Oh, coitadinha da ministra

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A ministra das Finanças revelou ontem em declarações à SIC uma enorme falta de tacto político quando disse uma coisa absolutamente óbvia mas que, na actual conjuntura, está proibida de o dizer. E o que é que ela disse? Que a crise também a afecta a ela, que tem três filhos pequenos, e que não consegue poupar. É caso para dizer: “Ohhhhhhh, coitadinha da ministra!”.

Por muito que custe a muita gente ler isto, eu acho que os ministros são muito mal pagos. E se calhar por isso é que muitos são incompetentes. Uma pessoa verdadeiramente competente, de excelência, de topo, está a trabalhar em grandes empresas, em posições confortáveis, nas administrações, e a ganhar salários na casa dos 10, 20 ou 30 mil euros por mês. Não há assim tanta gente que queira abdicar desse conforto, desse salário, de um anonimato tranquilo, a troco de um cargo de ministro, com um salário de 4 mil euros, dores de cabeça diárias, a cara estampada nos jornais a toda a hora, críticas de toda a gente e um País inteiro a chamar-lhe incompetente, mesmo que não o seja. Por isso, os que acabam por ir para ministros ou não são assim tão bons, ou têm um espírito de missão enorme. Na verdade, não acho que seja bem nenhuma das opções anteriores, porque toda a gente já percebeu que um cargo de ministro abre portas para o futuro, e é raro aquele que sai do governo e não começa a trabalhar quase de seguida no sector privado com contratos milionários.

Isto para dizer que sim, que a ministra ganha pouco, e imagino que com três filhos e um salário de 4 mil euros tenha algumas dificuldades em poupar. Mas olhe que portugueses com três filhos e salários de 800 ou 1000 euros é o que não falta por aí, e também eles têm contas para pagar e necessidade de poupar, e não o conseguem.

Maria Luís Albuquerque disse também que “os portugueses não têm razões para se sentirem injustiçados”, já que os cortes nos salários e nas pensões estão relacionados com o peso que os mesmos têm na despesa do Estado. Muito bem, é verdade. E já aqui escrevi muitas vezes que toda a gente se atirava ao governo porque só aumentava impostos e não cortava na despesa do Estado, achando que a despesa do Estado são os custos dos carros dos ministros e das águas engarrafadas que se bebem nos conselhos de ministros. Não. A despesa do Estado é composta, sobretudo, por salários e pensões, por isso, todos os que pediam cortes na despesa do Estado estão a levar com eles agora. Mas isto, que é tudo verdade, não justifica que se diga que os portugueses não têm razões para se sentirem injustiçados. Têm. E têm muitas.

  • Os portugueses elegeram um governo que prometeu não aumentar impostos, e aumentou.
  • Os portugueses não cometeram os erros políticos dos sucessivos governos que nos levaram à quase bancarrota, mas são eles que estão a pagar por esses erros, com cortes nos salários e nos subsídios e aumentos brutais de impostos.
  • Os portugueses não assinaram um acordo com a Troika mas são eles que têm de sofrer na pele as condições negociadas pelos partidos políticos.
  • Os portugueses andam a sacrificar-se há dois anos, mas o défice continua alto por erros de estratégia política.

E podia continuar por aqui durante um tempo indeterminado. Mas acho que já perceberam a ideia. Os portugueses têm muitas razões para se sentirem injustiçados. E uma ministra, na actual conjuntura, está proibida de o dizer, ainda para mais a dois dias de uma greve que promete ser explosiva.

Para se ser um bom político não basta ser-se bom tecnicamente, é preciso ser-se esperto, ter-se bom senso e sobretudo tacto. Ainda não sei se Maria Luís Albuquerque cumpre com o primeiro requisito, mas sei que não tem nenhuma das outras qualidades.

39 Comentários

  1. Só pode mesmo estar a gozar. Quem me dera a mim 4ooo euros. Enfim. Ainda há quem apoie tudo o que o governo está a fazer aos Portugueses. É uma vergonha.

  2. O verbo “dever” tem muito que se lhe diga. Se um gestor competente pode ganhar 20k no privado porque é que há de aceitar 4 vezes menos no público?

  3. Não percebo o que o aumento salarial tem a ver com competência. Ok, este trabalhador não tem competências para lidar com esta máquina…ah sim, mas aumentem-lhe o ordenado que a competência surge. What?!

  4. Não, tenho 22. E enquanto advogada-estagiária de 1ª fase nem vou ser remunerada pelo trabalho que realizar, veja bem.
    O meu comentário destinava-se apenas aos políticos que trabalham por fora (que, como deve saber, são praticamente todos). E ser político é algo de grande responsabilidade, eles são responsáveis pelos destinos do nosso país.
    Com isto não quero dizer que não devam ser remunerados de todo, apenas quero deixar a ideia que talvez devam ser menos.

  5. Tendo em conta que existem trabalhos em Portugal com remunerações gigantescas, quase absurdas!!! Como è que um cargo de direcção de topo pode quase quadruplicar em relação a um que gere um paìs inteiro?? È assim, e aceite assim porque a etapa a seguir è seres um gestor de topo e ganhares os milhões devidos. Com a benesse de ser um comentador televisivo com todas as soluções na manga… Enfim, um ciclo medíocre e vicioso…

  6. anda enganado.
    os politicos, e as suas politicas, não nos foram impingidos. Nós é que optamos por colocar lá quem nos mente sucessivamente porque jamais ganhará eleições que tiver discursos realistas.
    o populismo existe porque há mercado para tal, por isso, sim, nós temos culpa e o que esta a acontecer é uma consequencia do que nós somos enquanto sociedade.
    creio que é escusado dar-lhe uma lista de gente corrupta e demagoga que foi eleita democraticamente

  7. Agora quase que chorei com pena dos pobres ministros do nosso país.
    Sr. Arrumadinho gosto de ler os seus artigos, mas muitas vezes escreve sem estar devidamente informado e depois saem estas barbaridades que induzem os seus leitores em erro, um salário de um ministro em PORTUGAL com todos os EXTRAS ficam em muito mais de 4000€,( sei o que digo) e sabe porque os grandes executivos não vão para o governo? Pk são pessoas íntegras, que reservam a vida privada e k pelas suas capacidades intelectuais e de trabalho não precisam de reconhecimento público nem de Jobs for the boys para ganhar dinheiro.

  8. Sendo eu familiar de um politico garanto-lhe que o mesmo não ganha mal. E também lhe garanto que o rendimento que o Arrumadinho refere na sua publicação é uma ilusão.

    Não tenho acesso a conta bancária do meu tio, mas, sei o que ele era antes de entrar no mundo da politica, e, o que ele é atualmente.

    Só para o Arrumadinho ter uma ideia, no momento, em que ele entrou no mundo da politica “caiu-lhe do céu” uma SENHORA vivenda em Cascais. Depois vieram os carros e todas as outras casas que tem para passar férias. A minha prima recebeu um SENHOR apartamento em Cascais como prenda de casamento e até hoje nunca precisou de trabalhar. Isto não é inveja, é apenas para ter uma ideia. E pode ter a certeza que para ele manter tudo o que tem não é com um rendimento de 4 mil euros.

  9. Bárbara, o problema é que quando queremos politicos que o sejam por vontade de mudar o país e ser patriotas, eles não existem. Portanto, com estes ordenados, restam os imcompetentes, os corruptos e os oportunistas. É por estes que estamos a ser governados, são estes que tomam as decisões que mudam a nossa vida, porque os melhores gestores, economistas estão a trabalhar no privado.
    Arrumadinho, este texto vai d encontro na totalidade á opinião que tenho já há bastante tempo e que tenho vindo a partilhar com os meus amigos, sempre com péssima aceitação.

  10. A Bárbara tem 15 anos?? Sem ofensa mas isso não é só inocência…você quer ser bem paga no seu emprego ou está lá por amor à camisola e à conta bancária do patrão??

  11. Sinceramente dúvido que os rendimentos dos ministros sejam apenas os que indicou. Muitos políticos podem meter-se nisto porque têm outros “tachinhos” de parte, ou bens próprios. Para não falar dos mais velhotes que para além desse ordenado ainda possuem altas reformas (sou a favor que enquanto exercem um cargo pago, as suas pensões deviam ser congeladas a não ser que estas sejam superiores ao ordenado actual, sendo que nesse caso deviam dar-lhes a diferença).

    De resto gostei do seu texto.

  12. “Isto para dizer que sim, que a ministra ganha pouco, e imagino que com três filhos e um salário de 4 mil euros tenha algumas dificuldades em poupar.”
    Estava a ser irónico, certo? É que uma afirmação destas é basicamente gozar com 90% dos portugueses.

  13. Experimentem lá cortar nas regalias dos ministros e a baixarem o seu fraco ordenado, tirem lhe as viaturas de estado que os levam de casa para o trabalho, façam os srs. ministros pagarem do bolso deles as deslocações casa-trabalho, assim como eu pago e ganho 1/8 do que eles ganham, paguem-lhes 4,5 € de subsidio de alimentação e vamos ver quantos querem para lá ir.
    E já agora apliquem também essas medidas aos deputados, e veremos quantos são também os que querem ir para lá…
    Aposto, que aqueles, que iriam para lá, ou se manteriam lá, eram aqueles que lutam por um pais melhor, e não aqueles que apenas querem ficar com boas vidas e poupar com a ajuda do povo português.

    M.

  14. Ricardo;

    O problema não está no facto dos políticos ganharem mal – podiam ganhar melhor, se tivessemos arcabouço financeiro. A verdade é que não temos. Estamos com a corda no pescoço, através dos factos que tiveste a oportunidade de enumerar.

    Eu até entendo o que a ministra quis dizer – que é uma pessoa como as outras, que também tem preocupações e problemas como os outros – mas, não tenho pena da ministra. Há coisas que ela pode perfeitamente fazer – meter os filhos numa escola pública, por exemplo, os custos seriam reduzidos em pelo menos 1/3 – e, tal como muito boa gente, gostaria de saber como é que ela se governaria com salários de 475, 500, 600 e até 1000 euros por mês. Sim, porque com 1000 euros por mês ainda não se é rico; muito embora este tipo de salários seja cada vez mais raro na franja salarial portuguesa.

    Porque há quem faça isso. E não estou a falar dos pançudos do rendimento mínimo garantido.

    Ricardo;
    O mal dos nossos políticos, que infelizmente reflecte o que é a nossa população; é que a política é vista como um meio para se governar a própria vida de quem lá governa. É vista como uma coutada pessoal para ser usada e abusada, e quem vier atrás, que feche a porta.

    Pedro Passos Coelho, Vitor Gaspar e Maria Luis Albuquerque até podem ser pessoas sérias, honestas e competentes. Podem. Não digo que o são, porque não sei se o são. Mas uma coisa eu posso dizer: a competência deles, se existir, pode ser abafada pelo clientelismo, pelos favores, pelos apoios que receberam e que agora vão ter que pagar conforme as benesses que receberam.

    E são essas as benesses que impedem que haja coragem para se fazerem reformas a sério – um Estado mais eficiente, menos gastador, menos burocrático, que sirva melhor os interesses dos cidadãos. Os portugueses não se importariam de pagar mais impostos se isso lhes servisse de alguma coisa. Mas não: a sensação que reina em Portugal é a de que os impostos vão ser para pagar as cunhas, os favores, as benesses, as ruínas bancárias e as coisas maravilhosas chamadas PPP que dão cabo do nosso Estado e arruinam a nossa economia. Os impostos vão servir para NADA, porque temos cada vez mais um Estado que pede mais e dá cada vez menos.

    É por isso que não tenho pena desta gente. Não tenho mesmo. A senhora até pode ser muito boa pessoa, competente tecnicamente, mas em termos de massa salarial está numa situação invejavelmente comfortável aos olhos de muitos portugueses.

    Lamento o testamento. Um forte abraço.

  15. Éu também admiro, como sempre admirei a excelência da escrita do Arrumadinho, mas não concordo mesmo nada , pois acho que precisa não ter um pingo de sensibilidade , para vir dizer a um povo sacrificado como está a ser o nosso,que também faz sacrificios. A ministra sabe lá o que são sacrifício E, o facto de não ganharem mais, nada tem a ver com a falta de competência. O problema está sim na atitude. E, basta olhar para os politicos nórdicos, para nos aprecebermos do que é que falta aos nossos. E, não é de todo, uma questão de remuneração, mas sim, uma questão de mentalidades. Eles estão lá para servir o povo que os elegeu, e não para se governarem.

  16. Tendo percebido aquilo que quis dizer permita-me que discorde. Como alguém já referiu aqui nos comentários acho que aquilo que deve mover um político não é o dinheiro. Aquilo que deve mover um político é a vontade de mudar, de representar o seu país, de fazer aquilo que o comum mortal não consegue/pode fazer.

  17. aqui está uma questão séria, que exige comentários ponderados para tentar perceber o ponto de vista (nosso e o contrário) e, sobretudo, para não sermos como taxistas, por exemplo, que resolviam tudo em três penadas e para, de uma vez por todas, se fazer luz sobre este assunto.
    vamos lá por partes:
    é óbvio que os ministros/deputados ganham pouco, tendo em conta:
    – a responsabilidades, a complexidade e a dificuldade das questões que têm para resolver e decidir.
    sem desconsiderar quem está atrás de um balcão num café ou quem não quis estudar, são tarefas que exigem muito.
    tal como um piloto de aviões, um cirurgião e, por exemplo, um juiz.
    aliás, se perguntarem, todos queremos um piloto, um cirurgião e um juiz competentes, que se esforcem, que dêem o melhor de si e que resolvam o problema em causa. tenho para mim que estes profissionais (não falo dos politicos, já lá vou a seguir) serão tão mais profissionais quanto o nível de salário que lhes for pago – desde que razoável (tipo € 4.000 a € 6.000, no máximo), claro que devem respeitar obrigações deontológicas fortes e sem acumularem com o privado, por exemplo, prestando contas, etc.etc.
    é certo que se compararmos com o que ganham os colegas (aqui também os politicos) no estrangeiro, provavelmente lá foram pagam melhor… penso que não é um argumento muito rigoroso, porque lá fora (falo da Europa) o custo de vida é mais alto, desde logo e a título de exemplo, apenas, veja-se o custo de um jantar, de um maço tabaco, seguro de um carro, uma garrafa de vinho, etc.etc…
    – já não estou de acordo com as ajudas de custo, que são atribuidas de forma pouco rigorosa…o exemplo do parlamento da suécia (o link é este http://www.youtube.com/watch?v=ePu3ZN0ciBk) é de seguir…para quê tantos carros de topo de gama para os nossos ministros !?!?!?para quê viagens de avião entre Porto e Lisboa? lembro que na Holanda, por exemplo, há vários ministros que andam de bicicleta e na Suécia é bastante usual ver ministros em transportes públicos. Cá, que me recorde, só o António Costa (presidente da Câmara de Lisboa) que já vi no Metro.
    – não penso que os ministros devam ganhar tanto nas funções governamentais como nas funções anteriores…as razões de ingresso (desde logo em bancos, seguradoras, etc.etc.) não são conhecidas do público, podem resultar em serem accionistas, filhos de X ou Y e, por isso, não considero justo, desde logo, que um secretário de estado ganhe mais que o Presidente da República.
    – devíamos era, mais que a questão dos salários dos ministros/deputados, exigir mais deles: quantos de nós já escreveram ao deputado do nosso distrito? quantos de nós já manifestamos, por exemplo, o nosso descontentamento face a um problema da nossa freguesia, cidade aos deputados? assim, por certo, que eles iriam ser melhores.
    – recordam-se daquele deputado do PSD, chamado Augusto Branquinho, que em Fevereiro questionava em directo o que era a Ongoing e algum tempo depois demitiu-se de deputado e passou a trabalhar, justamente, para essa empresa? alguém lhe manifestou que isso não pode ser.
    – e aquela deputada que foi encontrada a conduzir alcoolizada?
    – há vários exemplos a seguir, cabe a cada um de nós exigir mais e melhor dos nossos governantes, uns através de manifestações, outros por outras formas até porque democracia é bem mais do que votar de 4 em 4 anos.
    e pronto, com este texto extenso, é certo, desculpem os leitores, espero ter lançado mais uns tópicos para este tema.
    finalmente, ricardo e desculpa, mas alguém como tu “should know better”: o Estado não serve apenas para pagar salários e pensões, como escreves, deverias acrescentar: o Estado paga grande parte da nossa saúde (outro exemplo em que Portugal presta óptimos serviços a um custo quase simbólico e lá fora é muito mas muito mais caro), também paga parte dos custos dos transportes públicos (lá fora também são mais caros), também paga o subsídio de desemprego e uma rede extensa de segurança social (tanto para quem arriscou um negócio e não deu certo, tanto para quem goza de licenças de maternidade e/ou parentalidade), também paga os salários que patrões pouco sérios não pagaram aos funcionários e também paga algumas creches/infantários/lares, etc.
    queremos que os nossos impostos paguem isto (SIMMMM) ou que isto seja privatizado?

  18. Eu também posso ganhar 20000€ mês e não conseguir juntar… tudo depende do nível de vida que se leva e quer levar. 4000€ com três filhos daria para juntar e bem (até porque os filhos têm pai, não? por isso não devem ser só 4000€), se levasse uma vida humilde que grande parte dos portugueses tem que levar. (que é não fácil para quem está habituado a mais – e mesmo para quem não está! – lá isso é!)

  19. É uma das incoerências desta país. Ficam com a chapa de “incompetentes” quando são ministros, mas depois abrem-se portas e oportunidades enormes, quando o deixam de ser!

    E gerem empresas do estado com resultados negativíssimos, mas vão depois gerir empresas maiores e melhores, às vezes dentro do próprio Estado…

  20. As pessoas não conseguem mesmo perceber.
    Não vivemos num mundo ideal, pelo que em determinadas situações temos de ser pragamaticos.
    A gestão de um Estado (país) é algo que envolve milhares de milhoes de euros e que afecta o presente e o futuro de milhoes de pessaoas e seus filhos.
    Tal como acontece em grandes empresas privadas, se se quer obter boas prestações ao final do ano é preciso contratar os melhores, e não importa quanto custam “os melhores” desde que tragam dividendos superiores aos seu custos.
    O que interessa se um ministro ganha 3000 euros ou 10000 euros ou 20000 euros por mês ?
    Um MINISTRO/GESTOR competente e que tenha brio no resultado do seu trabalho pode facilmente trazer “dividendos” a um Estado de MILHOES de vezes aquilo que ganha.
    Faz-me lembrar o caso do Paulo Macedo quando era Director-Geral dos Impostos. A preocupaçao das pessoas era que ele ganhava X euros por mes.
    De tal forma que o tipo teve de ser ir embora.
    Mas ninguem quis saber dos milhares de milhoes que o bom trabalho dele estava a “render” ao Estado.
    Infelizmente é tipico de Portugal.
    Nas empresas é o igual. Nao se gosta de pagar pela excelencia.
    O principio geral é :
    “vale mais pagar 1000 euros/mes a 10 funcionarios que rendam X (em que 5 deles passam o dia sem fazer nada) do que pagar 2000 a 4 funcionarios que rendam 1.5X”.
    Exactamente por isso muita gente competente está a abandonar o pais.
    E provavelmente eu proprio serei um dos proximos.

  21. Utilizar a politica como enriquecimento pessoal é o lema dos nossos políticos. É pior que o Marketing Multinível muito ao género de uma Herbalife…

  22. O facto de normalmente a posição de ministro atrair gente incompetente não tem só a ver com a questão do salário não ser atractivo para as pessoas competentes que gerem grandes empresas, etc. Tem também a ver com a cultura política que se instalou em Portugal. Por um lado, já é mal visto ser-se político. Há a ideia generalizada de que são todos uns tacheiros, uns incompetentes e por isso haverá pouca gente efectivamente boa a decidir-se por abraçar esta causa e tentar mudar o estereótipo vigente. Por outro lado, o sistema está de tal forma minado, que é raro que uma dessas pessoas efectivamente competentes consiga entrar no mundo da política. Mundo esse que está feito para que só lá entre (= seja nomeado para algum cargo relevante) o pessoal que desde os 16 anos fez parte de juventudes partidárias, andou por tudo quanto era evento para conhecer X ou Y, fez uns favorzinhos aqui e acolá, mexeu uns cordelinhos a este e àquele… no meio disto tudo tirou um curseco qualquer numa privada irrelevante e assim que o acaba, tem um cargo como assessor não sei do quê à sua espera. Imagine o Ricardo que queria agora entrar na política e abraçar um cargo público porque tem X anos de carreira numa área qualquer, é bom naquilo que faz, sempre trabalhou em organismos de topo, como começava? Se ninguém nesses meios o conhece, era impossível entrar.

    Eu conheço alguns casos de pessoas (jovens, menos de 30 anos) a exercerem esses cargos (não ao nível de ministros, obviamente, mas esses assessores do adjunto do subsecretário não sei do quê… em que são pagos na ordem dos 3 mil euros / mês) e todos se inserem no estereótipos que referi. Tipos que andam nas jotas desde pequenos, que já lamberam muitas botas, que tiraram um curso sem grande média numa privada, que nunca exerceram nenhum trabalho relevante na sua área porque assim que saíram da Faculdade foram logo repescados para um destes cargos políticos. E ainda me dizem a mim, que em termos de experiência profissional “hands on” em instituições de topo lhes bato aos pontos, “ah tu fazes tanta coisa, estás sempre a fazer tantas coisas, já estiveste em tantos sítios diferentes… e só tens 26 anos! Parabéns, isso é muito bom!”.

    Err… bem vindos ao mundo real! As pessoas têm de fazer coisas e de se mexer se querem obter algo de positivo 🙂 o que não é normal é vocês terem 4 apelidos no nome (vários com dois L’s e separados pela partícula “de”) e aparecerem aos 25 anos a ganhar o triplo de mim com o título de “especialistas” num ministério qualquer!

  23. Não acho que mereçam ganhar mais, porque já o devem fazer por fora… cabe na cabeça de alguem que o governo e o Presidente nomeie para uma empresa publica alguem a ganhar 10x mais do que eles? isso cheira a tramoia… se estamos metidos numa crise porque ao seguir o conselho do Gomes Ferreira e levantar em 50% a isenção de 20 ou 30 grande empresas que nem sequer estão cotadas em bolsa em vez de cortar nos altos ordenados? eu respondo porque essas empresas são dos amigos ou serão o futuro emprego…
    Eu sou funcionario publico recebo o meu salario mas não recebo o mesmo pelo subsidio de alimentação do sr ministro, ou das empresas publicas ou do sr.juiz, pergunto a boca deles é melhor que a minha? não recebo ajudas de custo nem de representação, muito menos de habitação, não acha que já tem regalias a mais?
    Concordo com o seu texto mas quando começo a falar ou escrever sobre isto fico nervoso e desesperado pela maneira como nos querem fazer passar por burros e parvos.
    Estes politicos, todos são uma corja que apenas olha para os seus interesses e dos partidos ou clientelas que fazem parte.

  24. Até podia escrever um post sobre isso, mas iria escrever exatamente a mesma coisa.

    Quanto a isto “eu acho que os ministros são muito mal pagos. E se calhar por isso é que muitos são incompetentes. Uma pessoa verdadeiramente competente, de excelência, de topo, está a trabalhar em grandes empresas, em posições confortáveis, nas administrações, e a ganhar salários na casa dos 10, 20 ou 30 mil euros por mês. […]. Por isso, os que acabam por ir para ministros ou não são assim tão bons” já o meu namorado me fala disto há muito e defende que se fossem mais bem opagos, provavelmente teríamos crânios melhores no governo.

  25. Quando se ganha acima de 4000€ e ainda precisam de ter ajudas de custo..que dizer de quem se desloca todos os dias da Damaia ao Parque das Nações por apenas e só 485€ por mês? também não precisa de ajudas de custo? mas tem mais é que esticar o ordenado para dar também para o passe!
    Eu até nem me importo de descontar..mas quase tanto como num país desenvolvido e sem um décimo das regalias que eles têm? não me lixem pah.. um dia quero reforma e nem tenho..para andar a dar aos ciganos e aos coitadinhos dos ex-políticos que não se orientam sem as suas reformas vitalícias!
    se querem tanto servir a nação que o façam por menos e que o façam melhor..se não não se dêem ao trabalho de sequer lá porem os pés!
    Os deputados ganham aquele balúrdio todo para quê?? diga-me..quando quase todos se não todos tem outro tanto ordenado noutros empregos..
    e precisamos assim de tantos deputados? há países maiores que o nosso com menos deputados nas suas Assembleias!
    e que vão de transportes para os sítios onde laboram..não usam e abusam do carro oficial como os nossos representantes!
    há muita coisa mal neste país e não me venha dizer que é os ministros ganharem mal para a efectiva dor de cabeça que isso é..pode ser por 4 anos..que passam bem depressa deixe lá..depois é sabido que ficam com a vida feita numa qualquer grande multinacional! Coitadinha da ministra..não consegue poupar..ninguém a manda viver acima das minhas possibilidades!

  26. Ao analisar o que escreveu vejo-me obrigada a concordar com algumas coisas, no entanto, e para fundamentar o meu ponto de vista falemos da Suécia: Também foi um país em crise e que se ergueu, não digo que sem sacrifícios da população mas que aprendeu a controlar os custos e a cortar no que era dispensável. Como por exemplo na Suécia os políticos têm apartamentos cedidos pelo Estado e ao lado da assembleia para morarem enquanto estão no parlamento, contudo são apartamentos com 80m2, nada de moradias de luxo e carros topo de gama à porta.
    E sabe por que motivo aceitam eles estas condições? Porque na Suécia servir o País é uma honra, um orgulho e não só um estatuto social ou meio para atingir um fim!

    Com relação a sacrifícios eu e o meu marido ganhamos no total dos dois ordenados 1350 euros, tenho uma filha e estou grávida, tenho casa para pagar e todas as despesas inerentes como qualquer outra família… Se vou de férias para fora? Não! Se compro roupas de marcas xpto? Não! Se janto fora todos os fins de semana? Não! Se vivo sem sacrificar uma coisa ou outra? Não! Mas se consigo viver? Consigo! Se sou feliz apesar de tudo? Sou! Temos saúde, ambos temos trabalho e mal ou bem temos comida na mesa. Os nossos trabalhos não são menos dignos que o da ministra só que simplesmente não ganhamos tão bem, por isso se a nossa ministra acha que a situação para ela não é fácil, ela que imagine a minha e a de muitas outras famílias na mesma ou pior situação, agora ela que lhes acrescente mais cortes e aumentos de impostos…
    Porque apesar de tudo acho que ainda muito bem estamos nós que pelo menos temos 2 ordenados para nos governar-mos!

    Cumprimentos,
    Sofia

  27. Bom dia, Arrumadinho! Concordo com tudo. Mas a Sra. Ministra chama-se Maria Luis e não Maria Luisa. Aposto que foi o corretor automático do iPad ou iPhone 😉

    Cvaz

  28. Quando te referes a todos os países… Não te deves estar a referir de certeza aos países escandinavos, nomeadamente a Suécia. Pesquisa um pouquinho e depois podes escrever um posto sobre isso. Sabes que vivemos como vivemos porque não pensamos por nós próprios e a nossa educação de esbanjar dinheiro está tão enraizada que só mesmo o início de uma nova era é que resolvia os podres que existe no nosso pais.

  29. Há uns meses tive essa discussão com o meu marido, o qual pensa como tu. Lamento incomodar mas não concordo nada. O desejo que devia motivar as pessoas a exercer cargos de alta importância pública, devia estar relacionado com a vontade de melhorar, de ajudar, de desenvolver. Não peço que lhes paguem o salário mínimo mas não concordo do todo com o “deviam ganhar o mesmo que no privado”. Porque o objectivo de exercer cargos públicos não deve ser o de enriquecer, de encher o bandulho. Não, não devem ganhar balúrdios , não. Devem trabalhar muito, ganhar bem, ter preocupações, trabalhar ainda mais. Porque desejam melhor para nós, não para o bolso deles. Chama-se desejo de servir, desejo altruísta, desejo de mais para além do próprio umbigo.

  30. Caro J. Há coisas que diz e em que concordo em absoluto (como o escândalo das faltas dos deputados), mas olhe que os ministros não têm qualquer subsidio de vestuário, e o que recebem de subsídio de refeição tem um tecto fixado por lei.
    Têm, sim, carro oficial (como em todos os outros países) ajudas de custo, estipuladas por lei (como em todos os outros países), e um abono para despesas de representação (que no caso dos ministros penso que é de 35 por cento do salário). Qualquer administrador de uma empresa pública ganha mais do que um ministro. Quando assim é, algo está errado.

  31. Bárbara eu não acho que esta ministra ganha pouco, eu acho que o cargo de ministro é muito mal pago para as responsabilidades que acarreta, e acho que um salário tão baixo não é aliciante para que as pessoas verdadeiramente competentes deixem empregos bons para virem para o Governo ganhar muito menos do que ganham e ainda serem sujeitos a toda a pressão que é a de ocupar uma posição de ministro. Não tem nada a ver com o facto de ter três, quatro ou cinco filhos.

  32. Hm.. arrumadinho!
    Já viu lá fora as condições salariais (e tudo o que está associado à profissão) de outros países europeus?
    Portugal está na situação em que está (e em comparação com os demais nem há comentários possíveis), os nossos políticos têm regalias que só visto, que noutros países são impensáveis.
    E não falo apenas de ordenados.
    Falo de ajudas de custo.
    Ajudas de vestuário. Sim, porque os ministros têm de andar vestidos de Giorgio Armani, feitos à medida. E o estado paga. Tem de ser internacional.
    Ajudas de deslocações.
    Subsídios de alimentação, muito acima da média quando têm refeitórios próprios.
    Já para não falar das faltas que dão no parlamento que não são contadas, sexta feria aquilo tá vazio e ninguém sabe bem porquê,
    ETC’s.

    Mas concordo consigo em muitos pontos, mas não penso que A SOLUÇÃO seria aumentar os seus salários.

    Continuação do seu sucesso,
    esse sim.. que é merecido!
    J.

  33. Porque é que acha que a ministra ganha pouco? Acha que 4.000€ com 3 filhos não é suficiente? Só gostava de perceber o seu ponto de vista.
    De resto, texto extremamente bem escrito como sempre.

    Bárbara

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