Lance

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Em 2003, quando trabalhava no jornal A Bola, fui chamado à sala de reuniões pelo então chefe de redacção, o João Bonzinho, que me informou que seria enviado-especial do jornal à Volta a França, que, nesse ano, festejava 100 anos. Era o Tour do centenário, José Azevedo iria voltar à prova depois do quinto lugar no ano anterior e o gigante Lance Armstrong tentaria igualar o melhor registo de sempre de um ciclista na Volta a França, procurando a quinta vitória consecutiva. A prova tinha tudo para ser histórica, única, memorável.

Recebi a notícia com grande orgulho e entusiasmo. Iria percorrer toda a França de carro durante mais de um mês, iria seguir ao vivo uma das provas desportivas mais importantes do mundo e teria a oportunidade de fazer reportagens diárias com algumas das maiores figuras do desporto.

Para me preparar para o trabalho, tratei de ler tudo o que apanhei sobre o Tour, sobre José Azevedo e Lance Armstrong. Comprei uma biografia do ciclista americano, fui a casa do José Azevedo, em Árvore, Vila do Conde, onde passei um dia inteiro para o conhecer o melhor possível, e escrevi um suplemento especial de 24 páginas sobre a história da Volta a França, que saiu em A Bola no dia em que parti para Paris.

Foi nesta altura que aprendi a admirar Lance Armstrong. Sabia o que qualquer jornalista desportivo sabe sobre ele, mas a biografia mostrou-me todo o lado de sofrimento humano por que ele passou, a vitória sobre o cancro, a luta para voltar a competir, o espírito de luta e sacrifício, as incríveis capacidades físicas que ele tem (retive o facto de ele, a dormir, ter um ritmo cardíaco de 27 batimentos por minuto, o que é raríssimo). Quem me conhece, e quem já conversou comigo sobre ciclismo, sabe que sempre o defendi, sempre olhei para ele como uma espécie de super-homem, uma máquina de vontade e perseverança, um resiliente como poucos, que luta até ao limite das forças. O que ele fazia em cima da bicicleta funcionava, para mim, quase como um lema de vida.

Desse Tour de 2003, discutido quase até ao fim pelo Lance, o Joseba Beloki, o Ullrich e o Vinokourov, recordo uma etapa em alta montanha, em que os três deles se isolaram na subida (juntamente com o Iban Mayo, o Ivan Basso e mais um ou outro ciclista) e se mantiveram colados durante muitos quilómetros. Vinokourov ia dando uns esticões, o Mayo também, mas alguém respondia e voltavam a colar-se. Quando faltavam uns nove quilómetros para a meta, o guiador do Lance prendeu-se na asa de um saco de pano de um espectador e ele foi ao chão. Os outros seguiram, na mesma passada, sem olhar para trás. Lance levantou-se, limpou o sangue dos joelhos, agarrou na bicicleta, trepou para cima dela, e voltou a pedalar. Perdera o ritmo, e as pernas pareciam não responder. Tirou o rabo do selim e, em esforço, começou a trepar, a ganhar velocidade, mas estava ainda longe dos adversários. Lance pedalou, pedalou, pedalou, como se a prova ainda fosse no início, até que um pé lhe saltou do pedal e quase foi novamente ao chão. Perdeu ritmo, e voltou a tentar a aproximação. Poucos minutos depois, e com a meta a uns sete km, avistou o grupo da frente, que continuava compacto. Armstrong não baixou o ritmo e continuou em esforço até os alcançar. Quando o viram, os outros ciclistas abriram uma brecha no grupo para Armstrong se juntar. Foi o que ele fez. Parou ao lado deles e, finalmente, sentou-se. Durante uns segundos, voltou ao ritmo dos adversários. Parecia exausto do esforço que havia feito. Se Vinokourov voltasse a atacar, Lance parecia não ter hipóteses de o acompanhar. Armostrong olhou para um lado e viu Mayo, olhou para o outro e viu Ullrich e Vinokourov, olhou para a frente e não viu ninguém. Mayo fugiu. Armstrong voltou a tirar o rabo do selim e pedalou com uma frescura inacreditável, a sangrar, camisola rasgada da queda, e lá foi ele, atrás do basco. Apanhou-o, passou-o e foi sozinho até à meta. Ninguém mais o viu. Ninguém, sequer, ousou responder ao ataque. Nesse dia, Armstrong ganhou o Tour. O quinto. Para mim, esta história igualava as que ouvia dos golos de Eusébio contra a Coreia do Norte em 1966. Era história pura. Um orgulho ter assistido àquilo a poucos metros. Lance tornou-se, nesse dia, no meu maior ídolo desportivo de sempre.

Foda-se, traíste-me, cabrão. És um mentiroso.

1 Comentário

  1. triste é uma adolescente ou preadulta , como queiras, ser tao quadrada e a favor de um linchamento em praça publica.
    Ok, o homem errou. mentiu. fez batota.
    eu tambem ja o fiz a jogar a sueca. quem nunca o fez?
    quem nunca quis muito uma coisa e fez algo errado pra o conseguir?
    poupem-me!

  2. gostei deste post e concordo…é muito triste sermos assim enganados :/ era a mesma coisa se viesse a suspeitar/descobrir que Michael Phelps (quem admiro bastante) recorreu ao doping…

  3. Caro Arrumadinho:
    Agradeço o tempo que perdeu com o meu comentário.
    A resposta, desculpe li na diagonal, se calhar como o post em si, daí o meu erro…
    Sigo-o no facebook e saltou-me á vista o "foda-se" e "cabrão" não é seu costume usar estas expressões, isso concerteza terá chamado a atençao de outros leitores também.
    Digamos que se tornou moda "linchar" publicamente as pessoas quando falham, é triste.
    Estou sensivel, talvez…
    E parabéns… sei lá, pelo Manolo que é liindoo!
    Susana

  4. Incrivel é alguém achar q ele fazia isso tudo à conta de bifanas e sandes de presunto…

    Claro que se dopava como TODOS os que vencem se dopam. Num desporto onde o doping é curriqueiro como é que querem que alguém com "apenas" treino possa vencer quem toma autênticas bombas?

    Claro que é de criticar mas não podemos ser hipócritas e achar q o homem tinha vencido 7 Tours pq era um "super-homem".

  5. Peço desculpa mas a resposta não me parece nada óbvia. Ninguém se deveria corromper porque o sistema é corrupto. Pelo seu comentário parece que o homem não teve escolha!

  6. Parece-me obvia a resposta.
    Por melhor que ele fosse, não tinha hipoteses de competir com outros grandes atletas dopados. Certamente se os adversários do Lance fossem pessoas comuns era indiferente para ele.
    O comum dos mortais por mais que tome doping nao ganha o Tour. Alias nem sequer aguenta psicologicamente.
    O Messi e o Ronaldo são bons, mas se jogarem 5 vezes por semana contra adversarios que jogam 1 vez ao Domingo, mais cedo ou mais tarde vão ceder e perder.

  7. sinto exactamente o mesmo. Adoro ciclismo e o Tour… o Lance sempre foi o meu ídolo incontestável, o rei da prova vencendo ano após ano… uma monumental desilução…

  8. Nao vejo qual o problema.
    Com ou sem doping ha apenas X% de pessoas no mundo que sao capazes de fazer o Tour. Com ou sem doping apenas uma pequena parte dos ciclistas profissionais poderia andar no TOP 10 do Tour. Dos ciclistas do TOP10 todos se dopam de uma forma ou de outra.
    Resumindo se as condiçoes sao iguais para todos, o que chega primeiro GANHA.
    Dizer o contrario é o mesmo que dizer que os ciclistas que fazem o Tour em 2012 nao mereçem o premio porque as condiçoes tecnologicas etc sao melhoras hoje em dia do que eram em 1950. Evidentemente que sao melhores hoje em dia, mas hoje ninguem corre com as bicicletas de 1950.
    Se pensar bem então todo o ciclismo e mesmo todo o desporto está falseado. Quantas centenas de ciclistas poderiam ter sido grandes vencedores se não tivessem de trabalhar para a equipa. Nada na vida real é 100% claro.
    Basta pensarmos por exemplo, no Dakar ou na Formula 1.
    Para ser o vencedor é preciso conjugar muitos factores.
    Como por exemplo ter uma boa equipa etc etc.

    Por mais dopado que o tipo estivesse, para GANHAR 7 vezes o Tour algum valor tinha.

    Vejam isto e pensem :

    http://www.techeblog.com/index.php/tech-gadget/14-fascinating-yet-true-facts-that-may-surprise-you

    Ja confirmei e é mais ou menos verdade o que é dito nessa pagina web

  9. Acho que esta história do Lance é essencialmente triste por ver até onde chega a ambição desmedida…e a ambição, tem, ou devia ter, limites…

  10. e se nos deixassemos todos desta grande hipocrisia de julgar o Lance? quantos atletas continuam a dopar-se; quantos jornalistas, políticos, atores e atrizes e sei lá quem mais continuam a dopar-se para estarem sempre high? chega de hipocrisia

  11. Francamente assusta-me um bocado esta sociedade na qual me insiro como pessoa e futura adulta. Tenho vergonha de ver o tipo de sociedade e o tipo de pessoas que a constituem que deveriam dar o exemplo, a nós, geração mais jovem. Tenho vergonha de ler comentarios cujo argumento passa por "ah mas os outros tambem se dopavam", "ah mas ele ate admitiu e nao precisava so prova que é boa pessoa", "ah mas continua a ser um grande atleta". Mas está tudo doido?
    Desde quando o outros fazem é justificação para eu tambem fazer? Desde quando jogar sujo, enganar e mentir deve ser premiado? Desde quando, uma pessoa que admite que apenas queria ganhar a qualquer custo é boa pessoa? Desde quando ganhar nao deveria passar por trabalho próprio e esforço? Isso é ser um bom atleta e boa pessoa?
    Medo , muito medo de vocês pessoas.
    Lance Amstrong é uma faude e um mentiroso sim. Nao ha justificaçao possivel! Nao deveria haver! E não, não acredito que ele poderia ter ficado calado e não ter admitido nada. O cerco estava a apertar-se cada vez mais. Já ninguem se lembra das vezes que o homem veio a publico dizer q nao, que era tudo mentira? É preciso ter muito estomago para isso, é preciso ter muito sangue frio para olhar todos os dias para os filhos e dizer que o estavam a difamar. Isto nao sao qualidades de uma boa pessoa ponto final. Nao inventem desculpas! E nao se deixem enganar por um homem q vai verter umas lagrimitas para um programa que ja por si faz tudo para puxar para a lagrima. Triste.

  12. Ele a meu ver continua a ser o melhor. O melhor de entre os dopados e dos não dopados. Como ele há muitos que o fazem, mas ele consegiu ser sempre o melhor.

  13. Se já quase não acreditava no desporto de alta competição agora não acredito mesmo nada… Se em todos os desportos fossem controlados como o ciclismo ia ser bonito. Como alguém dizia lance era o melhor dos dopados, ou seja todos os ciclistas que corriam para ganhar a mesma competição que o lance… crucificá-lo?? se calhar dá jeito, expiámos nele todos os pecados da importância de ganhar e ficamos com a consciência tranquila e a assobiar para o lado como se todo o resto da alta competição não fizesse o mesmo…

  14. Se já quase não acreditava no desporto de alta competição agora não acredito mesmo nada… Se em todos os desportos fossem controlados como o ciclismo ia ser bonito. Como alguém dizia lance era o melhor dos dopados, ou seja todos os ciclistas que corriam para ganhar a mesma competição que o lance… crucificá-lo?? se calhar dá jeito, expiámos nele todos os pecados da importância de ganhar e ficamos com a consciência tranquila e a assobiar para o lado como se todo o resto da alta competição não fizesse o mesmo…

  15. O post é muito bom, está muito bem escrito e parabéns por ele. Mas não posso deixar de dizer o seguinte: ele só te desiludiu porque tu que iludiste com ele. O erro não está nele: está em todos nós que quisemos ver ali um herói, qualquer coisa para lá do humanamente possivel. Isso acontece amiude, o Lance não é caso único. Somos nós, nas nossas limitações, que temos absoluta necessidade de criar heróis, andamos ávidos de criar referências.

    De resto, no ciclismo (e arrisco dizer no desporto em geral) as substâncias proibidas são algo absolutamente corriqueiro, logo se a tua decepção foi assim tão grande é porque não fizeste o trabalho de casa tão bem como dizes no inicio do post. O publico em geral até pode ter sido apanhado de surpresa, mas os jornalistas que por lá andam sabem perfeitamente o que lá se passa.

    De qualquer modo, volto a repetir: parabéns pelo post, está muito bem escrito.

    A. Alves

  16. Arrumadinho,

    Só para dizer-te que escreves bem, mas ainda tem espaço para fazer melhor e a prova disso é este texto: bem melhor do que tenho aqui lido.
    Abandona aquela estrutura de texto!
    Continua.

  17. Eu tenho pena do Lance, ele para mim continua a ser um herói, curou um cancro e criou uma fundação que ajuda pessoas a lutarem contra esta doença odiosa e veio a praça publica dizer que se dopava, tal como tantos outros na América, que ganham medalhas atrás de medalhas, hummmm suspeito… Lance és grande, como todos os que sofreram, sofrem, lutaram e lutam todos os dias com esta horrível doença…

  18. Gostei muito do post – bela memoria e boa punchline.

    A entrevista do Lance a Oprah deixou um sabor ainda mais amargo na boca, ao fim de tudo. Foi o pedido de desculpas mais vazio que ouvi nos ultimos tempos e so o fez em nome de interesses proprios.

    Quanto as teorias de que "sim ele dopou mas nao e o unico" sao muito perigosas. Atletas do "calibre" do Lance Armstrong sao modelos para os atletas de amanha. Esta atitude de que "nao faz mal porque os outros tambem fazem" e muito mau exemplo. Um homem com a responsabilidade social dele tinha obrigacao de se portar melhor. E falhou. A minha "Livestrong" tshirt, daqui para a frente, e so para dormir.

    (Desculpa a falta de acentos… A culpa e dos teclados estrangeiros.)

  19. O meu interesse pela volta seja a onde for é nulo, desporto nunca fez parte dos meus interesses contudo, a maneira magnífica como escreve faz-me ficar colada até ao final de cada um dos seus textos! Obrigada por escrever!

  20. Boa noite Ricardo,

    É verdade que ele é um mentiroso, é verdade que ele se dopou.
    Mas também é verdade que ele ganhou, e penso que como ele..se doparam mais alguns, é triste.. mas temo que seja verdade.
    E ao contrário dele..não ganharam.

    É triste ver um lenda como o Lance, cair por terra.

    Obrigado por partilhares os teus artigos.
    Mas concordo contigo a 100%.

    Cumprimentos,
    AF

  21. Foi mesmo uma grande desilusão para toda a gente que tentava seguir o exemplo dele e nunca desistir, e tentar ultrapassar sempre o nosso limite.
    Parece que afinal não há super homens.

  22. A todos os que falam das grandes questões do doping: Este não é um post sobre isso. Eu sei que o Armstrong não era o único a dopar-se, eu sei que muitos (ou quase todos) o faziam, eu sei que ele continua a ser um grande atleta, eu sei que o ciclismo é um desporto condenado, eu sei tudo isso, mas não era sobre nada disso que eu queria escrever – e por isso não escrevi. Este é um post sobre a queda do meu ídolo. Mais nada.

  23. Cara Susana, várias coisas:
    1. Em que parte é que eu escrevo que acho que só ele é que se dopava? Em nenhuma. Este post não é sobre "a grande questão do doping no ciclismo", é um post sobre a queda de um ídolo, é um post pessoal, que parte de uma história pessoal e revela um sentimento de decepção pessoal.
    2. "Traiu-NOS"? "nos" porquê? Eu não falo pelos outros. Este é um post sobre a forma como este caso me afectou. Eu senti-me traído, não sei se os outros se sentiram, nem me interessam. Por isso, é "traiste-me" e não "traiu-nos".
    3. O significado de cabrão não tem nada a ver com o caso. Se eu lhe chamasse filho da puta não estaria a querer dizer que a mãe dele faz sexo por dinheiro – mas, pela sua lógica, sim, queria. Ou seja, só quer implicar.
    4. Em que medida é que o "foda-se" dá mais visionamentos? Há pessoas à procura no google da palavra "foda-se" que são encaminhadas para o blogue? Não percebi.
    5. Não percebo o "parabéns", mas obrigado na mesma.

  24. Lembro-me de ver o documentário Pumping Iron, onde o arnold schwarzenegger referia que no tempo dele toda a gente tomava esteróides, pois não era ilegal, era permitido. Hoje em dia quase todos os atletas tomam o chamado "pre-treino", como o Jack 3D ou o NO-Explode, pois é vendido em lojas da especialdade. Não pensem que os sprints do Ronaldo vem só da massa que come ao jantar. Mas e se daqui a uns tempos os intendidos decidirem que coisas como pre-treinos, cameras de simulação de altitude etc, são também dopping? Também vão tirar todos os prémios aos outros? Do que vi, o Lance, pelo menos na questão das transfusões de sangue, pensou que todos faziam o mesmo, pois é um processo natural. E não foi o único a faze-lo. A diferença para os outros é que ele chegava smp em primeiro, talvez pk tinha um organismo que reagia melhor ao dopping. Já nem vou referir o facto de ele ter sido um estrangeiro a ganhar em territorio frances mais de meia duzia de vezes. 🙂 E quase todos sabemos cm sao os franceses…, querem ganhar (ou ver s outros perder), a força.

  25. e existem drogas legais e ilegais. E sim, eu sou ciclista e dos bons e tomo suplementos que alteram o meu rendimento. e sao legais.

  26. Tu arrumadinho, que para mim és um exemplo a comentar acontecimentos desportivos com este post confesso que me desiludis-te um poucochinho.
    O homem fez batota, que fez. Mas fogo quem é que nunca fez batota num joguito ou noutro. Quem é que nunca quis muito vencer e conseguir alguma coisa?
    Ele mentiu ok. Mas fogo, tantos ciclistas que em provas estavam prestes a desistir e pensam em homens assim pra arranjar força quando ela se esgota. Ele inspirou muita gente.
    E mais,ele podia ter ficado caladinho, no seu canto e tod gente o idolatrava. Mas nao, ele nao conseguia deitar a caabeça na almofada com isto. É preciso ser boa pessoa, para assumir aqui quando nao era a sua unica opçao. E so ele sabe o que lhe está a custar isto tudo.

  27. Sou contra o Doping e todo o tipo de ajudas "extras" no desporto, contudo tenho de admitir o tipo é um heroi, ganhou o que ganhou, e os outros tambem estavam dopados, venceu o cancro e voltou a competir,e no final quando podia estar calado na sua zona de conforto veio a apublico admitir tudo isto.Para mim continua a ter valor por tudo o que passou.

  28. Confesso que fiquei desiludida com a forma como terminaste este post, e estava a gostar tanto dele..pensava que ias dizer algo mais intelegente sobre toda esta polémica. É obvio que ele até aqui não podia admitir que se dopava pq era e é contra as regras, por outro lado, também é obvio que todos eles o fazem. Não deixa por isto de ser um grande desportista a meu ver…

  29. Se publicas o meu comentário é irrelevante, pois é para ti que o faco.
    Gostei da descricao das corridas, admiro o trabalho de pesquisa que fizeste, a tua dedicacao.
    Mas quem é que ainda acredita que na alta competicao nao existe dopagem? Nao só ele como 99% dos outros tambem o fazem. Um desportista e jornalista como tu, pode ser assim tao ingenuo?
    E para finalizar
    – Foda-se, no minimo traiu-NOS
    – Significado de Cabrão
    s.m. Bode.
    Pop. Marido que tolera as infidelidades da esposa; cornudo, corno.
    Pop. Criança que berra muito.
    É mesmo isto que pretendes chamar ao "Lance"??

    E sim, o teu "foda-se" deu-te mais uns visionamentos, inclusive o meu. Parabéns
    Susana

  30. Não deixa de ser um exemplo de perseverança. Não foi o doping que o fez levantar após as quedas, foi a força de vontade.

    Há que repensar o ciclismo… Será que há algum ciclista que não se dopa?

  31. na minha opiniao o maior erro dele for ter mentido, mas nao acho que deixe de ser um grande desportista e homem, embora nao o conheça muito bem e so ouça falar mais dele agora com esta polemica.
    Acho mais triste o colega de equipa ter feito queixa dele, acho que foi um acto de maldade do tipo "se me apanham ele vai comigo" . Sinceramente acho que todos naquele desporto tem o seu C de culpado, ele como é mais conhecido deu a polemica que deu, e depois pecou pela mentira que disse e por processar pessoas que diziam a verdade.
    Mas acredito quando ele diz que a maior dor dele foi terem-no afastado da associaçao, e acredito quando diz que fez isto tudo porque sempre foi competitivo e perder e algo que custa aceitar para alguem que sempre teve tudo.
    So espero e que esta entrevista com a Oprah seja verdadeira e nao uma entrevista do tipo "fiz m*** agora deixa me mostrar o meu outro lado, para me deixarem continuar a fazer competiçoes" porque tal como ele disse, neste momento nao pode participar em nenhum desporto…

    Espero que tenha aprendido com este enorme erro e que um dia olhem para ele como o grande desportista que e e nao pelo erro que cometeu.

    Andreia

  32. excelente descrição da corrida. adoro como escreve, permite-me situar na situação e sentir que estive lá presente, quando nunca me interessei por corridas de ciclismo.
    keep on going.

    quanto ao Lance… desilusão de facto.

  33. Como amante de ciclismo e que se lembra da etapa que relataste como se fosse hoje (tinha apenas 13 anos), não quero sequer acreditar nisto. Nestes últimos dias evitei ver as notícias da entrevista e gravei a entrevista no meo para algum dia em que ganhar coragem…

  34. Há uma coisa que me parece importante esclarecer: para mim ele não precisava de admitir o uso de dopping porque isso é evidente. Aliás, ele e outros, não só no ciclismo. Agora, não me venham com tretas porque ele passou em centenas de controlos anti-dopping e em nenhum, em nenhum saliente-se, acusou nada. Para mim, tudo não passou de um conluio. O Lance foi, apenas, uma peça descartável nesta altura do campeonato. E, sim, também concordo com a Alu, isto não passa de um "linchamento público".

  35. -.-'' Não é preciso entender muito sobre ciclismo, para perceber que a maior parte daqueles tipos andam sob o efeito de "bombas". Se até nos campeonatos que por cá se fazem é assim, por lá deve ser mil vezes pior, já para não falar de que tudo isto não passa de um "linchamento público".

    Nem tudo é o que parece.

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