O tempo

28
5995

Quando decidi tirar a licença de cinco meses, para acompanhar de perto os primeiros tempos do Mateus em casa, fiz mil e um planos: terminar, finalmente, o meu romance, alinhavar uma nova ideia para livro do blogue, escrever um ou dois episódios piloto de umas coisas que ando a magicar, ir ao ginásio todos os dias, ver todas as séries que andei a acumular, ler os livros que tenho em atraso, preparar convenientemente a maratona de 6 de Outubro
Já se está mesmo a ver como vai terminar esta história, não é?

Em 19 dias em casa, nem uma linha dos livros, poucos posts, duas corridas, nada de leitura, e um ou outro episódio de uma série. E a culpa nem sequer é do bebé, que não dá assim tanto trabalho, é mesmo da minha mania de aproveitar o tempo para fazer coisas, de me armar em dono de casa, e depois pronto. Os dias voam sem que eu dê por isso.

Para que possamos descansar mais e melhor, instituímos cá em casa o sistema de piquetes nocturnos: numa noite estou eu de turno, no dia seguinte está ela. E a coisa até resultou muito bem nos primeiros dias. Só que há duas noites começaram as cólicas e complicou-se tudo. Como já sei o que isso é, porque sofri horrores com o meu primeiro filho, que teve cólicas agudas durante uns dois meses, cheguei-me à frente para fazer as massagens, para o aliviar com o bebégel, para o tentar deitar nas posições em que eles se sentem mais confortáveis; resultado: praticamente não dormi. E logo na noite em que tinha decidido pôr o sono em dia, já que andava a acumular horas de sono a menos há vários dias. No dia seguinte, foi o meu turno, e uma vez mais foi noite de cólicas. Logo às três da manhã levei o bebé para o outro quarto, longe da mãe, e deixei-a a dormir tranquilamente. Estive entre as 3h e as 5h30 a tentar aliviá-lo das cólicas, a dar-lhe o leite, a trocar-lhe a roupa, as fraldas, etc. Adormeceu 45 minutos, até às 6h15, e voltou a acordar, até às 9h. Mais uma noite por dormir. Depois, fui pô-lo ao pé da mãe, mas não dormi mais de 1h30, porque a essa hora já tinha o meu outro filho, mais velho, a reclamar a minha atenção e a querer ir jogar à bola, e na Wii U, na Playstation, etc.

E a minha vida tem sido isto: ou estou a tratar do mais novo, ou estou a brincar com o mais velho, ou a passear o cão, ou a fazer almoços e jantares, ou a arrumar a cozinha, ou a tentar dormir nos intervalos disto tudo.

Mas como eu sou uma pessoa positiva gosto sempre de acreditar que isto é só nas primeiras semanas. Depois é que vai ser. No próximo mês é que é.

Hã hã.

28 Comentários

  1. Ohplamordedeus! Eu leio o blog da pipoca e não se de onde se retira que ela é uma mãe baldas!

    "o colo da mãe é o que o bébe mais precisa e quer." Não é que me lembre, mas o que oiço é que me calava muito mais depressa no colo do pai!

    E já agora, não sendo mãe, não acredito – pelos mais variados relatos – que os papéis sejam diferentes: o bebé tem certas necessidades a ser supridos que deverão sê-lo porque quem dos dois estiver mais à mão.

  2. Lua azul Lua azul, não quero ser má mas ai do homem que me dissesse que eu estava de férias. Muitas mulheres entram em depressão pós parto, entre outros motivos, porque ao chegarem a casa só podem contar consigo, pois os maridos ao verem-nas em casa todo o dia pensam que elas estão de férias e não fazem nenhum em casa, nem com o bebé nem com a tarefas do dia a dia.

    Já para não falar que, por exemplo, o meu pai – que trabalhava enquanto a minha mãe estava de "férias" – se levantava muitas vezes a meio da noite só porque lhe era aflitivo ficar a ouvir a filha a chorar, mesmo que estivesse com a mãe, foras as vezes em que era a "vez dele".

  3. – o bebé é alimentado por biberão, que ambos podem dar

    – o filho mais velho, imagino eu, não está todos os dias presentes e pode ser "cuidado" pelo pai

    – arrumar a casa, tratar da roupa, preparar refeições não deveria competir só à mãe – se isto é o que o casal (não este mas qualquer um, o/a anónima e o seu/sua Cônjuge, por exemplo) "estipulou", se calhar deviam revê-lo nesta fase

    Na minha opinião, as tarefas familiares devem ser partilhadas. Por uma razão qualquer limpar, arrumar, cozinhar e passar a ferro são tarefas da competências das mulheres e, às vezes, os homens ajudam – tipo, põem e levantam a mesa, levam o lixo. Claro que quando chegam os filhos é o fim do mundo em cuecas.

    E sim, bem sei que é pão nosso de cada dia e o que acontece em mesmo muitos lares portugueses. não deixo de achar ridículo e impossível de sustentar, principalmente porque, hoje em dia, a maioria das mulheres trabalha a tempo inteiro fora de casa.

  4. pois entao se voce professar alguma religiao, agradeça ao seu deus, pq com esse feitio meio nazi e intolerante deve ter ganho o euromilhoes ao ter encontrado um companheiro assim

  5. A pipoca é uma grande sortuda, é o que é! Espero que o arrumadinho não se deixe dominar completamente! Você é pai, mas ela é mãe e os papeis não são exactamente os mesmos. Por muito que um pai possa dar colo e mimo e tratar das cólicas, o colo da mãe é o que o bébe mais precisa e quer…a pipoca não pode fugir a isso e a mim parece-me que ela se descarta muito facilmente das suas responsabilidades como mãe…e agora ainda ele não dá trabalho! Cada vez vai dar mais! Lamento dar-lhe a noticia, mas nada melhora, só piora!

  6. Ricardo,

    Pode explicar-me como se faz para o pai poder gozar a licença na totalidade? Eu sou trabalhadora independente e tenho de estar sempre disponível, posso e irei parar totalmente 1 mês no máximo, já o meu marido trabalha por conta de outrem, podemos fazer como vocês(estou a presumir que será uma situação semelhante)? na SS não me sabem responder, já tive 2 respostas diferentes, é o cúmulo da incompetência dos serviços públicos.
    Obrigada
    Ana

  7. Tenho um bebé de 4 semanas (2º filho) e revejo-me nesta coisa do "não consigo fazer nada do que tinha planeado…"
    Mas tenho um marido fantástico que também sabe que estas coisas da parentalidade são para ser partilhadas, e sabemos que um dia voltaremos a dormir como deve ser ;o)
    Felicidades!

  8. Posso-lhe dizer que fez isso e muito mais, dentro e fora licença, tal como ainda hoje continua a fazer, é um excelente marido e ainda melhor pai. Mas não é por isso que me vai ouvir dizer que tratar de um bebe é fácil e que se não tivermos a olhar para ele a dormir podemos fazer mil e uma coisas para as quais não tinhamos tempo quando trabalhavamos fora de casa. Qualquer mãe/pai que teve de licença sabe que isso não é verdade. E ainda bem que as coisas são assim, senão não valia a pena termos filhos, tiravamos apenas uma licença sem vencimento ou algo semelhante.

  9. Por curiosidade o pai dp seu filho passou uma noite em pé enquanto a mãe dormia? Fez turnos uma noite um outra o outro? Só para saber se o pai do seu filho fez a sua obrigação como diz e que a segurança social lhe paga na semana em que nasceu e no mês a seguir a sua licença. Porque isso é de lei e o pai é obrigado a tirar esse tempo por lei. O resto não é obrigado a nada apenas aqueles que sabem o que é ser Pai.

  10. "À medida que ele foi crescendo fui tomando consciência de que os primeiros tempos são, efectivamente, os mais fáceis. Parecem-nos muito complicados e duros porque os estamos a viver pela primeira vez mas, depois, quando chegamos a outras fases, em que eles são mais matreiros, mais exigentes, mais absorventes, percebemos o quão simples era a nossa vida quando ele estava paradinho num berço e só era preciso mudar-lhe fraldas, dar-lhe banho, alimentá-lo e dar-lhe miminhos." O Arrumadinho
    Só para lhe mostrar que mais fácil é falar da boca para fora quando não sabemos ou não nos lembramos do que estamos a falar.
    E sim, a Segurança Social paga-lhe, a Segurança Social não é um banco onde fica guardado o nosso dinheiro para mais tarde o irmos lá buscar, serve para redistribuir as nossas contribuições para quem delas precisa e as licenças de maternidade e paternidade são um bom exemplo disso mesmo. Aproveite bem a licença e goze muito o seu filho, estes primeiros meses deliciosos e nunca mais voltam. Tem o resto da vida para todos esses objectivos, se não os cumprir não é porque não é perfeito, é porque teve a criar uma crinça e nada é mais importante que isso.

  11. Caro anónimo, eu faço aquilo que, em consciência, acho que tenho de fazer, e não aquilo que a sociedade entende como normal, ou aquilo que os outros homens ou mulheres fazem. Naturalmente que não estou a fazer mais do que a minha obrigação enquanto pai, mas em que momento é que disse que estava? O que disse, no post, foi que tinha a expectativa de conseguir fazer muitas coisas, e continuo a ter essa ideia, porque a licença ainda agora começou. A Segurança Social não me "paga", como diz, apenas me restitui aquilo que eu ando a descontar há quase 20 anos, e que é meu por direito. Mesmo assim, isso não quer dizer que eu tenha de estar 24 horas por dia a tratar da criança, só porque estou a ser pago para isso. Eu também sou pago pelo meu patrão para trabalhar numa revista, mas isso não significa que não possa fazer mil e uma outras coisas. Se até agora não tive tempo, foi porque aconteceu muita coisa, tardes inteiras com visitas em casa, jantares de família e amigos, e ainda muitos processos que estão a ser apreendidos pelos dois. Daqui a um mês as coisas não serão assim, será tudo mais fácil, haverá muito mais tempo para todos, e, então, poderei fazer muitas das coisas que tenho planeadas.

  12. Acho que é natural que tentemos por antecipação organizar a vida e tentar ser produtivos, mesmo que estando de licença.
    A realidade é que um bebé absorve todo o tempo e isso é ok, é suposto que assim seja, quer estejamos com o bebé a 2 mãos ou a 4.
    Efectivamente acho que foi um "desabafo bom", um bebé origina cansaço em que realidade nos encontremos. Obviamente uns terão condicionantes mais fáceis que outros. A questão é que muitas vezes fica alguma mágoa para quem teve sempre de fazer tudo sozinha e isso origina comentários, compreensivelmente, mais críticos, porque de facto é muito complicado ouvir que a licença é um período de "férias" para a mãe, quando é tudo menos isso, principalmente quando não têm ajuda e, para além de todo o trabalho associado a um bebé, não têm o mais essencial: a certeza do espírito de equipa e de que podem permitir-se a ter tempo para si.

  13. Só para dizer que és um PAI e assim em Portugal contam-se pelos dedos. Parabéns! Por não ser machista e em vez de dar uma ajuda é um Pai.

  14. A verdade é que ainda consegue fazer isso tudo porque estão 2 pessoas a tratar dele e às 9h o foi por ao pé da mãe. A grande maioria das mulheres que estão de licença de maternidade não o podem por ao pé de ninguém. Além disso, não se "armam em donas de casa", têm obrigatoriamente que fazer almoços, jantares, tratar da roupa, limpar a casa, tratar dos outros filhos, etc.
    Não me parece que esteja a fazer mais do que a sua obrigação de tomar conta do seu filho, uma vez que está a ser pago para isso pela Segurança Social e não para escrever livros e preparar corridas.
    Felicidades para os 3.

  15. Olá! Boa tarde, tenho de reconhecer que és o máximo (ás vezes…). Tratar assim do bebé! Eu tive de fazer quase tudo sozinha, pois o pai queria era dormir, porque eu é que estava de férias… o que vale é que o bebé a partir dos dois meses começou a dormir toda a noite. Mais tarde tive outro filho, que só se calava nos braços do pai!
    Lua Azul

  16. A licença não é para adiantar trabalho deixado, ou não, para trás. É mesmo para estar disponível para o filho. Não percebo qual é o problema! Problema era se não tivesses esses cinco meses de licença e tivesses de ir trabalhar depois de uma noite sem dormir.
    E, se a mãe conta a mesma estória, só que no feminino, então, tens mesmo muita sorte!, duas pessoas +ara tomarem conta de um, ou dois, muito de vez em quando.

  17. Pois é! Nós e a nossa mania da organização e quer fazer uma série de coisas ao mesmo tempo! Realmente com filhotes a coisa complica mais um pouco! Mas nada é impossível e tudo se faz! Força!

  18. Não resisto a comentar. Então mas a licença de maternidade/paternidade não é para isso mesmo? Cuidar do bebé, com tudo o que isso implica?

    Agora coloque-se no lugar de uma mãe, que por amamentar e ter o marido a trabalhar a tempo inteiro tem que fazer tudo – mas mesmo TUDO – sozinha. Não há noites por turnos pois é ela que tem de alimentar o bebé, cuidar dos filhos mais velhos, arrumar a casa, preparar as refeições, tratar da roupa, etc. Essa a realidade para a maioria das mulheres que tiram licença de maternidade.

    É lógico que com alguma organização é possível fazer outras coisas e não viver somente em função do bebé. E felizmente há bebés mais fáceis do que outros.

    Resumindo, deixe-se lá de queixumes e aproveite a sorte que tem ao poder gozar a sua licença e apoiar a sua mulher e filhos.

  19. Como reconheço essa lista de objetivos e a sensação frustrante de não fazer "check" em nada ;)!
    Os primeiros meses, sobretudo quando eles têm cólicas, são um bocado complicados são! Mas, como se costuma dizer, faz parte 😛 Não ajuda, é cliché, pode ser irritante de ouvir, mas é verdade! E, na verdade, o que interessa é estarem todos bem. Beijinhos para os 4! Quer dizer, 5… a contar com o Manolo! 🙂

  20. Ola! Bom dia!
    De facto não é fácil… Mesmo assim admiro muito a vossa cumplicidade e sentido de organização! Parece-me a mim, que se estão a sair muito bem. Acho perfeitamente normal, que acabe sempre por faltar uma coisinha aqui ou ali.
    Parabéns e força para os projectos em mente! 🙂

  21. Ena pá, como eu te compreendo!
    Fiz a licença partilhada com a patroa e no mês em que fiquei em casa, também tinha mil e um planos e coisas para fazer com a filhota… TUDO MENTIRA!!!
    O tempo não dá para nada! Mas nas primeiras semanas é pior, confirmo. Vais ver que daqui a uns tempos já tens mais tempo.
    Parece-me é que estás a ser um nadinha ambicioso com essa lista… só um nadinha! LOL

  22. E vai ser, daqui a umas semanas o pequeno Mateus, já está sem cólicas, e vocês com os sonos em dia. Também sou optimista por natureza 🙂

  23. Então não é… Ui, ui, até eu, que não sou mãe, sei que at´´e ele gahar alguma autonomia (lá para os 4 anos) não vais ter grande tempo para o que quer que seja 😉
    Mas deixa lá, que sabes que vale a pena. Basta pega-lo no colo e encostá-lo ao peito, com a cabecinha aninhada no nosso pescoço, que tudo vale a pena.
    Beijinhos aos 3 (ups, 4, ia esquecendo o Manolo),
    Ana

  24. A minha filhota andou com cólicas até lhe carregar com Infacol, abençoado! Ah, e Bebegel também umas dezenas… Até dá dó olhar para eles a controcerem-se todos. Mas como bem sabes, são fases e depois compensa e muito. E se não for antes, lá nos encontraremos dia 6 de Outubro na bela Baía de Cascais! Abraço 😉 – Daniel Gomes (OFFtel runners)

DEIXE UMA RESPOSTA