O que conta é as vezes que se fala nisso

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A minha mulher está constantemente a apontar-me o dedo para pequenas falhas minhas. Ou porque deixo uma gaveta aberta (é o mais comum), ou porque deixo uma luz acesa ou porque deixo cair coisas ao chão — normalmente o telemóvel, as chaves, os óculos ou coisas relacionadas com o Mateus, como as tampas dos biberãos ou a chucha. Chama-me mãos de manteiga, mãos rotas e coisas do género.

Eu tenho outra teoria, e já tentei explicar-lha: eu não deixo cair mais nem menos coisas do que as outras pessoas, o que acontece é que às outras pessoas não há ninguém a lembrar isso mesmo de cada vez que acontece, por isso, ninguém se lembra se elas deixaram ou não cair qualquer coisa. E dei-lhe um exemplo: ela também está constantemente a deixar cair coisas e eu nunca lhe digo nada, porque não vejo grande mal nisso, não é coisa que me incomode, nem me parece que seja por dizê-lo que ela começará a deixar cair menos coisas, porque ninguém deixa cair coisas por falta de cuidado, mas apenas porque, olhem, acontece.

Há quatro ou cinco dias, deviam ser umas seis da manhã, estava a voltar ao quarto, ainda de noite, carregado com as coisas do Mateus para lhe dar comida. Era um biberão, o recipiente do leite em pó, a fralda, a chucha, o telemóvel (que uso como lanterna), os meus óculos e mais não sei o quê. Sentei-me na cama, abri o biberão e tirei-lhe a tampa, abri o recipiente do leite e tirei-lhe a tampa, pousei o resto das coisas e quando me levantei uma das tampas caiu ao chão. A minha mulher deu um salto da cama como se nos tivesse aterrado um avião no quarto.

— O que foi isto? — perguntou, sobressaltada.

— Foi uma coisa que caiu, vá, dorme.

Lá se virou para o lado, contrariada, e adormeceu.

No dia seguinte, a boquinha.

— Então, esta noite lá voltaste a deixar cair coisas. Tu não tens remédio.

E foi então que resolvi mudar de atitude. Ai é? É assim que queres, então vamos a isto.

— A partir de hoje vou começar a chamar-te a atenção para todas as coisas que deixares cair, para perceberes que é uma coisa que acontece, e acontece-te tanto quanto a mim.

— Ah! Ah! Ah! Isso nem tem comparação. Eu nunca deixo cair nada.

— Deixas, claro que deixas, eu é que não estou logo pronto para te dizer isso. Mas vamos ver daqui para a frente.

Logo nessa noite, aí às três da manhã, pimbas!

Trum! Estrondo.

Acordei e virei-me para ela.

— Olha, deixaste cair qualquer coisa. Que estranho, para alguém que nunca deixa cair nada.

— Foi o telemóvel, porque isto… (deixei de a ouvir).

1-0.

Esta noite, três e meia da manhã.

Trum! Segundo estrondo.

Por acaso, aconteceu quando eu andava a pé no quarto, a tratar do Mateus.

— Olha, deixaste cair os óculos.

Não obtive resposta.

2-0.

And counting.

16 Comentários

  1. Olá! Só para dizer que através de ti conheci o blog casinha da boneca e adorei. Tb já lá fui dizer à boneca “pessoalmente”. Granda maluca. Põe qualquer trombudo bem disposto. É tua conhecida na vida real? Ela é mesmo assim?

  2. Upsssssss só agora reparei que a Pipoca foi a PRIMEIRA a comentar ah ah ah

    Tás mesmo feitinho ao bife Arrumadinho, ah ah ah

    Aprendam homens, nunca se metam com as mulheres!!

  3. Tshiiiiiiiiiii….quando a Pipoca ler isto (se é que já não leu) vais “levar nas orelhas” Arrumadinho 🙂

    Vocês são mesmo engraçados 🙂

  4. Essa mesma teoria, poderás aplicar também ao Benfica e aos seus respectivos Dirigentes e Adeptos quando falam constantemente sobre arbitragens e favorecimento ao FC Porto…

  5. Acontece o mesmo comigo mas é o meu marido que me chama a atenção,sendo ele a pessoa que deixa tudo ao “Deus dará”por isso faço o mesmo e depois não gosta…

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