Fim-de-semana de corridas

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Este foi um fim-de-semana de exercício e ar livre. Sábado foi dia de preparação para a Corrida do Tejo, com um treino muito levezinho no Jamor, e domingo houve meia-maratona na Ponte Vasco da Gama.

Sábado de manhã lá consegui arrancar a mulher da cama e levá-la até ao Estádio Nacional. O grupo de corredores era grande e estava dividido em três, para que cada um escolhesse o seu ritmo. Como no dia seguinte ia fazer 21 km, optei por não puxar muito e fui fazer companhia à esposa no grupo dos iniciados. Ainda me armei em treinador, ensinando-lhe exercícios de respiração, controlando ritmos, distâncias, picos, mas, claro, como sou marido, e não PT, ela não me respeita.

– “Vamos, são só mais 100 metros e depois paramos. Aguenta. Tens de te superar, só assim vais progredir”.
– “Não quero”.

Pronto, parava. E lá ia a andar. Eu acompanhava-a, enquanto lhe tentava explicar que a única forma de ir ganhando “perna” e “pulmão” é ir procurando a superação, chegando ao limite, mas acho que ela não estava muito virada para me ouvir. Mas eu vou tentando.

Hoje de manhã saltei da cama às 7h e lá comecei com todo o ritual de preparação da corrida – preparar o chip nos ténis, prender o dorsal com alfinetes, aplicar o creme anti-bolhas, tomar um pequeno-almoço com hidratos e proteínas, etc. Acho que de todas as meias-maratonas que já corri esta era aquela em que estava mais mal preparado. Em Agosto não corri e só no fim-de-semana passado voltei a treinar com regularidade. Ou seja, não tinha grandes expectativas. Quando me fui inscrever para a prova, passei no stand da Vitalis e arrisquei um desafio – escolhi “Correr em menos de 1h50”. O meu recorde na prova é de 1h27m, na meia-maratona de Setúbal, aí em 1997. Nos últimos anos tenho feito sempre entre 1h32 (quando estou bem) e 1h45 (quando treino menos). Por isso, só queria não ficar acima da 1h50, o que era complicado, já que treinei mesmo muito pouco.

Durante a corrida, optei por uma estratégia diferente. Pela primeira vez, comecei num ritmo muito lento (para quem percebe destas coisas, com um ritmo de 5’00) e fui assim até ao quilómetro 15. Como me sentia fisicamente muito bem, resolvi dar tudo nos últimos seis quilómetros. E assim fui. Acelerei e fiz um final bastante rápido. Deu para terminar com 1h43m29s, o que foi bastante bom, muito melhor do que estava à espera.

O melhor veio depois. Quando a prova terminou, assisti a um maravilhoso mini-concerto dos Xutos. Mesmo com 21 km nas pernas, ainda consegui estar mais 45 minutos a saltar e a cantar. Do melhor.

Outra das grandes notícias do dia foi o facto de ter terminado a prova à frente da Analice (há dias, a minha mulher escreveu uma crónica sobre ela — podem ler aqui). Conheci a Analice em Maio, quando corri as 100 Maratonas 100 Amigos, a minha primeira maratona. Quando terminei a prova, com 4h19m, reparei que, na chegada, já estava uma senhora com ar de avozinha querida. Achei admirável o facto de ela ter corrido os 20 km (achava eu, porque também havia esta distância). Soube depois que não, que ela havia corrido a maratona completa (os 42,195 km) e tinha ficado à minha frente. Pormenor: a senhora tem 68 anos.

Ontem, já depois da viragem aos 10/12 km, vi-a. Lá vinha ela, um ou dois quilómetros atrás de mim. Por muito vergonhoso que possa parecer, fiquei contente por ficar à frente daquela senhora com idade para ser minha avó, como se isso não fosse minha obrigação.

Já depois dessa prova, quis conhecer melhor a Analice. Entrevistei-a, escrevi um perfil de vida da senhora, que amanhã podem ler aqui no blogue. Digo desde já que é uma história de vida única, incrível, digna de um filme, uma história de coragem, persistência, um drama comovente.

1 Comentário

  1. Coincidência engraçada: também estive lá; também usei a mesma táctica de precaução, de trás para a frente – mas um pouco mais lento: 1h52m no final; e também encontrei a Analice algures pelo km7: saudei-a e falei brevemente com ela – acabei por ser eu a dar-lhe a novidade de que já saíra a reportagem da Revista do Expresso com ela! Espero que já a tenha visto. Fico à espera dessa entrevista!

  2. Olá Filipe. São uns Adidas Supernova Glide 4. Eu tenho quatro pares de ténis de running e vou altenando consoante o tipo de corrida, o piso, as distâncias. Uso mais os Asics Nimbus 14 para corridas muito longas (superiores a 25 km) – mas também os poderia ter usado na meia. As Supernova são muito confortáveis e perfeitas para ritmos mais baixos – como estava a pensar fazer uma corrida mais lenta, com passada mais suave, optei por estes. Os Nike Lunar Glide 4 são óptimos para treinar, corridas mais curtas, entre os 4 e os 8 km. Como vou alternando os ténis, todos eles duram-me muito mais tempo.

  3. A mim não me admira nada que uma senhora de 68 anos faça e ganhe maratonas. Nada tem a ver com a idade mas sim com o treino cardiovascular. Tb temos um outro corredor de 88 anos e que tem ganho maratonas atrás de maratonas de cento e tal kms no estrangeiro. Sorry nao me lembro do nome.

    Então não fizeste a de Lisboa à noite, aquilo foi um sobe e desce de escadarias. Não, não eu não a fiz estou com uma tendinite. Mas o meu marido está em todas.

  4. Well done! 🙂
    O teu relato acerca do treino com a tua mulher está demais! Estou mesmo a imaginar! Ahaha 😉
    Ficamos à espera da entrevista com a Analice aqui no blog!

  5. Chip nos ténis?
    Este ano estavam incorporados no dorsal e não se podiam tirar de lá…
    No final, não havia ninguém a recolhê-los, apesar de termos perguntado a N pessoas. Ninguém sabia de nada.
    Que creme é esse anti bolhas? Preciso dele como de água…

    Boas corridas!

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