Gostaram mesmo disto (e ainda bem)

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É bom perceber que mesmo estando ausente durante tanto tempo as pessoas voltam aqui quando há conteúdos, e conteúdos que de alguma forma lhes interessam. Nas aulas que dou sobre blogues, uma das primeiras coisas que digo aos alunos é que um blogue não pode ter sucesso, impacto, relevância, se não for atualizado todos os dias, preferencialmente três a cinco vezes por dia. Só assim se pode encarar um blogue de forma verdadeiramente profissional e alcançar resultados que permitam ter um volume de visitas que garanta o retorno necessário a rentabilizar esse mesmo blogue. Também costumo dizer aos meus alunos para fazerem o que eu digo, e não fazerem o que eu faço, já que, infelizmente, não consigo dar a atenção ao meu blogue que ele merece e deveria ter, sobretudo se fosse a minha atividade principal (e não é).

Ainda assim, gosto de perceber se, apesar das ausências, as pessoas ainda estão desse lado no momento em que eu quero dizer qualquer coisa, e a verdade é que estão, é que aparecem quando os conteúdos voltam, e essa é outra das dicas que costumo dar nos workshops: quando há conteúdos, e quando os conteúdos interessam, as pessoas voltam. Ao contrário de um jornal em papel, que vive do hábito da compra, que tem leitores fiéis que mais depressam deixam de comprar um jornal do que o trocam por outro, no digital os leitores movem-se pela qualidade e interesse dos textos. Se gostam, clicam e vão ler, se não gostam, não se dão ao trabalho. E isso analisa-se, depois, nos resultados.

Nos últimos dias decidi voltar a produzir conteúdos no blogue a um ritmo que acho que deveria ser o normal (três, quatro por dia). É isso que vou querer fazer em janeiro, na altura em que tiver online o novo blogue, na nova plataforma que estou a desenvolver. Ao fim de três dias, analisei os resultados e comprovei esta teoria: as pessoas voltam, podem não voltar todas as que já cá andaram (e a média deste blogue já andou nas 20 a 25 mil visitas por dia) mas com o tempo acabam por chegar mais e mais, e é também isso que dá motivação para continuar.

 O artigo que escrevi ontem sobre a vida selvagem dos ginásios, com um vídeo maravilhoso, é, esta manhã, o conteúdo mais visto dos blogues do Sapo. Pronto, agora é não perder a embalagem.

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9 Comentários

  1. O facto de seres uma figura pública, marido da maior blogger portuguesa, é o principal motivo do teu sucesso. 80% dos teus posts são a pedir desculpas porque não tens tempo para escrever. E sim eu visito-te e contribo para a estatística, mas continuo a achar que seres o “marido da pipoca” que lemos todos os dias, ela sim com una qualidade e dedicação irrepreensível… Ajuda e muito!

  2. Olá outra vez, Catarina. A realidade da blogosfera portuguesa não tem nada a ver com a norte-americana, a brasileira ou a inglesa, por exemplo. Nos Estados Unidos, um blogue com alguma relevância pode perfeitamente publicar um post por dia que irá sempre ter, muito provavelmente, centenas de milhares de visitas, que lhe garantem alguns milhares de euros ao final do mês. Em Portugal não é assim. O mercado é muito, muito mais pequeno. Para um blogger conseguir viver do seu blogue, para conseguir tirar, em publicidade estática (o display), perto de mil euros por mês tem de conseguir uma média de 25 a 30 mil pageviews por dia (e já estou a ser otimista). Isso só é possível publicando vários posts por dia. Com um único post, nem A Pipoca Mais Doce, que é o maior blogue português, conseguiria atingir esses números. Há uma relação direta entre o número de conteúdos publicados e o número de pageviews alcançados. No meu blogue, por exemplo, e usando como referência o tempo em que escrevia todos os dias, se publicasse um conteúdo por dia podia ter à volta de 15 mil visitas diárias, se publicasse dois teria entre 20 a 22 mil, se publicasse três teria entre 25 e 30 mil. E se no dia seguinte publicasse novamente só um voltava a descer. Um blogger ganha dinheiro, sobretudo, com os conteúdos que aparecem no blogue, e não com coisas que coloca no Facebook, no Twitter ou no Instagram. As redes sociais devem servir, sobretudo, para canalizar leitores para o blogue, que é o que dá dinheiro ao blogger. Criar conteúdo exclusivo para o Facebook interessa, sobretudo, ao Mark Zuckerberg, já que é ele que ganha dinheiro com a publicidade no Facebook. As redes sociais não têm unicamente esta função, como é evidente, e são uma ótima forma de criar uma ligação com os leitores, mas não é aí que se ganha dinheiro, é aí que se vai buscar gente para a plataforma que dá dinheiro, o blogue. Agora, se o blogue não tiver conteúdos novos, as pessoas não têm por que voltar lá.
    Discordo, também, quando diz que os artigos dos blogues devem ser mais densos e trabalhados. Como disse no comentário anterior, os blogues devem ter de tudo: conteúdos maiores, mais pequenos, com muitas fotos, só com uma foto, com textos grandes, pequenos, mais divertidos, mais sérios. As pessoas procuram os blogues por mil e uma razões diferentes, quando os lêem têm mil e um estados de espírito diferentes, por isso, na minha opinião, os blogues não devem ter um único registo, devem surpreender, ser diferentes em todas as abordagens, apresentar conteúdos mais curtos às horas em que as pessoas têm menos tempo para ler (à tarde, a meio da manhã) e conteúdos mais densos e lentos quando as pessoas têm mais tempo para os ler (à noite). São essas dinâmicas que fazem dos blogues plataformas próximas dos leitores e de sucesso. Agora, uma coisa eu sei: não há, em Portugal, nenhum blogger profissional que consiga viver do blogue sem publicar todos os dias, várias vezes por dia. É, matematicamente, impossível.
    Uma última discordância: não acho nada que não seja possível produzir dois ou três bons conteúdos por dia, quando falamos de um blogger profissional. Em sete ou oito horas de trabalho há, na minha opinião, tempo mais do que suficiente para isso. E volto a repetir a ideia: um bom conteúdo não tem de ser longo, extenso, muito trabalhoso. Pode ser uma simples foto, um texto de cinco linhas com humor, uma partilha de uma história incrível que descobrimos nalgum sítio. Quem define o que é um bom conteúdo digital são os leitores: se eles gostam, partilham, comentam, falam dele aos amigos, então, o conteúdo é bom. Beijinhos

  3. Embora compreenda o comentário, não concordo minimamente com ele 🙂 há n blogs profissionalizados lá fora que nem sequer publicam todos os dias da semana. Acho que o truque é fazer uma gestão inteligente do blog e das redes sociais em que ele se encontra. Não acho que os blogs tenham de publicar múltiplas vezes por dia e acho que acabam por se tornar cansativos caso o façam, porque muitas vezes deixam de ter qualquer tipo de conteúdo relevante para partilhar. Uma dica pode ser partilhada no facebook e não no blog, ou no instagram, ou twitter. Os artigos do blog podem, e devem quanto a mim, ser mais densos e trabalhados, porque é o que espero quando leio outros blogs também: textos cuidados, que me mostrem algo útil, ou fotografias bonitas, ou uma opinião bem elaborada. Talvez em Portugal esse conselho ainda seja válido (o de publicar várias vezes por dia, todos os dias), mas acredito que isso vai mudar! 🙂

  4. Ainda bem que voltaste. Gosto de te ler, mesmo que nem sempre concorde com o que escreves. Ahhh, é a primeira vez que comento, embora seja leitora há anos.
    Bom ano! Beijinhos

  5. Fiquei, à semelhança da Catarina, a pensar sobre a sua opinião de que um blogger que aspira profissionalizar-se deve publicar múltiplas vezes por dia. O Ricardo saberá melhor que eu, que anda nisto há mais tempo. No entanto, e uma vez que criei o meu blog com o objetivo de fazer dele o melhor que conseguir, pesquisei e li muitas opiniões sobre o assunto. Aquela à qual acabei por reconhecer maior valor é esta: independentemente do retorno que esperamos do blog, ao início (que é geralmente um longo início) não é vantajoso publicar muito. Visto que conteúdo bom e abundante não é suficiente para atrair visitas, metade do tempo que dedicamos ao blog deve ser aplicado em estratégias de divulgação.

    O meu projeto tem meros meses e é nessa fase que me encontro, mas acredito que a altura em que nos devemos dedicar ao blog como um trabalho (porque concordo que um blog profissional deve ser atualizado várias vezes ao dia) deve coincidir com o momento em que blog já se divulga a si próprio, já nos oferecendo algum retorno monetário que nos permita, então apostar na profissionalização. Posso estar errada, mas acho que não =P

    Quanto ao resto, que é o principal do seu texto, irei sempre cá voltar – ou à nova plataforma, no caso.

  6. Olá Catarina. O que escrevi foi isto: “Só assim se pode encarar um blogue de forma verdadeiramente profissional e alcançar resultados que permitam ter um volume de visitas que garanta o retorno necessário a rentabilizar esse mesmo blogue”. Não disse que um blogue não pode, como escreveu, “atingir estatuto na blogosfera”. Pode. E também pode ser um bom blogue, e até pode ser um blogue reconhecido. Mas, sem este volume de atualizações, que garantam um mínimo de 15 a 25 mil visitas por dia, não é possível, como escrevi, “garantir o retorno necessário que permita rentabilizar o blogue”. Eu sei bem o trabalho que dá tudo o que mencionou, mas uma pessoa que queira fazer vida do blogue, ou seja, que possa dedicar seis, sete, oito horas por dia ao blogue – as horas que normalmente trabalharia noutro emprego – consegue escrever três, quatro, cinco posts por dia. Tem tudo a ver com gestão de tempo e de posts. Os posts não podem, nem devem, ser todos densos, grandes, altamente trabalhados. Pelo contrário. Deve intervalar-se um texto maior, mais denso, mais trabalhoso, que leva muito tempo a produzir, com outros mais curtos, mais pequenos, de leitura e execução mais simples. Tem tudo a ver com planeamento, e só com essa estratégia pensada é possível produzir todos esses posts (três, quatro, cinco por dia). Num blogue de receitas, por exemplo, basta intervalar um texto de uma receita longa e complicada, com muitas fotos, texto grande, com outras receitas mais curtas, ou pequenos posts com dicas culinárias. Ou seja, o truque é fazer uma gestão inteligente do blogue, e não demorar dias a produzir conteúdos longos sem colocar nada online. Beijinhos.

  7. Custa-me aceitar esse conselho de actualizar um blog 3/4 vezes por dia 5 dias por semana. Custa-me porque sei que isso só é possível para blogs com o formato d’O Arrumadinho, d’A Pipoca Mais Doce, etc. E isto não é uma crítica, mas blogs que vivem apenas das palavras de quem os escreve são menos trabalhosos ao nível editorial do que aqueles que publicam diys, receitas, relatos de viagens pormenorizados, etc. Tirar as fotografias demora tempo, editá-las demora outro tanto e depois ainda é preciso escrever o post. Só aqui, se alguém for capaz de actualizar o blog com bons conteúdos 5 dias por semana já se tornou o meu herói. Por isso esse conselho pode ser válido para alguns tipos de blogs mas nunca para todos, daí parecer-me um pouco generalista e com pouco sentido. Já para não falar que nem todos os blogs de sucesso têm essas taxas de publicação e ainda assim conseguiram atingir um estatuto na blogosfera.

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