O outro lado do dinheiro

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Não acredito em amores e cabanas. Acredito em amores em cabanas, mas não acho que uma coisa e outra cheguem para a felicidade.

Há dias falei sobre a forma cega como muita gente põe o dinheiro à frente de tudo, como o dinheiro lhes tira o discernimento ou como o dinheiro condiciona cada passo que dão. Mas uma coisa é por o dinheiro no centro da equação da felicidade – e isso acho que é errado – outra é retirar a parcela do dinheiro quando se fala numa vida feliz e sem problemas – e nisso eu não acredito.

Não acho, mesmo, que seja por se ser multimilionário que se será necessariamente mais feliz. Mas sei que quando o dinheiro falta a probabilidade de haver conflitos entre casais e muito maior. E não digo isto tanto pelas coisas maravilhosas que se podem fazer com muito dinheiro. Não é por se ter um Ferrari que se é mais feliz do que uma pessoa que tem um BMW. Mas já acho que quem não pode ter, sequer, um carro pode enfrentar uma série de condicionamentos que, em muitos casos, levam a problemas, conflitos e infelicidade.

Ao longo da vida já passei por várias fases económicas, umas melhores, outras piores. E aconteceu-me sempre aquilo que eu defendo: as vidas ajustam-se consoante as possibilidades (dentro de alguns limites, porque com 500 euros por mês não há ajuste possível, ou se arranja uma pessoa para partilhar despesas, ou então não dá para viver com o mínimo de dignidade). E na verdade, agora que olho para trás, confirmo aquilo que muita gente diz e que me recusava a acreditar: não é por ganhar muito que vou ser mais feliz, até porque para se ganhar muito tem de se trabalhar para lá do limite, e isso traz consequências a outros níveis.

Mas muitos dos conflitos, até internos, que tive estiveram de alguma forma relacionados com a frustração de não conseguir determinados objectivos porque o dinheiro não me chegava para isso. Houve uma fase na minha vida em que questionei, de facto, tudo o que fazia, já que me matava a trabalhar, tinha um salário bastante razoável, mas o dinheiro ia-se em despesas correntes, em coisas estúpidas, que têm de ser pagas, e isso fez-me perder, em determinada fase, a vontade de continuar empenhado no que fazia. Mas não desisti. Só que no meio dessa luta, algo ia ficando para trás na minha vida, e na minha relação, porque me sentia triste e frustrado profissionalmente, não tanto pelo que fazia, mas mais pelo facto de fazer muito, ganhar o que achava ser suficiente, privar-me de algumas coisas que me davam prazer, mas no final do mês o dinheiro não dava para mais nada.

E sei que isso acontece com muitas outras pessoas. O querer e não poder gera frustração, raiva, infelicidade. E isso tudo leva a que percamos tolerância, a que fiquemos irritadiços, leva a duvidarmos do futuro e a olhar para a frente sem grande esperança. Até porque quando temos folga financeira, podemos usar esse dinheiro para determinados escapes que ajudem a contornar ou mesmo a anular conflitos. Há escapadinhas de fim-de-semana, há idas a um spa ou a um ginásio, há férias três vezes por ano, há mil e uma coisas que se podem fazer. Mas quando não há dinheiro, não há nada disto, e só nos resta continuar a lutar ou desistir.

Só há essas duas formas de olharmos para o problema da falta de dinheiro, e da ausência de perspectivas para que as coisas mudem. E vendo as coisas assim só podemos lutar e acreditar. Dessa luta, seguramente virão pequenas vitórias. Das pequenas vitórias pequenas alegrias. E até se chegar ao final da guerra só temos de ir acreditando. Mesmo que percamos, ao menos, pelo caminho, fomos positivos. E quando se é positivo é tudo melhor.

47 Comentários

  1. A Ferver, já estava atrasada. vá dormir e bons sonhos beba um cházinho, calmante, porque o fígado não gosta de críticas mordazes e tanto a se debruçar, pode mostrar…., pouca coisa, não é dotada. BeijK.

  2. No outro post Sobre a Admiração, comentei o que faria para ser feliz com um vencimento de 500 euros?
    E este post acaba por me explicar, exactamente isso, é que por mais voltas, que tentamos dar ao dinheiro ele não cresce, e sim, seria tão bom conseguir ir a um Spa, viajar 1 vez por ano, fins de semana de passeio…
    Sobrevivemos e sonhamos…

  3. Há uns dias debrucei-me sobre isso do amor e da cabana noutro sentido que é o de que há imensa gente que vive sem amor e num palácio e que essa é a premissa vã. Concordo em absoluto que o dinheiro nos permite não "descermos" ao estágio da preocupação com a matéria e as pessoas fazem às vezes figuras tristíssimas quando se encontram despidas do bling, mas o meu foco inicial é sempre o de que o amor se deve sobrepor. Que o casal deve ser antes de um laço económico, um laço emocional. Porque, no limite quase te pergunto, imagina que a esposa por algum motivo não ganhava mais um euro para o resto da vida, deixavas de a amar ou adaptavas-te?
    Há uma coisa que costumo dizer que é "com muito toda a gente sabe ter, mas com pouco poucos sabem ser" e, no fundo, os grandes carácteres vêem-se nos momentos piores. Agora se me perguntares se toleraria um homem pouco controlado a gastar o que não tem? Bom, penso que não… mas por estourar e não por não ter. E toleraria um homem com um salário baixo? Sem dúvida que sim. Não íamos para spas? Íamos para outro sítio qualquer. Juntos.

  4. Há uns dias debrucei-me sobre isso do amor e da cabana noutro sentido que é o de que há imensa gente que vive sem amor e num palácio e que essa é a premissa vã. Concordo em absoluto que o dinheiro nos permite não "descermos" ao estágio da preocupação com a matéria e as pessoas fazem às vezes figuras tristíssimas quando se encontram despidas do bling, mas o meu foco inicial é sempre o de que o amor se deve sobrepor. Que o casal deve ser antes de um laço económico, um laço emocional. Porque, no limite quase te pergunto, imagina que a esposa por algum motivo não ganhava mais um euro para o resto da vida, deixavas de a amar ou adaptavas-te?
    Há uma coisa que costumo dizer que é "com muito toda a gente sabe ter, mas com pouco poucos sabem ser" e, no fundo, os grandes carácteres vêem-se nos momentos piores. Agora se me perguntares se toleraria um homem pouco controlado a gastar o que não tem? Bom, penso que não… mas por estourar e não por não ter. E toleraria um homem com um salário baixo? Sem dúvida que sim. Não íamos para spas? Íamos para outro sítio qualquer. Juntos.

  5. Há uns dias debrucei-me sobre isso do amor e da cabana noutro sentido que é o de que há imensa gente que vive sem amor e num palácio e que essa é a premissa vã. Concordo em absoluto que o dinheiro nos permite não "descermos" ao estágio da preocupação com a matéria e as pessoas fazem às vezes figuras tristíssimas quando se encontram despidas do bling, mas o meu foco inicial é sempre o de que o amor se deve sobrepor. Que o casal deve ser antes de um laço económico, um laço emocional. Porque, no limite quase te pergunto, imagina que a esposa por algum motivo não ganhava mais um euro para o resto da vida, deixavas de a amar ou adaptavas-te?
    Há uma coisa que costumo dizer que é "com muito toda a gente sabe ter, mas com pouco poucos sabem ser" e, no fundo, os grandes carácteres vêem-se nos momentos piores. Agora se me perguntares se toleraria um homem pouco controlado a gastar o que não tem? Bom, penso que não… mas por estourar e não por não ter. E toleraria um homem com um salário baixo? Sem dúvida que sim. Não íamos para spas? Íamos para outro sítio qualquer. Juntos.

  6. Há uns dias debrucei-me sobre isso do amor e da cabana noutro sentido que é o de que há imensa gente que vive sem amor e num palácio e que essa é a premissa vã. Concordo em absoluto que o dinheiro nos permite não "descermos" ao estágio da preocupação com a matéria e as pessoas fazem às vezes figuras tristíssimas quando se encontram despidas do bling, mas o meu foco inicial é sempre o de que o amor se deve sobrepor. Que o casal deve ser antes de um laço económico, um laço emocional. Porque, no limite quase te pergunto, imagina que a esposa por algum motivo não ganhava mais um euro para o resto da vida, deixavas de a amar ou adaptavas-te?
    Há uma coisa que costumo dizer que é "com muito toda a gente sabe ter, mas com pouco poucos sabem ser" e, no fundo, os grandes carácteres vêem-se nos momentos piores. Agora se me perguntares se toleraria um homem pouco controlado a gastar o que não tem? Bom, penso que não… mas por estourar e não por não ter. E toleraria um homem com um salário baixo? Sem dúvida que sim. Não íamos para spas? Íamos para outro sítio qualquer. Juntos.

  7. Primeira vez no blog e já estou fã…
    De facto o que dizes é verdade… e por vezes temos mesmo de ponderar quais as nossas prioridades e o que queremos fazer delas..
    Estou numa situação complicada e revejo-me exactamente neste ponto… Até que ponto vale ganhar mais e ter um bom trabalho se nos falta o resto????

    :o))

  8. Eu gostava de saber é como é que tu tens uma vida desafogada e a ganhar bem – é evidente, pelo que demonstras fazer – e passas a vida no blogue. Gostava, admito que tenho INVEJA da tua vida. É que ganhas um salário e ainda tens lazer o dia inteiro. Isso é que merecia um post à Dr. Phil a explicar como se consegue! Deixo o repto.

  9. Acho que o problema foi os exemplos que o Arrumadinho (detesto chamá-lo assim) deu. Viagens 3x por ano, spas, carros caros ,etc.Há outros pequenos prazeres que para nós (alguns)não significam grande coisa mas para outros é impossível. Há milhares de Portugueses que não se podem dar ao luxo de ir almoçar ou jantar fora, por muito modesto que seja o restaurante.Que não sabem o que é comer um bom bife e muitas coisas mais que não vale a pena estar aqui a dizer. Viagens? Ir à missa ao domingo e à feira quinzenal já é muito.
    MR

  10. Têm todos muita razão mas olhem que me tem sido dado a ver nos últimos dias que há quem tenha muito (mas mesmo muito!) dinheiro a valorizar coisas que não se conseguem ter se não houver boa vontade, alegria de viver "and so on"; já quanto ao amor e uma cabana, a verdade é que não podemos esquecer que tudo muda num abrir e fechar de olhos…a cabana pode passar a palácio e o palácio a cabana e imaginem só que neste último caso a falta de amor tinha sido "suavizada" pela existência do palácio!!!
    Cláudia

  11. Zé, no tempo dos nossos avós os casamentos duravam uma vida por questões morais e sociais, não por questões monetárias…logo, essa analogia não faz muito sentido!

  12. Concordo com o teu post… O dinheiro não trás felicidade, mas ajuda a evitar conflitos. Já tive meses muito bons, que me permitiram levar uma vida mais desafogada, sem muitas preocupações e já tive meses muito maus de não conseguir pagar uma ou outra prestação, de andar a ''contar trocos'' para sobreviver o resto do mês. E nestes meses, foi bem dificil manter a felicidade com tantas preocupações.

  13. para os comentaristas chocados com as interpretaçõeS: há quem leia o que está, literalmente, apenas, e há quem consiga ler para alem do que está, como um reflexo de uma determinada sociedade, de valores contemporâneos. Mas lá está , são horizontes e capacidades de interpretação e de reflexão. Mas tentar ler para alem não é defeito, nem estupidez, pelo contrario

  14. Arrumadinho,

    "Atenção, eu não escrevi que quem ganha 500 euros não é digno."

    Pois não. Escreveste que: "…com 500 euros por mês não há ajuste possível, ou se arranja uma pessoa para partilhar despesas, ou então não dá para viver com o mínimo de dignidade…".

    É o mesmo. Eu percebo o que queres dizer, mas algumas almas mais pobres de espírito levam como um ataque. Deves ter cuidado com as palavras que usas.

    Anyway, o texto é senso comum, penso eu. O dinheiro não pode ser tudo, mas também não pode sair da equação. E aquela máxima do "quanto mais ganhas, mais gastas" entra bem no teu texto. De que adianta ganhar €10.000/mês se o Ferrari nos leva €9.000, certo?

  15. Gosto destas pessoas criativas que conseguem ver endividamento e falta de dignidade num texto tão claro como este… mostra que têm uma imaginação imparável… deviam tirar partido disso e usa-la de outra forma… façam um blog daqueles que recebem dinheiro com visitas e dêem dicas a quem precisa de ideias novas… venham ajudar este país a andar para a frente enquanto se divertem e ganham uns trocos!!!

  16. Não entendo, como é que um texto com uma linguagem tão acessível, mesmo assim, as pessoas interpretam sempre tudo mal!
    Fala-se em viver com o minimo de dignidade, e lá aparece um ou outro que conhece pessoas que ganham menos que x e que mesmo assim são dignas.
    Perco-me, o que é que uma coisa tem haver com a outra?
    Concordo consigo, Arrumadinho. O dinheiro não traz felicidade, mas contribui para isso e, muito! Sem ele, há necessariamente mais conflitos (e note-se que disse "mais", e não "sempre", para alguém mais equivocado).
    Aliás, sempre que o Arrumadinho decide escrever alguma coisa que envolva dinheiro, instala-se a confusão.
    Gosto muito do que escreve, mas as vezes não gosto do que se escreve nos comentários, porque muitas das vezes é um atentado a inteligência certos raciocínios.

    Filipa Gouveia

  17. Confessa Arrumadinho…
    Andas a espiar os meus feelings!!!
    Ando com uma vontade enorme de mudar (profissionalmente… fazer algo que me faça sentir mais realizada) e por isso dou muito valor à tua mulher por isso!! Por ter tido a coragem de mudar… mesmo nos dias que correm!!
    😉

  18. Realmente é bem verdade, há muito português que não entende… português… Ou então são especialistas em lêr as entrelinhas quando elas não existem… Oh God!

  19. Porque que inventam coisas que não estão no texto?? Não ligue Arrumadinho! Parabéns pela sua escrita, e pela sua forma de expressar os vários temas que aqui são discutidos!

  20. compreendo o comentario do anonimo das 12.08. Não está de forma explicita no texto, mas acaba por estar implicito. Quando se diz que tres viagens por ano são um escape que ajuda a ultrapassar tensões. até pode ser verdade. mas o que acontece é que quem nao tem dinheiro para tal, tambem quer usufrir desse escape e o resultado é o sobre endiviamndemto. Porque? Porque se criam essas ilusões. No tempo dos nossos avós e bisavós não se viajava 3 vezes por ano, não se ia a SPA's nem as compras todos os dias e os casamentos duravam uma vida ( e nao eram todos infelizes, não…) a serenidade não se encontra nunca em coisas que se compram. é uma construção interior, da alma. pelo menos é o que eu acredito 🙂

  21. Caro Anónimo, escapou-me aqui a parte em que eu digo que se deve viver acima das possibilidades. E que se deve comprar o que não se pode ter. E que se deve ir de férias não tendo dinheiro. Tente lá encontrar isso no texto e envie-me, sim?

  22. Pois é, é a tua opinião. Pois mas há quem por pensar assim viva a cima das possibilidades e se afogue em créditos para ter o que os outros têm e depois quem paga? Os outros. Vive-se de subsídios, pede-se mama em tudo e os que trabalham pagam as suas contas, nunca tiveram férias, que se lixem. Não concordo contigo, se fui de férias com os meus pais 6 vezes é muito, não havia dinheiro para mais, nunca me faltou nada! Nunca pedixei nada. Tudo o que temos na vida foi às nossas custas!

  23. Parabéns pela escrita, sempre muito "arrumadinha"!!
    Relativamente ao post concordo em pleno com o que diz pois ninguém é feliz com muito pouco. Diferente de ser digno que é outra coisa, e aí não falemos de dinheiro. Todos gostamos de fazer muitas coisas simples como sair à rua para passear e até para isso se gasta dinheiro.Cabe a nós exigir mais daqueles que "comandam" o nosso dinheiro para termos uma vidinha melhor ao invés de ficarmos a lamentar o pouco que temos!

  24. eu sinceramente muitas vezes pensei em começar a escrever num blog e hoje tenho mais uma prova de que não dava mesmo para isto… isto é com cada comentário que valha nos nosso Senhor, ou não sabem ler ,ou pior não QUEREM ler , ou então têm a mente tão pervertida que levam tudo para o mau sentido… este post está muito bem escrito e muito bem esplicito . Concordo 100 % contigo (como na maioria das vezes) e gabo te a paciência porque eu não a tinha para estas pessoas que só sabem ver malnos outros e "ai que ele deve tar cheio de dinheiro até aos olhos e vem para aqui falar dos pobrezinhos e tal e tal pfff falar de dignidade mas quem é ele para falar se anda com ferraris à porta… " baaaahhh by the way keep the good work 😉

  25. Falta de tempo e hábito, dá erro ortográfico, Seychelles.Que tal pensar, "Dia maravilhoso para a praia, ou quiça, café, água, refresco, gelado, conversa em dia na esplanada, já sei, "são futilidades" Arrum., mas e a flexibilidade do dinheiro, há, só se gasta o que se tem e pronto, então e a partilha humana, Sociabilizar? Belo tema, ald…

  26. Olá Amêndoa Doce. Acho que não percebeste bem o que eu escrevi. Eu falo do Ferrari e do BMW, precisamente, por serem coisas apenas ao alcance de muito poucos. E logo a seguir digo que há gente que nem um carro pode ter. E quando falo de spas e viagens três vezes por ano também não digo que são coisas que todos devemos fazer. Digo, sim, que quem tem dinheiro tem essa facilidade, e, com isso, consegue ter um escape. A essência do post é essa: quem tem menos dinheiro, por norma, tem mais conflitos e não pode ter estes escapes. É só isso.

  27. Por norma gosto daquilo que escreves! Mas hoje, sinceramente, neste post não… Tu falas de coisas que a maioria dos Portugueses não têm acesso, tu és um previligiado, sem dúvida… Comparas um Ferrari a um BMW, falas de spas, ginásios e viagens três vezes por ano… Hoje há pessoas que não têm comida para dar aos filhos, nem roupa nem sapatos. Ainda bem que vives assim desafogadamente e eu, felizmente também não tenho, por enquanto, grandes problemas, ainda que viva sozinha com o meu filho.

  28. … Sim, tb gostava de saber como se vive com 100€ por mês….

    Adiante… o dinheiro não tras felicidade mas ajuda muito, o facto de ter dinheiro para poder fazer o que queremos é muito bom… O dinheiro mexe com as relações sim, as primeiras discussões são sempre por causa disso. Basta sermos uns escravos das nossas dividas e não sobrar dinheiro para fazer coisas que nos dão prazer.
    Para mim é importante sim, não sou materialista, mas gosto de ter a vida confortável que tenho, sem ter que me preocupar com o facto de chegar ao fim do mês sem dinheiro. Também já passei por dificuldades, quem não passou? nunca tive ajudas de ninguém, o que tenho construí com o meu trabalho, se tive a sorte de estar numa área que me dá muito dinheiro a ganhar? sim…Mas tb trabalhei para isso. Neste momento estou em casa pq fui despedida gravida, não foi complicado pq acima de tudo somos bons gestores.

  29. Atenção, eu não escrevi que quem ganha 500 euros não é digno. Ou que quem tem pensões de 200 ou 300 não é digno. Podem ser as pessoas mais dignas do mundo. O que digo é que com esse dinheiro mal dá para comer, quanto mais para pagar rendas de casa ou educação dos filhos. E toda a gente deveria ter direito a isso. A essa dignidade.

  30. Humor ajuda muito, concordo com quase tudo, excepto, dignidade/dinheiro, não ajusta, sempre, mas €.100,OO, lapso, falta o zero, talvez já oriente quem vive de outros valores, enfim, é MUITO bom, ir para as Seichelas, mas com par, no Alentejo, é diferente, não sejamos muito ambiciosos, porque só leva a frustações e sentimento negativo (inj.)que até evito pensar, quanto mais escrever, ald…,Obrigada.

  31. Revejo-me nessas palavras até porque estou a passar por uma fase mais complicada…o que me vale é ter um marido que até nem ganha mal porque sustentar uma casa com 2 filhos, 2 cães e uma gata não é de todo nada fácil estando eu desempregada…mas melhores dias virão e hoje à tarde pode ser que tudo melhore já que vou a mais uma entrevista de emprego!

    Também adorava saber como se vive com um rendimento de 100 euros mensal…sem morar em casa dos pais e tendo casa e despesas mensais fixas a pagar!!!

  32. com 100 eur não haverá , mas há certamente muitos reformados a viver com pouco mais de 200 , 300 euros mês. Dignidade? Tê-la-ão com certeza, se forem pessoas dignas de respeito pela sua forma de ser… e conheço vários que são. Mas que nao deixa de ser dificil , claro nao deixa. Alias concordo no essencial com o seu post. Agora o que tb noto é que muitas vezes estas pessoas que vivem com 200 eur estão mais dispostas a ajudar nem que seja 10 centimento e uma palavra de conforto a um mendigo na rua do que muita gente cool e bem na vida, que olha para os marginais da sociedade com uma soberba, a meus olhos, revoltante. cumprimentos.

  33. Concordo, especialmente, que a falta de dinheiro leva a desentendimentos, a falta de tolerância e, por conseguinte, a problemas nas relações pessoais e familiares. É uma grande verdade! E logicamente o mesmo deve acontecer a quem tem muito dinheiro e não sabe controlá-lo, educar devidamente os filhos ou relacionar-se com o companheiro/a. O meio termo é sempre o ideal 🙂 gostei.

  34. Identifico-me muito com este post. O dinheiro,ou melhor a falta dele,cria por vezes problemas na minha relação, mas felizmente temos conseguido ultrapassá-los. O facto é que um casal que ganha pouco, que tem uma filha para sustentar, e não lhe resta absolutamente dinheiro nenhum ao fim do mês para fazer um fim de semana fora, para jantar num lugar que gostemos, faz com que não existam escapes para o casal e isso é complicado. Gosto da vida que tenho, não passo necessidades, mas desde que fomos pais acabaram-se as viagens,os pequenos prazeres que custam dinheiro e que agora tem outro destino. O dinheiro contribui sim para a felicidade, quem diz o contrário ou é tonto ou tem tanto dinheiro que nem lhe dá o devido valor. Não é facto número um para se ser feliz, mas tem grande importância. bj

  35. Gostava de saber como é que este anónimo acha que se consegue viver com 100 euros por mês… Explique-nos lá, porque acho que há muito boa gente que está interessada na sua teoria. Eu estou, pelo menos.

  36. "as vidas ajustam-se consoante as possibilidades (dentro de alguns limites, porque com 500 euros por mês não há ajuste possível, ou se arranja uma pessoa para partilhar despesas, ou então não dá para viver com o mínimo de dignidade)." Desculpe lá, mas em que país é que vive??? Até uma pessoa que ganhe 100€ pode viver com dignidade! O dinheiro não dá dignidade a ninguém, muito pelo contrário na maior parte das vezes!

  37. como me revejo nas tuas palavras… eu e muitos dos que conheço.
    toda a vida me aconselharam: "estuda para uma dia poderes viver melhor do que eu, que não tive oportunidade de estudar"… pois, mas há 20 anos bastava aprender uma profissão e em 5 anos o salário duplicava… hoje, somos licenciados, fazemos tudo e mais alguma coisa (dentro da nossa área especifica? muitas vezes não…), e é uma "sorte" ter um trabalhinho.
    e o pior dos males é olhar para o futuro, e pensar que, se daqui por 10 anos tudo estiver igual, será bem bom!
    odeio fazer parte da geração 1000€

  38. Eu como não pretendo desistir, resta-me lutar e sobretudo acreditar em dias melhores, ter muita esperança quando actualmente o cenário é negro para mim. Amor e uma cabana é uma ilusão, os problemas financeiros tem causado conflitos difíceis na minha relação. O dinheiro traz qualidade de vida, não é a única coisa mas nos dias de hoje é essencial a esse nível. Ambos lutamos mas há dias mais difíceis… Há duas coisas da quais não tenho a mínima dúvida: o dinheiro não traz felicidade mas ajuda muito e quem diz que não se preocupa com dinheiro é porque o tem e muito.

  39. Com positivismo…sempre!!

    …são estas experiências de vida que vamos tendo que nos permitem ter o descernimento para ir alterando o nosso modus operandi, clarificando objectivos e seguindo em frente!!

    [ agora com a tua licença levo o texto para o meu canto e termino por lá o meu raciocinio ]

    🙂 Bjs

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