O jantar

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Há uns meses resolvi começar a procurar alguns colegas do meu 10.º e 11.º anos no Facebook. Descobri um, depois nos amigos dele estavam mais dois ou três, e nos desses mais um ou outro e consegui chegar a 18 pessoas.

Alguns eram amigos mesmo a sério, daqueles com quem estava todos os dias, a toda a hora, com quem estive durante uma semana no mesmo quarto em férias, pessoas com quem partilhava quase tudo, de namoradas a brincadeiras, projectos, ideias, tudo.

Mas na verdade o tempo separa-nos dessa gente. E em 1992 não havia telemóveis (havia, mas nenhum miúdo de 17 anos os tinha) nem internet nem nada que nos permitisse manter a ligação forte. Quando entrei para a faculdade praticamente deixei de viver em Setúbal e concentrei-me em Lisboa. No terceiro ano da faculdade mudei-me definitivamente para a capital, e perdi rasto àquela gente que já fora tão importante para mim numa determinada fase da vida. Restou-me apenas uma amiga desses tempos, com quem mantive sempre algum contacto, e que fez um percurso idêntico ao meu. Há uns anos retomámos o contacto mais frequente e, hoje, voltamos a ver-nos com alguma regularidade.

Deste reencontro no facebook nasceu a ideia de fazer um jantar para que o pessoa pudesse rever-se, quase 20 anos depois de termos terminado o 11.º ano. O jantar foi este sábado. No início, confesso que estava meio atrapalhado com a ideia. Tinha medo de não ter assunto, não ter nada para dizer àquelas pessoas, que hoje seriam uns quase-estranhos. Mas na verdade foi o oposto. O tempo parecia que não tinha passado. Não houve silêncios desconfortáveis, só atropelos de conversa, já que toda a gente parecia querer partilhar pedaços de vida, fotos dos filhos, contar uma história, recordar uma pessoa que faltava. Infelizmente, duas das nossas colegas já morreram, ambas por doença. E também elas foram recordadas.

Foi uma noite de memórias que me fez recuar àqueles tempos de puto em que a maior decisão que tinha de tomar na vida era a de ir para a praia em Tróia ou na Figueirinha.

E foi bom.

1 Comentário

  1. Olá !!
    Vi a foto de turma que puseste no facebook (privilégios de ser amiga do arrumadinho no facebook :-)).
    Estão de facto todos muito parecidos com o que eram (pronto…vá lá…com uns kgs a mais, pareceu-me).
    Ainda que em foto,gostei de rever aquelas pessoas lembro-me de praticamente todos (até lá estava o "Kuhn". Muito bom !)

    Um beijinho,
    Sílvia Brito.

  2. Foi muito bom mesmo! Amizades reencontradas, episódios recordados, parvoíces reconhecidas, implicâncias (tacitamente) perdoadas… Bons velhos tempos de despreocupação tivémos!
    Beijinhos,
    V.

  3. Ahah só vi o seu comentário agora.. Pois a D.João está agora em obras.. e estamos em contentos agora.. a ver se percebi,a D.Manuel Martins eram contentores?

  4. Espero daqui a uns anos poder também ter um jantar assim com quem agora é tão importante para mim(estou no 11º)..
    Já agora por curiosidade em que escola andou cá em Setúbal? Estou na D.João 2 talvez conheça.. 🙂

  5. Tem piada.
    Ultimamente tenho reencontrado pessoal da preparatória no facebook.
    Pessoal que não vejo à mais de 10 anos.
    Alguns não mudaram nada.
    Agora só falta mesmo combinar o tal jantar.
    Abraço.

  6. Tive o previlégio de estar presente no jantar… efectivamente os 20 anos que passaram não nos calaram… muita conversa e boa disposiçao tiveram lugar à mesa… Bjs paula

  7. Para os conterrâneos sadinos, sim, vivi até aos meus 19 anos em Setúbal. Estudei na Aranguês, na D. João II e fiz o 12.º ano na número 1, actual D. Manuel Martins (na altura eram 3 contentores atrás da D. João II). Vivi na Praça do Brasil e sim, adoro o Leo do Petisco e nosso maravilhoso choco (ou choquê, como se diz por lá). 🙂

  8. Ora esa é uma grande vantagem do acebook, encontrar pessoas das quais perdemos o rasto. E é bom voltar a saber dessas pessoas que fizeram parte dos nossos dias.

  9. Corrige aí uma cena no texto:

    "…ideia de fazer um jantar para que o pessoa pudesse…"

    Falta o "L" em "pessoa" 😉

    Também já encontrei colegas, mas no meu caso foram mesmo da escola primária. E não faltou assunto, especialmente para falar das malandrices.

  10. Meu caro, não posso, também de Setúbal? Figueirinha? Tróia? E o Leo do petisco? Uma cidade não acarreta uma ligação por si só, mas não me interessa, gostei de alguém escrever Setúbal na blogesfera com sentimento.

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