Desamor – O Segredo

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Há sensivelmente um ano comecei a estruturar o que veio a ser o meu segundo livro, o Desamor, que está nas bancas desde Junho. Foi um projecto que me deu um prazer imenso, já que contou com a participação dos leitores, que me enviaram as suas histórias mais tristes, aventuras que lhes mudaram a vida ou a forma de entenderem as relações ou até mesmo o amor.

A muita gente que me deu o livro para assinar, escrevi aquilo que realmente penso sobre o desamor. Não acho que deva ser visto como um fim, mas sim como uma lição, e como o primeiro passo para algo de bom que aí vem. Um fim nunca é o fim de tudo. E muitas vezes o fim de uma relação é apenas uma fase de maturação da nossa vida emocional e amorosa. É doloroso, atira-nos ao chão, mas é na capacidade que cada um tem de se levantar que está muito do prazer da vida.

Na altura do lançamento do livro, publiquei aqui um excerto de um capítulo. Era uma das nove histórias inspiradas em acontecimentos reais vividos pelos leitores do blogue. São aventuras fortes, algumas pesadas, quase todas marcantes.

Agora, ofereço-vos um capítulo completo.

Se quiserem ler o resto, Desamor está em todas as livrarias.

O Segredo

Uma forte discussão com a minha mãe, com quem sempre tive uma relação difícil, levou-me a sair de casa aos 25 anos. Na altura, trabalhava em Setúbal, como lojista, e de vez em quando tinha de ir a encontros de revendedores para ajudar a minha patroa a fazer encomendas e a tratar de burocracias.

Conheci o Sérgio num desses encontros. Ele era da zona de Lisboa, mas tinha sido colocado no Instituto Politécnico de Setúbal como professor-assistente. Era simpático, bonito, não aparentava ter mais de 30 anos, e senti logo uma química entre nós. Tinha ido acompanhar uma amiga, que era representante de uma marca de roupa, mas passou mais tempo a falar comigo do que a ajudá-la. Trocámos números de telefone e prometi-lhe um tour pela cidade, que ele desconhecia, por ter chegado há pouco tempo. Minutos depois de me ter ido embora, recebi uma mensagem dele.

— Só te esqueceste de uma coisa: dizer-me como te chamas.

Fez-me sorrir. Respondi-lhe que me chamava Adelaide, que tinha 25 anos, 1,68m, 52 quilos e que o meu cabelo preto era natural. De volta, recebi um sorriso.Logo nesse dia, trocámos vários SMS e combinámos um jantar.

Em vez de escolher um lugar bonito e charmoso, optei por levá-lo a um restaurante típico de Setúbal, barulhento, onde se come o melhor choco frito da cidade. Acho que ele admirou a ousadia e disse-me que aquele tipo de sítio tinha muito mais a ver com ele, já que era um homem simples, descontraído e informal. Gostei de saber.

Desde que vi Sérgio pela primeira vez que me senti atraída por ele, por isso, não durou muito até acabarmos na cama. Primeiro em minha casa, depois na dele.

Ao fim de uma semana, assumimos o compromisso e tornámo-nos namorados. A relação corria bem e acabei por me mudar para casa dele, até porque financeiramente era mais vantajoso para os dois, já que podíamos dividir as despesas. De repente, no espaço de um mês, passei de solteira e sem namorada a uma mulher praticamente casada. Mas estava confortável e feliz com a mudança.

O Sérgio nunca tinha vivido com uma mulher e demonstrava sérias dificuldades em partilhar um espaço. Ficava muito nervoso quando não encontrava as coisas nos sítios onde as deixava, incomodava-se com o barulho normal de outra pessoa pela casa, o que me perturbava e, invariavelmente, levava a discussões. Numa delas, um pouco mais intensa, cheguei a dizer-lhe que se calhar nos tínhamos precipitado com a decisão de vivermos juntos. Esperava que do outro lado viesse uma mensagem conciliadora, um abraço de esperança, mas não, o Sérgio concordou com o que eu dissera, o que me deixou desiludida. Mas não desistimos. Ainda assim, e como seria de esperar, a relação esfriou, embora sentisse que continuava a gostar dele e a admirá-lo.

Um dia, o Sérgio perguntou-me se lhe poderia sugerir um restaurante engraçado para levar um colega, o António, que tinha tirado o curso com ele e iria mudar-se para Setúbal, para substituir uma professora que estava de baixa de maternidade. Como não conhecia ninguém das relações dele, já que os amigos eram todos de fora, pedi para ir jantar com eles.

Quando o António chegou fiquei deslumbrada. Era lindo de morrer, alto, com uns olhos azuis enormes, barba por fazer, parecia um modelo. Depois, durante o almoço, revelou ser extremamente inteligente e com um sentido de humor incrível. Passámos o tempo a rir à conta das histórias que contava, que metiam quase sempre mulheres, claro. Na altura, pensei que deveria ter uma legião de fãs prontas para lhe saltar para cima. Bastava estar cinco minutos com ele para perceber porquê.

A partir desse dia, o António passou a fazer parte do nosso núcleo. Almoçávamos os três várias vezes por semana, ele ia jantar a nossa casa, fazíamos sessões de cinema em conjunto, saímos à noite, era quase como se fossemos três amigos a viver na mesma casa. Só lhe faltava dormir lá, porque de resto estava sempre connosco.

Quando o António não aparecia, tudo tinha menos graça, e parecia que eu e o Sérgio não encontrávamos assunto para conversar. Com o tempo, ele tornou-se o meu melhor amigo, a pessoa com quem passava mais tempo, com quem podia falar abertamente de tudo e que melhor parecia entender os meus problemas.

A grande prova disso chegou passado um ano, quando a minha prima, de quem era muito próxima, faleceu vítima de um tumor. Tinha 29 anos. Entrei numa fase depressiva, em que tinha imensos ataques de pânico e violentas crises de ansiedade. Tomava anti-depressivos que me hipnotizavam e me transformavam numa pessoa diferente, menos alegre, sombria, negativa e triste. Ao contrário do que pensei que pudesse acontecer, isso só me aproximou ainda mais do António, que esteve sempre pronto para me ouvir, para me puxar para cima, para me recuperar.

Um dia, depois de ter faltado ao emprego por não ter tido força emocional para sair da cama, o António entrou-me por casa (ele já tinha chave), arrancou-me dos lençóis, enfiou-me na banheira e obrigou-me a tomar um duche. Depois, agarrou em mim, meteu-me no carro e levou-me até um ponto muito especial para mim, na Serra da Arrábida, o lugar que um dia lhe mostrara, enquanto lhe fazia uma visita turística pelos locais mais bonitos da zona de Setúbal. Na altura, dissera-lhe que era aquele ponto era o meu lugar mágico, o sítio que me fazia mais feliz. Não sei se por estar demasiado fragilizada ou emocionalmente alterada, mas comecei a chorar agarrada a ele.

— Eu pensei que este local te fazia feliz, e não triste. Se é para chorares levo-te já de volta para a cama. Ao menos lá não me manchas a minha melhor camisa — brincou ele.

— Gosto muito de ti, António.

— Eu também gosto muito de ti.

Ficámos olhos nos olhos durante uns 10 segundos. Fui dominada por uma imensa vontade de o beijar, e tenho a certeza de que era também isso que lhe apetecia. Controlei-me. Abracei-o, apertei-o com força e senti os braços fortes e longos dele, que me enrolavam por completo e me puxavam contra ele. Ficámos assim durante alguns minutos. Não precisámos de mais palavras. Ficámos envolvidos pelo silêncio, que completava o abraço. Ambos sentimos que o que nos unia era demasiado forte. Foi a melhor sessão terapêutica que poderia ter.

Quando ele me deixou em casa senti-me fisicamente muito debilitada, quase como se a presença dele fosse suficiente para me defender de qualquer doença. Comecei a sentir tonturas, dores no corpo, náuseas e espasmos. Liguei ao Sérgio, que estava na escola, mas ele não me atendeu. Tentei o António, que voltou de imediato para minha casa. Depois de vomitar tudo o que tinha e não tinha no estômago, de começar a arder em febre. Ele optou por me levar para o hospital. Entrei pelas urgência, puseram-me a soro e fizeram-me uma série de análises, para tentar perceber o problema. Passadas umas horas, fui levada para um gabinete.

— Quer que mande entrar o seu marido? — perguntou-me o médico, referindo-se ao António, que esperava na sala.

— Ele não é meu marido, é só um amigo, mas sim, pode pedir para ele entrar — respondi, a sorrir, e já mais bem-disposta.

O António entrou, deu-me um beijo na testa, sentou-se a meu lado e deu-me a mão.

— Bom, fizemos alguns testes para tentar perceber o que estava a originar esta indisposição repentina, com episódios de vómitos e tonturas e talvez não saiba mas está grávida de quatro semanas — disse o médico com um sorriso prolongado. — Muitos parabéns.

Fiquei estarrecida, sem reacção. Olhei para o António, que estava tão perplexo como eu. Abraçámo-nos. O médico deu-nos permissão para ficarmos no gabinete mais uns minutos e saiu. Só parecia estar à espera daquele momento de privacidade. Comecei a tremer e a chorar de forma descontrolada, enquanto apertava o António contra mim. Quando ao fim de algum tempo levantei a cabeça, percebi que também ele tinha os olhos em lágrimas.

— Eu não quero ter esta criança. Não quero. Não posso — disse-lhe, a soluçar.

Ele não me respondeu, limitou-se a chorar agarrado a mim.

— Não estou preparada, não é o que eu quero para a minha vida. Não pode ser. Não é o momento. Não quero que seja com o Sérgio. Ajuda-me, António.

— Não há nada que eu possa fazer. É uma decisão que vais ter de tomar com ele. Não quero nem posso influenciar-te em nada. Tens de agir com consciência. Há uma vida em jogo.

— Não há uma vida. Há quatro vidas. A da criança, a do Sérgio e a nossa. Eu estou a pensar na nossa.

— Vamos tentar que a nossa vida seja o mais feliz possível.

— É isso que eu quero.

Bateram à porta. Era o Sérgio, que tinha recebido uma mensagem escrita do António a dizer que tinha ido comigo ao hospital, e que estaríamos naquele gabinete. Quando espreitou lá para dentro ainda nos viu abraçados, e de olhos húmidos.

— Então, o que é que aconteceu? — perguntou-me o Sérgio, enquanto me passava a mão pelo cabelo.

— Comecei a ter umas tonturas, depois vomitei. Liguei-te, mas como não atendeste pedi ao António para me trazer ao hospital.

— Estava a dar aulas, desculpa. Tinha o telemóvel no silêncio — O Sérgio deu uma palmada no ombro do António, em jeito de agradecimento. — E já sabem o que é que tens?

Olhei para o António, que virou a cara para o chão.

— Não sabem se é algum vírus. Fiz umas análises, depois comunicam-me o resultado. Mas já me sinto melhor.

Não tive coragem de contar ao Sérgio. Eram demasiadas coisas a acontecer, demasiadas emoções para um dia só, e precisava de me deitar, pensar na vida, no que queria, antes de discutir a gravidez com ele. Em tempo já tínhamos falado na possibilidade de termos um filho, mas nunca decidimos começar a tentar. Eu tomava a pílula, mas o efeito era muitas vezes anulado pela enorme quantidade de comprimidos que tomava para combater as depressões e os ataques de pânico. Como as nossas relações sexuais eram pouco frequentes — uma vez por mês, duas no máximo — também nunca me passou pela cabeça que iria engravidar.

Fomos para casa e mergulhei na cama. O Sérgio foi-me fazer umas torradas e levou-mas ao quarto. Ficou a olhar para mim durante algum tempo, como se estivesse a perceber que havia qualquer coisa que não lhe estava a contar. Olhei para ele e senti que não era justo nem honesto ele não saber.

— Estou grávida.

— O quê?

— De quatro semanas. Ainda é muito pouco tempo.

— Grávida? Mas… quando é que…

— Soube hoje no hospital.

— E não me contaste?

Ele sentou-se ao meu lado na cama e segurou-me a mão.

— Estou um bocado em choque — disse-me ele, com um sorriso atrapalhado.

— Eu também.

— E agora?

— Acho que não devemos ter o bebé.

— Não? Como assim? Mas já pensaste sobre o assunto? De onde é que isso vem agora?

— Acho que não é a altura, que não estamos preparados, falta-nos muita coisa.

— O que é que nos falta? Pensei que querias muito ser mãe.

— E quero. Mas sinto que este não é o momento.

O Sérgio levantou-se e começou a andar de um lado para o outro no quarto, muito sério. Passou a mão pela cara, nervoso. Eu olhava para ele, enterrada debaixo dos cobertores e agarrada a uma almofada.

— Quando é que vai ser o momento? Achas que um dia vamos dizer que temos dinheiro suficiente, estabilidade suficiente, uma casa suficientemente grande, apoio suficiente? Não. Isso nunca vai acontecer. Se vamos estar à espera de ter as condições perfeitas, então, nunca vamos ser pais. As vidas adaptam-se às circunstâncias. Se a vida nos está a dar esta possibilidade, então, acho que não a devemos negar. Temos de nos esforçar, de nos moldar a uma nova realidade. Temos uma casa, temos emprego, temos os teus pais por perto, os meus também não estão assim tão longe, temos algum dinheiro. Já viste a quantidade de gente que tem filhos e que não tem nem metade do que nós temos?

Apeteceu-me dizer-lhe tudo o que sentia, a verdadeira razão pela qual não queria ter um filho naquela altura. Não podia ser mãe quando não tinha a certeza de amar o homem que iria ser o pai dessa criança, quando vivia uma relação que criava mais dúvidas do que certezas, quando o meu primeiro instinto, logo que soube que estava grávida, foi o de querer muito que o pai tivesse sido outra pessoa que não o Sérgio. Mas não fui capaz.

— Nós conhecemo-nos há menos de dois anos, ainda não casámos, e eu gostava de seguir um caminho mais tradicional, deixar amadurecer a relação, casar, e daqui a algum tempo pensarmos em crianças, prepararmos a vinda de um filho, tudo planeado, pensado. Eu vou fazer 27 anos, tu tens 30, somos muito novos, não temos de nos precipitar.

Ele voltou a sentar-se ao meu lado e apertou-me a mão com força.

— Adelaide, eu não preciso de passar mais 10 anos ao teu lado para ter a certeza que te amo. E também não tenho de esperar sei lá quanto tempo para saber que quero que sejas a mãe dos meus filhos. Aconteceu, pronto. Ainda bem. Vamos ver o lado bom e bonito disso. Neste momento, já me sinto pai e já te vejo como mãe. Dentro de ti está o nosso filho. Não é um projecto, uma ideia, uma dúvida. É uma vida, gerada por nós. Não temos o direito de a destruir.

Não tive argumentos para contrariar o Sérgio. Ficou decidido, naquele dia, que iríamos ter a criança. Fechei-me na casa de banho e chorei durante uma hora. Senti que aquela decisão significava o fim do sonho de um dia poder lutar pelo António.

À noite, recebi uma mensagem dele no telemóvel.

— Como estás? Contaste-lhe?

Não tive coragem de lhe responder. Achei que ele merecia saber de outra forma. No dia seguinte, de manhã, perguntei-lhe se podia ir ter comigo a um parque infantil, que ficava perto de minha casa, para conversarmos.

Apareceu à hora combinada. Apertou-me contra ele com força. Senti-me segura naquele abraço, mas não me consegui controlar. Comecei a chorar.

— Calma, Adelaide. Acalma-te, vá. Conta-me tudo. O que é que se passa?

— O Sérgio não quer que eu aborte. Vamos ter a criança.

O António voltou a abraçar-me e não me lembro de termos voltado a trocar uma palavra. Chorámos os dois. O que sentira na véspera, a sensação de ver um sonho perder-se, era agora o que o António sentia. Decidimos que o melhor seria afastarmo-nos. A ausência física atenuaria a dor que ambos sentíamos.

Praticamente não nos vimos durante seis meses, tirando um ou outro encontro circunstancial, quase sempre porque o Sérgio desafiava o António para jantares, para ver jogos de futebol ou saídas à noite. Eu arranjava forma de me ausentar, de não estar presente, mas nem sempre era possível. Das poucas vezes que nos vimos, percebi que ele tentava ignorar a minha barriga, já muito evidente. Apesar de o António tentar ao máximo alhear-se da gravidez, achei que o devia escolher para padrinho da minha filha, a Leonor. Pouco antes de ela nascer, quis ter uma última conversa com ele, a sós. Voltámos a encontrar-nos no parque infantil.

— Obrigado por teres aceitado ser o padrinho da Leonor.

— Não havia razão para não aceitar. Vocês são os meus melhores amigos.

— Mas eu sabia que ia ser difícil para ti. Mas queria-te ligado à minha vida de alguma forma.

— Vou tentar ser o melhor padrinho possível.

— E achas que poderemos ser amigos, mesmo a sério, unidos e inseparáveis?

— Já te disse, és a minha melhor amiga.

Dei-lhe um abraço. Senti que as palavras dele não eram totalmente honestas, mas era o único caminho que nos restava.

Na semana seguinte, estava eu a dias de ser mãe, o António apareceu para jantar em nossa casa. Vinha acompanhado por uma rapariga bonita, baixinha, bastante mais nova que ele — aparentava ter uns 21 ou 22 anos. Apresentou-a: chamava-se Laura e era namorada dele. Quando a vi pela primeira vez senti um ardor intenso no estômago, talvez imaginando logo que pudesse ser alguém com quem ele tinha uma relação, mas, não sei porquê, naqueles minutos, alimentei uma ténue esperança de que fosse uma prima, uma colega, a irmã, sei lá. Não. Era mesmo a namorada.

Tentei ser simpática e cordial, mas não foi fácil. Sempre que ia à cozinha tinha vontade de chorar de raiva. Depois, na sala, disfarçava o melhor possível tentando parecer feliz por esta nova etapa na vida do António. Cheguei mesmo a dar-lhe os parabéns, com um sorriso que só eu sei o quão falso era. Na verdade, a vontade que tinha era de correr com aquela mulher de minha casa e chamar-lhe tudo. Ainda mais porque era bonita e elegante, tudo o que irrita uma mulher grávida de 39 semanas, com a auto-estima na lama, as hormonas tresloucadas, um humor de cão e níveis de tolerância muito próximos do zero.

A Leonor nasceu uma semana e meia depois. Foi o dia mais feliz da minha vida. Senti-me preenchida, realizada e tive a certeza que a decisão que eu e o Sérgio tomáramos fora a correcta.

No dia seguinte, o António foi ver-nos à maternidade. Chegou com a Laura, mas ela recusou-se a entrar no quarto, nem sequer para ver a bebé. Achei aquilo esquisito.

— Passa-se alguma coisa com a Laura?

— Uma crise. Mas passa-lhe.

— Então? Porquê?

— Ciumeiras parvas.

— Ciúmes de quê?

— Não percebeu que fizesse questão de te vir ver à maternidade. Ela acha que é coisa unicamente para o marido e pais da mãe, não para amigos. Eu tentei explicar-lhe que não me sinto um amigo qualquer, que somos muito próximos, sou o padrinho da Leonor, e que há coisas que por muito que ela peça eu jamais farei. Como isto.

Abracei-o. Vi-o a acariciar a Leonor e, por muito cruel que possa parecer, naquele momento quis muito que ele tivesse sido o pai dela. Este sentimento foi ampliado pelo facto de nos últimos meses da gravidez o Sérgio ter começado a mostrar uma personalidade que eu desconhecia. Na fase em que mais precisava, e em que voltei a passar por crises de ansiedade e um período mais depressivo, ele afastou-se de mim, não me apoiou e nunca mostrou paciência para me ajudar em nada. Foi o início da minha grande desilusão.

Os primeiros tempos com a Leonor em casa foram muito duros. As crises de ansiedade não passavam, a fase depressiva revelou-se mais intensa e tudo isto piorou porque não pude tomar a medicação apropriada, já que estava a amamentar, e tive receio de que isso pudesse ter implicações na qualidade do leite.

O momento mais duro chegou quando a Leonor tinha três meses, e esteve relacionado com o António. Ele foi a nossa casa, acompanhado pela Laura, claro, e comunicou-nos que se iriam casar. O Sérgio fez uma festa, abraçou-os, começou logo a falar da cerimónia, do copo d’água, e eu fiquei para ali com um sorriso plástico, que tentava esconder o desgosto profundo que sentia. Apetecia-me partir coisas, bater no António e perguntar-lhe porque é que me estava a fazer uma coisa daquelas. Senti aquele anúncio, esta decisão do António, como uma traição, o ponto final em todos os meus sonhos. O nascimento da Leonor traçara o nosso destino, mas com um casamento o António queria dar-me um sinal: o nosso amor morrera mesmo, antes até de ter tido uma oportunidade. Apesar de tudo isto, sentia que continuava a amá-lo e sofria muito por ver que ele não sentia o mesmo por mim.

O António e a Laura casaram-se passados seis meses. Foi o dia mais triste da minha vida. A minha relação com o Sérgio estava pior do que nunca. Não havia proximidade, cumplicidade, química, paixão, nada. Da minha parte, também já não existia amor. Levava uma vida infeliz, frustrada, focada unicamente na minha filha. Engordei seis quilos, deixei de fazer praticamente tudo o que me dava prazer, tinha um marido ausente e desinteressado, um emprego onde não era valorizada e continuava a sofrer por ver o homem da minha vida feliz ao lado de outra mulher.

A cerimónia foi um pesadelo, com toda a gente muito contente, a Laura sempre agarrada ao António, ele também cheio de sorrisos. Senti-me uma velha amarga, que só quer o mal dos outros, quando sei que não sou nada disso. Tive consciência da mulher em que me havia tornado, e sabia que era impotente para mudar o que quer que fosse.

Quando partiram o bolo, fui sentar-me sozinha à mesa. O Sérgio, que já estava alcoolizado, tinha ido para junto do grupo de amigos, e estavam para ali às gargalhadas a falar sei lá do quê. Apeteceu-me pegar no carro e voltar para casa, mas o António não me merecia essa falta de respeito. Depois, chegou o momento da abertura da pista e os noivos dançaram uma música animada. Preferi não ver. Levantei-me para ir para o jardim, apanhar ar. Quando ia a sair, e já com toda a gente a começar a dançar, senti tocarem-me no ombro. Virei-me. Era o António.

— A minha primeira dança tem de ser contigo.

Apeteceu-me beijá-lo, dar-lhe um estalo, dizer que sim e sorrir, dizer que não e virar-lhe costas. Não tive coragem de fazer nada. Baixei os olhos. Ele tocou-me no queixo, sorriu, pegou-me na mão. Deixei que me levasse por entre aquela gente toda. Apertou-me contra ele, como já fizera tantas vezes, e dançámos. Durante aqueles minutos, não pensei em nada. Senti-me a noiva, a mulher da vida dele, embalada pela música e por um sonho que sabia ser impossível, mas que naquela altura não me importava. De mãos dadas, senti que o que nos unia era eterno e não havia casamentos ou filhos que o anulassem.

À nossa volta, toda a gente dançava. O António foi-me encaminhando para junto de uma das janelas que davam acesso ao jardim, sempre embalados pela dança. Até que me soltou, puxou-me por uma mão e saiu da sala, arrastando-me com ele.

— António, onde é que vais?

Ele entrou para dentro de uma pequena sala, cheia de cadeiras empilhadas, caixotes e mesas de plástico brancas enfiadas umas nas outras. Fechou a porta, trancou-a e empurrou-me contra ela. Ficámos frente a frente, com os lábios a poucos centímetros de se tocarem.

— Porque é que não és tu que estás ali vestida de noiva? Porquê? — perguntou-me ele, emocionado.

O meu coração batia de forma descompassada. Estava dominada pela surpresa e pelo medo. E se alguém nos tivesse visto? O que é que eu diria ao Sérgio se ele nos visse sair dali? E ele à Laura?

— Responde-me!

— Era o que eu mais queria nada vida, António.

— Então porque é que me fizeste isto? Porque é que desististe de mim?

— Eu não desisti de ti. Tu é que nunca me quiseste, nunca acreditaste.

— Nunca te quis? Eu apaixonei-me por ti no dia em que te vi pela primeira vez, Adelaide. Eu amava-te como nunca amei alguém no dia em que me disseste que irias ter um filho do Sérgio. Isso, para mim, foi um sinal, o sinal de que havias desistido.

— Então porque é que não me disseste isso? Porque é que escondeste o que sentias?

— Porque eu sou amigo do Sérgio. Não podia ser eu a causar a vossa separação. Se o querias deixar terias de o fazer por já não o amares, e não por haver outra pessoa. E o pior é que eu sei que tu não o amas. Mas quando decidiste ter um filho dele mostraste-me que estavas indisponível.

— Não estou, António. Não estava na altura, e não estou agora. Tu é que estás. Tu é que te casaste. E essa decisão, sim, muda tudo.

— Eu casei-me porque tu não me deste a mão.

— E amas a Laura?

— Não.

— Então porque é que te casaste com ela?

— Para atenuar a dor que sentia.

— E atenuou?

— Não.

— E agora?

— Agora não sei.

Comecei a chorar descontroladamente. Saí daquela arrecadação suja e corri sem direcção, para longe dali.

O nosso tempo passou. Mas o amor perdura.

Até um dia.

49 Comentários

  1. Parabéns pelo Blog . Estou rendida 🙂 .

    Este fim de semana na FNAC do Vasco da Gama, levava comigo um papelinho com o título do livro e seu respectivo autor.

    Para poupar tempo , fui ter com uma das meninas das informações e perguntei se tinham : Nome do livro e autor ! Sem hesitar e sem consultar qualquer ficheiro responde-me : ” Quer o livro do Arrumadinho é isso ? ! ” .
    Aí percebi que estava perante um fenómeno que pelos vistos já vem de algum tempo e que me passou totalmente ao lado. ATÉ HOJE 🙂 ……

    Já li o livro todo, e anseio agora pelo próximo.
    Mais uma vez, parabéns .

    Abraço

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    Parabéns pelo Blog . Estou rendida 🙂 . <BR><BR>Este fim de semana na FNAC do Vasco da Gama, levava comigo um papelinho com o título do livro e seu respectivo autor. <BR><BR>Para poupar tempo , fui ter com uma das meninas das informações e perguntei se tinham : Nome do livro e autor ! Sem hesitar e sem consultar qualquer ficheiro responde-me : " Quer o livro do Arrumadinho é isso ? ! " . <BR>Aí percebi que estava perante um fenómeno que pelos vistos já vem de algum tempo e que me passou totalmente ao lado. ATÉ HOJE 🙂 …… <BR><BR>Já li o livro todo, e anseio agora pelo próximo. <BR>Mais uma vez, parabéns . <BR><BR>Abraço <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Julia</A> ( Aveiro )
  2. Olá Mafalda, obrigada pelo seu comentário, é sempre bom alguém nos dizer “fizeste o correto!”.
    Agora a minha “bebé” já tem 6 anos, é uma menina feliz e a quem eu sei que dei uma vida melhor, que venera o A., que o sente como pai quando o verdadeiro não está (que é praticamente sempre), que lhe dá amor e carinho e regras e ralhetes como um verdadeiro pai.
    Finalmente os nossos caminhos uniram-se…e foi o melhor que me podia ter acontecido e à minha filha.

    Sou verdadeiramente feliz!!

    Paula

  3. Quis só dar-lhe os parabéns pela sua decisão. Não pode ser um filho a manter um casamento, e ser-se infeliz só porque agora existe um bebé. Fico feliz por haver quem corra atrás do que lhe faz bem…

    Um beijinho

  4. Achei a história super absorvente e vou definitivamente comprar o livro, mas tenho de concordar com o comentário acima… Não há paciência para estes amores complicados. Ficar numa relação porque se tem um filho é absolutamente ridículo, essa menina vai crescer com pais que não se amam, há pior que isso? Como é que a Adelaide não pensou nisso já que gosta tanto da filha?

    Acho sinceramente que agora o António não merece a Adelaide, e que ela devia ter sido corajosa e dizer tudo o que sentia ao Sergio.
    E essa pseudo falta de comunicação que levou ao casamento do António também é muito estranho, porque é mais do que evidente que ambos se amavam.
    Estão 3 pessoas infelizes apenas por culpa dela. É realmente uma história triste, porque se complica o que pode, com o tempo, ser facilmente descomplicado.

    Sou uma pessoa que adora ler e de choro facil com histórias de amor, mas esta só me deixou irritada e angustiada por haver gente que não sabe a sorte que tem.

  5. exacto… e depois qtas mães não há que acabam por “descontar” nas crianças a sua frustração.. como se fossem elas as culpadas =/

  6. Que coisa tão pegajosa. Gosto do teu estilo de escrita no blog mas francamente se o livro é todo assim é mauzinho. Às vezes os jornalistas não dão bons escritores. E quanto mais cedo perceberem melhor.

  7. Não foi por acaso que coloquei o destas entre aspas. Aquilo que pretendi dizer é que todas as pessoas têm histórias de amor ou desamor que merecem (podiam ser) contadas num livro.

    Acredito que todas as pessoas vivem momentos sentimentais que são dignos de partilha. E, pessoalmente, gosto de ler essas histórias.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

  8. E como disse que tinha de ler o livro, ontem fui comprá-lo e passado menos de 4 horas já o tinha “devorado” todo!!! Está super bem escrito, muitos parabéns!!! E agora fiquei curiosa pelo próximo!!!

  9. Aquilo do Romeu e da Julieta acabou mal por causa de mal-entendidos, nunca gostei da história deles e ainda gostei menos desta. Se o Shakespeare é culpado de ter escrito um dramalhão, os protagonistas desta história são culpados de não ter agarrado a felicidade: sabiam onde ela estava – ali mesmo à mão, sabiam-lhe o nome mas resolveram complicar. Não tenho a mínima paciência para “desististe de mim; não tu é que desististe; eu desisti porque já tinhas desistido primeiro”, para “ai tu é que devias ser o pai; ai tu é que devias ser a noiva”.
    Pode não parecer, mas sou uma romântica. Gosto das histórias de gente que esbarrou com o amor, das histórias de quem lutou pelo amor, das histórias de quem vergou perante o amor, mas não suporto histórias de gente que o desperdiçou.

  10. Antes de mais parabéns pela forma como escreveu a história, a escrita fluí e prende definitivamente o leitor. Fiquei com muita vontade de ler o resto do livro. Em relação à história em si, com toda a sinceridade parece-me de uma imaturidade emocional imensa. Adultos que agem como adolescentes e que não tem coragem de assumir as suas próprias escolhas e sentimentos. Mesmo que a Adelaide e o António fiquem juntos, ou já o estejam, construíram a felicidade deles alicerçada na infelicidade de outras pessoas. O Sérgio, por mais que doesse merecia sinceridade da namorada e do “suposto” melhor amigo e da parte do António casar com alguém para “atenuar a dor” é de uma infantilidade e irresponsabilidade tremendas. É de uma enorme falta de empatia para com os sentimentos de outra pessoa. Não valorizo pessoas assim, desleais com os outros e sobretudo consigo próprias.

  11. Há precisamente um ano comecei o meu “Desamor-Segredo”. Quando o Ricardo publicou um pouco do seu projecto “Desamor”, estava a viver uma fase de êxtase no meu “Segredo”. As coisas avançaram a um ritmo alucinante e em meados de Julho, ela disse-me: Vou casar!
    Bati no fundo.
    Em agosto recebi o livro Desamor como prenda de aniversário. Quando li o primeiro capitulo, vi a minha história ali toda tirada a papel quimico, com algumas diferenças, claro, mas o essencial estava lá. Li o livro em apenas 1 dia. A primeira reacção foi enviar uma sms a Ela e dizer: Vem ter comigo, vamos tomar café, vou-te emprestar um livro e lê o primeiro capítulo hoje!! Vê o fim de uma história de amor, e por favor acaba o “nosso capítulo” de outra forma.
    Tive vontade de 1001 coisas.
    Ela casa em Julho do próximo ano, e eu, todos os dias penso no fim do “nosso capítulo”.
    E tal como no livro, o tempo passa mas o amor perdura.

    Muitos parabéns pelo teu trabalho.

  12. E pronto já sei o próximo livro que irei ler …
    Mas agora a sério este capítulo não acaba assim pois não? Eles tem que ficar juntos senão tudo o que acredito vai por água a baixo ….

  13. Faltou coragem para ser feliz, porque é preciso coragem para ser feliz. As pessoas às vezes acomodam-se porque é mais fácil, porque sim. E casar para atenuar a dor?!?! Perdoem-me mas não percebo, não percebo mesmo…
    De qualquer das formas, desejo tudo de bom à Adelaide e desejo profundamente que um dia ganhe coragem para ser feliz.

  14. :’)
    Não resisti e acabei de passar encomenda, mesmo pagando 10€ de portes de envio para França!! Não vejo a hora de ele chegar….acho que vou devora-lo numa noite!!!!

  15. Esta história deixou-me um bocado deprimida.
    E eu sei que é muito mais fácil mandar bitaites de bancada quando não de vive a situação, mas como é que uma pessoa deixam a vida escarpar-se assim das suas mãos, acomodando se a um destino que não as faz felizes só para evitar tomar decisões difíceis?

    Eu ainda perceberia se a pessoa estivesse em auto negação ou indecisa, confusa, etc. Mas tenho mais dificuldade em perceber que uma pessoa, consciente de onde está a sua felicidade, seja capaz de abdicar dela…

  16. Uma história muito triste. E escreveres agora um livro com historias que tinham tudo para correr mal, mas que correram bem, muito bem? Se decidires escrever esse livro conto-te a nossa história.

  17. Elogio a tua atitude de partilha de um excerto do teu livro. Afinal o livro nasceu com o blog e os seus leitores. Muito obrigada.

  18. Ainda eu acho que a minha historia de vida teve momentos de pânico, medo, angustia, tristeza, raiva, duvidas e ansiedade. Essa historia deixou-me o coração apertado.
    Não sei a continuação da historia da Adelaide, mas espero que tenha lutado como eu lutei para ser feliz.
    Gosto desta sua frase ” Não acho que deva ser visto como um fim, mas sim como uma lição, e como o primeiro passo para algo de bom que aí vem.” De facto o fim pode ser difícil, doloroso, mas haverá sempre algo que nos ajuda a melhor, isto claro se quisermos.
    Irei procurar o livro

  19. Esta história é muito triste…mas muito real. Uma decisão tomada num segundo muda o resto da nossa vida.
    Infelizmente tive uma historia muito parecida com esta, em que eu também decidi ter uma filha de outra pessoa (porque assim me parecia o correto) e o A. com esse desgosto também decidiu casar ( eu não fui ao casamento dele mas ele tinha ido ao meu), mas consta que nesse dia ele chorou, não de felicidade, mas porque era como que um ponto final no que poderia ter acontecido connosco…
    Curiosamente ele casou exatamente no mês que a minha filha nasceu.
    Hoje somos ambos divorciados e vivemos juntos, e somos muito felizes. Cada um tem uma filha, e juro que penso muita vez no quanto gostava que a minha filha fosse filha deste homem maravilhoso que as circunstâncias da vida fizeram com que os nossos caminhos não se tivessem cruzado antes…
    Também a história da Adelaide e do António pode vir a ter um final feliz…hoje em dia não é um filho ou um casamento que dita o fim de tudo.

    Boa sorte para a Adelaide…e não desista que a vida dá muitas voltas, nada é “para sempre”!

  20. Os meus parabéns, este projecto é magnífico. Adorei a história, não pela história em si, mas pela maneira como fui envolvida conforme fui lendo. Queria muito saber o fim do outro capítulo que publicaste, estou sem saber até hoje, não há € para livros neste momento nem tenho numa livraria perto para poder ir espreitar 🙁

  21. E a Laura? Não tem culpa de nada, e será ela, provavelmente a maior vítima. Percebo, mas a vida deve ser vivida com coragem, sobretudo com a nossa consciência.

  22. “Devorei” o Desamor em 2 dias. Foram muitos os “ohhhhhs” e os “xiiiiiiiçaaaaaa”, que exclamei enquanto o li, é toda uma mistura de sentimentos que só se tem noção lendo as histórias, uma a uma. Chega-se a entrar no enredo, a querer saber mais e principalmente, como a história acaba ou como ficou resolvida a situação, ou não. Houve uma das história que me deixou perturbadíssima, a da rapariga que por causa de um boato parvo e estúpido, tem a vida virada do avesso. Pensei muito nela durante dias e acabei por contar a história dela a pessoas conhecidas. Só espero, sinceramente, que ela já esteja mais recuperada, ou pelo menos melhor, e se numa remota hipótese ela ler este comentário, tenho uma coisa a dizer-lhe: és muito mais forte que isso tudo que te derrubou, luta porque um dia vencerás!

  23. Não acho esta história particularmente bonita. Já não tenho pachorra mas estes quero-e-não-posso-porque-te-amo-mas-é-complicado. Acho uma falta de respeito estar-se com alguém sem se estar apaixonado e acho uma cobardia não se ser sincero em relação aos sentimentos. Mas pronto, desejo o melhor à ‘Adelaide’ e à ‘Leonor’.

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