O Porto faz-me doer as pernas

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Os Secret Runners do Porto, já depois de concluída a prova

Quando programámos este fim-de-semana no Porto eu já sabia que na segunda-feira iria ter as pernas bem doridas. A minha ideia era a de correr a primeira Secret Run oficial na sexta-feira às 22h, fazer um treino ligeiro, mas longo, no sábado de manhã e correr a Meia-Maratona do Porto no domingo de manhã. E assim foi.

A Secret Run

Chegámos a Gaia à tarde e instalámo-nos no Hollyday Inn (onde costuma ficar o Glorioso quando visita o Porto), que fica bem cá no alto. Como a partida da Secret Run era na Alfândega, perto da Ribeira, achei que o melhor seria ir a correr até ao ponto de partida, já que a prova era relativamente curta. Lá fui eu, sempre a descer, e a pensar no que me esperava quando regressasse ao hotel, com uma subida de quase três quilómetros. À porta da Alfândega estavam já dezenas de atletas, todos sem saber muito bem o que iria acontecer (a ideia da Secret Run é essa: ninguém sabe onde vai correr, nem o que se vai passar durante o percurso). O grupo foi levado para as catacumbas da Alfândega, onde nos foi dado um briefing e onde foram apresentadas as duas atletas que iriam liderar a prova. Depois, a grande surpresa: saímos pelas traseiras e fomos direitos ao Douro, onde nos esperava um barco. A corrida começou com um passeio nocturno pelo rio, do Porto até ao cais de Gaia. Cenário bonito e romântico. A corrida a sério começou do outro lado, sempre junto ao rio, e com vista maravilhosa para o Porto. Passámos a Ponte D. Luiz, atravessámos as esplanadas da Ribeira (para alegria dos turistas, que devem achar que há gente maluca na cidade, a correr em grupo àquela hora), deixámos a Alfândega para trás e só demos a volta uns dois quilómetros mais à frente. O grupo conseguiu ir quase todo junto, a um ritmo baixo, já que a ideia da Secret Run não é competir, mas sim privilegiar o convívio entre gente que gosta de correr e de aventuras. A toda a organização, os meus parabéns.

Felizmente, no regresso consegui uma boleia, o que deu algum jeito, já que já tinha corrido 10 km e não me estava a apetecer fazer mais cinco, três deles a subir.

Corrida de Sábado e Maratona do Cão

Sábado de manhã, aventurei-me num treino mais longo, a um ritmo lento. Comecei em Gaia, desci até à Ribeira, fiz toda a marginal até à Foz, passei pelo Castelo do Queijo e entrei pelo Parque da Cidade, onde estava a decorrer a Maratona do Cão. Fiquei um pouco a ver a prova, e confesso que me senti um pouco incomodado com a ferocidade de alguns participantes, que estavam ali muito mais pelo prémio do que pelo convívio. Pobre bichos, rebocados à força por donos em fúria. Mais para trás, sim, a coisa parecia bastante simpática, com toda a gente a correr tranquilamente com os animais.

Neste treino, somei mais 17 quilómetros, cinco acima do que tinha previsto.

A Meia-Maratona e os amigos fraquinhos

Domingo de manhã, acordei com as pernas um pouco doridas, mas cheio de vontade de fazer a meia-maratona. Tinha apontado para um tempo de 1h45m, num ritmo sempre entre os 4’30 e os 5’00, relativamente calmo, já que a meia era, para mim, o treino longo de domingo, tendo em vista a preparação para a maratona de Lisboa, a 6 de Outubro, onde eu ainda acredito que conseguirei estar, mesmo não conseguindo cumprir com um plano de treinos decente. Fui para a partida com uns amigos e alguma malta conhecida. Entre todos, só eu e o José Fidalgo assumimos fazer a meia-maratona, todos os outros foram para a Mini, incluíndo a minha amiga Andreia Vale, que se amedrontou à última hora (mas fez bem, já que andava a treinar pouco).

Comecei a prova num ritmo lento, e a primeira impressão que tive foi a de que aquela é, provavelmente, uma das provas mais bonitas e acolhedoras do mundo. Toda a prova é à beira-rio, ao longo de todo o percurso há gente a assistir e, mais, a assistir e a puxar pelos atletas, a incentivar, a oferecer água, a borrifar-nos para nos refrescarem. Uma simpatia. Não há comparação com as meias-maratonas de Lisboa, onde as estradas por onde a prova passa estão quase sempre vazias, e em que muito pouca gente aplaude ou incentiva. No norte, a simpatia é outra, claramente.

Aos quatro ou cinco quilómetros, o José Fidalgo ultrapassou-me, deu-me uma palmadinha nas costas e lá me disse: “A gente já se vê, quando me ultrapassares”. Ele estava a contar completar a prova em 2h, e, na altura, achei logo que ele ia demasiado rápido, e que iria pagar isso mais tarde. Mas nunca mais o vi. Nem quando aos 12 km bebi o gel energético, que me deu um gás extra, e acelerei o ritmo. Pensei logo que ele deveria estar em melhor forma do que pensava, e tinha ido mais lá para a frente.

Cheguei à meta 5 segundos antes do que tinha previsto – fiz 1h44m55s – e fui ter com os meus amigos que correram a mini. Perguntei pelo Fidalgo, e ninguém sabia dele. Passada uma meia-hora lá chegou. Desistiu aos 10 km. Não aguentou mais. Este é o erro mais frequente em pessoas que não têm o hábito de correr provas mais longas: partem demasiado depressa e, depois, pagam isso mais tarde.

No final, houve foto de família, que podem ver mais abaixo.

O grupo que correu a Secret Run, sexta-feira à noite, na Alfândega do Porto
A entrada para o passeio de barco que nos levou do Porto a Gaia
Eu e o Bruno Claro, o homem que dá a cara por este projecto secreto e que passa a vida a ter ideias para pôr a malta a correr
Sábado de manhã, a assistir à Maratona do Cão, no Parque da Cidade
O meu dorsal para a meia-maratona do Porto
A minha mulher costuma levar um necessaire cheio de tralha e cremes e cenas, eu levo sempre a mochila da corrida. Desta vez, levei dois pares de ténis (estava indeciso entre os Adizero e os Boost – usei os Adizero nos treinos e os Boost na meia-maratona), uns óculos Adidas especiais para correr, uma protecção de tornozelo, o meu computador de pulso (o maravilhoso Garmin Forerunner 910, com a respectiva banda cardíaca), meias de compressão, uma banda para levar o telemóvel no braço, suplementos de recuperação da Gold Nutrition, um gel Nuk para não criar bolhas nos pés, Ben-U-Rons e alfinetes
O grupinho que foi comigo, a Andreia Vale, eu, o Pedro Barroso, a Carolina Patrocínio, a Sónia Araújo, a Débora Monteiro, o Jorge Gabriel e o Vítor Rangel (reparem que só uma pessoa tem a medalha ao peito – o único que fez a meia, claro) – falta aqui o José Fidalgo, que ainda não tinha chegado

9 Comentários

  1. Muitos parabéns pela meia maratona.

    O pai do meu homem também participou, não sei se já ouviu falar no José Magalhães, marchador, que participou nos Jogos Olimpícos em 1992 e 1996 e foi campeão nacional umas poucas de vezes.

    Tem 59 anos mas faz-nos ver, a mim e ao filho que não temos forcinhas nas “canetas” para o acompanhar :p

  2. Oh Ricardo, deste cabo do José Fidalgo, isso não se faz… o rapaz com aquele ar todo jeitoso e atlético e vai-se a ver….lol Muita parra e pouca uva…

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