Leonor

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Há oito anos estive em Figueira, perto de Portimão, a conhecer o sítio onde, meses antes, desaparecera uma criança, a Joana, que terá sido morta pela mãe, Leonor, e pelo tio, João.
Na altura, andei a recolher informação, a ver os locais, a falar com pessoas, a analisar espaços, para um argumento que estava a escrever para uma minissérie sobre este caso.

Li tudo o que saiu nos jornais sobre o assunto, mantive longas conversas com responsáveis pela investigação do caso, mas nunca consegui chegar, na minha cabeça, a uma conclusão definitiva sobre o que verdadeiramente aconteceu à criança. Por vezes, os factos descritos faziam sentido, as histórias que me contavam eram lógicas, mas havia sempre peças que faltavam, coisas que não ligavam, provas que me pareciam estranhas, confissões que depois eram desmentidas, a história das supostas agressões a Leonor também nunca foram bem explicas (a versão de que ela caiu da escada é um pouco ridícula).

O tribunal concluiu que Leonor e João mataram Joana, cortaram o corpo aos bocados, mas nunca se soube o que lhe fizeram – eles próprios nunca confessaram o que lhe fizeram. A teoria dos investigadores da PJ (que foi chamada de volta a Lisboa quando ainda não tinha concluído a investigação, porque o Ministério Público entendeu que a prova contra Leonor e João era suficiente) é a de que Leandro Silva, o companheiro de Leonor, terá levado o corpo na bagageira de um carro destruído, que foi empacotado numa fábrica de sucata em Espanha, daí ter desaparecido. A teoria generalizada de que ela foi dada aos porcos caiu e nunca foi provada.

Isto tudo hoje ganha relevo porque, de acordo com o Correio da Manhã, Leonor Cipriano poderá sair em liberdade antes do Natal. Sim, é verdade. Já cumpriu metade da pena, tem tido bom comportamento, e, se o juiz entender, poderá sair em liberdade condicional, ou poderá ter direito a saídas precárias.

De acordo com a Justiça, Leonor é culpada. E eu acredito que seja (de matar ou de vender a filha). Acho, por isso, esta situação inaceitável. O alarme social é um factor importante na atribuição da liberdade condicional a um recluso. Até para sua protecção. Quer-me parecer que se Leonor sair e voltar a Figueira não vai sair de lá viva.

1 Comentário

  1. Concordo plenamente! Mas a Leonor nunca voltará a pôr os pés no Algarve, pelo que sairá impune.

    Já agora? uma pequena correcção: Figueira tem artigo. Diz-se "na Figueira" ou "ir à Figueira". 🙂

  2. Posso-vos dizer que essa mulher de certeza não volta para a Figueira! É uma pessoa que não tem todas na mala! Sem escrupulos, não deve ter remorsos nenhuns! E não acredito que o povo da Figueira lhe fizesse isso! Na maioria são pessoas de bem, civilizadas…não vão por esse caminho. Ou muito me engano ou esta notícia cheira-me a…..protagonismo….

  3. Anónima das 00:38! antes de tecer qualquer comentário, desça do seu pedestal ("sim, amiguinhos, as doenças pisquiátricas existem").. esta pseudo-intelectual que já vem para aqui com a mania que é mais culta que os outros! SOCORRO! Alguém me salve destes pseudo-intelectuais que se auto-proclamam de estirpe superior!

  4. Que puritana!! Todos merecemos perdão pelos nossos actos, mas é necessário que tenhamos entendimento das coisas: formação moral. Neste caso n há! E só quem é mt ingénuo é q pensa na reabilitação destas pessoas! Se ela estivesse reabilitada tinha ja dito onde estão os restos mortais da filha.
    Deus nos proteja é de estas pessoas ja que a justiça n proteje

  5. Não sei que tipo de moral têm as pessoas para criticarem um crime e depois apelarem pela justiça nas ruas. É por mentalidades destas que temos inocentes a morrerem nas mãos do povo.

    Eu sou de uma família onde o "só acontece com os outros" não existe. Os padrinhos da minha mãe, meus tios, foram brutalmente assassinados em Vila Real, ainda não fez 17 anos. O motivo não poderia ter sido mais frio, um bocado de terra. Para trás ficaram 2 crianças deficientes aos cuidados da mãe da minha tia.

    Agora admirem-se, o dito senhor confessou o crime, matou 2 pessoas e tentou matar uma 3ª, sabem quantos anos ficou dentro? Nem uns 10. Agora pergunto, o que iria fazer a minha família? Fazerem o mesmo que ele fez? Cometer mais um crime e enfrentar mais uma sentença?
    Admiro sim o estômago que tivemos de ter para lidar com o senhor porque ele voltou para a terrinha e ainda hoje me cruzo várias vezes com ele da mesma forma que passo várias vezes pelo local onde tudo aconteceu. Admiro todas aquelas pessoas que conseguiram aguentar a raiva por respeito a minha família, e, ainda admiro a força que tivemos de ter para nos concentrarmos no que realmente importava e importa, os meus primos.

    Por incrível que pareça não me faz qualquer tipo de confusão passar ao lado dele, sempre que falamos dos meus tios não pensamos na maneira como morreram, pensamos sim em todas as recordações que ficaram e foi desta forma que fizemos o nosso luto.

    O senhor saiu um homem diferente, pelos vistos nunca mais se meteu em problemas, e, para mim o que realmente importa é saber se essa tal senhora está preparada para viver em sociedade.

    (peço desculpa pela longa resposta)

  6. Oh pessoal, ponham as coisas de outro ponto de vista. Troquem a conjugação dos verbos, e transformem a filha dela, pela vossa filha, ou pela vossa sobrinha, ou neta, ou até irmã. E depois independentemente de certezas sobre o que se passou com a menina, morta, destripada, torturada, vendida, etc e tal,parem, imaginem a cara da tal figura que se diz humana na vossa frente. E agora? pensariam na justiça? na injustiça? na era medieval? na evolução da humanidade? ou não será que somo todos seres humanos com sentimentos e capaz de tudo para defender os nossos ainda mais quando de crianças se fala? e não, não pensem que isto só acontece aos outros, às outras familias, às sociedades mais carênciadas, menos instruidas, doentes ou não, loucos ou dementes. Temos, infelizmente, mais que exemplos de pessoas ditas da alta, inteligentes, com conhecimentos, com bons comportamentos que vai daí e cometem crimes que, na minha opinião, nem ao diabo lembram. Pra sabermos como agiriamos em determinadas situação, nada melhor que transpormos para nós, para os nossos, so assim teremos a minima ideia do que fariamos.

  7. Ia escrever mais ou menos o mesmo.

    Para não falar de que a notícia foi avançada pelo Correio da Manhã (Esse poço de verdade.) e, provavelmente, limita-se a falar da norma em abstracto.

    É natural que a pena seja revista (a possibilidade analisada) porque a lei o prevê mas duvido que qualquer juiz se pronuncie nesse sentido, se não passar na avaliação psicológica.

  8. É uma santinha a senhora! ASSASSINOU uma criança e passa meia dúzia de anos dentro… é por esta justiça que devias emigrar 😉

  9. Adoro todas as pessoas que têm opiniões tão definitivas sobre um assunto que realmente não conhecem.

    Para mais, num caso destes, raríssimo, em que o corpo não foi encontrado.

    A mulher foi espancada pela polícia (que serve para nos proteger, lembram-se?) e nós ainda dizemos "bem feita".

    Querem que se cumpra a Lei que diz que ela dve ir presa, mas depois não querem que se cumpra a Lei que diz que ela pode sair.

    E de 4 em 4 anos votam nos… legisladores.

    Mais, a prisão tem o objectivo regenerador. Que em 90% dos casos tal não aconteça, não é de estranhar, o que é de estranhar é termos uma visão tão pouco humanista das coisas.

    Se as pessoas pensassem, e perdessem tempo a reflectir, não escreveriam metade das barbaridades que se escreveram nesta caixa de comentários.

  10. Sou de Portimão e as pessoas de cá, da figueira e do resto do pais não se esquecem da cara desta senhora! Infelizmente ela não vai cá voltar, ela não se esquece da espera que lhe fizeram no tribunal, a sorte é que tinha policia com ela, senão era linchada pela população!

    Não a mataram na prisão mas quase a mataram, levou umas belas tunas de porrada… o povo trata do resto!

  11. Obrigada, SusieQ e Carmo. Já estava a pensar emigrar. É que não consigo conceber a ideia de viver num país em que há pessoas que defendem a 'justiça do povo' e a perpetuação dos reclusos no sistema prisional. De que serviria a Justiça se as pessoas institucionalizadas assim o permanecessem indefinidamente sem qualquer perspetiva de reingressarem na sociedade? É verdade que foi um crime horrendo, violento, atroz. Um crime impossível de esquecer… E pelo qual deve pagar. Mas o que me interessa saber é se houve um acompanhamento da Leonor. Psiquiátrico (sim, amiguinhos, as doenças mentais são tão reais quanto as outras), social, de reinserção… Se o tempo que esteve na prisão serviu para alguma coisa ou se alguém achou que bastava enfiar esta senhora numa cela e que o karma se encarregaria do resto! O que eu quero saber é se esta mulher está saudável e se tem condições de voltar a ser um membro da sociedade. Ou vamos todos voltar à época medieval, munir-nos de tochas e forcas e perseguir a senhora assim que ela puser o seu pezinho assassino cá fora? Já é tempo de fazermos as coisas de forma diferente.

    PS: De todos os comentários o que mais me impressionou foi o: 'Soltem-na. Pode ser que lhe dêem o tratamento que merece cá fora, escumalha do pior'. Dito por uma jornalista. Vou ficar a pensar nisto…

  12. As pessoas que trabalham na "justiça" deviam sofrer na pele estes crimes… se acontecesse com eles já não tiravam ninguém da prisão.
    Espero que essa senhora não seja morta e apedrejada em praça pública porque seria descer ao nível de semelhante criatura nojenta. Mas que sofra uma grande exclusão familiar e social, que não tenha emprego, casa e qualquer tipo de apoios. Que morra por ela, porque gente como essa, não merece o dom que a vida é.

  13. Não fazia ideia de que já tinha cumprido metade da pena!!E pensava que tinha sido condenada a 20 ou 25 anos.
    Darem-lhe a liberdade condicional ou as saídas precárias, é o equivalente à forca.
    Vai haver a justiça do povo.

  14. Este tipo de pessoas devia ter acompanhamento psiquiatrico. Ninguém mata um filho ou o próximo na sua perfeita sanidade, assim como ninguem viola uma criança. Estas pessoas sofrem de disturbios mentais graves. Os que têm dinheiro continuam a ser uns grandes senhores, respeitados e admirados, os que não têm como é o caso desta mulher, são esterco.

    É que na minha opinião de nada serve ter um criminoso preso anos e anos, sairá se for o caso, igual ou pior.

  15. A sério que vai sair em liberdade??? Inacreditável. É claro que essa "pessoa" não sairia viva da Figueira, mas como é óbvio ela nem para lá vai. O estado vai arranjar-lhe uma casa qualquer num sítio bem longe para sua segurança. Isto revolta-me tanto

  16. Ah não! Isso de "a justiça no nosso pais não funciona" e "é o país que temos" não dá mais! Então a mulher foi julgada, condenada, por um acórdão super contestado, uma vez que a prova era controversa, por muitos considerada insuficiente, mas ainda assim o Ministério Público teve a coragem de acusar e os Juízes de condenar a pessoa que entenderam (bem, penso) ser a culpada pela morte de uma criança e "a justiça não funciona"? A justiça tem costas largas, é o que vale. E vós sois uma cambada de ingratos não sabendo o valioso trabalho que se faz nos tribunais, criticam de forma ignorante à boa maneira tuga. Pode-se dizer que não concorda com a lei, com a duração das penas, que são curtas, mas isso é uma coisa muito diferente, não tem nada a ver com o funcionamento da justiça. O tribunal de execução de penas que aparentemente vai conceder a liberdade condicional à leonor cipriano está a aplicar-lhe a lei de forma igual à que é aplicada a qualquer cidadão recluso neste país – decorrido metade do tempo de pena, a pessoa (por muito nojenta, abjecta e repulsiva que seja, que é, é ainda uma pessoa), caso demonstre bom comportamento e capacidade de se reinserir da sociedade, sai em liberdade condicional. É o que diz a lei e é assim para todos. De uma pessoa que trabalha na justiça e tem muito orgulho no trabalho que faz e vê fazer.

  17. "a versão de que ela caiu da escada é um pouco ridícula"

    Essa é a versão habitual da Polícia sempre que alguém sai machucado de uma esquadra. São muito escorregadias as escadas das esquadras.

    Já aprendi o suficiente para não fazer grandes juízos de valor sobre julgamentos na praça pública. Muitas vezes as instituições que deviam zelar pela verdade são as que mais mentem e manipulam. Já vi e li cada coisa sobre julgamentos e condenações, tendo conhecimento de causa, que são escabrosas. Que ela tem "pinta" de culpada tem, tal como os Macaan. Se são ambos culpados? Não sei.

  18. Pela justica, o carlos cruz tb e culpado e anda ca fora, em vez de estar la dentro. Evidentemente, a unica diferenca e o valor/hora de cada advogado! Se assim nao fosse, a leonor nunca teria sido presa!

  19. Interessante verificar que tratam a "espécie" de senhora…!!!!Uma senhora é uma mulher com dignidade e que as pessoas respeitam …esta "fulana " nem mulher é quanto mais senhora !!!

  20. E era muito bem, que ele fosse para lá, morta, cortada aos pedaços e lançada aos porcos.
    Não percebo a mer** de justiça que temos neste país!
    Sinceramente!

  21. Partilho da tua opinião. Além disso acredito que a vida dela lá dentro tenha sido bastante complicada. Existe o "mito" de que os reclusos são implacaveis para os crimes que envolvem crianças.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  22. Azar o dela! Acredito que uma mulher dessas nao merece viver, e caraças se fosse minha vizinha eu juntava uma data de gente para lhe irmos dar uma coça valente!

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