Olivier

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Conheci o chef Olivier (que é mais empresário do que chef) há uns anos, numa festa de aniversário de uma amiga, no restaurante da Rua do Alecrim, que já não existe. Ele foi à nossa mesa e esteve ali uns minutos na conversa, com aquele ar descontraído e de bem com a vida que costuma mostrar. Falou do restaurante, sugeriu-nos uns pratos e apareceu na mesa com umas entradas especiais que tínhamos mesmo de provar.

Uns tempos depois, reencontrei-o, em trabalho, no Yakuza, o japonês que ele entretanto abrira. Jantámos juntos, falámos sobre o conceito do espaço, a originalidade da comida, o percurso do chef Agnaldo, a vida em geral. Enquanto jantávamos, ele não parou um segundo, sempre de olho nos clientes, nos empregados, no serviço, na cozinha. Comentei, depois, com a minha mulher, que ele não foi capaz de se sentar durante mais de 5 minutos – havia sempre qualquer coisa a fazer, gente a cumprimentar, ordens a dar.

Depois disso, tenho reencontrado várias vezes o Olivier pelos seus vários espaços. É que ele parece omnipresente: sempre que fui ao Guilty ele estava lá, sempre que fui ao Avenida ele estava lá, sempre que fui ao Yakuza ele estava lá, e quando visitei o Honra, claro, lá estava ele. Não sei se anda a saltar de um restaurante para o outro ou se tive apenas sorte, mas a verdade é que o encontro sempre.

Na passada sexta-feira, tive um jantar especial com uns amigos. Quis levá-los ao Honra, que eles não conheciam. Tentei fazer uma reserva no próprio dia para jantar e não consegui. Nem às 20, nem às 21, nem à meia-noite, nada. Cheio. Esgotado. Da única vez que lá fui, o cenário foi igual, mas dessa vez consegui marcar com maior antecedência, e atribuí a enchente ao facto de o restaurante ser novo. Estava enganado. Um mês depois de ter aberto, o Honra continua cheio quase todos os dias, e a todas as horas. Acabámos por ir ao Olivier Avenida, um dos melhores restaurantes de Lisboa, e que também estava cheio. Escusado será dizer que o Guilty estava cheio.

Olivier é pouco querido entre a comunidade de chefs. Para muitos, ele não é um chef, mas um empresário, que se preocupa com o negócio. Dizem isto, como se algum deles não se preocupasse com o negócio. O que sei é que, em tempos de crise, as casas de Olivier estão lotadas, tudo o que ele abre tem sucesso. Sabe reinventar-se, criar novos espaços, perceber o que é que as pessoas querem, e dá-lhes isso. Os quatro espaços de Lisboa complementam-se: o Guilty tem música pop, miúdas giras, fast-food. É um restaurante para um público mais jovem, mais louco, mais irreverente. O Avenida é o oposto: decoração clássica, música ambiente, gente mais velha, empresários, muito blazer, comida sofisticada, preços altos, muito cuidado em tudo o que se faz. O Yakuza, que fica no mesmo espaço, complementa o Avenida com uma ementa de sushi de fusão, do melhor que já comi na vida (provem o Gunkan de bife kobe com foie-gras, de chorar). O Honra é uma homenagem à cozinha portuguesa, com petiscos, ambiente descontraído, decoração urbano-industrial com toques mais clássicos, uma espécie de mistura entre a irreverência do Guilty e a classe do Avenida.

Numa altura em que só se fala de crise, de aspectos negativos, Olivier, muitas vezes mal amado, criticado, põe a economia e a cidade a mexer.
Eu gosto de pessoas simples, terra-a-terra, que trabalham para as pessoas, que procuram ir ao encontro daquilo que os clientes querem. Os outros podem continuar a falar, porque nestas coisas as casas cheias são o único barómetro que conta.

Houvesse mais empreendedores e visionários como ele, na restauração e em todas as outras áreas.

1 Comentário

  1. É absolutamente verdade que as casas estão sempre cheias.
    Certamente porque tomar uma refeição é, hoje em dia, mais uma experiência social do que, propriamente, uma experiência gastronómica. Acho que é nisso que os restaurantes do chef Olivier (só não conheço o de sushi) apostam e com belíssimos resultados.
    Porque, convenhamos (e digo isto sem querer tirar o mérito a quem teve a visão de que uma refeição é mais do que "comida"), a experiência gastronómica, em si, deixa muito a desejar, pelo menos nos três restaurantes dele a que fui.

  2. Conheço o Olivier desde a Casa do Castelo, onde foi lá chefe no início da sua carreira… No entanto depois de ver o que pensava dos portugueses, num programa de TV que eram mandriões e que não gostava de trabalhar com eles, vi na realidade o que ele pensa de quem tanto o ajudou e não faço mais intenção de ir aos seus restaurantes, pois existem restaurantes muito melhores.

  3. Conheci o primeiro do Olivier na Rua do Teixeira (no espaço para onde depois se mudou o 100 maneiras) e gostei. Depois fui ao da Rua do Alecrim e tb gostei. Curiosamente não fui a mais nenhum até, recentemente, ter ido beber um copo ao Guilty… desilusão completa e total!
    O conceito (que se resume a "show off as much as you can") não cabe dentro da minha cabeça (garrafas de espumante com fogo de artificio, really??). As miúdas não são giras (desculpa Arrumadinho, mas aquilo não são miúdas giras, não no meu mundo pelo menos). O resto da fauna era constituída por gente cujo único objectivo era mostrar (ou pelo menos tentar convencer os outros) que tinha dinheiro (gastando para isso quantias parvas em garrafas de espumante com fogo de artificio!!!! gosh…).
    Espero sinceramente que os restantes espaço sejam melhores pq eu fiquei com medo de voltar a um sítio com a marca do Olivier.

  4. Ele tem ar de não ser muito polido… Havia um programa na Sic Mulher sobre a remodelação do restaurante do Tivoli e o senhor mostrou-se um bocado burgesso…

  5. olivier is not only a name . whatever i know he is a person with great success in life. he is the person who not only care for his business but also for the employer. and i think that is the best power i have ever seen from my life experiences. he gives the employer the best opportunity and the employee tries their best. he is a person who knows the needs of time. i wish him every success as i have learned a lot from "olivier".

  6. realmente o yakuza e o melhor japones de lisboa antes era o estado liquido embora a muitos espaços copiando o yakuza principalmente aqui no norte

  7. Arrumadinho quando diz que devia de haver mais empreendedores como ele esquece um pequeno pormenor: o dinheiro. Há muitas pessoas que adoravam como ele criar e inovar, enfim sair do marasmo mas não têm dinheiro para o fazer. Por isso antes de se criticar uma árvore é preciso ver a floresta percebe?
    Cumpts, Catarina Alves

  8. Realmente ele não tem a melhor das imagens. Acho que a situação do pai, os problemas com a asae no guilty e ainda o tiroteio fazem com que as pessoas ainda olhem mais de soslaio para ele.

    Pessoalmente, não o conheço muito bem. Já me cruzei com ele profissionalmente e gostei da forma de pensar. Dos projectos que revelou para fora de Portugal e da forma como falou dos negócios que tem cá. Nesse aspecto, acho que fazem falta pessoas como ele.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  9. Pois eu fiquei muito mal impressionada com o Olivier. Fui jantar ao Avenida, um jantar de trabalho do meu marido, e durante o mesmo, o Olivier chegou e disse em alto e bom som para o empregado se despachar com o serviço porque tinha muita gente à espera.Não tenho razão de queixa da comida nem do serviço, mas essas palvaras do chef estragaram tudo. Resumindo, nunca mais la fomos…

  10. Sublinho aquilo que refere sobre o Yakuza, "do melhor que jácomi na vida". Até hoje, nunca comi melhor sushi e já devo ter experimentado mais de 150 espacos de sushi diferentes!

    Quanto ao Olivier, nao conheco. Mas que tem mérito tem!

  11. Fiquei cheia cheia de vontade de experimentar o yakuza! Sou do norte, mas com certeza que na próxima visita a lisboa lá irei! Já estive a ver o menu e é muito aliciante!

  12. Adoro o Olivier e acho que a mentalidade em Portugal, em tudo, se mantêm. Tens um negócio de sucesso és mal amado. Ganhas dinheiro, és mal amado.
    Deixo-te um convite!
    Tens de vir ao Caravela em Beja, com a tua Pipoca.
    Para depois fazeres a critica 😀

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