos veteranos! Apesar disso, fiz amigos e bons, fui a jantares, não me senti deslocada, talvez no início , mas posteriormente com trabalhos de grupo etc integrei-me bem! Agora, que devem haver cursos onde é completamente o inverso acredito que sim! 🙁 e tenho pena!

  136. Sobre a praxe: estudei Direito, em Coimbra e já vivia nessa cidade antes de entrar para o curso, por isso já estava familiarizada com as tradições académicas. Nunca me apelaram minimamente, nem nunca “sonhei em andar trajada” (como ouvi muita gente a dizer), por isso já tinha como mais ou menos certo que não iria participar na praxe ou sequer usar o traje quando entrasse para a Faculdade. Entrei e, nos primeiros tempos, ainda participei em algumas “praxes”, do género, na primeira semana, no final das aulas, ir com os meus colegas e os “doutores” e ir a alguns jantares de curso. Acho que essa minha “integração” durou para aí o primeiro mês, porque rapidamente me apercebi que aquilo era de uma frustradice tal, à qual eu não queria pertencer. Basicamente, as pessoas dividem-se em duas categorias: a dos “doutores” (a maioria do 2o ano, mas ainda com cadeiras do 1o para fazer, por isso até tínhamos aulas com eles), pessoal altamente frustrado, a grande maioria de terreolas pequenas que parece ter aproveitado a oportunidade de estar nessa urbe gigante que é Coimbra (lol) para se afirmarem. Na sua grande maioria raparigas, feias e gordas, de voz estridente, que parecem conseguir naqueles momentos a única oportunidade da vida de mandarem em alguém e serem “boas” nalguma coisa. Do outro lado, os caloiros, esses frustrados em potência, que também vêm das terreolas, não conhecem ninguém, pouco contacto parecem ter tido com o sexo oposto ou com a bebida e ficam loucos de finalmente poderem estar “livres” e à solta neste ambiente e alinham em toda a porcaria que lhes propõem. As “amizades” que são construídas é mandá-los fazer coisas, gozar com eles e beber. Nunca vi aquelas pessoas falarem de alguns assuntos, terem algo em comum para além da frustradice.

    E agora, adivinhem lá? Eu tenho imensos amigos que fiz na Faculdade, que já tinha antes, ou que fiz depois. Fiz o curso nos 4 anos em que era suposto e com uma boa média + Mestrado a seguir e saí da cidade e fui trabalhar noutras coisas (em Portugal e no estrangeiro). Eles, ainda estão em Coimbra, demoraram uns 6 ou 7 anos a fazer o curso com uma média miserável, estão a trabalhar num boteco qualquer de advogados na Baixa a receber 0€, dependem dos pais, nunca saíram de Portugal e ir a Lisboa já é uma cena transcendental, todos os anos ainda vibram com a Queima e com as noites do Parque (apesar de aquilo ser sempre igual e já lá terem ido uns 10 anos seguidos), são na mesma gordos e feios e uns frustrados que nunca evoluíram ou passaram daquele mundinho “académico” em que quem é mais velho e grita mais é quem manda. São uns tristes!

  137. Gostava que voltasses a fazer trabalho de campo. Numa qualquer faculdade da NOVA e se calhar verias a excepção à regra. Quem me dera voltar ao primeiro ano de faculdade e voltar a ser praxada.

  138. Um post de um amigo meu no facebook que reflete a minha opinião:
    “Farto de ouvir barbaridades sobre a praxe… principalmente por pessoas que nunca sentiram a praxe um dia que seja. Lembram-me aqueles indivíduos que dizem que um determinado bolo é bom… e perguntam-lhe… – já comeste? Resposta… – Não, mas vi comer. Não podemos ser “sinéducos”… (vide sinéduque) e tomar a parte pelo todo. Porque assim, sempre que ouvirmos uma notícia sobre violência doméstica criticaremos todos os maridos ou mulheres. Uma notícia sobre abandono de filhos criticaremos todos os pais. Uma notícia sobre más condições de higiene num restaurante e deixamos de comer fora… por favor pensem um pouco!”

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