Dias de romance

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E não é que um fim-de-semana fechado no escritório passou tão depressa como aqueles em que andamos por aí a passear e a fazer vida de praia-restaurante-esplanada? Achava que não, que, como ia estar em casa, o relógio seria mais preguiçoso, e que, assim, o tempo dar-me-ia para tudo o que queria. Não. Ainda me pareceu mais apertado.

A parte mais complicada de escrever um romance é mesmo a de não nos conformarmos com a primeira solução que nos vem à cabeça. Foi o que estive a fazer nos últimos dois dias a tempo inteiro, e é o que ando a fazer há quase uma semana. A história não avançou, mas ficou mais forte, houve pontos que encontraram uma ligação no futuro, personagens que se tornaram mais sólidas, diálogos mais incisivos, acções mais justificadas.

Escrever é uma arte que dá trabalho, mas que nos embala, que nos faz sair dos limites, que entusiasma. Reescrever é trazer os pés de volta à terra, amansar o criativo, é pôr tudo em causa. É mais chato, parece que é tempo que se perde e que poderia estar a ser aproveitado para criar, mas, no fim, acredito que valerá a pena.

1 Comentário

  1. Escrever e pintar é daquelas sensações únicas. Esquecemo-nos de tudo o que nos rodeia. De comer, de dormir e até de respirar. E numa fase mais critica, até da pessoa que está ao nosso lado…
    Admiro gente que escreve bem. Admiro gente que pinta como ninguém.
    Eu pela minha parte apenas me divirto, e deito cá para fora coisas que se forem guardadas me poderiam intoxicar por dentro.

  2. Um romance, venha ele então, acabei de ler Homens, solteiros e casados (os homens também podem ler, não podem) e adorei e a patroa também.
    Era só risos e hã! afinal é normal…
    Obrigado

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