O que se passa com Moura Guedes?

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Não queria acreditar quando li o que Manuela Moura Guedes colocou no Facebook. Comentei de imediato com a minha mulher, “pronto, passou-se”. Mas pelos vistos outras pessoas a terão alertado para a insanidade do que estava a escrever e, então, ela lá terá reconsiderado e apagou o comentário.

Basicamente, Manuela resolveu pronunciar-se sobre a polémica do erro numa resposta do “Quem Quer Ser Milionário”. A pergunta era: “Complete o provérbio: ‘Dezembro frio…'” e a resposta correcta seria “… calor no estio”, mas o que lá estava era “… calor no estiLo”.

Bom, segundo a teoria de Manuela Moura Guedes não há aqui qualquer erro. Isso mesmo. A resposta “calor no estilo” faz todo o sentido. E porquê? Porque o provérbio tem duas formas: calor no estio e calor no estilo. Segundo, “mais de dez fontes” que ela consultou (oi? quais? onde?), a primeira versão (estio) é a mais corrente, mas há outra (estilo) que é menos conhecida, e era essa a resposta, mais difícil por ser menos conhecida, daí a pergunta ser do nível oito. De acordo com a apresentadora, se a resposta fosse “calor no estio” a pergunta seria demasiado fácil e teria de ser de um grau inferior. A única fonte citada para comprovar esta teoria é “o site da Literatura!”, diz Manuela Moura Guedes (oi? site da literatura? o que é isso? qual site? mas só há um site da literatura?)

O que Manuela Moura Guedes não percebe, e devia perceber, é que não há mal nenhum em errar, acontece a toda a gente. A culpa até nem é dela, mas da equipa de produção do programa, agora inventar teorias só para evitar ter de pedir desculpas pelo erro, isso, já é demasiado grave, patológico, até, e vem pôr em causa as supostas fontes que ela terá usado enquanto jornalista.

Sinceramente, não acredito nas tais “dez fontes” de que ela fala. Acho mesmo que inventou isso. Uma fonte não é um qualquer local onde encontramos informação, para se ser fonte é preciso, em primeiro lugar, ter-se credibilidade. Mesmo que Moura Guedes tivesse encontrado um ou outro site com esta teoria dela (o que não acredito, acho que inventou), nunca seria “uma fonte” já que teria de ser um site qualquer manhoso, sem a credibilidade necessária para se ser uma fonte.

Moura Guedes termina o seu post atirando-se aos eruditos que acham que toda a gente conhece o significado de “estio”.

Tudo isto só vem dar razão a quem forçou Moura Guedes a sair da TVI, e a quem não lhe deu emprego durante quatro anos. Há definitivamente qualquer coisa errada com a jornalista, que deveria pensar duas, três, quatro vezes antes de fazer coisas destas que lhe minam de vez a credibilidade.

Para quem não leu, deixo aqui o post que ela colocou no Facebook e que entretanto apagou, só para o caso de não acreditarem no que escrevi (é que parece mesmo anedótico).

31 Comentários

  1. Calma! Pelo que já vi do programa até parece que está muito bem. A Manuela Moura Guedes é uma pessoa que parece ser transparente e com bom coração. Como profissional parece ser impulsiva e que nao consegue ser imparcial. Desejo-lhe muita sorte, porque fez história na tv em Portugal.

  2. Boa tarde a todos.
    Se forem agora ao Portal da Literatura, já não consta “…no estilo.”, apenas consta o provérbio original “…no estio.”, o que significa que até este site corrigiu a gralha.
    Bem hajam, e parabéns pelo blog.

  3. Também fui verificar ao Portal da Literatura e está “estio” e não “estilo” ou refere, igualmente, noutro sítio/tema?

    Quanto à “justificação”da Manuela Moura Guedes só posso dizer que é uma anedota, dada a tamanha falta de humildade em admitir um erro que, apesar de estar num programa de televisão com um nível de exigência superior, também acontece e se permanecesse no seu cantinho, sem grandes alaridos, ou se realmente quisesse dizer alguma coisa a este respeito, se o fizesse com algum sentido e lamentasse, humanamente, o erro, procedia como uma verdadeira profissional que, até então, me parecia isso mesmo: uma verdadeira profissional. Agora não.

  4. Em vez de portal da literatura, que tal consultar o dicionário para conhecer as definições de “estio” e “estilo”?

    É que se percebe logo que a justificação que dá, para “estilo”, é…parva!

  5. Sim, eu concordo consigo…o provérbio assim nem faz sentido algum! Só fiz o reparo que no site realmente estava assim, mas que não faz sentido, é óbvio!
    O mais impressionante foi a Manuela Moura Guedes no programa ter tentado explicar uma coisa inexplicável… e agora isto, no Facebook!
    Enfim, a mulher está a ensandecer…

  6. Parece-me fácil deduzir que o que se encontra no Portal da Literatura é uma gralha, porque não refere a forma com ‘estio’, e suponho que o outro site que referiu simplesmente copiou a informação assim.

    E estou com o Arrumadinho, fiquei incrédula quando li a esse post da senhora; afinal, quão difícil é admitir que houve um erro, que nem foi dela? Para quê estar a querer mostrar razão à força toda? Isto não é comportamento de adultos.

  7. Esta mulher que envergonha o jornalismo, ainda tem a agravante de ter feito um quase linchamento público de uma pessoa: Carlos Cruz, sem qualquer fundamento, sem quaisquer provas. Uma mulher que sem querer cair em clichés parvos, deve ter muita falta de peso em cima!

  8. Este caso é tão absurdo que se torna apaixonante! Eu nem queria acreditar que um programa da televisão publica tivesse pesquisadores tão pedestres que se limitavam a “comer” tudo o que viam na net. Tristemente, assim é.
    Pior, triste, constrangedor, foi a MMG a defender o indefensável, a explicar o inexplicável, sem pontinha por onde se pegasse. E a concorrente a olhar para ela estupefacta… Surreal!

  9. Muito gostam as pessoas de acreditar em tudo o que está escrito na net.. Faça sentido ou não, se está num site da internet é porque é a verdade.
    Enfim..

  10. O provérbio não existe. O portal tem a informação errada, provavelmente foi uma gralha. Até porque se, como diz Moura Guedes, existissem os dois, estariam lá os dois, e não estão.

  11. Está, obviamente, errado. Até porque se existissem as duas formas, estariam lá as duas, e não, só está a do “estilo”, que é uma gralha. Mas, como escrevi, o facto de vir num sítio não quer dizer que esteja correcto. E não está. Basta tentar analisar o provérbio com a palavra “estilo”. Que sentido é que faz? Nenhum.

  12. Bom post. Concordo consigo, Arrumadinho, a MMG perdeu a credibilidade. (Nota especial para o “site da Literatura” (?)… Que delícia!)
    Permita-me só que lhe faça uma correcção: não está certo quando diz que «Moura Guedes termina o seu post atirando-se aos eruditos que acham que toda a gente conhece o significado de “estio”.» Pelo contrário, MMG termina o seu post criticando quem considera que NEM toda a gente conhece o significado de estio. Ou seja, ela acha que toda a gente (“com uma formação académica normal”) conhece a definição de estio, e que, por isso mesmo, o provérbio “Dezembro com frio, calor no estio” é de um nível básico.
    Obrigada pela atenção.
    Filipa

  13. Eu acho que estilo não tem lógica nenhuma e só conheço o provérbio com “estio”, mas já encontrei “estilo” nalgumas fontes, mas não dez. 🙂 Uma delas é o portal da literatura (http://www.portaldaliteratura.com/proverbios.php?id=667), que não diria que é um site manhoso, mas provavelmente também está errado.

    Mas melhor que a gaffe da MMG, só mesmo a do DN, que ao contar a história diz que a concorrente bloqueou o VERBO “aconchego”…

  14. O mais estranho é que eu foi pesquisar ao portal da literatura e realmente o provérbio está “Dezembro frio, calor no estilo”!
    A minha alma está parva… sempre acreditei que fosse gaffe, mas agora estou com as minhas dúvidas :s

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