Isabel Jonet

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Há dois dias que as redes sociais estão inundadas de piadas sobre Isabel Jonet. Há um manto de indignação que se espalhou por todo o lado onde vou. Já circula uma petição a exigir a demissão da presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, que agora virou alvo de chacota nacional. Parece que de repente esta senhora é uma bandida trafulha que nos quer fazer mal a todos.

Confesso que só tinha apanhado por alto as tais “declarações explosivas” anunciadas por todo o lado. Então, lá perdi seis minutos e 22 segundos para ouvir tudo o que Isabel Jonet tinha a dizer. E, bom, confesso que não entendo esta indignação geral.

Há muitos anos que a Isabel Jonet é uma mulher que me merece todo o respeito, pelo trabalho exemplar que tem feito à frente do Banco Alimentar Contra a Fome. São 20 anos de voluntariado, de trabalho em prol dos outros, 20 anos a travar uma luta contra a miséria humana, a ajudar quem não tem o que comer. Logo por isso pensaria muito bem antes de atirar pedras a uma pessoa que faz isto.

Mas vamos então às declarações de Isabel Jonet. O que ela diz, basicamente, é que durante muitos anos andámos a viver todos acima das nossas possibilidades e que vamos ter de aprender a viver com menos, e ensinar os nossos filhos que é preciso viver com menos. E é isto. Onde é que está a polémica? Onde é que está a novidade? Quantas pessoas é que já disseram isto?

Onde Isabel Jonet falha é nas imagens que cria, em alguns exemplos que dá. Até a questão de lavar os dentes com o copo ou com a água a correr me parece um exagero estúpido de quem a critica. Sim, os meus avós também foram educados a lavar os dentes com um copo. E eu não. Às vezes uso um copo, sim – e a minha mulher até goza comigo e diz que é coisa de miúdos – mas às vezes deixo a água correr um pouco. E digo sempre ao meu filho para usar o copo – ele próprio o faz porque na escola lhe dizem que é assim que deve ser.

Depois, toda a gente goza e se indigna com a comparação “ir a um concerto” ou “tirar uma radiografia”. Uma vez mais, acho que as pessoas só querem indignar-se, só querem criticar por criticar. Basta ver as declarações com atenção para perceber que o que ela está a querer explicar é que há muitos jovens que “forçam” os pais (e acho que todos sabemos o que é a idade parva da adolescência) para que nos possibilitem determinadas coisas. Queremos ir aqui, fazer isto ou aquilo, que nos comprem esta ou aquela roupa de marca, e não queremos saber como estão as contas em casa. Muitas vezes os pais cedem, por amor aos filhos, para ver a felicidade dos filhos, ainda que para isso tenham de deixar de comer um bife à noite e tenham de comer Nestum. Eu faria isso pelo meu filho. A questão das radiografias, sim, parece-me um exemplo mal aplicado, porque acho que ninguém deixa de proporcionar cuidados básicos de saúde a um filho para lhe proporcionar momentos de prazer como ir a um concerto. Mas pronto, é isso, um mau exemplo. Agora toda esta indignação!? A demissão de Isabel Jonet? Virar chacota nacional?

A memória das pessoas é, de facto, muito curta. Se aplicassem na sua própria vida essa tolerância zero ao erro que têm para com os outros tenho a certeza de que a nossa sociedade seria muito melhor. E, já agora, se todos os que a julgam e parodiam se dedicassem, por uma semana, a fazer o que ela faz há 20 anos, também teríamos um país um pouco melhor e mais justo.

124 Comentários

  1. Para quem quiser gozar com quem tem hábitos de poupança ainda mais "radicais" do que o copinho para lavar os dentes… sugiro que passe no meu blog: http://www.poupaeganha.com/ e deixe os seus comentários nas mais de 800 sugestões que por lá dou.
    Pois, é que até as cascas de batata se aproveitam, usa-se graos de kefir para fazer "iogurtes", faz-se infusões calmantes com alface entre muitas outros truques ridiculos para uns, uteis para outros e necessários para muitos… 😛

  2. O que me espanta mais nesta história toda, é como é que se pode julgar uma pessoa que dedicou 20 anos da sua vida a ajudar os outros e que percebe possivelmente mais que todos nós do assunto pobreza, uma vez que lida com ela todos os dias. A senhora falou bem! Quantos e quantos portugueses vivem de aparências? Quantos de nós têm grandes carros, topos de Gama e em casa falta a comida? Porque é que somos tão consumistas? Porque é que em vez de se comprar um carro topo de Gama, não se compra um que ande e guarda-se algum dinheiro para situações de crise! Tanta irresponsabilidade junta ! Vão a um casino a uma sexta feira à noite ou a um sábado à noite, e falem de crise! Pessoas perdem fortunas! Não valia mais a pena darem a uma instituição? Ou guardarem? Já que não se sabe o dia de amanhã e as coisas tendem a piorar! A senhora falou muito bem! Temos todos de aprender a viver, sejamos humildes e unidos! Toca a pensar no que realmente interessa!

  3. A mais pura das verdades dita por quem todos os dias trabalha em prol dos mais desprotegidos. Alguns dos que nos últimos dias mais criticaram a Isabel Jonet nunca fizeram nada pelo seu semelhante, vivem à custa do Estado (que o mesmo é dizer dos meus impostos) ou têm como profissão conhecida o CULTO DA INVEJA. Isabel nunca tenha duvidas que a maioria dos portugueses se revêem nas suas palavras e nos seus actos… NÃO DEIXE QUE A SILENCIEM …. NÃO SE CALE…

  4. CADA VEZ TENHO MAIS TRISTEZA, PELA IGNORÂNCIA DO POVO PORTUGUÊS! ANTES DE ABRIREM A BOCA E DEIXAREM SAIR TANTA ASNEIRA…..VÃO PRIMEIRO CERTIFICAREM DO QUE VÃO DIZER.
    NÃO VOU DEFENDER A SRA.ISABEL JONET, ELA NÃO PRECISA, MAS INJUSTIÇAS NÃO SE ADMITE.
    VÃO INVESTIGAR O TRABALHO DESSA SENHORA DENTRO DO BACF.COMO ELA FUNCIONA,AS HORAS DA SUA VIDA PRIVADA QUE DEU E MUITO MAIS COISAS QUE, FRANCAMENTE NÃO TENHO PACIENCIA PARA ANDAR A LER TANTA ESTUPIDEZ E MAU AGRADECIMENTO.
    NESTE MOMENTO ACABEI DE OUVIR O DR.FRANCISCO LOUÇÃ SOBRE A DRA.JONET…… E NEM VOU FAZER NENHUM COMENTÁRIO SOBRE ESTE ASSUNTO………! MAS É TRISTE!

  5. Revejo-me mais na opinião do Rolo Duarte http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/293421.html
    Estas declarações são profundamente infelizes, no entanto isso não retira nenhum do mérito da instituição e da própria Jonet. Ela não é de facto boa oradora nem consegue expressar as suas opiniões de forma clara e efectiva, mas o mérito do banco é dela, continua e continuará a ser.

  6. Já cá faltavam as lições da burguesia bem instalada e que se tem banqueteado à mesa do orçamento!
    Ainda acabaremos a ver essa senhora a apresentar-se às eleições nas listas de um dos partidos da direita.
    …ó tempo volta pr'a tràs…
    …viva a caridade…

  7. Vi, em direto, as intervenções da Isabel Jonet. Não me pareceu que fossem suscetíveis de levantar tanta celeuma!… Os padrões atuais, em termos de consumo, provavelmente terão que ser repensados por muitos de nós. O uso da situação da radiografia e da discoteca, poderá não ter sido a mais feliz, contudo, não é dificil percber o signifaicado. Basta "saber ouvir". As palavras, pela sua força, incomodam frequentemente.

  8. Não concordo nada com esta mentalidade do discurso da mediocridade. Esta crise não é de agora, existe já há muito, esteve foi encoberta durante uns dez anos e agora voltámos à "normalidade" nacional. Entretanto as pessoas descobriram que existem outras possibilidades e querem dar isso aos seus filhos. Acho bem! Queremos viver num país evoluído, onde possamos volta e meia comer fora, ir a um espectáculo, poder comprar um livro numa livraria…uma classe média normal, europeia, moderna. Porquê que isso nos está vedado, somos porventura inferiores? O mal do nosso país é não termos evoluído, continuar achar que uns têm direito a mais e são superiores do que outros só porque nasceram numa família com mais posses e porque tiveram a possibilidade de estudar e serem doutores. A questão é de dar oportunidade a quem tem valor, a quem tem qualidade e validade no trabalho e dar o devido valor a isso, quer financeiro, intelectual e laboral. É óbvio que temos saber viver com os rendimentos que temos, mas se nos cortam nos ordenados e aumentam tudo o resto, significa que andámos a viver acima das nossas possibilidades? Não creio e não aceito o discurso indignado e medíocre das pessoas como a Srª Isabel Jonet que afirma que "temos de aprender a viver com menos", como se alguma vez a classe média portuguesa tivesse chegado a viver com muito. Que tenha de ser assim é outra coisa, mas porque quem tem o poder não gosta do seu povo e trata-o, não como se fosse seu filho, mas como se fosse seu servo e escravo. Gostam e sempre gostaram de o ver na maior das ignorância e miséria, porque só assim são superiores.

  9. PAREM TOD@S vamos fazer uma petição para que a Sra Isabel fazer o seu trabalho, parece que é boa nisso, CALADA!

    Absolutamente de ACORDO com o anónimo das 03.03, as lojas de caridade estão a nascer à rapidez das lojas dos 300

  10. Polémicas à parte…

    Empresas Sociais são a grande moda !

    Investiguem e percebam o porquê deste tipo de “Empresas” nascerem como cogumelos e os nomes da nossa praça que estão por de trás das mesmas…

  11. Tenho de concordar com a Mana Mais Velha. Há excepções, há famílias que vivem muiiiito acima das suas possibilidades mas não me parece que sejam as causadoras do estado a que o país chegou. Acho eu…

  12. Não poderia estar mais de acordo. Não acrescentaria um ponto ou retiraria uma vírgula ao texto, e, devo dizer que o último parágrafo resume toda a situação de uma forma perfeita.

    "Se aplicassem na sua própria vida essa tolerância zero ao erro que têm para com os outros tenho a certeza de que a nossa sociedade seria muito melhor. E, já agora, se todos os que a julgam e parodiam se dedicassem, por uma semana, a fazer o que ela faz há 20 anos, também teríamos um país um pouco melhor e mais justo."

  13. é engraçado que ainda há bocadinho estava a falar deste assunto com a minha mãe, e ambas concordamos exactamente com o que escreveste aqui… a polémica é mesmo exagerada e as verdades custam a ouvir.Acertaste em cheio no que as pessoas precisam de ouvir e descer um bocado a este planeta.

    http://www.sapato42.blog.pt

  14. Esta Senhora, simplesmente falou a realidade, antigamente vivia-se com pouco mas eramos felizes, agora usufruimos de tudo um pouco, somos rancorosos, infelizes, invejosos e nunca estamos satisfeitos com aquilo que temos. há pessoas que infelizmente só podem andar de transportes públicos, mas para viver na ilusão, vão para os locais de trabalho montados em Audi´s e Mercedez´s "

  15. Plenamente de acordo com o autor do blogue. Se bem me lembro, muitas outras pessoas têm dito o mesmo por outras palavras. Só que são de outras áreas e não têm trabalhado como a Drª Isabel Jonet. Ainda não há muito tempo vi um debate na televisão, onde estava a Drª. Ferreira Leite e outras pessoas que não me lembro quem eram. A Dra. Ferreira Leite disse algo que mereceu a crítica de toda a gente – os outros disseram o mesmo por outras palavras e ninguém lhes bateu. Já há muito tempo que a DECO alerta para a quantidade de água que se gasta a lavar os dentes com a torneira aberta em vez do copo – será que eu sou burro, ou quando a Drª Isabel se referia aos filhos se queria referir a todos nós – isto é – temos de poupar água. O mesmo em relação a tudo o que disse. Com certeza que, quando dizia que vivemos acima das nossas possibilidades, não se referia aos pobres. Quando os meus filhos estudavam, andavam nos transportes públicos e só tiveram carro quando começaram a trabalhar, mas, em compensação tinham férias e viajavam e ficaram a conhecer o nosso país e até parte do estrangeiro, ao contrário de filhos de colegas meus que iam buscar os filhos à escola e lhes deram carro aos 18 anos . é uma questão de opções – não me parece é que queremos ter tudo. .

  16. Parece-me que um dos problemas da nossa sociedade é também este que acabo de ler no seu texto: eu faria isso pelo meu filho. Mas porquê? Não acha que as crianças -adultos de amanhã, e que chegará a uma altura que já nem sequer cá estamos -devem entender e saber a verdade da vida? Que temos dinheiro e até podemos, mas que agora nem por isso e portanto não podemos? Nunca entendi essa coisa de eu vou comer o nestum para o meu filho ir ao concerto…ou eu, mãe que até preciso de um iPhone por me facilitar a vida profissional não o compro para mim mas vou dar a minha filha…ou vou-me sacrificar para ele poder ir para a borga com os amigos…mas porquê? Andámos nos últmos 20 anos a criar monstrinhos, que pouco valor dão ao dinheiro, à vida e ao amor dos pais. E por isso ficam chocados com as palavras da Isabel Jonet. Ela tem toda a razão, mas andamos todos sensíveis e à espera de mais uma causa para "disparar".

  17. A forma como esta "senhora" diz que temos que nos resignar a ser pobres assusta. É isto que parece que há pessoas que não vêem.

    "Meus amigos, vocês vão ter que empobrecer, porque a vossa família, apesar de nunca ter tido grandes luxos, vai ter que ficar pobre. Vocês vão ter que aprender a não comer todos os dias. Não, não ficam chateados nem enraivecidos, resignem-se! Não, não lutem por soluções a esta situação que passem pelo não recuo da qualidade de vida uns 30 anos. Não, não é natural que o povo ache que tem que viver melhor que há 30 anos. Tem que viver exactamente igual. Pobres, calados, derrotados."

  18. O problema do discurso da D. Isabel é que cai na falácia do "termos estado a viver acima das nossas possibilidades" – quem viveu acima das suas possibilidades foi acima de tudo o estado português – daí que as pessoas não possam aceitar com leveza o tom indulgente com que nos convida a aceitar esta questão como se fossemos todos individualmente responsáveis ela.

    Se vamos todos empobrecer? Talvez, mas isso não resulta de uma inépcia colectiva dos cidadãos portugueses para gerirem as suas finanças individuais.

    E mais do que lições de "como aprender a ser pobre com dignidade", precisamos de lições sobre como erradicar de uma vez por todas a pobreza – seja ela envergonhada, explícita, digna ou miserável. E era esta último tópico que eu gostava que esta senhora discutisse.

  19. Conheço um casal que vai oferecer uma festa de 18 anos à filha mais velha , com quase 100 pessoas, num hotel, e anda a adiar uma cirurgia ao filho mais novo por falta de posses e porque nao quer que se realize no hospital de residência (publico, portanto). Essa senhora, infelizmente, sabe do que fala.

  20. Não concordo arrumadinho.
    A jornalista estava a falar de pessoas que já não conseguem de maneira nenhuma comprar uma refeição, que há indicadores e estudos que mostram que muitas pessoas em portugal têm passado fome e necessidades.. e era aí que ela se devia focar e debater, e não, falar de casos que começam cada vez mais a ser isolados.
    Sim, vivemos muitos anos acima das nossas possibilidades mas tudo está a mudar e, muitas pessoas neste momento estão a viver abaixo do que se denomina condições minimas humanas. Isso sim, é o importante a debater e a resolver e não, questões que faziam sentido há uns 2 anos.
    Estudo na Universidade e desde então tenho presenciado muitos colegas a desistir do curso por falta de possibilidades económicas, vejo outros a necessitar urgentemente de ajuda para conseguir comer.. As questões como os concertos e etc saíram das nossas conversas do dia à dia faz um tempo…

  21. O que me irritou não foi o discurso sobre a poupança (que não acrescentou rigorosamente nada) mas a forma como a senhora se expressou. Para quê tanta veemência? É preciso ter cuidado com as palavras que se aplicam num momento destes, principalmente vindo de quem vem. Em termos de Relações Públicas para organização que representa, é péssimo. E logo na altura em que o Banco Alimentar espera receber mais donativos! Um disparate.

    http://jessi-aleal.blogspot.pt/2012/11/o-momento-eles-que-comam-brioches-de.html

  22. E que tal ouvir todas as intervenções desta senhora no programa?

    Para mim o mais grave disse-o das outras vezes. Nesta vez foi apenas ignorante! Disse que o estado a que chegamos foi porque vivemos acima das possibilidades ao, por exemplo, comermos bifes todos os dias! Ignora completamente a parte de termos chegado a este ponto muito por culpa da corrupção e especulação financeiras!
    Depois diz outra barbaridade que nem devia sair de alguém que se vangloria de estar há 20 anos no Banco Alimentar. Diz que não há miséria em Portugal!! Mas o que é isto?

    No entanto, e infelizmente, o pior disse-o nas outras intervenções.
    Esta senhora que supostamente vê muita pobreza e muita necessidade, defende a DIMINUIÇÃO do Estado Social! Esta senhora, com a típica mentalidadezinha católica de direita, acha que o Estado Social deve ser o mínimo, e deve haver, para os casos de miséria (se não existe miséria em Portugal nem quero pensar no que ela considera miséria a sério) extrema, caridade!
    Esta senhora acha que deve haver pouco Estado Social e passar a haver um Estado Caridade! Tudo para alimentar o seu ego de priveligiada que acaba com a fome do povo. Que pessoa normal E QUE CONTACTA COM A FOME defende um menor apoio do Estado? Que pessoa normal em vez de querer para nós um modelo como o dos países nórdicos em que NÃO HÁ MISÉRIA PORQUE HÁ ESTADO SOCIAL defende um Estado onde há miséria suficiente para ela se sentir benfeitora?

    É triste haver gente assim em Portugal, especialmente quando têm um papel tão importante. Se calhar o que faz não é para os outros mas para se sentir catolicamente satisfeita.

  23. Ela tem razão. Infelizmente tem!
    Pecou por utilizar o termo errado e está a pagar essa fatura agora, com os exageros deste povinho.
    E quanto à prioridade de serviços de saúde, infelizmente também está correta.
    Quantas pessoas conhecemos nós que adiam uma consulta/tratamento num dentista porque é caro mas em contrapartida, não perdem um festival de verão?
    Quantas pessoas usam as mesmas lentes de contacto, com um prazo de validade de 3 semanas, esticando-o por mais 2 ou 3, porque são caras? No entanto, não hesitam na hora de comprar mais umas botas (apesar de terem 4 pares em casa)!
    É a realidade, quer se queira, quer não!
    Faz lembrar um padre do Algarve que foi noticia porque se recusou a dar ajuda a famílias que gastavam dinheiro em cafés.
    Um escândalo por sinal, até ouvir a explicação dele!
    Se tem dinheiro para tomar o pequeno almoço fora, tem igualmente para o resto. E não se justifica pedirem ajuda para a comida da família! O valor de 1 café com leite chega para 1 pacote de leite e o que pagariam por uma torrada, seria suficiente para comprar pão para todos.
    Faz sentido. E não se fala em empobrecer. Fala-se em poupar, fala-se em viver à medida do que se tem. Fala-se em saber viver!
    E uma boa parte dos portugueses (pelo menos os que criticam) não o sabem fazer, nem querem!

  24. Eu acho que a coisa é um bocado mais profunda.
    Acredito sinceramente que há pessoas que estão contra o banco alimentar.Sem o banco alimentar havia dezenas de milhares de pessoas com fome, eu faço lá voluntariado e sei bem daquilo que falo.
    Existe neste pais quem queira ver a população com fome, revoltada, quer ver revolução violenta e derrube da democracia, ora o banco alimentar não serve esses propósitos, pode ser dificil de acreditar mas ao ouvir os comentários que eu já ouvi de pessoas nas recolhas dos alimentos fico quase convencido.
    Outra coisa que se passa é a vontade que existe em deitar a mão ao banco alimentar.Forças politicas e movimentos que andam desejosos de controlar, politizar e manipular uma coisa que serve para dar de comer a quem não tem, tão simples que é natural que haja sempre quem esteja contra, quem desconfie e quem tenha azia de não puder controlar o enorme poder que dai nasce.
    Poder esse que a Isabel Jonet não usa nem nunca usou.

  25. O meu muito obrigado a todos os que deixaram estes quase 100 comentários, todos diversificados, quase todos construtivos, com opinião muito diferentes, umas mais assertivas do que outras, mas que demonstram vários pontos de vista que nos fazem a todos olhar para coisas em que não pensámos. A democracia é sobretudo isto: ouvirmo-nos, pensarmos alto, aprendermos com opiniões concordantes ou discordantes. Obrigado os que já falaram e ainda vão continuar a dizer coisas sobre este assunto.

  26. Não compreendo como as declarações desta senhora suscitaram tanta polémica, uma vez que ela apenas referiu um facto, que, durante muitos anos, o nosso país tal como muitas famílias viveram acima das suas possibilidades, gastando mais do que tinham e por isso estamos a passar por momentos de dificulades económicas.

  27. Bom, para dizer a verdade, acho que ela até estava a ir bem, até um certo ponto. Na parte final, quando começa a dizer que não se deve ver a pobreza como algo que se perde, mas como uma forma de se voltar a viver "à antiga", toca aqui num ponto muito sensível. Porque faz lembrar imenso o discurso do Passos Coelho em que ele diz que o desemprego é uma oportunidade para nos dedicarmos a novas actividades. O desemprego e a pobreza, embora acho que se deva encarar a vida de forma positiva, são tragédias que se abatem sobre famílias.
    Acho que seria um bom discurso se ela se tivesse cingido a apontar os gastos desmesurados e que terão de ser significativamente reduzidos por parte da classe média-alta e alta. Mas ao tocar em assuntos como o desemprego e dizer que é uma oportunidade para se voltar a viver com menos estragou um bocado o cenário.

  28. A mim o que me indigna não é o que ela disse, sim tem que haver mais poupança, sim ela nunca devia ter deixado de existir. Eu também fui educada a poupar, mesmo tendo um pai com um ordenado bastante elevado. Vivi no secundário com colegas que tinham roupa de marca diariamente e eu só usada de vez em quando e já me sentia com sorte cada vez que recebia.
    Entrei na faculdade, não fui para longe para não gastar dinheiro aos meus pais, com os 18 anos recebi o direito de tirar a carta como prenda de aniversário, tirei com 21 anos, por não ter carro. Escusado será dizer que com o ordenado do meu pais haviam outros pais de colegas da faculdade que davam carros aos filhos.
    A questão aqui é que nos anos 80 e 90 houve um incentivo ao consumo, a publicidade cresceu, o Natal ficou tão consumista e tão medido pela quantidade de prendas que toda a comemoração do nascimento do sol se perdeu. E começou a corrida às lojas.
    O que me indigna a mim neste discurso, é o mesmo que me indigna no CEO do Banco onde tenho o meu dinheiro e o que me indigna no nosso ministro das finanças. Porque quando falam ao povo fazem o povo de burro, fazem de conta que o povo não sabe dos lobbys, dos ordenados milionários, dos beneficios, das reformas, enfim, um desenrolar de aproveitamentos, favores e uma total imoralidade.
    Indigna-me que durante 41 anos de trabalho o meu pai tenha descontado como devia para a segurança social e perca o subsidio de férias e de natal. Indigna-me que os nossos licenciados tenham que emigrar, indigna-me que estando no mercado de trabalho há 10 anos pense em abandonar. Mas se abandonarmos todos quem toma conta de Portugal?
    Acho que sim, devemos poupar, devemos economizar o nosso ecosistema, e ensinar isso aos nossos filhos. Não acho que a culpa seja toda só do povo.
    O povo podia tirar todo o dinheiro da banca, deixar de ver concertos (principalmente os que decorram no pavilhão Atlantico), não pagar impostos e segurança social, e nas campanhas do Banco Alimentar não gastar para os outros e poupar. E assim se calhar as coisas se tornem menos imorais

  29. O grande problema não é o que a Isabel Jonet disse… o problema é que, principalmente nos últimos 30 anos, as pessoas acham que podem viver sem limites porque, até então, viviam oprimidas. Acontece o mesmo com os adolescentes… os que mais são "castrados" são os que mais facilmente seguem os piores caminhos quando se apanham com a total liberdade. Foi o que nos aconteceu. Andámos a viver presos… Deram a liberdade e, com ela, veio a má gestão. Agora, todos pagamos por um erro que prejudica a nossa geração e as que nos seguem. O problema é que agora temos de dizer "não". Temos de fazer escolhas e viver com o que há, e quando há, porque, em tempos, viveu-se com o que ainda estava para vir. Contraíram-se dívidas e acabou a festarola. O problema… o problema é que todos andam indignados e de mal com a vida porque não há dinheiro nem emprego… a ironia é que depois liga-se a televisão e escutam-se coisas como "os bilhetes para o concerto XX esgotaram em 50 minutos"… OI??? Ou então "Kings of Leon no Alive??? Eh pah, vou já comprar o bilhete!", "Saiu o iPhone 5? Bora lá!"… E depois? Querem credibilidade? Ou andamos na merda ou não andamos… e não me venham dizer que os 50 mil que enchem o estádio/pavilhão/recinto são todos pessoas extremamente bem pagas e com empregos bestiais… Fala-se muito mas, mesmo com a austeridade que se vive, continua a gastar-se muito… Digam-me é onde se tira a senha para esse rendimento vitalício que eu ainda não entendi… E sim, também já gastei e bem… mas nunca pedi um empréstimo bancário e tudo o que paguei a prestações foi sem juros (sorte a minha, verdade) mas não me venham dizer que, actualmente, a dívida faz com que "cada português" tenha uma dívida 17 mil euros porque eu nunca fiquei a dever nem 200€ quanto mais 17 mil… e o que me irrita é que andamos todos a pagar de igual forma pelo que outros fizeram e sem qualquer tipo de punição… As pessoas queixam-se dos cortes, eu queixo-me de ter ficado desempregada … E que culpa tenho?… Ora aí está uma pergunta para a qual não consigo encontrar resposta…

    haja paciência…

  30. Arrumadinho e muito raro, mas hoje concordo contigo. Falam aqui de quem ganha 500€, lembro-me de uma vez ver uma reportagem com uma Sra. que tinha um filho e ganhava o ordenado minimo e etc. E tive realmente pena dela, e diz-me a minha mae: mas olha tem madeixas no cabelo. La esta nao tinha dinheiro para o explicador do filho mas tinha para o cabeleireiro

  31. Olá! Vou apenas comentar o que esta Senhora disse.
    Falou de vivermos acima das nossa possibilidades fruto de uma sociedade consumista. Sociedade influenciada pelos bancos, que à bem pouco tempo emprestavam por tudo e por nada. Existe pessoas que usufruiram destes apoios e que hoje estão a ficar sem casa, por falta de dinheiro e estas casas estão a voltar para estes mesmos bancos. Pode-se falar dos milhões de cartões de credito que dão para dar esta ilusão de que ela tão bem fala.Acredito que o dia a dia desta senhora é para ajudar quem precisa é, sim acredito que ela o faz com gosto, mas não pode de maneira nenhuma falar da forma como os portugueses devem agir frente a incompetência política de dar a volta a esta crise. Para ela não existe saida, vamos para pobres e muitos pobres e é assim que tem de ser…Ora não, para mim não, não tenho de fazer o que esta senhora sugere só porque ela pensa que eu e a minha família temos de passar fome. que tenho de comprar "nestum" todas as refeições para ela estar bem com ela própria. Não a conheço posso ser dura nos meus comentários mas ela não pode e não deve fomentar e aceitar o empobrecimento que vem para Portugal.
    Ah! e que mande fechar a torneira para o bem do ambiente!

  32. Penso que a maioria de nós concorda que a culpa da crise é de todos. O problema das declarações da Isabel Jonet é o facto de uma pessoa com o cargo que ela ocupa pensar como ela pensa… Ela não disse só que tinhamos de educar os nossos filhos, recorrendo a exemplos menos felizes. Ela disse que em Portugal não há miséria e que as pessoas não podem comer bifes todos os dias. Mas alguém da classe média portuguesa, que ganha em média 600 a 700 euros, quer comer bifes todos os dias? E não há miséria, quando todos os dias vemos as associações de base a dizer que há crianças com fome?
    Eu não discuto o profissionalismo da Isabel Jonet e participo nas campanhas do BA. Também trabalho numa ONGD… e sei que por isso mesmo tem de se ter mais atenção ao que se diz. O que ela diz não é um diagnóstico real, pois se não houvesse miséria em Portugal, o Banco Alimentar nao teria razões de existir. Ela sempre teve, tal como o Fernando Nobre, aquela posição sobranceira de "eu aqui" e os pobrezinhos lá em baixo. A diferença entre caridade e solidariedade é mesmo essa. E a postura da Isabel Jonet sempre foi do lado da caridade. Ora não é isso que acaba com a pobreza. Não acredito que uma maioria das pessoas escolha entre um exame médico e ir a um concerto. O que ela disse denota uma postura que não é consentânea com o que vemos no terreno todos os dias, sobre a realidade da pobreza em Portugal. Ela tem a abordagem da caridade,ou seja, que implica uma desigualdade intrínseca entre quem dá (que está acima) e quem recebe (que está abaixo e deve ser "educado" por uma suposta moral superior); outros, como muitos dos que trabalham as questões do desenvolvimento global, adoptam uma postura de solidariedade entre todos, em que há um exercicio comum de cidadania e um dever mútuo de entre-ajuda, por um mundo melhor.

  33. “Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

    Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. (…)”

    (António Lobo Antunes, retirado daqui http://marioruivo.wordpress.com/)

    Grave não são os bifes, os concertos, as radiografias os a água que os filhos da senhora gastam (com o seu consentimento, portanto) meus senhores. Grave é o facto deste texto espelhar o modelo de sociedade que esta senhora (ainda que envergonhadamente) preconiza. Grave é que tudo isto não deixa de ser coerente com a caridade (sim, caridade, porque é SÓ disso que se trata) que esta senhora pratica há 20 anos para com quem é pobre devendo conformar-se, aceitar o arroz e a pobreza e desistir de Querer, de Lutar e se Sonhar.

    Mais grave que todos os disparates que esta senhora disse é o facto de vivermos num país, em que existe ainda tanta gente que não consegue sequer perceber a gravidade destas deste tipo de discurso. 1974. De facto tão perto e tão longe.

  34. Está visto que nenhum dos comentadores deste blog nunca comprou nada a crédito, nunca exibiu nada, nunca fez nenhuma extravagância. Não, nenhum viveu nunca acima das suas reais possibilidades. Também nunca nenhum foi votar, aposto.
    Os portugueses ou se queixam ou fazem queixinhas. Deve estar nos genes mutantes dos últimos séculos esta hipocrisia e cinismo. A responsabilidade é de todos, um a um.

  35. Eu também não entendo a indignação das essas!
    Se não pudermos comer bife todos os dias, não comemos! Cá em casa já se selecciona muito o que se compra no supermercado e não é vergonha nenhuma.
    Lavar os dentes com copo? Pois…fui ensinada a isso, mas depois com o passar do tempo desabituei-me, e agora estou a voltar a usar novamente e a motivar toda a família para isso. Vergonha? Não!!! A pensar no futuro e no bem estar das minhas filhas.
    Mas que raio….uns dizem para pouparmos, quando o fazemos ainda somos criticados? Afinal que sociedade é esta?? Se nos temos que habituar a estes cortes e novos hábitos para que posamos ter uma vida mais confortável e sem grandes preocupações..pois que seja!! E sinceramente esta senhora é um grande exemplo!!! Quem critica devia ver que também tem telhados de vidro e que ela está correctíssima!!

  36. Estou plenamente de acordo com o que esta Sra. disse. A minha linha de pensamento é a mesma, e custa-me ver que ainda existe tanta gente que com tudo o que estamos a passar, ainda não perceberam a origem do problema. É assustador que não aprendam nada. Como é possível assim e achar que é o mais correcto? Comprar com o dinheiro que não se tem, viver acima das possibilidades e culpar alguém ou esperar que alguém os venha salvar…..

  37. Este discurso de diminuição do consumo é absurdo e de quem não entende nada de economia. Efectivamente devemos apenas gastar de acordo com o que temos, mas o consumo deve ser incentivado pois é ele que cria riqueza e mais emprego. Se deixamos de ir ao café os empregados desse café ficam sem emprego, se deixamos de ir ao centro comercial os empregados desse espaço ficam desempregados e assim por diante. Será que ninguém consegue ver isto? A questão é que não deveríamos estar a pagar uma dívida que não foi contraída por nos e deveríamos evoluir como país com bons salários com os quais pudessemos consumir (e assim criar mais empregos. A culpa não é do consumo é de quem nos tira o dinheiro que nos podería fazer consumir e consequentemente criar mais postos de trabalho.
    Parece-me óbvio, mas para esta senhora e para muitos outros (que lucram com o nosso empobrecimento) não é assim tanto, não creio que se seja por burrice….

  38. Sabem uma coisa? Portugal dá-me pena. PENA! A Isabel Jonet é absolutamente BRILHANTE e tem mais do que direito de expressar a sua opinião fundamentada, eloquente e mais do que correcta sobre um país que é o seu e para o qual contribui de formar voluntária. Portugal dá-me pena, já tinha dito?

  39. Eu até ouvir estas declarações da D.I.J. pensava cá para mim, porquê que esta srª não se empenha a angariar emprego para as pessoas sou das pessoas que acha que há muita gente aproveitar-se do BANCO DA FOME= BANCO DA FARTURA. Quando ouvi o argumento sob disse cá para mim grande srª esta .Preferia que o nosso PORTUGAL não tivesse B. F. mas sim empresas para as pessoas trabalhar.

  40. Eu falo em nome individual. E é em nome individual que exprimo a minha opinião.
    Eu, nunca vivi acima das minhas possibilidades. Os meus pais nunca viveram acima das suas possibilidades e ensinaram-nos a viver com o que tinhamos. Sempre vivi de acordo com o ordenado que auferia. A casa que comprei foi adquirida de acordo com o que o meu ordenado permitia pagar, e pondo sempre a margem de possivéis aumentos de taxas, tendo em conta os outros gastos fixos. Se podia ter comprado uma casa maior?Podia. Mas, aí, havendo um aumento de taxa, ou um gasto extra faria com que a corda rapidamente chegasse ao meu pescoço. Com o meu ordenado, podia ir ao cinema, ir jantar fora, não era ao Gambrinus, ir a um ou outro espetáculo, concertos, mas nunca fui "chapa ganha, chapa gasta. Tinha a minha poupança, efetuada todos os meses, pois os meus pais sempre me ensinaram a poupar.

    Neste momento, não vou a espetáculos, concertos, jantar fora, nem ao macdonalds, não coloco dinheiro de lado, porque mal chega até ao fim do mês, quanto mais colocar algum de lado para poupança. E porquê? Porque me reduziram o ordenado mensal que auferia. Porque acreditava que haver aumentos de ordenado era uma miragem, mas retirarem o que já ganhavamos era impossível. Mas, infelizmente, não foi impossível.

    Portanto, eu, como tenho a certeza que muito outros portugueses, nunca vivemos acima das nossas possibilidades. Porque não fomos nós que quisemos fazer estádios de futebol, que agora estão abandonados, não quisemos autoestradas que agora estão vazias, não quisemos PPP e privatizações de serviços públicos, não tinhamos fortunas em bancos corruptos, que agora os tentam salvar ou vender ao desbarato a outros corruptos, que acumulamos duas e três pensões/reformas, por termos trabalhado apenas 5/6/7 anos como deputado ou administrador do banco de Portugal…e a lista continua.

    Posso estar mais pobre, podemos estar mais pobres mas não queiram fazer de nós, milhões de portugueses dignos e trabalhadores, os culpados das más ações efectuadas, ao longo de mais de 30anos, por uma centena de corruptos, que apenas tiveram visão para preparar o seu tacho e o tacho dos seus.

    Querem impôr a miserabilidade. Não sou miserável, não somos miseráveis. Queremos é justiça!

    Sónia Barreto

  41. Não poderia estar mais de acordo com a opinião da Isabel Jonet aqui tão bem trocada por miúdos pelo Arrumadinho.
    Um bem haja pela sua explicação e faço votos para que chegue com urgência àqueles que vivem voltados para os seus umbigos e que jamais abriram os olhos para o mundo r-e-a-l.

  42. Eu sinceramente fico muito triste com o país que temos.
    Se nos indignamos não temos razão e ainda por cima somos culpados do estado do país porque vivemos em democracia.
    A democracia é bonita, temos dois partidos o resto é paisagem e os dois jogam para o mesmo lado o de enriquecer os seus bolsos. Vamos votar em quem? A melhor alternativa é votar em branco.
    Não devo nada a ninguém, volto a dizer, pago os meus impostos, recorro muito pouco aos serviços do estado, apenas àqueles a que sou obrigada por falta de alternativas e na maioria das vezes para fazer pagamentos.
    E o pior é que ando a fazer descontos para uma segurança social que estará falida muito antes de eu ter direito à reforma. Falência essa que foi antecipada porque alguma mente brilhante teve a feliz ideia de investir o dinheiro de todos os portugueses em acções! Nunca devem ter ouvido falar em aplicações sem risco/garantidas (ou risco mínimo)!
    É muito fácil deitar as culpas ao povinho, pois o que as pessoas se esquecem é que este povo não tem educação nem conhecimentos para perceber o estado do país, política para a maioria das pessoas é como futebol, são do clube/partido dos pais.
    Durante muitos anos a educação só esteve ao alcance das elites, dos boys que já tinham emprego garantido quando terminavam os seus cursos nas faculdades privadas.
    Podem culpar um povo que saiu de uma ditadura, maioritariamente analfabeto ou quase, de não saber lidar com o facilitismo e oportunidades que lhe colocaram diante do nariz?
    – Já agora não quer aumentar o montante de crédito e aproveita para comprar um carro, ou mobilar a casa nova? São só mais uns anitos a pagar?
    Vão ser necessários muitos anos para que isto mude, há uma cultura de corrupção é certo, mas mais uma vez digo o exemplo vem de cima – Já diz o ditado se não podes com eles junta-te eles.
    Um mendigo rouba um chocolate num supermercado e vai preso, um governante rouba milhões e não acontece nada!
    Há gente a viver acima das possibilidades, há aqui e em todo lado, será que faria assim tanta diferença se não os houvesse?! Ou a economia estaria já estagnada há mais tempo?
    Se houvesse poupanças nos bancos continuava a haver dinheiro para emprestar e a bolha não rebentava…
    Vejam o documentário – Os donos de Portugal – e talvez entendam o que quero dizer.
    http://www.youtube.com/watch?v=OuzxncV9l3M

  43. Esqueci-me de referir no meu outro comentário, mas, nem toda a gente que hoje vive mal viveu acima das suas possibilidades no passado. Não entendo esta generalização.

  44. E o que é "viver" acima das possibilidades?
    É gastar mais do que o que se tem? Qual é o milagre que permite que os portugueses façam isso? É pá, digam-me que eu também quero!

    Só se ela se refere ao facto de usarmos as auto-estradas, pontes, estádios, submarinos (oi?), expos98, etc..
    Se calhar nunca nos devíamos ter atrevido a usar aquilo que o estado construiu, desbaratando dinheiro público.
    Tá claro.

    Agora que penso nisso, passo a vida a viver acima das minhas possibilidades.
    Mas ainda me falta andar de submarino.

  45. O mal desta senhora é gostar demasiado de aparecer, seja em universidades, seja em TEDx's, seja em entrevistas com comentadores políticos (oi?!) o que combinado com o seu discurso moralista e trapalhão, dá nestes infelizes espetáculos.

    Não sei se tem feito um bom trabalho ou não a frente do BA. Não sei, não me recordo quem ocupou o lugar antes da senhora e portanto.. não consigo "medir" o seu desepenho, apesar de toda a gente garantir que o trabalho é imaculado.
    Do que não tenho dúvidas é que o sucesso do Banco Alimentar deve-se muito mais à atitude, compaixão e caridade (e não caridadezinha, porque damos sem assinar lá o nosso nome)dos portugueses, do que ao trabalho dos seus dirigentes.

    O que estranho, é que numa simples pesquisa com o seu nome, apareçam logo notícias com declarações suas a piscar o olho a esta política, demonstrando claramente uma orientação política que no seu lugar lhe fica muito mal demonstrar.

    "A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome alerta para o «efeito perverso» do Estado Social, afirmando que os apoios sociais atingiram níveis que são incomportáveis para o Estado."

    "A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome afirma que o novo pacote de austeridade é um «mal menor». Isabel Jonet reconhece, porém, o impacto que vai ter na vida dos portugueses."

    E etc..

  46. Fico triste em ver um Mundo que em vez de ensinar a pescar, está a ensinar Nações a ficarem desesperadas por um kilo de peixe!!!

    É lamentável que se trate o recurso "dinheiro", seja lá ele sob a forma de euros, dólares, ienes, etc… como um recurso do qual todos nós devemos distanciar-nos para reaprender conceitos básicos de cidadania, responsabilidade social, etc.

    O povo trabalhador que comprou casas muitas vezes 10 e 20x acima do preço de custo porque houve quem os induzisse nesse erro, houve bancos a disponibilizar dinheiro, havia esperança… sim, que nada disto iria suceder… isto é viver acima das possibilidades? (revejam entre 2000 a 2010 os indicadores de maus pagadores… talvez percebam, que os portugueses, o comum cidadão honrava os seus compromissos com a banca)

    Devemos passar fome e sermos mais pobres porque ninguém regulou em TODO O MUNDO o custo da habitação?

    O povo trabalhador é responsável pelas desmobilização de empresas para os mercados asiáticos? Ao contrário de estar a trabalhar normalmente deveria estar com um olho no burro e outro no cigano nas alturas em que as portas das salas de reuniões se encontravam trancadas e repletas de seres em busca do maior lucro possível? As famílias que vivem no interior do país, que representavam a massa trabalhadora destas empresas devem passar fome resultado destas medidas?

    Devemos passar fome e sermos mais pobres porque ninguém regulou em TODO O MUNDO a mobilidade das empresas?

    O povo trabalhador é responsável pela existência de duas entidades que à base de peças escritas lançadas para a imprensa, dita taxas de juros, dita memorandos, dita regras que podem resultar no empobrecimento de uma nação?

    Devemos passar fome e sermos mais pobres porque ninguém regula em TODO O MUNDO o poder destas empresas?

    O povo trabalhador confia no parlamento, na assembleia, nos governos por uma única razão… não chega a todo o lado, o dever do povo trabalhador é trabalhar para a geração de riqueza. É o povo trabalhador que produz. É o povo trabalhador que exporta. É o povo trabalhador que dá a cara todos os dias a fornecedores e credores, clientes e reclamações. É o povo trabalhador que dita o sucesso da empresa.

    Devemos passar fome e sermos mais pobres porque ninguém regula em TODO O MUNDO a actividade corrupta protagonizada pelos altos responsáveis (os CEO… nome bonito) de milhares de empresas em TODO O MUNDO?!?

    O dinheiro é um recurso… e como qualquer outro recurso deve ser manuseado com base num único principio: garantir a sustentabilidade económica de particulares e empresas.

    Só se responsabiliza o povo trabalhador? Só se responsabiliza os pequenos luxos do comum mortal (telemóveis, concertos, carrros, casas)… quando a oferta comercial é feita destes produtos?

    Como é possível chorar-se em Portugal a fome em África, pedindo aos portugueses que se habituem a trocar o bife por uma papa nestum.

    Ter água corrente em casa é um luxo? Ensinem antes os filhos e restantes membros da família a economizar a água.

    E tantos outros exemplos podem ser dados… agora, esta Senhora não peça ao povo trabalhador português que se habitue à ideia que passar fome ou passar por dificuldades económicas é o caminho para a saída desta crise!!

    O povo trabalhador português / mundial não é responsável pela crise económica mundial!!!

  47. Os que criticam a Isabel Jonet são aqueles que têm a mania que são ricos que nunca fizeram nada por ninguem nem nunca fazerão. É um pretexto para não ajudar o próximo …..é tão simples quanto isto! Acho que são aqueles que no fim de semana da campanha nem ao supermercado vão. E ainda gente que não soube, nem nunca vai saber educar os filhos ……e é esta geração de insubordinados c/ mania que têm o rei na barriga que nós temos. Mal educados não só para os colegas, mas tb para os pais, professores, idosos, etc. E depois um dia os papás deixam por qualquer razão de puder dar tudo aos meninos e é vê-los ai a roubar na Zara e na Sport Zone e porquê? Porque os papás sempre os habituaram a viver c/ tudo sem lhes saber ensinar que também há que fazer sacrificios. E um filho torna-se um homem pelos sacrificios que faz e que os pais os ensinam a fazer! É o compreender á 1ª o "Não" e não refilar …..
    Tenho um filho de 17 anos que graças a DEUS é um HOMEM! Sempre vivi mto bem, mas ensinei-o sempre "A mama comprou o pão e já não tem dinheiro para as bolachas" "hoje não vou comprar sumo pois vamos dar ali para os meninos pobres no banco alimentar". E acho que isto é que fez dele um homem o não se importar em ser privado de algo para dar ao próximo. Não é só uma uma questão de ter ou não ter dinheiro é também uma questão de educação e respeito pelo próximo. Um filho que me enche de orgulho ao ligar-me a dizer "mãe está aqui um caozinho na rua" e qd lhe digo o que queres que faça ele responde "mas mãe ele está desesperadinho porque está a chover". E não é só o caozinho, é tb o velhinho, é tb o manquinho, mas foi assim que o eduquei e não me arrependo nada de nada ….o meu filho só troca de telemóvel qd o dele deixa de funcionar e até de pc nunca trocou. PorquÊ? Porque tenho de o preparar para o futuro pois não sei o que ele nos reserva, nem sei se estarei cá sempre para ele ……
    Manuela

  48. Aqui está um exemplo daquilo que a senhora disse :

    http://amacadeeva.blogspot.pt/
    Post : Até já!

    Tanta choradeira sobre a crise que esta senhora deste blog faz e tal e coisa, mas no fim é sempre o mesmo.

    Julgo que é um dos melhores exemplos da hipocrisia tuga. Gente remediada com empregos precarios, mas LUXOS nao faltam.

  49. 2 coisas sobre isto:

    a indignação vem pela falta de sensibilidade social e de esta pedante achar que TODA a gente é classe média alta.

    não há bifes nem radiografias nem concertos de rock para filhos de pais desempregados ou com o ordenado mínimo! Esta gente está estupida? há pessoas que tinham um nível de vida ACEITÁVEL (não acima das putas das possibilidades) e que agora não TÊM NADA! conseguem perceber o conceito de NADA?

    vejam a crónica do António Lobo Antunes e num tom mais humorístico o tubo de ensaio de hoje: pensamento jonet.
    Acordem para a realidade, a sério.

  50. Vamos ser objectivos e separar as coisas. O que está em causa não é a obra formidável de Isabel Jonet à frente do Banco Alimentar (prova disso é a sua nomeação para presidente da associação de instituições europeias de igual género à organização que preside) nem a sua convicção que durante anos passados "vivemos acima das nossas possibilidades" que, aliás, há elementos factuais decorridos num passado bem presente que o demonstram. A declaração crítica está entre o minuto 3:06 e 3:16 quando num exercício argumentativo onde procura diferenciar Portugal da Grécia, afirma: «E cá em Portugal nós pudemos estar mais pobres, mas não temos miséria». Aqui a questão já muda de figura – a experiência do nosso dia-a-dia, as notícias que surgem na comunicação social de casos extremos (vejamos a que abriu os telejornais de hoje: cerca de 10 000 mil crianças em estado de carência alimentar) … só esta última notícia destrói por completo a consideração que foi feita e que assume contornos mais graves por ter sido referido por alguém que, supostamente, convive com estas situações no dia-a-dia. A única hipótese que levanto para entender as suas palavras é se estamos a partir de concepções de fome e miséria diferentes. Agora, concordo por completo, que não é por 10 meros segundos de uma afirmação totalmente infeliz que se deva esquecer a obra de IJ à frente do BA.

    João Pedro.

  51. "Voltando à nossa madre teresa.
    tem o seu mérito sim, mas alguém acredita que é caridade a 100%? Há quanto tempo anda esta senhora a fazer politica?"

    Bem…não posso deixar passar este. Caridade a 100%? Em que sentido? Quem tiver dúvidas que passe uns dias pelo BA para ver. Política? Se há coisa que Isabel Jonet faz desde o primeiro dia é afastar-se da política e, meus amigos, convites para entrar em listas de partidos e na política, são diários. Sempre recusados. Vocês não imaginam o trabalho que Isabel Jonet tem, diariamente, para afastar o BA de toda e qqr situação q possa ser conotada com politica e partidos.

    " E depois é um tal ver gente de colarinho branco a recorrer a instituições como o Banco Alimentar."

    O Banco Alimentar não "ajuda" pessoas directamente mas sim Instituições de Solidariedade. Se alguém quer ajuda tem que recorrer a uma instituição e essa é que, sabendo das necessidades da sua população, requer ajuda ao BA.

    Só para esclarecer um dos mitos em relação ao BA, por exemplo, toda a alimentação diária dos trabalhadores do BA é paga pelo BA. Nenhuma oferta é usada para consumo interno. Tudo o que é oferecido ao BA é distribuido para as instituições.

  52. Discordo totalmente do conteúdo post, que me parece tratar a questão de forma simplista.

    O discurso em causa está carregado de ideologia política e por isso se torna polémico (felizmente!). Podemos – e devemos – concordar ou discordar do que diz, porque política é isso mesmo, mas não devemos aceitar como verdadeiras as proposições elencadas só porque lhe reconhecemos mérito na sua atividade.

    Quando se diz que os pobres têm de ser ajudados, sobretudo para não ficarem completamente enraivecidos contra a falência total de um sistema que não lhes permite ficarem integradas, eu tenho de discordar… As pessoas têm de ficar enraivecidas quando não se conseguem integrar no sistema a que pertencem.

    O papel dos políticos não passa por acalmar os pobres para estes não se revoltarem. Passa por representar esses pobres através de políticas que permitam a sua integração!

    Este discurso é perigoso e deve ser combatido por quem não concorde com ele. Quem concorde com este projeto, que o defenda com argumentos.

    E, já agora, não fica bem a quem come bifes do lombo dizer que as pessoas têm de perder a mania de comer bifes todos os dias. Como não fica bem ao administrador de um banco dizer que os portugueses aguentam mais austeridade. Ou ao dono de uma das maiores empresas do país que o salário mínimo deve ser reduzido. É uma questão de legitimidade moral.

  53. Não ouvi os 6 min da Dra. Isabel Jonet mas qd ouvi falar no assunto pensei para comigo que a sra só se podia estar a referir ao "desgoverno" de muita familia.
    Durante anos foi à grande agora queixam-se e levam a mal quando se toca no "temos que poupar".

    Bjs

  54. O problema é que passar de cavalo para burro custa, e custa muito… e para os portugueses que acham que os direitos adquiridos são uma coisa vitalícia, ou seja, ter uma vidinha boa às custas dos outros sem se preocuparem nada, era coisa para durar para todo o sempre… no mínimo era por as 1.500 pessoas a fazer voluntariado durante 1 ano, de certeza que depois iriam dar graças por poder comer cereais e pãozinho com manteiga, e até dispensavam o tal bife.

  55. É claro que os que viveram acima das suas possibilidades, os que comeram bifes foram sempre os Outros. Todas as outras pessoas que não nós próprios (que nós cá somos poupadinhos e abanamos a cabeça quando vemos os Outros no mesmo centro comercial que nós, ou no mesmo Restaurante que nós). É que o inferno são sempre os outros, graças a deus.

  56. P.S – mas o pessoal tem assim as vistas tão curtas que não percebam que a senhora quando fala de "bife" fala genericamente.
    A senhora trabalha para tirar a fome a milhares de pessoas, mas que ninguem sabe o que são necessidades basicas.
    O que a senhora quer dizer é que um país que exporta 5500 dolares/habitante/ano não pode querer ter as mesmas coisas que paises que exportam >30000 dolares/habitante/ano.

    Se calhar os Holandeses/Belgas etc podem ir de férias intercontinentais à Tailandia todos os anos e os tugas têm de começar a ir à Figueira da Foz e fazer campismo.

    Se calhar os Holandeses/Belgas etc podem ir ter 2 ou mais carros por familia (e de valor medio de >20000 euros) e os tugas têm de começar a ter apenas um carro mais barato.

    Por exemplo falem com a malta com mais de 50 anos e perguntem quantos carros havia antigamente por cada casa, qual o valor deles e com que IDADE é que tiveram o primeiro carro. VAO TER UMA SURPRESA.
    Quantas dessas pessoas já foram passar ferias no estrangeiro e à 30 anos qual a frequencia com que o faziam e para onde.

    Basta dar uma volta pelas universidades e ver quantos carros existem, quanto gastam os estudantes em borgas, em gadgets etc etc (isto é so um exemplo).
    Já repararam no recorde de festivais de Verao que houve este ano ?

    Mas será assim tão complicado de perceber que se eu ganhar 5000 euros por ano (400 euros por mes)
    NAO posso ter as mesmas coisas que quem ganha 30000 (2500 euros por mes) ????

    Digam qual a marca de carros, de gadgets , de computadores, de medicamentos, de produtos cosmeticos, etc Portuguesa ?

    Pedro

  57. Algumas pessoas ficaram indignadas porque ela tem pinta de tiazoca que está numa de pregar aos pobres. Algumas pessoas ficam ofendidas com isso porque se sentem inferiorizados.

    Agora será que ela disse alguma mentira? Claro que não. Estamos a ficar mais pobres, e isso é uma merda. Enfim,verdade amarga mal se traga.

  58. Pena não se ter lembrado que são esses mesmos portugueses que contribuem para o banco alimentar… e que têm aumentado cada vez mais as doações. Pena, também, não se preocupar como a distribuição dos alimentos é feita e não haver outro tipo de controlo…

  59. A senhora não se soube explicar e foi infeliz nos seus exemplos. Dizer que não há miséria em Portugal é completamente ridículo! Ou então talvez seja eu que ando noutra realidade… Assusta-me que uma pessoa com estes discursos (sim, procurem pela entrevista que a senhora deu à TSF) esteja à frente de uma das maiores instituições de ajuda. Que coerência poderá existir? Acredito que alguns pedidos de ajuda lhe passem pelas mãos e receio quais os critérios que são aplicados. Ajudo sempre o Banco Alimentar. Mesmo como voluntária. E sinto-me desiludida pela Sra. Isabel Jonet ter caído no ridículo.

  60. Julgo que isto resume tudo :

    Passo a citar :

    "O que me ultrapassa e indigna é, de todas as vezes que vou a Portugal, (alguns)amigos chegados reclamam sempre da situacao economica em Portugal e que para desanuviar de todo esse problema vao ter que ir de férias para Tailandia, India, Brasil,etc. E quando tento compreender o porque de nao pouparem esse dinheiro as respostas que normalmento levo sao: "Ah nao pode ser só trabalhar""

    O problema é quere "ser mais"
    do que aquilo que realmente se é.

    Pedro
    Holanda

  61. Poupem-me! A sério poupem-me!
    Ouçam a senhora. OUÇAM.
    Poupem-me ao "politicamente correcto", poupem-me a "santificação" da senhora, poupem-me!! Por favor, poupem-me!
    Foi O QUE DISSE e COMO O DISSE, PORRA!!!! não viram??? não vêm?
    ARRE! Até a Manuela Ferreira Leite estava incomodada. Não há "miséria" em Portugal, não?? Então porque diabo há um "Banco alimentar contra a fome"? Os pobres têm as prioridades trocadas, já os ricos cortam nas férias na neve. A sério? A sério que é isto??
    Eu sou voluntária do Banco alimentar contra a fome. EU SOU.
    PORRA. A SÉRIO que não percebem os motivos da minha indignação??

  62. solidariza-se com o movimento que responde aos mais recentes equívocos que a cidadania por vezes nos surpreende nas redes sociais, desta feita tudo porque Isabel Jonet limitou-se a dizer o óbvio.

    Ao contrário de certos biltres ou sumidades, especialistas e demais ilustres Portugueses da nossa "praça" pública e até na política, Isabel Jonet não disse que a solução passava pelo empobrecimento.

    O que ouvi, e voltei a ouvir de Isabel Jonet foi um exercício e um pensamento lúcido, raro infelizmente nos dias de hoje e limitou-se a dizer que a consequência da "fartazana" e da festa que foram anos e anos a fio de vários governos e governantes dos anos anteriores seria o empobrecimento das populações.

    Só consigo entender e perceber que haja alguém que se insurja contra isso são aqueles, que muito bem disse Henrique Monteiro no expresso online, os pobres não são pessoas reais, mas sim uma mera mercadoria a ser mostrada em período eleitoral.

    Porque afinal quem se levantou contra Jonet, foram aqueles que passam as madrugadas à porta de um estabelecimento comercial, não por não terem casa para viver, mas para serem os primeiros a comprarem um gadget electrónico qualquer proveniente do sistema capitalista Norte-Americano que dizem odiar, sem contudo o dispensarem. ESSA É QUE É ESSA!

    A todos os que assinaram petições da treta, e levantaram a voz contra a Dra. Isabel Jonet, espero que tenham muita saúde e felicidade visto os seus progenitores já não terem sido muito bem sucedidos e que estejam cá muitos mais anos para assistir ao que de bom pode contribuir haver mais pessoas como Isabel Jonet e já agora para assistirem à obra e legado da mesma.

  63. Tenho de concordar… a maioria vive acima das suas possibilidades. Concordo plenamente com a senhora, as pessoas têm de aprender a gerir o dinheiro, fazer contas todos os dias e ver onde é gasto o dinheiro, é necessário haver planeamento, é preciso saber poupar!
    Eu e o meu marido ganhámos em média €1.200,00 mensais (ordenado de ambos, em média cada um ganha €600.00), e só peço a Deus que continuemos ambos a tirar este dinheiro, pois enquanto assim for, posso continuar a levar a vida muito bem. Sei que a maioria deve pasmar, mas é possível viver com este dinheiro e não se passa fome, longe disso! Tenho dois filhos, fazem a vida que qualquer outra criança faz, tenho casa com bastante conforto, tenho carro e felizmente nunca passei fome e enquanto assim estiver, não passarei. Mas é necessário saber, realmente, onde se gasta o dinheiro e infelizmente nem todos sabem.

  64. ISSO MESMO!!! NEM MAIS! E QUANTOS FALAM MAL, CRITICAM, E RECEBEM AJUDA EM CASA, E NAS SUAS FAMÍLIAS E AMIGOS. VÃO JULGAR E ATACAR QUEM NOS ROUBA TODOS OS DIAS E NOS MENTE A TODA HORA! PULHAS! QUEM DERA A MUITOS E A TANTOS TERMOS MUITAS ISABEL JONET NO NOSSO PAÍS. O ESTADO Q PONHA OS OLHOS NESTA MULHER E APRENDA COMO SE AJUDA UM PAÍS! AJUDAR!!! SEM COBRAR! JÁ P N FALAR NA FALTA DE RESPEITO DEMONSTRADA PELA TROPA DE VOLUNTÁRIOS E EQUIPAS QUE A ISABEL JONET ORIENTA E REPRESENTA!!!! PORQUE ESSES TAMBÉM SÃO VÍTIMAS DESTA CABALA ESQUIZOIDE! A ELES OBRIGADA! PALAVRAS… ??? ATITUDES E ACTOS! FACTOS! APAGOU-SE A IMPORTÂNCIA DE UMA INSTITUIÇÃO E DE UMA MULHER Q RECEBERAM P MÉRITO E EXEMPLO UM PRÊMIO INTERNACIONAL P UNANIMIDADE? CONDECORADO PELO PR? SR. SILVA… JÁ ESTAVA NA HORA DE TALVEZ SER O PRESIDENTE DE TODOS E FALAR… PORQUE PORTUGAL Está a ser alimentado por está e outras instituicoes. A ISABEL JONET depositou 20 anos fã sua vida no Banco Alimentar Contra a FOME!!!!!!!! APRE!!!!!

  65. De facto o discurso é inacreditável, pela forma curta e grossa como toca num assunto tão delicado.
    Era óbvio que mais tarde ou mais cedo o país ia começar a cair num abismo. Como ela diz e muito bem, muita gente estava habituada a viver bem e muitos até mesmo acima das suas possibilidades. Ora, quando a coisa começou a dar para o torto, certamente não se preocuparam em alterar os seus hábitos e a reeducar os filhos para a nova conjuntura económica.
    Continuaram as férias, os carros novos, os créditos… E depois é um tal ver gente de colarinho branco a recorrer a instituições como o Banco Alimentar.
    Eu contribuo sempre para o BA mas não consigo deixar de pensar que se calhar vou estar a dar de comer a quem não teve juízo na vida! A quem não fez contas à vida e esbanjou dinheiro a torto e a direito.
    Falo por mim, o dinheiro custa a ganhar e facilmente nos voa das mãos sem darmos conta, quase. Se não tivermos cabeça, quando dermos por ela estamos à rasca.
    As pessoas têm que se mentalizar que isto não está facil e que têm que mudar muita coisa. Estão habituados a ouvir as coisas ditas com paninhos quentes e quem fala sem papas na língua acaba por ser rotulado negativamente.
    Esta Senhora tem todo o direito à sua opinião e ela, melhor do que ninguém, do alto dos seus 20 anos de experiência, saberá o que está a dizer porque conhece bem a realidade.

  66. Concordo plenamente. Quando vi o vídeo e depois as críticas achei que as pessoas não estão habituadas a ouvir a verdade, dura e crua, como ela é. Muitos de nós, vão ter de empobrecer como ela diz e então? Quem se chocou com o que ela disse só pode ser alguém que ainda vive na ilusão de que nada vai acontecer e que as medidas de austeridade são só devaneios. Isto é apenas criticar só por criticar e esquecem-se do essencial, o trabalho que ela tem feito ao longo destes anos todos.

    Ridículo, ridículo. Estas cenas da crise está a embrutecer muita gente.

    le-laissez-faire.blogspot.pt

  67. Já tinha deixado um comentário no blog "cocó na fralda" acerca deste assunto, mas volto a repetir, esta crise vem fazer muito bem a muita gente, por mto k custe a ouvir…eu sei de pessoas k vendem o seu ouro para tratar as unhas de gel e ir ao cabeleireiro todas as semanas… de pessoas k se pavoneiam com roupas de marca e carros de alta cilindrada, com dívidas a fornecedores por pagar, gente que passa a vida no "social"(jantaradas bem guarnecidas, teatros, óperas etc) com salários em atraso… e há mta gente desta em Portugal por mto k as pessoas não admitam. É para esse gente k a Isabel Jonet fala e eu concordo.

    Marta

  68. Não foram só os exemplos que foram errados, foi o discurso que foi errado. A conversa do "vivemos acima das possibilidades" já enjoa. Mas quem é que viveu acima das possibilidades? Eu não fui. Mas arrisco-me a q para o ano o faça apesar de não ter aumentado o meu consumo uma virgula q seja…

    Mas todo este mar de críticas a Isabel Jonet é um disparate pegado. Sim, o debate correu-lhe mal mas não pode, nunca, afectar o fabuloso trabalho q tem feito e faz ao longo de 20 anos. Atacar o banco Alimentar por causa de umas declarações menos felizes?

    Mas, esta reacção, tb demonstra bem como as pessoas se sentem actualmente…estão fartas. De tudo. E de todos.

  69. Ponham uma coisa na cabeça. Vivemos num democracia, pelo que apesar de termos politicos corruptos e incompetentes a CULPA do estado em que estamos é de nós todos. Acreditam mesmo que com outros politicos a historia seria diferente ? Os politicos que temos são reflexo da nossa sociedade. Eles nasceram e viveram e vivem em Portugal, não vieram de Marte.
    Terão os politcos as "costas tão largas" que sejam culpados de tudo o que fazemos bem e mal no dia-a-dia ?

    Quanto mais depressa os Portugueses perceberem isto, mais depressa se mudam as mentalidades e o país anda para a frente.
    E que conversa é essa de que "eu não devo nada a ninguem"………que treta é essa ?

    Todos nós usufruimos de bens/serviços providenciados pelo Estado ?
    Vejam lá se crescem, porque o discurso que vejo é de crianças mimadas.

    E fiquem lá com esta informação :

    A Holanda e a Belgica exportam per capita 6 a 7 vezes mais que Portugal.

    Portugal = 5500 dolares/habitante/ano
    Holanda = 35000 dolares/habitante/ano

    Deve ser apenas culpa dos politicos !

    Pedro

  70. concordo em pleno com o que foi dito. foi dito realisticamente, porque, de facto, mais vale parecer que ser.
    e até o exemplo polémico da radiografia é compreensivel. há quem gaste balurdios em coisas supérfluas e se prive de criar um pé de meia para uma eventualidade, que a qualquer altura pode chegar. eu interpreto assim.
    fugindo um pouco ao assunto, mas que é exemplo desta forma de viver: a minha filha de 6 anos chegou a casa e perguntou-me de que marca é que são as botas que trazia calçadas, porque uma colega queria saber se eram de marca!!!
    se aos 6 anos já se preocupam com isto…

  71. O que me ultrapassa e indigna é, de todas as vezes que vou a Portugal, (alguns)amigos chegados reclamam sempre da situacao economica em Portugal e que para desanuviar de todo esse problema vao ter que ir de férias para Tailandia, India, Brasil,etc. E quando tento compreender o porque de nao pouparem esse dinheiro as respostas que normalmento levo sao: "Ah nao pode ser só trabalhar" "Ah tu já nao vives cá nao sabes o que estamos realmente a passar". Ate podem ter alguma razao, já nao vivo aí entao nao tenho que "largar postas de pescada" mas, por opcao minha, revolvi sair de Portugal ha 6 anos atras e desde entao conto comigo mesma e sei que nao posso gastar mais do que recebo. Em alguns casos (sei bem que isto nao se pode generalizar) porque é que as pessoas gastam mais do que aquilo que podem?? Porque é tao dificil para "muitas" pessoas perceberem isto??

    V

  72. Bom de facto pelo que li, grande parte das pessoas necessita de um lider para pensar pela cabecinha tonta.
    Ricardo o que esta senhora disse, tam de facto um fundo de verdade. Temos vivido acima do que pudemos, basta ver o parque automovel, ou o preço que se paga para a um RIR cheio de nada.
    farto-me de rir com o que li. Só agora levam o almoço para o trabalho? AHAH! Em vez de ir ao centro comercial vou andar de bicicleta??
    Tenham vergonha na cara se fazem o favor.
    Voltando à nossa madre teresa.
    tem o seu mérito sim, mas alguém acredita que é caridade a 100%? Há quanto tempo anda esta senhora a fazer politica?
    Não há miseria em Portugal? Está visto que a benemérita não anda a pé, nem de transportes.
    Está igualmente visto que educa mal os filhos, pois o meu sempre lavou com o copo. Aposto da mesma forma que os betinhos dos filhos da santa Isabel têm as luzes todas acesas várias horas e nunca deram uma esmola nem a um pobre, nem comida a um gato de rua.
    Deixei de ajudar o BA desde que meteram uma associação de animais em tribunal.
    Não venham é dizer que a senhora pôs o dedo na ferida, que isso é demagogia.
    Lá do alto também eu diria o que me apetecesse.

  73. O problema, mais uma vez, é que pondo as coisas desta maneira, parece que o país está como está porque a malta anda a abusar dos bifes. Não digo que não houvesse gente a viver acima das suas possibilidades, mas NÃO É, NEM NUNCA FOI esse o problema do país e, sinceramente, se a solução que esta senhora propõe para sairmos da crise é lavar os dentes com o copinho, não me parece que seja por aí. Parece-me que as pessoas ainda não perceberam que a crise não foi criada por quem comia bifes todos os dias, comprava telemóveis ou playstations de última geração, fazia férias mesmo que passasse o resto do ano a latas de atum, e por aí fora. Aliás, dessa forma movimentava-se a economia e o turismo e criava-se trabalho. Já viram um documentário chamado Inside Job? Vejam, e reflictam.

  74. Eu não acho que a Sra. deva ser despedida, mas acho que devia ter mais cuidado com a forma como fala.
    Que existia e existe muita a gente a viver acima das possibilidades em Portugal é verdade, na medida em que muita gente endividou-se mais do que devia a contar que iria contar sempre com o seu emprego.
    Agora não acham estranho o facilitismo que houve para que as famílias se endividassem? Não existe supostamente uma fórmula que calcula o montante que cada família pode requerer junto de instituições bancárias?! Aquela fórmula que a Deco tanto fala! A culpa foi do incentivo ao crédito, à compra de casa própria e ao consumo! Um incentivo que veio de cima! Dos governos irresponsáveis que nos governaram e os banqueiros que não olham a meios para atingir os milhões de lucros que distribuem pelos acionistas que por coincidência são políticos!
    Dizer que não há miséria em Portugal (mesmo quando comparando com a Grécia ou com qualquer outro país) é insultante para muitas famílias.
    Existem pessoas realmente necessitadas e a passarem dificuldades, as pessoas que tiveram de cortar em luxos (entenda-se que para mim comer carne vaca não pode ser considerado um luxo) não me preocupam, mas há muita gente a passar fome! Muita gente mesmo! Na zona onde moro Paredes existem muitas famílias com filhos em que ambos os pais perderam o emprego e mesmo não tendo nenhum tipo de luxo estão com dificuldades em sobreviver.
    50% das empresas de mobiliário do concelho encerraram no último ano, as famílias atingidas foram muitas.
    Podem ver o documentário que foi transmitido na SIC aqui https://www.facebook.com/photo.php?v=2489911943266
    Se acham que estas famílias podem empobrecer mais então estão a dar razão a esta Sra.
    Eu acho que há limites!
    Para não falar do dinheiro que veio ca UE que não sabe explicar muito bem onde está para onde foi e como é que supostamente contribui para que tivéssemos melhores condições de vida e desenvolvimento! Falam em empobrecer e em mudar hábitos de vida! Querem que voltemos a ser um país de terceiro mundo?
    Eu quero justiça! Eu não devo nada a ninguém muito pelo contrário e vou ter de pagar uma dívida que não é minha porque os políticos neste país podem (e podem mesmo) brincar de Deus e com a vida das pessoas a seu bel-prazer e interesse.
    E vem depois esta Sra. que tudo bem é voluntária, mas nunca deve ter passado dificuldades na vida, dizer que é preciso empobrecer!!! Qual o resultado? Por mais razão que tenha em alguns pontos, apesar os exemplos serem péssimos, o resultado é revolta pelo menos daqueles que estão conscientes da realidade deste país.

  75. O exagero na condenação é proporcional ao exagero no branqueamento do discurso.

    Há pessoas que viveram acima das possibilidades? Certamente que sim. O curioso é que são principalmente as que agora dizem que temos que empobrecer, ou aguentar. O drama é que em muitos casos este discurso é proferido por quem efetivamente não empobrece, ou não tem que gerir um salário mínimo – ou que digo eu, um salário mileurista. Obviamente que determinados salários aguentariam e aguentariam o aniquilamento do Estado Social. Muitas das vezes, aqueles que conseguiram fugir ao pagamento devido a esse devido Estado (e não falo de quem recebe o RSI.
    O que aflige neste e outros discursos é a abstração com que se fala do povo, ou dos pobres, ou dos jovens que estão sem emprego.

    O trabalho que Jonet fez e faz é, obviamente, um trabalho válido. Não faço ideia se a senhora aufere de remuneração por isso ou não, nem me choca que receba. Mas isso também não a isenta de crítica. É tão livre de expressar o seu ponto de vista quanto os restantes são livres de discordar do mesmo.
    É que meus senhores e senhoras, se há muitos que vão a concertos, ou compram compulsivamente, ou fazem férias 5 vezes ao ano, muitos outros há que não têm (nem tiveram) sequer o que pôr no prato ou pagar contas ou medicamentos. E muitos deles trabalharam a vida toda e nunca viveram à custa de bifes diários.

  76. Arrumadinho, obrigada por me fazeres sentir menos maluca 🙂 vi esta polemica toda, tentei entender o significado, tentei perceber qual o motivo de tanta indignação… E não consegui! Pensei que, de facto, tinha perdido a (pouca) sanidade mental q me resta 🙂

    Assino em baixo do q tu disseste. Não foi feliz nos exemplos, mas o essencial está lá: Nunca me vou esquecer de uma entrevista que li do Piet-Hein Bakker, a dizer que quando chegou a Portugal ficou espantado com a quantidade de pessoas que tinham casas próprias (com empréstimos a MUITO longo prazo ao banco). Ele referiu: maior parte dessas pessoas nao sabia se daqui a 20 anos poderia continuar a pagar a casa. Eu, como nao sabia qual ia ser o meu futuro, aluguei.

    Ja se sabia que, um dia destes, o sistema iria desmoronar.

  77. Não compreendo a indignação… ok… a Sra não prima pela retórica.. podia ter utilizado outra linguagem… mas absolutamente nada do que disse me suscitou indignação… não disse nada de novo, nada que não se soubesse já! Penso que por se esforçar e fazer algo pelos outros merece todo o nosso respeito!! Não é justo criticarmos os outros só porque sim…

  78. É uma pena a Senhora não explicar que quem andou a viver acima da possibilidades foi o Estado e não as famílias, com algumas excepções claro. Mas, no essencial, aquilo que nos conduziu a esta situação foi o despesismo, a má gestão do dinheiro público e, claro, a especulação financeira, a fraude bancária, etc. Os exemplos que ela dá nem sequer são maus exemplos, são aliás bastante bons, mas são válidos sempre e não apenas na actual situação. É evidente que temos que definir bem as nossas prioridades, alimentares, de consumo etc. Mas a situação em que estamos, como país é muitíssimo mais complexa e não pode justificar-se com base na má gestão familiar.

  79. Para quem passou uma vida a olhar a miséria nos olhos, é apenas normal que se perca alguma sensibilidade na forma como se dizem as coisas.
    Quanto às críticas, andamos todos revoltados com tudo, penso que é apenas mais um bode espiatório, do que outra coisa.
    De qualquer forma, gostamos muito sempre dos paninhos quentes e do politicamente correcto, a menos que seja por uma causa nossa. A questão é que andam muitos milhares mais perto de o sentir na pele, do que gostaríamos…Esta crítica é a voz do medo. O que, nem por isso, a legitima.

  80. Não sou dos que acham que ela deva pedir a demissão ou que deixe de contribuir para o BA se vir uma campanha no supermercado, mas os exemplos que a sra deu são muito maus. Quem já ganha pouco, de certeza que não come bifes todos os dias. E para alguém com os seus supostos conhecimentos dizer que não há miséria em Portugal é porque não deve sair do armazém para ver a quem é que a comida é entregue. Aí é que ela falha, porque dá a entender uma grande insensibilidade e imcompreensão da realidade que a rodeia.

  81. Porque Isabel Jonet não procurou os produtos do seu banco junto dos produtores e fornecedores das grandes superfícies,e que nesse caso o Ministério das Finanças devolvesse aos mesmos parte do que lhe fosse tributado, por solidariedade?
    Porque serão os consumidores a contribuir para o Banco Alimentar e não o GOVERNO que,esse sim, tem toda a obrigação cívica e moral para ,se for possível gerir esse Banco, utilizando Isabel Jonet para esse fim, graças à sua experiência?

  82. Muito bem dito! 100% de acordo contigo.
    Essas pessoas que se mostram tão indignadas são as mesmas responsáveis pelo País ter chegado ao estado a que chegou!
    Porque habituaram-se a viver muito acima das suas reais possibilidades, tudo porque não querem prescindir de nada, inclusive das coisas mais supérfluas.

  83. E mais, nem sequer acho que o exemplo do concerto VS radiografia seja um mau exemplo. Concordo com tudo o que ela disse e gostava realmente de saber quantas pessoas é que a apedrejam neste momento mas já deixaram de levar o filho que está com uns kgs a mais a um nutricionista, quantas pessoas é que levam os filhos, ou que vão elas própias, ao dentista com frequência…. Percebi perfeitamente, tal como toda a gente que quiser perceber, que o exemplo do concerto VS radiografia não foi feito a pensar em situações de emergências, apenas foi levado ao exagero para fazer as pessoas pensarem no que realmente importa. Ninguém no seu perfeito juízo deixa de levar um filho a uma urgência em prol dum concerto mas desde quando é que somos assim tão burros e que não entendemos onde ela quis chegar aodizer isso ?! Os portugueses dizem-se sempre muito espertos mas gostam de se fazer de burros quando lhes é conveniente, é por isso que estamos assim.

  84. Caro Arrumadinho,

    não conhecia a polemica que andava a circular à volta dessa senhora. é como diz as pessoas criticam porque é-lhes mais fácil criticar sem tentarem ver bem que até tem razão no que diz.
    Relativamente ao exemplo das radiografias, acredito que para si pode ser um mau exemplo, mas para mim não é. Lido todos os dias com situações de pais que fazem uma má gestão econômica, para darem aos filhos regalias esporádicas, mas que depois quando estes estão doentes não têm dinheiro para os levar ao médico. E muitas vezes nem conseguem por uma refeição básica em cima da mesa para eles.

    As pessoas acho que ainda não acordaram bem para a realidade que está cada vez mais a atacar a população portuguesa. Sim ainda vamos vivendo acima das nossas possibilidades e o cenário tende a piorar.

    Acredito que a indignação das pessoas venha do facto de estarem sempre a serem confrontadas com um cenário negro, e estão fartas de só verem negatividade à sua volta, mas criticar não resolve nada!

    Cumprimentos,
    J de Primo

  85. CONCORDO PLENAMENTE!
    Eu própria reajustei algumas medidas à minha vida e da minha família, por expemplo, em vez de ir ao centro comercial vamos andar de bike, passei a trazer o lanche de casa, selecionar alguns dos espetáculos que queremos ver em vez de irmos a todos. Porque eu própria fui criada assim e agora é só lembrar daquilo que os meus pais valorizavam e que me transmitiram.
    A Isabel Jonet só disse a verdade e a verdade atinge!

    LENA

  86. Partilho da tua opinião, tal como escrevi no meu blogue. Só acho que falar quase numa obrigação de empobrecer é uma expressão forte para a qual as pessoas não estão habituadas.

    O que se passa é que esta geração não sabe poupar. A minha geração habituou-se a gastar tudo o que ganha e a viver com tudo contadinho.

    Agora, não sabem lidar com o facto de ter menor rendimento. Muitas pessoas pedem créditos para comprar banalidades sem utilidade e para férias porque apesar da crise têm que ter os seus 15 dias fora de Portugal. Sempre me ensinaram que quem não tem dinheiro, não tem vícios. E é bom que as pessoas se mentalizem disso mesmo e que aprendam a poupar.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  87. O problema dos Portugueses é que gostam de falinhas mansas, daí estar toda a gente tão ofendida, quando, na verdade, a senhora nem disse nada de especial, apenas a verdade.

  88. Lamento mas não concordo. O país está como está deve-se sobretudo à irresponsabilidade de quem nos governa nos últimos anos. A corrupção que existe neste país é um cancro. Obviamente que há casos de má gestão financeira familiar, mas o epicentro da crise em Portugal (e no mundo!) não se deve aos maus hábitos de gestão financeira das famílias.

    Termino dizendo que uma vez fui a um festival de música rock fantástico e no dia seguinte os juros da dívida pública tinham triplicado… shame on me!

  89. concordo inteiramente consigo.

    é assustador as proporções, que hoje em dia, as coisas tomam nas redes sociais. criam-se grupos, páginas e petições por tudo e por nada. dá-se a mesma importância a coisas tão diferentes.

    tolerância zero só para os outros! se as pessoas olhassem mais para dentro, e vissem que também não são perfeitas e que também erram todos os dias, faziam um favor a toda a gente, especialmente a si mesmas.

  90. Não percebo a polémica. Acho que a polémica vem de quem não quer sair do topo da pirâmide, de quem não está minimamente disponível para o esforço. A história de que a culpa é sempre do outro, a austeridade é para os outros porque nós não fizemos nada, é uma conversa que não nos leva a lado nenhum. Esta mulher lida com a pobreza real, há 20 anos, não lhe venham ensinar "caridadezinha".
    Ela teve coragem de, em vez de discutir politiquices, apontar uns pormenores de vida que tocam a todos. Não me parece que tenha dito alguma mentira. Enfim, opiniões, todos temos. Mas, não me parece que alguém possa negar que andámos anos a fio a viver muito acima das nossas possibilidades. Temos de recuar. Tomar consciência, repensar prioridades, descobrir que é possível fazer melhor com menos. Só depois desse juízo é que podemos criticar. Mas como dá jeito ter um ódiozito de estimação, um judas ao serviço da raiva dos dias, calhou a sorte a Isabel Jonet.

  91. Sem dúvida que é uma grande mulher! Foi directa e objectiva nas suas afirmações, e ainda que muitos não se tenham apercebido da situação nacional, é efectivamente o que se passa. Torna-se necessário 'chocar' e impressionar para que realmente comecem a tomar consciência dos seus actos.

  92. Ando a viver debaixo de uma pedra, é um facto, mas só hoje é que me dei conta desta polémica. Concordo plenamente com o que diz. Aliás, admiro-me muito este grau de crítica por parte das pessoas, uma vez que contrapõe com a passividade geral que se vive face aos erros crassos, e esses sim, desastrosos e com efeito negativo direto na nossa vida, dos políticos e governos que andam e têm andado a governar-nos! Neste caso ela não foi totalmente feliz, é verdade, mas a obra de vida dela não prejudica ninguém. Pelo contrário. Ela tem deixado um legado de mérito e que não pode ser esquecido por causa destes 6 minutos.

  93. Quem conhece a pobreza como ela não pode dizer que não há miséria e dar os exemplos estúpidos que deu. É por aí que ela falha, não são meras palavras. Ela, exactamente por conhecer, é que não podia falhar! E tinha de perceber que as pessoas que ganham o ordenado mínimo não só não comem bifes todos os dias, como não comem em dia nenhum. E se ela, exactamente por trabalhar com a pobreza, não sabe do que fala… se calhar não faz bem o trabalho de voluntariado (não é ela que faz o que quer que seja, ok? São todos os voluntários a trabalhar numa organização em que ela dá a cara). Eu adoraria poder ser voluntária a tempo inteiro como ela, queria dizer que não precisava de viver para comer o meu bife mensal (e não ganho o ordenado mínimo!).

  94. Parabéns pela coragem de discordar das vozes discordantes… Estou plenamente de acordo com tudo o que disse. E já há tanta gente (mesmo jovem) gorda por aí…

  95. Concordo totalmente!!Depois de tanto alarido e antes de saber o que a senhora tinha dito…até pensei que nos tivesse pedido para passar fome ou algo do genero…mas não…É apenas uma constatação da realidade.

    Escrevo em anónimo porque imagino os comentários a este post…
    Boa Sorte e paciência Arrumadinho…

  96. Arrumadinho,
    por norma não venho ao teu blog. Não faz o meu género, confesso. Das poucas vezes que venho não concordo com muita coisa, por isso abstenho-me de comentar. Mas hoje tiro-te o chapéu. Porque foi o primeiro post decente que li sobre este assunto. E como sou adepta de estar calada se é só para criticar e falar quando é para elogiar, elogio. Sim senhor. Estiveste bem, concordo MESMO.

  97. Concordo plenamente, eu também, quando, há uns dias, comecei a ver esta manifestação de descontentamento para com a Srª, fui ver o que se tinha passado – ver o vídeo – e não percebi onde estava o motivo para este apedrejamento em praça pública!? Há, efectivamente, exemplos mal aplicados, no entanto, não há qualquer motivo para esta, desculpe o termo, palhaçada! Durante muitos anos fez-se mesmo uma vida acima das nossas possibilidades e, agora, estamos a viver as consequências de tais actos.

    Como o seu filho, também eu aprendi na escola que se devia lavar os dentes sem a água a correr e em vez disso, utilizar o copo. Não me dá muito jeito, mas no entanto, não deixo a água a correr. abro apenas no fim, quando quero limpar a boca. Até porque, quando se lava os dentes não se deve molhar a escova antes, portanto, da muito bem para abrir a torneira só no fim.

    Não digo com isto, que não se cometa alguns erros, não consigo, por exemplo, fechar a água no banho.

    Voltanto ao tópico, não há qualquer motivo para este indignamente por parte das pessoas. Se pensarem bem, ela tem razão.

  98. Concordo com o que disseste. Não vejo qual o drama do que ela disse. A maioria do que disse todos nós já sabemos disso, a diferença é que ela disse que forma mais crua.. e nós Portugueses não gostamos de ouvir as verdades e ficamos logo todos ofendidos.

  99. Concordo plenamente. Inicialmente até pensei que era eu que não tinha percebido algo, ou que algo me estava a escapar, pois não percebi o que a Srª disse de mal… Exemplos errados, sim, mas no geral o conteúdo está correcto… pelo menos a meu ver! Ainda bem que há mais pessoas que pensam como eu!

  100. Eu nem preciso de ver o video para acreditar que esta mulher que prescindiu de ter uma vida de marquesa mesmo, sim poderia em qualquer empresa ser uma gestora de enorme sucesso, e uma grande mulher. Percebo que as pessoas andem irritadas com tudo mas isto para mim e do mais baixo que pode haver, e logo contra uma Sra desta categoria.

    Bjos
    Maggie

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