O video das advogadas

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Há dias, numa conferência de bloggers em que participei, dizia o Rodrigo Saraiva do blogue Piar que todos os dias havia nas redes sociais um saco de pancada. Não sei se foi exactamente essa a expressão que usou, mas a ideia era essa, a de alguém que, seja porque razão for, se torna viral e alvo de chacota colectiva. Às vezes por razões obviamente parvas, mas outras, apenas, porque toda a gente resolveu bater naquela pessoa em determinado dia. E depois foram todos atrás.

O alvo mais recente são as advogadas da sociedade de Maria do Rosário Mattos, que participaram num vídeo de apresentação do escritório. A primeira vez que ouvi falar disto, há uns dias, foi numa publicação qualquer de um amigo de Facebook que dava a entender que aquilo se tratava quase de uma promoção a uma casa de alterne. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Na imagem estática que ilustrava o post dele, podia ver apenas cinco mulheres, algumas bonitas e elegantes, com um ar feliz e americanizado, mas ao mesmo tempo profissional. Era uma foto a preto e branco e a primeira coisa que me veio à cabeça foi um cartaz da série Allie McBeal. Não pensei em prostitutas, não pensei em sensualidade barata, pensei em mulheres bem resolvidas e competentes, pensei num cenário mais americano do que português. Achei que, se calhar, o vídeo, sim, seria esse passo na direcção da falta de vergonha. E então fui ver.

Vi-o uma vez, vi outra, prestei atenção aos planos, ao texto, às advogadas, e, no final, não entendi o motivo da chacota e das insinuações. Menos ainda entendo o inquérito disciplinar aberto pela Ordem dos Advogados ao escritório. É que, segundo o presidente do conselho distrital de Lisboa, Vasco Marques Correia, existem no vídeo violações de duas regras: publicidade e… decoro. É isso mesmo, decoro.

Mas vamos por partes.

Não sou advogado, não conheço o estatuto da Ordem, e, por isso, não me posso pronunciar a fundo sobre a questão da publicidade. Mas, pelo que li, o que está em causa é o artigo 89.º, que proibe a “menção à qualidade do escritório”, a “promessa ou indução da produção de resultados” e a “colocação de conteúdos persuasivos, ideológicos, de auto-engrandecimento e de comparação”. Analisando a mensagem do vídeo, não encontro nenhuma violação, mas, como disse, se calhar sou eu que não estou a ver bem a coisa.

Mas passemos à parte do decoro, que é a que eu acho mais divertida.

Quando ouço falar em decoro lembro-me imediatamente dos meus avós, bisavós, que são pessoas do tempo em que se falava de decoro quando se estava a falar de mulheres com saias ligeiramente acima do joelho. E, quer parecer-me, é isso que está em causa neste vídeo. Devo ter algum problema de visão, ou o meu computador deve estar a censurar as imagens verdadeiras, só pode, porque o que eu vejo neste vídeo não é indecoroso, não é sequer provocante, sexual, sensual. Há ali mulheres bonitas, sim, é verdade, mas as advogadas não podem ser bonitas? Vejo ali mulheres que vestem roupas femininas, saias, vestidos, aquilo com que se sentem confortáveis, e uma vez mais pergunto: as advogadas não podem ser elegantes e femininas? Não podem vestir roupas de mulher? Isso agora é falta de decoro?

Vamos tentar inverter a situação e transformar este vídeo num vídeo masculino, em que cinco homens bonitos, um deles tipo Richard Gere, outros quatro mais novos, trintões, elegantes, bem vestidos, fazem as mesmas coisas, apanham transportes públicos, andam pela rua, enquanto passa exactamente a mesma mensagem em off. O que é que se iria dizer? Aposto que o vídeo seria apenas comentado pelas mulheres em jeito de piada e nada mais. Seria uma graçola entre elas e a coisa passava. Mas o problema é que estão ali mulheres. E algumas bonitas. E elegantes. E com um ar feliz e de bem com a vida e com a profissão. E isso chateia muita gente, os infelizes, os velhos do Restelo, as pessoas que continuam a achar que a forma, o embrulho, é muito mais importante do que o conteúdo. Aquelas mulheres podem ser advogadas brilhantes, mas já estão a ser tratadas como umas oferecidas pelas redes sociais e como umas criminosas pela Ordem dos Advogados. E isso, sim, é um crime, nos dias que correm.

Já estive em julgamentos com advogados mal vestidos, a cheirar a álcool, incompetentes, estúpidos, mas a esses não me parece que tenha acontecido nada. Mas estas advogadas que, repito, até podem ser tecnicamente excelentes, estão tramadas. E apenas porque cometeram dois delitos: são bonitas e não tiveram problemas em mostrá-lo.

Por momentos, sinto-me nos anos 30 do século XX, mas toda a gente continua muito mais entretida a insinuar que estas raparigas são umas prostitutas do Direito.

Quem não viu o vídeo pode vê-lo aqui.

54 Comentários

  1. Ora foi precisamente ao âmago da questão e está a dar razão aos críticos do vídeo…. Retira conclusões sobre a vida profissional das advogadas que aparecem no vídeo e nem conhece o trabalho delas…. O trabalho e sucesso do advogado só pode ser demonstrado através do seu trabalho propriamente dito….Portanto, deu-nos razão.

  2. O seu comentário é certíssimo. Mas como é que afere a eficiência profissional e técnicas destas advogadas por este vídeo?! Aqui é que reside o problema, percebe agora?

  3. Também eu sou uma advogada numa sociedade de advogados e não podia estar mais de acordo com os dois comentários acima.
    Ninguém com quem falei, fosse homem ou mulher, mais ou menos bonito ou sofisticado ou realizado, entende este vídeo.
    A mim, aliás, deixou-me de boca aberta quando o vi pela 1.ª vez. E a maioria dos comentários que ouvi foram de pura e simples incredulidade (e não de choque).
    As imagens em câmara lenta e a focar pormenores como sapatos de salto alto, botas por cima dos joelhos e as costas nuas num vestido são absolutamente despropositados (e não, de todo, inocentes).
    A mim ninguém me veria num vídeo em que se fizessem planos destes e muito menos só deste tipo!!
    E claro que também uso saltos altos e decotes e saias acima do joelho no meu dia a dia. Era só o que faltava. Mas nunca me promoveria (ainda para mais acintosamente) por esses atributos e não pela minha competência e experiência.
    Numa profissão como a nossa a ver se este vídeo não lhes saiu caro… A ver vamos. Quando queremos “vender” confiança não me parece que o isco possa ser alguma sensualidade.
    E só para responder ao arrumadinho, se o vídeo fosse exactamente igual com homens, pensaria o mesmo. Totalmente desadequado. Além de violador dos Estatutos.

  4. Desculpe lá, mas como é que deste vídeo chega à conclusão que estas advogadas têm uma vida pessoal completa?! Se calhar até não têm, que isto para se ser muito bom profissional, normalmente, precisa-se de sacrificar, nem que seja um bocadinho, a vida pessoal!

  5. A sério?! Uma burca é isso?!? Ahhhhh, não sabia… Weeeeeee, palminhas, já aprendi uma nova palavra hoje!!!! E também aprendi que ignorante significa falar daquilo que efectivamente se conhece! Obrigada pelo elogio! 🙂

  6. Mas essa é a grande questão!
    Porque estão os advogados fechados nuns estatutos tão retrógrados ?
    São firmas privadas que concorrem no mercado, pagam impostos, têm clientes aos quais devem confidencialidade (mas julgam que nas outras actividades também não existem saudáveis condutas de confidencialidade… só que não impostas) e depois não podem comunicar ou promover os seus desempenhos… sendo que, com desprezível hipocrisia, todos o fazem de forma camuflada ou dissuadida… os grandes escritórios estão sempre nas televisões a comentar o que muitas vezes não sabem, a promover arte, a enviar informação… porquê negar a transparência ?
    Vamos mas é questionar o que deve ser questionável . Só se evolui com mudança e modernidade e com todos estes enredos e rodriguinhos de uma corporação bolorenta e bem instalada, o nosso sistema judicial juízes incluídos ) transformou-se num verdadeiro um empecilho ao desenvolvimento económico do País. Os investidores estrangeiros apontam sempre como o principal ponto negativo do nosso País ao investimento e ao ambiente empresarial, precisamente o funcionamento da justiça em Portugal (muito risco por ser complexo e pouco transparente, ter falta de celeridade e pela inconstância legislativa)… isto sim é que é importante resolver… e eu sei do que falo.

  7. Completamente ridículo o “alarido” à volta deste vídeo. Deprimente que se compare pessoas bonitas e bem cuidadas a prostitutas. Venham de lá as mulheres feias porque parece que as bonitas não podem ser simultaneamente giras e inteligente. Enfim!

  8. Trabalho e área e realmente em termos deontológicos, este vídeo não é aceitável, daí acho normal que a OA (Ordem Advogados) tenha de fazer o seu papel.
    Em termos “morais”… é assim, eu não me expunha a isto e há claramente uma ideia de vender a imagem, que há. Mas daí a ser publoicidade a casa de alterne vai um longo caminho.
    Mas, apesar disso e de haver liberdade na escolha das roupas, também é verdade que é existem regras mesmo que implicitas, sobre o que se deve ou não vestir e a verade é que entre as 5, há 2 delas, umas mais que outra que não deveriam ir assim para um julgamento. Mas, claro, no video nada me diz que elas vão assim para Tribunal!
    Mas já ouvi uma Mma Juiz dizer a uma Adv. se não tinha um casaquinho para por pelas costas! (Isto na sala da Juiz, sem toga, ao tentar um acordo).
    Não tem comparação, é certo, mas é tipo uma Igreja, mesmo as pessoas não católicas, que vão apenas ver a arquitectura devem ter certas regras de decoro (lá está) ao entrar na igreja, certo?
    No Tribunal, é do genero…

  9. Vejam, nomeadamente, os artigos 85.º, nº 2, alínea h) e 89.º, nº 4 do Estatuto da Ordem dos Advogados. E não me venham dizer que é falso moralismo, etc… É, tão simplesmente, uma violação do Estatuto e que, portanto, deve ser punida.

    http://www.oa.pt/Conteudos/Artigos/detalhe_artigo.aspx?idsc=128

    Quanto à questão da publicidade, isso leva à concorrência desleal, por exemplo: uma sociedade de advogados de Lisboa tem, em princípio, muito mais poder económico para este tipo de publicidade que um advogado em prática pessoal de uma vilazinha de Aveiro, por exemplo. Não é digno da nossa profissão.

    Mais, caro Arrumadinho, se isto é tão normal e nada descarado então quantos vídeos e publicidades de advogados já tinha visto antes desta?

  10. Bom… Parece-me que se eu, algum dia, vier a precisar de um advogado, terei de escolher um cuja aparência “discreta” é sinónimo de resultados garantidos em minha defesa. E sobretudo, não deverá ser um escritório de advogados, com slogans modernos e etc… Terá de ser um daqueles gabinetes lúgubres e sombrios em prédios iminentemente devolutos. Os advogados não deverão exibir fatos Armani e corpos “atléticos”. Se for uma mulher, então deverei claramente ir procurar uma advogada numa comunidade onde as mulheres só podem usar burcas.
    As regras são ultrapassadas e velhas. E os advogados que por aqui andam a comentar sabem-no. Não houve queixas contra os advogados que insultaram os colegas após as eleições da ordem, pois não? Hipocrisias. Eu como cidadão, sei muito bem o que esperar (ou não) de um advogado português…
    Quero lá saber do indumentário de quem me defende desde que faça bem o seu trabalho?! Sim, porque é de eficiência profissional que se trata e nem mais…

  11. Não me acho nenhum Velho do Restelo por achar que o vídeo não é apropriado. Se elas mostram as pernas, é para o lado que eu durmo melhor. Não me choca nada. Acharia o mesmo se fossem camafeus ou homens bonitos ou feios. Mas acredita mesmo que foi um feito inocentemente?

  12. E lamentavelmente o seu comentário é de uma ignorância extrema. Com todo o respeito, claro. Informe-se antes de falar sobre aquilo que não sabe. E não usamos burcas, usamos togas.

  13. Claro que não é uma ordinarice e tal, mas não sei porque se parte do principio que são mulheres super bem resolvidas e profissionais de excelência quando o vídeo não mostra propriamente os CV’s das advogadas. Nada contra mulheres bonitas, bem resolvidas, boas profissionais (até gosto de me considerar uma mulher deste tipo), mas a verdade é que o vídeo foca o corpo, a forma de andar, a sensualidade e não a capacidade técnica. Além disso, como alguém já disse, são advogadas fantásticas e não sabem que a publicidade vai contra os Estatutos?
    Não se trata de sermos um país retrógrado que não sabe ver a inovação. Para mim, vender capacidades técnicas filmando um vídeo sensual é tudo menos inovador. Já há muito tempo que se usa a sensualidade para vender coisas. Claro que não é ordinário, mas é bastante fútil vender serviços de advocacia filmando pernas e costas descobertas.

  14. Efectivamente não devias falar sobre o que não sabes, porque o problema não é o facto de serem mulheres, porque se um escritório constituído só por homens fizesse o mesmo video teria exactamente o mesmo tratamento, porque na Ordem dos Advogados não há tratamento diferenciado em razão do sexo.
    O escritório em causa, assim como todos os outros, está vinculado por princípios deontológicos previstos no Estatuto da Ordem de Advogados, se os incumprir deverá ser sancionado.
    Fazer destas pessoas “mártires” porque são mulheres e coitadinhas que estão a ser discriminadas parece-me uma grande parvoíce, se os outros escritórios de advogados não podem fazer publicidade porque é que elas devem ser a excepção?

  15. Lamentavelmente tudo o que se tem passado à volta deste vídeo é o espelho de uma sociedade provinciana, retrograda e mesmo doentia, incapaz de aceitar que é inovador ou quem tem a ousadia de fazer diferente. Denegrimos tudo o que é ínedito e nunca estimulámos os valores e as potencialidades nacionais. Os nossos melhores escritores, pintores, investigadores etc sempre, ao longo da nossa história, foram “descobertos” no estrangeiro e só depois reconhecidos e bajulados em Portugal. Ambição negativa no seu melhor!
    Vamos afirmando na verborreia politica estar na vanguarda no que refere a legislação sobre liberdade, igualdade e reconhecimento dos direitos das minorias… e critica-se exaustivamente um vídeo normalíssimo de 5 mulheres, advogadas, com bons CVs profissionais, licenciadas nas melhores universidades portuguesas… e bem vestidas. Acho que a corporação ofendida deveria nos seus estatutos obrigar as advogadas portuguesas a usar sempre … a BURCA!

  16. O tamanho das saias para mim não é importante mas foi-o claramente para as senhoras advogadas no momento de gravar este vídeo. Por alguma razão, que, imagino, se prenda com o seu público-alvo, fizeram essa opção. Nós que estamos cá deste lado também não somos tontinhos e de ingénuos também temos pouco. Não sei por que reacção ao video esperavam as senhoras. If you can’t take the heat don’t go in the kitchen, como dizem os outros.

  17. Nem mais. De facto, para quem não conhece o Estatuto, é difícil compreender. O que me faz ficar curiosa sobre o que levará as pessoas a comentar, de forma tão assertiva, um assunto que não conhecem.

  18. Gostei de ler esta opinião, de um profissional que nada tem que ver com a advocacia, mas que entendeu o conceito que poderia estar por trás de um vídeo promocional de uma sociedade de advogados.
    Como advogada, se me chamassem para filmar um vídeo deste género, creio que recusaria. Pelo menos recusaria certamente que fizessem um grande plano do meu corpo. Acharia completamente despropositado para o resultado que se pretenderia, que seria, julgo eu, promover o trabalho da sociedade. Penso que o grande problema deste vídeo, além do engrandecimento do trabalho do escritório foi justamente esse.
    Não desgosto do vídeo em si mas, para uma sociedade de advogados, acho que está completamente desajustado.
    Trabalho numa sociedade de advogados também e, curiosamente, ninguém achou o vídeo adequado. E outros colegas com quem falei, acharam exactamente o mesmo. E comentários que li no Facebook, de outros colegas também, igualmente nenhum deles considerou que o vídeo estivesse adequado à promoção de uma sociedade de advogados. E isto não é por acaso.
    Agora, volto a dizer, até acredito que, para quem não exerce a profissão, possa ter alguma dificuldade em entender isto.
    Mas também creio que, através de alguns comentários que aqui outros colegas de profissão deixaram que, possa ter entendido um pouco melhor algumas regras da profissão e o porquê de alguma indignação quanto a este assunto.

  19. Já vi pelos outros comentário que o vídeo viola algumas regras do código. Não sei se é verdade ou não, não me vou pronunciar sobre o que não sei.
    Mas a única coisa que me causa espécie é o facto de as senhoras não estarem a vender o seu trabalho, só estão a vender imagem. Eu sei que é publicidade e tal, é o costume e o que vende mais é o corpo feminino e a ideia do corpo perfeito que a sociedade tem hoje em dia. Mas se isto já chegou a um bem que todos precisam, a justiça… Não sei. Alguém vai mesmo procurar advogadas por serem bonitas? Pronto, se calhar são óptimas no que fazem, mas não foi isso que mostraram. Mostraram só que são bonitas e têm boas pernas. Não me parece que isso seja necessário para fazerem o bom trabalho.
    Note-se que não me interessa se uma pessoa é bonita ou feia, está bem vestida ou não para exercer uma profissão. Interessa-me que a pessoa seja competente.
    Claro que comparar isto com prostituição é absurdo. Apesar de as senhoras se estarem a vender a elas próprias no vídeo, não é o objectivo delas venderem-se no final.
    É só um pouco triste que as pessoas achem necessário vender uma imagem em vez das competências. Sim, ouviu-se no vídeo que somos bué boas e temos resultados, mas não percebemos como. Só as vimos a andar por aí. Enfim.

  20. Como profissional da área audiovisual, tenho a dizer que o vídeo peca por um ou dois planos de pormenor (o plano nas pernas da advogada a entrar no táxi) e pelo excesso na produção (demasiados colares, pedraria, muito show off ) para o fim que o anúncio configura, para o tipo de mercado que é, onde se ganham casos ou se perdem casos.

    Parece-me que o estilo demasiado “Hollywood” da produção não se adequa, sobretudo porque induz os clientes em erro, num campo em que realmente não se podem garantir resultados. E isso provavelmente é uma violação dos estatutos da Ordem.

    Com uma edição melhor, uma produção mais cuidada e uma melhor escolha de argumentos (que não fosse contra os ditos estatutos) talvez se conseguisse passar uma mensagem mais credível , e ainda apelativa. É que isto de se fazer um vídeo corporativo tem muito que se lhe diga. É um mercado por explorar, que está a começar por cá.

  21. há que ver que todo este conteúdo muito “sexo e a cidade” não se coaduna com a realidade da profissão no nosso país, onde os advogados ainda usam toga nos tribunais, e em que a profissão tem um estatuto de algo venerando… não me parece adequado, pura e simplesmente, eu não confiaria um caso a este escritório, foi um tiro ao lado, a menos que a intenção fosse essa mesmo: a de causar falatório; se não foi então é mais uma “tontice beta” e pouco mais…

  22. Só tive conhecimento disto pelo texto, não acedi a nada anteriormente. Mas o que me vem à mente após ler as suas palavras e ver o vídeo é que sempre que algo é criticável, e envolve mulheres bonitas, dizem logo que é inveja. Já não se pode formar uma opinião ou não concordar sem se ser de imediato uma frustrada com inveja. O vídeo não me parece escandaloso em conteúdo sexual ou decoro, mas é de tal forma forçado pela imagem que descredibiliza.

  23. Eu percebo tudo isso do séc. XXI, que está muito bem e somos todos muito modernos. Mas afinal de contas, também há aquilo do não pasta ser, é preciso parecer e, por muito modernos que a malta queira ser, não, estas senhoras, meninas, ou lá o que são, não me passam nada a ideia que são boas advogadas. Apenas parecem estar a vender pelo corpo o que se calhar não conseguem fazer fazer com a cabeça.

  24. O vídeo não me choca, nem de longe nem de perto, mas não me parece, de facto, inocente. Existem planos em que filmam demasiado partes do corpo das advogadas, o que à partida não seria relevante num vídeo de autopromoção de uma empresa deste tipo. Existe com certeza alguma intenção de captar o público de outra forma.

    Inês

  25. Tens de ter em conta que tu és daqueles que deixa a mulher andar na rua a mostrar as pernas, é óbvio que não ias ver maldade nenhuma nisto x)
    Fora de brincadeiras, achei o video de muito bom gosto, agora se não é legal é que já é outro assunto…

  26. Habitualmente, a nossa sociedade não gosta de quem parece ter o pacote todo, ou seja, sucesso profissional sem ser um camafeu, uma vida pessoal completa, etc. Esta polémica parece só mais um exemplo disso.

  27. Penso que, para quem não seja advogado, seja um pouco mais difícil entender as questões em torno do vídeo.
    Quanto à publicidade, creio que o vídeo viola estas regras deontológicas já que há, claramente, uma mensagem de auto-promoção e engradecimento do trabalho realizado naquele escritório.
    As regras de publicidade quanto aos advogados visam essencialemente as pessoas em geral, para que procurem os advogados pela sua competência e não por uma qualquer publicidade, a qual poderia ser mesmo enganosa. Já para não falar dos meios que as grandes sociedades teriam para apostar na publicidade, o que não sucederia com pequenos escritórios. Não é à toa que não vemos “outdoors” a publicitar sociedades de advogados.
    Quanto à questão do decoro creio, Arrumadinho, que o problema não passa pelas mini-saias. Acho que o Arrumadinho consegue entender isso. A expressão “decoro” é a utilizada pelo Estatuto da Ordem, razão pela qual aparece escrita tantas vezes a propósito do vídeo.
    Aliás, a sócia desta sociedade de advogados já mencionou que o vídeo ia buscar um pouco o espírito do “Sexo e a Cidade” e, ora, a série “Sexo e a Cidade” era um pouco diferente da “Ally Mcbeal”… Não tenho nada contra à forma como as advogadas se apresentam, acho até que estão na moda e muito femininas, mas a forma como em particular uma das advogadas foi filmada perdoem-me, mas parece-me que é a exaltar a sua sensualidade o que, num vídeo de uma sociedade de advogados, me parece apenas desajustado.
    Quanto ao mais, penso que também não é necessário cair em exageros e, é óbvio que o vídeo não tem nada a ver com casas de alterne, acho até que esses comentários são maldosos e são as pessoas que os fazem que adoram bater no tal saco de pancada…Mas, quanto a isso…que fazer?
    Quanto à competência das advogadas, nada a dizer. Acredito que as mesmas sejam plenamente competentes e que o escritório em causa seja um bom escritório. Simplesmente não gostei do género do vídeo.

  28. Estou completamente de acordo consigo, Ana. Embora não veja nenhuma falta de decoro no vídeo, não me parece que as imagens escolhidas apelem à partida ao profissionalismo da equipa em questão.

  29. Parece-me que o “decoro” (ou a falta dele) não está relacionado com o tamanho das saias, nem com a beleza das pessoas em causa. Está, obviamente, no facto de com o vídeo se estar a “vender” serviços e, além do mais, a engrandecer os serviços vendidos e a prometer resultados.
    Percebo perfeitamente que os “não advogados” não achem nada disto muito estranho e até pensem “mas os bancos fazem isto”. E é aí, precisamente, que está o busílis da questão: é que os advogados, ao contrário dos banqueiros, não são comerciantes. Os advogados não comerciam serviços, os advogados participam na administração da justiça, que é uma coisa que não se vende, não é “comércio” .
    Além disso – e já não no campo deontológico, mas enquanto princípio básico de convivência em sociedade -, não sei se é de bom tom alguém, seja qual for a profissão que exerça, andar por aí a dizer que “faz e que acontece” e que é o “melhor e o mais rápido”. Acho que, em qualquer profissão, um profissional se deve pautar pela discrição.

  30. Penso que o que mais agride neste anuncio e o facto dele ser essencialmente uma demonstracao extrema e quase gratuita de futilidade e vaidade, entendida aqui como o desejo de atraiar a atencao e a admiracao do outro atraves da exteriorizacao de uma imagem de superioridade a todos os niveis, especialmente estetico.

    Apesar de hoje existir uma complacencia em relacao as pessoas vaidosas (especialmente as mulheres), ha que perceber que certas profissoes, devido a sua natureza e funcao, apresentam uma ligacao com determinados valores e condutas ditas contrarias a este tipo de comportamentos. E com razao convenhamos.

    Com isto nao digo que os advogados sao conhecidos pela sua humildade ou falta de gosto ou desleixo, mas apenas existe nesta profissao uma necessidade de se manter alguma sobriedade ou de pelo menos nao tornar a vaidade como o cartao de visita, como gancho que puxa os clientes a contratar.

    Enfim, penso que este video estaria muito melhor contextualizado numa agencia de estilistas do que propriamente num escritorio de advogados.

  31. O vídeo não está de acordo com o Estatuto. Não está. Estas senhoras advogadas esticaram-se ao americanizar a profissão e têm que levar um puxãozinho de orelhas. Daí a dizermos que são prostitutas…é o povinho no seu melhor (no máximo, parece-me um anúncio a um champô caro, depois de me parecer, naturalmente, deontologicamente inaceitável – porque o é. Se concordamos ou não com o Estatuto, isso são outros 500).
    A Ordem tem que intervir, também me parece que sim. Mas também não vi nenhum puxão de orelhas ao senhor bastonário, o rei das infracções disciplinares, a começar pelos “programinhas da manhã”. E também não vi alguém incomodar-se com uma advogada estagiária na Casa dos Segredos.

  32. Ordinarice, zero. Não vejo nada. Vejo um conjunto de mulheres que apostaram na elegância para se promover. É aquela máxima de que os olhos também comem. Se fosse um vídeo aborrecido, ninguém o via até ao fim. Agora, isto é uma coisa. O que a ordem dos advogados permite, é algo completamente diferente.

    Não sou advogado. Mas noto no vídeo uma certa publicidade. Do estilo, somos as maiores, contratem-nos que ninguém nos vence. Enquanto cliente, nada tenho contra este tipo de publicidade. Mas, lá está, depende do que a ordem aceita e pelo que tenho lido, nesse domínio, elas estão a infringir regras.

    Além do vídeo, fui ver o site. Mais uma vez, existe uma clara publicidade a cada uma das advogadas. Algo que parece não ser permitido.

    O que eu sei é que se não lhes acontecer nada na Ordem, o vídeo é um caso de sucesso pois a publicidade está bem conseguida. Meteu várias pessoas a falarem delas. Umas bem, outras mal, outras sem opinião mas todas sabem de que vídeo se trata.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  33. acontece que comentar este assunto exige alguns conhecimentos…não és obrigada a ter esses conhecimentos, mas pelo menos devias informar-te antes.
    muito em resumo:
    o advogado não pode fazer publicidade da forma que é feita aqui neste video. ponto final.
    o advogado tem um estatuto legal e que deve respeitar.
    não tem a ver com o tamanho de saias. nem com o facto de serem meninas.
    tem a ver com o facto de um advogado não ser igual a uma clínica de estética ou oficina de automóveis.
    o advogado deve ser procurado pela sua competência, técnica, como é óbvio, e não pela competência da empresa publicitária que contratou.
    não sou eu que o digo, é o estatuto legal.
    e pronto, só isso.

  34. Concordo com o seu comentário.
    Estou do “outro lado” da bancada e não posso deixar um elogio à forma como abordou esta questão, sobretudo pelas últimas palavras.
    É isto que falta, rigor na análise das coisas.
    Nada contra alguns dos comentários, mas há um estatuto legal dos advogados. E que deve ser respeitado pelos próprios.
    Não estamos a falar de clínicas de estética, nem de oficinas.
    Estamos a falar de advogado e como é óbvio o advogado deve justamente ser conhecido e procurado pela sua competência, técnica, pois claro, e não pela competência da agência de publicidade que contratou.

    Agora, de volta ao trabalho.

  35. Boutique Lover ou Lawyer? Epá…soa estranho.
    Aposto que uma advogada com um excelente cv mas com um olho torto nunca seria admitida naquele escritório. É estranho elas fazerem-se valer TANTO da aparência. Todo o video para mim é estranho.

  36. Quanto às questões legais não faço ideia e quanto ao decoro, não vejo que haja qualquer falta dele.

    Mas um escritório que faz este tipo de vídeo não quer ser conhecido pela sua qualidade profissional, certo? Não as vemos a trabalhar, a investigar, a estudar, a defender clientes em tribunal, nada… Quando procuro um(a) advogado(a) não me interessa ver como se desloca na cidade ou no parque ou com que destreza caminha sobre saltos agulha. A nível profissional podem ser as melhores do mundo, mas evidentemente não quiseram ir por essa via no anúncio.

    Eu não acho mal nenhum, aposto que vão ter imensos clientes à porta 🙂 a qualidade profissional mostram nessa altura!

  37. Acabei de falar do mesmo assunto no meu estaminé, não de maneira tão elaborada e pomposa e sem conhecimento dessas tais leis que, supostamente, as advogadas violam. Também não acho a ordinarice de que toda a gente fala…plamordeus!

  38. Caro Arrumadinho,

    Sou advogada e, de facto, não vejo aqui nenhuma falta de “decoro”. Já no que tange à violação do disposto no artigo 89º do Estatuto da Ordem dos Advogados isso sim, parece-me claro. Durante o video é, por diversas vezes, referida/mencionada a qualidade do escritório (o que é um acto ilícito segundo a alínea c) do n.º 4 do referido artigo) e também existe ali a promessa ou indução da produção de resultados, o que também está expressamente proibido na alínea e) do n.º 4 do mesmo artigo.

    A violação deste preceito constitui infracção disciplinar (artigo 110º do Estatuto da Ordem dos Advogados) e, por isso, parece-me razoável que se abra um inquérito com vista a apurar a licitude ou ilicitude deste video.

    Mais uma vez, afirmo que não acho que a situação configure uma publicidade a uma casa de alterne e, por isso, não me parece que haja falta de decoro ou ofensa à dignidade da profissão.

    Quanto à publicidade, os escritórios de Advogados obedecem a regras deontológicas especificas que temos de respeitar, sempre se entendeu que a dignidade da Classe e a sua função ético-social impunha um certo decoro, pois o advogado deve tornar-se conhecido e ser procurado pela sua competência e probidade e não pelo engodo em campanhas publicitárias.

  39. A violação das regras deontológicas no caso em questão não está apenas relacionada com o vídeo em si mas com todo o conteúdo e descrição do próprio site. A começar pela identificação dos clientes. De facto, este tipo de publicidade não é permitida pelo Estatuto, pois que, a meu ver, não se trata de uma publicidade objetiva… Há aqui, sem dúvida, uma angariação ilícita de clientes… Se para os restantes advogados não é permitido este tipo de publicidade, então é natural que para este escritório também não o seja. Quanto ao decoro também penso que não esteja sequer relacionado com o tamanho das saias, nem sequer com a forma como se vestem mas, mais uma vez, pelo conteúdo total do site. No fundo, o que se trata aqui é da defesa da dignidade da profissão que percebo que seja difícil de entender para quem não seja advogado. Mas, no fundo, o que quero dizer é que a questão deontológica vai muito além do tamanho das saias, do sexo feminino ou se são bonitas ou feias.

    Votos de bom trabalho.

  40. Curioso como a Ordem dos Advogados nunca disse a nada, muito menos que houve falta de “decoro”, quando o antigo Bastonário ia à televisão, às “Tardes da Júlia” e programas afins e falava e comentava todo o género de assuntos como se fosse um taxista.

  41. Eu não sei com que óculos é que essas pessoas, de quem te referes, andaram a ver este vídeo mas a mim a mensagem que me transmitiu foi: não se metam com estas senhoras que elas fazem picadinho de quem lhes fizer frente em tribunal. Só.

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