E tu, aguentavas um selo nas trombas Ulrich?

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Não era fácil, não era mesmo, mas ele conseguiu.

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, ultrapassou Alberto João Jardim e Pinto da Costa na minha lista de figuras nacionais mais odiosas.

Depois de ter anunciado lucros de 250 milhões de euros, o senhor resolveu falar do País. E sempre que ele fala do país diz asneira. É o caso típico do homem que não tem noção do País onde vive, que não deve sair à rua, que deve levar uma vida numa redoma milionária que lhe impede de ter dois palmos de visão. Recordo que há uns meses, Ulrich também resolveu falar sobre o País, para dizer que aguentávamos perfeitamente mais austeridade. Uns tempos depois, teve outra ideia brilhante para o País: colocar as pessoas que recebem subsídio de desemprego a trabalhar no BPI, à borla, em vez de ficarem no sofá a ver televisão. Agora, e como não há duas asneiras sem três, saiu-se com a maior das pérolas: “Se os sem-abrigo aguentam (a crise) porque é que nós não aguentamos?”.

Quando li esta frase, não quis acreditar que ele pudesse estar a dizer isto. Mesmo tratando-se de uma figura patética como o Ulrich. Achei que a frase tinha de estar descontextualizada, porque uma barbaridade destas não pode ser dita – não pode, simplesmente. Fui ler a notícia ao site do Expresso. E lá está. Podem ver aqui. Preto no branco. “Se aquelas pessoas que nós vemos ali na rua, naquela situação, e a sofrer tanto, aguentam, porque é que nós não aguentamos?”. Mas há mais. Ele diz também que ser um sem-abrigo é uma coisa que pode acontecer a qualquer pessoa, inclusive a ele. Inspirar. Expirar. Calma, calma.

O senhor Ulrich não compreende o significado de “aguentar”. E não sabe a diferença entre viver e sobreviver. Ele acha mesmo que um sem-abrigo aguenta? Mas aguentar é o quê? É não morrer? Pois, para ele só pode ser isso. E o simples facto de não se morrer significa que nos estamos a aguentar? E onde é que está a dignidade no meio disto? A humanidade? Como é que alguém tem a lata de enaltecer quem consegue não morrer à fome no dia em que apresenta lucros de 250 milhões, muitos deles à custa de juros elevadíssimos cobrados a pessoas que deixaram de ter condições de os pagar e, se calhar, acabaram na rua, perderam casas, bens que andavam a comprar a prestações há anos. Mas, para Ulrich, essas pessoas aguentaram. Mesmo que sejam indigentes. Aguentaram.

Tenho a certeza que se desse um murro na cara e partisse os dentes a este senhor ele também aguentaria. Não morria, pois não? Então qual seria o mal disso?

1 Comentário

  1. Esse Sr. Ulrich só proferiu a opinião de todos os que o rodeiam nesse mundo afastado da realidade do país.
    Disse muita asneira, mas como ele há muitos como dirigentes do governo. Mas este teve a infelicidade de proferir as conversas de bastidores em frente aos jornalistas!!!

  2. Exactamente por ter sido proferida por quem foi há esse tipo de reacção. Aproveitar as suas capacidades? Mas se o BPI teve de recorrer ao empréstimos concedidos pelo Banco de Portugal, a juros que nunca nenhum comum mortal alguma vez sonhará ter…
    As pessoas têm de ter noção do lugar que ocupam na esfera da vida pública e pautarem as suas declarações públicas por essa consciência. Não me parece correcto que uma pessoa como o Senhor Ulrich, dada a sua posição social e económica, utilize um exemplo tão desfasado da sua vivência diária. Porque não acredito que ele alguma vez tenha sequer falado com um indigente, ou que tenha olhado para ele com mais do que repugnancia e nojo. E é por isso que acho repugnante as palavras desse senhor.

  3. Fez muito bem em denunciar este miserável.

    Ao contrário que esse escroque pensa, as pessoas sem abrigo não "aguentam" mas SOFREM, o que é completamente diferente.Sofrem com a solidão, o maior dos sofrimentos, com a fome, o frio, o desprezo, o abandono dos familiares, com o desespero, o verem janelas iluminadas onde imaginam familias felizes, tudo o que não têm, tudo o que perderam e tudo o que sonham.

    Eu sabia que os milhões tornam esses ulriches insensíveis: os milhões só os fazem sonhar com outros milhões. Não sabia era que esses ulriches se permitem a arrgância e a soberba de utilizar pessoas tão carentes e tão infelizes como exemplo da sua visão "macroeconómica" , como esses. filhos da outra gostam de se referir à vida.

    Também a mim me apetece dar-lhe um grande murro nas trombas e ouvi-lo grunhir:

    -Ai aguento, aguento

    Grande cabr**.

  4. Anónimo…identifique-se!!!…só assim conseguiríamos perceber as suas palavras, porque as dele só entenderia, se ele sobrevivesse um mês com o ordenado mínimo nacional, já para não pedir para sobreviver na rua ao frio e à fome.

  5. "Se os sem-abrigo aguentam (a crise) porque é que nós não aguentamos?"
    Na minha óptica temos aqui o caso clássico de uma visão de mundo que diverge radicalmente daquela, comum, a que nos habituamos e que nos leva a pegar na forquilha e a gritar -Mata! Mata! cada vez que são expressas opiniões que são interpretadas à luz de quem as diz, mais do que à luz do que querem dizer. Se puséssemos estas mesmas palavras na boca de um membro de uma qualquer Associação de Apoio Social ( desde que não fosse a Jonet, claro) ou da Igreja, conseguiríamos encontrar nela, uma força e uma mensagem de esperança. Note-se que não estou a defender o cavalheiro U. nem a Sra. J. Mas choca-me que as pessoas não parem para pensar 5 min. no que é dito e saltem de imediato para uma acção programada, e aqui é que me vão saltar em cima, que origina e replica atitudes de mentalidades pobres. Porque é isso que somos, que fizeram de nós e continuam a fazer. Pessoas de mentalidade pobre. Se assim não fosse, parávamos um bocadinho para pensar porque é que o Sr. U. diz aquilo e diz mais, que ser sem-abrigo é uma possibilidade que até a ele o assiste ( oh! heresia). E porquê? Porque ele é uma pessoa exactamente igual a mim, a vocês e a um sem-abrigo, com a diferença ( enorme!) que ele sabe aproveitar as suas capacidades, disponibilidades e recursos para percorrer o caminho que pretende. E isso está ao alcance de todos e cada um de nós, logo queiramos. Se houvesse mais pessoas assim ricas( muitas mais), talvez não nos andássemos a queixar do que ele disse, porque andaríamos ocupados a construir um mundo melhor para cada um de nós, porque se o fizermos por nós, estamos a fazer por todos.

  6. Já li por aqui perguntas a perguntarem sobre a existência ou não da liberdade de expressão – se a de que Fernando Ulrich a podia utilizar ou não.

    É evidente que pode. Fernando Ulrich pode dizer o que quiser. Estamos num país livre.

    Mas também é verdade que Fernando Ulrich deve aceitar as consequências lógicas das suas palavras: ou seja, a criação de uma imagem cada vez mais negativa da sua pessoa, e, consequentemente, do banco que representa.

    Eu próprio julgava (oh, como são doces as ilusões!) de que gente como Ulrich estaria dotada de mais inteligência, e acima de tudo, de bom senso. Mas enganei-me. E com isso, perde ele próprio, perde o banco, e perde o Porto e perde o País.

    Julgava eu que ele tinha aprendido alguma coisa com o caso "Pêpa" Xavier. Essa menina foi linchada nas redes sociais por muito menos. Aliás, julgava eu que alguém lhe tivesse chamado a atenção para esse facto… mas parece que não.

    Será que ninguém lhe ensinou que nos tempos actuais, aaber do que se fala, como se fala e com quem se fala é cada vez mais importante?

  7. Estes senhores são tão letrados e não sabem o mais elementar, o significado de "Democracia" e os seu conceitos mais básicos!!!!!Podemos aconselhá-lo a ler alguns filósofos da antiguidade clássica, com discursos feitos há 25 séculos e com uma actualidade e modernidade que ficam a anos luz deste senhores que dizem nos governar!

  8. Filho da p*!
    Alguem já leu o artigo do expresso 'A Islândia não aguentou' ? Explica muito bem tudo o que aconteceu, os islandeses não acataram a ordem de pagar dividas de bancos, como nós… Bateram o pé, agora o tribunal deu-lhe razão. Os bancos são privados, eles têm os lucro, eles que aguentem também os prejuízos!

  9. Então se não quer protoagonismo que se cale. Dos presidentes dos bancos portugueses parece-me que só ele é que tem proferido estas pérolas.

  10. Quando ouvi nas notícias as babaridades ditas por este Sr. que não faz a mínima ideia do que é "aguentar" com salarios minimos, tomei uma atitude que acho que todos deveriam tomar. Fui ao dito banco e fechei lá a minha conta….
    De mim não leva nem mais um tostão….
    "Aguente-se" Sr. Ulrich….

  11. Para mim, a palavra banqueiro tinha há muitos anos a conotação de provecta idade, sabedoria, contenção, fleugma, uma certa magnanimidade, enfim, um ser humano não abjecto.
    Estes de agora podem ser tudo, mas não são banqueiros. Serão abjectos, ou deslocados da sociedade onde vivem.
    Ou como se diz, não estão a ver o filme.

  12. Eu dou uma ideia das boas ao presidente do bpi.
    Caro senhor se aguenta está a tempo e mais do que na altura certa de fazer algo que lhe limpe a imagem de otário e burro e sei lá mais o quê. Dê toda a sua fortuna e vá viver para debaixo da ponte, ou viva com o ordenado minimo e a sopa dos pobres, e depois diga-me da sua opinião. Um tipo que lucra com a desgraça dos outros é um palhaço, e ainda por cima se gaba.

  13. O que ele quis dizer foi: "Não sejamos calimeros porque há pessoas em situações bem pior do que nós". Só não entendeu quem não quis.

  14. É admirável a falta de respeito que as pessoas têm pela liberdade de expressão. Quando ouvem algo de que não gostam a solução é partir a cara do seu interlocutor. Sim senhor, temos povo.

  15. Um murro nas trombas não era o melhor…
    Se eu pudesse perguntava-lhe se ele queria trocar a vida que ele leva, pela minha, só durante uma semana.
    Para ele ver se aguentava…. não ir ao médico (da caixa) porque não há dinheiro para o transporte, nem depois para comprar os remédios, comer só pão, porque não há queijo cá em casa, nem manteiga , nem marmelada…nada.Não há fruta porque é cara, há sopa ás vezes, peixe e carne isso é um luxo inalcançável….está frio porque a luz é cara, não se sai de casa para não gastar(o que não há) espera-se sentada que o tempo passe e pensa-se demais… Isto é vida sem dignidade,é velhice solitária, sem conforto (o mínimo para um ser humano) e aguenta-se……. até que acabe…..esperando que ele se cale, ganhe juizo, desça ao mundo real e que se cale….que se cale…. e não ofenda aqules de quem desconhece totalmente a vida que levam.

  16. Mais uma vez não entendo os vossos comentários. Qual foi a parte que o Dr. Ulrich disse que não perceberam? Ele fez uma comparação com a Grécia e perguntou se afinal não somos todos iguais. Não denoto nas suas palavras qualquer ironia ou falta de respeito pelo próximo.

  17. Estas coisas deixam-me possuída!!! Mesmo. Mexem-me com os nervos e com as entranhas e dá-me vontade de esmurrar violentamente os responsáveis por esta minha fúria (e eu sou uma gaja muito pacífica). Questiono-me se o homem é anormal ou imbecil. Em alguma categoria tem de estar. Alguém o devia de obrigar a dormir na rua este inverno. Nojento!
    Isto tudo para dizer: partilho do mesmo sentimento que tu em relação a esta… coisa andante!

  18. Prometi a mim própria que iria tentar desligar-me um pouco, pelo menos por meia dúzia de dias, de tanta notícia deprimente que nos puxa cada vez mais para o fundo. Ainda que não consiga passar sem notícias. Não pretendo com esta atitude viver numa redoma e abstrair-me de tudo o que se passa ao meu redor. Tal coisa seria impossível. Mas quero fazê-lo de forma a preservar alguma sanidade mental, que, acho, ainda possuo.

    A verdade é que ouvi esta notícia hoje enquanto almoçava, e o meu único pensamento foi: não entres naquela do "primeiro estranha-se e depois entranha-se". É que com a quantidade de disparates por metro quadrado que temos ouvido ultimamente (a coisa pode de repente parecer "normal") este parece-me um bom candidato a levar para casa o globo de ouro.

    Só o simples facto de imaginar o que será dormir na rua nos dias mais frios de inverno, é simplesmente aterrador. Gente em posições de destaque, como é o caso deste senhor, deveria ser taxada sem dó nem piedade consoante a parvoíce que vai saindo.

    Uma coisa é dizer disparates num blog quase inexistente como é o que possuo. Posso dizer os disparates que bem entendo. Outra, é gente influente, que tem tempo de antena, e desperdiça momentos preciosos para chamar descaradamente estúpidos à maior parte da população.

  19. Mais uma prova que as pessoas gostam muito de falar do que não sabem. Sim, porque este senhor não sabe o que é viver com o dinheiro contado ou mesmo sem dinheiro. Isto é discurso de quem tem a "barriga" cheia.

  20. Não pretendo aqui desculpar quem quer que seja. No entanto o homem está farto de dizer que não é um político e acho também que não quer excessos de protagonismos. Quem não aceita esta posição de bom agrado são os jornalistas. Acho que o que ele disse apenas tem como justificação a demonstração dos factos atrás referidos e assim sendo que deixem o homem trabalhar em paz e deixá-lo fazer aquilo que ele bem sabe fazer.

  21. Eu acho que dar-lhe um murro e partir-lhe os dentes e dizer-lhe aguenta é uma excelente resposta a uma barbaridade destas!
    Como é que alguém pode dizer tal coisa!
    Este mundo está mesmo perdido… já não há vergonha!

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