Hoje a noite é tua

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Vivemos dias em que o tempo parece não chegar para nada, dias que gostávamos que tivessem 32 horas para podermos fazer tudo o que queremos, para podermos dormir 8 ou 9 horas, para podermos ter tempo para nós e para as nossas coisas, e para as nossas relações. Mas os dias não têm 32 horas, por isso, a vida é muitas vezes vivida em fast-forward, e somos obrigados a seleccionar muito bem o que podemos, queremos e temos mesmo de fazer nas horas que temos à nossa disposição. Num dia seleccionamos dormir menos duas horas, noutro prescindimos de algo que gostamos de fazer, o cinema tem de ser sucessivamente adiado, os jantares com os amigos também, e essa selecção, essa edição das horas da vida, vai-nos consumindo lentamente a felicidade, cerca-nos e torna-nos, muitas vezes, pessoas menos alegres, mais cansadas, física e emocionalmente.

E esse ciclo acaba por nos levar a perder muitas vezes o discernimento nas escolhas que fazemos, que deixam de ser racionais e passam a ser impulsivas. Tendemos a tornar-nos mais egoístas, mais passivos e mais preguiçoso. Há coisas que nunca podem ficar para trás: os filhos têm de ser vestidos, alimentados, educados, levados à escola, a casa também não pode ficar ao abandono – há sempre roupa para lavar, passar, jantares e almoços para se fazerem, coisas para arrumar. Depois há o sono – temos de dormir, e como não somos propriamente Marcelos Rebelo de Sousa quatro horas não nos chegam (a ele também não, que eu não acredito que seja possível dormir quatro horas por dia toda uma vida). Como temos de trabalhar, há que contar com pelo menos 8 horas no emprego, mais 1 ou 2 horas em trajectos de casa para o trabalho, trabalho para casa. Vamos a fazer contas e o que é que nos sobra? Quase nada. Praticamente nada. O cansaço também não nos dá vontade de fazer grande coisa, e o mais comum é aterrarmos no sofá a ver qualquer coisa na televisão, até adormecermos.

Isto é o normal, acontece, num ou noutra fase da vida, com praticamente toda a gente na casa dos 30 ou 40 anos.

Mas o que não deve acontecer é sempre isto. Tem de haver um dia, de vez em quando, em que a prioridade tem de ser a relação. E o problema é que muitas vezes a relação é a única coisa que damos por garantia, e que mesmo que não mexamos uma palha continua ali, confortável. Isso vale por uns tempos, não vale para sempre. Toda a gente gosta de desafios, de fazer coisas diferentes, de ser surpreendido, e quando isso, pura e simplesmente, deixa de acontecer é porque algo vai mal, e essa desistência torna a relação menos sólida, mais susceptível a outros perigos.

A falta de tempo é o argumento que todos usam para não fazer nada pela relação. Só que depois quando chega o fim-de-semana volta a pensar-se que não há tempo, porque a prioridade é dormir mais um pouco, é ir visitar os pais, os sogros, é brincar com os miúdos, e depois continua a haver todo o trabalho da casa por fazer, e chega-se ao final dos dias e a sensação não é muito diferente da dos dias de semana: estamos cansados, e queremos é sofá ou cama. E os dias passam, os fins-de-semana passam, e nunca há tempo para o casal, nunca há tempo para oferecer ao outro. O tempo do outro é, quase sempre, o que sobra. Mas como raramente ele sobra, então, não há tempo para dar.

É preciso racionalidade para ultrapassar isto. É preciso, primeiro que tudo, identificar o problema, entender o problema, e as consequências que essa situação pode acarretar. Isto modifica-se querendo, fazendo por isso. É preciso que pensemos “hoje a noite é para ela”, ou “hoje a noite é para ele”. E é essa a prioridade. Não é a roupa, o descanso, o sofá, a novela, o cinema ou o ginásio – não! É o parceiro. Se o momento for bom (e acredito que o é) será suficiente para alimentar a relação por muito tempo, para a deixar em alta, para a tornar mais sólida. E estes momentos não podem, claro, acontecer uma vez por ano, têm de ser continuados e regulares. A pessoa com quem estamos, a pessoa que amamos, merece isso de nós. E nós merecemos isso dela.

1 Comentário

  1. Bom dia! Antes de mais, quero dizer que apesar de leitor assíduo, envergonha-me o facto de não ser um comentador habitual. Mas este post é merecedor de uma palavra. Esta é das coisas mais verdadeiras, mais sensatas e mais sábias que podemos aprender numa relação de longo curso… E infelizmente, normalmente é necessária uma crise, um susto qualquer para que toquemos a consciência bem lá no fundo e cheguemos à conclusão que não devemos dar nada nem ninguém por garantido, e que tal como uma planta, uma relação não tem apenas que ser ou estar, tem que ser regada e tratada, ou… Acaba por morrer.

    Keep up the good work! 😉

  2. Eu com dezanove anos já me sinto assim. Consumida pela sociedade, pelas regras, e pelos dias que às vezes não têm fim,mas que ao mesmo tempo não chegam para tudo o que preciso de fazer.

  3. Como gostei de ler este post, MESMO!!!!

    Leio todos os dias e não passo aqui só uma vez, vou passando, para ver se há coisinhas novas 🙂

    Obrigada pela partilha das tuas opiniões… fazem-me perceber que há coisas que não sou só eu que penso, e isso é muito bom!

    (já com o blogue da tua mulher se passa o mesmo. Voces devem ser um casal muito porreiro, pá! :))

    Bjs

  4. Sim! tem algo em que me revejo…Mas que me adianta a mim se a outra parte não ajuda, lutar sozinha é como dar murro em ponta de faca.
    (Ex: quando fazemos amor é como fumar um cigarro foi só aquele momento de prazer vira-se e dorme.)
    Agora pergunto para quê fazer de tudo para um momento a dois?

  5. O tempo até nos foge, mas o que existe verdadeiramente é mais facilidade em arranjar desculpas.
    O problema das desculpas esfarrapadas é que se transformam em frustação no outro, vão moendo aos poucos e quando uma pessoa dá por ela, é ela que procura "não ter tempo". Nem que seja para não ter de lidar com o facto de que, no fundo, é apenas infeliz.

  6. É bem verdade, ainda no outro dia escrevia sobre isto. A nossa sociedade vive de uma forma tão frenética, com o tempo contado ao segundo. Este facto faz com que as pessoas se esqueçam daqueles que têm à sua volta ou simplesmente de pequenos prazeres, como ler um bom livro ou passear, e depois admiram-se que haja tantas depressões e divórcios…

  7. EIA POIS….
    Provérbio,a ter em conta mtªs vezes proferido pela m/Avó materna.

    «Mais vale só que mal acompanhado»

    Numa relação conjugal onde um dos elementos se sente sózinho/a, abandonado, utilizado e por vezes gozado, ai todo esse tempo assim gasto é um desperdício de vida, saúde e tempo perdido.

    Aproveitemos os n/ verdadeiros sentimentos de amor e partilha com pessoas simples e verdadeiras s/ subterfúgios que nos preencham e nos façam sentir verdadeiramente úteis e desejados.

    Existem animais que devolvem mtº. +, não são; egoístas, oportunistas, preguiçosos, orgulhosos, nem cínicos e têm toda a atenção e "tempo do mundo".

    Bem hajam os que torna este Planeta + humanizado.

    Aprendamos a ser felizes!

  8. Confesso, não li todos os textos deste blog. Ok, nem 50% li. Mas este texto em particular está muito bem escrito, nem é pela escrita em si mas sim pela sinceridade e pela verdade do que está ecrito. Quantas vezes não dedicamos mais tempo ao trabalho que à pessoa que partilha a nossa vida? E que injusto que isso é! No final da vida nunca vamos pensar: devia ter passado mais horas a trabalhar, mas sim devia ter passado mais horas com aqueles que AMO!

  9. Adorei !!!
    Muito bem escrito mesmo!!
    Todos os dias venho espreitar o arrumadinho e a minha querida pipoca!!

    Um grande beijinho para vocês <3

  10. oh pá, oh pá, oh pá…… Esta e a história da minha vida…..parece mesmo que te baseaste nela …. E assustador…. Até a visita aos pais e sogros no fsemana e igual….. E como resposta a alguns que já li aqui na diagonal para ter este blogue prescindo das minhas horas de sono….. Ando a dormir 4/5 horas noite…. E ando estourada…. Até para ler um livro tenho que o levar para a casa de banho e ler uma pagina de semana a semana….

  11. Há uns anos,quando podia gastar um dinheirinho extra,todas as semanas eu levava 1 ramo de rosas para a minha mulher.
    Escolhia as de cor mais exotica,castanhas,azuis,enfim buscava oferecer um pouco de mim.
    Não um ramo dado por dar,mas dar um pouco da minha preocupação por ela,do meu amor.
    Andei meses a convencer um colega meu,que se queixava de monotonia no seu casamento.
    Um dia resolveu comprar um ramo e já estava afiambrado para uma noite de sexo inesquecivel,com a parceira derretida por aquela atenção tão inesperada.
    E não é que ele comprou uma guerra feia.
    Ela assim que recebeu o ramo atacou logo.
    Que ele tinha feito alguma coisa grave para lhe levar as rosas e daí foram 2 ou 3 meses de zanga.

  12. Excelente texto! E que, infelizmente, traduz o que sinto na minha relação. Já falei mas ele diz que não pode deixar de atender os clientes e que bla bla bla como é profissional liberal, a crise, etc…que depois vai haver tempo…será? e será que eu ainda vou querer esse tempo com ele?…

  13. Gostei muito! Ainda ontem falava sobre isto… as 2 últimas frases são fundamentais! Tb vou passar ao marido!

    bjs.

  14. Embora o texto seja interessante e bem real, não sei como os comentadores, com falta de tempo, têm-no para consultar os blogues e fazer comentários.
    Onde ficou o seu relacionamento familiar?
    Arranjarão também tempo para isso?

  15. Esta muito bem escrito, mas se for o nosso par a falhar, nao podemos fazer muito senao esperar que ele se aperceba que nao esta was fazer bem as coisas.. a crise tambem nao ajuda..

  16. a rotina trabalho casa, casa trabalho, pode de facto contribuir para essa falta de tempo para as coisas. Mas enfim, os finais de noite não deixam de existir, nem os fins-de-semana. Aquilo que vejo à minha volta, quando as pessoas dizem não ter tempo para as coisas, é que se envolvem em tudo e mais alguma coisa, todos os desafios e projectos têm respostas positivas e claro não há tempo para tomar um café, não há tempo para conhecer pessoas novas, não há tempo para as relações amorosas (isto quando existem, porque quem nunca tem tempo para nada por norma está sozinho), etc, etc. Nós temos todo o tempo do mundo para as coisas que realmente queremos, mas isso implica invariavelmente deixar outras coisas por fazer, não aceitar tudo o que sejam propostas de trabalho, por exemplo. O mais irónico é percebermos que as pessoas que agarram todas as oportunidades/desafios com unhas e dentes, como se isso fosse viver ao máximo, são aquelas que vivem pouco, que não têm tempo para os amigos, que não sabem o que é dedicação à família, que chegam a casa e estão sozinhas. Parabéns pelo post

  17. Milhares de pessoas deixam-se engolir por semanas, meses e anos de não-emoção, não-atenção, não nonsense, não-quase-nada.

    [Depois morrem]

    Eu devo ser doida, mas troco uma hora de ginásio por sessenta minutos – mais coisa menos coisa – de boas gargalhadas com os amigos, ou de bom sexo, ou de boa leitura.
    Ah, e adoro ficar à mesa depois de ter acabado a refeição, a falar de banalidades, a bebericar o resto vinho e a fazer desenhos na toalha com as migalhinhas do pão.

    [Também vou morrer, mas vou mais feliz;)]

  18. Bom texto…Pena que nem todos tenhama mesma visão!! O meu relacionamento/ casamento de 10 anos sempre foi pautado por um tempo semanal só a dois ( quer dizer, por vezes com amigos à mistura), mesmo depois do nascimento do filhos…Não abdico, porque acho importante, mas por vezes sou julgada por terceiros por acharem que, por exemplo aos fins de semna deveria estar mais com os filhos, ou que não deveria fazer viagens sem as crianças…Enfim, um "pau de dois bicos"!!!

  19. Estou a ver-te na sic mulher …Não te rebentou a cabeça para escrever esse livro ?,,HIHIHIHI
    Grande escritor !!!Género pipoca .

  20. Escereves tão bem arrumadinho. Desde que me mostraram o blog que o leio todos os dias. Tens-me feito reflectir sobre muitas coisas da minha vida.

    Os teus textos são insipradores e consigo rever-me em muitos deles. Também eu tive uma relação que terminou por falta de diálogo, falta de tempo um para o outro e falta de investimento na relação. Fazia-se tudo primeiro antes de estarmos um com o outro e assim se foi perdendo tudo de bom que havia entre nós, nomeadamente a cumplicidade.

    No entanto, essa experiência serviu como um alerta e serviu para aprender, crescer e não voltar a repetir.

    Continua a escrever assim e a alertar-nos a todos para aquilo que está mesmo à nossa frente e nós não queremos ver 😉

  21. É por textos como estes que estou mortinha para ler o teu livro. Ainda tenho que arranjar tempo para o ir comprar! O texto está brilhante. E nunca é demais alertar para esta realidade. Tornamos a pessoa que esta a nosso lado como um dado adquirido e quando nos apercebemos perde-mola completamente de 'vista'.É dos maiores erros que podemos cometer. Por isso toca a mimar a pessoa que temos ao nosso lado. E às vezes basta um simples bilhete num sitio menos óbvio, mas sempre utilizado para que o dia comece em pleno. Something like that!
    M. 🙂

  22. @Leope – Me 2 🙂

    Costumo dizer que as relações não se podem colocar numa prateleira e pensar que quando se volta a ter tempo tudo permanece na mesma..

    Mto bem escrito, muito obrigada 🙂

  23. É verdade sim senhor, a falta de tempo na relaçao, porque se toma a mesma por garantida. Anda uma parte a esforçar-se para arranjar tempo e a outra nem liga para isso, quer é saber de tudo feito na horinha certa. E depois se a pessoa tá cansada quando sua excelencia quer um pouco de afecto, corre sempre mal. Porque o lado de lá rema sozinha e por mais ajuda que peça, o outro lado nao liga e nao percebe que a relação é como uma flor tem de ser regada, cuidada, senão acaba por morrer.
    Gostei do teu texto revi-me nele. Será que quando chegar aos 50 vai continuar tudo igual?!

  24. Excelente texto! Revi-me tanto neste texto que nem imaginas…O tempo passa num foguete, as rotinas, os afazeres, os deveres, as preocupações esgotam-nos e ocupam-nos demasiado tempo. E, quando damos por isso (se é que damos) já se passaram semanas, meses ou mesmo anos desde que fizémos isto ou aquilo, desde que fomos aqui ou acolá…e lá começamos nós: "Xiii há tanto tempo
    que…"
    Temos mesmo de parar um pouco e fazer desta vez um rewind à mente para vermos onde estamos a falhar e principalmente decidirmos o que fazer…e fazer!

  25. Bom texto arrumadinho! Aliás mais um como tantos outros que partilha connosco.
    O meu casamento terminou por falta de diálogo e programas a dois. As coisas foram-se deteriorando e eu a pensar que estava tudo bem, como se o casamento fosse eterno e de um dia para o outro tudo terminou.
    Foi uma experiência de vida para aprender que as relações têm de ser alimentadas, se não forem alimentadas morrem.
    Obrigado por nos fazer companhia nestes textos tão espectaculares que nos ajudam a reflectir e arrumar cabeças e corações.

  26. Felizmente não me revejo neste post…para nós há sempre tempo, para mim também e para ele também.Temo-nos posto como prioritários na nossa vida…é verdade que não fazemos muitas visitas nem recebemos muitos amigos, mas somos felizes neste emaranhado "egoista" que chamamos ninho:)

  27. Parece que alguns bloggers acordaram, hoje, com as mesmas ideias (ou ideias parecidas) para posts. Eu também falei sobre isto das prioridades no meu blogue. Eu poderia ter escolhido (se é que ainda é possível escolher um trabalho hoje em dia) uma profissão que me desse mais dinheiro, mas preferi dar prioridade à minha família, ainda que ganhe bem menos com um emprego que nada tem a ver com o que estudei. Sinto-me realizada a cuidar dos meus, é o meu projecto Claro que ter emprego é importante, pois o dinheiro não cai do céu. Mas o trabalho serve um projecto maior e mais gratificante, não é (como para muitos) O projecto. Se me sinto menos mulher ou menos profissional, ou menos realizada? É evidente que não. Foi a minha escolha.
    Tempo para o diálogo e para a atenção ao meu companheiro, aos meus filhos. A família é o nosso suporte.

  28. Quando li, não entendi nada como se fosse uma falta sua, muito pelo contrário. Entendo sempre estes textos como um alerta… E não podia concordar mais.
    Chegados a uma certa altura na nossa vida acomodamo -nos tanto, mas tanto…que dá pena! Preguiça é a palavra certa. 🙁

  29. Gostei muito! Consigo ver-me retratada em algumas partes do teu texto…tens razao em muita coisa, a vida esta em fast-forward e e uma pena que nao a saibamos aproveitar, como tu dizes dar prioridades. Sou casada, 2 miudos, uma casa, trabalho, marido….tens razao em dizer que ''A pessoa com quem estamos, a pessoa que amamos, merece isso de nós. E nós merecemos isso dela''. Eu tento fazer isso uma realidade. Uma relacao/casamento/etc tem que ser ''alimentada''por 2!
    Obrigada por este texto lindo.
    Vanda

  30. O tempo, pois também eu tenho uma relação complicada com o tempo, as horas, os dias!

    Mas hoje e nos próximos dias, em que, por ter sido submetida a uma intervenção cirurgica, com um pós-operatorio doloroso, sou obrigada a estar de cama/ sofá, logo a estar de atestado tenho que fazer as pazes com o tempo!

    Só sabemos dar valor à saúde quando ela nos faz falta, por isso, quando voltar à minha rotina habitual, vou ter, de certeza uma melhor relação com o tempo!

  31. Ao primeiro comentador: o que eu escrevo nem sempre é sobre a minha vida, ou o meu presente. É, muitas vezes, o que sei por experiências por que já passei e pelo que percebo que vai acontecendo com muitos outros casais. O que eu escrevi não é para ser entendido por nenhuma pessoa em particular, mas sim por todos em geral.

  32. Muito bom texto….
    És persistente…
    não é o primeiro texto do género…. espero que a tua mulher perceba o conteúdo.. nota-se aí uma anorme solidão e carência!E é pena, quando é só um a lutar pela relação!

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