Eu e o Body Combat

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Hoje voltei a fazer uma aula de Body Combat, coisa que não acontecia aí desde 2010. E foi bom, de certa forma nostálgico, mas bom.

E como é que nostalgia e Body Combat cabem na mesma frase? Eu explico.

Aí por volta do ano 2000, quando era aluno do ginásio Mega Craque, em Telheiras, entrei pela primeira vez num estúdio apinhado de gente toda artilhada com fitas na cabeça, ligaduras nas mãos, calças camufladas e 30 por uma linha. Não sabia muito bem ao que ia, mas toda a gente dizia que aquilo era muito divertido e uma óptima forma de fazer exercício. Arrisquei. Fiquei mais cá para trás, no meio da molhada, o que não me permitiu muito bem ver o professor, e o que atrapalhou um pouco o processo de aprendizagem da coisa. Lá andei durante uma hora aos saltos de um lado para o outro, aos murros no ar, completamente descoordenado e fora do ritmo. Mas achei aquilo giro e fiquei com curiosidade de experimentar outra aula, mas talvez uma menos concorrida, que me permitisse ver melhor o que tinha de fazer. Voltei a um sábado de manhã, mas uma vez mais o estúdio estava cheio. Não me importei. E continuei a ir, e a ir e a ir.

Uns meses mais tarde, eu próprio já fazia parte do grupo de cromos do Combat, com ligaduras, com coreografias decoradas na ponta dos dedos das mãos e dos pés, e com lugar reservado nas filas da frente. A coisa tornou-se viciante ao ponto de dar por mim a treinar as coreografias sozinho quando os estúdios estavam vazios, a treinar os movimentos, a apurar a técnica.

Na altura, desenvolvi também uma relação muito próxima com os dois principais instrutores, o magnífico Ivens Kucharsky, ainda hoje um craque do fitness em Portugal, e o Zé Henriques, que se ocupava das manhãs de sábado, e que nos punha a suar durante três horas, com uma aulas de Pump, outra de Combat e uma de Attack, todas de seguida.

Aos poucos, foi-se formando um pequeno grupo de amigos, de sete ou oito pessoas, que começaram a viver todo este ambiente com grande intensidade. O Ivens e o Zé Henriques davam aulas num outro ginásio, o Cyber Gym, em Santa Iria, e sempre que havia lançamentos de novas coreografias lá ia o grupo de Lisboa até lá para participar da festa.

Com os instrutores, fui apurando ao máximo a técnica, até que surgiu uma oportunidade de trabalho ao Ivens na zona de Gondomar, e ele teve de sair de Lisboa. Foi então que me desafiou a fazer a formação de instrutor de Body Combat, por forma a herdar a turma dele no Cyber Gym. Aquilo pareceu-me um sonho, mas ao mesmo tempo uma responsabilidade do caraças, já que ia ficar com uma turma que estava nas mãos de um dos maiores instrutores do País. Lá fui fazer a formação, consegui o certificado e comecei a dar aulas. Isto foi por volta de Janeiro ou Fevereiro de 2002.

Durante quatro anos, fui instrutor em part-time em vários ginásios, como o Holmes Place, o Cyber Gym, o Infante Sagres, e dei substituições em muitos outros, como o Ginásio Clube Português, o Mega Craque ou o Clube VII. Foi uma fase engraçada, em que vivia quase como se tivesse duas identidades: o jornalista mais formal, dedicado à escrita e às reportagens, e o instrutor de Body Combat, muito mais extrovertido e apalhaçado. A verdade é que a experiência que tive a dar aulas ajudou-me muito na minha profissão. Perdi totalmente o medo de falar para públicos (hoje, em televisão, por exemplo, não me sinto minimamente nervoso), tornei-me mais extrovertido, melhor comunicador, e desenvolvi uma capacidade de concentração maior. Ainda hoje, sei que muito destas capacidades vieram dessa fase da minha vida.

Em 2006, e após quatro anos intensos, em que tive a oportunidade de estar na sede das Les Mills (a empresa que inventou o Combat) em Auckland, na Nova Zelândia, e fazer uma aula com mais de 100 pessoas, em que conheci imensa gente interessante, fui obrigado a pendurar as ligaduras. Passei a assumir uma posição de chefia no jornal, que me impediu de continuar a ter estas duas vidas. Tive de optar por uma, e dediquei-me em absoluto à profissão. No entando, o bichinho ficou, mas a transição de professor para aluno foi complicada. Não gostava de ir às aulas dos colegas, porque tinha receio de que eles se sentissem incomodados, e, então, optei por deixar o Combat e passar a fazer outras coisas. Mudei de ginásio, e fui para um que não tinha as modalidades de Body Training System (os Body Combats, Body Pumps, Body Attacks, etc), e isso ajudou a este luto.

Três anos depois, voltei a mudar de ginásio, e fiz, novamente, uma aula de Combat. Foi engraçado, mas achei que havia ali qualquer coisa que se perdera nesta nossa relação que já fora tão intensa. Não mais tirei as ligaduras da caixa onde ainda hoje as guardo. Até esta manhã. Decidi ir treinar ao Clube VII, onde agora sou sócio, e fui fazer a aula de Combat das 13h. E foi bom, muito bom mesmo. Não sei se foi o mix de faixas que estava bem construído, se foi das saudades que sentia, mas gostei bastante deste regresso. E, agora, será para continuar.

21 Comentários

  1. Boa tarde,

    Gostaria de ser instrutora de Body Attack mas nunca tirei nenhum curso de desporto. Uma vez que se encontrou na mesma situação, queria-lhe perguntar o que teve de fazer para isso.

    Muito Obrigada

  2. Tive o prazer de ter-te como meu instrutor no Cyber Gym. Após uma aula, fiquei completamente viciada e já não queria outra coisa. Quando saíste as aulas perderam aquela adrenalina toda e perderam qualidade. Um pouco depois acabei por sair e desde então que não voltei a entrar num ginásio. Guardo ainda um convite que me deste para ir ao Holmes Place fazer uma aula, mas na altura não deu para ir e passou.
    Permanecem as ganas de voltar a fazer bodycombat. De vez em quando ainda oiço algumas músicas do 17 e 18 e recordo alguns momentos.
    Talvez em breve volte a fazer uma aula, quem sabe. 🙂
    Tudo de bom!

  3. Não guarde as ligaduras e sinta arrepios na master de BODYCOMBAT na Convenção de Aveiro, em Novembro.

    Este ano contamos com a presença do Diretor de Programa do BODYCOMBAT – Dan Cohen.

    A Manz oferece-lhe o Livre de Trânsito de acesso à convenção e convida todos os interessados a participarem na master de BODYCOMBAT – 24.11 às 16:15.

    Mais informações em http://bit.ly/H55l4g

  4. E eu lembro-me tão bem das tuas aulas! E do dia em que anunciaste que ias deixar de dar BC numa aula no HP da Defensores de Chaves!
    Bons tempos.

  5. Adorava poder frequentar o clube VII! Já lá estive uma vez para conhecer as instalações e fiquei impressionada. Há uns oito anos andei no Holmes (durante dois anos) e fazia combat.. Agora que voltei a ler este post, fiquei a pensar no bem que aquilo me fazia! Também gostava imenso! Infelizmente aulas de qualidade e em sítios bons, neste momento são caras para o meu bolso! E estou tão preguiçosa para me pôr a ir correr para a rua!

  6. Tão engraçado,a sério ?! acompanho o blog e sabendo que é desportista, não o imaginava a dar aulas de Combat. Começei a frequentar o ginásio em Março deste ano e Combat é a minha aula favorita 🙂

  7. Também fiz Combat durante uns anos até que uma lesão me traiu e nunca mais fiz nenhuma aula. Já lá vão uns 5 anos.
    Tenho andado numa de “vou/não vou” no regresso ao Combat, mas tenho sempre o receio da lesão voltar a dar de si.
    Acho que depois deste testemunho, vou regressar e já amanhã. 🙂

  8. O estilo de vida saudavel e pratica de exercicio fisico que descreve aqui no blog sao realmente inspiradores, ate da aquela vontade de saltar da cadeira ou acordar mais cedo uma hora para mexer um bocado o corpo. Continue a partilha das suas actividades fisicas que a malta agradece! Bons Treinos

  9. Comecei a fazer Body Combat à pouco tempo e é tão bom. A minha relação com o desporto é do género “Quero fazer mas não me quero cansar” agora com as aulas tenho muito mais vontade de treinar!

  10. Só passei para dizer que frequento o ginásio, em Gondomar, onde o Ivens dá aulas e, sem dúvidas, que as aulas dele fantásticas! Além da simpatia e boa disposição, que os dá uma força extra!
    Body Combat é uma das favoritas 🙂

  11. Fazer uma aula com o Ivens (que felizmente veio para o Norte e aqui ficou) é um prazer de que não prescindo meia dúzia de vezes por ano. Nunca estive num ginásio onde ele fosse instrutor, mas há já uns sete ou oito anos que o sigo, tipo stalker, para matar saudades de um instrutor de Combat de topo, que alia a técnica irrepreensível a um humor fabuloso. 🙂

  12. Ainda ontem voltei a uma aula de Combat.. aos anos!! E não consigo entender-me com aquilo! Não me considero descoordenada, até consigo acompanhar os movimentos, mas sinto sempre que aquilo não tem piada nenhuma. Não há maneira de me entender com aquilo :/

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