Maratona de Madrid #01: faltam 3 dias…

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A Maratona de Paris foi a prova que mais gozo me deu correr até hoje — o percurso é lindo, o apoio do público é incrível

… e eu começo a ficar com aquele nervoso miudinho que costuma atacar os putos na noite de 24 de dezembro, antes de abrirem os presentes.

Pela primeira vez na vida, sinto que preparei decentemente uma maratona. Já corri cinco (uma de Sintra a Belém, duas maratonas de Lisboa, a maratona de Paris e a de Nova Iorque), mas em nenhuma delas estava particularmente confiante.Maratona 100 Amigos.jpgA minha primeira maratona, aqui ao lado dos meus amigos Daniel e Miguel, da OFFTEL RUNNERS 

A primeira foi a que me consumiu mais horas de treino, mas foi também a que me correu pior, precisamente porque cheguei à prova com excesso de horas nas pernas e muito pouco descanso, mas sobretudo porque não fazia ideia do que era correr uma maratona. Foi a primeira vez, a aprendizagem, e soube finalmente o que era o muro, o que era a sensação de exaustão total, de insuficiência de energia, ou seja, foi o momento em que me tornei maratonista e aprendi o que é enfrentar 42.195 metros e correr sem parar durante mais de quatro horas. Nas duas maratonas seguintes, em Lisboa, sabia que não estava em condições, mas corri o risco, atirei-me de cabeça, mesmo sem grande treino, até porque numa delas nem sequer tinha como objetivo chegar ao fim, queria apenas preparar a maratona de Nova Iorque, que ia correr um mês depois. Em Paris e Nova Iorque aconteceu-me mais ou menos o mesmo, ou seja, corri as provas numa altura da vida em que, por razões pessoais ou profissionais, não consegui cumprir um plano de treinos rigoroso. Fiz as provas muito mais com o coração e a cabeça do que com as pernas, e até consegui melhorar os tempos anteriores. Lá está, tinha a vantagem de conhecer a distância, as sensações por que se passa, os perigos que corremos, a intensidade que devemos colocar na prova.

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A Maratona de Lisboa, quando consegui baixar pela primeira vez das quatro horasMaratona Lx 421.jpg

Na minha segunda maratona, em Lisboa, não queria fazer tempo, apenas chegar ao fim, e consegui 

Agora é diferente. Para Madrid preparei-me a sério, sobretudo nas últimas oito semanas, em que fiz mais de 400 quilómetros. Cumpri com o plano de treinos, e tenho dado descanso ao corpo nesta última semana, para chegar à prova com as energias carregadas. Só que há uma diferença: pela primeira vez na vida, vou correr uma maratona com muito desnível, cheia de subidas e descidas. Nas cinco provas anteriores, o percurso foi sempre totalmente plano, ou seja, vou enfrentar um desafio novo. Não estou assustado, até porque treinei subidas, mas sinto-me ligeiramente ansioso.

Por muito que nas provas anteriores dissesse que tinha como objetivo único chegar ao fim, claro que há sempre aquele desejo secreto de melhorar a marca anterior, ou a nossa melhor marca. Tenho conseguido isso. Comecei com 4h21, depois 4h19, 4h04, 3h58 e 3h57. Desta vez, e embora o percurso seja mais exigente, vou ser muito mais ambicioso, e correr para um registo entre as 3h35 e 3h45, ou seja, quero retirar pelo menos 12 minutos à minha melhor marca, e acredito que se a prova me correr bem posso melhorar em 20 minutos o meu tempo de Nova Iorque. Espero, sinceramente, não estar aqui a escrever na segunda-feira para me lamentar por não ter conseguido alcançar o meu objetivo, mas vou lutar com todas as minhas forças para o conseguir.

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Correr a Maratona de Nova Iorque era um dos sonhos da minha vida e é, ainda hoje, o meu melhor registo: 3h57m20s

E qual vai ser a estratégia? Simples. Vou tentar fixar-me num ritmo de 4’55” até aos 35 quilómetros, sem oscilações. Quanto muito, admito que nas subidas possa cair para os 5’00” ou 5’05”, mas não mais do que isso, sendo que tentarei recuperar nas descidas, correndo a 4’45” ou 4’50”. Se conseguir isto, se não tiver quebras, conseguirei passar à meia-maratona (21 km) com um tempo a rondar a 1h40 e aos 35 em 2h50. Depois, sei que terei 40 a 45 minutos para fazer 7 quilómetros, o que me dá alguma tranquilidade, e me permite abrandar um pouco o ritmo, caso me sinta muito cansado. Ainda assim, não é essa a ideia. A ideia é sentir-me bem e puxar mais um pouco, queimar as reservas de glicogénio até ao último quilómetros e nunca abrandar. Vamos ver se terei força para isso.

Está quase. 

15 Comentários

  1. Não tenho por hábito comentar posts.. mas conheço bem essa sensação de conquista quando terminamos uma prova de corrida.
    A maior força e coragem, vai tudo correr optimamente – um km de cada vez 🙂 segunda-feira estaremos cá todos para celebrar!

  2. É efetivamente um livro incrível e muito inspirador para quem corre e escreve. Sim, é um dos meus objetivos para 2015: fazer uma ultra. Talvez não de 100 km, mas de 50/60. De qualquer forma, a 9 e 10 de Maio já vou ter uma espécie de ultra privativa, quando for de Lisboa a Fátima a correr. 🙂

  3. Arrumadinho, percebi porque o livro do Murakami (aquele sobre corridas) me fez pensar em ti. Escrevem da mesma forma sobre corridas, com calma e de forma honesta – sabem os vossos limites mas admitem o desejo de querer ultrapassá-los. Achei o livro muito interessante, fez-me ver uma perspectiva diferente dos corredores e a ligação que o Murakami faz do exercício com a escrita é muito interessante.

    Deixo-te uma questão, também pensas um dia correr uma ultramaratona?

  4. Atenção que a segunda parte da prova tem subidas bem acentuadas, principalmente a partir do km 27…boa sorte e aproveita o estímulo do público que é espectacular…tão bom ou melhor que em Paris.
    Abraço

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