Louis CK e o País dos indignados

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Para mim, é o melhor humorista da actualidade, capaz de gozar com tudo, de dizer as maiores alarvidades, nojices, ordinarices, sem que quem o ouve não pare de rir. Já o vi fazer humor com deficientes, pedofilia, doentes, pretos, já o vi chamar “filhas da puta” às próprias filhas, já o vi insultar da pior forma possível um espectador que assistia a um espectáculo, mas não há ninguém com quem ele goze mais do que com ele próprio, com a sua barriga nojenta, a calvice, a inabilidade na cama, a incapacidade de seduzir mulheres, a sua vida triste de um homem frustrado, que chega a uma casa vazia, que não tem amigos a quem ligar, de quem as filhas não gostam particularmente, que a ex-mulher não consegue aturar, que tem como momento alto do dia os minutos em que se masturba a ver pornografia.

Por mais gente que defenda o contrário, não consigo achar o humor de Louis CK uma coisa de nicho. Ele é genuíno no que diz, não procura magoar, apenas divertir, por mais bruto, visual e ordinário que possa ser. E quem gosta de humor entende isso.

Em Portugal, é impossível ser-se humorista assim. E não é de agora. Quem não se lembra de quando Herman José viu o seu “Humor de Perdição” censurado pela Igreja por causa das entrevistas a personagens históricas, em que interpretava figuras católicas. Isto foi no final dos anos 80. A polémica marcou um pouco o tom daquilo que o País e as instituições admitiram como humor normal, aceitável, apresentável, politicamente correcto (como se isso não fosse desvirtuar a essência do humor). Há uma excepção, o Rui Sinel de Cordes, que mesmo não sendo genial tem graça e coragem de se manter fiel à sua linha e de remar contra a maré, e o João Quadros (que muita gente confunde com o Bruno Nogueira, já que é ele que lhe escreve muitos dos textos), que muitas vezes ultrapassa a tal linha do socialmente aceitável, e sofre as consequências disso mesmo, com ataques nas redes sociais.

Quando digo que o País marcou esse tom até me podem acusar de não saber se a maioria das pessoas se sentiram, ou não, ofendidas com as caricaturas de Herman. É verdade. Não tenho números, nem sondagens, mas tenho olhos e ouvidos, já ando cá há uns aninhos e sei que vivemos num País de gente que adora indignar-se. É verdade. O português está constantemente indignado com qualquer coisa. Basta ouvir um fórum de rádio (ou o Ricardo Araújo Pereira, que entende o povo melhor que qualquer outro, e transporta-o genialmente para as suas personagens). Há sempre imensa gente indignada. Indignam-se com o primeiro-ministro, com o patrão, com o vizinho do lado, com a professora do filho, com a roupa da senhora da frente, com o atraso do autocarro, com o preço da gasolina, com a quantidade de coisas que os putos têm de levar para a escola, com o processo de escolha de um qualquer nomeado para um cargo público, com uma frase que alguém disse, com a quantidade de ar que existe num pacote de batatas fritas. Tudo é motivo de indignação. Tenho a certeza que muitos dos que me estão a ler estão indignados porque, lá mais em cima, eu escrevi “pretos” e não “negros”, da mesma forma que escrevo “brancos” e não “claros”.

Não é a crise que nos deixa amargurados e azedos. Nós somos mesmo assim. Somos incapazes de nos rirmos de nós próprios, não aceitamos que outros se riam de assuntos a que não achamos piada, vemos maldade em tudo, gravidade em tudo, vivemos num azedume constante que só nos puxa ainda mais para baixo, nos torna mais tristes, moralistas e enfadonhos.

Também aposto que haverá, por esta altura, gente indignada com a minha generalização. Toda a gente sabe que estou a generalizar, e que há quem não seja assim, quem se ria de tudo sem problemas ou complexos. Não sei se são a excepção.

1 Comentário

  1. Cara a.i. Se quiser continuar a fazer comentários sobre os posts, dando a sua opinião, perceberá, como vi aqui, que eles são publicados. Se aparvalhar e começar com insultos ou afirmações idiotas, sem fundamento ou desadequadas do contexto, então, não serão publicados. É simples.

  2. Ai mulher, que chata!!! Deixe lá isso! Existem preto, existem brancos, existem amarelos, existem cor-de-rosa! PRONTO! E qual é o problema disso??? São raças. Não quer dizer que um preto seja melhor que um branco ou que um branco seja melhor que um amarelo. SIMPLESMENTE existem RAÇAS! Credo, tanta indignação. E quando gozam das loiras, dos alentejanos? Aí já não é tão terrível como fazer piadas com chineses ou com pretos?? Eu acho que o princípio é o mesmo! A meu ver, não se trata de racismo ou discriminação, pois a minha vida toda ouvi piadas pelo facto de ser loira e nunca me ofendi. GRAÇAS aos meus pais que me ensinaram o que é bom e o que é mau. Tenho dito

  3. Só há raças porque há racismo. Isto é, só é possível achar que a cor da pele é um traço significativo da diferença entre pessoas sendo racista, presumindo que existe uma relação entre biologia e cultura. Este problema de terminologia tem de ser resolvido.
    O sociólogo Rui Pena Pires já deu soluções em alguns encontros científicos: recusar o uso de categorias raciais para descrever as pessoas e, nos casos em que surgem situações com origem em questões que no senso comum são atribuidas a "raças", procurar usar os termos “menos estigmatizantes”.
    Pode dizer-se que determinada pessoa tem uma cor diferente e utilizar-se essa característica como uma diferença igual ao sexo ou à cor da pele. O problema é categorizar essa diferença da cor da pele como uma diferença racial.

  4. Pior do que a indignação é o facto de não fazermos nada. A nossa sociedade civil tem pouquíssimo poder para mudar seja o que for que motivou a indignação.

    É claro que temos direito a indignarmo-nos e devemos fazê-lo. Aquilo de que o arrumadinho fala é o constante "mandar vir" tão presente na cultura portuguesa que normalmente não dá em nada.

  5. Já não há pachorra para o cliché do fado português e dos coitadinhos, tristinhos e por aí afora. Então só temos a agradecer não sermos gregos senão teríamos toda a tragédia grega às costas para nos puxar mais p'ra baixo.
    Quanto ao video achas que nos EUA as pessoas não se indignam com ele? Se os EUA é o país onde o politicamente correcto beira o ridículo, onde o negro ou preto(como lhe queiras chamar) é chamado de African American, os índios são Native American e onde recentemente a fotografia da actriz Michelle William, vestida de índia na capa da revista Another, foi considerada racista e estereotipada. Num país onde acabaram com a personagem do ratinho Speedy Gonzales porque supostamente ofendia os Mexicanos, mesmo depois de estes dizerem que não se sentiam melindrados.
    E os exemplos são infindáveis.
    O que nunca verias nos EUA seria uma rábula como a da Maria Ruef, quando imita a"Luce" e o Djaló, em que diz claramente " este preto do c@r@$#o" , porque aí caía o Carmo e a Trindade.
    O que eu acho doentio é esta eterna lamúria do "somos assim e temos todos os defeitos e mais alguns e é a sina do nosso fadinho. A sério não há pachorra!

  6. " Indignam-se com o primeiro-ministro, com o patrão, com o vizinho do lado, com a professora do filho, com a roupa da senhora da frente, com o atraso do autocarro, com o preço da gasolina, com a quantidade de coisas que os putos têm de levar para a escola, com o processo de escolha de um qualquer nomeado para um cargo público, com uma frase que alguém disse, com a quantidade de ar que existe num pacote de batatas fritas. Tudo é motivo de indignação."

    Nota-se logo que escreveu este texto sem a preocupação de reflectir sobre o substrato do que escreve.Não gostei do texto;tenta tomar as pessoas por parvas,ao insinuar e afirmar que se indignam com coisas mesquinhas.Não nos devemos indignar com o preço da gasolina???Então,que fazemos?Andamos com as notas no bolso da camisa,engomadinha, e pagamos alegremente???(deve ser,deve…)Claro,as coisas mesquinhas não importam,o que importa são as "grandes causas",com essas já não há problema nenhum.Tretas,é o que é.Indignemo-nos com tudo que está mal,e deixemos os dignitários num cantinho,bem arrumadinhos.

  7. Aconcelho vivamente a a.i. a rever o conceito de espécie e raça… Dadas as inumeras raças originárias de vários pontos do planeta, criaram-se inumeras combinações de raças que originaram novas raças dentro da espécie humana. Claro que nós reduzimos as raças aos pretos, brancos, amarelos, indianos e mulatos. Podiam-se falar em muito mais, mas convem reduzir senão era uma confusão, agora que existem diferentes raças existem, mas têm o problema de tender para o infinito dado o número de combinações possiveis e o consequente crescimento exponêncial (um pensamento mais matemático).

  8. Cara a.i. Não sei se quis propositadamente a coisa para o lado "governamental" ou "de estado" para introduzir o tema Constituição (o final do comentário é hilariante de tão rebuscado e desenquadrado). É que eu nunca falei em documentos de estado ou governamentais (até porque não preencho assim tanta papelada "de estado" ou "governamental"). Mas fique sabendo que ainda ontem a minha mulher foi ao médico, e depois fazer análises, e em ambos os locais lhe foram entregues formulários, e em ambos se perguntava a raça – não tenho necessidade de "inventar" nada. Se nunca encontrou um formulário em que isso é perguntado, então, deve ser uma pessoa que trata de muito pouca coisa na vida.
    Quanto àquele final "constitucional", teria muito gosto em discutir os poderes da Assembleia da República, do Presidente da República, dos Tribunais, mas não me parece que seja o local mais adequado, nem dentro do contexto deste post.
    E darei este tema por encerrado. Continue a achar que não existem raças e que quem acha isso é racista, ou lá o que é, que eu continuarei a achar que existem, e que isso tem a mesma importância que o género de uma pessoa.

  9. quanto aos médicos que dizem caucasianos, nunca ouvi um médico referir-se a mim como tal em nenhuma consulta ou exame que eu tenha feito. Mas admito que façam, não sei.
    agora quanto a sítios onde é preciso preencher papelada e perguntam a raça, isso é que sinceramente desconfio que está a inventar. Ou está a falar daqueles impressos ridículos que preenchemos para ir a nova iorque, em que também perguntam se temos intenção de cometer algum crime?
    em portugal de certeza absoluta que nenhum documento do estado ou do governo pergunta ao cidadão (nacional ou estrangeiro), qual a raça a que a pessoa pertence. Isso seria contra a constituição.
    POr falar em constituição, parece-me que talvez o arrumadinho pudesse dar-lhe uma vista de olhos. Como também nesta questão da raça, o arrumadinho está enganado em ensinar ao seu filho coisas como "Assembleia da República, que escolhe um Governo".

  10. quem está agora a não entender é mesmo o arrumadinho, ou então a fazer de propósito para desviar a questão. É um bom truque esse. Obviamente que "raças" não tem nada a ver com idade, género ou nacionalidade.

  11. Não são só os polícias que dizem "caucasianos". Os médicos também, por exemplo. Em vários sítios em que é preciso preencher papelada é perguntada a raça. Para mim, é tão válido como perguntar a idade, o género ou o estado civil.

  12. Digo que são africanos porque nasceram (e viveram muitos anos) em África. Da mesma forma que digo "europeus" quando me refiro a pessoas nascidas na Europa. Ou também acha que não existem nacionalidades?

  13. Disse mulher africana como poderia ter dito negra, obviamente, a questão não é essa. Esses seus familiares suponho que diga que são africanos porque nasceram em áfrica.

  14. vá, vou carregar só mais um bocadinho: se me disser que tenho razão e que a distinção entre "raças" não se pode fazer com base no local geográfico de origem de uma pessoa, então distingue com base em quê? É nas características físicas? se tiver o nariz mais assim e o cabelo mais assado é de uma "raça", de tiver os olhos com um certo feitio ou cor já de outra "raça". É isso? É que se for, eu então sou de uma raça diferente da sua: tenho olhos azuis e pele muito clara e o arrumadinho é moreno e de olhos castanhos. Se calhar eu sou de raça ariana e o arrumadinho é de raça quê? sarracena? por acaso eu até tenho origens judias, pelo menos o meu apelido é judeu e veja lá o que resultou para o povo judeu o apontar dessas supostas diferenças "físicas". Ou vai dizer-me que somos os dois caucasianos como dizem os polícias?

  15. Cara a.i. Quando diz "se um dia o seu filho se apaixonar por uma mulher africana" quer dizer o quê? Uma mulher negra? É que a minha mãe é africana. E a minha avó também. E a minha irmã. E a minha tia. E o meu pai. E a minha outra tia. E são todos brancos. Usou a palavra "africana" apenas para fugir ao preconceito estúpido de que se disser "negra" poderá estar a parecer racista ou a estratificar as pessoas em raças. E elas existem. Tal como o género masculino ou feminino, o que não quer dizer que uma raça seja melhor do que outra, ou que um género seja superior ao outro.
    Não terei qualquer problema em explicar ao meu filho que há pessoas de raças diferentes. Da mesma forma que lhe expliquei que as pessoas são todas diferentes. O que define a raça é a cor da pele, como é óbvio, e não a região onde elas nasceram. Os americanos continuam a referir-se (sem preconceitos) aos "afro-americans" quando se querem referir a um negro nascido nos Estados Unidos. Presumo que ache insultuoso.
    Acho que se deve preocupar, sim, com as pessoas que dizem "negros" mas que depois praticam actos evidentes de racismo ou xenofobia. Eu continuarei a chamar-lhes pretos e a tratar dos os Homens como pessoas iguais. Sejam pretos, brancos, amarelos, encarnados, árabes, indígenas ou indianos.

  16. coloco a questão em termos mais emocionais, se não quer saber o que as ciências sociais dizem sobre o assunto (direito à ignorância, se calhar a par do direito à indignação) – até nem publicou o meu comentário sobre referências bibliográficas.

    Se um dia o seu filho se apaixonar por uma mulher africana e dela tiver filhos, o Arrumadinho vai ensinar aos seus netos que a mãe deles e eles próprios são de uma "raça" diferente da do pai e dos avós? A tal "raça" negra que diz existir? por oposição à "raça" branca ou "amarela" ?? então e diga lá que pessoas fazem parte dessa raça branca? os de países europeus e américa , é? e os de raça negra quem são? todos os africanos? ou traça ali uma linha subsariana? e a que "raça" pertencem os marroquinos por exemplo? é a "raça" árabe, se calhar?
    Não faz sentido.
    Pergunte por exemplo ao secretário executivo da cplp, o actual e o anterior também , se eles se consideram pertencentes à mesma "raça" ou se se apelidam a si próprios de "pretos" como diz a Marta ali em cima.

  17. só mais uma coisa (e prevendo que não vai publicar, porque parece que só publica aquilo que o faz ficar bem na fotografia, mas não me importo porque de qualquer modo o que lhe venho dizer só lhe interessa a si, jornalista que, ao que já fez ser público, é editor ou subeditor de uma revista ou de um suplemento de uma revista): eu sei que sou ignorante em muitas matérias, digo e escrevo baboseiras no meu blog, mas no meu trabalho (que não é jornalismo, já agora) não escrevo nada sem primeiro ir consultar a fonte de informação. Bem sei que o Arrumadinho é um blog pessoal, mas também me parece que é um blog com conteúdos que vão para além dessa parte pessoal. De certo modo o personagem Arrumadinho confunde-se e equivale totalmente ao jornalista Ricardo Martins Pereira. E é nesse sentido que o aconselho vivamente a rever a sua opinião sobre existência de "raças humanas". Se nunca ouviu falar desta questão, que até é antropológica, para além de sociológica e de outras ciências sociais que admito desconhecer, existem muitos locais onde se pode informar.

  18. Concordo com tudo o que dizes e vai igualmente ao encontro daquilo que disse à tua senhora por causa daquele recente "problema" q ela teve.

    O vídeo…é pá…é fraquinho
    🙂

  19. Quando lhe apontei o erro ao falar em "raças" não estava a referir-me ao "parecer mal"ou ao "medo do julgamento". O Arrumadinho não entendeu o que eu escrevi (se me permite dizer tal coisa! é que se por vezes as pessoas não entendem o Arrumadinho, o contrário também é verdade).
    mas também não me apetece alongar-me mais sobre este assunto. penso que também já lhe li o este argumento que vou usar: se não quer entender, não entenda, fique na sua e eu na minha e passe bem.

  20. É. É isso. Não existem raças. Nem géneros. Nem idades. Nem estados civis. Nem pessoas altas ou baixas. Somos todos, simplesmente, humanos.
    Quem me lê acho que já sabe que não procuro ser politicamente correcto nem moralista ou hipócrita. Como é óbvio, há pessoas brancas, amarelas, castanhas mais claras ou mais escuras, avermelhadas, que estão, antropologicamente, divididas por raças. Qual é o mal de dizer ou assumir isto? O problema é o parecer mal. E pode parecer mal porque ao falar de raças estamos todos a dizer que os homens não são iguais. E não são. Há uns brancos, outros amarelos, outros avermelhados, há homens, há mulheres, há anões, há gigantes, há loiros, morenos, pessoas bonitas e feias. São todas diferentes. Não quer dizer que umas sejam melhores do que outras, com base nas características físicas de cada. Para mim, não são. Não há raças superiores, géneros superiores, características reveladoras de superioridade. Agora dizer-se que "não há raças", com medo do julgamento, já acho estúpido, digam o que disserem as ciências sociais.
    Por essa ordem de ideias, qualquer dia, não podemos falar de homens e mulheres. Somos todos, apenas, humanos. E distinguir é feio. Não me lixem.

  21. Cara a.i. Eu não fico, sequer, indignado com as arbitragens quando o Benfica é escandalosamente gamado. Não fiquei, por isso, indignado com a visão ultrapassada do Sousa Tavares relativamente ao jornalismo digital. Acho-a, apenas, ultrapassada, só isso, e mais grave porque vem de um jornalista que opina como se estivesse no meio, como se entendesse o funcionamento actual de uma redacção, o que não é o caso.
    O seu comentário revela que também não entendeu o que eu escrevi. O que critico é o facto de o povo estar constantemente indignado com tudo e mais alguma coisa. Ainda que eu me indignasse com o Sousa Tavares, seria uma coisa. Se eu passasse a vida a escrever posts de indignação sobre isto e aquilo, coisas importantes ou mesquinhas, aí, sim, o seu comentário faria algum sentido.

  22. Caro anónimo. A indignação não é um defeito. O estado de constante indignação, sim, já é. Uma coisa é alguém indignar-se por uma questão maior, lutar por uma ideia, batalhar pela igualdade. Outra é indignar-se por tudo e por nada, por questões mesquinhas e sem importância, muitas vezes unicamente porque não temos sentido de humor, não sabemos relativizar, e estamos mergulhados no nosso fado, tão português, tão deprimido.

  23. Sr. Arrumadinho, uma coisa. Uma coisa sobre "preto num sentido amplo, enquanto raça": dizer que existem "raças" humanas é completamente retrógado face ao que as ciências sociais defendem actualmente. Não lhe fica bem enquanto jornalista dizer uma coisa dessas (talvez deva verificar melhor as suas fontes de informação hahahaha)

  24. Caro anónimo. Só com uma total ausência de capacidade interpretativa se pode achar que eu acho o tema pedofilia divertido. Revela que não entendeu nada do que eu escrevi. Nem do sketch do Louis.

  25. Caro anónimo. Várias coisas.
    1. A dimensão cultura é definida pela entoação e contexto em que as coisas são ditas ou escritas. Uma coisa é referir-me ao preto no sentido pejorativo, quando, no contexto da conversa, incluo o sujeito numa qualquer acção negativa. Outra, totalmente distinta, é referir-me ao preto num sentido amplo, enquanto raça, ou num sentido nominal – como um dos meus melhores amigos da faculdade, que era preto, e que se auto-intitulava de "o preto", já que era o único do nosso grupo. Não tenho nenhum preconceito, não sou racista, não sou xenófobo, já fiz parte de organizações contra o racismo, e se calhar é por isso que não preciso de encobrir as palavras, precisamente porque tenho a consciência limpa.
    2. Quanto ao "não digo escritor, por razões óbvias", esteja tranquilo, porque eu próprio não me intitulo de escritor, e não é essa a minha profissão, apesar de ter três livros publicados.
    3. Quanto ao antónimo de negro, recomendo-lhe a leitura de um dicionário de sinónimos. Pode encontrar na net, mas o melhor é ver naqueles de papel, para não ficar com dúvidas. Encontrará lá o "claro", como encontrará o "alvo" ou o "branco".
    4. Revelador de "burrice" poderia ser o seu comentário, que revela uma total incapacidade analítica e interpretativa do que escrevi, sinónimo, para mim, de pouca inteligência.

  26. Achas mesmo que "preto", como classificativo de uma pessoa, está para negro como "branco" está para claro? É triste que um jornalista (não digo escritor, por razões evidentes) não compreenda que as palavras têm uma dimensão cultural, histórica e social, além de semântica. E achar que negro é antónimo de claro já não é triste, é burrice.

    E já me lixaste. Achava que só pessoas inteligentes é que gostavam do LCK.

  27. não é por alguém estar à vontade a gozar com qualquer tema, mesmo com aqueles que mexem com as entranhas da sociedade, como a pedofilia, e por aí, que já é um génio. É preciso um alto nível de sofisticação e de inteligência nesse humor para se ser considerado bom. O Sinel de Cordes é a antítese disso. É um gajo que é bom a gozar com esses estereotipos, o que não tem nada a ver com fazer bom humor.Digamos que o gozar só é aceitável quando estamos num grupo de 2 ou 3 pessoas: é fixe escarnecer deste ou daquele, tipo prazerzinho privado que todos praticamos. Quando vamos para além disso e enquanto público o pudor aumenta, porque também em sociedade assumimos com maior contenção o nosso papel, aí o gozo passa a algo estúpido e de facto ultrapassar essa fronteira e passar para o lado de lá onde está o brilhantismo não é para todos.

  28. Então e aqueles jornalistas de revistas semanais que se indignam com as visões "retrógadas" do Sousa Tavares sobre o jornalista? Esses jornalistas também caem nesse estereótipo do português indignado ou são uma categoria especial, a quem as regras de categorização não se aplicam?

  29. Incrível como algumas pessoas deixam de ver blogues que supostamente até gostavam por assuntos de humor… ao menos fosse por uma razão mais válida! Assim até dá vontade de rir e ai de quem ri e se diverte com coisas saudáveis! Enfim…

  30. 100% de acordo!
    Gosto muito de humor negro ou humor ofensivo. Sou pouco suscetível e de me indignar por qualquer coisa…
    Um dos meus humoristas preferidos é exatamente o "nosso" Rui Sinel de Cordes.
    Gostei.

    Abraço,
    Rui Pedro

  31. Hahaha espetáculo, com este comentário do teu ex-leitor provaste a tua teoria 🙂 Eu também acho que os tugas, que têm outras coisas muito boas, são ofendidinhos e falta um certo poder de encaixe. Sobretudo nestes tempos que vivemos, que, na minha opinião, ainda agravam mais a coisa…

  32. Ena, concordo com o arrumadinho. Já tinha visto vídeos dele mas não o conhecia pelo nome. Não lhe acho muita piada embora me ria muito com outros que têm um humor ainda mais abrasivo. No entanto, "indignei-me" com o Russel Peters quando gozou com o sotaque português, comparando a um espanhol surdo a falar.

    http://www.youtube.com/watch?v=9fLpmrB1L7A

  33. Simplesmente nojento !!!! Mas eu vou continuar a ler o seu bloog e compreendo que goste …eu tenho algumas/bastantes reservas en relacao à igreja católica …o que eles dizem entra-me a 100 e sai a 200 (quase td) mas eu que adoro rir e faco-o facilmente …nao gostei !! Tb tenho direito ou nao ??!!

  34. E o povo indignar-se é um defeito?? Acho que chega de sermos mansos e frouxos. Vivi fora alguns anos num país nórdico e asseguro-lhe que ainda estamos à anos luz de reinvidicarmos o nosso direito à indignação condignamente.
    Adoro humor mas este vídeo é medonho, por razões óbvias. Não me sinto indignada porque felizmente não me afecta directamente mas sinto-me profundamente desiludida por saber que há gente que acha graça ao conteúdo. É triste perceber que o humor está tão saturado que impera o vale tudo fazendo piadolas baratas com temas tão frágeis e actuais como a pedofilia.

  35. Acha o tema divertido? Que desilusão. Não volto a ver este blog.
    Talvez um dia quando fizerem humor com uma situação que lhe diga respeito e da qual não consiga rir, perceba.
    Não estou indignada, acho é muito desagradável.
    Mas pode sempre ser paternalista e dizer: vêm… lá está.. mais uma pessoa indignada!

  36. Já tive o pensamento do Miguel muitas vezes. Aliás já tive uma discussão exactamente sobre os limites do humor. Mas este sketch do Louie tem muito que se lhe diga. Só ataca quem tem que atacar – a hipocrisia da Igreja face à pedofilia. Grande facada nesses criminosos!

  37. Pois. O assunto é demasiado serio, triste e grave, para alguma vez ser possível fazer piada sobre isso. Só gente igualmente pervertida pode olhar para algumas das cenas do vídeo e achar graça.

  38. As fronteiras da comédia são dificeis de definir e há quem defenda que não devem existir. Eu por exemplo tenho dificuldade em ter uma opinião sobre isto por um único motivo, hoje secalhar sou capaz de me rir com o video e de o entender, mas se por acaso o meu filho tivesse sido vitima de pedofilia por parte de um padre, já ia ter dificuldade em achar piada à situação.
    Quanto ao seu discurso sobre o nosso povo e eu entendo que é uma generalização, creio que não está correcto, precisamente por generalizar, penso que se aplica a algumas gerações ou a uma faixa etária mais velha, penso que as novas gerações cada vez mais se conseguem rir de si próprias e as fronteiras da comédia têm-se alargado precisamente graças à nova geração de comediantes e às influências norte americanas.

  39. "and is tax deductible" priceless xD

    Não conhecia este gajo e na minha opinião ainda não tira o lugar ao George Carlin mas está muito perto de chegar ao mesmo nível 🙂

    Obrigadinho por me apresentares o Louis.

  40. Felizmente o vídeo não tem legendas e a maior parte dos católicos (pessoas com alguma idade) não percebe de informática, não sabe inglês, logo, não tem acesso a blogues. Nem sabe o que é isso de blogues. Sendo assim não lhes pode dar uma coisinha má e cair para o lado ao ouvir este 'senhor padre'. Valha-nos isso!

    A única coisa que consigo dizer é que é forte. Eu, que até acho que tenho algum sentido de humor, fiquei meio 'abananada'. Pronto. É isso.

  41. O Brasil fez-te bem!! Muito bem "dizido". 😉 Fazem falta pessoas que chamem as coisas pelo nome e que se sintam à vontade para fazer humor com qualquer tema.

    pippacoco.blogspot.pt

  42. Ahahah Realmente… as pessoas levam-se demasiado a sério. Ofendem-se com coisas de caca mesmo. E na volta com o que se devem insurgir assobiam pro lado!

    Já agora… vi as tuas fotos do Brasil e meu deus, és todo bom! Espero que não te ofendas! loll
    Sara M.

  43. Arrumadinho desculpe lá mas este post para mim foi uma desilusão.Não estava mesmo nada à espera de comentários destes da sua pessoa.Acho o vídeo uma idiotice pegada e Arrumadinho acha piada?Bem sei q existem gostos para tudo mas isto parece me demais.

  44. Não sei se concordo… É verdade que os portugueses se ofendem muito facilmente, mas, ao mesmo tempo, acho que somos um dos povos mais sarcásticos, que mais goza com a sua própria situação e está sempre pronto a gozar com tudo

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