Monoparentalidade

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Há uns anos, ainda na primeira versão do blogue, escrevi um post sobre segundas oportunidades que gerou uma grande discussão. As segundas oportunidades de que falava eram as de poder reconstruir tudo a partir do zero após um divórcio. Na altura, uma leitora defendeu, num comentário, que os divorciados, principalmente depois de terem filhos, não devem procurar construir nada do zero, e que devem, sim, procurar outros divorciados, de preferência também com filhos, porque esses entendem a situação e vão aceitar muito melhor essa realidade. Depois, gerou-se uma discussão que chegou à troca de insultos, e pronto, tive de pôr ordem na casa.

Mas este é um tema cada vez mais actual, principalmente nesta nova conjuntura, que mistura crise de dinheiro com crise de esperança, crise de afectos com crise felicidade. Há cada vez mais gente triste, cada vez mais gente zangada com a vida, depressiva, sem vontade de lutar por nada, porque acha que essa luta leva a lado nenhum.

Quando se enfrenta uma separação, para mais com filhos, tudo se torna diferente, e não há uma forma única de ver as coisas. Há quem se deixe cair, há quem reinvente forças, há quem se supere, há quem se vá abaixo. Há mil e um factores que podem influenciar essa atitude perante uma vida que se desfez na forma que tinha mas que terá de renascer num outro rumo.

As redes sociais servem, também, para estas coisas, para encontrar gente com interesses idênticos, experiências parecidas, para partilha de sentimentos ou vivências comuns. Para discutir a questão da monoparentalidade foi criado um grupo chamado (Par)entalidade, que reúne gente que vive sozinha com filhos. Estes espaços de partilha são demasiado importantes e merecem toda a projecção, porque, acredito, é dessa partilha que nasce um sentimento de identificação e proximidade que nos ajuda a todos a superar problemas e dramas que tantas vezes julgamos únicos.

Quem quiser, pode clicar no link mais acima e pedir para se juntar ao grupo.

1 Comentário

  1. Aproveitando o tema do artigo e fazendo publicidade, para quem quiser participar num estudo sobre natalidade consultar:
    http://duploadiamento.wordpress.com/
    Estamos particularmente interessados nos casos das famílias monoparentais (entre outras situações), isto é, se equacionam ou não ter outro filho e em que contextos. O pai/mãe tem que ser da zona de Lisboa e ter entre 35 e 45 anos.
    Obrigado!

  2. Olá Ricardo
    Obrigada pela partilha!
    O ser Humano pode e deve começar as vezes que forem necessárias do zero! O que não aceito são Pais (mãe e pai) que ignoram seus filhos e os utilizam e manipulam para atingir o ex-companheiro(a).
    Sou casada pela 2ª. vez, não tive filhos do 1º. casamento. Neste o meu marido é tb divorciado com 2 rapazes. Um deles já vive connosco por opção desde os 15 anos e o outro… bem, a caminho tb pois a mãe deles apesar de ter querido o divórcio, tem atitudes baixas e manipulativas com as crianças. Ao ponto de deixar falar com o filho mais velho. Existem pessoas que não deviam ser Pais. Se todos formos adultos e maduros, o recomeçar de novo não é dificil, pelo contrário.
    E só mais uma coisa, um filho conjunto ainda nascer 🙂

  3. Há momentos em que se acredita que se pode começar do -1 e outros em que se considera que o melhor mesmo é fechar a porta do compartimento relação. Será que é diferente quando é ela que tem filhos? será que os problemas de um deles ter filhos e o outro não, está na cabeça do pai/mãe e não no outro? Por certo que é diferente recomeçar quando se tem filhos… Não tenho as respostas…

  4. Concordo plenamente. Aliás, muitos outros grupos de partilha deviam existir.
    Apenas um olhar: ao separarem-se, não façam dos vossos filhos objetos na relação quebrada. Trata-se de seres em formação e às escolas chegam-nos casos deveras inusitados.
    Recordo, um caso elucidativo de uma das minhas direções de turma: o ex-casal sempre que se encontrava brigava frente ao filho chegando mesmo a usar facas!

  5. Ricaro gostei muito deste post, mas não quero acreditar que me está destinado, uma vez que sou separada e com filhos, um novo companheiro, com filhos. É que eu tenho pouca ou nenhuma paciencia para crianças e adolescentes:)

  6. Os divorciados devem procurar alguem divorciado !!!
    Bem quem inventou esta regra ridicula !! Alguem divorciado compreende melhor em vez de um solteiro ??!!? Como tudo na vida , são meramente opiniões e não regras a cumprir !

  7. De louvar =) Reconheço perfeitamente o que dizes, sendo eu também divorciado,no entanto, vivo com uma rapariga espectacular e que dá-se muito bem com a minha filhota! tive sorte, mas acredito que mts não há tenham! ainda bem que existem grupos assim! Obrigado por divulgares

  8. Todos tem direito a voltar a amar, com filhos, sem filhos, divorciados ou solteiros, acredito que com amor, compreensão tudo se vence, até esses preconceitos malfadados da nossa sociedade!!
    Parabéns aos dois!! Fico tão feliz por ver e ler a vossa história, ser escrita a cada dia.
    Abraço doce

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