Desemprego

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O desemprego é uma realidade tão presente e tão próxima como nunca antes havia sentido. À minha volta há cada vez mais gente sem trabalho, ou com a cabeça no cepo, com essa nuvem preta a pairar-lhe por cima. A comunicação social portuguesa vive dias difíceis, os jornais e as revistas vendem cada vez menos, fecham publicações, eliminam-se editorias, acabam-se suplementos, despedem-se cada vez mais pessoas, não se renovam contratos. E depois não nascem projectos novos, sustentados, e que demonstrem viabilidade financeira.

São cada vez menos os jornalistas no quadro das empresas, cada vez mais os desempregados e free-lancers. Acredito que por cada quatro ou cinco pessoas sem talento, há uma ou duas que são excelentes profissionais e que perderam a oportunidade de o continuar a demonstrar. Nesta profissão, nem sempre interessa que se seja bom – esse é apenas um dos fatores que pesam na balança. Na actual conjuntura, interessa mais saber quanto é que a pessoa ganhar e quanto é que terá de receber de indemnização caso tenha de ser despedida. Depois, interessa saber se a pessoa é alinhada ou desalinhada. Se é “dos nossos” ou “dos outros”. E só depois vem o talento, a criatividade, o pensar “out of the box”.

O que se ignora é que são essas pessoas que dão golpes de asa, que mudam as coisas, que produzem conteúdos diferenciadores, inovadores, criativos, que interessam às pessoas, que chamam pessoas, que dão identidade às publicações. Os jornalistas gostam de justificar a crise do setor com o crescimento do online, com os gratuitos, com a proliferação de informação a toda a hora, em todo o lado. Deixámo-nos derrotar pela informação branca, achámos que é ela que as pessoas procuram, e, por isso, tentamos produzir cada vez mais informação igual à dos outros, mas mais depressa, com menos critérios, desde que seja a primeira a entrar online, desde que dê para compor uma capa, desde que dê para abrir um noticiário de rádio ou televisão, não querendo saber se essa mesma história já está queimada, esgotada. Ser criativo dá trabalho, dá muito mais trabalho do que fazer mais do mesmo. E, também por isso, os criativos, os elementos diferenciadores, os profissionais com capacidade para inovar e pensar diferente, deviam ser uma prioridade para as empresas, porque são eles que podem ir ao encontro do futuro.

Infelizmente, a balança é injusta como o caraças e quando chega a hora dos despedimentos são todos pesados pela mesma medida, a medida do salário. Ganha mais, está na linha da frente para ir embora. É assim que as coisas são hoje, e acho que é também isso que explica alguma coisa da falência da imprensa. Mas atenção, não basta pensar diferente, e fazer diferente. É preciso pensar diferente e agir em consciência, com os pés na terra, para não se entrar em loucuras editoriais que, naturalmente, vão acabar mal. Eu posso tentar reunir os maiores génios do jornalismo numa publicação, mas para isso tenho de lhes pagar uma fortuna, e, como é óbvio, não vou conseguir o retorno do investimento no imediato, nem daí a um ou dois anos. É preciso ser criativo, pensar “out of the box”, mas também é essencial ser inteligente nas opções que se toma. E acho que é desse equilíbrio na forma de pensar que o sector precisa.

Este é um desabafo solidário para com todos os bons profissionais que estão no desemprego, ou que podem vir a estar, ou que estão no risco de ficar sem trabalho, apenas porque ganhavam muito, ou porque não tiveram oportunidade de mostrar o seu valor por razões financeiras. A todos, só posso dizer o que penso para mim, o que já disse a muita gente, e o que quero acreditar que é verdade: a hora dos bons chega sempre. E a vossa vai chegar, seja daqui a um mês ou a um ano. Mas vão voltar a estar lá em cima.

1 Comentário

  1. Olá. Acho as tuas palavras bastante sensatas e caracterizadoras de uma realidade que muitos de nós, demasiados até, conhecemos.
    Sermos dispensados como se fôssemos uma simples folha de papel que vai para o lixo, apenas e exclusivamente por razões económicas é frustrante, porque mesmo não sendo o teu trabalho, o teu profissionalismo, o teu talento que está em causa, acabas sempre por germinar uma pequena dúvida acerca de ti próprio: será que o defeito é meu? E não, não é. E hoje eu compreendo isto. Compreendo que cometo erros, que tenho muito que aprender, mas também tenho a humildade de assumir que sou boa naquilo que faço e é o empregador quem fica a perder.
    Já passei por alguns locais de trabalho na área da comunicação, quer enquanto jornalista, quer enquanto assessora, mas sempre a prazo. E no final há lágrimas, e gritos de guerra quanto à injustiça, mas é assim a realidade empresarial de hoje. Quem está no topo não quer saber de quem está cá em baixo e luta para que o projecto resulte e tenha sucesso. Somos mais um € ao invés de pessoas. Além disso, a crise é a desculpa, esfarrapada, para tudo! Estão em lay off? É a crise. Foi despedido? É a crise. Têm salários em atraso? É a crise. A crise, a crise, a crise… É um excelente bode expiatório para decisões rápidas é certo, mas nada justas nem racionais.

  2. Olá Arrumadinho!
    Aqui vai mais um testemunho. Acabei a minha licenciatura em 2007, Enfermagem. Na altura as coisas já estavam complicadas. Estive 10 meses a trabalhar num restaurante até que consegui um contrato. Entrei para o chamado sector público.Ao fim de 4 anos cá continuo. Abrem concursos, que não vão a lado nenhum, desde a altura que entrei só tem entrado colegas que já pertencem aos quadros em acumulação. Elementos novos?? Nem pensar. Não há autorização. Claro que é preferível pagar o mesmo a alguém por 18 horas, mas que é do quadro, do que dar emprego a um recém licenciado a 35 horas… vejo estas injustiças todos os dias. Trabalho longe de casa. Tive que arrendar casa para viver etc etc… O governo mandamos ir embora… ás vezes é o que me apetece… mas bolas.Também acho que devo lutar por um estado melhor. Quando me dizem:" ah tu tas bem…trabalhas para o estado e tal" eh pá fico chateada. O tempo de se trabalhar para o estado até ao fim da fim com regalias e tal não é o meu. Eu estou no fim da escala. Sem vinculo. As horas extra que faço a partir de agora, devem render para aí 2 euros á hora…Mas cá contínuo, sem desistir. É justo? acho que não.Recentemente, o meu pai perdeu o emprego. Mas não desistiu. aos 57 anos está numa fábrica, a fazer turnos com trabalho pesado. É diabético, hipertenso e mais outras tantas coisas. Mas que se pode fazer?? Não somos ricos. No inicio do ano ficou a minha mãe desempregada. O meu irmão que estuda á noite e trabalha durante o dia tb ficou sem emprego. E é o pais que temos. Mas eu sou das persistentes. Espero daqui a uns anos olhar para trás e ver que conseguimos ultrapassar isto… ah…também sou sonhadora 🙂

  3. Querido Arrumadinho, venho aqui tão somente e só, para pedir que nunca deixes de partilhar as coisas boas que vais tendo, como viagens, roupas, carros o que fôr… para mim que não o posso fazer, é um alento e uma alegria poder ver e vivenciar por momentos, aquilo que outros podem ter… e até fico feliz por haver quem o possa fazer… não me causa nenhum sentimento negativo nem nada que se pareça…
    Que gentinha ruim, cheia de maus sentimentos e invejites maliciosas… isso sim é de lamentar….
    Sou totalmente de acordo que cada um deve fazer a vida de acordo com o que ganha ou pode… que bom que há quem tenha carros de 200.000€ e eu só tenho de 9.000€, ou nem tenha carro… mas ficar infeliz por ver quem tem…porquê????

    Get a life para esta gentinha pobrezinha… mas de espirito…

    Obrigada pelas partilhas!

    bj a "M"

  4. Ajudem-nos a salvar a lingua portuguesa na Euronews! Querem mandar 30 jornalistas para o desemprego…

    Porque és jornalista creio k sejas sensivel a esta causa…
    1.8 milhões por ano, contra ordenados de 30.000 € mensais de catarinas furtados, malatos, baião e companhia lda… é um bocado injusto ou não…?

    Obrigada
    Sofia

    http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=eunewspt

  5. Obrigado Miss G! É que eu estou desempregado e nunca na vida as fotografias de uma esplanada me ofenderam, aliás, desempregado até posso aproveitar mais o sol (ja q de manha e de noite estou smp a enviar cv's), logo, tenho as tardes para aproveitar o bastante sol que tem feito.
    lá por haver crise e muito desemprego, não quer dizer que todos temos de estar depressivos e a rezar para que os outros não tenham vida.

  6. Eu trabalho a recibos verdes, sempre trabalhei…a única vez que estive com um contrato foram contratos semanais num call center…estava lá em part-time para poder continuar com a minha formação. Não tinha a mínima noção de que os primeiros a sair eram os que ganhavam mais! Ainda assim eu durante estes anos no mercado de trabalho, pensei muitas vezes em abandonar a minha área e estava disposta a fazer qualquer coisa para começar a entrar no mercado de trabalho sem ser em call center ou coisas assim (nada contra quem lá trabalha mas eu detestei mesmo)… só que me deparei com um problema que não imaginava que existe.Imaginemos precisavam de alguém em recursos humanos. Ora como tinha conhecimentos de direito laboral candidatava-me..resposta…desculpe não possui nenhuma licenciatura em recursos humanos.. Ou seja eu esbarrava constantemente no facto de haver uma licenciatura para cada coisa…sendo que nem sequer ponderavam a hipótese de uma pessoa ainda que licenciada noutra área poder desempenhar aquelas funções… felizmente e depois de muito esforço as coisas começaram a endireitar, ainda que o que é hoje não é amanhã.

  7. Essa é uma realidade, mas não só na area do jornalismo.

    Sou licenciada em Gestão e trabalhava numa empresa à 7 anos, sempre pensei que quem fosse aplicado, tivesse amor à camisola e trabalhasse para o patrão como para ele próprio, isso não (me)aconteceria. Como estava enganada, somos apenas mais um, mais um número.
    2 meses depois a empresa faliu.
    Na altura (à 9 meses) encontrava-me gravida de 10 semanas e tive muito medo de perder a minha filha de tal forma que fiquei abalada.
    Correu tudo bem tenho neste momento uma menina linda, mas ainda desempregada.

  8. Fiquei parva com o comentário da Filipa das 12h21m. Então agora o Arrumadinho num blogue pessoal não pode falar daquilo que faz só porque os outros não têm emprego? Mas que patetice. Estou como lhe disse alguém aqui em cima; em vez de blogues vá visitar o net-empregos. Entendo que seja duro não ter emprego, passei por isso durante muito tempo, mas o Arrumadinho nem sequer diz as coisas em tom de provocação.

  9. UAU! UAU! UAU!
    Atarefada estive eu durante o dia, pelo que nã consegui vir espreitar,
    mas agora deparo-me com um texto "BRUTAL", a propósito da actualidade e política de emprego deste País.
    A verdadeira politica é uma intuição com ciência e infelizmente Portugal não tem dado oportunidade aos verdadeiros talentos que têm que ir brilhar para o estrangeiro e ficam cá alguns oportunistas que se servem da politica em vez de servirem a "CAUSA PÚBLICA".
    Ai, ai estou a entrar numa área obscura que não quero descortinar, porque este ano tenho como principal objectivo ser feliz "SÓ" com aquilo que é possivel sem reclamar e já me estava a esticar.
    Sejamos positivos para partilhar bem estar ao nosso redor.
    Beij.K:).

  10. Posso adiantar que é um mal geral! Conheço a realidade da Função Pública que se torna mais grave do que o caso do jornalismo! Temos pessoas totalmente obsoletas, que não conseguem acompanhar a evolução de hoje em dia, que demoram 3 dias a fazer trabalho de meio dia e que no final pensam que fizeram uma bela m_rd_ !!E como tal, essas mesmas relíquias encontram-se efectivas, já nada de novo contribuem para o serviço mas também não podem ser dispensadas devido ao custo que traz à entidade patronal! Atire a primeira pedra quem já viu alguém da Função Pública ser despedido por contenção de custos!Eu nunca vi..

    E é isso e também serviços com gente a mais, mas coitados, não podem ser dispensados pois lá está!!O bicho papão da indemnização e da efectividade!E é injusto separar famílias!!Senão informem-se a quantidade de gente da mesma família que trabalha nas nossas autarquias!!Tachinhos é o que é!!Espaço para quem vale a pena não existe e para os mais novos muito menos!

    Entristece-me esta situação!!Somo um país de corruptos e de interesses maiores e vamos continuar a ser assim: pequeninos em tudo…e as nossas mentes brilhantes acabam por enveradar por outro país!Ao menos alguém que nos dê a possibilidade de demonstrar o nosso valor, já que dentro deste rectângulo isso não é possível!

  11. Eu no fundo, no fundo também acredito que a hora dos bons chegará mais cedo ou mais tarde. O problema é: nos entretantos como se pagam as contas e se criam os filhos???

  12. Filipa das 12.21…que comentário mais parvo! Porra que é demais. O que é que uma coisa tem que ver com a outra?…Visitar o net-empregos em vez de blogs era uma boa atitude tb…

  13. Bons comentários foram aqui deixados e deixo a minha solidariedade a todos. Trabalho desde os meus 14 anos, oficialmente (com descontos) desde os 17, há um quarto de século, portanto :). Sempre trabalhei a tempo inteiro e estudei à noite desde os 14 anos até completar o secundário e a minha formação académica. Sempre cumpri com todos, empregadores e Estado. Nunca estive desempregada e fui evoluindo profissionalmente, com alguma sorte mas com muito esforço e algum risco. Vou ser dispensada agora porque realmente o investimento está parado e a empresa onde trabalho não tem trabalho que permita continuar nos mesmos moldes. Posso dizer que psicologicamente está a ser devastador porque todos sabemos como está o mercado de trabalho. Como já desde julho que se colocou este cenário, fui consultando sites de oferta de emprego e é chocante ver que na minha área não aparece praticamente nada. O fator económico também vai ser um choque pois o rendimento mensal vai cair drasticamente. Estou ainda na fase da revolta pois desde 2008 que o desemprego passou pela minha familia mais próxima: marido, irmão e cunhada. O pior de tudo: saber que o pior ainda vem aí pois neste momento tenho muito pouca esperança que as coisas melhorem no país, ainda vai ter que bater mais fundo antes de uma verdadeira recuperação pois as medidas que estão a ser tomadas não prometem nada de bom.

  14. Estou parva!
    Sempre trabalhei como independente e não fazia a minima ideia que os primeiros a serem despedidos são os que ganham mais! Parece-me uma enorme estupidez: então os que ganham mais não são os melhores? Como é que querem ter sucesso se despedem os melhores?
    Este país é surreal!!

  15. Por favor estenda este comentário a todos os bons profissionais. Isso acontece em todo o lado, os bons saem em prol de interesses que nada beneficiam as organizações.
    Até na Administração Pública, isso acontece. Não podem sair os mais velhos, por isso saem os mais novos, os competentes, aqueles que fazem o trabalho de 3 ou 4.
    O desemprego paira muito para além do universo da comunicação social. Por favor mencione isso. Obrigada.

  16. Verdade.
    Trabalho numa empresa grande nacional. Sinceramente, até "hoje", nunca pensei que aqui iriam ser despedidas pessoas. Mas o "hoje" já cá chegou também.

    Dói.

    Estou cá, mas já vejo as coisas doutra forma. E com o mercado tão volátil, OPA's e fusões à mistura, já não me sinto seguro.

    Um abraço a todos os que atravessam dificuldades,

    http://simaoescuta.blogspot.com

  17. Pois, eu já tinha ficado desempregado mais do que uma vez (entre estágios e estágios) mas realmente como isto está agora…nunca vi. Desde Setembro que não fui chamado para uma entrevista. Este mês decidi que já chegava e vou mudar a minha vida. Esperando que seja para melhor, vou voltar à zona que me viu nascer, apesar de amar Lisboa..mas tem de ser. Ao ver as pessoas mais inteligentes que conheço, boas profissionais, educadas, apresentaveis, a vestir a camisola durante anos por agências de comunicação..e depois levam um chuto no cú, assim do nada e também ninguém as chama para nada.
    É triste, mas também acho que pode ser uma wake up call.

  18. por cada mês de trabalho, tenho três meses de desemprego.
    tenho 24 anos, mas não vou tê-los para sempre e vai chegar uma altura em que vou ter de desistir da utopia que é o jornalismo deste país.

  19. Uma realidade em todos os sectores!
    Acho que somos um povo que repete sempre os mesmos erros. E cada um de nós, individualmente, acha-se sempre melhor do que os outros!
    Recorrente.

  20. Nem de propósito… acabo de regressar do centro de emprego de cascais (achei que nada melhor do que perder o muito tempo que tenho na segurança social e no centro de emprego)e são fantasticas as respostas que ouvimos).
    Sou trabalhadora independente desde 1999, formei-me em arquitectura (uma das minhas paixões)e desde o dia em que recebi o canudo que trabalhei com recibos verdes, e foi preciso mudar de área para ter acesso a um contrato e consequentemente a um subsidio de desemprego (pois parece que alguem que governa acha que todos os que passam recibos verdes quando ficam sem trabalhar nao têm vida propria.
    Ora durante o periodo em que me encontro a receber o subsidio achei (mal claro) que poderia tentar outro tipo de formaçao de forma a enveredar por outros caminhos. Não podia estar mais errada pois (e ja tinha ouvido esta resposta uns meses antes)os licenciados nao têm acesso a cursos de formação. Fantastico! a senhora "gentilmente" informou-me que dao preferencia a quem nao tem a escolaridade obrigatoria.
    E eu perguntei: e os licenciados não têm contas para pagar? Não têm hipotese de mudar de vida?
    (saiu-me logo em tom de desabafo)Agora entendo porque razão ha mais desempregados licenciados: são os que estudaram e se esforçaram para ter uma profissao e os que somam formaçoes (e isto é real dependendo dos conhecimentos que se têm) porque o governo assim o decidiu.
    A senhora encolheu os ombros e disse-me: Se tiram um curso tambem têm capacidade para mudar de vida!!!

    Continuo a digerir estas palavras…

  21. "A hora dos bons" chega mesmo! Eu acredito nisso e aplica-se a todas as áreas profissionais. Pode levar tempo, mas chega. ( e olhem que a minha área, o ensino, também não está melhor)

  22. Bom texto.

    Eu tenho um exemplo lá em casa!
    Bom profissional, cCriativo e com um currículo invejável mas no desemprego ou não consegue um emprego onde consiga usar a sua criatividade e aplicar toda a sua experiência profissional.

    É triste! 🙁

    Mas concordo com o Arrumadinho e digo-lhe várias vezes:
    – A tua hora vai chegar!
    Quando se é bom naquilo que se faz há-de voltar ao cimo como já esteve.

  23. E de quem é a culpa? De certeza que não é das pessoas que trabalham e que se dedicam de corpo e alma a um emprego que só lhes oferece instabilidade.

    Há que haver amor à camisola e, quando falo em amor aqui, quero dizer sacrifício: duas coisas que nunca deveriam estar interligadas.

    De alguma forma, a convergência tecnológica materializou-se também numa convergência profissional, é por isso que vemos tantas empresas pequenas com pessoas esgotadas a fazer o trabalho de 3 ou 4.

    Quero acreditar e confiar num futuro optimista mas estou magoada com Portugal. Sou uma jovem que não tem futuro profissional no seu próprio país a não ser num call-center, onde se misturam desde professores a pessoas que só têm a 4ª classe. Não vejo aqui qualquer coerência: quando é que Portugal vai voltar a valorizar a mão-de-obra qualificada?

    Tenho consciência do que é preciso fazer para mudar o rumo do país, mas onde está a oportunidade e o estímulo? Onde está a abertura mental, até a nível profissional? Por que é que Portugal é um país tão avesso à mudança?

    Para não falar de quando despedem pessoas, seja no ramo do jornalismo ou não, que trabalham na mesma empresa durante 20 anos e que saem de lá já com meia-idade, com muito menos perspectivas profissionais e com uma família para sustentar. Isso é que é avassalador.

    Tantas perguntas, sem resposta. Só resta ter sorte na vida. Mas está na hora de deixar de pensar apenas nos problemas e começar a pensar nas soluções e nas respostas.

  24. A maior solidariedade que mostraria, em vez de palavras, era com gestos. E gestos do tipo, não demonstrar o quanto pode viajar e comprar e laurear. Isso, sim, seria solidariedade com quem não sabe o que vai ser o futuro nos próximos tempos. Porque pouco interessam essas palavras de conforto, quando mesmo antes pôs um post a mostrar o quão "chato" é o seu trabalho numa esplanada a beber sumo de laranja, ou poucos antes conta os dias para ir para vários lugares do mundo com que os agora desempregados só podem sonhar ir, ou ir de vez para emigrar…

  25. Não podia estar mais de acordo!

    Foi o que aconteceu comigo há uns tempos atrás. Trabalhava em Rádio, na Informação e porque estavam em "cortes orçamentais" fui a primeira a vir embora, aquela que era a primeira escolha no trabalho, porque era primeira que se dedicava, porque era primeira que mostrava novas opções, porque era a escolha em muitas coisas, também fui a 1ª escolha na hora de vir embora.

    Actualmente já não trabalho na área da rádio, mas o "bichinho" continua aqui, trabalho noutra vertente da comunicação, mas tenho planos, ideias e certezas de que daqui a um tempo estarei novamente onde sempre quis estar.

    E é isso que as pessoas devem fazer.

  26. passou-se exactamente o mesmo comigo… depois de dois anos a dar o litro num orgão de comunicação regional, com trabalhos que ate chegaram a programas da televisão… mandaram-me embora pela questão do ordenado mais alto e também porque tenho a minha maneira de pensar e isso atrapalha muita gente… sou a chamada desalinhada- felizmente o meu trabalho e reconhecido e houve pelo menos duas empresas de comunicação social dispostas a darem-me trabalho… optei por aquela em que já la estava um colega meu, que basicamente foi quem me levou para lá, que me disse isto: "foste mandada embora porque nao abanavas o rabinho como os caezinhos que eles la têm agora"… infelizmente isto passa-se em muitos sectores e o atraso de algumas empresas está relacionado com isto mesmo: o dar-se privilégios aos engraxadores que normalmente sao os menos talentosos e trabalhadores…mas esta e uma história para ja com final feliz . lançamos o nosso numero zero http://issuu.com/jornalojornal/docs/o_jornal … enquanto os nosso mais directos rivais se contorcem de inveja.
    sa

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