Kate, Gerry e o dia de hoje

29
3634

Amanhã é o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, o que, como é quase inevitável, me leva a pensar em Madeleine McCann, talvez o caso mais mediático de sempre de uma bebé que nunca foi encontrada.

Por razões profissionais, segui o caso desde o primeiro dia. Lembro-me perfeitamente de ter recebido um telefonema numa madrugada de um sábado, deviam ser 1h ou 2h da manhã, a contarem-me que uma miúda inglesa de três ou quatro anos tinha desaparecido no Algarve, e que se suspeitava de rapto. Na altura, pensei logo que aquilo iria ter grande projecção, até porque o Algarve ainda é um destino importante de férias para muitas famílias britânicas. No dia seguinte, quando cheguei ao jornal, coloquei imediatamente uma equipa a acompanhar o caso no local. Comecei, a partir daí, a ler tudo o que se escrevia um pouco por todo o mundo sobre este desaparecimento. Segui todos os passos da investigação policial, forense, li tudo o que eventuais testemunhas tinham a dizer sobre o assunto, fui acompanhando de perto a postura de Kate e Gerry, que sempre me pareceram pais em desespero e nunca suspeitos de um crime.

De então para cá, li o processo policial, li o livro de Gonçalo Amaral, li o livro de Kate e tive oportunidade de entrevistar os pais de Madeleine em Londres, em Lisboa e duas vezes por mail. Também já nos reunimos para conversar numa breve passagem deles por Lisboa.

Por estar por dentro de todo o processo, por ter lido praticamente tudo o que se escreveu sobre o caso, tenho a firme convicção (que para mim é uma certeza) que os pais de Madeleine são inocentes. Há mil e um factores que tornam praticamente impossível que algum deles tenham contribuído para a morte ou o desaparecimento da filha. Seria, por isso, exaustivo e aborrecido estar aqui a falar de todos eles. Até mesmo os mitos que os investigadores criaram para gerar um manto de dúvida sobre a acção dos pais foram destruídos (não, os cães não detectaram cheiro a cadáver no apartamento; não, os cães não cheiraram sangue no porta-bagagens do carro dos McCann).

Num dia como este, e como pai, sinto um arrepio só de pensar no que será ver um filho desaparecer. É algo que vai para lá do meu entendimento. Não sei como é que se consegue viver com uma situação dessas. Neste dia especial, queria deixar um abraço solidário ao Gerry e à Kate e a todos os pais que já passaram por algo semelhante.

29 Comentários

  1. Sei que já passou algum tempo desde esta publicação, mas sempre que vejo este assunto comentado, não resisto em dar a minha opinião. Custa ser pai, não custa? Deixar de se sermos a nossa primeira prioridade…..

    Para mim são culpados, de negligência e questiono-me se no país deles não seriam punidos por irem jantar e deixarem miúdos em casa sem uma ama.

    Por fim, quero ainda assim expressar a minha solidariedade. Se estão inocentes, e gostavam da filha, tenho a certeza que não o fizeram com intenção e que devem sofrer muito com esta situação agoniante. E eles e tantos outros pais.

  2. Eu que conheci o Rui Pedro, que conheço e moro a escassos metros da mãe do Rui Pedro e cujo sofrimento vejo estampado no rosto, digo que antes morrer que tal acontecer com um dos meus filhos.
    Também neste caso não se percebe tantas incertezas, tantas coisas por explicar.
    Agora passados estes anos, o supeito de sempre é condenado, depois de ter sido ilibado…decidam-se! Tanto tempo depois.
    Ele próprio formou uma familia, tem um filho, que ironia do destino também conheço pessoalmente. Um amor de criança. Quantas vezes olho para ele e penso no Rui Pedro.
    Não sei como não se actua logo nestes casos, de forma rapida, é tudo estranho, a policia, a justiça…
    Nem quero imaginar….

  3. Tantos "salvadores da pátria" (será que usei correctamente as aspas caro anónimo!?, leia-se, do texto do Arrumadinho!

    A questão aqui é exactamente aquela que os caros "salvadores" frisaram, o que desde já agradeço, o caso Rui Pedro foi sempre isso mesmo, umas palavrinhas de último parágrafo, se vocês, jornalistas e demais responsáveis, tivessem dado 1/3 da visibilidade que deram ao caso Maddie, quem sabe o Rui Pedro não estaria entre nós, ou pelo menos aquela mãe estivesse actualmente em menor sofrimento, quem sabe!?

    Ler nas entrelinhas dos comentários também é importante, mas se não entenderam, eu expliquei palavrinha a palavrinha!

    Cumprimentos a todos.

  4. 1) Pq tinham algo a esconder…
    2) pq nao disseram a verdade 🙁 a verdade é só uma.
    3) pq tinham 'o rabo preso'
    4) pois, num pais estranho, tão pequeninos…

    Culpados.

  5. Ricardo. Boa tarde. Sei q o meu comment n será publicado, mas n há problema. Apenas gostava q o lesses. O meu ponto é este: sinto-te agressivo com aqueles q nao concordam ctg. Repara, nao espero filosofia ou erudiçao do teu blog. Não es e nunca seras um Zizek, um lipovetsky e por aí fora. Esses sim comentam a realidade de forma complexa e trazem novidade. Por favor, se dás uma opinião q te advem apenas do sensorial, entao admite a oposiçao c maior ligeireza!

  6. Em dias como este o meu sincero "abraço" vai para familias como a do Rui Pedro, que se tivesse tido 1/3 da atenção que os pais da Maddy tiveram provavelmente estaria com a familia agora e aquela mãe não teria aquele rosto sofrido e marcado que tem de um desgosto sem fim.
    Bem sei que as pessoas não são todas iguais, e que muitas vezes quem não o demonstra sofre mais até.
    No entanto,(e segundo o que saiu na comunicação social) os pais da Maddy tiveram como primeira preocupação ligar para os jornais ingleses, em vez de ligarem para a policia, contrataram o acessor de comunicação do Primeiro Ministro inglês (coisa que para mim, que nem sequer sou mãe, me parece ser a última preocupação para alguem que não sabe de um filho).
    Mas, mesmo ignorando tudo isto (que até pode ser mentira), que raio de pais são aqueles que vão jantar e deixam os filhos a dormir sozinhos em casa??? E não me convencem minimamente com a história de que de 15 em 15 minutos iam vê-los, porque isso é impensável e se assim fosse aquele grupo de amigos não estaria a ter um jantar agradável, porque é impossivel ter-se prazer num jantar de grupo em que o pessoal anda sempre a levantar-se para ir fazer a ronda.
    Em primeira análise eles foram irresponsáveis, porque se queriam ir jantar contratavam uma ama (que o empreendimento tinha disponivel) ou juntavam-se todos num apartamento para tomarem conta dos meninos.
    Sinceramente acho que ele não a mataram, que possivelmente foi um acidente. Possivelmente a criança acordou e, com a incosequencia própria das crianças, brincou com algo que nao devia e magoou-se levando á sua morte ou colocou qualquer coisa na boca e asfixiou.
    Enfim teorias, mas acredito seriamente que eles sabem o que aconteceu naquela noite e encobriram.

  7. Há 3 aspectos que não consigo entender nuns pais que, supostamente, viram desaparecer uma das filhas enquanto dormia num aldeamento turístico de um País estranho:

    – como é que logo no dia seguinte, e durante as muitas semanas que se seguiram, foram capazes de se afastar dos outros 2 filhos para, teoricamente, darem início à busca de Maddie? Se algo semelhante me acontecesse (Deus me livre!!!!), não haveria meio de me separar dos meus outros filhos, nem para ir à casa de banho!

    – como é possível que a Kate tenha lavado o boneco preferido da Maddie, com o qual ela dormia todas as noites? Como é possível que uma Mãe não queira manter vivo o cheiro da sua filha desaparecida?…Uma pequena lembrança da sua menina?… Eu, mesmo quando estou apenas a fazer as camas das minhas crianças e a arrumar os seus quartos (e os tenho a meia dúzia de metros de mim), adoro cheirar a sua almofada, os seus peluches, o seu pijaminha… É esse o cheiro real dos nossos filhos.

    – se os McCann achavam mesmo que a filha tinha sido raptada, como é que foram capazes de divulgar o detalhe da marca no olho que era uma característica muito particular da Maddie? Por acaso não lhes ocorreria que com essa informação estariam a condenar a filha à morte? Certamente o raptor, perante essa divulgação, trataria de eliminar a criança.

    – e, finalmente, se um raptor entrasse num quarto com tantas crianças à disposição, não escolheria as mais pequenas, aquelas que ainda não falam e como tal, haveria menos hipóteses de o denunciarem?
    Porque é que não optou por um dos gémeos, que à data teriam cerca de 2 anos, em vez da Maddie que com 4 anos era perfeitamente capaz de pedir ajuda a qualquer pessoa que a visse? Parece-me mais arriscado para o raptor…

    Bem sei que são 4 detalhes que aparentemente não terão qualquer relevância no caso, mas que, no meu entender, não batem certo com o cenário de uma criança desaparecida.

  8. O qeue toda a gente sabe é que é comum no estrangeiro darem medicamentos às crianças para dormirem, para não as levarem para o restaurante. Sinceramente penso que foi o caso. Se calhar até se enganaram na dose e aconteceu alguma coisa à miuda. Porque é muito estranho o hotel ter serviços de babbysitting e eles recusarem e acharem melhor as crianças ficarem em casa sozinhas.

  9. Sempre achei que os pais da menina eram inocentes, mas ao mesmo tempo culpados, ou seja, acredito que tenha existido por ali um acidente que levou à morte da menina, logo, não foi intencional. Portanto daí o 'inocentes'. Mas, caso seja este o cenário, passam a ser culpados, a partir do momento em que, e provavelmente por desespero ou receio de serem rotulados de pais negligentes, tenham conseguido ocultar o corpo, o que a ser verdade, não terá sido fácil. O que a seguir acontece é que me confunde. O tal mediatismo à volta do caso. E aí paro, porque seria mau de mais.

    São opiniões e valem o que valem. Pode não corresponder de todo à verdade e, o que há a lamentar no meio disto tudo, é a vida de uma criança. Vida essa que se perdeu.

  10. Eu lamento, mas não acredito, de todo, nos McCann. Tudo aquilo que fizeram, sobretudo no pós desaparecimento, não me parece compatível com pais que estivessem aflitos em busca da filha.
    Não ligar para a polícia local em primeiro lugar, não varrer as ruas e afins à procura da criança, irem a Espanha passados uns dias – inexplicavelmente, todo um circo nos meios de comunicação social e a angariação de fundos para as buscas. Todos os contactos políticos, como se isso fizesse acelerar ou melhorar as investigações.
    Sempre me pareceram pessoas profundamente tristes e nervosas, mas não aflitas ou ansiosas com a possibilidade de encontrarem a filha. Pelo contrário, sempre tive a sensação que eles tinham a certeza de que ela não iria ser encontrada.
    Para mim, a criança teve um acidente e eles limitaram-se a fazê-la desaparecer. No fundo têm a consciência pesada pela negligência e pelo encobrimento, mas não são, obviamente responsáveis intencionais pela morte da filha.
    E esta minha ideia veio a ser reforçada recentemente quando um filho de uns conhecidos meus morreu num acidente por clara negligência do Pai. A actuação de toda a família, inclusive os contactos com pessoas influentes, deu-me a certeza que as pessoas quando precisam / querem encobrir uma situação são dos melhores actores que há. Chame-lhe instinto de sobrevivência, chame-lhe o que quiser. Mas que as pessoas conseguem actuar como se não tivesse sido nada com elas, conseguem. Uma espécie de bloqueio mental, de negação. Como disse, já basta o sentimento de culpa como castigo.

    Por isso, a menos que me demonstre que a criança foi efectivamente raptada, continuo a achar que terá morrido acidentalmente e que os pais se desfizeram do corpo.
    Quanto ao facto de os acidentes poderem acontecer a qualquer um, não lhe retiro razão.
    Mas acho sinceramente, que se tem um dever de vigilância e o viola, tem de responder por isso. É como aqueles pais de que houve notícia há uns tempos, de terem deixado um bebé no carro que morreu desidratado. É igual.

  11. É verdade, todos nós por algum momento na vida somos negligentes com as crianças. Olha eu este verão fiz mais ou menos a mesma coisa no parque de campismo, o meu filho de 5 anos adormeceu super cedo na tenda e eu no momento estava sozinha com ele e pedi aos miudos da tenda ao lado para me darem um olhinho nele que ia só beber café que ficava em frente á tenda, a uns 30 mts. Só depois de o ter feito comecei a pensar " mas de onde é que eu conheço as pessoas para lhes estar a confiar o meu filho?" Te garanto que com o sono pesado que ele tem, bem pegavam nele sem que acordasse e o levariam sem grande estrilho. Quanto aos MCcann, tb nunca acreditei que eles fossem culpados, ainda que tivessem descoberto a filha morta numa das rondas que faziam para vêr se estava tudo bem, como é que se tem o sangue frio para ali em minutos e num sitio que mal conhecem, elaborar um plano perfeito para ocultar o cadáver da filha querida que tinha morrido por excesso de calmantes…Não me entra na cabeça!!!! E se realmente fossem culpados o que provavelmente quereriam era pouca atenção sobre o assunto que é exactamente o contrario do que têm vindo a fazer, e não, não concordo que esta atitude é para disfarçar a culpa. Tenho muita pena da miúda bem como de todas as crianças desaparecidas e respectivas familias sem saberem se estão vivas e em que condições.

  12. ó arrumadinho, também li o livro do gonçalo amaral e descontando essa história dos cães (que não vale nada) e algumas incongruências naturais (se me perguntares o que almocei na segunda, dir-te-ei que não me lembro e não significa que tenha ido dar "uma volta" com a colega de trabalho), mas há uma coisa que me causa espécie:
    1) porque razão apagaram eles os registos telefónicos da noite?
    2) as versões dos acontecimentos dadas por eles e pelos amigos que os acompanhavam nessa mesma noite são totalmente diferentes;
    3)porque razão não compareceram cá em Portugal, numa fase mais avançada da investigação, quando foram convocados?
    4)lamento, mas também acompanhei o caso e nunca, mas nunca vi qualquer frase sobre terem deixado os miúdos a sós;
    não gostava nada de estar no papel deles e tens toda a razão, não podemos ser mais exigentes com os outros do que connosco.
    a eles e a todos os pais e familiares na mesma posição, um bem haja e muita força.

    ps: respeito a tua opinião, porque és jornalista; porque os entrevistaste; porque já passou algum tempo, necessário para um distanciamento racional; e porque me pareces razoável (do teu blog, claro)

  13. Isto é uma pergunta sincera, sem nada de cínico ou retórico: então como é que veio "cá para fora" essa história do sangue no porta-bagagens? Interessa-me mesmo saber, porque sei que esse é provavelmente o dado que mais pessoas fez acreditar que os pais da Maddie são culpados. E eu, que acredito piamente que eles são inocentes, gostava imenso de poder contra-argumentar, pelo menos, no que toca a isso do suposto sangue compatível com o da Maddie no porta-bagagens do carro alugado.

    Muito obrigada.

  14. Eu sempre duvidei da inocência dos pais da Madeleine até ter conhecimento daquele caso das 3 raparigas americanas que estiveram reféns quase uma dezena de anos numa casa bem perto da sua…

  15. Boa tarde Ricardo.
    O único conhecimento que tenho deste caso é aquilo que foi passado pela comunicação social. Contudo, sempre foi um tema que me suscitou muito interesse, porque tal como dizes (e não sou mãe), penso que não deve haver nada pior do que ter um filho desaparecido. Acho que isto supera mesmo a dor da perda por morte.
    Mas, o meu objectivo com este comentário é outro. Aproveitando o facto de teres conhecimento "real" do caso, houve sempre questões que quis ver respondidas (e, se estiverem baseadas em "mitos", peço desculpa):
    – Por que é que ao verem que a filha tinha desaparecido ligaram primeiro para a comunicação social britânica e não para a polícia?
    – Dizes que essas evidências do sangue no apartamento e no carro são mentira? Isso é mesmo assim? Mentiram (neste caso a PJ) ao mundo com que objectivo?
    – Não te parece estranho que o braço direito do PM britânico se tenha demitido para tratar deste caso? Presumo que a Madeleine não tenha sido a primeira criança a desaparecer no Reino Unido. Então, que poder, que mística envolve estes pais que tanto conseguiram? Até pelo Papa foram recebidos? Não tenho memória de nenhum caso tão mediático à volta dum caso de desaparecimento de alguma criança.
    – O caso do Rui Pedro que é o mais mediático em Portugal, não chegou nunca nem a 1/5 daquilo que foi e é este caso…
    – Que influência têm estes cidadãos em particular (pais da Madeleine)?? Dinheiro? Não sei, não entendo…
    – Há de facto muitas dúvidas por tudo aquilo que foi dito e escrito. Muitas mentiras… Mas o que é certo é que a imagem que foi passada destes pais é que há ali qualquer coisa que não bate certo.
    Mas se for de facto como dizes… Não sei…
    A única coisa que sei é que eles perderam efectivamente uma filha e nas circunstâncias em que foi será uma culpa da qual nunca se vão livrar.
    O resto, não sei. Nunca saberemos.

  16. Que outros casos idênticos conheces de crianças raptadas, de dentro de uma habitação, para rede de tráfico de crianças, para teres essa maior certeza?
    É que este é o único do género que conheço e a razão que me leva a duvidar. Se a rede quisesse uma miuda loira, não serviria uma qualquer apanhada na rua onde a oportunidade é melhor?
    Até o caso do Rui Pedro, cujo desaparecimento foi na rua e que durante muito tempo se pensou também numa rede de tráfico, afinal pode ter uma justificação bem mais perto de casa.

  17. Que tristeza de comentário. É pena que os leitores tomem o universo de um autor do blogue como propriedade, logo, ditam o que escrevem e como escrevem. No entanto não têm blogues.

  18. Só pelo facto de terem deixado 3 crianças a dormir sozinhas nun apartamento num país estrangeiro, para mim são os únicos culpados do desaparecimento da filha.
    Tenho muito mais respeito pela dor dos pais e familia do rui Pedro. E não, o desaparecimento do Rui Pedro não tem nada de semelhante ao desaparecimento da Madeleine. Mas isto é a minha opinião.

  19. A história, confesso que nunca me convenceu, e sempre achei que os pais não eram os responsáveis apesar de todo o circo que a polícia e a imprensa montou em torno deles. Agora inventar esses "factos" e ninguém vir desmenti-los parece demais. como é que deixam isso tornar-se uma verdade na opinião pública? Aparentemente qualquer jornalista interessado, como foi o teu caso, teria descoberto que não era verdade, como é que a imprensa sabendo disso deixa passar essa imagem de uns pais sem lhe pesar a consciência?

  20. E isso eles sabem, admitem e sofrem diariamente o peso dessa culpa. Mas uma coisa é ser culpado de negligência, outra bem diferente é ser acusado de homicídio e ocultação de cadáver. E de uma coisa tenho a certeza: muitos dos que os culpam de negligência já o foram com os seus próprios filhos, ainda que num grau menor, talvez. Basta não darmos a mão a uma criança quando ela está connosco no passeio e, em três segundos, ela está na estrada e pode ser atropelada. Pode acontecer a todos. E quando isso acontece, penso que o peso da culpa já é suficiente, não precisamos de ter milhares de pessoas a apontarem-nos o dedo.

  21. A minha convicção é a de que a criança foi raptada para ser vendida a alguma rede de tráfico de crianças. Mas acredito que toda a projecção que o caso ganhou poderá ter levado os raptores a quererem retirá-la do circuito, já que se tornou numa cara demasiado conhecida (e com um traço distintivo – a mancha no olho). A única forma de o conseguirem fazer terá sido matando-a e fazendo desaparecer o corpo. É isto que eu acho que aconteceu. Mas espero, sinceramente, estar enganado, e que um dia ela apareça, tal como apareceram estas três mulheres americanas, há umas semanas, nos Estados Unidos, e que estavam desaparecidas desde 2003.

  22. Conforme acima escrito: "e a todos os pais que já passaram por algo semelhante."

    Acho que se adequa ao caso do Rui Pedro, não? Ler com atenção é sempre importante. Além de que o Ricardo não mandou um "beijo especial" mandou um abraço solidário.

    O uso adequado das aspas também é importante, boa?

  23. Esses mitos de que falas, apenas hoje li que eram mitos. Sempre foram tidos como verdade e contribuíram e muito para o "julgamento" aos pais de Maddie. Tenho pena que assim tenha sido, e que que própria, com base nesses mitos os tenha encarado como suspeitos. Há, no entanto, uma verdade. Eles foram negligentes, mas por isso devem sentir-se ainda piores. E acho que a culpa que sentem, acrescida à dor de desaparecimento de um filho ninguém merece!

    A mãe do Rui Pedro é sem dúvida o espelho da dor de uma mãe que perdeu um filho, sim, é para lá do entendimento!

  24. Caro anónimo, se tem pena, bom, não tenho culpa disso. Quanto ao "não nos é nada", aí, terá de falar por si, e não no plural. Eu conheço os pais da Madeleine, tenho simpatia por eles, como escrevi, já estive com eles em várias ocasiões, logo, são-me alguma coisa.
    Quanto à mãe do Rui Pedro, a Filomena, está incluída no último parágrafo. É um caso que não acompanhei profissionalmente, não tenho tantos dados sobre ele, por isso, não posso falar com tanto conhecimento. O que não quer dizer que não me sinta solidário com os pais do Rui Pedro. Agora, o que é que isso tem a ver com o facto de ser portuguesa? Não queira inventar casos e guerras onde elas não existem.

  25. "(não, os cães não detectaram cheiro a cadáver no apartamento; não, os cães não cheiraram sangue no porta-bagagens do carro dos McCann)"

    Queres elaborar?

    Os investigadores inventaram isso ou foram os jornalistas que inventaram isso?

    Não sei se são culpados ou inocentes mas que "tresandam" a culpa lá isso "tresandam". E não tem nada a ver com a Kate ser fria, etc. Há algo ali que não me convence. A cena de até o PM inglês vir à conversa….hum…

    A história de terem posto as crianças a dormir com comprimidos tb é treta?

    Mas sim…deve ser o pior que pode acontecer a um pai é um filho desaparecer. Nem quero imaginar tal coisa.

  26. tenho pena que faças "notícias" e mandes um beijo "especial" a quem não nos é NADA e não dês especial atenção a um mãe que sofre há tantos anos, que está morta por dentro e que que é Portuguesa, mas deve ser por isso mesmo, é portuguesa (estou a falar do caso Rui Pedro!)

DEIXE UMA RESPOSTA