Eu visto a camisola da Cofina

24
3784

Há dois anos passei por um dos momentos mais difíceis da minha carreira. O jornal onde estava a trabalhar fechou e o grupo para o qual trabalhava, a Contolinveste, detentora de títulos como o “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias” ou TSF, optou por negociar a minha saída, já que tinha um salário demasiado alto para permanecer noutra publicação.

Sinceramente, acho estas situações perfeitamente normais. Fiquei triste, claro, principalmente porque olhava para as redacções daqueles jornais e sabia que tinha qualidade e experiência para ocupar cargos de responsabilidade. Mas os responsáveis da Controlinveste não acharam isso.

Como acontece com o fecho de quase todas as empresas, iniciou-se um processo de rescisão colectiva com quase todos os funcionários. Na altura, decidi que não queria ficar agarrado ao subsídio de desemprego, queria trabalhar. E, infelizmente, em Portugal quem passa um recibo verde não pode receber o subsídio, como se uma prestação de serviços pontual significasse um rendimento permanente. Se ficasse com o subsídio não poderia trabalhar à peça para outras publicações, e teria de ficar parado até encontrar uma publicação que me oferecesse um contrato. Ainda assim, mantive a minha decisão: disse à empresa que queria sair no próprio dia, prescindindo do papel para o subsídio de desemprego, já que contava, no dia seguinte, estar a fazer contactos para trabalhar noutras publicações. E foi o que aconteceu.

Deixei a Controlinveste a 7 de Julho de 2010. Um dia antes, fui falar com um dos administradores do grupo, porque achei que não ficaria bem comigo se não lhe dissesse o que verdadeiramente sentia. E o que lhe disse foi que achava que a Controlinveste estava a seguir um caminho errado, que todas as publicações estavam a ter dificuldades em reinventar-se, em crescer nesta nova conjuntura, e que isso só seria ultrapassável com pessoas criativas, dinâmicas, de mente aberta, capacidade de liderança, abertas às novas formas de comunicação. Disse-lhe ainda que, ao longo dos anos, a Controlinveste foi perdendo essas pessoas. Teve-as e não as soube segurar, deixou-as fugir, não as valorizou, não as acarinhou. Naquele grupo, trabalhei com alguns dos melhores profissionais da comunicação do país. Hoje, quase nenhum anda por lá. Também lhe disse onde é que eles estavam: na Cofina, o maior rival da Controlinveste. Terminei a conversa a dizer-lhe que tinha a certeza de que daí a um ano seria lá, na Cofina, que eu estaria também. Ele agradeceu-me a frontalidade, concordou comigo em muitas coisas, falou-me das dificuldades que o grupo atravessava, e desejou-me toda a sorte. Amigos como dantes.

Hoje, estou na Cofina, o maior grupo de comunicação português, dono das publicações líderes em quase todos os segmentos. Hoje, sinto-me profissionalmente realizado, trabalho com pessoas que admiro, e sei que nas redacções ao lado, em frente, ao fundo do corredor estão outros grandes profissionais, jornalistas que dão tudo pelos jornais e revistas que lideram. É essa atitude que faz das publicações da Cofina as mais vendidas, as mais criativas, as mais cuidadas, as que têm mais notícias, melhores histórias.

Ontem à noite houve a gala de entrega de prémios da Comunicação e Marketing da Meios e Publicidade. A revista onde trabalho, a SÁBADO, foi eleita e melhor newsmagazine pelo terceiro ano consecutivo. O Jornal de Negócios ganhou o prémio de melhor jornal económico, o Record foi o melhor desportivo, a GQ a melhor publicação masculina, a Máxima a melhor publicação feminina e a TV Guia a melhor revista de televisão. O que é que estas publicações têm todas em comum? São da Cofina.

A taça é nossa: pelo terceiro ano consecutivo, a SÁBADO foi eleita e melhor newsmagazine

24 Comentários

  1. Meu caro Amigo, partilhamos experiencias semelhantes. Um em Portugal e outro (eu) em Angola… nao deixa de ser no minimo ironico e triste, reler o que foi escrito ha tanto tempo, com tempo de corrigir, aceitar os erros empresariais e reestruturar numa altura em que a dor da correccao seria menor, e ver que no amago da cultura empresarial nada mudou.
    Infelizmente, a cultura empresarial lusa nao e nem sera nos proximos anos uma referencia. Digo isto com um profundo suspiro de lamento e de alguma vergonha.
    As excepcoes, sao todos os Portugueses que de vontade, conhecimento e engenho continuam a lutar e a afirmarem-se em posicoes de responsabilidade e decisao por esse mundo fora.
    Nao tenho duvida que um dia regressarei ao Pais que me formou, mas esse dia esta tao longe quanto a incapacidade dos gestores despirem os egos e focalizarem-se no que realmente interessa: as empresas como organismo vivo e dinamico.
    Estamos juntos.
    Um forte abraco,
    Ricardo

  2. Tenho pena que este evento não tenha dado na TV! Segui pelo facebook, e mais tarde (já no final) vi que estava a dar em directo numa página… 🙁

    Achei os prémios merecidos!!

    Parabéns! 🙂

  3. O Arrumadinho, noutra caixa de comentários:

    "Gente, será possível darem a vossa opinião sem terem de atacar os outros, chamar estúpidos aos outros"

    O Arrumadinho nesta caixa de comentários:

    "Há gente muito burrinha, valha-me deus."

    Parabéns à Sábado.
    Não sei se o Correio da Manhã ganhou alguma coisa; é marcadamente muito mais popular que os jornais da concorrência, mas não deixa também de ser um jornal muito bem feito.

  4. Parabéns! A Cofina é de facto o lider de comunicação em Portugal! O meu marido também trabalha numa empresa do grupo, noutra área, uma vez que o grupo de vez em quando lança OPAs sobre empresas de outros ramos e ganha. A ideia que tenho é que a Cofina é sobretudo RIGOR e EVOLUÇÃO, sempre com objectivos muito ambiciosos. Que continue a crescer para o bem dos seus muitos trabalhadores !

    http://ohpinturas.blogspot.com

  5. Sou fã da Sábado, acho que realmente é a melhor dentro do seu mercado. A Controlinveste perdeu força, mas o DN e a TSF são referências incontornáveis.

  6. Parabéns pelos prémios e pela coragem e determinação em seguir o seu caminho, sem derrotismos….
    Não tiro o mérito à Sábado… mas gosto mais da Visão, da qual sou assinante…

  7. este tipo de situações repete-se muitas vezes, infelizmente. seja na imprensa, seja em outros ramos. há uma nova administração que começa por "deitar fora " antigos funcionários só porque recebem um bom salário, pois não há qualquer outra razão para isso.
    encaminham para a saída a prata da casa, sem estudarem bem e sem qualquer rigor e é só para mostrarem serviço rapidamente…depois arrependem-se.
    sou leitor diário do "público" e ao fim de semana gosto de ver o "expresso", também ouço a TSF, mas nunca gostei muito de "DN" e "JN", apesar de serem titulos de referência em Portugal..a continuarem assim a extinção está próxima.
    bem haja o teu post, arrumadinho, pode ser que abra os olhos a muita gente (àqueles que querem ser administradores, aos meninos dos escritórios de advogados e da mckinseys e afins, que pensam que um pdf serve para todas as empresas) e as coisas melhorem…

  8. Tenho pena da Controlinveste, mais pelo DN, que desde cedo me habituei (pelo meu pai) a ver lá o jornal em casa e aos poucos comecei a le-lo e a descobrir um grande jornal e ao fim duns anos foi perdendo qualidade, se calhar pelo aquilo que referiu. O CM apesar da tirada diária, de vez em quando leio-o mas não confundamos entretenimento com informação e apesar de alguma coisa boa se ir lendo, grande parte não interessa é pena…
    Parabéns por ter conseguido vencer, mas nem todos conseguem ter essas capacidades que tem e terão mais dificuldades quando encontarrem a mesma realidade…

    Abraço

  9. Parabéns pela tua atitude, pela tua frontalidade, pelo teu dinamismo e proactividade, pela capacidade de dar a volta por cima e por teres feito a escolha certa que te permitiu sentires realizado!
    Admiro pessoas como tu! 🙂
    Abraço

  10. Que continue assim…Parabéns a todos. É um prazer podermos ter tantos e tão bons profissionais a trabalhar nas melhores edições nacionais. A Sabado sem dúvida tem o merecido prémio. Nem podia ser de outra forma. 🙂

DEIXE UMA RESPOSTA